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quinta-feira, setembro 15, 2022

Chamem o Milhazes para me ajudar aqui a dizer a 1ª palavra da interjeição:
C...., fui mordida por um jacaré!
[assim gritou a Muda Bella quando se banhava lá no Pantanal]

 

Do que vi na televisão, longas e longas e longas filas para chegarem perto do caixão real, tenho a dizer que me ocorre sempre a mesma prosaica dúvida: mas aquela gente não precisa de ir à casa de banho? Mas, na volta, ninguém precisa e a mais ninguém ocorre esta dúvida. Por isso, desde há muito interiorizei que sou a única mijona à superfície da terra.

Eu, com a minha tensão baixa, se estiver muito tempo de pé, ao fim de algum tempo começo a ver tudo a pôr-se branco. Disfarço, bebendo água. Só que se a água me ajuda a manter-me em pé, ao fim de algum tempo já deu a volta ao circuito e anuncia que está de saída. Agora imagine-se que estou no meio daquela gente toda, ali, horas e horas e horas. Haveria de ser bonito. Mas eles, bem os vejo, todos na boa, firmes e hirtos, frescos e fofos e sem vontade de ir à casa de banho. Juro. Não percebo.

Agora até me lembrei de uma secretária que havia quando fui trabalhar para um certo edifício. Reinava aquela mulher imponente, alta, forte, cabelos lisos compridos, muito louros, olhos muito azuis, voz poderosa. Toda a gente dizia que o administrador que ela secretariava era quem mais mandava no pedaço mas que quem mandava nele era ela. Falava como se, de facto, mandasse e impunha respeito a toda a empresa. Ninguém duvidava do seu poder e a ninguém ocorria desafiá-lo.

O gabinete dele era enorme, todo forrado a madeira, Num canto era a área da secretária, uma secretária enorme, e, no extremo oposto, perto da porta e rodeado de janelas, era o espaço da sala de reuniões, uma mesa comprida com dez cadeiras em volta. Entre um espaço e outro, tudo dentro do mesmo gabinete, era a zona dos sofás, uns belos sofás de pele. E havia grandes quadros a óleo, tapetes de lã, móveis de boa madeira. Outros tempos. Agora é tudo branco, liso, de vidro, uma monotonia. Bem. Para se chegar ao gabinete desse administrador tinha que se passar pelo gabinete dela, um gabinete que tinha também uma antecâmara onde ela deixava em banho maria os que chegavam antes de tempo ou sem estarem marcados. Havia ainda uma espécie de despensa cheia de estantes onde ela tinha o arquivo.

Até que ela achou que tinha muito trabalho e precisava de uma ajudante. As vontades dela eram ordens. Como o gabinete dela era grande, foi lá colocada uma outra secretária de madeira e outra de carne e osso. Claro que fez da outra gato sapato. E uma das primeiras instruções que deu à sua aprendiz foi que arranjasse um garrafa grande para que, quando tivesse vontade de fazer xixi, fosse à despensa fazer para a garrafa. A questão, segundo ela, é que uma secretária tinha que estar sempre disponível para quando o big chefão chamasse ou quisesse uma chamada ou para o que fosse. Claro que a outra, que também era de nariz empinado, se recusou -- disse que quando estivesse aflita iria à casa de banho e ponto. Claro também que não se aguentou muito tempo naquelas funções. E claro que também contou esta história e nunca ninguém mais se arriscou a entrar na despensa.

Mas, pronto, isto a propósito daquelas longas filas para se despedirem de Isabel II. 

Adiante.

Agora estou aqui a ver o Armário, um curioso programa com a Joana Barrios que se veste e maquilha a condizer com o seu fácies. Não se pode dizer que tenha uma beleza convencional mas a verdade é que a acho uma mulher interessante. É curiosa, carismática. E acho-a simpática. Gosto de vê-la quer aqui, quer nos programas de culinária. Tem sentido de humor, tem inteligência, tem graça.

Creio que o programa trata de marcas ou criadores portugueses ligados à moda ou à cosmética. Aproveito para ir vendo e escrevendo até dar o Pantanal. E, neste compasso de espera, aproveito também para dar uma circulada pelas notícias, pelos blogues (há com cada maluc@!) e pelo youtube.

E foi aqui que o meu amigo algoritmo tinha para me oferecer um videozinho mesmo divertido. O Porchat, esse ganda maluco, convida pessoas conhecidas para contarem cenas curiosas que lhes tenham acontecido. Aqui a convidada é Bella Campos, a Muda do Pantanal. 

E a história é do caraças: fora das filmagens, no período de descanso, estava a banhar-se no rio quando sentiu uma pressão na perna. Com a mão deu uma estalada no atrevido e foi então que percebeu que o atrevido era um grande jacaré. Nem imagino... 

Mas o melhor é vê-la e ouvi-la a falar sobre o sucedido.

Bella Campos foi mordida por jacaré durante banho de rio no Pantanal | 

Que História é essa, Porchat?

No Que História é essa da semana, Fábio Porchat recebe Bella Campos, Raí e Rodriguinho. Bella conta a história de quando foi mordida por um jacaré no Pantanal. A atriz deu detalhes do seu resgate e cuidados após o acidente.

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Desejo-vos um dia bom

Saúde. Curiosidade e alegria. Paz.


segunda-feira, fevereiro 12, 2018

Na era da inteligência oculta que nos segue e ampara,
as minhas dúvidas sobre o que é a verdadeira beleza e o genuíno assombro


O meu marido estava a perguntar-me onde queria eu ir. E eu, com uma branca, sem conseguir lembrar-e do nome da livraria que ando para ir conhecer e de que lhe tinha falado. Lembrava-me do sítio onde me disseram que fica, lembrava-me do género, segundo quem lá esteve me contou. Mas nem pista de nome. Melhor: lembrava-me quase do nome, quase, quase. Mas aquele aflitivo 'quase' que não facilita. Zero. Como se a cabeça estivesse a querer dizer-me que pensasse antes com os pés e a deixasse em paz. Fechei os olhos, a palavra mesmo aqui na rebentação da memória, mesmo, mesmo -- mas nada. 

Pensei: google. E, enquanto ia para a barra de pesquisa, ia pensando que não percebia como vivíamos antes de haver motores de busca

Bem. Fui, então, ao google e escrevi livraria e, quando ia escrever mais algumas dicas para ajudar o algoritmo que está por detrás do motor de busca, antes de ter escrito mais o que quer que fosse, apareceu o nome da livraria que eu procurava. Abaixo mais umas mil linhas, todas com nomes de livrarias (Bertrand, Almedina, Lello, ..., etc, etc) mas, para meu supremo espanto, em primeiro lugar o nome daquela livraria. Daquela mesmo. E não é uma livraria comercial ou especialmente conhecida... Nem pouco mais ou menos. Fiquei em estupor catatónico. E ainda estou. A inteligência que a google coloca no algoritmo vai a ponto de adivinhar aquilo que desejo ou que se esconde nos baixios do meu pensamento? Percebe que, se vou pesquisar uma livraria, só pode ser uma livraria como aquela...? Fogo... Tão estranho...

Enfim. É o admirável mundo novo.

Entretanto, voltei a entrar no YouTube pensando, 'deixa cá ver o que é que vai ele sugerir-me desta vez...?'.

Gosto de ser surpreendida. Na vida real as conversas de que mais gosto são as que tenho com pessoas que me falam de coisas fora da caixa, inesperadas, surpreendentes. Infelizmente, cada vez há menos pessoas aptas a isso. Ou, então, sou eu que cada vez mais tenho no meu CV tanta e tanta coisa que já não há muita gente capaz de me apanhar desprevenida ou de me ensinar coisas do além. E o drama é que acho que isso nem tem a ver com o meu nível de exigência ou de conhecimentos mas com a vulgaridade crescente que parece que vem, paulatinamente, cobrindo a maior parte das pessoas. Parece que, em geral, as pessoas se limitam a ler o que os facebooks desta vida repetem e repetem e em que o que mobiliza as atenções é o que a maré despeja na praia à mistura com a espuma dos dias. Cansam-me as pessoas que, como alguma empáfia, aparecem com novidades que nada têm de novo, apenas têm banalidade, imprecisões, irrelevâncias.

Mas, pelo contrário, o meu amigo algoritmo está cada vez mais apurado na sua argúcia. Sabe despertar o meu interesse.

Desta vez apareceu-me com um escultor cujo matéria prima são os tecidos, nomeadamente o tule. Estive a ver. Quando se começa a ver, causa impacto. Mas depois parece que o efeito surpresa se atenua. Do tule passei para as fitas. E por aí fora. Fez-me lembrar os trabalhos de Joana Vasconelos que têm um lado espectacular que torna os trabalhos bastante mediáticos ou 'comerciais'. Benjamim Shine, do que já me foi dado perceber, tem muito trabalho, muita obra feita, muitos clientes.

Benjamin Shine studied fashion design at The Surrey Institute of Art and Design and Central St Martins in London. In 2003 he set up his creative studio, where materials, techniques and constructional ideas continue to inform his diverse portfolio and multidisciplinary approach.
Benjamin's work has attracted a range of clients encompassing fashion labels, product and interior manufacturers, international Arts and Design institutions such as The Crafts Council, UK and The New York Museum of Arts and Design. Global brands include Givenchy, Barclays Wealth, MTV, Eurostar, Deutsche Bank, Coca-Cola and Google.
To date, Benjamin has won the Red Dot Design Award, The Enterprising Young Brit Award and The Courvoisier Future 500 Art & Design Award.
Mas vejam, por favor, pois, seja como for -- achemos que o que ele faz é de inequívoca ou de dúbia qualidade, de efeito imediato e efémero ou que tem, em si, alguma perenidade -- este é o género de coisa que nos abre a mente. A mim, pelo menos, produz um efeito positivo. Se me traz um toque de assombro e outro de beleza e umas pitadas de dúvida, então, a mim, já me prende.


This Artist Makes Incredible Sculptures Out of Fabric


From Bergdorf Goodman and Givenchy to Sotheby’s — and across much of the internet — artist Benjamin Shine’s ethereal work with tulle has made him perhaps the foremost fabric sculptor in practice today. We met with Shine in his studio to see, and try to understand, his process.


Benjamin Shine and the idea behind the 'Entwined' Ribbon Sculpture. 


'Entwined' celebrates  the idea of two souls taking physical form, falling in love and sharing every twist and turn along the way. The wedding sculpture and installation takes the form of two ribbons, floating from the air as they loop and converge to define each profile. The ribbons continue meandering around trees and over branches, into the forest where they entwine to form the wedding arch. Located inside the venue's entrance, friends and guests were asked to follow the ribbons which lead them to the ceremony and seating area, 200 metres away in the forest. In total, over 4 kilometers of handwork was required in bending and compressing the edging to create the ribbons, which were powder-coated in white.


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O que Benjamin Shine faz é arte?

Não sei. Sei pouco de tudo.

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sexta-feira, julho 25, 2014

O sexo desperta a vontade de consumir, não é? O Futre e a Lara Stone que o digam. Os anúncios que se seguem mostram até onde pode ir a potência e a gulodice. Um foi proibido e o outro, estranhamente, não.


Aquilo da Jaquina (que poderão ler no post a seguir) deixou-me um bocado KO. Depois de ter escrito sobre isso, incapaz de continuar a escrever, sentei-me um bocado no sofá a ver a Quadratura do Círculo. Mas, de abananada que ainda estava, adormeci instantaneamente. Acordei agora mas, confesso, ainda estou um bocado pedrada. Não ouvi nada do que eles disseram. Ou melhor, agora que estou a despertar, lembro-me que ainda ouvi o Pacheco Pereira a dizer que acha que o Ricardo Salgado deveria desatar a falar, a desbocar-se: submarinos, dinheiros em Angola, compra de material militar, financiamento de partidos.

Havia de ser giro... Fartava-me de rir.

Bem. Enquanto acordo e não acordo e enquanto vejo se me aguento aqui sentada ao computador ou se vou já direitinha para a cama, mostro dois vídeos completamente parvos.

Leio que o primeiro, o que contém um anúncio em que entra o Futre, foi banido. Não sei porquê.


Leio no youtube, junto ao vídeo que a TV não quis passar, que, com Libidium Fast, Paulo Futre mostra a sua técnica e talento. Os benefícios do produto estão à vista.


Libidium Fast - um produto Bliss Natura


Libidium Fast é um estimulante sexual masculino, com produtos naturais, que aumentam a potência sexual masculina, ou seja, segundo leio no site, um Viagra em versão naturalista


O que me espanta é o que leio a dado ponto:

Advertências e precauções ​

Não se recomenda a toma deste suplemento em caso de gravidez ou aleitamento, salvo indicação médica


Caraças! Então mas se isto é para dar espevitar a virilidade, que raio de conversa é esta da gravidez e do aleitamento? 

Mas isto é capaz de ser o sono com que estou que não me deixa perceber tudo à primeira. Às tantas, amanhã quando estiver acordada, percebo logo.




Não sei porque é que proibiram isto. Será publicidade enganosa? Quem tomar um comprimido destes não consegue fazer as mesmas habilidades que o Futre?

Como não estou grávida ou a amamentar, será que, se tomar, desato a dar toques na bola só com a força mental que se elevará do meu baixo ventre? Capaz de ainda experimentar. Ou melhor, não. Sabe-se lá se isto me dá para ficar barbuda.

Será que a Cátia Palhinha ainda está no programa da SIC? Era moça para se meter a experimentar isto sem pestanejar. 

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Do mesmo tipo é o novo anúncio Stella McCartney para o perfume STELLA. Filmada pela dupla Mert e Marcus, fotógrafos que são visita frequente no Um Jeito Manso, Lara Stone aqui insinua o que pode fazer com um frasco de bom tamanho.


Este anúncio é que me parece que devia ser proibido. Perigoso aquilo. Olha se a gente passa a usar os frascos de perfume daquela maneira...? Ainda nos engasgamos. E se o frasco se entorna na nossa boca? Será que não faz mal ao estômago? Ná. A mim não me apanham a lamber ou a comer a Stella.




Bonito serviço, sim senhor.

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Sobre o que aconteceu aqui em casa, um verdadeiro fenómeno surrealista (uma Jaquina voadora a atravessar a casa) podem, os meus Caros, conferir no post já a seguir a este.

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sexta-feira, maio 23, 2014

Jorge Jesus e Paula Rêgo, não sei se tás a ver, é tudo a mesma coisa. Pintores. Vocês não tão a ver mas um treinador é um tipo que é um criativo. Tu pões os jogadores a jogar assim e assado e isso exige muita conhecimento. Tu fazes as coisas e são muitas delas científicas mas ninguém percebe. Eu vi um quadro com uma que se chamava Maria e que era da Paula Rêgo e ela disse que ela tava a chorar, tás a ver, mas eu não vi lá ninguém a chorar mas ela sabia que a Maria tava a chorar, não sei se tás a ver


>>>   Monólogo de mim para mim, ao estilo do grande artista   <<<



O Jorge Jesus ganha milhões e parece que até é bom treinador. 

Tu não fazes ideia porque não percebes bóia de futebol, tás a ver, mas vês que o gajo até ganhou para aí umas coisas. 

Mas tu olhas para o cabelo dele (que agora até não tá mau de todo, não tá amarelo nem pelos ombros) e tu ouves as coisas que ele diz, e ficas passada. 

Um gajo que fala assim, trocando o género às palavras, passando pelos tempos verbais como boi por vinha vindimada, tás a ver, e ficas passada. 

O gajo até é capaz de dizer coisas com muita profundidade, comparar-se à Paula Rêgo não é pa qualquer um e, na volta, um dia destes até se compara ao Carlos Fiolhais já que já diz que é um cientista e, pá, tu ficas marada da cabeça.


Paula Rêgo - War, 2003

O gajo, o pintor, o Jorge Jesus, diz que não viu que a Maria tava a chorar, tás a ver, e tu ficas a pensar, mas o gajo não viu porque a Paula Rêgo se esqueceu de pintar as lágrimas ou porque o gajo estava com a franja para os olhos, tás a ver.


É pá e ficas a pensar, será que o cientista-pintor  não viu o quadro do láparo a reinar sobre os destroços? 

Ficas a pensar que gostavas de o ouvir a falar deste quadro. 

O que seria que o gajo veria neste quadro? 

Artista como é, ainda via nisto o ataque do Passos Coelho à população. Sabe-se lá. O gajo é criativo, capaz de ver coisas que mais ninguém vê. É que o gajo, tás a topar, vê coisas que mais ninguém vê. Ou será o contrário? Será que não vê coisas que toda a gente vê. Ó pá, não sei, é muita areia p'á minha camioneta, tás a ver.


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Paula Rego no momento em que é apresentada a Jorge Jesus

(que cara é aquela, senhores...?)
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Jorge Jesus no seu melhor

Qual a relação entre um pintor e um treinador de futebol? Jorge Jesus explica, comparando-se a Paula Rego.


Vídeo da extraordinária conferência de imprensa final da taça de Portugal 2014 



Ganda Jesus, meu. Tu vês isto e ficas sem palavras.


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Agradeço ao generoso Leitor que me enviou este vídeo.

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quinta-feira, março 27, 2014

Mário Crespo reforma-se e a SIC não renova o contrato com ele - ouvi a despedida e fiquei com pena. Logo agora que eu estava a ficar fã dele, é que ele se vai embora...? Quem é que agora vai fazer oposição a sério ao gang encabeçado por Passos & Portas....? Convido-vos a verem o vídeo com a emocionada despedida de Mário Crespo e, também, uma entrevista de Mário Crespo a António Lobo Antunes.


Andava eu agora sempre a ver quem é que o Crespo levava para se desbocar contra o Governo, já um bocado cansada da Constança que fala a uma velocidade estonteante e, portanto, a virar para a SIC Notícias e a ficar surpreendida com a assertividade e acutilância do Crespo, e eis que hoje sou surpreendida com as despedidas emocionadas que entendeu por bem fazer em directo, evocando os primórdios da sua profissão e alguns entrevistados que o marcaram.

Não se faz.





Não era antes pessoa que me cativasse mas a verdade é que se tornou uma bandeira contra este governo desgraçado. Estava a tornar-se um must.


SIC não renova contrato com SIC

Li agora que Mário Crespo, tendo atingido os 66 anos (pensei que fosse mais novo - está bem conservado!), tinha metido os papéis para a reforma e que, na sequência disso, a SIC N não renovou o contrato.


Pode ser que alguma outra televisão o contrate.

Entretanto, porque António Lobo Antunes foi um dos convidados que ficará na memória de Mário Crespo (referiu-o na despedida como um dos que gostaria de voltar a entrevistar) - e porque eu própria gosto de ver o escritor-psiquiatra a falar, blasé, nonchalant - aqui vos deixo com uma das entrevistas que este lhe fez no final do ano passado.


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António Lobo Antunes no Jornal das 9 SIC Notícias com Mário Crespo



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terça-feira, março 18, 2014

O melhor barbeiro do mundo (mas é melhor não ir lá se ele estiver engripado ou, então, por prudência deverão obrigá-lo a usar máscara).


Um Leitor, a quem muito agradeço, acha que devo complementar o cardápio de serviços do Um Jeito Manso dedicados ao bem estar masculino.

Se ontem aqui tive um serviço de massagens completo com direito a bónus no final, hoje tenho massagem para a cabeça - e que massagem. Cuidado com ele, com o massagista. Do além.

Eu gosto imenso de massagens e, em particular, massagem no couro cabeludo. Aliás já aqui falei de um cabeleireiro que havia num dos melhores sítios de Lisboa e que tinha a lavar a cabeça um negão do tipo daquele de que ontem falei relatando uma das muitas facécias da minha amiga médica. Este que lavava cabeças era enorme, escultural, cabeça rapada e mãos imensas. A gente sentava-se numa daquelas cadeiras que se reclina e que dá massagens a começar na base da coluna e que vem subindo por aí acima até aos ombros. A cadeira percorria-nos as costas e as mãos do negão percorriam-nas a cabeça, desde a nuca até à testa. Punha shampoo, massajava, tirava shampoo, punha de novo, massajava, punha creme, massajava. E uma pessoa estava ali às portas do paraíso, em plena levitação, desejando que ele não desse a operação por finda.
Depois deixei de o ver por lá. Contaram-me que se passou com uma cliente e que, em fúria, lhe ia esmagando o crânio. Foi despedido. Só de pensar nisso, na minha cabecinha indefesa nas mãos daquele gigante, até me encolho.

Enfim.

Este massagista aqui do vídeo é diferente. Trata-se de um barbeiro que faz coisas inenarráveis e, sobretudo, sopra para cima dos clientes para afastar os maus espíritos, as más energias, ou o que for. Sopra, sopra, sopra.

Mas, tirando isso, até deve ser agradável. Surpreendente mas agradável (desde que o cliente se abstraia do que será que se está ali a passar).

Claro que, depois da barba e da massagem, acho que ele nem se lembra de tentar compor o cabelo dos clientes mas os clientes ou porque apanharam um valente susto com aquilo ou porque nem estão bem neles, também nem devem dar por isso.


Baba, o barbeiro indiano


Da série The Nomad Barber



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segunda-feira, março 17, 2014

A melhor forma de tratar um torcicolo. Aula prática com o apoio da minha assistente Martina Hill e com um endireita muito à maneira. [Este vídeo também não é apropriado para crianças, virgens zelosas ou beatas de sacristia]


Depois da massagem completa para homens com direito a bónus no final (que podem ser vista no post seguinte), eis que agora aqui vos falo da melhor forma para tratarem um torcicolo.

Tivesse eu sabido destas técnicas antes e a ver se tinha andado tão atrapalhada aqui há umas duas semanas. Agora já sei como é. 

Claro está que terei que arranjar quem me aplique estas manobras. Seja como for, vou treinando umas partes porque não sei se sou capaz de me dobrar daquela boa maneira. Se mesmo boa não estou a ver-me capaz de tamanhos contorcionismos, fará empenada. A ver se, quando chegar a hora, estou à altura.

Seja como for, este filme hoje é para uma certa pessoa que encolheu os ombros às minhas últimas aulas práticas com a ajuda da minha assistente Martina Hill. Espero que esta hoje já tenha sal e pimenta em quantidade qb. E espero que, com estas aulas, aprenda a tornar-se um endireita eficiente para o caso de eu voltar a ficar com o pescoço em mau estado.




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E agora, depois de terem estado no endireita, podem seguir para a massagem. É já a seguir.


domingo, março 16, 2014

Depois de correr ou de fazer ginástica, deve descansar, respirar fundo e... // Aula prática com a minha assistente, a esbelta Martine Hill


Caminhar, correr, fazer ginásio, o que for: cada um que adopte a modalidade que seja mais apelativa. Fazer exercício deve ser um prazer, não um castigo.

E nada de levar o corpo até ao limite durante o exercício. Acho um absurdo as pessoas ficarem com os bofes de fora, à beira de uma apoplexia. No exercício deve haver alguma intensidade, não a prática de violência física. 

E, no fim, fazem o favor de se sentarem ou deitarem, respirar fundo, relaxar os músculos. E, importante, devem refrescar-se.

Martina Hill diz-vos como. E não se importem com os olhares alheios.



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Eu, coquette e gulosa, me confesso. Sou como Bianca Balti, La Golosa. Como ela, salvo seja - claro.


No post abaixo já recordei as fabulosas esculturas em movimento de Theo Jansen e, a seguir a esse, tenho mais uma das minhas úteis aulas práticas, desta vez dedicada à bricolage no feminino, socorrendo-me eu, claro, da minha fabulosa assistente Martine Hill.

Mas isso é a seguir. Agora, aqui, a conversa é outra.

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Música, por favor

Ninna Nanna Malandrineddu 

(É uma canção da Máfia mas relevem, já sabem que tenho gostos estranhos e gostar de canções da Camorra, da Malavita é um deles- mas, de resto, a minha relação com a Máfia não passa disto)



*

Já vos contei que sou toda coquette. Nasceu comigo. Nasci assim, sempre fui uma dor de cabeça para os meus pais que me viam a querer enfeitar-me quando não tinha ainda idade para isso, e ainda assim sou e, digo eu, sempre assim serei.

Não saio de casa sem brincos tal como não saio sem cuecas. É a mesma coisa. Não é uma questão de aconchego pelo que não tem a ver com tamanho. Não. Os brincos podem, até, ser ínfimos. Mudo todos os dias. Têm que conjugar com a roupa.

E, tal como uso sempre aliança (excepto ao fim de semana e nas férias), também uso geralmente um anel no anelar da mão direita.

E uso sempre, independentemente da roupa, um fio de ouro muito fino, quase invisível, um risco dourado na base do pescoço. No Natal a a minha mãe deu-me um outro, também muito fininho, de outro branco com um coração pequeno, aberto, cravejado de brilhantes. É um pouco mais comprido que o outro, assenta um pouco abaixo do dourado. Desde então também não o tiro. Mas esses é como se fizessem parte de mim, já nem contam. Para além deles, uso sempre um outro colar a condizer com a roupa.

E pulseiras? Também. Se o anel é vistoso, ou não uso ou uso uma discreta. Mas, se o anel é discreto, abuso nas pulseiras.

Uns brincos de que gosto muito são uns que são uma rosinha. Tenho um par de cor de marfim e outros com a rosinha em verde água. Para cada par destes brincos tenho o corresponde anel, uma rosa da mesma cor.

Também sou uma gulosa.

Fruta. Adoro fruta. Já aqui contei. Até há algum tempo atrás eu tinha um par de quilos a mais e não percebia porquê. Tirando um outro doce e um ou outro almoço mais lauto, de resto era tudo muito na base das coisas ligeiras e da fruta. Logo de manhã comia umas três peças de fruta. Ao almoço, a acompanhar a refeição, bebia um sumo de frutos naturais, de dois frutos, e, geralmente, em cima, mais uma salada de frutas. E por aí fora.

Fui a uma nutricionista que me ouviu descrever os hábitos alimentares. No fim perguntou se eu sabia o que é que estava a provocar-me o peso a mais. Eu não sabia. Talvez o facto de fazer pouco exercício, aventei. Ela explicou: isso também não ajuda mas o pior é mesmo a fruta, é demais. Geralmente eram umas sete ou mais peças de fruta por dia. É muito açúcar.

Não me tinha ocorrido que a fruta engordasse. Passou-me a três peças por dia, um sacrifício para mim. E tinha que passar a andar, mas a andar de forma algo intensa, não andar a ver as montras. Agora ando todos os dias durante quase uma hora. Às vezes calha não poder e sinto logo a falta.

Mas sou mesmo uma gulosa. Fruta e chocolate preto. E gelado genuíno de fruta fresca ou de frutos secos e rum. Ou bolos de fruta. Tento dosear mas é uma chatice: detesto dosear naquilo de que gosto. Tenho aqui agora uns mirtilos secos que são deliciosos. Ou tâmaras. Adoro tâmaras. No outro dia a minha filha lembrou-se de umas entradinhas que eu fazia com bacon a envolver tâmaras, levava os rolinhos a tostar, ficavam uma delícia, mas, claro, upa, upa de calorias. Agora já não faço essas coisas.

Enfim. Vou mas é parar por aqui senão terei que ir à cozinha tasquinhar qualquer coisita, uma laranja talvez, tenho agora umas laranjas sumarentas, douradas, belíssimas.

Sou eu e a gulosa aqui em baixo. Gulosa e coquette como eu. Também com uns brincos e um anel com rosinhas. Mas acho que as semelhanças acabam aí.

(Quem tem uns olhos como ela é a minha meninininha mais linda mas a boca da minha princesinha é mais Angelina Jolie do que Bianca Balti.)





Transcrevo: A short movie shot backstage at the Dolce & Gabbana Jewellery Mamma campaign shoot by Giampaolo Sgura, stars a sexy Bianca Balti with a suggestive nod and a wink to the racy Italian comedies of the70s

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Relembro: Por aí abaixo há mais dois posts em registos diferentes. 

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo domingo. 
O tempo está uma maravilha, é de aproveitar.


quinta-feira, março 13, 2014

'The Return' por Karl Lagerfeld onde Geraldine Chaplin é Coco Chanel. Ah que prazer poder pressentir estes ambientes. Ah e o que eu gosto destes fatinhos Chanel e de colares compridos de pérolas e desta elegância discreta e distinta.


Talvez me abalance hoje a coisas sérias - mas não prometo. Vim para aqui com vontade de desmascarar estes papagaios da treta que não sabem do que falam, que por aí andam a dizer que, quem defende a reestruturação da dívida, não a quer pagar, que isto é perigoso porque os mercados se podem assanhar. Ou desmascarar uns quantos biltres que eu conheço de ginjeira e que para aí andam, de bolsos transbordantes, a apregoar a austeridade para os outros.

Mas, depois, talvez porque ando um bocado cansada ou combalida (e agora é o meu marido que também está engripado, com febre, e tosse e sente-se doente - e a noite passada mal me deixou dormir. Homens...), chego aqui e parece que perco o gás.

Então parto à descoberta de coisas boas, procuro gente elegante, inteligente, bem educada, perfumada.

E, pelo menos enquanto os vejo, esqueço, por oposição, os burros, grosseirões, boçais, mal cheirosos que por aí pululam.


Karl Lagerfeld é um artista multifacetado. Chanel é uma marca intemporal que nasceu de uma mulher determinada, arrojada, forte. 

A Casa Chanel está muito bem com Lagerfeld e os filmes ou as fotografias que ele faz revelam o seu apurado bom gosto. 

Geraldine Chaplin fica lindamente fazendo de Coco Chanel. O resultado é uma maravilha. Não mostro a versão longa mas aqui deixo o trailer e o making of. Um prazer. Mas, ó senhores, que prazer.


Transcrevo o texto que apresenta o filme: in December 1953, Coco Chanel began her incredible return to center stage. The designer reopens her Haute Couture house after fifteen years of absence. The collection is welcomed by the French press with an icy silence. Only the American media supports the looks that define the rebirth of Chanel's style. "The Return" retraces this determining period, that shaped the legend of the designer of rue Cambon forever.


The Return - trailer



The Return, the film by Karl Lagerfeld, with Geraldine Chaplin in the role of Gabrielle Chanel, Rupert Everett, Anna Mouglalis, Lady Amanda Harlech, Arielle Dombasle, Kati Nescher, Vincent Darré and Sam McKnight.



The Return - Making of



"The Return" was imagined, written and directed by Karl Lagerfeld, premiered in Dallas on December 10th as an introduction to the 2013/14 Métiers d'Art fashion show.


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Contra Passos Coelho e Cavaco Silva, contra o José Gomes Ferreira e João Vieira Pereira e muitos outros da mesma envergadura moral e intelectual que por aí andam como galinhas sem cabeça a pregarem contra a gente de cabeça erguida que subscreveu o Manifesto a favor da Reestruturação da Dívida, eu, não podendo abrir-lhes a cabeça e colocar-lhes lá dentro um número suficiente de neurónios em bom estado, retiro-me para um certo jardim secreto (Château de Versailles) ou, então, para a uma bela aldeia barroca (Erice) para ver se me ocorre alguma ideia.


No post abaixo, já perguntei ao Cavaco, o Rei das Cagarras, se vai dar ordem de marcha a Bagão Félix por ter assinado o Manifesto de Reestruturação da Dívida; e, para quem o não leu e deseja formular uma opinião na primeira pessoa, transcrevi o texto integral. Um belo texto, escrito por gente que sabe pensar e escrever.

Mas isso é a seguir. Aqui, agora, a conversa é outra.

*

Tive um dia daqueles verdadeiramente malucos. Não dá para descrever. Quem vive fora do mundo das empresas e não sabe o que passam as pobres almas que tentam que estas se mantenham à tona de água, teria dificuldade em perceber estas maratonas de muitas horas, os ânimos acalorados, o que é preciso calar para não estragar ainda mais, enfim, a dureza que se vive entre quatro paredes neste mundo cão da economia real. Quaisquer palavras indevidas, qualquer má decisão pode implicar centenas de milhares ou milhões de euros. 

Vinda directamente de uma destas reuniões, cheguei a casa por volta das 10 da noite. Cansada. O meu marido perguntou como tinha corrido e eu encolhi os ombros. Ele quis saber mais - mas pouco consegui articular. Cansada, cansada. Amanhã já estarei capaz de falar com fluência. Agora não. Quanto muito escrever.

E, se já cumpri o meu serviço cívico no post abaixo, agora apetece-me mergulhar num outro mundo. Um mundo inexistente, irreal, leve, belo.

Venham comigo.

Dispam as vossas preocupações, respirem fundo, imaginem que se descalçam, que cheira a erva fresca, que a vida é simples, que toda a gente sorri com afabilidade. 
(Por favor não chamem a minha atenção, não me digam que isso não há. Há. Nem que seja apenas na minha imaginação.)
Ou que vivemos num bosque rodeados de beautiful people, gente com roupas inacreditáveis, um bosque envolto numa neblina perfumada.

Ou então que nos retiramos para uma aldeia em que há festa na rua, onde há sedução no ar, onde a temperatura do ar faz subir a temperatura dos corpos.


Sem rebuços ou tabus.

Liberdade e amor à vida.

Vamos?


Secret Garden - Versailles

Dior


The Château de Versailles, emblem of Dior's tradition, hosts a new tale which brings to life the Dior Fall 2013 collection.

The chateau and its park abound with well-kept secrets. The heart of the royal land conceals an extraordinary world of poetry and color: in the depth of its mysterious woods a secret garden blooms out of sight, inhabited by flower-women. From the Grand Trianon to the enchanted forest, Versailles becomes the picturesque backdrop of a dreamlike tale.


Pour femme & pour homme


Dolce & Gabanna


In the campaign that launches the Dolce&Gabbana classic fragrances Pour Femme and Pour Homme, Mario Testino sets a scene of fairytale romance, as the backdrop for a tale of love and transgression, like a gem of ancient storytelling. Starring Laetitia Casta and Noah Mills, and set to the strains of "Città Vuota" by Mina. 

Shot on location in Sicily in the magnificent baroque village of Erice and the beach of La Riserva Naturale dello Zingaro.

***

Relembro: Sobre coisas e pessoas mais prosaicas é favor descer até ao post seguinte.

segunda-feira, março 10, 2014

Uma pergunta a Paulo Rangel, cabeça de cartaz da lista Rangel & Birrento, grandes especialistas em animação de festinhas infantis [Um veste-se de pequeno dálmata e a outra de amestradora. Só usam palavras acessíveis e frases curtas para que o público alvo perceba os seus teatrinhos. Ainda a corrida não começou e já ganharam o prémio da tirada mais ridícula. Tirando esse prémio, podem considerar-se derrotados. Já perderam. Não há uma segunda oportunidade para se causar uma boa primeira impressão. Temos pena]. A pergunta é: sabe andar de bicicleta?


Depois de no post abaixo ter aberto alas para Mignonne, allons voir si la rose, relembrando que a vida corre célere e há que não a deixar passar sem que nos deslumbremos com ela, e depois de ter mostrado como Lisboa, a bela, acolhe com doçura e luz todos quantos a amam e se amam, aqui, agora, parto para outra.


A coisa não é de hoje - mas que hei-de eu fazer? Elas sucedem-se a tal ritmo que se me dá a inspiração para outro lado, logo as coisas parece que aconteceram há eternidades. Que maçada isto.

Mas, ainda assim, apesar de isto de que vou falar agora ter acontecido durante a semana passada, tenho que voltar à vaca fria, ou melhor, ao caniche despenteado, aquele que costuma sentar-se ao lado da Cruélia.




Daqui lanço uma pergunta ao destravado Rangel - que parece que ficou possuído por uma estranha euforia desde que foi anunciado como chefe do grupo maravilha Rangel & Birrenta, uma coisa que parece ser um sucedâneo do Cocó, Ranheta e Facada mas sem a Facada. (Ou a Facada será o Nuno Melo? Em vez do Diogo Feio, o Nuno Melo...? What...?! Qual o critério, alguém me diz? Adiante):


-»     Já aprendeu a andar de bicicleta, ó seu Rangel?

  • Que já aprendeu que o seu público alvo são as pessoas com défice de concentração e que não suportam, nem digerem, nem conseguem chegar ao fim da frase se a mesma tiver mais que duzentos ou trezentos caracteres, isso já eu vi.

  • Que já percebeu que o seu público alvo são as pessoas com idade mental que não vai além de quem o único clássico que suporta é o filme da Disney sobre os 101 Dálmatas, isso também já pude constatar.
O pequeno dálmata apresentando o seu pequeno manifesto

O que ainda não percebi mesmo é se sabe montar com graciosidade o rabinho no selim de uma bicicleta e sair a pedalar. Sabe?

É que um par de patins já tem garantido, mas não sei se será suficiente. Eu apostaria mais numa bicicleta.

Ora confira, ó seu Paulocas Rangélio, como este seu irmão dálmata mais crescido já aprendeu.



***

Para um registo bem diferente onde se fala de uma cidade muito bela e de palavras muito belas e de afectos, desçam, por favor, até ao post já a seguir.


quarta-feira, março 05, 2014

Tomar conta de crianças. O pai toma tão bem conta de um bebé como a mãe? Uma avó é tão competente como os pais? Pois não sei. O que sei é que esta terça feira não parei um minuto (excepto enquanto estiveram a dormir) e agora ainda estou combalida. O Fabio da Porta dos Fundos explica porquê.


No post abaixo mostrei mais três fotografias que ficarão para a petite histoire dos Oscares 2014: são os colunáveis a fazerem-se ao boneco. Alguns, aliás, são quase já uns bonecos (por exemplo, a Donatella está assim a meio caminho entre a Manuela Moura Guedes e a Senhora Dona Lady, a esposa da Rainha dos Carnavais, a auto-proclamada bicha José Castelo Branco.)

No post ainda mais abaixo, alerto para um perigoso vírus que, em Portugal, anda a dar-lhe com força.

Mas isso é a seguir.

Aqui, agora, a conversa é outra.

*

Tirei imensas fotografias, tão lindinhos, tão queridos, uma alegria muito grande. E, volta e meia, estão tão contentes que interrompem o que estão a fazer e vêm, espontaneamente, abraçar-me, um abraço de tipo xi-coração, apertado, doce, amoroso, e dão beijinhos tão bons. São tão meiguinhos. Um abracinho destes justifica uma vida.

Eu devia passar as fotografias para o computador mas não tenho energias para isso, estou a escrever em ponto morto. 

É que uma coisa é estarem os pais (se, por um lado, é mais gente, por outro, os trabalhos estão muito mais distribuídos) - e outra é sermos só os dois e, ainda por cima, com dois canalizadores cá em casa que pensámos que seria por uma hora e foi o dia todo. Todo. Não há explicação. Não conseguiam tirar os pafusos, estavam calcinados. Depois faltava não sei o quê, saíam, depois voltavam e o tempo a passar, uma seca, um transtorno. É que nem deu para irmos com os miúdos para espairecer.

Depois, a questão é que estamos desabituados de uma rotina intensa que mete fazer almocinhos, papas, dar-lhes comida, e lanche a meio da manhã e lanche e meio da tarde, e banhos e fraldas. Mas a questão nem é essa: a questão é que a minha menina mais linda quer que eu participe em cada brincadeira, coisa que naturalmente faço com gosto - mas que me deixa exausta. Agora tu és a filha. Agora vamos fazer uma festa de anos e vais apagar as velas. Agora tenho que te pentear, filha. Ajuda a mãe que o mano desarruma tudo. Vá, anda, vamos ao supermercado, ajuda a mãe. Vá, filha, ajuda a mãe a empurrar o carrinho do supermercado. Vá...! Não posso esperar. Anda, filha.

O dia todo.

E o bebé a trepar por todo o lado. E o bebé a abrir os armários da cozinha enquanto eu preparo as refeições. E a aparecer-me de pirex na mão. Ou a morder a irmã porque quer uma coisa que ela tem e ela, coitadinha, com os dentes da fera marcados no cotovelo. 

Por isso, se por um lado tenho vontade de ver as fotografias e de vos mostrar algumas, por outro, só me apetece ir dormir. 

Além do mais, o dia que me aguarda vai ser dos que pedem que eu os tenha no sítio. Ora tê-los, eu tenho. Mas como deve agir uma mulher com os ditos no sítio num meio em que não é de bom tom mostrar que se os tem? Se nem os homens cabras machos dão a entender que os têm, quanto mais uma mulher? Parte-se a louça num sítio em que a louça nem é tema? Complicado. Vamos ver como me saio das guerras em que me meto. Disseram-me um dia que eu sou conhecida por atirar bombas para cima da mesa. Disseram-me a semana passada que eu causo incómodos. Sei-o bem. Pago por isso. Mas não sei nem quero saber ser de outra forma. No entanto, há lutas que de tão solitárias se tornam difíceis de vencer. Há aquela coisa de se não os podes vencer, junta-te a eles. Mas eu isso não faço.

Podia preparar-me. Premeditar. Planear frases. Mas não consigo. Se eu nem para os exames tinha paciência para marrar, quanto mais para ir para as guerras. Vou de improviso. Toco consoante o momento o pedir. Fio-me na minha capacidade de reacção. Mas garanto-vos: não é fácil.

Contudo, podia ser bem pior. Se estivesse desempregada seria pior. Se estivesse doente, seria pior. Se estivesse longe dos meus, seria pior.

Por isso, venham eles! 

E adiante, que não vos quero maçar com coisecas minhas. 

Voltando aos meus amorzinhos mais lindos, que eu adoro e me enchem de felicidade: há este vídeo da Porta dos Fundos que mostra o desatino que pode apoderar-se de nós quando há mil coisas a fazer, mil cuidados a ter - e é o que o meu marido diz, 'já estamos destreinados, é o que é'. 



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Relembro: por aí abaixo há mais dois posts.

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E, assim sendo, por agora nada mais. Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa quarta feira!

sexta-feira, fevereiro 28, 2014

Antes da Posse - só maravilhas. Depois da Posse - tudo de pernas para o ar. Ora confiram, por favor, se não é verdade.


No post abaixo mostro-vos as palavras de Paulo Morais que foi à Assembleia da República chamar os bois pelos nomes. A política é uma porca que tem muitas tetas e há alguns viciados que não as largam. Haja o que houver, aí estão eles a viveram à sombra da bananeira, andando pelas televisões a pregar a santidade enquanto, no recato dos gabinetes, congeminam a melhor forma de sacar o dinheiro dos contribuintes para o meter nos bolsos daqueles que engordam a sua fortuna, haja ou não crise. Não deixem de conhecer as suas denúncias para melhor se perceber o que se passa. Miguel Frasquilho? Adolfo Mesquita Nunes? Matos Correia?... Ah pois é.


Entretanto, uma Leitora a quem muito agradeço, enviou-me um texto com muita piada e que aqui transcrevo abaixo desta imagem e do vídeo com um palavreado que, ouvindo-o agora, até mete nojo (vejam por favor o maior responsável pelo mais rápido e indesculpável retrocesso e empobrecimento de que há memória). 




A palavra de Passos Coelho em 2010 e 2011 - um best of


(Durante 2010 e 2011, Pedro Passos Coelho disse que sim, disse que não e disse o contrário)


(Vídeo obtido aqui e enviado por um Leitor a quem agradeço)



A vossa atenção agora, por favor.


ANTES DA POSSE:

  O nosso partido cumpre o que promete.
  Só os tolos podem crer que
  não lutaremos contra a corrupção.
  Porque, se há algo certo para nós, é que
  a honestidade e a transparência são fundamentais
  para alcançar os nossos ideais.
  Mostraremos que é uma grande estupidez crer que
  as máfias continuarão no governo, como sempre.
  Asseguramos sem dúvida que
  a justiça social não será o alvo da nossa acção.
  Apesar disso, há idiotas que imaginam que
  se possa governar com as manchas da velha política.
  Quando assumirmos o poder, faremos tudo para que
  se termine com a corrupção e as negociatas.
  Não permitiremos de modo nenhum que
  os reformados morram de fome.
  Cumpriremos os nossos propósitos mesmo que
  os recursos económicos do país se esgotem.
  Exerceremos o poder até que
  Compreendam que
  Somos a nova política.


DEPOIS DA POSSE:

  • BASTA LER O MESMO TEXTO, DE BAIXO PARA CIMA, LINHA A LINHA...



O PSD em peso e o responsável pelo partido de coligação todos na maior galhofa. Deve-lhes correr bem a vida.


*

A primeira imagem foi obtida aqui e a última, uma montagem que mostra a vergonhosa risota e a animação no congresso do PSD, todos felizes com a desgraça que têm andado a causar no País, aqui

*

Relembro: sobre a denúncia da promiscuidade que grassa na Assembleia da República (e, segundo ele, também no Governo e no Banco de Portugal) feita por Paulo Morais, vejam, por favor, o vídeo no post abaixo.


quarta-feira, fevereiro 19, 2014

"Se quisermos modificar o País, temos de fazer exactamente o mesmo que se faz com os cavalos, temos de mandar vir homens do Norte, ingleses, escandinavos ou suecos, e de montar aqui e além postos de cobrição." No entanto, antes de porem em prática mais esta série de golden visa, deviam pôr os olhos no que a Érica diz do material do João.


No post abaixo já vos falei de como, entre dormir e acordar (efeito do comprimido que tomei), dei com o vice-irrevogável Portas a falar não de submarinos mas sim, imagine-se, de porta-aviões. E como, a seguir, dei com o Pires de Lima a confessar que exagerou quando falou em milagre económico. Aquilo ainda é coisa de quando vendia cervejas e tinha que ser criativo na publicidade.





Estava com esperança de me manter acordada e escrever mais qualquer coisa mas, qual quê?, uma sonolência...

Por isso, vou limitar-me a deixar-vos aqui matéria para reflexão. Quando estou assim como agora estou, dá-me para pensamentos profundos.



Vinha tudo à baila: Deus, o universo, os filósofos e a política. 

Agregavam-se às vezes àqueles homens alguns rapazes, que os ouviam fascinados. Eu era um deles, e ouvi-lhe, uma noite, estas palavras que nunca mais me esqueceram: 

– Escusam de procurar... a nossa ruína não vem dos políticos nem do regime. 

Mudaremos o regime e ficaremos na mesma. O mal é mais profundo – o mal é da raça. 

– A raça? Mas, com esta raça, descobrimos o Mundo!... 

Não me lembro o que ele respondeu, nem mesmo se atendeu à interrogação. Sei que continuou: 

– O mal é da raça. Se quisermos modificar o País, temos de fazer exactamente o mesmo que se faz com os cavalos, temos de mandar vir homens do Norte, ingleses, escandinavos ou suecos, e de montar aqui e além postos de cobrição. 




Leio isto e fico a pensar. Será isto que o Lombinha dos Saudosos Briefings e o Poiazinha Madura, os neo-olheiros do regime, têm em mente quando prometem golden visa para imigrantes talentosos. 


Será? Será que querem apurar a raça? Será que essa será o próximo passos coelho a saltar da cartola? Primeiro atraíram chineses, russos, angolanos, guineenses equatoriais. Depois dizem que depois de malta da pesada, dos que lavam dinheiro, canibais, gente de mete medo à UE e etc, agora querem gente com talento. 

Ou seja, não é do talento que os da primeira tranche mostram que andam agora atrás. Ora bem: é bem capaz de ser malta para os ditos postos de cobrição. Eu já não digo nada. Das cabecinhas pensadoras deste desgoverno tudo é possível.

Mas, uma vez mais, lamento que desprezem os que cá estão para depois irem dar vistos golden aos que vêm de fora. Então não temos por cá gente talentosa?


A Érica, a Vencedora,  que o diga, revelando o segredo do João, seu colega na Casa dos Segredos (ou no Desafio Final?), respondendo a uma Fátima Lopes salivando por uma resposta circunstanciada, mas diga lá, tem que ser capaz de dizer o que é que o João tem de especial, nham, nham.




(Com um João que tem um material que envergonha pretos... ingleses, escandinavos, suecos para quê? )

*

Bem agora vou-me deitar porque já me está outra vez a doer mais o pescoço e além do mais, no registo em que vou, ainda acabo a dar mais pretextos aos meus filhos quando tentam apelar a que o pai controle o que a mãe aqui escreve. 

*

O texto em itálico faz parte de 'Sangue' in 'Vale de Josafat – Memórias, Tomo III' de Raul Brandão, 1933.


*

Sobre o Paulinho das Feiras a ver se exporta porta-aviões numa feira de enchidos (estou a brincar, não sei se a feira era de enchidos) e sobre a santinha arrependida, a Pirosa Limiana, é favor descerem até ao post abaixo. 

*

Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela quarta feira! 
Haja saúde e boa disposição.

sábado, fevereiro 01, 2014

Pepper Sparkles, a nova Mata Hari, no dia dos seus aninhos ... (Aviso às almas sensíveis: este post vem com bolinha encarnada no canto)


o

Depois de ontem de madrugada vos ter deixado na companhia da Lovely Lídia, a mais temída cronista social da actualidade (confiram, por favor, o post seguinte), regresso ao computador depois de um dia assaz animado.

Por aqui é sabido: ou há passeata ou almoçarada ou festança. Motivos nunca faltam. Aliás nem são precisos. Hoje tivemos festa de anos, cantoria e brincadeira. Mas tudo muito caseiro. Nada de palcos, nada de números especiais. Somos gente discreta.

Já o mesmo não pôde dizer a menina Pepper Sparkles que o ano passado festejou o aniversário em palco. Não sei quantos anitos terá ela feito mas, assim como assim, deve ter sido uma surpresa agradável: a assistência brindou-a com uns Parabéns a Você adaptados às circunstâncias e ela ficou toda contente.

Ora bem. É sábado à noite, altura boa para cantar, dançar e festejar. Bora lá, é hora do mais puro burlesco. Festa com sorrisos e um striptease à mistura.



PS: Para que não fiquem tentados a darem-me os parabéns, vou já avisando: não fui eu que fiz anos pois, como sabem os que por aqui me visitam há algum tempo, eu sou carangueja dos pés à cabeça.





Pepper Sparkles apresenta o seu tributo a Mata Harino Festival Helsinki Burlesque Festival 2013


terça-feira, janeiro 28, 2014

Há filme novo do CINE POVERO - absolutamente a não perder.


Sou admiradora profunda, se é que faz sentido dizer assim, do realizador Cine Povero. Conheço a sua obra há pouco tempo mas, desde que a conheço, a ela regresso de quando em vez. A forma como entretece as justas imagens, a oportunidade e beleza das palavras, a sensibilidade da música, a subtileza do movimento, e, não menos importante, um certo silêncio que envolve os seus filmes, atrai-me.

Fico, pois, contente quando sei que nasceu mais um. É o caso: há um vídeo novo!




É construído sobre o poema Morte ao meio-dia de Ruy Belo dito por por Mário Viegas, um poema cujas palavras parece que foram escritas antes do tempo, parece que agora é que são verdadeiramente actuais ('O português paga calado cada prestação', por exemplo). 


Dada a música que percorre o filme ser vedada a transmissão através de alguns meios entre os quais os blogues, não o posso ter aqui. Mas, no final vou colocar o link para que o possam ver no Youtube. 

Este filme é um momento de beleza e, ao mesmo tempo, um apelo. Valemos alguma coisa se, à nossa volta, aos outros também for dado valor.

Permito-me transcrever o texto que o apresenta (e as fotografias pertencem também ao filme):


Dito por Mário Viegas in «Humores», Disco 2, lado A (1980). Mário Viegas recita aqui a versão definitiva do poema, publicada no Vol. I da «Obra Poética de Ruy Belo» (1972), onde foi interpolada a estrofe iniciada por "O português paga calado cada prestação".

Música: Max Richter, "What had they done?" in «Waltz with Bashir. OST» (2008).

Em diversas línguas europeias a palavra "meio-dia" permite também designar o Sul geográfico. Tal foi o ponto de partida deste vídeo. 



A frase de abertura é retirada de «A nossa necessidade de consolo é impossível de satisfazer», da autoria do escritor sueco Stig Dagerman (1923-1954). 

Eis a frase no seu contexto: "E enquanto me for possível empurrar as palavras contra a força do mundo, esse poder será tremendo, pois quem constrói prisões expressa-se sempre pior do que quem se bate pela liberdade" (p. 23 da edição portuguesa de 1989).


O graffiti final é uma variação da frase do poeta austríaco Erich Fried (1921-1988), refugiado em Inglaterra após a anexação do seu país pelos nazis: "Aquele que deseja que o mundo permaneça tal como está, não quer de facto que ele permaneça". 

Na versão original não figura o enfático "at all" do graffiti: "Wer will, daß die Welt so bleibt, wie sie ist, der will nicht, dass sie bleibt."



POEMA:
No meu país não acontece nada
à terra vai-se pela estrada em frente
Novembro é quanta cor o céu consente
às casas com que o frio abre a praça
Dezembro vibra vidros brande as folhas
a brisa sopra e corre e varre o adro menos mal
que o mais zeloso varredor municipal
Mas que fazer de toda esta cor azul
Que cobre os campos neste meu país do sul?
A gente é previdente tem saúde e assistência cala-se mais nada
A boca é pra comer e pra trazer fechada
o único caminho é direito ao sol
No meu país não acontece nada
o corpo curva ao peso de uma alma que não sente
Todos temos janela para o mar voltada
o fisco vela e a palavra era para toda a gente
E juntam-se na casa portuguesa
a saudade e o transístor sob o céu azul
A indústria prospera e fazem-se ao abrigo
da velha lei mental pastilhas de mentol
O português paga calado cada prestação
Para banhos de sol nem casa se precisa
E cai-nos sobre os ombros quer a arma quer a sisa
e o colégio do ódio é a patriótica organização
Morre-se a ocidente como o sol à tarde
Cai a sirene sob o sol a pino
Da inspecção do rosto o próprio olhar nos arde
Nesta orla costeira qual de nós foi um dia menino?
Há neste mundo seres para quem
a vida não contém contentamento
E a nação faz um apelo à mãe,
atenta a gravidade do momento 
O meu país é o que o mar não quer
é o pescador cuspido à praia à luz
pois a areia cresceu e a gente em vão requer
curvada o que de fronte erguida já lhe pertencia
A minha terra é uma grande estrada
que põe a pedra entre o homem e a mulher
O homem vende a vida e verga sob a enxada
O meu país é o que o mar não quer

///\\\

O filme pode ser visto aqui e peço-vos que não deixem de o ver. 
É uma maravilha (como aliás são sempre os filmes do CINE POVERO)

domingo, janeiro 26, 2014

A palavra aos Leitores de Um Jeito Manso: um desabafo que contém um vídeo de Medina Carreira que, na linha da sua habitual filosofia de cassandra, arrasa o Cartão de Cidadão, o Magalhães, e tudo o que mexia no tempo de Sócrates


E agora, depois dos dois posts que poderão ver mais abaixo, um sobre o charme suave de Julie quase a chegar ao Palácio e outro sobre um dos horrendos temas que a realidade vem pondo a nu, o das praxes que mais parecem exercícios de tortura, cedo o espaço aos Leitores. 

Num comentário mais abaixo, o Leitor 'Cavaco Cavaquices' deixou o que a seguir transcrevo. Tem razão o Leitor. Há velhos do Restelo, cassandras profissionais, cuja única actividade parece ser destruir tudo o que se faça mesmo quando se estão a dar passos disruptivos no sentido da simplificação da máquina de Estado e/ou do desenvolvimento. Medina Carreira, tal como tantos outros, tinha um ódio visceral a Sócrates e, revelando uma notória falta de inteligência, apoiou a sua substituição por essa sinistra criatura que dá pelo nome de Passos Coelho que, em menos de 3 anos já destruíu parte significativa do que vinha sendo construído ao longo de anos.

(Que o terreno esteja aberto para que alguns palermas de serviço até já defendam o recuo nos anos de escolaridade, demonstra bem o ponto a que o retrocesso está a chegar).

Mas agora calo-me eu e passo a palavra ao Leitor.

(...)

Deixo (...) um video do Medina Carreira do tempo da outra senhora. Não é muito picante, é certo, mas é bom recordar o que diziam estes comentadores que tudo sabem, mas que quando lá estiveram, nada fizeram.





Ele é o Magalhães, ele é o cartão do cidadão, ele é o simplex, ele é tudo o que pode significar um empurrãozinho ao desenvolvimento cultural e social do país e um desemperrar da burocratização da Administração! Viva o bota-abaixismo! A autora do blog não imagina (ou talvez imagine e tenha conhecimento de causa, não sei) as pragas que me rogariam na FDL por utilizar esta expressão, verdadeiro grito de guerra contra o inconformismo, perante o o qual os portugueses preferiram tapar os ouvidos.

Pergunto à autora do blog: acha que se viesse o rei salomão dizer que nos vinha governar, nós não dávamos cabo dele, como quem dá cabo de um Sócrates cheio de ideias - que ofensa à moral neo-liberal anti-progressista - a Guterres bem intencionado, mas demasiado bonzinho - ele está bem a cuidar dos refugiados - a um Santana Lopes amalucado, mas que ainda assim, não tem comparação com a perfeita nulidade do Passos Coelho?


Resposta da Autora do Blog

Talvez déssemos cabo do Rei Salomão, sim. As televisões e os jornais contratam os mesmos de sempre, um grupo que papagueia teorias velhas e relhas, roga pragas, faz e de desfaz reputações. E a opinião pública, os que votam, forma-se muito em volta do que a comunicação social difunde. Um karma. Parece que a populaça só se compraz quando se vê governada por gente que está ao nível dos habitantes da Casa dos Segredos.