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quinta-feira, outubro 10, 2019

MENstruação - coisa também de homens...?
[E, de passagem, um breve lamiré sobre o Montenegro a querer restaurar o cavaquismo e o passismo como forma de curar as laranjas do bicho-rio]





Já aqui falei de menstruação: de como me chegou tarde o que muito me inquietou quando era menina moça, de como uma vez fiquei com a saia branca toda manchada de sangue tendo sido um colega que, completamente encabulado, me avisou, de como ao fim de nove meses de gravidez mais uma data deles sem ela (talvez por estar a amamentar) quando apareceu me ter pregado um susto, julgando eu estar com perigosa hemorragia, tendo sido o meu marido a sossegar-me ('Não será a menstruação?').

Também já falei de quando se foi sem deixar saudades e sem que a sua ausência me tenha causado agasturas, calores, securas ou outros transtornos.


Por isso, não é disso que vou falar. Vou falar é do que se passou ao longo dos férteis anos em que sangrei.

E o que é importante é que os homens saibam que as mulheres são seres fortes e milagrosos. Quando se pensa nisso tem que se reconhecer que o que se passa no corpo das mulheres é coisa mágica.

A mim sempre me doeu muito. No dia antes de aparecer sentia um incómodo surdo e profundo no baixo frente. Depois doía mesmo. E sangrava. Sempre fui de abundâncias. Tinha que ter pensos dos muito absorventes e tinha que levar sempre uns quantos de reserva para ir mudando. Depois, como tinha pavor que passasse para a roupa, passei a usar tampão e andava sempre a mudá-los. E muitas vezes, nos primeiros dias, usava tampão e um penso fininho para o caso de o tampão não absorver tudo ou de estar nalguma reunião e não poder trocar. Aliás, agora que falo nisso, lembro-me que odiava ter reuniões prolongadas quando estava com o período pois, se estava com o tampão, sentia que estava ensopado até à quinta casa e, se estava com penso, temia que voltasse a passar para a saia.


Mas o tampão tinha outra. Quando ia para a praia ou para a piscina obviamente que tinha que ser tampão. E não tem conta as vezes que o meu marido me avisava que estava a aparecer uma ponta do fio. Um horror. Ainda agora, por vezes, quando estou deitada na praia me ocorre espreitar não vá ter uma ponta de fio a espreitar na virilha.

Não sei se isto acontece com todas as mulheres. Comigo aconteceu. E acontece. Parece que, por vezes, me lembro ainda daquela dor cava, rasgão dolente no interior do baixo frente.

E havia um outro aspecto negativo. Aquela coisa de que tanto se fala, o TPM ou SPM, síndrome ou transtorno pré-menstrual, comigo não era mito urbano, era realidade e da pesada. Para aí dois dias antes e, em especial na véspera, eu ficava prestes a explodir. Uma impaciência inexplicável tomava conta de mim. Tinha que me conter, mas conter muito, para não mostrar que uma raiva descontrolada crescia dentro de mim, muitas vezes por coisas de nada. Outras vezes, a explosão acontecia e era de uma tal violência, uma tal fúria que se auto-alimentava que, volta e meia, a coisa acabava comigo lavada em lágrimas porque a guerra tinha ido num tal crescendo que só podia acabar num esvaziamento total, incluindo o dos sacos lacrimais. Claro que no trabalho eu continha-me mas isso implicava que a coisa ia acumulando. Naqueles dias a irritação que eu sentia era uma coisa diabólica que eu tinha que tentar refrear. Mas, chegada a casa, era só aparecer o primeiro pretexto. Podia ser a porcaria mais insignificante que era como se se abrisse uma válvula. Depois, assim como vinha, assim ia. E daquela erupção, daquela lava torrencial e em brasa, nada restava. Até ao mês seguinte. Nunca me deu para tentar saber a explicação para isto pois saber ou não saber ia dar no mesmo mas deve ter a ver com um fervilhão hormonal em que diabo nenhum conseguia ter mão.

Isto vinha frequentemente a par de uma dor de cabeça do caneco. Era normal ter que tomar um ben.u.ron pois a par da raiva mal contida vinha uma tensão danada na cabeça que parecia querer explodir.


E vem isto ao caso porque li de uma campanha publicitária que brinca com a hipótese de não serem só as mulheres a passar por isto. Haveria de ter graça. Os homens terem uma parte do corpo que todos os meses se atapetava, se cobria de uma manta macia e fofa para poder acolher uma vida nova e, quando isso não acontecesse, ir tudo fora para que a caminha esteja feita de novo e limpa todos os meses. Sangue fresco, espesso, escorrendo do corpo. Dores nas entranhas. A alma em revolução. Melhor ainda se a vida pudesse mesmo ser gerada no interior do seu corpo, a barriga a crescer, um serzinho a dar cambalhotas e pontapés dentro deles. E os seios a incharem, os mamilos a repuxarem. Havia de ser giro: um drama pegado. Maricas como são, haveria de ser um fartote, sempre feitos vítimas.


Mas vejam, tem graça.

É a campanha da Thinx, uma linha de lingerie adequada àquela altura do mês.


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Não consegui identificar os autores das pinturas que escorrem sangue mas sei que é Anna Caterina Antonacci que aqui vem de novo mostrar o que é uma mulher em brasa

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E não venham dizer-me que estavam era à espera que eu comentasse aquilo do Montenegro. Nem pó. Com o sono com que estou, ia mesmo falar dele, ia, ia. Só se fosse para dizer que ou o tecido das gravatas que usa não é bom ou é ele que não sabe fazer o nó. Ou as duas coisas. Ou então não tem pinta para usar gravata. O nó das gravatas às vezes está razoável mas é só às vezes pois, em geral, aquele nó parece um matacão mal parido, torto, um calhau mal jeitoso. Ou então é ele que é assim. Portugal estava um miminho, os portugueses é que não, dizia o puxa-saco do Láparo. Portanto, depois da múmia sair da marquise para vir louvar a Marilú eis que agora é o joker de trazer por casa, o caralinda do passismo, a aparecer a querer ressuscitar o cavaquismo e o laparismo. Boa malha. Portanto, depois do dia de ontem e da noite quase não dormida, ia mesmo gastar a minha beleza a falar disso. Era o ias. Falo da menstruação para homens e é um pau por um olho.

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E agora só vos digo que relevante é o que os 20 filhos da mãe do post abaixo andam a fazer ao ar que respiramos.

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sexta-feira, junho 16, 2017

Em dia de calorão, o que hei-de vestir amanhã...?
[Isso e mais uma ou outra coisita]


Só para dizer que se hoje já esteve um calorão, amanhã nem sei. Já estive a ver o que haveria de vestir que me deixasse arejada e já descobri. Este aqui abaixo parece-me bem. Ponho-me ao lado do ar condicionado e deixo que o ar flua.


Só isto. Com este calor nem consigo ter inspiração para mais nada.

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Bem. Melhor não, melhor juntar mais qualquer coisa para não correr o risco de me pedirem a devolução do dinheiro do bilhete de entrada aqui neste espectáculo.

Junto um poema de Maria Teresa Horta, justamente intitulado 'Fogo': E que ela me desculpe por trazer as palavras dela ao seio de um post tão prosaico e destituído. 


Este é o meu labor
de fogo
nesta avidez insensata

de existir

entre a lírica
e o corpo
pela fundura do poço

a navalha da paixão
a rosa do alvoroço.

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E, já agora, a propósito de calor e paixão, mais uma coisita

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És de luz e também
rosto
de redondilha e paixão

imagética
do corpo
no prazer e no suposto

ou rasura e harmonia
de perdimento o oposto

Elegia e fogo posto

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E, depois do 'Fogo posto', termino como comecei: com um vestido. E com uma dúvida. Não sei se aquele vestido lá em cima não será um bocado arejado demais. Estou capaz de levar, antes, este aqui em baixo. É mais discreto, talvez mais adequado ao trabalho em ambiente de escritório. Tenho é que ainda ir fazer-lhe uma bainha que, assim comprido, é capaz de me fazer calor nas pernas.


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Então, até já.

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PS

É verdade. Sobre aquilo da Agência do Medicamento acho mal que seja em Lisboa, no Porto, em Coimbra, em Braga, em Faro, em Évora, em Beja, em Viana do Castelo e do Alentejo, etc, etc, etc.

Já volto para dizer para onde vai o meu voto. E atenção que o meu voto é quente. Só voto em hipóteses ganhadoras. Follow me.

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domingo, julho 03, 2016

O fogo, a ardência, o sangue, o vinho bem tinto, a carne viva, o vermelho, carmim, encarnado, rouge, red.
Estas são as minhas cores preferidas
Faça também o teste baseado na teoria Lüscher da cor e descubra os traços dominantes da sua personalidade


O meu Barnett e eu



Se vejo o mar em azul-sedutor ou em azul quase verde-atraente ou mesmo em azul quase chumbo, sombra e suspeita -- eu gosto.

Se o céu está azul e limpo, ou luminoso e tranquilo -- eu gosto. Ou, ao anoitecer, quando se transforma em azul quase submarino -- eu gosto.

Mas, se tenho que escolher uma cor, não é o azul que tantas vezes procuro que escolho. Eu escolho o fogo, a ardência, o sangue, o vinho bem tinto, a carne viva, o vermelho, carmim, encarnado, rouge, red.

Há pouco estive a ver o rio envolto em dourado, o casario suavíssimo, as serras banhadas pela luz do ocaso. A janela estava cheia de céu e rio. Lindíssimo. Entrava uma aragem fresca, que condizia com a brandura desta paz dulcíssima que se sente na minha sala. E, no entanto, se tivesse que escolher a cor desse instante, sem pensar, eu escolheria o fogo que se escondia por detrás do horizonte.

Antes, in heaven, eu tinha estado entre as portadas da sala a espreitar o calor ardente da tarde, aspirando o ar quente e docemente perfumado das flores do loendro.



Macias as pétalas, quase húmidas de doçura, um rosa forte que é encarnado temperado com pingos de branco, talvez um leve pingo de azul sentimental.
(Que saudades sinto de pintar, se temperar as cores, de misturar brilhos, caprichos)
Desta flor olorosa se desprende um perfume que atrai os pássaros, que prende os corações, que inspira poetas. A luz pousa nas flores, enche-as de reflexos luminosos e eu, na sombra da sala, entre os cortinados, espreito a luz e o calor e, quando reparo, é sobre os vermelhos que o meu olhar também pousa.

Quando começa a entardecer, como uma gata encalorada, vagueio pelo exterior, junto à sombra, procurando a frescura que transpira das grossas paredes.

A buganvília está florida. Não é de vermelho-puro: é fúcsia, as pétalas quase de papel, discreta não fora a cor coquette. Trepa pela parede, toda ela tão feminina, vestida de folhas verde e amarelo, pétalas chamativas.

[Tantas flores que vi e, no entanto, ao fotografar foram estes os tons que predominantemente escolhi. E se por lá há arbustos cobertos de flores brancas... Porquê?]


Já de manhã, na praia, tinha andado em busca dos pólens que, quais pós das estrelas, salpicam as pétalas que são sedas suaves das flores que tingem de cores vibrantes as dunas. Magentas, fúcsias, pinks. As dunas ardendo ao sol e brilhando em tons gritantemente coloridos.


Enquanto escrevo, olho à minha volta. Esta sala é grande. Um dia achei que a parede do fundo, onde estão os sofás em cor quente, precisava de estar pintada de cor de sangue. O assunto foi polémico. Deu muita luta. Mas aqui está ela, uma parede em cor de sangue bem forte. Linda. Sobre ela um quadro que pintei, todo ele cores de fogo, chamas petulantes, céus de perdição, um corpo nu de mulher atravessando uma noite quente.

Gosto de ver casas claras, de móveis claros, sofás claros. E, no entanto, onde vivo não há neutralidade. As cores impõem a sua presença. Há vibração, intensidade, calor. Confesso: não suportaria viver numa casa escura, preciso de viver entre cores quentes.

O encarnado e todas as suas derivações, a chama, a intensidade, a vibração plena de vida -- essas são as cores que correm dentro de mim.

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E vem esta conversa a propósito de um teste que mão amiga, sabendo da minha gulodice por testes de toda a espécie e feitio, me fez chegar.

This Scientific Color Test Will Reveal Your True Personality Traits


Reza assim: Este teste é inspirado pela conhecida teoria Lüscher da cor, que teoriza acerca de os traços de personalidade de uma pessoa poderem ser identificados a partir das suas escolhas de cores


Fiz o teste, claro está. O resultado não me espantou.

Red

Based on this test, you were mostly drawn to the color red. Like a fire, you burn with passion and desire. 

Your dominant personality trait is your ardency. You are dynamic, powerful, strong, sexy, and exciting. 

Because you're so intense, you can be very aggressive. 

You are a determined and highly competitive person who invests 100% in everything you do.

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Roll the Dice de Charles Bukowski

(lido por Tom O'Bedlam)

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Lá em cima, uma vez mais a Habanera da Carmen de Bizet 
numa fantástica interpretação de Anna Caterina Antonacci (The Royal Opera)



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Convido-vos, agora, a irem de visita até ao meu outro blog, o Ginjal e Lisboa onde hoje vou pela mão de Fernando Pinto Amaral.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo dia de domingo.


sexta-feira, janeiro 22, 2016

Sopa de peixe à alentejana, reguengos tinto e queijo -- na companhia da Carmen e com flores sobre a mesa. Ah, o amor é um pássaro rebelde.


Se, por acaso, leram o post abaixo, já viram a principal razão de eu ter chegado a casa a lindas horas: fui buscar um quadro que tinha posto a emoldurar já que, por ser um óleo sobre uma tela muito alta e não haver molduras feitas que lhe servissem, teve que ser feito à medida. Escolhemos uma moldura dupla: por dentro há uma com filet dourado e base preta que faz o efeito de passe-partout e, por fora, uma outra em talha. O outro quadro, uma aguarela, que também mostro no post seguinte, deu para ser emoldurado com uma daquelas molduras já feitas que há no Leroy Merlin (por menos de 30 euros) e que são bem bonitas. 

Mas, então, dizia eu, fui buscar o quadro ao fim do dia. Não tinha saído cedo, depois apanhei um trânsito infernal (Lisboa ao fim do dia e com chuva é para esquecer; o que vale é que ponho os telefonemas em dia e posso estar a falar à vontade: com a minha filha, com a minha mãe) e, para ajudar à festa, quando cheguei à loja, a moldura ainda não estava feita.
[Mas, antes de ir ao que interessa, façamo-nos acompanhar a preceito. 
Que entre, pois, a Anna Caterina que, por aqui, é sempre bem vinda e que, com ela, traga a Carmen, que, assim, a festa estará garantida. 
E deixem que, entretanto, vá já pondo flores sobre a mesa]




Entretanto, tinha-me auto-incumbido de ir ao supermercado para comprar a comida para o jantar. Portanto, cheguei a casa já passava bem das nove. E, se estou a relatar coisa que não interessa nem ao menino jesus, é porque -- talvez por me ter sentado aqui tão tarde, e isto depois de um dia de trabalho -- estou sem grande cabeça e me apetece contar-vos o que fiz para o jantar: uma refeição rápida, saudável, económica e boa. Trouxe os ingredientes praticamente todos do supermercado.


Mal cheguei a casa, a grande velocidade, descalcei-me, mudei de roupa, lavei as mãos e, ala moço que se faz tarde, para a cozinha.

Numa panela, deitei azeite, duas cebolas cortadas aos bocados e uns cinco dentes de alho e fritei tudo ligeiramente. A seguir juntei cinco tomates maduros, também cortados aos pedaços (uso dos de rama porque parece que são os únicos que cheiram e sabem a tomate). Envolvi-os na cebola e no azeite e deixei que amolecessem. Juntei água, talvez uns três copos, não me lembro, e três batatas médias, descascadas, também aos bocados. Juntei sal, deixei que levantasse fervura. Depois baixei a temperatura. Nessa altura, desse caldo, retirei um bocado para um tacho e juntei uma posta grande e alta de cherne que tinha comprado congelada. Antes de a pôr no tacho, escamei-a, já que (do supermercado para casa, com a passagem pela loja das molduras) tinha mais ou menos descongelado. Juntei-a então ao caldo, mais duas folhas de louro e quatro ovos (descascados). Depois de levantar fervura, baixei.

Enquanto isto cozinhava (e o meu marido só a perguntar, lá de dentro, se demorava muito), fui pendurar os quadros, depois, a correr, fui buscar a máquina para os fotografar para vos mostrar. Depois fui lavar a cara, a seguir fui escolher a roupa para vestir esta sexta-feira, ainda atendi uma chamada do meu filho e, de seguida, regressei à cozinha.


Desliguei o fogão. Com a varinha mágica desfiz bem o que estava na panela (batatas, cebolas, alhos, tomates). Ficou um caldo cremoso, espesso, macio, encarnado e cheiroso.

Coloquei num prato a posta de peixe que estava no tachinho, retirei-lhe as espinhas e parti aos bocados. Juntei à panela da sopa o peixe, os ovos escalfados, o caldo e envolvi tudo.

Entretanto, o meu marido
(que, àquela hora, quase dez da noite, já estava esgalgado, tal a fome -- esgalgado e arreliado porque, dizia, não descansavas se não fosses buscar o quadro, não era? Não podíamos ir buscar no fim-de-semana? Tinha que ser hoje à noite?! E logo hoje que chegaste tarde e que tinhas dito que ias ao supermercado e ainda fazer o jantar...? Mas tinha que ser, não era...?) 
tinha torrado umas fatias de pão.


E, então, sentámo-nos à mesa, comemos uma bela sopa de peixe e tomate à alentejana, com ovos escalfados, tudo sobre umas fatias de pão torrado (eu pouco pão, que ando a ver se recupero a linha depois dos doces do natal). Acompanhámos com tinto de Reguengos. Íamos comendo, bebendo, conversando. A seguir, rematámos com um queijo (eu deitei um fio de mel sobre o meu - na esperança de que, por ser um fio muito discreto, não me engorde) e, para finalizar, eu ainda tinha uma surpresa: um dulcíssimo dióspiro que ele, que não os come mas sabe que eu tenho uma perdição por eles, sempre atencioso, tinha ido comprar a uns indianos que há aqui perto de casa e que estão abertos todos os dias, a todas as horas.

No fim disto tudo, ainda sobrou sopa suficiente para o jantar de amanhã.

Moral da história: é uma refeição rápida, nutritiva, saudável e económica - como vos referi lá acima.
E eu, enquanto jantava, tinha dito: 'comer isto faz uma pessoa sentir-se feliz, não achas?'. Mas, mal acabei de o dizer, pensei: 'vai encolher os ombros e dizer que sou maluca... e, de facto, que coisa parva de se dizer'. Mas não, para minha admiração, comendo de gosto, disse: 'Talvez'. E eu ainda mais feliz fiquei.
 
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As fotografias são da autoria de Ashraful Arefin.

O acompanhamento musical, claro está, é Carmen de Bizet - Habanera (área também conhecida como 'L'amour est un oiseau rebelle'), numa interpretação de  Anna Caterina Antonacci, The Royal Opera.
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E, caso queiram ver as duas pinturas que trouxe de Vila Nova de Cerveira e saber porque as trouxe, desçam, por favor, até ao post já aqui abaixo.

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terça-feira, dezembro 29, 2015

Dois tipos de striptease: é favor escolher


Tal como referi no post abaixo (no qual falei na insuportável Teresa Leal ao Coelho, no suposto fim da impunidade piropal e no bye bye do ex-irrevogável-Portas), agora vou mostrar duas mulheres num número de striptease. Como é sabido, o striptease é a forma decente de uma mulher se despir quando tem espetadores (ou, neste caso, por prudência, deveria manter o c, que, apesar de mudo, talvez imponha algum respeito?).

Adiante.

Ora, bem. Assim sendo, e dado que o Um Jeito Manso é, não apenas um blog de família mas, também, um blog que preza as boas maneiras, vou aqui partilhar convosco dois vídeos instrutivos. 

Assim, consoante o seu tipo corporal e os seus dotes vocais, as minhas Leitoras poderão avaliar qual o striptease que conseguirão fazer com maior competência. Despir, sim, claro; tirar a roupinha, com certeza -- mas não de qualquer maneira. 

E aos meus Leitores (homens) digo: também deverão despir-se com arte e boas maneiras mas, a menos que sejam do género da rapariga dinamarquesa, não deverão reproduzir os números que aqui irão ver. Poderão fazê-lo mais na base daquele GNR que foi apanhado a fazer strip. Não encontro o vídeo com o dito artista mas é capaz de ser qualquer coisa como isto.

Bem. Introdução feita, vamos lá, então, a isto.

1º caso de estudo


Em primeiro lugar temos uma moçoila com corpinho bem feito.
(Quando eu fizer uma dieta valente, a ver se não volto a ser assim. É só passarem as festas que a minha boquinha vai passar mais tempo fechada do que a manducar, ai não que não. Dieta rápida só mesmo com fomeca.)
Esta que aqui se mostra é capaz de saber tocar piano, ou pelo menos, parece ter vontade de aprender. Mas não canta. Eu, pelo menos, não a ouço. Só dança. E parece que a especialidade é dançar deitada. Não é difícil fazer isto e não arranja problemas a quem a vê. É brincalhona, mas as brincadeirinhas parecem inocentes. Portanto, esta modalidade é para quem não sabe fazer melhor e para espetadores pouco exigentes.
Mas isto, claro, sou eu a dizer. Na volta, sem dar por isso, estou mas é a ser invejosa, a padecer daquilo a que se chama invejinha branca (não sou santa - pode parecer que sou, mas não sou, ai Deus, e u é.

Chama-se, ela, Abbey Clancy e aqui  é filmada por Sam Faulkner para a revista Lover.



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2º caso de estudo


Em segundo lugar tenho uma outra, um género bem diferente. Esta não tem aquele ar tenrinho da Abbey. Tem generosa carnadura e elevados dotes canoros. Saem-lhe as carnes por tudo o que é decote e espartilho -- e a voz vem atrás (atrás e à frente que o vozeirão se projecta para bem longe).

Como é lógico, não se arma em menininha preguiçosa, não se espreguiça dengosamente: não, esta vai à luta e canta que dá gosto. É fogosa, toda ela é Carmen, toda ela transpira paixão. Uma mulher assim é para quem pode: deve inspirar respeito pelo que não será qualquer homem que conseguirá tê-la por perto.

Chama-se Anna Caterina Antonacci  e no vídeo abaixo interpreta Verdi: Grave a core innamorato... - "Un giorno di Regno"

O striptease não é total mas acho que a sua não-nudez será perdoada.


Resta-vos escolher. 
Às minhas Leitoras  digo que se apliquem nos treinos. 
E aos meus Leitores homens digo: faites vos jeux - ou seja, que género de mulher preferem?
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E, agora, se descerem, poderão ver gente mais vestida mas, cá para mim, piores companhias do que estas duas mulheres que aqui estiveram a partilhar connosco os seus generosos dotes.

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sábado, novembro 24, 2012

A sedução no feminino - aula prática nº 1, iniciação. Uma espécie de avant première de uma possível história para a Vogue España Dezembro 2012 (Mario Testino fotografa Kate Moss e José Mari Manzanares)




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Que fadiga. Olhas-me a medo, aproximas-te sem convicção. Que tibieza, meu amigo. Não percebeste ainda? Que falta de perspicácia.


Terei, portanto, que te olhar de forma a que percebas o que quero.

Já vi que tu, por ti, não arriscas, que te intimido, que temes, como o diabo da cruz, um não vindo da minha boca. 

Vou, portanto, mudar de estratégia e, reconheço, é sem sacrifício que o faço. 

A partir deste momento não vou ser discreta, não tenho paciência para disfarçar, não vou ser alusiva, não vou perder tempo. E, se ainda pensas que aqui o matador és tu, então, desde já te digo, que não podias estar mais enganado.

Passemos pois a coisas concretas. Caso não percebas nem tenhas coragem para vir verificar, informo: lingerie, zero. Uma bela lingerie é sexy, dá gosto ver, dá vontade de tirar, isso tudo, eu sei. Mas, neste momento, é um plus que me parece dispensável.

Vou mostrar-te quem é que, aqui, desafia, quem é que provoca, quem é que domina, quem é que derruba. Vou mostrar. Não vou ter qualquer dificuldade e, no fim, verás, cairás a meus pés sem que uma gota de sangue seja derramada.

Ris? Ris...?! Que sarcasmo encoberto é esse? Não dizes mas pensas, que convencida. Ah, ris de novo, ris porque adivinhei o que pensas. Não era difícil. E respondo-te: sou convencida, sim, tenho razão para o ser. Ris, ris agora ainda mais. Vais mostrar que não me vai ser assim tão fácil, é nisso que pensas, que me vais dificultar a vida, que me vais fazer provar a humilhação da incerteza, que me vais fazer sentir a vergonha da rejeição. Continuas a rir. Mas não rias porque não vais resistir. Veremos. Se quiseres, apostamos. Se me resistires, podes fotografar-me e fazer das fotografias o que quiseres. É isso, fotografa-me. Em contrapartida, se não me resistires, como troféu, faço de ti o que muito bem me apetecer.

Ris? Pensas que não tens nada a perder e que me vais dar uma lição. Gozas, conheço essa cara. Vais dobrar-me a espinha, fazer-me lamber o chão que pisas, é isso que pensas, não é? 

Pensamentos de matador – tão fáceis de adivinhar.




O meu vestido é vermelho, vermelho bem vivo, cor de sangue fresco. E brilha. Nele me envolvo. Seda e folhos, uma capa de toureio. Decote generoso, claro. Saltos altos, claro. E, não te esqueças, nada por baixo.

Deito-me e olho-te, as pernas bem à vista e, se fosses inteligente, já te começavas a aproximar. É macia e perfumada a minha pele. O cabelo está apanhado, quero ser só pele, nada a distrair, nem o cabelo. Os meus lábios estão vermelhos e, se um beijo lhes tirar a cor, logo eles se incendiarão.

Então, toreador? Resistes, ainda?

Seja. És difícil, tu. Gostas da faena. O que te excita nem é tanto a sorte final mas a faena em si, é isso, não é? Seja, seja.

Então deixa que mude de traje. Não tenho traje de luces mas não interessa. Escolho algum manto que me cubra com elegância e me descubra com descaramento. 

Olha. Vê. Gostas?





Anda à minha volta, volteia, rodeia-me, desvenda-me. Que salero o teu, toreador, que salero. 

Mas desvias os olhos mal eu respondo ao teu desafio. Isto é uma brincadeira para ti? É? O que tenho eu que fazer para que deixes de estar em guarda? Não te vou ferir, não tenhas medo, não vou cornear-te à traição. Não tenhas medo, olha para mim, faz com que a minha pele se arrepie só de sentir o desejo no teu olhar. Olha.

Ris. Mas desvias o olhar. Finges que não é medo. É o quê, então? 

Porque te defendes? Eu deixo que o manto deslize pela minha pele, deixo que os meus seios se mostrem, deixo que os meus olhos mostrem o meu desejo, e tu desvias os olhos? Receias o quê, toreador?

Aproxima-te. Sem medo. Olha como eu me aquieto, aqui, à tua espera. Anda.

Toma a minha capa. Deita-a ao chão, que seja a nossa cama.

Mas... o que fazes? Revolteias, giras sobre ela, volteias, andas em minha volta, tentas confundir-me, tentas que a minha vontade se entorpeça. Uma chicuelina perfeita, reconheço. És bom, toreador. És bom.

Mas julgarás tu que, com isso, vou desistir? Não, toreador, uma mulher que tem o corpo em chamas como eu tenho o meu, não se aquieta assim tão facilmente.

Olha como eu agora me deito, olha para mim, olha. Tirei os sapatos, abandono-me. Pousa na minha pele o teu olhar. Pousa. Deixa-o ficar assim pousado. Que o teu olhar se detenha e o teu corpo se incendeie.

Ah, finalmente. O que sentes, agora, toreador?




Finges, finges que acreditas que me dominaste, finges que acreditas que eu estou por terra e tu aí, vencedor. 

Não me importo. Gosto de te ver assim. 

Olhas-me agora, superior, dominador, belo, um belo corpo de homem e um olhar como eu gosto, húmido, fixo. Gosto. Mas gostarei ainda mais se desapertares a camisa. Gosto de ver esse corpo liso, moreno. Deixa-te ficar agora assim que eu finjo que estou vencida. E estou, não oferecerei qualquer resistência. Vem.

E, vais ver, quando desferires o golpe final, tal como te disse, não haverá uma gota de sangue. E não saberás se és tu que enterras a espada, se sou eu que te trespasso o coração. 

E que interessará isso? Ganhámos os dois, tu tens as fotografias e eu tenho-te a ti.

Meu matador, meu amor.


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As fotografias aparecerão na Vogue espanhola de Dezembro de 2012 e, uma vez mais, temos Mario Testino a fotografar a sua musa, Kate Moss.

O acompanhamento musical dispensa apresentações mas, ainda assim, aqui vai: Carmen de Bizet, aqui interpretado pela vibrante e sensual Anna Caterina Antonacci.


: : :

E, por hoje, é isto.
Que o vosso fim de semana seja bom, emocionante. 
Ou, então, que seja bom, calmo. 
Ou, melhor ainda, que seja bom, emocionante e, a seguir, bom, calmo.


Passe o cursor ao de leve, por favor, sobre a imagem

(Peace and love, my friends. And enjoy!)