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quarta-feira, maio 20, 2026

Em terra de Más Influências, ya, tipo, tás a ver, viro as costas às famosas Bruna Magalhães e Mia Fernandes e junto-me aos cotas Luís Osório e Violante Saramago Matos que falam devagar e usam um vocabulário tão decente que talvez haja quem já o considere vintage

 

Aqui no campo, podemos ver todos os canais através da internet, mas, por preguiça, por vezes deixamo-nos estar nos básicos. Eu estava com o computador a ver a conversa que mais abaixo partilho e, na televisão, numa daquelas viagens rápidas em zapping, o meu parido parou no 5 para a Meia Noite no momento em que duas jovens convidadas conversavam com uma outra que nos pareceu residente. As duas, que nunca tínhamos visto nem ouvido falar, foram apresentadas como tendo um Podcast muito famoso. Até já foram ao programa (ou ao podcast?) da Júlia Pinheiro, disseram como sendo a inegável coroa de glória... e, por toda a conversa, parecia que meio mundo corre para não perder o que elas dizem. Isto tudo no meio de risos, conversas sobrepostas, tontices. O meu marido virou-se para mim: 'Já tinhas ouvido falar nelas?'. Nunca. Ele pediu: 'Procura lá aí, para ver se se percebe'. Fui ao youtube e procurei. Abri um vídeo e, ao fim de um minuto, o meu marido sentenciou: 'Pronto. Já chega.' e acrescentou: 'Porra.'

Se eu quiser reproduzir o que elas disseram naquele minuto não sou capaz. Não estou com défice de memória pelo que admito que não consigo porque elas, simplesmente, não disseram nada. Só me ficou que, em cada três palavras, aparece a palavra 'tipo' pelo menos quatro vezes. Pelo meio, 'ya'. Tipo, ya, tipo, ya, tás a ver, tipo.

Riem, interrompem-se, comem -- e não dizem nada.

Para ter a certeza de que não estou a ser injusta, voltei agora a ver mais um pouco e nem um minuto voltei a aguentar. Palavrão da pesada, mas ponham da pesada nisso. Uma vulgaridade, asneiras a granel misturadas com tipo e com ya e com tás a ver. E não passa disso, uma cansativa indigência. A todos os títulos, uma miséria.

E, uma vez mais, parece que há muita gente a consumir uma porcaria sem ponta por onde se pegue. Sinceramente, não sei que retrocesso civilizacional é este. 

Elas são a Bruna Magalhães e a Mia Fernandes e o podcast chama-se Más Influências -- uma coisa que, se vivêssemos tempos normais, ao fim do primeiro episódio, por falta de audiência, deixaria de ver a luz do dia. Agora não. Nestes tempos em que reina a estupidez, estas duas criaturas têm audiência e são convidadas para programas de televisão como se fossem pessoas com alguma coisa para dizer. E não têm. 

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Felizmente, há o reverso. Foi de gosto que vi e ouvi a conversa entre o Luís Osório e a Violante Saramago Matos, a filha de José Saramago. Ele faz uma pergunta e deixa-a falar, dá-lhe espaço e tempo, ela escuta-o, pensa -- e nós podemos respirar, escutá-los, olhá-los. Há todo um tempo, uma história, um vocabulário, memórias intelectuais e emocionais, um saber pensar, um saber falar.

Claro que, ao olhá-la, me ocorre o lugar comum de que 'o tempo passa a correr'. Aqui está a filha de Saramago já com 78 anos, já com mais 2 anos do que o pai tinha quando recebeu o Nobel... Ainda o tenho presente, as suas palavras, e aqui está a sua filha já a pensar que o fim se aproxima. Inclemente, o tempo. 

Falam no Ensaio sobre a Cegueira, livro que ela tem na cabeceira. Para mim também um livro fundamental, daqueles momentos em que se cava um buraco sob os nossos pés para que a literatura desenhe uma nova fundação.

Não é daquelas conversas que se ouça em dois ou três minutos -- não, é para se ouvir com tempo. Falam de muita coisa, incluindo da demagogia do Durão Barroso, para mim uma alforreca com que nunca pude, e da sua mulher, muito melhor que ele e que por ele se apagou, a Margarida Uva por quem sempre tive muita simpatia.

"Vencidos" com Violante Saramago Matos | Antena 1 /  Luís Osório

José Saramago só tem uma filha e dois netos. A filha chama-se Violante e é uma mulher extraordinária e discreta. À conversa com Luís Osório. Saramago como nunca o ouviu.


Desejo-vos um bom dia

terça-feira, maio 19, 2026

Depois das especialistas em Human Design, das Psicoterapeutas Somáticas, das Criadoras de Conteúdos Digitais, das Mentoras, das Coaches e das empresários da treta, eis que hoje aprendi que também há as Terapeutas Sentimentais, ao que parece, uma evolução da carreira de Esteticista.
-- E escrevi no feminino porque calhou, mas também os deve haver no masculino --

 

Nem de propósito: hoje, quando ligámos a televisão, um pouco antes das 20h, estava a dar uma síntese ou um anúncio, não percebi, do programa Casados à Primeira Vista. E, aí, assisti a outro momento extraordinário: uma senhora de sessenta e picos anunciava-se como Terapeuta Sentimental, explicando que durante cerca de trinta anos tinha sido esteticista. Dava a ideia que a carreira de esteticista tinha sido a base formativa para passar para o degrau acima: exercer terapia sentimental. Mais à frente, mostrava-se com anéis enormes, pavorosos, e enaltecia os benefícios daquela pedraria de pechisbeque na afirmação pessoal.

E eu fiquei a pensar: mas que género de pessoas paga a uma tal 'profissional'? E o que é que ela vende? Conselhos? Anéis? 

Passou de esteticista para terapeuta sentimental. E, portanto, concluo eu, isto parece que agora as profissões já não têm que ser homologadas. Nem obedecem a nada. Cada um inventa a profissão que lhe apetece. Aqui não há ASAE que consiga verificar se estão a ser cumpridos requisitos, respeitados valores profissionais, se não está a ser vendido gato por lebre. Nada. Tudo à margem de tudo, imagino.

O que eu gostaria de saber é, a nível de Finanças, como é? Quando recebem dinheiro dos clientes é na base do toma lá, dá cá e... impostos viste-os? E a AT deixa que as pessoas vivam com mais do que o que oficialmente recebem, e não tem mecanismos para ir atrás?

Claro que isto é arraia-miúda. Dir-se-á que não é por aí. Pois. Mas multiplique-se pelos vários milhares de pessoas que exercem estas novas profissões e talvez já tenha expressão. Mas vale para esta como para todas as influencers e toda a matilha que por aí anda a ganhar dinheiro de qualquer maneira, sem acrescentar qualquer valor ao País -- e, às tantas, ainda criticam o estado das coisas quando não devem pagar 1 euro de impostos. Parasitam a sociedade. 

NB: Note-se que estou a falar em abstracto pois não conheço a dita senhora de lado nenhum, não é, nem poderia ser, dela, em concreto, que estou a falar. Se a dita concorrente daquele programa for uma zelosa cumpridora de todas as regras, mandamentos e preceitos, maravilha. Mas eu não estou a falar dela, estou a falar em geral, em abstracto.

Outro exemplo. Não há muito tempo, ao falarem-me de uma pessoa, disseram-me que tinha uma empresa. O meu sexto sentido farejou coisa. Para me provarem que eu não tinha razão, disseram-me qual a empresa. Fui verificar. De facto a empresa existe, de facto essa pessoa é sócia, creio que sócia única. Objecto social: registo de patentes. Aí o meu faro apurou-se ainda mais. Melhor: eriçou-se. Registo de patentes?! Sei bem o que é a actividade de registo de patentes, sei o que exige. Afirmei categoricamente que a história estava mal contada. Era impossível aquela pessoa ter uma empresa de registo de patentes. Algum tempo depois, mostraram-me algumas facturas emitidas por essa empresa. Numa facturava 'x dias' a um certo valor unitário, sem especificar dias de quê. E numa outra facturava 'x items' a um outro valor unitário, também sem especificar quais os items. Valores baixos. E, obviamente, nada de nada de nada de nada a ver com patentes. Ou seja, quem tinha emitido aquelas facturas não fazia a mais pálida ideia do que são patentes. Como a internet tem destas coisas, googlei o nome da pessoa. E, claro, certinho, direitino, fui parar à sua página de instagram. Na sua inocência (ou estupidez), a pessoa tinha vídeos a promover os seus produtos, chegava a mostrar-se em casa a abrir uma caixa de cartão e a retirar os produtos: cintas. Cintas a granel. Cintas para afunilar a cintura, ocultar a barriga, salientar o rabo. O que ela vendia eram cintas. Nesses vídeos, dizia às pessoas para lhe encomendarem antes que esgotassem. Percebi que as vendas se faziam por ali. Provavelmente, as pessoas mandam mensagem a dizer que querem, ela deve dizer o MB Way, as clientes devem dizer a morada para envio, e está feito. Imagino eu. Devia fazer uma meia dúzia de facturas por ano para fazer de conta e o resto sabe-se lá como. E volto a dizer: imagino. Não sou inspectora das Finanças, não me compete andar atrás. Por isso, certo, certo, comprovado, não posso afirmar. O que sei é que, nas Finanças, está registada como uma empresa de venda de patentes. Profissão: empresária.

Fico perplexa, banzada, quase em estupor catatónico com o desplante desta gente. Meio mundo a inventar, a passar ao lado, a vender embustes e tretas. E para tudo há clientela. Seja a estupidez encartada do human design, seja os psicoterapeutas somáticos, os terapeutas sentimentais, os mentores de lifestyle, os criadores de conteúdos digitais, seja toda essa chusma de empresários que criam uma empresazeca de vão de escada e que não devem ser sujeitas a qualquer controlo -- para tudo há clientes. Para tudo. Ou seja, se estas pessoas, estas embusteiras, ao todo, serão da ordem dos milhares e se, cada uma, tiver umas centenas de clientes, já estamos a falar de centenas de milhares de obtusos que consomem e pagam por toda a espécie de porcarias -- ou seja, teremos a ideia da dimensão da mancha humana que é a nódoa de gente que consome todas estas patranhas.

Se calhar, verbas não da ordem dos biliões. é que, para além desta arraia-miúda há depois os tubarões. Bem sei. Concordo. Mas, seja muito ou pouco, é dinheiro que outros estão a pagar a mais para cobrir o que os que deveriam pagar não pagam. E é o princípio. E é a seriedade do sistema que é posta em causa. É aquela corrupção miúda, corrupção moral. E aquele sentimento aflitivo de que há os tais 25% da população que integram ignorantes, gente mal formada, obtusos, invejosos, crápulas, estúpidos, gente que, ainda por cima, geralmente entrega o seu voto a partidos que são se alinham com a democracia, com a verdade, ou com o bom desenvolvimento do país.

Não admira, pois, que, em Portugal, também 25% da economia seja paralela. Ah pois é, bebé.

segunda-feira, maio 18, 2026

O admirável mundo das novas profissões

 

Até há cerca de um ano mantive-me longe das redes sociais. Geralmente era eu que procurava a informação e, quase sempre, junto dos media de referência. Claro que também consumia os vídeos do youtube (e ainda consumo) mas, enfim, há que reconhecer que nada a ver com a avalanche, não editada, que agora me chega via instagram. 

Quando a minha filha criou a conta, perguntou se os posts que eu criasse para o instagram também deveriam ir para o facebook. Segundo ela, o facebook é coisa mais de terceira idade e que ainda há muita gente que começou aí e ainda aí se mantém. Portanto, disse que sim. Mas nunca me lembro de tal. Quando abro a caixa de correio, o que não é frequente, espanto-me com dezenas e dezenas de notificações, mensagens, pedidos de amizade que estão pendentes no facebook. Se lá vou, é tanta coisa que nem me entendo. E aquilo parece-me uma barafunda, nada a ver com a arrumação do Instagram. E, aliás, sendo o meu perfil público, não vejo a lógica de eu ter que aprovar o pedido. E tudo aquilo me parece um tal caos que desisto. Provavelmente qualquer dia desisto do facebook. E os posts do instagram não apenas vão para o facebook como para uma coisa chamada Threads e aí só consigo ver de soslaio pois parece que devia criar conta específica. Mas vi que uma minha coisa qualquer tinha milhares de visualizações. Não faço ideia se o Threads também funciona com base em 'seguidores' ou 'amigos' ou se é bar aberto ou se há comentários ou não. Mas nada disso é a minha praia, não tenho paciência, não quero perder tempo a aprender coisas que me parecem redundantes. O Instagram já me chega. 

Mas vem isto a propósito das coisas que aprendo no Instagram... Coisas que eu não poderia aprender apenas lendo o Guardian, e isto só para dar um exemplo. É todo um mundo novo. Muitas vezes aparecem-me posts de pessoas desconhecidas. Quando quero ver quem são, clico no perfil e, com muita frequência, aparece-me que são criadores de conteúdos digitais. Não sei se é porque acham que é o que está a dar ou se é mesmo a sua ocupação principal, mas, do que lá se vê, não haverá mais que isso.

Mas não é só. 

Há bocado apareceu-me um que se anuncia como psicoterapeuta somático. Nunca em tal eu tinha ouvido falar. Fui ver: descreve algumas das suas habilidades para tratar pessoas. Daquela conversa toda, não me pareceu ver ali qualquer base científica, tudo aquilo me pareceu uma chachada sem ponta por onde se pegue. Posso estar simplesmente desfasada do imenso leque de profissões que agora parece que brotam como cogumelos, e esta ser uma profissão legítima, validada por alguma Ordem, sujeita a regulação. Mas esta é apenas mais uma das que me vão aparecendo. 

Há poucos dias uma outra descrevia-se como especialista em human design. Como nunca tinha ouvido falar em tal coisa fui informar-me. E tudo aquilo me tresandou a treta de uma ponta a outra. Mas, pelo que vi, organiza cursos ou retiros ou coisa do género. E parece que desenha mapas. Se calhar antes designar-se-ia astróloga e não organizaria workshops ou encontros. E eu espanto-me: quem é que vai em tal conversa? Os clientes não se importam por nada daquilo ter qualquer fundamentação científica? Há assim tanta gente a embarcar em balelas e ainda pagar por isso ou ainda bater palminhas? 

Mas depois ainda há quem que se anuncia como coach ou mentor e, se eu resolvo ir espreitar a realidade que ali subjaz, vejo grupos (geralmente de mulheres) que se riem muito, frequentemente de braços abertos, boca aberta e, muitas vezes, de língua de fora e perna no ar. Não imagino sequer o chorrilho de disparates, de vacuidades, de banha da cobra que aí se vende. 

E depois há ainda quem faça sessões online para explicar as vantagens de suplementos alimentares. E quando, na minha inocência, pergunto se quem ministra tais sessões é nutricionista ou afim, respondem-me que não, que agora na internet encontra-se tudo o que é preciso. Mas dizem-me isto não com ar envergonhado de quem foi apanhado em falso mas como se a minha pergunta é que fosse absurda.

Quando me espanto por haver tanta gente que vota em partidos que apresentam propostas não fundamentadas, não deveria. Se há tanta gente que embarca nestas parvoíces, a quem nem ocorre saber se a profissão está homologada por entidades competentes ou  se esses pseudo-especialistas têm bases académicas para fazer aconselhamentos psicológicos ou human design (esta expressão, então, é de morte), como não haverão também de ir atrás da conversa de populistas e afins...?

Não sei que mundo é este. Mas, cá para mim, metade da população é mesmo assim, abestalhada, feliz com a sua ignorância, disposta a seguir ou a pagar a todos os que lhes dizem o que eles querem ouvir (mesmo que, à vista desarmada, se perceba que é tudo uma tanga). Metade não, estou a exagerar. Acho que é para aí um quarto, são os tais 25% de pessoas que votam sempre nos partidos ou nas pessoas que não interessam para nada, que se vê, a milhas, que tudo aquilo é uma 'furada'. E não estou a pensar só no Chega, no Ventura (ou, nos States, no Trump): já pensava isso de quem vota no PCP, no Bloco, de certa forma, em parte, na IL. Propostas vagas, simpáticas, incitamento, ainda que, por vezes, mais veladamente, à divisão do mundo entre o lado bom e o lado mau, 'nós, os bons, os prejudicados, os impolutos' contra 'os outros, os maus, os corruptos, os ladrões'. Por vezes, a estes 25% de gente que vai atrás de tudo o que os vendedores de banha da cobra vendem, por razões circunstanciais há mais quem se lhes junte, uma franja flutuante que tanto vai por ali como por aqui. Agora, em todo o lado, parece que há sempre 25% de pessoas que não sei dizer se são burras, ignorantes, inseguras, fúteis, marias-vão-com-as-outras ou o quê. Mas acho que andam sempre por aí.

E, para resumir, acho que é essa camadinha que alimenta esses profissionais de meia-tigela, gente sem escrúpulos ou sem consciência ou sem noção, que se armam em líderes, em mentores, em especialistas, em psico ou experts da treta e que não passam de sacos cheios de coisa nenhuma.

Ou, então, temos que nos ir habituando: uma onda de coisas fake a passar por cima dos incautos e, se calhar, um dia, quando menos dermos por isso, já a passar por cima de todos nós.

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Desejo-vo suma boa semana, a começar já por esta segunda-feira

quarta-feira, abril 01, 2026

A democracia não é um substantivo, é um verbo

 

Vou ao supermercado e, quando vejo a conta, fico sempre espantada, a admitir que alguma coisa passou várias vezes ou com o preço muito errado. E, quando verifico, confirmo: aqueles preços estão todos errados, altos demais. De uma semana para a outra verifico que alguns produtos deram um salto. Não compro artigos de luxo ou desnecessários e, no entanto, a conta é exorbitante. Só penso nas pessoas com famílias grandes a seu cargo, nas pessoas com fracos rendimentos. A vida vai tornar-se mais difícil. Quando atestamos o depósito, o valor assusta. Poderíamos usar menos o carro, claro. É a recomendação inteligente da UE e de toda a gente que antevê o que ainda aí vem. Mas nem sempre os transportes vão onde queremos ou, se vão, podemos levar uma hora ou mais em mudanças de autocarro pois daqui não há transportes directos para os lugares que frequentamos habitualmente e, de carro, são quinze minutos. De qualquer forma, seria inteligente que o nosso governo começasse a fazer campanhas vigorosas  para incentivar o uso de transportes públicos. Poderá haver uma altura em que, em algumas famílias, o comodismo terá que ser posto de lado em favor do equilíbrio financeiro.

O tema da inflação e do ajustamento das taxas de juro vai ser um garrote para muita gente e, tanto mais, quanto mais esta crise durar e, ainda mais, para quem tem compromissos bancários em curso. Ainda ontem, no texto que escreveu, o meu marido referiu que grande parte dos empréstimos bancários contraídos nos últimos tempos implicam uma taxa de esforço da ordem dos 40 a 50%. Aumentando a taxa de juro, ainda mais difícil será o dinheiro chegar para a prestação e para o resto. Já para não falar em que a maioria dos empréstimos entalam os contraentes até aos 70 anos. Um disparate. É com endividamentos assim que, de vez em quando, ao subirem as taxas de juro, rebenta a bolha imobiliária e muita gente fica apeada, sem casa.

Vamos ver como vai o governo ajudar as famílias. Para já, muito aquém do que Pedro Sanchéz fez.

Trump meteu-se numa ratoeira sem saber ao que ia. Um idiota à solta, cheio de poder e rodeado de idiotas lambe-cus é um perigo maior do que se pode imaginar.

Ao fim de um mês, dizem que está farto da guerra, que já não tem saco para aquilo. Era para ser uma excursão de poucos dias, chegava lá, atirava uns tiros, sacava o Ayatola, e já estava. Segunda obliteração. Sucesso fantástico, o maior sucesso de sempre. Afinal, pelo contrário, percebe que aquilo está tudo ensarilhado, os generais a quererem explicar-lhe coisas... e ele sem pachorra. Não tem paciência para se manter muito tempo agarrado ao mesmo assunto, muito menos de gaitadas que dão para o tordo, fica furioso, enraivecido com os vídeos que os iranianos todos os dias soltam a gozar com ele, chamam-lhe looser, falam nas suas fraldas, riem das suas mentiras ridículas. Ora ele não quer ouvir isso, quer é falar do salão de baile, janelas muito grandes, cortinados dourados, tudo dourado, ou pôr-se velhacamente a caminho de Cuba, mais um país conquistado, mais um sucesso, ou mostrar o projecto megalómano da agora inventada torre-biblioteca Trump em Miami, gigante, vidros, dourados, o nome dele em dourado a quase toda a altura. 

Entretanto, para ver se pega, e junto dos broncos da MAGA pega com certeza, agora diz que já mudou o regime do Irão, que já matou uma rodada deles, depois outra rodada, que já não há lá ninguém que mande, que assim é que ele gosta, e que já obliterou a armada, a artilharia, a aviação, tudo obliterado. Todo um regime que, segundo ele, já foi à vida. E que também não precisa do Estreito de Ormuz para nada, quem precise de petróleo que lá vá buscá-lo, que ele se está bem a caguar para isso (note-se: caguar, com u, que sou moça fina). Nem precisa da NATO, a NATO é um tigre de papel, diz que é ele e o seu bro Putin a acharem isso. Portanto, NATO também ao fundo, e ainda poupa dinheiro que se farta. Portanto, por ele está feito. Só vitórias. Vitórias duplas, triplas, huge vitórias, vitórias nunca vistas

Só que não. 

Só que vai ter uma surpresa: os iranianos vão deixar barato o estrago que ele fez. O que ele destruiu levará anos a ser reconstruído. E os iranianos querem que seja ele a pagar. E, depois, o fluxo de mercadorias, incluindo o petróleo, foi interrompido de forma crítica. Vai levar tempo a repor a normalidade da situação. É como depois de resolvido um acidente: passado muito tempo ainda o trânsito não escoou. O efeito de acumulação é tramado (a matemática dá uma ajuda a explicar isso). E depois há as mortes que o Irão já anunciou que vai querer vingar. Mártires para serem vingados é o que agora não falta. Portanto, mesmo que o idiota cante vitória e dê de frosques, as coisas continuarão ensarilhadas, a diversos níveis, por muito tempo.

E depois, ao mesmo tempo que dá mostras de se querer pirar de qualquer maneira, Trump, só para baralhar um pouco mais, ameaça que vai praticar toda a espécie de crimes de guerra, destruindo instalações indispensáveis à vida. Não tem vergonha na cara, não tem respeito pelos tratados internacionais (que nem conhece, acho eu), não tem tino. E, pior, não há gente com cabeça que o puxe para a razão -- secou tudo à sua volta, só restaram idiotas, tarados, radicais musculados e descerebrados, bêbados, tóxicómanos.

Ou seja, não há dia em ele não prove à saciedade que é um idiota que alguém deveria enfiar numa camisa de forças e levá-lo, à força, para uma qualquer casa de doidos. 

Antes desta estúpida ofensiva do idiota Trump, o Estreito de Ormuz estava aberto, os mercados estavam estáveis. Depois de milhares de mortes e de uma destruição tresloucada, tudo se estragou. Foi o que o idiota conseguiu.

E depois há Israel. Netanyahu sabe que andou a cutucar a fera com vara curta. O que fez, vai sair-lhe caro. Israel vai querer fazer ao Irão o que está a fazer em Gaza e ao Líbano, varrer tudo, não deixar pedra sobre pedra. Quem é que o vai parar?

Pode ser que um punhado de pessoas inteligentes e bem intencionadas, decentes, não corruptas, não egocêntricas, se junte e engendrem uma solução de compromisso para tentar recompor minimamente o que foi tão estragado. Só me ocorrem aquelas anedotas: um chinês, um alemão e um alentejano juntam-se e ... (e é sempre o alentejano que tem a saída mais prosaica embora aparentemente mais parva). Adiante. É que o drama é que, falando a sério, não se está a ver bem quem, como, quando. Mas era bom.

Seja como for, numa salganhada destas, com um caldo entornado desta boa maneira, vai levar muito tempo a repor a anterior normalidade. E há muitos danos colaterais. Por exemplo, a Rússia a ganhar pipas de massa com o aumento do preço do petróleo fica com folga orçamental para continuar a massacrar a Ucrânia. Ou Israel, no meio desta confusão toda, aproveita para se radicalizar ainda mais, voltando à pena de morte, desta vez selectiva. Uma cambada desencabrestada.

Pasmamos com tudo, isto pois, pelo menos eu, na minha inocência, sempre julguei que as democracias tinham mecanismos de defesa. Não têm. Em pouco tempo, Trump demonstrou que pode fazer o que quer sem que ninguém o consiga impedir.

Tal como Putin o fez. Tal como Netanyahu. Fazem o que querem. O mundo assiste, impotente. A democracia é frágil. Não é um bem adquirido. Tem que ser regada, alimentada, cuidada, protegida, defendida. Quando se descura isso, é o que se vê: abre-se a caixa de Pandora de onde saltam monstros, demónios, bicheza maligna de toda a espécie.

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Mais uma vez, Joanna Coles conversa com quem conhece por dentro a sociedade e os meandros do poder americano, David Rothkopf. É muito interessante e elucidador ouvi-los. Com a graça de que, como inteligentes que são, têm um sentido de humor delicioso.

Recomendo, vivamente, que vejam o vídeo.

Eu sei porque Trump continua a cometer erros: Rothkopf | Podcast do The Daily Beast

David Rothkopf e Joanna Coles analisam uma semana de crescente tensão global e caos político, desde protestos em massa nos Estados Unidos à perspectiva muito real das tropas norte-americanas em solo iraniano, enquanto os especialistas alertam que a situação pode agravar-se rapidamente. Rothkopf oferece uma avaliação mordaz do estilo de liderança de Trump — guiado pela perceção em detrimento da estratégia — enquanto Coles destaca os riscos de rodear o poder de inexperiência e ego. Juntos, ligam os pontos entre a história, a realidade militar e as decisões perigosas que se desenrolam em tempo real, expondo porque é que as ameaças isoladas raramente funcionam e como este momento pode remodelar o papel dos Estados Unidos no palco mundial. É uma conversa perspicaz, com um humor ácido e profundamente sóbria, que culmina numa conclusão arrepiante sobre o que pode acontecer a seguir.


Como o vídeo é um pouco longo, caso queiram ouvir alguns pontos em específico, deixo o link (nos minutos) para esse ponto, directamente no youtube.

00:00 - Abertura Brutal: “Gabinete de Idiotas”
03:03 - Protestos Massivos e um Alerta para a Democracia
06:08 - Porque é que a Democracia é “Um Verbo”
08:02 - Trump, a Verdade Social e as Ameaças do Irão
11:05 - O Perigoso Plano do Urânio Explicado
14:45 - Porque é que os Especialistas Temem uma Guerra com o Irão
18:04  - Corrupção, Acordos e Questões sobre Kushner
21:05 - Religião, Guerra e a Controvérsia de Hegseth
24:17 - Porque é que Trump Promove a Incompetência
27:03 - Trump é Realmente Estratégico?
30:30 - O caos no FBI e o ataque hacker a Kash Patel
33:06  - "Vermes Cerebrais" e críticas ao Gabinete
35:12 - Riscos Globais e o Estreito de Ormuz
36:41 - Americanos reais a sentir o impacto
39:04 - Sinais de alerta económico aumentam
41:15 - China, IA e os EUA a ficarem para trás
42:34 - A expansão extravagante da Casa Branca de Trump
45:10 - Bilionários, poder e influência
47:19 - A vida depois de Trump: o que se segue
49:09 - Agradecimento aos ouvintes e comunidade
50:43  - Porque é que este podcast ressoa
51:24 - Considerações finais e o que vem aí

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Desejo-vos um dia bom

segunda-feira, março 30, 2026

Parem tudo!
Eis as fórmulas inteligentes para lidar com gente estúpida

 

Começo por sacudir a responsabilidade pelo que é dito no vídeo que abaixo partilho. Não fui eu que o fiz e, além do mais, não tenho conhecimentos para avaliar se há rigor científico no que se diz ou se as referências filosóficas respeitam o espírito da letra de quem as proferiu.

Não tendo aqui nenhum filósofo à mão de semear, e querendo pelo menos o conforto de que o aqui apresento não seja um total barrete, submeti-o à apreciação do chatgpt. Disse-me que sim, que as referências não são inventadas nem despropositadas, ou seja, que não se pode dizer que seja uma banhada, mas que, enfim, é uma coisa na base do mais ou menos, ou seja, de facto existiram mesmo as afirmações, não são falsas as referências, mas, segundo o chatgpt, estão um pouco enroupadas à luz das tendências actuais, mormente o léxico e as preocupações, que é daqueles vídeos self não sei quê, cheios de ensinamentos e coiso e tal. Compreendido.

Seja como for, gostei. Direi mesmo: bacteriologicamente correcto ou não, a mim faz-me muito sentido. Digo mais: é daquelas que já deveria ter aprendido há anos e anos pois, se eu tivesse percebido e interiorizado isso, muitas maçadas me teriam sido poupadas.

Sei que não sou a última coca-cola do deserto, muito longe disso, mas também sei que não serei a mais burra da turma, seja qual for a turma. E toda a minha vida, toda, toda, t-o-d-a, foi passada a tentar explicar o que me parece ser correcto, a defender as ideias que acho certas, a tentar desmontar argumentos falaciosos. Um desgaste. Percebo agora a burra que tenho sido. Aliás, implicitamente já o sabia, mas agora, vendo-o assim explicitado, ainda mais claro fica.

Muitas vezes, para meu desgosto, chegava à conclusão que, em determinados meios, o que é mais apreciado é o que é mais básico, menos valioso, mais irrelevante. Já o referi anteriormente. Na minha vida profissional, várias vezes fiquei chocada ao ver que alguns projectos inovadores, revolucionários, fracturantes, verdadeiramente relevantes, eram incompreendidos e pouco valorizados enquanto alguns, que nem à categoria de projectos deveriam ascender de tão básicos que eram, acabam por ser louvados, enaltecidos e até premiados. E sempre cheguei à mesma conclusão: se quem apreciava os assuntos era gente de pouca cabeça, só percebiam os temas que eram elementares, que não requeriam nem grandes conhecimentos nem grandes discernimentos para serem entendidos. Tudo o que fosse mais complexo já era chinês para eles e, para não darem parte de fracos, preferiam mostrar pouco interesse.

Também já contei que, algumas vezes, ao ver projectos que eram apresentados como extraordinários, que envolviam investimentos de milhões, que eram divulgados em jornais de referência e que eram visitados pelo governo ou, até, pelo presidente da república, eu dizia de caras: um bluff, um fiasco, um saco cheio de nada, nunca na vida vai dar em alguma coisa, a ideia inteligente é abortar já. E, ao sustentar esta posição, era olhada de lado como uma céptica, uma pessoa do contra, alguém desalinhado, olhada até com algum temor não fosse eu falar alto de mais ou onde não devia. Desfazia-me a tentar demonstrar o que para mim era óbvio, cristalino, a tentar evitar o desperdício de milhões ou estar-se a contratar carradas de pessoas altamente especializadas para uma coisa que jamais teria pernas para andar. Nunca consegui. Custava-me aquilo, parecia-me um embuste disfarçado de ideia grandiosa, sabia que ia trazer prejuízos avultados, geral imparidades de se lhes tirar o chapéu. Fui derrotada, era a única a tentar ir contra a corrente. Quando, anos depois de milhões e milhões jogados para o lixo e de tentar arranjar novas funções para os que, para aquilo para que foram contratados, já não teriam trabalho, eu me lamentava: 'Se alguém me tivesse dado ouvidos...', um colega e amigo dizia-me: 'Sabe, tão grave como não ter razão é ter razão antes de tempo.'. Não têm conta as lutas que travei para tentar demonstrar erros, linhas estratégicas erradas, decisões sem nexo. E para quê? Para nada.

Há pessoas que não querem ouvir a verdade. Ou não a compreendem. Há que saber aceitar isso: não vale a pena tentar avisar quem não quer ser avisado. Ou tentar explicar a quem é incapaz de compreender.

Uma das que me marcou, e aqui uso o verbo marcar no sentido de chatear, mas chatear profundamente de tão estúpida que foi, aconteceu numa sessão de avaliação, ao ser avaliada por um que estava na empresa há poucos meses e que mal me conhecia, no item 'trabalho de equipa' -- área em que sempre tive pontuação máxima pois gosto de trabalhar em equipa, nunca fui individualista, acredito piamente na convergência de esforços --, numa escala de 1 a 5, me atribuiu um 3. E justificou assim: 'É muito inteligente e as pessoas têm medo de si'. Fiquei a olhar para ele certamente com espanto mas, acredito, sem conseguir disfarçar que achava que só um tipo muito burro poderia avaliar-me com um 3 apresentando tal justificação. Tive vontade de lhe perguntar se era o caso dele, se tinha medo de mim. Com o passar do tempo, percebi que tinha. Não percebia nada do que eu dizia e ficava deveras aflito, tentava desviar-se, tentava evitar-me. Quando o confrontava, eu percebia que, a ele, só lhe apetecia fugir. Como não podia, desviava o assunto, contava histórias, elogiava-se, contava-me façanhas que, para mim, eram ridículas mas que ele descrevia como se fosse o maior, tudo para não ter que se debruçar sobre o tema profissional que eu queria discutir.

Em contrapartida, sempre que trabalhei com pessoas inteligentes ou em empresas ou em momentos em que as administrações eram globalmente inteligentes, que motivante foi, que desafiante, que entusiasmante. Ou conduzir equipas de pessoas inteligentes, que bom, que bom que é.

Politicamente é a mesma coisa: quantas vezes tive discussões escusadas pois estive a tentar demonstrar a vacuidade ou a inconsequência de propostas junto de pessoas que se recusaram a ouvir os meus argumentos e que persistiam em defender posições erradas à luz da lógica e da razão.

Devia ter visto este vídeo antes. Querer demonstrar um raciocínio lógico junto de quem não é capaz de o acompanhar é como querer instalar a última versão de um sistema operativo numa máquina de escrever. Não vale a pena. 

Mas vejam o vídeo e ajuízem se vos parece ou não interessante. É relativamente longo mas vale a pena. Claro que os ignorantes, que não sabem que o são, pensarão que encaixam na categoria dos inteligentes. Mas isso, já sabemos, é o costume. 

É como o Trump: acha-se o maior e vá lá alguém tentar convencê-lo que as suas ideias são fantasiosas, estúpidas, ridículas. Aliás, é difícil ver e ouvir este vídeo sem pensar em como realmente se aplica a tantas situações reais da nossa vida e, em particular, da realidade política actual.

Mas, enfim, é o que é. O mundo é assim mesmo e a gente tem é que aprender a posicionar-se.

E se os filósofos a sério que por aqui passem acharem que tudo isto é uma pepineira, pois muito bem, cá estou, receptiva para aprender com quem sabe. É dizerem de vossa justiça.

Como as pessoas inteligentes lidam com as pessoas estúpidas — Schopenhauer

Arthur Schopenhauer compreendeu aquilo que a maioria das pessoas se recusa a aceitar: a lógica é impotente contra a ignorância deliberada. Neste vídeo, exploramos a filosofia implacável de Schopenhauer sobre como as mentes inteligentes se podem proteger dos efeitos psicologicamente desgastantes de lidar com pessoas irracionais, tolas e deliberadamente ignorantes. (...)

Aqui poderá aprender:

— Porque é que discutir com um tolo é suicídio intelectual

— Como utilizar o absurdo como arma, utilizando a redução ao absurdo (reductio ad absurdum)

— O método da quarentena psicológica para proteger a sua mente

— O Dilema do Porco-Espinho de Schopenhauer e o distanciamento estratégico

— A Estratégia da Submissão: Como Sima Yi derrotou um poderoso tolo

— Porque é que a sua empatia está a alimentar a ilusão deles

— Como fazer a transição da inteligência para o verdadeiro poder

Não se trata de arrogância. Trata-se de estratégia. A sua energia mental é finita. Deixe de a desperdiçar com pessoas comprometidas com a sua própria ignorância.

Referências e Pesquisa:

📚 "A Arte de Ter Razão" — Arthur Schopenhauer

📚 "Rápido e Devagar: Duas Formas de Pensar" — Daniel Kahneman

📚 "A Armadilha da Inteligência: Porque é que as Pessoas Inteligentes Cometem Erros Burros" — David Robson

Relembro que poderão optar por legendas (automáticas) em português. 

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Nota: as duas imagens que juntei ao texto foram geradas através de Inteligência Artificial

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Desejo-vos uma boa semana

domingo, março 09, 2025

Alô, alô, senhor ministro Pinto Luz: não faça o número gago do agarrem-me senão eu bato-te. Fica ridículo.
Se, como diz, "O PSD não quer eleições, o primeiro-ministro não quer eleições e os portugueses não querem eleições", porque é que o seu chefe entregou na AR uma moção de censura?
Já pensou que o melhor para o País seria o PSD livrar-se do Montenegro? Ora puxe lá um bocadinho pela cabeça.

 

A narrativa que o PSD arranjou para tentar fazer-nos uma lavagem ao cérebro aí está no terreno, a toda a força. Tudo o que é papagaio anda a propagandear, com a ajuda da comunicação social, que a culpa de tudo é do PS.

Eu só espero que, maioritariamente, os portugueses não sejam tão acéfalos como estes papagaios sem vergonha na cara e mostrem, veementemente, que não engolem tudo o que lhes dão a comer. E que mandem o Montenegro -- que depois de se ter escondido atrás da mulher e dos filhos, agora anda a esconder-se atrás destes ministrecos -- de volta para Espinho para poder fazer fretes à vontade à Solverde, à gasolineira do pai do candidato à Camara de Braga, por sinal, marido da célebre Inês Patrícia, e a outros clientes do género.

Alguém devia fazer ver a esta gentinha que andar a poluir o ar que respiramos não é uma boa estratégia.

É pena que as vozes inteligentes sejam tão poucas e tão pouco escutadas. Pena, pena.É que, de uma coisa, não subsistam dúvidas. Como muito bem diz C.: "Por mais piruetas que as agências de comunicação façam, é esse rosto de chico-esperto que  vai ser impresso nos cartazes."

E qual o papel dos jornalistas? Transcreverem ipsis verbis a lenga-lenga engendrada para enganar os pacóvios ou exercer um mínimo de contraditório? Não sabem o que é exercer o contraditório? E são descerebrados a ponto de não serem capazes de desmontar retóricas enganosas?

Muito do que é o populismo ou votos dados a quem só anda cá para enganar o Zé Pagode deve-se a esta Comunicação Social que vai atrás de todos os ossos que lhe atiram.

De facto a estupidez é um mal generalizado e, pior, para o qual ainda não se descobriu o antídoto. Caraças.

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[E, se estiverem para aí virados, queiram, por favor continuar a descer pois há mais aqui, onde se fala da longa manus e do alter ego, do Montenegro -- como tão bem Vital Moreira escreveu]

segunda-feira, fevereiro 10, 2025

A teoria da estupidez
-- e como a estupidez controla a sociedade --

 

Os exemplos são inúmeros. Por todo o lado a gente vê gente estúpida, muitas vezes estúpida a ponto de eleger quem, assumidamente, os vai prejudicar.

Por exemplo, uma parte significativa de imigrantes votou em Trump apesar de ele anunciar uma guerra aos imigrantes que não tinham os documentos em ordem. Imigrantes indocumentados votaram em Trump. Convenceram-se que, por viverem e trabalharem há anos nos States e de aí fazerem os seus documentos, pertenciam à casta dos imunes. E, esquecendo-se dos anos de dificuldade, apoiaram a sanha de Trump contra os mais indefesos. Agora andam à nora, sentindo-se duplamente estúpidos, em risco de perderem tudo e irem de vela, pois, segundo Trump e a bonequinha escolhida para sua porta-voz deixam bem claro, quem não tem papéis em ordem é criminoso e, se é criminoso, vai ser corrido dos Estados Unidos. 

Estúpidos. É como Musk. Uma das filhas mudou de sexo. Inclusivamente mudou de nome pois não quer ter nada a ver com o pai que apoia a sanha de Trump contra quem muda de sexo. Qual é mais estúpido? Trump ou Musk? Ou quem os apoia?

Musk tomou a máquina americana de assalto e despede, fecha, corte, ameaça, ri, salta a pés juntos em cima. Mas era de prever pois já o fez antes e, de resto, anunciou que iria fazê-lo. E milhões, muitos milhões de pessoas, ainda assim, votaram em Trump que andou o tempo todo com o Musk ao colo.

Mas o mundo é isto, um ninho de estúpidos. Ainda no outro dia, uma pessoa que nunca fez quaisquer descontos na vida falava, toda ela indignação, contra 'pretos e ciganos' que não fazem nenhum, vivem de subsídios, vivem à nossa custa. Ouvi, estarrecida, incapaz de encontrar palavras acertadas e não ofensivas para rebater o argumento pois só me ocorria dizer: 'Mas, ó sua grande estúpida, quem é que vive à sua custa se você nunca pagou 1 cêntimo de impostos ou descontou o que quer que fosse para a segurança social?'. Mas como não sei falar com estúpidos de forma cordata ou pedagógica, fiquei calada. Mas a roer-me por dentro.

E este é o grande mal. Os estúpidos, ignorantes sobre a sua ignorância, afoitos, marimbando-se para questões éticas, usam toda a espécie de argumentos estúpidos e ofensivos.

Os outros, entre os quais (talvez inocentemente) me incluo, são todos punhos de renda, todos nove horas, não querem ofender, não querem ser desagradáveis. Portanto, não se fazem ouvir. E não sabem desmontar de forma eficaz os argumentos dos estúpidos.

Mas vejam, por favor, o vídeo abaixo. Explica tudo bem explicado:

The Theory of STUPIDITY | Dietrich Bonhoeffer

In this video, we explore Dietrich Bonhoeffer's thought-provoking Theory of Stupidity, a fascinating concept that delves into human behavior, intelligence, and the nature of societal dynamics. From the origins of Bonhoeffer's ideas during World War II to their relevance in today's world, this video covers everything you need to know about his profound insights into how ignorance and thoughtlessness impact individuals and communities. Discover the subtle differences between intelligence and wisdom, the surprising power of influence in shaping actions, and why Bonhoeffer believed stupidity to be more dangerous than malice.


Desejo-vos uma boa semana
(de preferência longe de gente estúpida)

quarta-feira, fevereiro 05, 2025

É que é tudo tão estúpido que até quase dá vontade de rir

 

Podemos ficar estupefactos, estarrecidos, perplexos com o monte de decisões parvas, absurdas, ridículas, ingratas, mesquinhas, maldosas, podemos pensar que não dá para acreditar, mas a verdade é que está tudo a acontecer, está mesmo.

O que vale é que, pelo menos, quem faz paródia não é atirado pela varanda ou envenenado.

Trump's Destructive Weekend | Canada Is Booing Us | Tariffs Will Cause "Pain" | Going Back To 1913

Buckle up as Stephen Colbert goes through the laundry list of disastrous moves made over the weekend by President Trump, which included slapping tariffs on Mexico and Canada and giving Elon Musk access to the Treasury Department's payments system. 



domingo, novembro 03, 2024

Este mundo é um lugar perigoso porque cerca de metade das pessoas são estúpidas e tão ignorantes que nem percebem que são ignorantes e estúpidas

 

Só isso explica que cerca de metade das pessoas, mais coisa menos coisa, vote em criaturas absurdas, perigosas, incompetentes, incapazes, mal intencionadas, aldrabões, vigaristas, corruptos, vis, criaturas que espalham o mal à sua volta.

E se isto vale para muitos países, é agora grotescamente visível nos Estados Unidos.

Até fico doente quando vejo imagens dos comícios de Trump ou entrevistas a pessoas que votam nele. Um horror.

quinta-feira, maio 16, 2024

Calma aí... Sei de um maluco, mas maluco encartado mesmo, que agora se filiou no Chega e não me admiro nada que ele adore o Tânger...

 

  • Vi o debate e até dói ver como candidato a deputado europeu uma pessoa como o Tânger Corrêa. Não se percebe qual a ideia do Ventura. O senhor é daqueles em que não se aproveita uma. Daqueles que, se eu encontrasse num recinto a dizer disparates daqueles, se estivesse com vontade de me rir e de perceber o que é o ground zero da estupidez humana até era capaz de ir até lá. Mas, em condições normais, nunca me aproximaria. A criatura não dá uma para a caixa.

Quanto aos demais:

  • A Catarina foi a Catarina. Competente na comunicação mas, a meu ver, não acrescenta. Será sempre boa oradora, será sempre fiel aos seus princípios. Mas não vejo nela rasgo nem apetência pela descoberta e pela modernidade. E o Parlamento Europeu precisa disso.
  • O jovem fofinho do PAN, de que não fixei o nome, também não me parece que risque.
  • De quem gostei outra vez bastante foi do Francisco Paupério, do Livre: sabe do que fala, tem boas ideias, tem boa atitude. Acrescenta.

Não dou votos, não pontuo. Só digo que, a ter que votar em alguém de entre os que hoje debateram, votaria no candidato do Livre. 

No dia das eleições é outra coisa e, para falar muito sinceramente, é decisão ainda em aberto.

E uma coisa me parece, mas sem dúvida alguma: é que, se os jovens que hoje não veem televisão, não leem, não se informam, e andam a votar com os pés (leia-se: no Chega ou, mesmo, na AD), tivessem contacto com a conversa arejada, equilibrada, temperada com os ingredientes do futuro do Francisco Paupério votariam, muito provavelmente, no Livre.

Volto ao parágrafo do início e ao que escrevi em epígrafe. Conheço, embora sem proximidade, um ex militar, pessoa que, em meu entender, deve ter alguns traumas. 

[No entender dele, se soubesse que eu acho isto, tenho a certeza que diria que maluca sou eu por achar que ele pode ter algum trauma]. 

Adiante. Este meu conhecido acha-se um machão, é todo militarista, mas militarista 'à antiga', acha que o país -- porque, segundo ele, anda entretido com os gays, com as mariquicices LGBT e com outras larilices do género --, não dá o devido valor aos verdadeiros cidadãos que, se necessário, darão o peito às balas. Quando fala, a conversa é um misto de revanchismo, marialvismo, nacionalismo exacerbado, conservadorismo bacoco. Pois bem, desiludido com o frouxo do Montenegro (palavras dele), anunciou há dias que se fartou de esperar que isto vá lá com conversinhas da treta e, vai daí, filiou-se no Chega. E eu tenho cá para mim que se identifica bastante com a conversa do Tânger. 

E, do que se vê e ouve por aí, não são só os malucos com vontade de acertar contas e que, volta e meia, até se mostram saudosistas da velha ordem salazarista... O que não falta é gente que não sabe nada de nada, que tanto acredita numa coisa como no seu contrato, que fala sem fazer a mínima do que está a dizer. Para gente assim, um Tânger marcha que nem ginjas.

Portanto, a ver vamos se nas Europeias não vamos assistir a um deslizar de votos da AD para o Chega...

(E será que não do PS para o Livre...?)

quinta-feira, janeiro 19, 2023

As lições de vida, aka Talks, de Cristina Ferreira.
Os medos, as lágrimas, os sapatos de Cristina

 

Já vinha desconfiando mas agora esbateram-se-me as dúvidas: o mundo está perdido.

Bem. Se calhar estou a ser dramática. Se calhar não é o mundo, se calhar é só Portugal.

Bem. Se calhar não é todo o Portugal, se calhar são só 10.000 pessoas. Talvez mais. De facto, parece que 10.000 de cada vez.

10.000 pessoas pagaram 19 euros para ouvir Cristina Ferreira. 

Dá para acreditar? 

Eu acho que não.

De facto, parece-me uma coisa do além. E, isto da coisa do além não é uma piada à Nossa Senhora que desta vez não apareceu em cima de uma azinheira mas, pasme-se, dentro dos Louboutins da grande filósofa Cristina Ferreira. Milagre e dos bons.

Diz ela que leu aquilo como um sinal. Em vão tenta o Goucha perceber. 'Sinal de quê?'. E aí é que está. Sinal do além quando aparece não tem que ter propósito ou significado. Goucha ficou na mesma mas ela, toda sentenciosa e emocionada, mostra que sinal que é sinal não carece de explicação.

Por exemplo, hoje ao despir umas calças caiu-me ao chão um talão de uma compra. Também li como um sinal, sinal que guardo coisas não sei para quê e que, ainda por cima, mal as guardo esqueço-me delas. Só que a Cristina Ferreira pegou nos sapatos e foi com eles na mão para os exibir aos espectadores. Eu não. Eu apanhei o talão e deitei-o no lixo e peguei nas calças e coloquei-as em cima de uma cadeira.

E, lá está, só por isto se vê porque é que não consigo fazer 190.000€ para dizer chachadas e ela é num abrir e fechar de olhos. 

Mas digam-me vocês: quem é que paga 19 euros (ou 1 euro que fosse) para ir ouvir a inspiradora e transformadora Cristina Ferreira...? Quem, senhores...?!

Cristina Talks | 14 janeiro 2023

O evento em que a apresentadora e empresária Cristina Ferreira se apresenta ao público para revelar segredos, incentivar mudanças e partilhar muitas das suas lutas e conquistas. Convidados inspiradores vão juntar-se num momento de partilha único e transformador.

Cristina Ferreira e o seu símbolo de conquista, os seus sapatos de 490€!

Cristina Ferreira recorda momento em que encontrou imagem sagrada nos sapatos | Goucha

No «Goucha», Cristina Ferreira, diretora de entretenimento e ficção da TVI, fala-nos sobre o momento em que encontrou uma imagem de Nossa Senhora de Fátima dentro dos seus sapatos. 

Só visto

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Um dia bom
Saúde. Tino. Paz.

quinta-feira, outubro 13, 2022

O terror e o desespero que Nina Khrushcheva observa agora no seu país

 

Conheço uma pessoa que tem algumas particularidades e esclareço, desde já, que estou a falar de uma pessoa real. 

Volta e meia, quando quer dizer alguma coisa que, segundo ele, requer mais coragem, dissocia-se de si próprio e começa a falar na terceira pessoa. Por exemplo, diz assim: 'É pa dizer a verdade? É que, se é, atão o Nuno vai dizer a verdade'. E, a seguir, diz uma mão cheia de coisas óbvias. E o ridículo é que as diz com ar de quem está a revelar os planos para deitar abaixo as Torres Gémeas. Depois remata com sorrisinho satisfeito: 'Se calhar, não gostaram de ouvir. Mas, já sabem, o Nuno é assim, se é para falar, o Nuno diz tudo o que tem a dizer.'. E percebemos que, lá no entendimento dele, marcou uma data de pontos. 

No outro dia, depois de mais um chorrilho de banalidades, saiu-se com esta: 'Se calhar não tavam à espera que o Nuno viesse aqui atirar uma bomba pa cima da mesa, mas, desculpem lá, tinha que ser'. Quem o ouve fica sem perceber se o tipo é parvo ou se come alguma porcaria às colheres. É que, para além da atitude quase apatetada, revela sistematicamente que não percebe nada do que se passa. Atira com aquelas grandes verdades com ar de quem atirou uma granada e a gente fica sem saber o que dizer. Não vamos dizer que vá dar banho ao cão. É que nem valeria a pena dizer isso pois não perceberia, iria concluir que não tínhamos aguentado com a força do petardo. Vê-se como um paladino da verdade quando não passa de um asno retardado.

A semana passada contaram-me que, depois de mais uma daquelas suas intervenções tontas em petit comité, veio cá para fora gabar-se que tinha avançado com a artilharia toda e que 'Paciência, se calhar ouviram o que não queriam ouvir... mas teve que ser. Se não gostarem, não comam, mas depois não venham dizer que o Nuno não avisou'. Ouvi isto e nem fui capaz de dizer nada pois a única coisa que me ocorria dizer era imprópria para consumo. Suspirei e fui piedosa. Limitei-me a dizer: 'Ah... foi? Ele fez isso tudo...? Olhe... pois não dei por nada...'

Mas isto para dizer que, perante a chacina que a Rússia tem vindo a levar a cabo na invasão da Ucrânia, perante a malvadez que Putin tem demonstrado, perante o banho de sangue e perante a destruição de pessoas e bens que tem provocado, perante os brutais atentados ao direito internacional e perante a total desumanidade que assassinamente ostenta, ainda por aí há uns quantos Nunos (e Nunas) que não apenas mostram que o seu lado é o dos criminosos como não percebem nada, nada, nada... e, como se não bastasse, gostam de se armar em espertos. Julgam que tiram cartas da manga ou da cartola e exibem-nas com aquele ar ufano que os mentecaptos exibem quando lhes dão palco. Vê-los provoca aquilo que vulgarmente se designa por vergonha alheia. 

A guerra, esta guerra, há-de acabar, Putin há-de ir para o esgoto da História, a Ucrânia há-de levantar-se das cinzas... e estas araras continuarão acantonadas em torno dos ditadores deste mundo -- com o PCP autisticamente ensarilhado ali pelo meio --, caladinhas que nem ratas a propósito do tirano assassino e, pelo contrário, a dizerem mal dos Estados Unidos, a gozarem com a Ursula von der Leyen e a desfiarem brilhantes teorias da conspiração que não lembram ao careca.

A entrevista a Nina Khrushcheva é muito interessante e reveladora e, por isso, permito-me recomendá-la. 

Quer a mentalidade de Putin, um KGB de quinta categoria que se rodeou de outros KGBs e que, inculta, psicopata e narcisicamente, gere um país da dimensão da Rússia, quer o sentimento da maioria dos russos perante o que está a passar-se são abordados de uma forma contida e informada pela professora Nina Khrushcheva.

Hear what professor who just visited Russia noticed

Professor Nina Khrushcheva discusses Russian President Vladimir Putin's mindset and her observations during her recent visit to Russia


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Um dia bom
Saúde. Paz.

sábado, junho 04, 2022

Antes um sentido e canino dó de peito do que as atoardas da Raquel Varela

[Sobre o que escreve e diz o Cavaco, não tenho nada a acrescentar. Acho que a opinião das múmias só interessa à comunicação social]



 

Contei há pouco tempo como o meu urso felpudo virou lobo uivante num dia em que o alarme disparou. Cabeça ao alto, longos e intensos uivos. Nunca o tinha visto ou ouvido assim.

Afinal, descobri hoje, há quem o ultrapasse e ainda consiga a proeza de lhe juntar um inspirado acompanhamento musical. 

Mas já lá vou. Antes, uns little apartes.

Há pouco, numa de zapping, à espera que chegasse o MasterChef Australia, o meu marido passou pelos omnipresentes gémeos que arranjam, compram e vendem casas. Apanhámos o episódio no fim pelo que não percebemos o que se passava com a protagonista, creio que a compradora ou a dona da casa que os manos arranjaram. Falava com voz de desenho animado. Ao princípio, não estando a olhar para lá, nem percebi se era uma criança, se alguém a fazer-se passar, na brincadeira, por criança. Percebemos depois que era filha do senhor que também lá estava. Olhei para tentar perceber melhor que voz era aquela. Às tantas o meu marido disse-me: 'Tem a orelha virada'. Respondi: 'Ah, sim? Então é isso... '. O meu marido reforçou: 'Ajeita-a'. Deixei de perceber. Apontou para o lobo cabeludo que estava sentado aos meus pés. Tinha uma das orelhas virada. Esclareci: 'Pensava que a rapariga é que tivesse um problema na orelha, talvez de audição, que fosse surda. Sei lá'. Encolheu os ombros, como se a minha ideia não colhesse. Quem também estava intrigado era o lobo felpudo, se calhar por isso é que virou a orelha do avesso. Geralmente não liga patavina à televisão mas naquela altura estava espantado a olhar, certamente também sem perceber de onde vinha tão curiosa voz. 

Enfim.

Agora que o MasterChef acabou e passei pelo O último apaga a luz, uma vez mais constatei que a Raquel Varela não é apenas populista, antipática, arrogante e putinista: é também mal informada e pouco inteligente. Apanhei-a no momento em que, de olho arregalado e esgar labial sobranceiro, interpelava o paciente Joaquim Vieira sobre a razão de ter que haver gente que trabalhe ao fim de semana. 'Para que é que é preciso?', perguntava ela com o sorriso de superioridade que os néscios costumam exibir. O pobre Joaquim Vieira tentava recordá-la de algumas funções críticas. A destituída Raquerela não se demoveu e continuou sorrindo e insistindo: 'Mas porquê?! Porque é que há pessoas que têm que trabalhar ao fim de semana? Porquê?!'. Joaquim Vieira continuou a tentar esclarecer o óbvio: 'Algumas fábricas que são de laboração contínua...'. Mas nada demoveu a dita intelectual: 'Mas porquê? Porque é que há fábricas a trabalhar ao fim de semana?'. E ele, com aquele sorriso de quem nasceu para sofrer aturando burros armados em inteligentes: 'Porque é muito caro retomar a laboração' (e se não usou estas exactas palavras, foi este o sentido do que disse).

E eu, ao ouvi-la, só pensei que felizmente nunca tive -- e espero nunca vir a ter -- tal ave pela frente senão não conseguiria conter-me: 'Mas fazes ideia, ó estólida Raquerela, de quanto é que custa arrancar com algumas fábricas? Fazes ideia que um arranque pode custar centenas de milhares de euros? Fazes ideia que algumas fábricas, para conseguirem ser rentáveis, têm que conseguir manter uma laboração estável, com um mínimo de paragens?'. E isto não tem a ver com explorar trabalhadores mas com conseguir fornecer continuamente produtos essenciais a valores aceitáveis. E isto no que se refere a fábricas. Mas se a limitada Raquerela não atinge temas industriais, será que também não atinge coisas simples como, por exemplo, os hospitais? Devem fechar ao fim de semana? E os serviços que asseguram o abastecimento de água, luz, gás, comunicações? E os hotéis? E os polícias? E os aeroportos e os aviões? E os transportes públicos?Etc, etc. Nada a trabalhar ao fim de semana? Minha nossa.

Muito néscia, esta intragável Raquel Varela. Uma verdadeira anedota.

Mas o problema não é só dela. O problema é que ainda mais burro que ela é quem a contrata para opinar publicamente ou quem permite que uma pessoa com tantas limitações seja professora.

Mas pronto, já o sabemos, o mundo é tudo menos perfeito.

Seja como for, há que convir: nem o meu lobo a uivar nem a inepta raquerela a bolsar pasquinadelas e babosagens estão à altura do artista aqui abaixo. E essa é que é essa.

 

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PS: 

Quanto ao artigo da múmia nada tenho a dizer. Não li. Não me assiste, como dizia o outro. Temos pena.

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As fotografias provêm de Overheard on the Underground

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Desejo-vos um bom sábado

Saúde. Alegria. Paz.

quinta-feira, outubro 21, 2021

Sobre a estupidez

 


Não sei o que vocês acham mas tenho para mim que o pior do pior da espécie são os estúpidos. Não é coisa irrelevante, não é perigo menor, não. A estupidez é coisa para se levar a sério.

Uma pessoa quando se vê confrontada com um estúpido sente-se perdida: para começar, um estúpido não percebe que é estúpido. A conversa fica desigual. Ficamos em desvantagem. Nós temos pruridos, eles não. Um estúpido acha-se sempre o maior. Pode estar a dizer as maiores cavalices que avança sem vacilar. Não se inibe, não hesita, não se intimida. Nada. 

Um estúpido invariavelmente acha que os outros é que não estão a ver bem ou que, intencionalmente, estão a querer deixá-lo ficar mal. Não vale a pena tentar provar a um estúpido que o que diz revela ignorância, deficiente raciocínio ou deficiente interpretação dos factos. Não vale a pena. Um estúpido jamais vai reconhecer que os outros podem ter razão. Para um estúpido os outros têm sempre uma visão distorcida e só eles, os estúpidos, captam a verdade. Os estúpidos quando confrontados com a sua estupidez não se detêm nem por um instante para tentar perceber se os outros têm razão. Não. Para eles os outros nunca têm razão. Pelo contrário, ou se vitimizam, achando-se injustiçados, ou partem para o ataque, ofendendo e destratando quem tenta chamá-los à razão.

É um erro subestimar os estúpidos, achando que um dia vão perceber a estupidez dos seus pensamentos ou actos ou achando que são inofensivos. Nem uma coisa nem outra. Jamais percebem as suas limitações nem como são afoitos exibindo a sua ignorância como se fosse sapiência. E não são inofensivos pois têm a esperteza suficiente para manipular os mais fracos ou menos informados. Há sempre uma legião de inocentes e/ou de broncos dispostos a darem-lhes razão.

Um estúpido atrai sempre outro estúpido. É, pois, frequente encontrar estúpidos aos pares. 

O dicionário da Priberan define estupidez como falta de inteligência e de delicadeza de sentimentos. Há também a definição da wikipedia, em inglês: Stupidity is a lack of intelligence, understanding, reason, or wit

Nos últimos tempos tenho tido algumas cenas para esquecer, tudo por conta de gente estúpida. A gente diz tomato eles percebem potato, a gente diz que não, que dissemos tomato e eles que não, que têm provas de que dissemos potato. E a gente tenta explicar que nada a ver, que a conversa é sobre tomato e vamos falar sobre tomato e eles, cheios de teorias e teimosias, que a gente falou foi em potato. E invocam um historial ficcionado de não-eventos que, segundo eles, comprovam as suas inenarráveis teorias de cão de caça. Não se cansam. Convictamente apresentam argumento, citam artigo, dizem toda a espécie de disparate, envolvem a conversa em testemunho que toda a gente percebe que é inexistente ou deturpado... e prosseguem, resolutos, perante a estupefacção de quem assiste. 

O melhor, nestes casos, é a gente deixar para lá, deixá-los a falar sozinhos, deixar que aos poucos vão ficando isolados. Mas, por vezes é mais forte que nós, queremos demonstrar que estão errados, queremos que vejam o que toda a gente informada vê. No fundo, genuinamente queremos ajudá-los. Mas é tempo perdido. Deturpam o que dizemos, inventam, caluniam, ofendem, não conhecem limites. E não saem da deles, mesmo que em prejuízo próprio. Há qualquer coisa de grande burrice nos muito estúpidos.


Em síntese: de gente estúpida o melhor é guardar distância.

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E, no meio destes meus pensamentos, eis que o meu amigo algoritmo adivinha as agruras pelas quais tenho passado às mãos de um ou outro exemplar do género e, sem que eu tenha feito qualquer pesquisa nos motores de busca que o leve a extrapolar e a sugerir-me 'literatura' sobre o tema, me aparece com isto que aqui, agora, convosco partilho.

John Cleese on Stupidity

Cleese explains why extremely stupid people do not have the capability to realize how stupid they are.

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Bonhoeffer‘s Theory of Stupidity
Dietrich Bonhoeffer's argues that stupid people are more dangerous than evil ones. This is because while we can protest against or fight evil people, against stupid ones we are defenseless — reasons fall on death ears. Bonhoeffer's famous text, which we slightly edited for this video, serves any free society as a warning of what can happen when certain people gain too much power.

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E a ver se esta quinta-feira tomo uma decisão acertada e espero que definitiva em relação a um caso de estupidez aguda com o qual tenho estado a ser confrontada. Não vai ser fácil. Por isso, a mim própria desejo boa sorte.

E, para vocês aí desse lado, um belo dia.
Saúde. Bom senso. Humildade. Boa disposição.