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sábado, outubro 22, 2022

E sobre a Liz Truss não há nada, nada, nada?


Não. Nada. Não há nada a dizer. Nada. Nem antes, nem durante nem depois. Ela, Boris, Kwasi Kwarteng, outros que tal. Nada. Figurantes de uma tragédia que tem um nome: Brexit. E que tem um actor principal, que actuou na sombra, que criou as condições, que financiou, que engendrou, que manipulou, que mexeu os cordelinhos. E actores secundários que usaram ferramentas proibidas, que estudaram as motivações profundas, que exploraram os medos, que brincaram com a ignorância, que pagaram. 

E os britânicos votaram sem saber no que estavam a votar. Não perceberam o logro. Deixaram-se enredar na perigosa e imprevisível trama do logro.

E agora ninguém consegue gerir esse logro. O logro é ingerível. Cai um ministro, cai outro, caem às mãos cheias, e cai um primeiro-ministro, cai outro, cai outro, repescam os que caíram. Uma farsa, um absurdo, um caos.

E o rei assiste impotente porque está lá apenas para ser o public relations do reino, para ajudar a vender canecas e bandeirinhas, não para tomar decisões relevantes.

Por isso, nada a dizer da pobre coitada da Liz, nada a dizer do bacano do Boris, nada a dizer do James, nada a dizer de todos os que já se demitiram e dos que ainda se vão demitir. A única coisa com graça nisto do Brexit foi o pai do Boris se ter naturalizado francês.

Um dia aparecerá um político a sério, o Brexit será revertido, as coisas voltarão a entrar na normalidade. Só não sei quando. Talvez quando o actor principal, o diabo que actua na sombra, tiver virado pó.

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Até lá, que viva o outono que, finalmente, parece estar a aceitar deixar de ser verão. Que traga chuvas, aragens, neblinas, cheiro a lareira, terras molhadas, árvores gotejantes, vontade de aconchego.

E que os tempos tragam algum presciência a quem vive ou assiste ao declínio moral que aqui e ali vai medrando nas sociedades democráticas, abertas, tolerantes, inocentes.

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E que a beleza e a graça e o amor estejam sempre por perto

Auto-retrato de Élisabeth-Louise Vigée-Le Brun (Paris, 1755 –1842)


Lea Desandre & Cecilia Bartoli – De Bottis: Mitilene, regina delle amazzoni: "Io piango" - "Io peno"


The English Patient - The Heart is and Organ of Fire 


Bedroom Folk - Sharon Eyal & Gai Behar (NDT 1 | Strong Language)



Foto de Alain Laboile

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Um bom sábado
Saúde. Aconchego. Beleza. Paz.

domingo, novembro 25, 2018

A casa de Blanche




Hoje, quando aqui chegámos, a casa estava gelada. Chovia que deus a dava. Ainda chove. Tanto que não consegui ir dar o meu passeio. Estivémos todo o dia dentro de casa. Aqui nesta salinha, temos a lenha a crepitar na salamandra e, ainda, o aquecedor a óleo. Amanhã a casa já estará agradável. Mas  quando a invernia aperta, no primeiro dia, quando chegamos, a casa mostra-se triste, ressentida por não lhe abrirmos as janelas para que a luz possa aquecê-la um pouco. Uma casa é um organismo vivo, sei isso muito bem.

Estou a fazer a passadeira em arraiolos. O prazer por bordar voltou em força. É uma sensação boa, é uma fonte de motivação. E tenho visto televisão e lido as cartas de Manuel Laranjeira. E falado ao telefone. Acho que também dormitei durante um bocado. Está-se bem aqui. Estive a fotografar a rua, a chuva nas árvores, as folhas outonais cheias de água, e, depois, andei a fotografar galos e galinhas. Não tenho afeição especial por galinhas ao vivo mas acho os galos um bicho garboso, cheio de pose. Acho graça à sua representação: havendo imaginação, saem galos e galinhas estilizados, coloridos, divertidos. Tenho-os de lata, de madeira, de louça, pintados por mim. De tudo um pouco.


(Perguntei ao meu marido o que achava ele de termos galinhas à solta. Li ou vi na televisão, não me lembro, que são boas para os terrenos, que reciclam o que encontram e tornam as terras férteis. E depois tinhamos os ovos. O meu marido disse que nem pensar, que me deixasse eu de ideias destas. Não insisti) 

Gosto de cirandar pela minha casa observando os meus objectos, alguns herdados de avós ou tias. Tenho muito carinho por eles. Outros oferecidos. Tenho algumas coisas oferecidas ou restauradas pelos meus pais. Tenho também carinho especial por eles. E tenho outros que tenho comprado ou feito.

Podia pôr-me aqui a escrever sobre cada uma das coisas que me rodeia. Quase tudo tem uma história. Este móvel aqui à minha frente, o que tem a televisão em cima, por exemplo: era de uma tia do meu marido. Já falei algumas vezes dela. Tinha uma casa muito bonita, de onde se via o casario de Lisboa e o Tejo. Dentro deste móvel havia louças: o serviço de chá, nomeadamente. Havia não: há. Trouxe as louças.


Nenhum dos outros sobrinhos as queria. O meu marido, então, por ele não queria nada. Mas tive pena de desprezar tudo o que ela tanto tinha estimado. Na parte de baixo das prateleiras há camarões com chávenas suspensas. Estão todas aqui. E pequenas terrinhinhas que parecem folhas, louça das Caldas. E tantas outras peças bonitas que não uso com medo que se partam. Mas, de vez em quando, abro as portas do móvel e espreito. Lembro-me dela, dessa tia, da sua bela sala, dos belos sofás, dos quadros, dos belos candeeiros. Não sei qual dos sobrinhos ficou com os sofás, com os candeeiros. Tomara que não tenham ido para o lixo. Tudo gente desapegada. Vi alguns abrirem aqueles sacos grandes de lixo, pretos, e despejarem o conteúdo de gavetas lá para dentro. Se ela soubesse que os seus pertences iam ser tratados assim... Ela tinha carteiras e malinhas muito bonitas. Ia tudo para o lixo. Isso interceptei. O meu marido aborrceu-se: para que precisava eu daquilo?, ia encher a casa ainda com mais tretas do que já cá havia. Não quis saber. Objectos tão pessoais, tão bonitos, não podia deixar que fossem parar ao lixo.

Memórias. Reviver momentos é voltar a vivê-los, é bom. E o tempo adoça as histórias, a memória suaviza o que a realidade tinha de aspereza.


Vi há pouco a casa de Blanche Marvin. Casa maravilhosa. Objectos maravilhosos. Memórias que a mantêm bem viva, bem cheia de histórias para contar. Vai ao teatro, escreve sobre as peças, sobre os actores. E as fotografias mostram-na moderna, maquilhada, bijuteria vistosa, tudo a condizer com o seu sorriso gaiato e com as cores quentes das paredes, das luzes, das flores, das louças, de tudo o que se rodeia.

Blanche tem 93 anos e não se queixa da vida. Diz que em casa nunca se sente sozinha pois a casa está cheia de vida.


O artigo do The Guardian é bom de ler: Blanche Marvin, 93: ‘I’m never lonely in this house, because I have my life with me’. São desse artigo e de casa de Blanche as fotografias que aqui vos mostrei.

terça-feira, maio 08, 2018

Fernanda Câncio e a tragédia de Sócrates:
ou quando uma mulher usa a sua condição de jornalista para ajustar contas com o ex-namorado


Faz dois anos escrevi aqui sobre os escritos de Fernanda Câncio sobre Sócrates. Dizia, então, que sentia alguma (genuína) pena dela e aconselhava-a a seguir em frente, não ficando enredada nas memórias e nas justificações face ao que sabia ou deixava de saber sobre o ex-namorado.

É certo que Sócrates congrega ódios e paixões pelo que não me custa a imaginar que uma mulher como Fernanda Câncio, toda ela igualmente temperamental, depois da rotura amorosa, possa ter passado da paixão ao ódio. Mas, lembrava-a eu, nessa altura, há sempre mais vida para além da morte de um relacionamento e que o melhor é seguir com a bola para a frente. Ressentimentos e desejos de vingança nunca foram bons conselheiros.

Ainda há dias voltei a ouvir a divulgação pública de telefonemas seus para Sócrates e imagino como se sente ridícula e arrependida daquelas conversas. Todas as brincadeiras, meiguices ou malandrices são permitidas na intimidade de uma conversa a dois mas, quando expostas fora de contexto, facilmente podem ser apenas patéticas. Eu sentir-me-ia humilhada se fossem minhas aquelas palavras.

Mais: tendo namorado com aquele homem poderoso, carismático e de raciocínio ágil, imagino como se sentiu ela ao descobrir que, afinal, pouco sabia daquele homem. Mais ainda: como mulher, imagine-se a perplexidade ao saber como Sócrates não apenas já estava de namorada nova como também ajudava financeiramente outras mulheres. Facilmente uma mulher que se sente enganada se sente furiosa e com vontade de se vingar. Imagine-se, então, uma mulher como Fernanda -- do que lhe tenho visto, facilmente se transformará numa irascível gata em telhado de zinco quente  pelo que dela tudo se poderá esperar.

Imagino-me, eu, no seu lugar. Imagine-se se, ao ligar a televisão, ouvia a minha voz dengosa falando com ele, querendo convencê-lo a comprar uma casa caríssima, ou ouvia alguém a relembrar as minhas férias com ele, referindo que frequentávamos belíssimos restaurantes, e eu, tonta ingénua, na altura, convencida de que ele nadava em dinheiro. Imagino quão ridícula e parva me sentiria agora, ouvindo isso. Eu a querer uma casa cara e ele a chamar-me à razão, eu, ivozinha infantilóide, a dizer 'buraco és tu...'. Ah, quanta raiva. Como teria podido ser tão burra, tão inconsciente a ponto de não ter percebido nada....? Como? E a ouvir a cumplicidade dele para com a mãe dos filhos.... Ah, quantos ciúmes.

Imagino a mágoa, a incredulidade, a vontade de lhe atirar à cara mil impropérios. 
Então, afinal, não eras rico? Então vivias às custas de um amigo...? Mas onde, à superfície da terra, alguém nos dias de hoje vive às costas de alguém...? Filho da mãe que não confiaste em mim, que não me contaste nada! Um pelintra sem ter onde cair morto e, veja-se bem, armado em bom,  a dispensar pagamentos, como se tudo aquilo fosse dinheiro da mãe ou de empréstimos. Falso, falso! E, se foste falso a esse ponto, quem garante que não foste corrupto e que tudo em ti não é um logro? Alguma vez me amaste? Alguma vez me falaste verdade? Como foste capaz? Como deixaste que eu me expusesse, defendendo-te, quando não passas de um vulgar mentiroso? Odeio-te, odeio-te, odeio-te agora e na hora da tua morte. Safado, sacana, filho da mãe! E eu que gostei tanto de ti... Como pudeste fazer-me isto, Zé...?
E Fernanda, sentindo pena de si própria, as lágrimas escorrendo-lhe no rosto, sentindo a raiva a crescer-lhe dos dentes, varada de ódio e ciúme, não podendo deitar as unhas de fora e arranhá-lo de alto a baixo, atira-se ao computador e, com a força das suas palavras, mentalmente chamando-lhe bandido, aldrabão, sacana da pior espécie, e jurando a pés juntos que nunca mais na vida lhe dirige a palavra e que, se se cruzar com ele, virará a cara e fingirá que não o conhece, vai escrevendo:
(...) Urdiu uma teia de enganos. Mentiu, mentiu e tornou a mentir.
Mentiu ao país, ao seu partido, aos correligionários, aos camaradas, aos amigos. E mentiu tanto e tão bem que conseguiu que muita gente séria não só acreditasse nele como o defendesse, em privado e em público, como alguém que consideravam perseguido e alvo de campanhas de notícias falsas, boatos e assassinato de caráter (que, de resto, para ajudar a mentira a ser segura e atingir profundidade, existiram mesmo). (...)
Chocante, porém não surpreendente. De alguém com uma tal ausência de noção do bem e do mal, que instrumentalizou os melhores sentimentos dos seus próximos e dos seus camaradas e fez da mentira forma de vida não se pode esperar vergonha. Novidade e surpresa seria pedir desculpa; reconhecer o mal que fez. Mas a tragédia dele, que fez nossa, é que é de todo incapaz de se ver.
Fernanda é, ao escrever estas palavras, não uma isenta jornalista, mas uma mulher ferida. Uma mulher que usa o púlpito do Diário de Notícias para ferir José Sócrates tanto quanto ele a feriu a ela. 

E eu, no fundo, tenho pena dela e dele. Estão unidos pela mesma tragédia.


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Cecilia Bartoli interpreta "Sposa son disprezzata" de Vivaldi
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quinta-feira, julho 21, 2016

O que poderia ser um passeio para fazer com tempo


Sintra


Gosto muito de passear. Quando penso em ir, não me ocorre muito ir de avião, muito menos de barco, mas, sim, de carro. Ou seja, o que me parece natural é ter comigo o meu próprio meio de locomoção.

O meu marido em tempos tinha a ideia de ter um daqueles carros-caravana. Um primo nosso tinha um, com beliches, cozinha, uma salinha, casa de banho. Gostavam daquilo, eles. No entanto, isso a mim nunca me atraíu muito pois limitar-nos-ia a ter que procurar parques de campismo. Uma colega minha aluga uma coisa dessas e vai com o marido e com os filhos e diz que, por vezes, ficam mesmo nas cidades. Mas não sei. 

Parece-me que ir num carro normal e ir dormir a hotéis é mais tranquilo e nos dá mais liberdade.

Torre em Belchite, Espanha, destruída durante a Guerra Civil


Também gosto de andar de comboio, gosto até muito, mas acho que o comboio é bom para viagens ponto a ponto. É que, se o percurso pretendido é variado, a rede nem sempre nos leva onde queremos ou implica muitas mudanças. Ou seja, quando estou no ir é em ir de carro que penso. O problema é que sendo as férias curtas, ir de carro tem a limitação do tempo. Ou seja, só limitações, umas por razões profissionais, outras por razões familiares.

Dantes viajávamos bastante. Agora, desde o AVC do meu pai, faz-me impressão ir para longe e, por isso, poucos passeios temos feito. Fazemos cá em Portugal e bastante que gosto deles, o nosso país é lindo. Contudo, sinto a falta de me pôr ao largo.

Hotel del Salto, Colômbia


Para me animar, penso, então, que um dia que estejamos de férias todo o ano, haveremos de fazer os passeios que quisermos.

Um que eu gostaria de fazer, seria ir visitar belos lugares abandonados. Fascinam-me esses edifícios que, um dia, foram imaginados para serem vividos em felicidade e que, fruto das circunstâncias, se viram sem ninguém e que, apesar disso, apesar das inclemências do tempo ou da força da natureza, resistem, mostrando ainda vestígios da sua antiga beleza.

Claro que isto sou eu a sonhar porque, se lá fosse, a esses lugares misteriosos e decadentes, haveria de ter medo de lá entrar, medo que as paredes ou os tectos ruíssem, medo que aparecessem monstros, espíritos, gente fora do mundo, tigres azuis, vozes sem corpo, assustadoras respirações.

Uma solitária e esquecida igreja em Frnça

Um dos locais que, ao ver as fotografias, me inquietam e, ao mesmo tempo, mais despertam a minha curiosidade, é a infinita escada para o paraíso. Na origem da sua construção estiveram motivos bem prosaicos e, na prática, o que se pode dizer é que terá sido um projecto falhado. De manutenção difícil e muito perigoso, há formas mais expeditas e seguras de chegar ao cimo do monte. Mas, abstraindo-nos desse lado mais pragmático, é uma constução maravilhosa com quase 4.000 degraus.

Stairway to Heaven’, Oahu, Hawaii
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Talvez um sonho. Talvez uma impossibilidade eu ir um dia ver sítios assim. Talvez nunca passe disto, de ver as fotografias destes lugares solitários, belos, que resistem à decadência que o impiedoso devir do tempo lhes reservou. Não faz mal. Também gosto de imaginar e de ir viajando pela internet, vendo fotografias, descobrindo lugares mágicos que talvez um dia recuperem a vida que conheceram em dias felizes. Ou que vão acabando aos poucos, dust to dust.

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Edifice


Dirigido, editado e filmado por Rogerio Silva
Coreografado e interpretado por Carmine De Amicis e Harriet Waghorn 
Música de  Alaskan Tapes "Then Suddenly, Everything Changed"

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E queiram, por favor, descer para uma paródia encenada para gozar com a confirmação do clown Trump para canditado conservador à presidência dos EUA. Parece anedota. Parece mesmo.

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segunda-feira, julho 07, 2014

Como salvar o capitalismo dos capitalistas? Responde Paul De Grauwe, no Expresso Economia: seguindo a recomendação do novo Marx que por aí anda, um tal Piketty, que analisa o Capital no Século XXI


No post abaixo já avancei com duas sugestões relacionadas com futebol. Não que seja muito entendida no assunto mas, desculpar-me-ão, há coisas que saltam à vista do mais ignorante (como é o meu caso). Não quero inventar a roda, quero apenas contribuir para ver se resolvemos a problemática vigente com a nossa selecção nacional que, fraca, fraquinha, teve uma participação tão pífia nesta Copa 2014. Ali deixo a sugestão para a entrada de sangue novo: alguém que irá desestabilizar a equipa adversária e um novo treinador e... verão: remédio santo.

Mas isso é mais abaixo. Aqui, agora, a conversa é outra. É conversa séria. A sério.




[E porque o capitalismo, o grande capitalismo da actualidade, é alimentado por gente de gostos sofisticados, que gosta de repousar de olhos fechados enquanto ouve a Bartoli ou a Netrebko e que, enquanto ouve a Casta Diva ou outras músicas maiores, pensa em como fazer 'o bem', pondo as suas empresas a dar dinheiro a fundações e etc. (coisa que dá benefícios fiscais, claro, mas isso é pormenor - 'o que importa mesmo é pôr em prática a velha máxima de give back to society') aqui deixo a dita Cecilia Bartoli interpretando a Norma de Bellini. E, se os meus Caros Leitores fecharem os olhos enquanto a ouvem e se puderem reclinar-se na penumbra e esquecer os pequenos problemas que não interessam para nada, talvez consigam experimentar as epifanias vividas por Bill Gates, Warren Buffett ou outros grandes beneméritos enquanto pensam nos seus múltiplos milhões ao som da Bartoli).





Leitor atento, a quem agradeço, já há tempos me tinha enviado referência a um autor que andava a dar que falar por todo o lado: Thomas Piketty. Nunca tinha ouvido falar mas fiquei atenta. Desde aí tenho tentado informar-me e, se a concordância com Piketty a nível de diagnóstico me parecia natural, já a resolução para o problema me parecia mais dúbia.

No outro dia o meu filho enviou-me o link para o artigo do Sérgio Aníbal no Público Anda por aí um novo Marx? e sugeriu-me que falasse nisto aqui. Mas outras coisas se meteram e, como tantos outros assuntos que me interessam e que acabam por ir ficando esquecidos, este ficou também em stand by.


Mas hoje, ao ler Paul de Grauwe, professor da Universidade de Lovaina que assina a coluna Torre De Marfim e que escreveu 'Como salvar o capitalismo dos capitalistas?' pensei que teria mesmo que falar no assunto.


Transcrevo da Wikipedia: Thomas Piketty (born May 7, 1971) is a French economist who works on wealth and income inequality. He is the director of studies at the École des hautes études en sciences sociales (EHESS) and professor at the Paris School of Economics.[1] He is the author of the best selling book Capital in the Twenty-First Century (2013),[2] which emphasizes the themes of his work on wealth concentrations and distribution over the past 250 years. The book argues that the rate of capital return in developed countries is persistently greater than the rate of economic growth, and that this will cause wealth inequality to increase in the future. To address this problem, he proposes redistribution through a global tax on wealth.

O artigo de Sérgio Aníbal, um belo artigo que vivamente recomendo, começava assim:

Anunciado por uns como o “novo Marx”, mas acusado por outros de ter renegado o trabalho do autor de O Capital, Thomas Piketty agitou o debate político e económico nos Estados Unidos e na Europa com um alerta: a actual sociedade capitalista está cada vez mais parecida com o mundo desigual do século XIX descrito por Jane Austen e Honoré de Balzac.


E, às linhas tantas, Sérgio Aníbal explica o raciocínio e a principal conclusão de Piketty:

No entanto, desde os anos 1980 até agora, assiste-se a um regresso em força da desigualdade. Nos Estados Unidos, o país onde esta tendência foi mais evidente, a parte do rendimento total que é detida pelos 1% mais ricos mais do que duplicou entre 1981 e 2012, quase chegando aos 20%. Essa pequena parte da população ganha tanto como a metade mais pobre. Este resultado é muito semelhante àquele que se registava na Europa antes da I Grande Guerra, no auge da desigualdade. Nas economias europeias, o agravamento da desigualdade não foi tão acentuado, mas também é notório nas últimas décadas.

Com estes dados na mão, Thomas Piketty sentiu-se pronto para arriscar uma nova teoria para a evolução da desigualdade. Pode-se mesmo dizer uma nova teoria do capitalismo. Uma teoria que não partilha o optimismo de Kuznets de que, com o desenvolvimento económico, a distribuição de rendimentos tende a corrigir-se. “Não há qualquer processo natural e espontâneo que previna que forças desestabilizadoras e promotoras de desigualdades possam prevalecer permanentemente”, afirma.

Pelo contrário, o que o livro de Piketty diz é que aquilo que normalmente acontece é a taxa de retorno do capital (o que se consegue obter de lucro em percentagem do capital investido) ser mais alta do que a taxa de crescimento económico. E que quando isso acontece, não havendo qualquer intervenção exterior, o que temos é um aumento da desigualdade na distribuição de rendimentos.


A fórmula, a mais discutida no debate económico dos últimos meses, escreve-se como r>g, em que r é a taxa de retorno do capital e g é a taxa de crescimento da economia. A tendência de longo prazo, diz Piketty, é a de que r supera g. Durante os séculos XVIII e XIX, r manteve-se persistentemente entre 4% e 5% (as 10 mil libras garantidas anualmente por Mr. Darcy com as terras que herdou), enquanto g registou uma média próxima de zero.

Entre a I e a II Grande Guerra, r diminuiu fortemente, e, nos anos 50 e 60 do século XX, g subiu de forma excepcional, reduzindo a desigualdade. Mas nas últimas três décadas, apesar de o crescimento da economia não ser zero, o retorno obtido pelo capital voltou a ser sistematicamente mais alto, diz o livro. E o que isto significa é que aquilo que torna algumas pessoas mais ricas tem tendência a crescer mais rápido do que aquilo que torna a maior parte das pessoas mais ricas.


E está certo: é um facto. Os rendimentos de capital acumulam-se ao capital já detido a uma velocidade maior do que os ganhos resultantes da economia. Basta pensar nas taxas de juro dos depósitos que são sempre superiores aos do crescimento do PIB. 

Onde eu fico com mixed feelings é com a solução: impostos agravados sobre as grandes fortunas. 

Volto ao artigo do Público:

O livro sugere a aplicação de uma taxa de imposto de 80% sobre os rendimentos anuais acima de 500 mil dólares (cerca de 365 mil euros) e uma taxa de 10% sobre a riqueza, que torne mais difícil a perpetuação e aprofundamento das desigualdades. Para evitar fugas de capital de uns países para os outros, Piketty diz que a solução tinha de ser implementada à escala mundial.


Escrito assim parece fácil e justo. No entanto, fico em dúvida. Parece-me uma utopia. De facto, quem tem fortuna de muitos milhões tem forma de repartir o risco e pôr em prática eficientes optimizações fiscais. Ilhas obscuras, offshores, triangulações em cima de triangulações até que se perca o rasto do dinheiro: e, num instante, fortunas de muitos milhões desaparecem da alçada da máquina fiscal. Teria todo o mundo que se pôr de acordo. Mas como é isso possível...?

Pego agora no artigo de Paul De Grauwe. Diz ele: 

Os super-ricos podem, dada a sua grande riqueza, exercer muito mais influência política do que os cidadãos comuns, e obviamente muito mais do que o seu peso nas urnas de voto. Isto vem minar a credibilidade dos sistemas democráticos.

A grande desigualdade da riqueza devia portanto ser drasticamente reduzida. Isto é importante para a preservação da democracia. Também é importante para a sustentabilidade do capitalismo. Este é um sistema maravilhoso na medida em que gera dinâmicas de crescimento e inovação. Este sistema, contudo, está minado se não travarmos o crescimento da desigualdade. Isto pode ser alcançado com a introdução de uma taxa sobre a riqueza.

(...)

Um possível esquema: isentamos o primeiro milhão de euros da taxa sobre a riqueza. À medida que a riqueza cresce acima de um milhão aplicamos uma taxa crescente. Por exemplo, a taxa entre 1 e 5 milhões de euros é taxada a 0,5%; entre 5 e 10 milhões, a taxa sobre para 1%; acima de 10 milhões de euros, passa a 2%, etc. A dado ponto aplicamos uma taxa de 4%. Este é apenas um exemplo. Muitos outros esquemas são possíveis. A questão está em que querermos evitar que a riqueza ociosa cresça tanto que mine os próprios alicerces da democracia e do capitalismo.

Assim, uma taxa progressiva sobre a riqueza pode ser a melhor forma de salvar o capitalismo da garra dos capitalistas.


Reconsidero: uma taxa baixa, muito progressiva, e a começar em fortunas bastante altas talvez faça sentido.

0.5% num montante entre 1 e 5 milhões é muito para os cofres do Estado e nada para quem tem uma imensa fortuna e, por uma percentagem tão baixa, os super-ricos pensarão se compensa correr o risco de andar com o dinheiro em bolandas e a pagar dinheiro (vivo, provavelmente) para o esconder.

Este é certamente um assunto em que vale a pena pensar - desde que haja o bom senso de perceber o que é um super-rico para não se fazer o disparate que estes anormais de cá têm feito que é achar que ricos são os remediados, cortando ordenados e pensões a eito e aumentando os impostos à tripa-forra, espoliando a classe média e arrasando a economia.


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Entretanto, para quem gosta de se rir ao ouvir um francês a falar inglês ou, para os sisudos que passam por cima disso e conseguem prestar atenção ao que eles dizem, aqui deixo um vídeo interessante.


[Um à parte: há uns anos eu tinha reuniões regulares com um francês que vinha de Paris para se reunir comigo, que ficava num dos bons hotéis da capital, que media quase 2 metros de altura e que chegava ao meu gabinete a cheirar a transpiração. Sempre se ouviu dizer que os franceses têm um problema de higiene, coisa que me custa a repetir, mas a verdade é que com este, apesar de ser pessoa viajada e de certamente tomar banho no hotel, acontecia esta situação desagradável. Se a reunião era só comigo e no meu gabinete, mal ele saía do meu gabinete eu arranjava maneira de sair também, não fosse alguém entrar lá e sentir aquele desagradável odor, ainda pensando que podia vir de mim, credo. Mas adiante que não era disso que eu queria falar. A questão é que ele, se estivesse só comigo, falava em francês mas, se calhava estar mais alguém e que não percebesse bem a língua francesa, falava em inglês. E era uma coisa de ir às lágrimas. Eu quase rogava que ele falasse só em francês porque já sabia que, se avançasse para o inglês, a reunião ia ser um suplício, eu o tempo toda a esforçar-me para não me atirar para o chão a rebolar a rir à gargalhada. Assim é o Piketty aqui em baixo.]



The Huffington Post Live - Elizabeth Warren & Thomas Piketty Discuss Nature & Income Inequality.



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Recordo: para conhecerem as minhas recomendações relativas à Selecção desçam, por favor, até ao post seguinte. Um Leitor fez o favor de simpaticamente catalogar a minha conversa como 'converseta da treta' e, sabem que mais?, é capaz de ter razão. 

Mas qual seria a graça da vida se não a polvilhássemos, aqui e ali, com converseta da treta...? Alguém me diz...?

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sábado, dezembro 15, 2012

Como é bom o amor em Paris (e como pode ser triste o regresso a Lisboa)






Lembro-me de um dia, lembro-me tão bem como se fosse hoje, em que aquele que o meu coração mais amou tinha uma reunião numa segunda feira. Arranjou maneira de ir logo ao fim da tarde de sexta feira e levou-me com ele. Nunca eu tinha estado em Paris. Que emoção. No aeroporto fingimos que não nos conhecíamos não fosse o diabo tecê-las. Mas depois, ah que deslumbramento, namorados clandestinos, só nós dois contra o resto do mundo, um amor tão doce.




Protegidos da rotina, protegidos do lado aborrecido da vida - a mulher teria o lado oficial, o papel passado, mas eu e ele tínhamos o namoro, a paixão nunca totalmente concretizada, a que clamava sempre por uma próxima vez - vivemos Paris, a cidade do amor, como se vivêssemos um sonho. Passeámos, fizemos compras, foi lá que ele me ofereceu aquele caso de pele, eu não queria, tão caro, tão caro, uma fortuna, não, não, mas ele fez questão, foi lá também que ele me ofereceu este relógio, mas tanto dinheiro, levo-te à ruína, não quero, mas para que é tanto luxo? Mas ele dizia que eu merecia isso e muito mais, andámos de mão dada, andámos de braço dado como um casal, e isso foi, talvez, o melhor, tanto que eu desejava isso, andar na rua como se fossemos um casal, que felicidade. Fomos à ópera, conheci a biblioteca, fomos a museus. Tanta coisa em tão pouco tempo.

E, de noite, eu era a sua modelo, a sua boneca, a sua dócil criatura.

Tinha-me também oferecido uma lingerie, uma loja que só visto ali para os lados da Pigalle, e quis que eu a experimentasse. Experimentei. Quis que eu deixasse que me fotografasse. Deixei. Podia lá eu negar-lhe algum pedido?




Mas não vou agora fingir que o fiz contrariada. Fiz porque quis. Acedi sempre a tudo porque quis. 

Quando ele apontava a máquina fotográfica na minha direcção parece que eu ficava outra, parece que me desinibia, que me inspirava. De lingerie preta, a fumar, exalando sensualmente o fumo, sentindo-me apetecível, uma irresistível sedutora, oferecendo-me sobre a cama, sobre o sofá, eu tinha um enorme prazer em vê-lo excitado enquanto me fotografava.




Quanto mais ele se descontrolava, doido de excitação, mais eu provocava, oferecendo-me languidamente à objectiva.

Foram noites de grande prazer, não o escondo - porque haveria de esconder?

Enquanto me fotografava costumava pedir-me, ensina-me a arte de amar, ensina-me como só tu sabes.

E eu, de olhos semicerrados - enquanto fazia deslizar vagarosamente a alça do corpete, enquanto deixava antever, devagar, devagar, o seio, aos poucos, aos poucos até ao mamilo - com voz baixa, quase rouca, ia ciciando,


Antes de mais, tem confiança no teu coração de que todas
    podem ser conquistadas; e vais conquistá-las; basta que estendas as redes
Tal como Vénus furtiva é grata ao homem, assim o é também à mulher;
    o homem disfarça mal; ela é com mais recato que alimenta o desejo.
Se aos homens der mais jeito não serem os primeiros a pedir,
    logo a mulher, vencida, há-de assumir o papel de quem pede.
Na mansidão do prado, é a fêmea que solta mugidos ao touro,
    é a fêmea sempre que relincha ao cavalo de rijos cascos.


E ele, o meu amado, o meu devoto fotógrafo, disparava, disparava, quase sem ver, enlouquecido pela minha voz, pelo meu corpo, pela minha sensualidade.

Pelo menos uma vez por dia, geralmente de manhã e antes de sairmos para jantar, ele colocava-se junto à janela, de pé, e falava com a mulher. Relatava reuniões intermináveis, negociações complicadas, falava das saudades que tinha, pedia para falar com os miúdos, prometia presentes, enviava beijinhos. Eu ouvia com indiferença, e pensava é um filme, mente à mulher para poder estar comigo, prefere estar aqui comigo do que a aturar a vaidosa, a fútil, a palerma da mulher, e sorria, superior, agradecida por ele ser o amante querido que eu tanto amava.




O relógio é este, uso-o sempre, é lindo. Olho as fotografias, estava bonita eu, sentia-me tão irresistível, achava que ia ser tão feliz. Achava que ia voltar muitas vezes para ser feliz outras tantas. Paris. Paris. Que saudades.

Não voltei.

Regressámos a Lisboa na terça feira. Antes de abandonarmos o hotel, quando íamos a sair do quarto, ele puxou-me por um braço. Abraçou-me, beijou-me. Temos que fazer as despedidas agora porque no aeroporto ou no avião não dá, não vá alguém que me conheça ver-me. Aceitei. Beijos apaixonados e abraços apertados e quentes não se podem rejeitar. E feliz como estava, porque haveria eu de rejeitar?

Quando o avião aterrou ele disse-me que a mulher e os filhos o iam buscar e que era melhor não sairmos juntos. Foi uma decepção que tive, porque é que não me avisaste antes?, mas ele encolheu os ombros como se fosse coisa sem importância. Aceitei, estava habituada a aceitar, estava já tão habituada a viver na sombra. 

Penso agora nisto e vejo que toda a minha vida arrastei as sombras como se fossem pesados mantos que me cobrissem.

Ele saíu, não tinha que esperar pela bagagem, levava apenas uma mala que cabia nos compartimentos da bagagem de mão. Eu não, eu tinha uma mala maior, carregada.

Quando me vi no aeroporto sozinha, arrastando uma mala pesada senti-me insignificante, senti uma tristeza. Mas mais triste fiquei quando, indo eu a arrastar a mala, sem ninguém que me ajudasse, o vi abraçado à mulher, de mão dada com um dos filhos, sorridentes, felizes, uma família feliz. Iam a sair do edifício, não me viram e eu fiquei ali parada, sentindo-me um nada.

Fui para a fila dos táxis, já era de noite, e eu ali sozinha. A bela mulher que eu era, tão desejada, tão amada, de repente ali sozinha. Que pena tive, então, de mim.




Cheguei a casa e tão desfeita me sentia que, nesse dia,  nem tive coragem de desfazer a mala. Tinha-me chocado o ar de família feliz, tinha-me chocado a forma como ele se tinha livrado da minha presença, como se eu não tivesse sentimentos. Eu era a outra, a que tinha que se sujeitar a tudo, a que recebia presentes, beijos, noites de amor num hotel e ponto final. Claro que eu sabia que era a outra mas a outra é tão mulher, tão humana, tão frágil, como qualquer outra pessoa, como a mulher legítima. 

Mas nunca lhe falei nisto. Prosseguimos a nossa relação como antes. Sempre consegui disfarçar muito bem o que sinto, sempre calei as minhas mágoas, sempre me contentei com o que me davam, sempre esperançada em que um dia teria tudo aquilo que desejava. Nunca tive.


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Este texto é a continuação do penúltimo e do antepenúltimo textos. Ainda não dei um nome a esta história nem a esta mulher porque ainda não sei se vai ter continuação. Se vier a ser uma história talvez lhe fique bem o nome Casta Diva e talvez a mulher possa vir a chamar-se Maria Beatriz.

A música é, justamente, Casta Diva de Bellini, aqui interpretada por Cecilia Bartoli.

Catherine Deneuve aqui é retratada por Helmut Newton. Contudo, desconheço a autoria da última fotografia.

Continuo a não identificar o texto em itálico e isso é deliberado.

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Hoje no Ginjal encerro o ciclo que dediquei a Ernesto Lecuona com dança. O Grupo Corpo dança Te he visto pasar e a música, a voz e os corpos são uma maravilha. Não quererão ir até lá, deitar uma espreitadela?


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Chove que é uma maravilha. Os campos e as barragens agradecem a chuva que cai com vigor. Vejo-a lá em baixo, contra um fundo escuro, iluminada sob a luz do candeeiro. 

Aproveitem, meus caros leitores, o encanto de um fim de semana chuvoso e frio. 
Desejo-vos um belo sábado!