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terça-feira, dezembro 27, 2022

Sobre um dia de ressaca, na companhia de Alfredo Luz e de Yiruma

 



Este meu dia foi a modos que de ressaca. Parte do dia foi passado a garimpar a casa. Depois de dias assim, tudo se encontra: peças de lego, bocadinhos de papel, etiquetas, uma tesoura, num lugar remoto um prato, um guardanapo e uma garrafa de água das pedras, papelinhos de after-eights, restos das hastes de rena, e, certamente porque não é verão, não apareceram meias ou outras peças de vestuário. 

Também passei a pente fino os sacos de papéis e envelopes sobrantes para assegurar que, se houvesse alguma coisa relevante para aparecer, aparecesse antes de ir tudo para a reciclagem.

Fiz uma máquina de roupa com as toalhas de mesa e as das casas de banho e panos de cozinha e das mãos. Não choveu mas não esteve bom para secar. A partir das quatro e tal começou a cair a humidade e, por isso, nessa altura a roupa veio para dentro, para o estendal desmontável que transportámos cá dentro. Talvez amanhã de manhã esteja quase sequinha. 

Aproveitei ser um dia desimpedido para tentar convencer o meu marido que, tal como eu, também esteve de tolerância, a fazer uma coisa a que até aqui se tinha recusado: ajustar a altura de dois quadros. Com o pretexto de não gostar de fazer buracos nas paredes, temos este tema entre nós: se um quadro fica bem à primeira é uma maravilha, se não fica posso levar um ano ou mais a conseguir que se disponha a mudá-lo. Claro que poderia mudá-lo eu mas há duas razões para não o fazer: um dos quadros é muito pesado, tem vidro, moldura pesada, não tenho força para pegar nele, e, para além disso, nunca aprendi a trabalhar com o berbequim, tenho medo que a broca se solte em plena acção e voe, rodopiando, perfurando tudo em pleno voo.

Claro que não tive que cozinhar: apesar das marmitas que levaram, ainda sobrou o qb para ambas as refeições.

A seguir ao almoço, instalei-me num cadeirão junto à janela lá de cima. 

Quando cheguei à escada, já o dog estava a meia altura, a olhar para baixo à minha espera. Não sei como é que este animal adivinha as minhas intenções mas a verdade é que adivinha. Levei o computador e fui ver a Emily in Paris, uma coisa boa para pré-adolescentes mas que me distraio a ver sobretudo pelas vestimentas das mulheres da série e por Paris. Só que passado um bocado, ficou sem bateria. 

Não quis saber, adormeci. 

Depois estive a ler um pouco dos Aforismos da Agustina. Tinha comprado para oferecer a uma pessoa que me pareceu que iria gostar. Contudo, dias depois, fiquei com mixed feelings. Por um lado, não tinha a certeza de que gostaria (o meu marido achava uma oferta algo arriscada) e, por outro, estava com vontade de lhe mexer. Portanto, ficou pra mim e para ele foi um outro que acho que é uma aposta mais segura. 

Também tenho a dizer, embora sem atirar foguetes, que a noite passada tomei um paracetamol e dormi lindamente, tendo acordado praticamente sem torcicolo.

Mas estou molengona, sem acção, e, ao mesmo tempo, cheia de ideias, com vontades de mudanças, mesmo que pequenas mudanças. Só que não tenho vontade de pensar em como chegar lá. Por exemplo, está um catavento, um moinho de vento e um sino do lado de lá da horta e gostava de trazê-los para o lado de cá. Mas não sei para pôr onde nem sei se será fácil desmontar de onde está e montar do lado de cá. Já deitei uma alusão, assim como quem quer a coisa, mas o meu marido limitou-se a dizer: 'Não comeces'. Tenho que estudar melhor a situação.

E tenho algumas coisas mais a sério para tratar mas é tanta a preguiça que até para procrastinar sinto moleza. 

E continuo sem responder a comentários ou a mails. Sinto-me em falta mas, depois das trabalheiras, a lazeirice parece ter tomado conta de mim.

Tirando isso, sei que vai por aí alta baderna sobre uma Secretária de Estado que se demitiu da TAP, saindo com a carteira bem recheada. Não percebo bem o que se passou mas não me cheira lá muito bem. Palpita-me que a coisa não vai acabar bem. 

Também é curioso que mais um oligarca descontente com o psicopata assassino tenha caído da varanda. Caem das varandas que nem tordos, os ex-amigos do diabo em forma de gente que o mundo não consegue travar. 

O frio do caraças em algumas zonas dos States também é um tema. 

O planeta anda instável e alguns humanos parece que se estão a ressentir de forma muito profunda.

Mas ando desinformada, desinteressada, necessitada de uma cura de sono, de um livre trânsito para um spa, de coisa em forma de assim. Por isso, por hoje nada mais.

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As pinturas são da autoria de Alfredo Luz, pintor cuja obra só conheci há dias e que foi verdadeiro coup de foudre. Amo, amo, amo. Como foi possível nunca antes ter ouvido falar dele eu não sei, não encontro explicação. 

 Yiruma acompanha a obra de Alfredo Luz, interpretando Kiss the Rain

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Desejo-vos um dia bom
Saúde. Tranquilidade, Paz.

quinta-feira, agosto 11, 2022

Ser pago para não fazer nada
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Claro que preferia estar de férias. Claro que tenho saudades dos abençoados tempos em que havia férias grandes que davam para tudo. De manhã ia à praia com os amigos, de tarde ia passear com eles pela baixa, pela beira-mar. Outras vezes ia passar o dia com os eles para a casa que uns tinham no campo. Na altura era campo mas, de carro, devia ser a cinco ou dez minutos da casa deles na cidade. Hoje é uma zona de moradias da cidade. Depois, quando o meu pai estava de férias, fazia férias com ele e com a minha mãe: íamos para Porto Covo ou para a Curia. Vários amigos meus faziam o Luso mas os meus pais preferiam a Curia. Isso causava-me algum enervamento pois o meu namorado da altura estava no Luso e eu na Curia e, ainda por cima, sempre desfasados. Mas também passava num instante. Estava lá e só pensava que não via a hora de voltar vê-lo. Havia também alguns dias de pura indolência. Lia muito. O tempo esticava de uma forma mágica. 

Com o outro namorado era diferente. Passávamos a maior parte do tempo juntos. Mas não era particularmente estimulante pois ele gostava muito mais de mim do que eu dele e, por isso, desse tempo o que recordo é a minha vontade de fazer coisas diferentes das que fazia. 

Com o terceiro, aí a música passou a ser outra: estávamos juntos de manhã à noite. No único verão em que namorámos, ele instalou-se numa pousada de juventude perto de mim e, portanto, era praticamente non stop. E era uma coisa equilibrada: estávamos os dois loucos um pelo outro, uma chama que ardia bem à vista de toda a gente.

Quando comecei a dar aulas acabou-se a bela vida. Estudava e dava aulas com horário completo. Tinha reuniões de avaliações, exames a vigiar, provas a corrigir, e isto em paralelo com trabalhos e exames meu na faculdade. E estava casada. Portanto, a coisa começou a apertar. Pior ainda quando fui trabalhar em empresas. Aí o tempo de descanso encurtou-se dramaticamente. Poucos dias e aí já com crianças pequenas. Não eram bem férias, era mais uma interrupção na rotina. 

Agora, que tenho tão poucos dias, gostaria de poder ter uma semana sem nada que fazer, nada de nada, não ter compromissos, não ter que ir a lado nenhum nem nada. O meu marido está como eu: diz que gostava de poder ficar deitado no sofá a descansar, diz que gostaria de poder dormir até mais tarde. Claro que estou em crer que, ao fim de uma semana sem fazer nada, já não me aguentaria, já estaria doida para sair, para fazer qualquer coisa. 

Quando no verão ficamos no campo, se estamos os dois sozinhos, no primeiro dia arrasto-me. Durmo, estou numa indolência que me deixa inerte. Ao segundo já ando de vassoura na mão, de balde e esfregona de um lado para o outro, limpezas a preceito. Depois já é podão e serrote e já ando de roda das árvores. E a partir daí já estamos os dois desertos para ir até à cidade mais próxima e tudo serve de desculpa: ou ir ao supermercado ou ir ver de alguma ferramenta. Qualquer coisa para nos sentirmos mais perto do mundo.

Enfim. 

Ontem, se estão recordados, contei que, ao fim do dia, quando aqui chego ao sofá, percorro as notícias e os sites que costumo frequentar para ver se descubro coisas nunca vistas, inesperadas, melhor ainda se transportarem qualquer coisa de inusitado, de meio amalucado.

Ora, como é sabido, o algoritmo do Youtube lê-me os pensamentos, pressente o meu estado de espírito, faz de tudo para me agradar e surpreender. Não tive até hoje ser vivo que assim me interpretasse e assim desse a volta ao mundo para descobrir o que me agradar. Isto da inteligência artificial tem que se lhe diga (e não digam que não avisei -- e, podem crer, sei um pouco do que falo)

Pois hoje o meu bff tinha para me mostrar uma situação extraordinária: um homem que vende o seu tempo para não fazer nada, apenas estar. No vídeo ele explica: resolveu ocupar o seu tempo, um tempo em que nada faz, de forma produtiva. Parece um paradoxo mas não é. Ou, se calhar, é. Tanto faz. 

E, curiosamente, está a ter saída. Pessoas que não querem almoçar sozinhas, pessoas que não querem ir a um sítio sozinhas, alguém que quer ter a experiência de um efusivo cumprimento numa estação de comboios, alguém que quer conversar sobre um tema sensível e não quer perturbar a família e amigos. De facto, um mar de possibilidades.

Diz ele que antes julgava que as pessoas muito ocupadas eram todas bem sucedidas e felizes. Constatou, entretanto, que não é bem assim. Diz que há muita solidão. 

Impressionou-me este vídeo. Há qualquer coisa de feridas expostas nisto. Mas, se calhar, estou a dramatizar. Se calhar é apenas uma forma prática de ultrapassar situações que, para algumas pessoas, são constrangedoras. Se calhar não tem nada de mais. 

Não sei. Às tantas não sei mesmo é mais nada.

É certo que isto se passa no Japão e no Japão passam-se muitas coisas estranhas. Contudo, creio que, neste caso, poderia acontecer aqui ou em qualquer outra cidade.


O japonês que é pago para não fazer nada

Shoji Morimoto provides a very unusual rental service to his clients in Tokyo, hiring himself out in order to, quite literally, do nothing.

He has fashioned a career out of renting himself out to clients who simply don't want to be alone. Shoji doesn't engage in conversation or do anything other than just be there at whatever event or activity he has been hired to attend, and yet he is in high demand, scheduling one to three sessions a day. 

PS: Ou seja, se alguém veio ao engano, a esta altura já deu para perceber: ao falar em 'ser pago para não fazer nada, obviamente não estava a referir-me ao Sérgio Figueiredo.

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As fotografias mostram um graffiti especial, em forma de renda. A rimeira foi feita em Póvoa de Atalaia, a segunda em Vila do Conde e a terceira no Bombarral. A autora é NeS NeSpoon

Yiruma interpreta Maybe

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Desejo-vos um dia bom

Saúde. Bom descanso. Paz

segunda-feira, outubro 18, 2021

Longe das crises do orçamento e do petróleo.
Em família, entre insectos azuis, rolas no acasalanço e com um pequeno urso que não dá tréguas aos meninos (nem vice-versa...)

 


O fim de semana passou, tranquilo e outonal. Bom.

No sábado de tarde fomos a casa da minha mãe. Derrete-se com o ursinho mas acabou com dois pequenos ferimentos nas mãos. A brincadeira dele passa por mordiscar. Põe-se de pé para brincar mas ainda não aprendeu a dar beijinhos. Mordisca. E com aqueles dentinhos afiados faz das suas.

Por mais coisas que lhe arranjemos para ele mordiscar, passado algum tempo desinteressa-se: é connosco que quer brincar. Não sei se são reminiscências genéticas de quando os seus antecessores guardam rebanhos, se andam sempre encostados a eles e os levam ao seu destino a toque de dentadinhas. A verdade é que anda enleado às nossas pernas, mordiscando-nos os pés, as pernas. Se nos sentamos, põe-se de pé e mordisca o que apanha de nós: roupa, braços, mãos.

Ossinhos de roer, objectos de borracha, um ténis velho, um koala de peluche, uma corda de puxar e morder, uma bolinha. Tudo coisas de que gosta mas que passam para segundo plano quando tem alguém de carne e osso por perto.

No sábado ao fim da tarde vieram os três manos. Dormiram cá. Teste covid feito, tudo nos conformes. Felizes da vida. Já de si gostam de cá pernoitar. Fará, então, agora com um pequeno urso para poderem brincar. E o pequeno urso não lhes deu tréguas. Nem eles ao pequeno urso. Perseguiam-se mutuamente pela casa toda, uns a gritarem, outro a dar pequenos latidos. 

Quando a pequena fera finalmente sossegava, percebia-se que tinha ido roubar um ténis ou uma meia aos meninos e estava a roê-las algures na sala.

Outras vezes desaprecia mesmo, nada dele, tudo à procura. Íamos dar com o little baby, exausto, estendido a dormir num qualquer lugar recôndito da casa. 

Com a brincadeira pouco comeu.

Ao jantar sucedeu uma coisa. De repente, a minha meninininha mais linda disse: 'Tenho um dente preso por um fio'. Olhei e não queria acreditar. Parecia o dente da minha filha, uns anos antes. Eu incapaz de puxar. O dente ali pendurado. Um horror. Disse-lhe: 'Puxa-o...' e ela, atrapalhada, com a mão, com a língua a ver se ele caía. 'Não sai, está preso...'. O irmão do meio, todo decidido, dizia: 'Deixa que eu puxo'. E ela, assustada, 'Não puxas nada'. O irmão dizia: 'Roda o dente e puxa'. E ela já com lágrimas nos olhos: 'Não...' Depois ele fez questão de ligar aos pais. Ela não queria, eu não queria. Mas ele tanto insistiu que lá ligou. Queria permissão para ser ele a arrancar o dente á irmão. Os pais, naturalmente, não o deixaram. 

Resumindo: a pobrezinha não conseguiu jantar. Fiz-lhe um batido. Depois fomos para a sala. Ela mal conseguia falar, com o estupor do dente todo pendurado, literalmente suspenso por um fio de carne. Nestas situações não consigo ajudar, tenho medo de magoar. O irmão dizia: 'Aposto que vai cair quando estiveres a dormir'. Ela, inquieta: 'Cala-te!'. E ele: 'Não faz mal. Engoles.' E ela outra vez com lágrimas nos olhos, a perguntar-me: 'O que é que acontece se cair quando estou a dormir...?'. E eu, preocupada mas a disfarçar, 'Se calhar cai antes.... roda um bocadinho...'. 

O meu marido não se mete, não diz nada, só dizia para o mano do meio parar de chatear a irmã. Mas ele dizia que não era chatear, era querer resolver. O meu marido, nestas coisas, acha que as coisas se resolvem por si. O mais novo também não liga muito. Deve achar tudo natural.

Depois penteei-a, fiz massagens aos três, eles pentearam-me. Até que ela anunciou: 'Caiu'. E apanhou o dente da boca. Um alívio. Odeio estas cenas. Falta-me a coragem para resolver coisas assim, tenho medo de magoá-los. 

À hora de irem para a cama, ela foi buscar os pijamas dos irmãos. É ela que arranja as malas de cada um, que lhes escolhe a roupa. É ela que os manda lavar os dentes.

Às dez e tal da noite, fui contar uma história. Como sempre quiseram um episódio da Princesa Margaret. O mais pequeno deu o mote: 'A Princesa Margaret está doente e foi para hospital'. Lá inventei a história que, como sempre, tem o seu ponto alto quando se descobre que o seu cão aparece onde não deve, terrível, imprevisível, mas tudo só porque não quer separar-se da sua amiga Margaret. Também estava doentinho mas não quis deixar a sua amiguinha sozinha no hospital. À medida que vou contando, eles vão sugerindo o que vai acontecer, fazem perguntas. Tenho que lhes dosear a curiosidade. O mais pequeno, então, vibra. 

História acabada, beijinhos e até amanhã, uma noite descansada. Os dois rapazes adormeceram instantaneamente. Ela, sozinha noutro quarto, quis ainda ler um pouco. Mas devem ter sido uns cinco minutos. Apagou a luz e adormeceu.

O little baby bear dormiu ferrado até de manhã. 

O meu marido é que o foi acordar para ir ao jardim fazer as necessidades. Depois voltou a dormir (refiro-me ao cachorro, ao peludinho).

Acordei cedo e sentir uma presença perto de mim. Era a minha menina mais linda. Veio meter-se na cama comigo, a contar-me coisas. O mais novo estava a dormir, o do meio a ver futebol na televisão.

Quando fui tomar banho, ela disse-me que ia organizar a minha roupa e que depois íamos escolher brincos e outros adereços. Disse-lhe que em casa, quanto muito uns brincos. Quando acabei de tomar banho disse-me que tinha arrumado a minha roupa e a do avô e feito a nossa cama. É super despachada e super decididida.

Depois foram eles vestir-se. Apareceu-me furiosa a dizer que o mano do meio não queria vestir roupa lavada. Fui impor-me. Estava furioso a mostrar-me as cuecas que a irmã lhe tinha trazido. ' Olha para isto' e exibia, na mão, ao alto, as cuecas. Pareceram-me umas cuecas normais. Diz ele: 'Fez de propósito. Sabe que só uso boxers!'. Ela fez um sorriso sacaninha. Ele bateu-lhe com as cuecas e chamou-lhe estúpida. Ela sorriu discretamente mas com ar  vitorioso. Enquanto isso, ia vestindo o mais novo.  Depois pediu-me para eu a pentear.

Enquanto isso, o avô estava a preparar o pequeno almoço. E, pelo meio, o pequeno urso fugia com umas cuecas, uma meia, perseguia-os, causava baderna, confusão e correria.

Depois do pequeno almoço, para evitar as permanentes perseguições, fomos para o piso de cima. Uma vez mais quiseram brincar às empresas. 

Entretanto, chegaram os pais e, como sempre, ela e o mano do meio desataram a discutir um com o outro. Mas nada de mais. Ela estava a fazer um desenho e o irmão queria tirar-lhe o caderno. 

O pequeno urso, delira com estas movimentações. Ou corre e faz disparates ou deita-se de barriga para cima para receber festas na barria. Ou anda ao colo a receber mimo, como um bonequinho de peluche, embora colo seja coisa já só quase para eleitos e enlevo de pouca duração.

Depois de terem ido, a pequena fera KO, a dormir a sono solto, fomos nós dois fazer uma caminhada. Depois resolvemos ir comprar petiscos para o almoço. 

Como sabíamos que a receber mais pessoalzinho seria mais para o meio da tarde, depois de almoço deixámo-nos cair a dormir, nós e o pequeno urso.

Afinal o outro pessoalzinho não se despachou a tempo de vir. Por isso, de tarde, depois da sesta,  preguiçámos, vimos séries, estivemos no jardim a curtir o outono e a fugir à pequena fera ou a ameaçá-lo, coisa que o deixa deveras sentido.

E é isto.

Quando liguei o computador vinha para falar num casal de rolas que vi no maior arrulhanço, acasalando no maior descaramento. 

Também vimos um grande insecto azul que fotografei sem saber que bicho curioso era aquele. E pensei que a natureza avança ao seu ritmo, indiferente à crise do aprova ou não aprova o orçamento com ou sem acordo escrito, ou à crise do petróleo ou à da escassez de componentes para automóveis ou computadores ou a toda a espécie de crises que por aí se vão sucedendo e que parecem frívolas quando vistas pela perspectiva de quem como eu, durante todo este santo fim de semana, me estive nas tintas para os grandes acontecimentos do país e do mundo (como diz o outro).

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Desejo-vos uma boa semana a começar já por esta segunda-feira

Saúde. Calma. Esperança. Ânimo.

terça-feira, outubro 27, 2020

Guardar ou não guardar, eis a questão

 



Fomos até ao campo no sábado e foi aquela paz imensa que ali, mais do que em qualquer outro lugar, me invade de uma forma tão envolvente e feliz. Aqui, onde agora vivo, também há sossego, silêncio e canto de passarinhos. Mas não há a protecção da serra em volta, não há a serenidade rural que ali é absoluta. Mas o tempo anda-me a correr e eu mal consigo agarrá-lo. Foi ir, desfrutar um pouco, fotografar as belas cores de outono, os cogumelos que começam a irromper da terra, almoçar, descansar, olhar tudo, olhar como se quisesse ficar com as imagens, os sons e os cheiros impressos nas minhas células. Depois, no regresso, ainda fomos a casa da minha mãe. Ia escrever 'a casa dos meus pais' mas o meu pai é agora apenas memória. Quando estou com ela, tento não falar nele ou, se falar, falar com naturalidade. Sei que, se demonstrar emoção, a minha mãe não conseguirá controlar o pranto que lhe corre dentro. 

Viemos tarde e, por isso, como sempre, jantámos muito tarde. O meu marido anda saturado, diz que não são horas, queixa-se que há muito tempo que não consegue descansar. Concordo. Também eu.

No domingo, cedo, voltámos à outra casa. Horas de labuta, uma labuta que cansa. Os quartos que eram dos meus filhos, o que eles deixaram. Escolher, separar, coisas para dar, coisas para o lixo, coisas para trazer. Roupas, papéis, dossiers, cenas de toda a espécie. Olhar, avaliar, decidir. Infindavelmente. E trazer os móveis que fazem sentido trazer para cá, dar outros. Caixas, sacos, hesitações, discussões. O meu marido é apologista de deitar tudo fora, a eito. Como sabe que o meu ponto fraco tem a ver com os miúdos, filhos e netos, quando quer manipular-me é essa a arma a que deita mão: agora, de cada vez que eu acho que faz sentido trazer, ele sai-se com esta: 'queres complicar a vida aos teus filhos, quando tiverem que decidir o que fazer às nossas coisas? queres que passem anos a revirar a tralha que queres guardar?''. Claro que é argumento de peso. Mal ouço isto, equaciono se será coisa a que eles ou os seus filhos achem graça ou queiram aproveitar. Senão, ponho de lado. Mas também pode ser roupa que, por ser boa e bonita, ainda pode ser aproveitada. Dúvidas, dúvidas. Dúvidas que têm que ser resolvidas em ambiente de desmotivação e cansaço.

De tarde, já aqui em casa, chegou a minha filha com os miúdos. Eram quatro e tal e ainda estávamos a almoçar. Depois fomos passear, todos. Conversando, na boa. Uma caminhada à tarde e em família é do melhor que há. Um dos meninos levou a trotineta. Experimentei e gostei. Aquilo ganha mesmo velocidade. A minha filha filmou e partilhou. Quando vi, achei que não fazia jus. Ela gozou comigo. Lanchámos já era de noite. Na rua. A maior parte do tempo andámos de máscara. Tenho pena que tivéssemos chegados até aqui... mas nada a fazer: é o que é.

Hoje madrugámos. O meu marido levantou-se às cinco. Dividimo-nos: entre a madrugada, a hora de almoço ou o after hours, com uma empresa de mudanças acabámos esta tremenda empreitada. Para casa do meu filho foram umas coisas que eram dele e para cá o que faz sentido. Coisas da minha filha ainda lá ficaram mas muita roupa dela ou foi para dar ou, alguma, repesquei e ela que resolva o seu destino. E algumas coisas, móveis, candeeiros, uma máquina de secar que já não estava grande coisa, e até um móvel óptimo, de excelente construção e acabamento e bela madeira, um móvel feito à medida para a outra casa e que aqui não encaixava bem em lado nenhum, ficaram para a empresa de mudanças. Vi que estavam contentes. Se calhar, distribuem entre eles.

Ainda lá há alguma roupa por escolher, em particular roupa do meu marido. Recusa-se a olhar para aquilo e escolher, não tem paciência. Mas também ainda há coisas minhas. Agora tudo é para escolher, nada que seja declaradamente para trazer. Mas é roupa que está nos roupeiros embutidos. Ou seja, já não há mais mudanças contratadas. Nem há urgência. Agora apenas teremos que de lá tirar tudo quando vendermos a casa (era bom que fosse depressa) ou, quando nos enchermos de coragem, para tirar isto da ideia. Eu prefiro despachar tudo o mais rapidamente possível. O meu marido, que habitualmente também é assim, neste caso nem quer pensar no assunto.

Hoje, enquanto lá estive, consegui deixar as divisões vazias, sem tralha restante pelos cantos. Mesmo assim, uma varanda está cheia de sacos com roupa para dar. E um vaso com terra. E uns baldes de tinta que soprou de anterior pintura. E um cesto onde estão as cortinas de crochet que tinha numas janelas e que agora não tenho onde pôr mas que me dá pena deitar fora. Noutra varanda, num canto, há uns cestos com brinquedos desencontrados, incompletos, e uma figura de madeira pintada, de que muito gostava e que, não sei como, ficou com a cabeça partida. Se a colar fica boa. Mas não sei bem onde colocá-la. Talvez debaixo do alpendre. O meu marido ralha: não enchas tudo de tralha. Ele é minimalista. Eu quase sou mas também gosto de ter alguns objectos atípicos e nos quais reconheço beleza ou graça. 

Agora, aqui na casa nova, voltámos a ter caixas por abrir, sacos para esvaziar. A cave está cheia de coisas para arrumar . Mas eu gosto que as coisas sigam uma lógica, uma harmonia. Por isso, antes de começar a arrumar coisas ao acaso, quero pensar onde vou arrumar as revistas de decoração, onde vou arrumar os bibelots sobrantes, onde vou arrumar as molduras que não tiveram lugar até aqui. O meu marido, que odeia o caos, olha para o panorama e passa-se, por vontade dele não tinha agora trazido nada. Eu vivo bem no meio da confusão pois sei que, qual polinómio complexo que se vai simplificando, mal se faça luz na minha cabeça, acabará tudo arrumado, sem que pareça amontoado ou cheio de tralha.

Mas, com isto, estou mais do que cansada. Foram muito poucas horas de sono, muito andar acima e abaixo, a dizer onde se põe isto, onde se põe aquilo. Já para não falar que, antes e a seguir ao jantar, estive a ver e responder a mails, a despachar e aprovar coisas da empresa ou, no meio de tudo, andei a telefonar, a mandar mails, a resolver trapalhadas. Mas, enfim, acho que esta noite devo conseguir dormir bem. Nestas alturas de mudanças, durmo mal. Acordo a pensar e a ter ideias sobre o destino a dar a cada coisa. 

Por exemplo, não sabia onde haveria de pôr a aparelhagem, uma aparelhagem à antiga, um móvel preto, tipo ikea, mas com amplificador, leitor de cassetes, gira-discos, leitor de cd's, colunas separadas. De noite, acordei com a solução. E os LP´s, os CD's. Ponho-me a pensar nisto e, às tantas, não durmo. Agora já se sabe onde vão ficar mas é preciso tirá-los das caixas e arrumá-los. Ai.....

A ver é se não fico toda derreada, tantos pesos carreguei, tanto subi e desci. Os meus músculos costumam ressentir-se com o esforço concentrado e excessivo. Enfim. O que vale é que depois passa.

E agora ainda tenho que ir consultar um cv para uma reunião determinante que tenho de manhã. A covid pode estar por aí aos pinotes mas o mundo -- felizmente -- não estaciona.

E, já agora: que ideia absurda é essa de porem a Prova Oral a começar depois da uma da manhã? Logo hoje que queria tanto ver o maluco do Pedro Paixão... Não percebo quem são os palermas que fazem a programação dos canais de televisão. 

Bem, já que estou numa de décor, permitam que partilhe um vídeo que gostei de ver.

A pintora italiana Malù Dalla Piccola mostra a sua casa em Paris. E eu gosto tanto de ver casas. Fará casas com a pinta desta.



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Um dia bom para si que está aí desse lado.
Saúde, sorte e alegria.

sábado, junho 13, 2020

Um nano UFO cintilando in heaven





Ontem, ao passearmos pelo campo, tive uma epifania. Íamos pé ante pé. Pouco tempo antes, tinha aparecido mais uma cobra. Grande como a outra. Uma cobra rateira. Eu ia a andar e, a dois passos de mim, senti no chão aquele movimento que me faz estremecer. Parei. Ela parou também, estacada, a olhar para mim. A olhar ou a perceber o que iria eu fazer. Depois esgueirou-se por entre as pedras. O meu marido já tinha vindo a casa avisar. Na curva lá ao fundo, no lugar onde se começa a descer, uma cobra. Tinha-se levantado na sua direcção. Deve ter percebido que dali poderia vir perigo.

Por isso, quando, mais tarde, ia com a minha filha e com os meninos, íamos devagar, auscultando os sons, temendo que a bicha se levantasse para nos desafiar. 


A dada altura, estando nós a observar já nem sei o quê, talvez alguma flor, já não me lembro se foi um dos meninos se foi ela, um deles gritou: 'Ali! Ali! O que é aquilo ali?'

Pusémo-nos a olhar. Nada se via. Tal como as partículas elementares que apenas podem ser apercebidas pelo rasto que deixam, também neste caso o que era apenas se via quando se movimentava.

Aquilo era como que um pequeno filamento brilhante que se deslocava na horizontal. Muito fininho, talvez em esverdeado prateado, talvez um centímetro de comprimento mas fininho como uma agulha. Não lhe vi mais nada, nem antenas nem patinhas ou asinhas. Apenas um pequeno, quase invisível filamento brilhante que se movimentava de uma forma invulgar.

Eu disse que era um ovni. Os meninos não perceberam. A minha filha traduziu: 'UFO'. Perceberam. 


Fiquei a pensar: quem nos diz que não há extraterrestres entre nós e nós não os vemos? Quem nos diz que os extraterrestres não são nano criaturas? Imaginamo-los à nossa semelhança ou, quanto muito, pequenos robots, pequenos seres. Mas... e se forem serem ínfimos, ínfimos, ínfimos, super-inteligentes, super-observadores? E se um dia, quais coronas, resolvem virar o nosso mundo do avesso? Claro que podem ser malta do bem e simplesmente gostem de andar por aí a divertir-se vendo a bizarria deste mundo. 

Estive a ver agora se poderia ser o bicho-pau mas não, não, não tem nada a ver.  E, de resto, agrada-me a ideia de, por aqui, para além de toda a bicharada que aos poucos se vem chegando, cada vez mais -- agora até os pássaros já deixam que eu os veja de perto -- também possa haver extraterrestes, seres menos do que microscópicos, menos do que minúsculos pontos de luz, intangíveis, invisíveis. Gostava que, apesar disso, ouvissem as músicas que eu aqui, â noite, gosto de ouvir, que também gostem de poesia, de flores, de luz, de paz, de silêncio. Ou que gostem de outras coisas, muito diferentes, coisas com as quais nem sonho, coisas muito novas, coisas que um dia me deixem conhecer. Gostava de saber que há todo um outro mundo, coisas absolutamente outras, impensáveis. Gostava que, um dia, uns seres de um outro mundo, invisíveis, arranjassem maneira de me dar a conhecer o que de melhor existe no seu mundo.


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Fotografias de Nick Knight ao som de Love me por Yiruma

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A todos desejo um bom sábado

domingo, outubro 27, 2019

O romantismo dos dias chuvosos *





Lembro-me de quando comecei a namorar o meu marido. Já andava com ele mas era coisa não direi à socapa mas, enfim, como dizer?, meio clandestina. Nem isso. Talvez, apenas, não publicamente assumida. Mas, naquele dia, tinha uma notícia para lhe dar. Ele tinha-me trazido um daqueles tubinhos com água de sabão em que a tampa tinha uma haste com uma argola, para fazer bolhinhas. Tinha comprado a um vendedor ambulante junto ao metro. E eu fiquei toda contente e experimentei mas a notícia era outra e falava mais alto. Ia pôr uma carta no correio. E assim fiz. Depois disse-lhe: era a carta a pôr fim ao namoro. Durante o fim de semana tinha feito por isso mas o meu namorado não tinha aceitado, pediu tempo, pediu que eu percebesse que o que eu sentia pelo outro era um entusiasmo passageiro, assegurou-me que amor de verdade era o que havia entre nós. De tal forma foi que percebi que tinha que ser um corte abrupto, a seco, sem apelo, sem lágrimas.


E assim foi. Era inverno e o dia estava muito húmido, uma névoa densa envolvia Lisboa. Aquele por quem me tinha apaixonado percebeu a relevância do gesto e, embora andasse há que tempo a pedir que eu o fizesse, naquele momento estava sério, como se tivesse acabado de assistir a um acto cruel. E sabia como me custava fazê-lo, sabia o afecto que eu sentia pelo outro, como me custava fazê-lo sofrer. E eu estava também um pouco angustiada pois tinha preferido que o corte tivesse sido concretizado cara a cara e não por carta. Além disso, sabia o quão doloroso este meu gesto a a quase brutalidade das palavras daquela carta ia ser para aquele outro que tão intensamente me amava.

E, portanto, envolta numa névoa fria e lacrimejante, eu ia dizendo que precisava de espaço, de um interregno, queria fazer uma pausa antes de voltar a envolver-me a sério. Ele ouvia-me em silêncio, não sei se compreendendo, se lamentando que, ao fim de tanto tempo à espera que eu quebrasse aquele vínculo, afinal, agora que o tinha feito, estivesse a pedir mais tempo.


A verdade é que, comigo, por vezes, o tempo acelera loucamente; e o tempo que eu estava a dizer que precisava esgotou-se como um breve sopro. Acabei agora de ver a distância que percorremos. Trezentos metros. Ao fim de trezentos metros, e vendo-o eu tão silencioso, coloquei-lhe uma mão no rosto, virei-o para mim e, logo ali, selei com um demorado beijo o namoro que, na prática, estava a começar. 

Ainda tentei ir para a aula que tinha a seguir. Fui até lá e ele comigo. Mas não nos largávamos. Entretanto, já chovia. Mas nem dávamos pela chuva. Decidimos ir passear para o Parque Eduardo VII. Abraçados e felizes, nem nos importávamos por estarmos a ficar molhados. Lembro-me que, nos intervalos, ainda tentava fazer fazer bolhinhas de sabão mas, ou porque a humidade exterior fosse tanta ou porque não me concentrasse, tenho ideia que as bolhinhas de ar não floresciam.


Nesse inverno choveu muito. Grande parte das minhas memórias desses meses abençoados está envolta em neblinas, chuvas, frios e muitos beijos. Tínhamos que andar sempre abraçados para nos protegermos. Passeávamos muito. Lembro-me de um passeio em Sintra, as árvores a pingar, envoltas em nuvens, nós a subir a pé a estrada para a serra. Tudo me parecia muito romântico. Havia, na minha cidade natal, um café recente, aberto por um italiano, que tinha um cappuccino muito bom. As chávenas grandes e bonitas vinham quentinhas e eu envolvia-as com as minhas mãos e aquele cheirinho a café, a chocolate a natas parecia-me provir de néctar de deuses. Tinha também uns gelados artesanais, na altura os únicos na cidade, que eu adorava. E, então, sentávamo-nos numa mesa num recanto de onde se via a rua e ali estávamos, conversando, dando-nos as mãos, enamorados, enquanto víamos a chuva a cair lá fora. Isto ao fim de semana quando ia a casa dos meus pais. Durante a semana, todos os dias ficávamos juntos até tarde e, já com a noite avançada, ele ia levar-me a casa. Chovia na rua, íamos abraçados debaixo do chapéu de chuva e invejávamos as pessoas que estavam dentro das casas iluminadas cujo conforto adivinhávamos.


Ainda agora, eu que sou dada à luz, ao calor, a andar com pouca roupa, anseio pelos frios e pelas chuvas, sinto saudades do som da chuva, gosto de estar no sofá agasalhada no meu canto, gosto de sentir que a natureza se regenera, se limpa, sinto que apela ao romance, aos longos e apertados abraços, aos olhares que mergulham na alma, ao amor.

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E hoje, que não choveu nem esteve frio, depois de termos ido a casa dos meus pais e de termos passeado pelas ruas por onde andávamos quando namorados, resolvemos ir ao cinema.


Um dia de chuva em Nova Iorque. É um filme suave, agradável, inteligente, bom para se ver e sair de lá a sorrir, e, podendo, a andar de mão dada, a dar beijinhos. Tem uma música bonita, tem um ambiente romântico, tem aquela ironia nonchalante tão típica de Woody Allen. A minha filha perguntou-me: mas não é um filme para adolescentes? E eu acho que sim, também para adolescentes. Mas, quis ela saber, alguma coisa de especial? E eu não acho que tenha alguma coisa de especial no sentido de excêntrico, do nunca visto, do insólito. Não, tudo muito normal, cool, muito agradável, sem dramas, com bons sorrisos à mistura.

Antes, na apresentação do que está em exibição ou por chegar, vi monstros, mortos-vivos, armas, gente que aterroriza, gente sem olhos, gente que escorre sangue, seres que destroem cidades e atemorizam o mundo. O filme Um dia de chuva em Nova Iorque não é nada disso, é um filme com pessoas normais a viverem uma situação normal numa cidade normal. E quem quiser que ponha aspas nos normais que quiser pois, na verdade, o que é normal para uns não é normal para outros. Mas, quero eu dizer, há uma dimensão humana no filme e isso, em tempos de crescente desumanidade, é bom.


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E, nesta onda da névoa, da chuva, da tranquilidade, permitam que partilhe convosco um daqueles vídeos que gosto imenso de ver. Espero que também gostem. 



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As pinturas lá em cima são da autoria de Osnat Tzadok e a mim parecem-me paisagens urbanas envoltas em chuva. A música é Kiss the Rain de Yiruma. E, no título, asterisquei o 'romantismo dos dias chuvosos' pois sei bem que nem todos os dias chuvosos são românticos: há os dias de juízo aquando de chuvas excessivas, há as dores do corpo para quem não tem como proteger-se, há os dias chuvosos associados a tristes memórias. Mas, em abstracto e, sob o filtro da benevolência, a chuva é boa para abraçar os afectos, lá isso é.

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terça-feira, junho 18, 2019

Com incansável inteligência e alguma ocasional petulância






Ao longo do dia, andei de umas para outras sem que nada, durante todas aquelas vastas horas, me tivesse agradado especialmente. Muita reunião, muito roadmap, muito business plan e business case, muita mitigação, muita coisa nessa base e sumo que é bom e eu gosto, pouco e, o que há, fraquinho, fraquinho. Pior: no intervalo, nada. Um compacto de cenas desinspiradas.

Vão rareando as pessoas que me fazem rir ou com quem se consiga ter uma conversa variada sobre temas pouco sérios. Quanto mais pessoas conheço mais me convenço que as pessoas muito sisudas e que só sabem falar de trabalho, por muito que aparentem ser eficientes e ultra zelosas, são, na realidade, umas perfeitas nulidades, fazendo muito bem coisas que geralmente não servem para nada. Acresce que são chatas, muito chatas.

Tenho saudades dos longínquos tempos de grande irreverência, de muito mau comportamento. Tenho saudades de quando me diziam que o meu colega e grande amigo tinha saído do gabinete a apertar a portinhola, isto depois da secretária ter de lá saído segundos antes toda afogueada e sorridente. Tenho saudades dos relatos mirabolantes de um colega que contava histórias inverosímeis e que, quando eu o confrontava: 'Não acredito em nada disso, deve ser tudo mentira' me respondia com ar divertido e gaiato: 'Tudo não, que exagero. Tem um fundo de verdade'. Tenho saudades de quando a minha secretária me contava que tinha pressionado outro meu colega e amigo, dizendo-lhe: 'Se está à espera de ser velho para deixar a sua mulher e vir viver comigo, tire daí o sentido, ou é agora, enquanto somos novos, ou esqueça'.  Tenho saudades daqueles dias divertidos em que a arquitecta que ia comigo ver as obras, saia étnica até aos pés, me dizia: 'Viste como os gajos não tiravam os olhos das minhas pernas? É que a saia é transparente e eu ponho-me em contraluz para os gajos ficarem vesgos'. Tenho saudades daquele presidente, amicíssimo, um mestre, que contava que a vizinha da moradia contígua, no Estoril, era italiana, fogosa e andava nua no jardim... e que ele inventava desculpas para não ficar na casa da cidade, onde vivia com uma namorada vinte e cinco anos mais nova, para ir pernoitar ao Estoril e, mal lá chegado, saltar a cerca e pernoitar com a italiana, sexagenária como ele. Tenho saudades daquele outro colega que, quando chegava à ponta do corredor, dava um salto batendo os pés de lado como se a seguir fosse dançar como o Fred Astaire.
Um paradigma do homem sadio, criado para confiar totalmente nos seus próprios impulsos, graças a uma intensa e jubilosa vitalidade imune ao medo, à má consciência, à malícia e aos expedientes e muletas morais da lei e da ordem que os acompanham.
Eram todos assim, eu a única mulher no meio de um bando de doidos. Mas uns doidos inteligentes, competentes, arrojados, irreverentes, bem sucedidos no seu trabalho, na sua vida. Divertíamo-nos à brava. Só um é que se levava a sério e, portanto, ninguém tinha paciência para ele. Uma vez metemo-nos todos numa bravata que, como todas as bravatas, comportava riscos. Esse tal apertadinho teve medo, acobardou-se, saltou fora. Todos os outros mantiveram-se unidos até ao final, apesar das ameaças, apesar de sabermos que haveríamos de pagar pela nossa insolência (e coragem e coerência). E pagámos, de peito feito, alegres da vida.

O ambiente profissional que conheço, aqui e ali, hoje não tem disso. É tudo muito calculado, muito bem comportado,  muito politicamente correcto, ninguém ousa uma piada mais brejeira, ninguém ousa pisar o risco. Hoje ninguém tem tempo para maluqueiras, anda toda a gente muito ocupada a cumprir objectivos, a atingir os kpi's e a mostrar-se muito eficiente junto do chefe.

Até certa altura, não estava ainda tudo automatizado, não havia mails desde que despertamos até que nos deitamos, não havia telemóveis a levarem o trabalho até nós: e, no entanto, não havia qualquer necessidade de trabalhar até às quinhentas, e, durante o dia, nem sei como, havia tempo para falar de livros, para falar de cinema, para anedotas, para fofocas divertidas, para risotas boas.

Quando penso nisto parece ficção. Ou coisa que aconteceu num outro mundo, numa outra época.

E não sei como é que isto se perdeu. 

Aliás, sei. Houve uma época tenebrosa, dos yuppies, gente muito pseudo-eficiente, gente muito ao sabor de modas, gente que não sabia nada de nada a não ser papaguear jargões em consultês, gente que muito menos sabia da vida, e que apareceu a querer normalizar a diversidade.
Lembro-me de um que apareceu nem sei de onde. Tinha trinta e picos e portava-se como se fosse um grande magnata. Fumava charuto e um dos meus amigos, à socapa, gozava com ele, dizia que parecia aquele bebé, o Baby Herman, semblante autoritário, charuto na boca e... de fraldas. Vi-o depois naquilo dos empresários qualquer coisa de Portugal, que iam refundar Portugal, acho que se chamava Compromisso Portugal. O João Miguel Tavares é que, nessa altura, mesmo andando ainda de fraldas, devia ter aproveitado as causas. Aqueles lá tinham causas. Muito parvalhão acreditou nos el dorados que prometiam amanhãs que cantavam, muito parvalhão lhes deu palco, muitas entrevistas. Muito se assistiu à sua pesporrência fútil e bacoca. O Baby Herman por lá andou a fazer não se sabe bem o quê. Certamente alguém o fez Comendador. Deve ter falido a empresa mas isso não interessa, a memória da malta é curta. 

Mas, enfim, é assim. Os tempos mudam e nem sempre mudam para melhor. E somos todos nós, colectivamente, que deixamos que isso aconteça. Vamos deixando, vamos contemporizando. E, quando damos por ela, o mundo mudou, alagado em mediania... e, quando queremos mudar-nos daqui para um lugar melhor, percebemos que perdemos o pé.

Mas, na volta, sempre assim foi desde o princípio dos tempos: toda a gente sempre a achar que tudo isto não passa de um devir a caminho da nulidade.
Nenhum de nós alcançará a terra prometida: morreremos todos no deserto. O intelecto, como alguém já disse, é uma espécie de doença: incurável.

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Pinturas de Kim Heungsou na companhia de Yiruma com Maybe. Em itálico, excertos de O wagneriano perfeito de Bernard Shaw (incluindo o título)

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Já agora, a propósito de Bernard Shaw, o discurso em louvor de Einstein 
-- e que bom quando as pessoas gostam de rir, de se rir


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E, que nem de propósito, abaixo uma evocação de um mundo transacto, um mundo que já nada tem a ver com este nosso mundo -- um mundo de reis, rainhas, príncipes e princesas, duques e duquesas, caleches e penachos a enfeitar as belezas. Bem podem as ruas protestar e os noticiários falar de brexits, de autodeterminações, de crises políticas, ambientais, sociais que, numa outra dimensão, num tempo que parece pretérito, os soldadinhos vestidinhos com os seus fatinhos bonitinhos continuam a bater o pezinho e a subir as escadas quase aos saltinhos e as realezas continuam a desfilar cheias de capas e capelines. Uma real gracinha.


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E, no meio disto, tudo de bom para vocês: peace and love.

quarta-feira, agosto 02, 2017

Karl Ove Knausgård e eu respondemos ao Questionário de Proust





Ao longo do dia, volta e meia, sobe-me uma vontade insubtil de escrever. Nunca é nada de definido. Não sei sobre o quê. O que sinto é uma sensação interior, como que uma onda de emoção que, tivesse eu um teclado à mão, haveria de traduzir-se num auspicioso fluxo de palavras.

Hoje, passando num avenida de Lisboa cheia de gente de diferentes proveniências, a luz belíssima, um piano na antena 2, eu sem pressa, a gostar de, naquele momento, por ali estar a passar -- e só me apetecia parar, inventar histórias ou descobrir dentro de mim memórias desconhecidas, feitas de palavras elegantes e suaves.

Mas a ocasião nunca me proporciona as condições, a inspiração fica-se pelo caminho e, quando aqui chego, quase sempre a contrariar o sono e dividida entre deixar as mãos vaguearem pelo teclado ou estender-me no sofá a ler, já estou conformada com a ideia de que toda a vida hei-de sofrer com este desencontro.
E claro que isto de sofrer é uma figura de estilo porque este meu sofrimento é mais literário do que físico ou metafísico e só dura enquanto escrevo a palavra sofrimento.
Bem. Seja como for, a verdade é que chego aqui e o que sinto é preguiça. Ponho-me na flutuação e vou dar onde calhar. Desta vez, o algoritmo da google veio outra vez pôr-me o Karl Ove Knausgård debaixo do nariz, servido numa bandeja. Olho para ele e acho-lhe uma certa piada; capaz até de engraçar com o gentil homem se mo pusessem, em carne o osso, à frente. O que ainda não calhou foi trazer um livro dele para casa. Ainda hoje estive a ponderar e, como nas vezes anteriores, a coisa não seduziu aquele qb que é indispensável. Muito peso. Prefiro a leveza. Por acaso hoje até trouxe um tijolo mas é daqueles que tem uma suculenta prosa e desvenda memórias que me saberão bem, disso tenho eu a certeza. E trouxe um mais pequeno e que só de tê-lo aqui ao meu lado já me sinto feliz. Logo digo. Amanhã tiro uma fotografias aos meus companheiros de sofá. Agora não me apetece ir buscar a máquina. Há bocado estive a fotografar o rio e as luzes que começavam a aparecer. Lindo, lindo, este meu rio, sempre a embelezar-me as janelas e a vida.


Bem, dizia eu que. Como o algoritmo não é burro, veio-me com um flavour que, sabido seria, me iria aguçar o apetite. Puseram o bom do Karl a responder ao Questionário de Proust, essa pepineira a que tenho uma certa em dificuldade em resistir quando é posta no prato de uma pessoa inteligente. No fundo, no fundo, acho que é mais por cusquice do que outra coisa. Gosto de fazer perguntas e nem é tanto as respostas, é mais a forma como vêm as respostas. Não sei explicar bem. Ponham-me um desconhecido à frente e eu desato a fazer-lhe perguntas. A um conhecido, então, nem se fala.

Já uma vez aqui respondi, eu, a um questionário de Proust. Nem vou ver as respostas porque agora me apetece responder outra vez e não quero deixar-me influenciar mais do que já o fui pelo Karl.

(De resto, acho as perguntas tão fluidas que, no fundo, tenho ideia que, consoante a pessoa que tivesse à minha frente a fazer-me as perguntas, assim responderia eu. Mais: vou mudando, as respostas seriam as mesmas ao longo dos tempos -- até porque detesto a constância).

Mas vamos lá.


1 - Qual o principal aspecto da minha personalidade?
A curiosidade, a franqueza, a inteireza, o sentido de humor, a ausência de medo. Podia acrescentar mais uns quantos mas, como era para dizer só, um tenho que ser moderada. Além do mais, se ele pôde dizer vários, em que é que eu sou menos que ele?

2 - Qual a qualidade que mais aprecio num homem?
Pergunta dúbia. Num homem em que sentido? Admitindo que é no sentido homem-homem aprecio que seja inteligente, que tenha um bom carácter, que tenha sentido de humor. E, vendo bem, a resposta vale para todos os sentidos.

3 - Qual a qualidade que mais aprecio numa mulher?
Bem. Aqui o sentido é mais estrito. A resposta já vai num comprimento de onda um pouco diferente. Numa mulher aprecio que seja forte mas não machona, feminina mas não mulherzinha, alegre sem ser aérea ou palerma, livre sem ser destrambelhada, boa onda sem ser dada a clichés.

4 - O que é que eu aprecio mais nos meus amigos?
Gosto que sejam boa gente, boa onda, simples, que não sejam burros nem sentenciosos nem parvos. E que sejam bons amigos, que se mantenham amigos ao longo dos tempos.

5 - Qual o meu maior defeito?
Não consigo impedir-me de dizer algumas coisas, mesmo sabendo de antemão que vai dar m.., incluindo para o meu lado. Na verdade, na maior parte das vezes, estou a marimbar-me para as consequências. Outro é escrever posts longos demais. Outro é não ligar nenhuma aos bons conselhos. Outro é pelar-me por pechinchas nos saldos. E mais alguns e todos 'maiores' -- para não dizer capitais.

6 - A minha ocupação preferida?
Presumo que seja ocupação a fazer coisas e não no sentido de, simplesmente, ocupar o tempo a estar (porque se fosse, a resposta envolveria os meus meninos, sejam os crescidos, sejam os pequeninos). A fazer coisas: passear e fotografar, escrever, ler, pintar, cozinhar, podar árvores, varrer. Etc.

7 - O meu sonho de felicidade?
Ter tempo para descansar, para passear, para estar mais com os meus, para ler, para escrever, para cozinhar, para podar árvores, para varrer, ligar a televisão e não ver comentadores de 5ª categoria, abrir os jornais e ver notícias de descobertas, de arte, de gestos solidários ou corajosos, poder conviver mais com gente diferente. Etc.

8 - Qual seria o meu maior infortúnio?
Bem. Vou admitir que não é uma pergunta profunda e, portanto, vou passar ao lado do que seriam os verdadeiros infortúnios. E, nesta perspectiva, na levezinha, um grande infortúnio seria o ter que passar uma tarde com uma certa blogger que, do que lhe leio, deve ser tóxica à beça. Ou ser obrigada a ouvir um Governo Sombra inteiro. Ou estar ao pé da Judite Sousa num daqueles dias em que aparece vestida de flausina desmiolada e não me poder rir. Ou ter que estar tête a tête com o Marques Mendes e não poder mandá-lo ir dar banho ao cão. Ou ter que participar numa reunião do PSD em que estivessem o Láparo, a Pinókia, o Hugalex, a Leal ao Coelho e o Carlos Abreu Amorim. Ou ser obrigada a ler um livro inteiro do Valter Hugo Mãe e, depois, para castigo, ainda ter que estar a ouvi-lo ao vivo, a confidenciar muitas coisas, entre as quais que gostava de ter um filho. Ou ter que ir para a rua sem brincos. E etc.

9 - O que é que eu gostava de ser?
Arquitecta. Psiquiatra. Bailarina. Viajante. Curadora. Realizadora. Presidente de uma Câmara. E etc.

10 - O país em que eu gostava de viver?
Portugal. (Resposta única, inequívoca, irrevogável). 

11 - A minha cor preferida?
Encarnado. Encarnado-rubro. Encarnado-tinto. Encarnado-fogo. Encarnado-alma. Mas também amarelo-luz. E azul de todas as cores (turquesa, submarino, profundo, veludo, céu, mar). E branco. Branco puro. Branco absoluto, silencioso.  

12 - A flor de que mais gosto?
A rosa. La rose. Ou a flor da madressilva. Ou o lírio do campo. Ou o amor-perfeito. Ou os brincos-de-princesa.   

13 - O pássaro de que mas gosto?
A gaivota. A águia. A cegonha. O pardal. O papagaio mal-falante.  

14 - Os autores de prosa que prefiro?
Difícil. Tantos. Tarefa quase impossível. Agustina nas prosas soltas. Saramago no Ensaio sobre a Cegueira. Raul Brandão nas Memórias. John Williams. 
Não posso continuar. Para ser rigorosa teria que recuar no tempo, teria que me espraiar no planeta. Não é possível responder com rigor citando apenas meia dúzia. Não liguem, pois, ao que escrevi porque não faz sentido referir só aqueles.

15 - Os meus poetas preferidos?
Idem. Mas vá lá, uma para não parecer que estou a fugir à questão: Maria Teresa Horta.

16 - Os meus heróis e heroínas na ficção?
Sei lá... Tantos. Tantos e nenhuns. Mais certo é serem nenhuns. Mas pronto. Lá vai. Talvez a Marquise Isabelle de Merteuil. Talvez Lady Chatterley. Talvez Harry Haller. Talvez Miller. Ou a mulher do médico no Ensaio sobre a Cegueira. Ou Murphy. Mas sei lá. Tantos que poderia referir. Perguntas deste tipo são redutoras. Não se fazem.

17 - Os meus compositores preferidos?
Outra que tal. Tantos, caraças. Arvo Pärt, Mozart, Bach, Satie, Cohen. Não vou continuar. Impossível. Ou separava a resposta por género ou por épocas. Assim, impossível. 
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18 - Os meus blogs preferidos?
Uiiii. Pergunta sensível que acabei de inventar. E também não vou responder. Apenas posso adiantar que se encontram entre os 'Frescos e Bons' que estão na galeria aí ao lado. Mas pode haver mais um ou outro que, por algum motivo, aí não constam. Também há os que pararam no tempo e que, por isso, também deixaram de constar, ou outros a quem o autor tirou do ar. Mas há belíssimos blogs, lugares onde se escreve muito bem ou onde se podem ver belas imagens ou ouvir belas músicas. Podia referir alguns, estou com vontade disso mas, já me conhecem, sou toda dada a pudores. Reservo a minha opinião para uma ocasião em que esteja mais nem aí.

19 - Mais uma?
Não. Já chega. Não chega?
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Karl Ove Knausgård responde ao Questionário de Proust



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As duas fotografias são algumas das finalistas do concurso EyeEm
Yiruma interpreta Loanna

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E um dia muito bom a todos quantos me acompanham.

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