Mostrar mensagens com a etiqueta James Turrell. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta James Turrell. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, abril 15, 2019

Aquilo da 6ª geração de Marcelo Rebelo de Sousa será mais uma fake new ou algum amigo, afim, equiparado ou colateral do senhor tem participação em alguma empresa relacionada com ADN?


Presumo que aquilo do Marcelo ter pontos em comum com o seu antecessor -- essa ilustre figura da história portuguesa, o marido da Dona Maria Cavaco -- passe por  aquilo de alguém ter que nascer mil vezes para ser mais honesto que ele. Por isso, nada do que adiante se dirá nem o título do post permitirá concluir que ponho em causa a honestidade e a transparência do nosso ubíquo e hiperactivo Presidente. Não.

Já disse o que tinha a dizer sobre esta conversa dos familiares e digo mais: toda esta areia é coisa com a cara do Rangel. Poeira, baderna, injúria, fofoca, intriga, permanente cacarejo -- é com ele. Conhecemos Rangel há tempo de mais para podermos ainda alimentar alguma esperança de que um dia seja mais do que isto. Não será. Rangel é daquelas figuras irrelevantes e cómicas que atravessam a política. Rangel não é para ser levado a sério. 

E Marcelo, com esta sua borbulhante maneira de ser, sempre a querer protagonismo, sempre a querer cavalgar qualquer onda, em vez de se portar como um Presidente a sério, moderado, ponderado e lúcido, em vez de desdramatrizar, em vez de introduzir racionalidade na conversa, não senhor: acelera o passo e resolve tomar a dianteira da demanda populista. Mas, como sempre que é tomado pela suprema ânsia de ser omnipresente, omnisciente e omnipotente, tende a dar passos em falso. Foi o que, uma vez mais, aconteceu. Resolveu armar-se em legislador e, para dar o exemplo, não as mediu:

Não pode o Presidente da República nomear como pessoal referido no número 1 do presente artigo, ou seja, para a Casa Civil, Casa Militar, o Gabinete, o Serviço de Segurança, o Centro de Comunicações e o Serviço de Apoio Médico, o seu conjuge ou equiparado, algum parente ou afim em linha reta até ao 6º grau em linha colateral, adotados ou qualquer outra pessoa sua representada, por si ou por seu conjuge, na situação de adulto acompanhado, ou com quem viva em economia comum
Ou seja, ninguém escapa: só se for cão ou gato. Ou galinha. 

Eu não duvido que o Prof. Marcelo, a quem nenhum pormenor escapa, saiba quem são os seus parentes ou afins em linha recta até ao 6º grau em linha colateral. Pois já eu tenho que pensar um bocado para saber quem são os meus em 2º grau. Ao 3º já lhes perdi o rasto. Ao 6º já teria que recuar até ao tempo dos meus primos etruscos.

E se isto, ainda por cima, inclui afins, equiparados, adoptados, pessoas representadas, amancebados, e isto em linha recta, oblíqua ou colateral, então esqueçam.

E daí eu concluir que, de cada vez que alguém quiser convidar alguém para algum cargo seja onde for, terá que mandar investigar se há algum ponto de semelhança entre as cadeias de DNA e nomear uma equipa de historiadores e espiões que verifiquem ligações clandestinas no século actual, passado ou ainda mais recuado. Já ouvi falar em árvores genealógicas mas isso não serve pois isso não abrange toda a panóplia de afinidades que será sinónimo de cartão vermelho. 

Um nonsense. Um perfeito nonsense.

O mundo está a cer cilindrado por populismos com a ajuda de gente descerebrada que a única coisa que sabe fazer é parir fake news e eu fico assustada quando verifico que isto não acontece só aos outros, aos poucos vai acontecendo também por cá. 

E custa-me um bocado que uma pessoa inteligente e responsável como Marcelo Rebelo de Sousa em vez de se portar como um esteio de um edifício frágil (como é a democracia) se ponha a cavar um fosso no qual inevitavelmente cairão tantos bons democratas, tanta gente válida e honesta.

Brinco quando pergunto se ele terá participação em laboratórios que fazem a sequenciação de DNA mas não brinco quando digo que me decepciona e preocupa quando lhe vejo atitudes bizarras e inconsequentes como estas.

Receio que nas próximas presidenciais não se perfile grande alternativa mas, se Marcelo continuar nesta sua deriva (que o leva a andar de velório em velório, de acidente em acidente, de inauguração em inauguração, de comentário em comentário e até, segundo li, até a fazer selfies no velório da Dina), terei que pensar bem antes de tomar a minha decisão de voto.


___________________________________________________

James Turrell, nos antípodas de Marcelo

Juntei imagens de alguns trabalhos de James Turrell para que o post tenha algum apontamento de beleza. Claro que, sendo tudo tão relativo, haverá quem não veja qualquer beleza nisto. Mas nunca ninguém conseguirá ser sempre consensual e, de resto, quem nivela tudo por baixo para que tudo o que diz ou faz apareça como consensual são os populistas, raça que abomino. Eu arrisco expor os meus gostos e, portanto, arrisco não agradar a todos.

Haverá quem fique na história pela emoção cujos trabalhos sabem transmitir, pela beleza que sabe procurar e fixar para todo o sempre. E há os que gostariam disso mas que se perdem no frenesim com que tentam agradar, deitando tudo a perder. James Turrell, com as suas construções que entrelaçam luz e espaço e que impressionam pela sua aparente simplicidade, faz parte do primeiro grupo (em meu entender, claro)



--------------------------------------

domingo, janeiro 06, 2019

As implacáveis Procuradoras: a Santa Mana Joana e a Manuela Boca Guedes
[E Marcelo e Bolsonaro e o tal da TVI que convidou um criminoso fascista e etc]





De passagem pela SIC vejo anúncio à Procuradora Manuela Moura Guedes. Espuma raiva. Acusa, condena, decreta penas. Implacável. Com ela não há inimigos que lhe escapem. Não precisa de provas nem de contraditório. Com ela é assim mesmo: chateaste-me, já dançaste. A cartilha lida, o destino traçado num piscar de olhos, num retorcer de boca.

Foi-se a Santa Mana Joana e ficou a Moura Guedes. Estava a vê-la e a pensar na implacável Santa Mana a quem também ninguém escapava. Só escapavam os que, lá de dentro, enviavam informação, gravações, vídeos e o que calhasse para o Correio da Manhã e Lixeiras associadas.

No pontificado da Santa Mana, muita gente tombou. Gente importante. Tombaram e todos nós assistimos ao seu tombo. Vimo-los humilhados. Era chegado o tempo de dar cabo dos corruptos. Lemos as transcrições, ouvimos as gravações, vimos imagens que comprovavam que eram culpados. Corruptos da pior espécie finalmente vergados. A Santa Mana até foi canonizada em vida, tantos os seus bons feitos: com ela não ia ficar pedra sobre pedra e pena era que não ficassem logo presos mal os investigadores lhes punham os olhos em cima.


Até que agora veio o desfecho de um caso, o dos Vistos Gold. Afinal quase todos inocentes, os processos sem ponta por onde se lhes pegasse. Entretanto, durante anos a vida destas pessoas devassada, a vida pessoal e profissional sacrificada. E por nada. Apenas porque a Santa Mana e a sua malta resolveram que sim. 

Arrependimento pelo que vão destruindo à sua passagem? Estou em crer que nenhuma. São implacáveis, estas duas Procuradoras. Estão bem uma para a outra. Com elas não há inocentes, só culpados, e ainda bem que elas estão atentas e são como são.

Um dia destes a Procuradora Boca Guedes voltará à política. E será bem sucedida. Todo o palco que a SIC lhe está a dar é uma boa rampa de lançamento. Haverá muita gente a achar que sem elas os corruptos continuariam à solta. Há que ter Procuradoras justiceiras e poderosas para que o mundo fique mais limpo. Se, pelo meio, destroem uns quantos inocentes, azarinho.


Entretanto, na TVI um tolo que não faço ideia quem seja resolveu levar um criminoso com ideias racistas e fascistas a divulgar as suas ideias. E há quem ache que isso é liberdade de expressão. Um dia destes, alguém dará mais um passo e convidará o criminoso a ter presença cativa num programa de televisão, que é um lugar bom para lançar na política os alarves, os boçais, os populistas. E, se for a votos, capaz de muita gente votar nele, não sabendo ou não querendo saber dos seus antecedentes, e achando que ele é dos bons, que diz as verdades, que é justiceiro, que é dos rijos.


E há também aquilo de Marcelo 'normalizar' o bronco e perigoso Bolsonaro, tratando-o como irmão e dando um passo maior de aproximação, convidando-o a visitar Portugal. Dadas as circunstâncias históricas e dadas as comunidades de portugueses lá e de brasileiros cá, que mantivesse um relacionamento diplomático discreto parecer-me-ia razoável -- mas que Marcelo não tenha arranjado uma forma diplomática de se demarcar das ideias anti-democratas de Bolsonaro deixa-me francamente incomodada.


Caminhamos sobre areias movediças. Há perigo rondando as nossas vidas e vem de onde menos se esperaria -- das instituições que deveriam zelar pelo cumprimento da lei e que, afinal, em puros exercícios de paranóia ou vingança dão cabo de muita gente, dos órgãos de comunicação social que promovem difamadores, demagogos, fascistas, de políticos que elegemos sem cuidar de escolher bem. A  qualquer momento um inocente pode ver a sua vida desgraçada sem nada de mal ter feito. As instituições democráticas são frágeis.

É obrigação de todos nós e das instituições que nos representam zelar activamente pela qualidade e sustentabilidade da democracia. E isso tem que começar a ser ensinado e praticado nas escolas, desde a infantil ao ensino superior (no dia em que isso acontecer, de certeza que praxes humilhantes acabam naturalmente -- só para dar um exemplo) e também é bom que comecem a existir, nas estações públicas, programas (criativos, interessantes) que ensinem e fomentem a cidadania livre, exigente, democrática. E é bom que os deputados se debrucem sobre todos estes riscos e engendrem formas de os evitar ou, pelo menos, mitigar.


É que uma coisa é certa: não podemos estar à mercê de Procuradoras como a Guedes ou a Vidal e é bom que por aí, em lugares de influência, não esteja gente estúpida, ávida de protagonismo ou ignorantes que abram a porta às serpentes que devoram a democracia. Nem devemos pôr-nos a jeito para que haja alguma vez o risco de virmos a ter por cá um anormal como o Bolsonaro ou o Trump. É essencial que nós, os inocentes, possamos viver uma vida descansada e que o país em que vivemos não seja um lugar perigoso.

---------------------------------------------------------------------------------------

As imagens mostram trabalhos de James Turrell.

-----------------------------------------------------------------------------------------

E agora, caso ainda não estejam ao corrente, queiram ver a minha resposta muito a sério ao Anónimo e Meio. É já a seguir pelo que queiram descer um pouco mais.