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segunda-feira, junho 23, 2014

2-2, um empate sem glória e um Ronaldo com a cabeça aos zigue-zagues. O que me valeu foi o dia maravilhoso, in heaven, com raios e coriscos, aguaceiros, flores perfumadas na terra molhada e perfumada, brincadeiras, abracinhos, ternurinhas, coisinhas mais fofas


Meus Caros, este é o meu quarto post de hoje. Comecei com detectores de mentiras, depois fui de novo até à Serra da Arrábida e, a seguir, rosnei ao Tozé.


E agora, para atenuar, que venha um ensopado de borrego: 

I saw the light




À hora a que estou a começar este meu texto cumpriram-se os 90 e picos minutos de jogo, tendo Portugal empatado por 2-2 com os Estados unidos. Dizer o quê? Que parece que uns estão coxos, outros cansados, outros desconcentrados, e a coisa parecia  mesmo que ia acabar outra vez humilhantemente até um tal Varela marcar um golo que fez um empate e vá lá, não foi bom mas não será caso para chorar a noite toda. Ah, e o Ronaldo está com um penteado novo.


Desabafo convosco: mal o vi, desisti logo de ver o jogo. Que jogador mesmo a sério é que, numa altura destas, em vez de se concentrar exclusivamente no querer ganhar e em ter força para atingir o objectivo, se põe a experimentar gracinhas no penteado? Uma rapada lateral com um Z de zorra ou de zezinho ou o que é aquilo?

Chamem-me conservadora, o que quiserem, mas, se querem que vos diga, mal o vi naqueles preparos, achei logo que metrossexualidades destas numa altura crítica como a que Selecção de Portugal está a atravessar são de uma pimbalhice que até enjoa. E digo pimbalhice para me desviar da palavra que, de facto, me está a ocorrer, que também começa por p e que também acaba em ice, e que só não digo para não ferir algumas sensibilidades.

Estava eu de pé em frente da televisão, a ouvir o hino e preparada para aderir ao espírito da coisa, quando, vendo aquilo, me deu uma travadinha e, em sinal de protesto, dei meia volta e fui tratar de detectores de mentiras - embora já saibam: um olho está no burro e outro, sempre, no cigano. Ou seja, apesar de o meu ânimo ter logo esmorecido, ainda fiquei levemente na expectativa de que a coisa começasse a animar e me desse vontade de sair desta minha mesa para me ir pôr ao lado do meu marido, a puxar pela malta. Mas nada.

Que falta de pachorra: lesões, lesões, lesões, e uma falta de energia ou de concentração, ou de sentido de jogo, nem sei que nome dar àquela falta de capacidade de concretização.

Não faço ideia de se este 2-2 dá para alguma coisa mas, não sendo eu entendida, do pouco que vejo, com uma equipa destas, todos derreados ou preocupados com penteados, não me apanham a torcer por eles.

E adiante que quero ver se me vou deitar daqui a nada porque estou mesmo a precisar de ir dormir.

O dia foi daqueles em que não deu para descansar durante um minuto: hora de arrumar a comida em caixas, as caixas numa geleira e mais iogurtes, sumos, sobremesas, frutas, pão, etc, o carrego do costume, e hora de largar, e hora de chegar, e hora de arrumar coisas, hora de acabar de preparar o almoço, hora de almoçar, hora de arrumar a louça, hora de separar o que sobrou por duas 'marmitas' e meia e, pelo meio, brincadeira pegada dos miúdos, e, depois, ao fim do dia, hora de levantar arraiais, hora de viagem, hora de chegar à cidade, hora de voltar a arrumar coisas, hora de fazer sopa. E depois passar fotografias para o computador, e depois escolher umas quantas. E, pelo meio, ainda uns telefonemas. E sei lá que mais. Por isso, com vossa licença, vou mesmo abreviar.
Contudo, dito assim, pode parecer que não gostei deste domingo. Errado. Adorei. Dia gostoso, dia com os braços cheios de amores, dia de muitas mil alegrias. Do melhor que há.
De manhã, quando chegámos, ainda havia sol e a temperatura ainda estava amena. As brincadeiras começam logo no exterior, casinhas, varridelas (e bem precisado que tudo cá fora está de ser varrido, tantas folhas secas, tanta caruma, tantos figos bravos caídos).

Depois o tempo começou a arrefecer e, às tantas, já estava um temporal. Nessa altura, claro, as brincadeiras recolheram-se ao interior. Saíram à cena novos brinquedos do tempo dos pais, e os pimentinhas todos concentrados a aprenderem as regras, todos entusiasmados a quererem ganhar.

Passado um bocado, depois de almoço, começou a trovejar - mas com uma força..., eram relâmpagos que atravessavam os céus e iluminavam a casa para logo rebentarem em bombardeamento do pesado. A trovoada estava mesmo em cima de nós. Pois bem, tão entretidos estavam eles com as suas brincadeiras que nem deram por nada. Ou melhor, deram. Mas não se assustaram e continuaram a brincar, como se aquele exagero fosse a coisa mais natural do mundo.

Depois, quando o temporal amainou, cá fora ficou tudo encharcado, pingando, o que é bom porque rega as flores e as árvores. O chão ficou coberto de flores amarelas das tipuanas ou cor de rosa dos loendros. As meninas aproveitaram logo para enfeitar os cabelos com flores, parecendo vindas do Haiti, e os rapazes para se molharem com brincadeiras que metiam abanar ramos e outras cabriolices.

E eu aproveitei para os ver, fotografar, derreter-me, babar-me e aspirar o ar limpo e perfumado. O cheiro da terra molhada e coberta de flores purifica-me a alma e ainda mais abençoada me sinto.

Apesar de já estarem cansados, ao fim do dia não queriam vir de lá, nunca querem. Claro que, pouco depois de os carros arrancaram, já estavam ferrados no sono. Eu não e, por isso, estou aqui já com os olhos mais fechados que abertos.


Uma Menina Plim-Plim linda, linda

Três rapazinhos a jogarem futebol de mesa
com bonequinhos

Um rapazinho a fugir de um lobo mau

Um bebé que já gosta de varrer e limpar

Um lobo mau a assustar uma menina e a
ser desafiado por um fã do Rinaldo
Uma menina com florzinhas no cabelo
e pulseirinhas às cores






As meninas grandes fazem pulseiras e a mais pequena também, claro



E, como se todos os instantes não fossem já um presente daqueles que nos aconchega o coração, ainda ganhei também uma pulseira toda gira. 

Oh happy days.


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Relembro: por aí abaixo há mais três posts e, como são tão variados, de algum hão-de gostar (espero eu...).

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A música lá em cima é I saw the light dos talentosos The Soaked Lamb.

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Desejo-vos, meus Caros leitores, uma bela semana a começar já por esta segunda feira.

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domingo, junho 22, 2014

Receber o Verão na Casa da Cerca em festa, de frente para Lisboa, a Bela, ao som da música dos The Soaked Lamb. Haja saúde e alegria e que venham daí esses longos e quentes dias de estio.


No post abaixo dou a palavra a uma menina inteligente, a Mariana Mortágua, uma economista de fala clara, limpa, que ali invoca o espírito merceeiro da Dama de Ferro para ajudar a explicar aquilo a que a burrice de uma seita muito esquisita está a conduzir. Não deixem de ler porque é de leitura acessível e todo o texto é muito auto-explicativo.

E tendo falado disto, mergulho, no post seguinte, no verdadeiro mundo dos ricos. Com a minha costela sherlockiana não apenas quase desvendo o mistério do iate ancorado a meio do Tejo, como vos faculto o caminho para os interiores do barquito.

Bem, isso é a seguir. Aqui, agora, a conversa é outra. E vai ser rápida porque são duas da manhã, estou cansada, e este domingo a alvorada é cedo porque vamos de excursão, com mantimentos já meio preparados (estive a cozinhar esta noite e amanhã é só meter tudo na geleira e em sacos - esta é a história da minha vida: andar carregada de um lado para o outro): vamos todos passar o dia ao campo.



Hello, Bang Bang, Goodbye


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Este sábado foi o dia mais longo do ano, o primeiro dia de verão. E nós fomos viver o solstício de verão em festa, pois claro.


O local é dos mais belos à superfície da terra pela vista. E é bonito também em si, isto é, não apenas pela vista. E, quando está cheio de gente, torna-se um local mágico. Refiro-me à Casa da Cerca em Almada, um local aprazível com uma vista soberba sobre Lisboa.


A família reuniu-se lá e alguns amigos juntaram-se-nos. Éramos um grupo grande entre muita gente que, na relva, junto às árvores, com uma vista fantástica, comia, bebia (havia lá imensas barraquinhas com petiscos, bebidas e bolos óptimos) e conversava e, depois, cantava, batia palmas e dançava.

Um good feeling no ar.

Estou agora a falar do concerto ao ar livre, no anfiteatro natural, dos The Soaked Lamb do qual faz parte, entre outros, o escritor Afonso Cruz.

Li que: uma vez que todos os membros da banda exercem outras profissões, as gravações tinham lugar aos domingos. Como o dono da casa preparava, ocasionalmente, ensopado de borrego, foi graças à ementa de domingo que a banda ganhou o seu nome.

A música é deliciosa (tal como seria, certamente, o ensopado de borrego), as interpretações deles um prazer, uma boa onda contagiante.

As pessoas estavam não apenas no pequeno anfiteatro, como espalhadas pelo jardim, deitadas no amplo relvado, e uma senhora ao nosso lado pintava aguarelas, grupos petiscavam, outros conversavam e muita gente dava o seu pezinho de dança (eu incluída, claro).

De todos os pimentinhas, o que me acompanha na dança - mas com uma pinta que só visto - é o bebé.

Que belo pé de dança se está ali a formar. Baixa-se, dança com o corpo todo, faz gestos com os braços, com as mãos, uma pintarola. E sempre a rir, um bacaninho palrador.

Cada vez mais, parece que as pessoas começam a ganhar o gosto em juntar-se, em festejar em conjunto as pequenas coisas da vida, em desfrutar a natureza.

Estar assim, num espaço aberto como este, de onde a vista é maravilhosa, a ouvir música, num ambiente descontraído, junto daqueles por quem sentimos mais afecto, revermos pessoas que não víamos há algum tempo, estarmos à conversa, na boa, sem poluirmos a conversa com temas desagradáveis nem falarmos de gente desqualificada, é do melhor que há.

Quando há pouco abri a caixa de correio tinha uma dúzia de mails com artigos, dicas, links para sites onde se fazem denúncias importantes. Mas a verdade é que a minha cabeça estava mesmo noutra. Tirando o artigo da Marianita, tirando um vídeo que hei-de divulgar amanhã e um inesperado mail de uma Leitora a quem responderei ambém amanhã, não consegui interessar-me por mais nada (nem, uma vez mais, consigo responder: já é tão tarde). Que me desculpem os que tão generosamente me enviam informações, munições, não me levem a mal. Mas há dias em que a nossa cabeça só quer frescura.

Talvez que esta minha reacção tenha o seu quê de alienação. Mas e daí? Há-de uma pessoa estar sempre arreliada, preocupada?

Se está num espaço lindo, a ouvir uma música que nos faz ter vontade de dançar, se está entre família e amigos e estão todos sorridentes, bem dispostos, não é isso uma coisa boa?

Eu acho que sim.

Isto ainda me dá mais vontade de lutar para que a vida seja uma coisa boa e não um tormento. Quando penso nas pessoas que não arranjam trabalho ou que ganham miseravelmente ou que receiam não ter dinheiro que lhes chegue até ao fim do mês e que, portanto, não têm paciência ou ânimo para estar em ambientes distendidos assim, ainda me sinto mais determinada a tudo dizer e tudo fazer para ajudar a que haja uma qualquer reviravolta nesta política perversa que rouba a alegria de viver a tanta gente.

Depois, já o sol se estava a pôr, regressámos. Almada já começava a iluminar-se e na velha Rua Capitão Leitão, cheia, já se assavam sardinhas e febras e já tocava alto a música para os festejos dos santos populares.

Haja alegria. Pelo menos enquanto a alegria não pagar impostos.


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E por aqui me fico. Relembro: abaixo há mais dois posts que talvez gostem de ler. E um alerta: não consigo energia para reler o que acabei de escrever (nem este nem os dois posts abaixo). É mais que certo que haja letras trocadas ou a mais ou a menos, vírgulas saltitonas e outras incongruências. Relevem, sim?

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo domingo. E um bom Verão!
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