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domingo, setembro 13, 2026

Os talentos ocultos de algumas celebridades

 

No meio de vídeos com temas que me interressam, apareceu-me este que abaixo partilho. Não tem muito a ver com o que costuma despertar o meu interesse, mas o algoritmo deve ter sabido que me queixei da perversidade do deus invisível e super-humano que quase apenas nos dá a ver aquilo que sabe que é do nosso agrado. Por isso, no meio dos vídeos do The Daily Beast, do Guardian, da BBC, de arquitectura, de escritores ou de jardins, hoje apareceu-me este com habilidades de celebridades.

Claro que quando ouço a palavra 'celebridade', tal como a palavra 'influencer', apenas não puxo da pistola porque não tenho nenhuma, sou pacifista dos pés às pontas dos cabelos, mas vontade não me falta. 

As redes sociais democratizaram o acesso à mediatização. Aquilo que antes estava reservado aos melhores, agora está aberto a tudo. Tanto me pode aparecer o Bernie Sanders, um astrofísico ou um investigador de biogenética como, no meio, me pode aparecer um cabeleireiro. Como sou de bico fino, o cabeleireiro que me aparece, em Milão, é um artista, faz maravilhas. E tem duas casas lindíssimas, que gosto imenso de ver. Mas também me apareceu, no outro dia, uma senhora que me tem trazido interessadíssima, uma senhora completamente despenteada e sempre arranjada às três pancadas, totalmente fora da caixa, quase uma Adília Lopes mas sem veia poética. Canta sem saber cantar, conta anedotas batidas sem jeito para contar anedotas, ri de uma forma desconcertante, e tanto canta Quim Barreiros, Sérgio Godinho ou um cântico a Nossa Senhora, tudo sem acertar uma nota, sem atinar com o ritmo, sem ter ponta de voz. No outro dia, fez uma publicação a invectivar, com ar arreliado: 'Malucos são vocês, anormais!'. Acho-lhe mesmo graça. Genuína, insólita. Gosto. Mas aparece-me no meio de sumidades, de museus, de avanços na medicina, na física, de discussões sobre os limites da democracia ou dos perigos da Inteligência Artificial.

Mas não me aparecem as Cláudias Vanessas ou os Gustavos Santos ou as Rutes Marianelas desta vida porque o algoritmo tem o bom senso de não despertar a fera que há em mim. Mas devem ser essas 'sumidades' de meia tigela que a TVI depois enfia naquela casa em que ao longo de anos há uma gente estranha espojada por sofás e a quem designa por celebridades e em que depois outras celebridades comentam o que as celebridades dizem na Casa ou publicam nos Instas. 

Mas o palco que as redes socias dão a toda a gente, tantas vezes repetidas pelas televisões que enchem a programação de lixo, faz com que sintam estrelas: basta passear à beira mar ou estar em qualquer restaurante para ver como se fazem fotografar em poses ridículas, como se o mundo estivesse interessado em vê-las a fazerem peito, de rabo alçado, o mar ou o pôr do sol como adereço, ou como fotografam cada prato que lhes caia à frente como se alguém quisesse saber o que vão comer. Tudo tão ridículo, tão fútil, tão oco que dá dó. Qualquer maria-ninguém ou zé-ninguém se acha uma celebridade, uma influencer. Como ocupação dão-se ao luxo de escrever que são criadores/as de conteúdos digitais, e se os seguidores (oh palavrinha também mais anormal, na terminologia da Anabela) são muitos, então, oh-la-la, que big sucesso, que cume atingem.

Mas, enfim, superando a resistência que a palavra 'celebridade' desperta em mim, fui ver as habilidades que estas aqui sabem fazer. 

Ao ver o que é demonstrado ponho-me a pensar: eu sou capaz de alguma habilidade? E a resposta é imediata: não, nenhuma. Bola. Não sou capaz de fazer o pino, não sou capaz de furar baloes com arco e flecha, nao sei fazer vozes ou imitações, não sou capaz de revirar os braços. Nada. Não sei se V. que me lê é capaz de proezas que deixem os outros de queixo caído. Se é, está de parabéns. Conte.

Vi o vídeo do princípio ao fim, admirada. Também gostava de ser capaz de fazer qualquer coisa do género, diferente do habitual. Admiro as pessoas que conseguem surpreender os outros com habilidades de que ninguém está à espera.

Celebridades com talentos invulgares e desconhecidas

Veja o que acontece quando a câmara apanha os maiores nomes do planeta a fazer algo que ninguém imaginava que pudessem fazer. Desde Tom Cruise a imitar o Pato Donald na perfeição no programa de Graham Norton, à carreira de mergulho de Jason Statham, que durou uma década e o levou aos Jogos da Commonwealth, esta compilação mostra o lado das celebridades que nunca se vê nos seus filmes ou música: estranhas peculiaridades corporais, habilidades secretas e truques de festa que deixam estúdios inteiros boquiabertos. Este vídeo é para os fãs que querem os melhores talentos escondidos e bizarros das celebridades reunidos num só lugar.

▸ Reunimos os momentos que se tornaram virais, incluindo os cotovelos hipermóveis de Taylor Swift, Terry Crews a revelar que era um ilustrador desportivo profissional e Hugh Jackman a dar uma aula surpresa de sapateado a Michael Strahan. Desde Ben Affleck a passar para um espanhol fluente a meio de uma entrevista, passando pelos vinte anos de cinto negro de jiu-jitsu de Ed O'Neill e Keira Knightley a tocar música com os dentes no programa de Fallon, até às facas borboleta de Angelina Jolie no programa de Conan, o banjo premiado de Steve Martin e o passado de Pierce Brosnan a cuspir fogo na adolescência. Temos a sobrancelha arqueada de Sabrina Carpenter, a bandeira humana de Zac Efron, a guitarra atrás da cabeça de Cara Delevingne, Sydney Sweeney a reconstruir um carro antigo, Justin Bieber a resolver um cubo mágico a meio de uma música, a orelha de Millie Bobby Brown a mexer, Helen Mirren a estalar um chicote, os mortais de Benson Boone e o truque perturbador com a língua de Aubrey Plaza. Estes vídeos provam que nunca se conhece realmente uma celebridade até que a câmara capta a sua habilidade mais estranha e secreta.

Desejo-vos um belo dia de domingo

quinta-feira, agosto 20, 2026

Redes sociais, um mega clube em que prolifera gente fútil, burra, desinteressante


De vez em quando aparecem-me coisas no Instagram que me deixam perplexa. Juro que não percebo qual o propósito, qual a lógica, a quem é que aquilo interessa. 

Por exemplo, algumas influencers famosas (e se soubessem o quanto abomino esta expressão e tudo o que a envolve...) mostram-se em ultra poses, em ultra decotados biquínis, algumas, inclusive, com grandes planos sobre as virilhas, com meia genitália de fora. Que entre elas e os namorados, em brincadeiras mais apimentadas, brincassem aos fotógrafos e às modelos ou às esposas descaradas, eu percebia. Agora estarem a mostrar-se assim ao mundo? Para quê? Porque se acham giras e acham que o mundo fica melhor se testemunhamos o desenho das suas mamas insufladas e de parte dos seus grandes lábios? 

E as poses? Ridículas. Armadas em vedetas, em posições parvas, copiadas umas das outras. 

Só penso no volume brutal de dados que circula nas redes e na brutal capacidade de armazenamento e processamento que estas plataformas (Meta, por exemplo, com o Facebook, Instagram, WhatsApp; mas também o  X ou o Tiktok) têm que ter para poderem mostrar tudo isto ao mundo inteiro, a toda a hora. Não admira que tenham que ter Data Centers brutais, altamente consumidores de energia. Para quê? Para, na grande maioria, darem palco a gente fútil, gente sem miolos. E para, com este brutal desfiar de fotografias, bonecada parva, citações de meia tigela, vídeos truncados, verdades distorcidas, encharcarem a cabeça de meio mundo, cada vez mais burrificado.

As pessoas estão umas com as outras e em vez de conversarem, há sempre alguém agarrado ao telemóvel, a ver ou a mandar mensagens ou a ver as palhaçadas de que estas redes estão pejadas. Um perfeito nonsense, um deslizar inexorável para a estupidificação.

Fala-se do populismo que grassa nas redes sociais e penetra, sem espinhas, nos meios mais broncos da sociedade. Mas deveria falar-se também da futilidade crescente, da tremenda falta de noção de toda esta gentinha que se exibe, desta cambada de podcasters que se multiplica para conversarem umas e uns com os outros para falarem de nada, de parvoíces, da sua pseudo historiazinha que não deveria interessar nem ao menino jesus, mas que nestas plataformas têm palco.

De todas as formas possíveis e imaginárias está a destruir-se a civilização, quer ambientalmente com estes brutais Data Centers (para isto e para a IA), quer socialmente, quer mentalmente. Tanta inteligência junta para um mundo cada vez mais cheio de burros.

sexta-feira, agosto 29, 2025

Felca, o Senhor Influencer

 

Virou a mesa, destapou a tampa, atirou a bomba para cima da mesa. Mais de 49 milhões de pessoas já viram o seu vídeo Adultização. É obra. Na sequência na sua denúncia pública, já se legislou e a polícia já actuou. 

Ao ver este jovem (tem 27 anos) com uma figura algo bizarra a agir de forma tão determinada e corajosa, a demonstrar um sentido ético de responsabilidade cívica, fico a pensar que isto, sim, isto é um influencer a sério.

O tema que ele estudou e denunciou é tema que a mim me revolve as entranhas, me petrifica, me assusta a sério pois é como uma onda gigante a que dificilmente se consegue resistir caso nos passe por cima, ou, pior, se passar por cima de crianças. A única coisa a fazer é fugir, não estar por perto. Mas não é fácil pois o poder dos algoritmos e a difusão generalizada das redes tornam os perigos grandes demais.

Felizmente alguém como um improvável Felca -- e digo isto na maior ignorância pois só recentemente sobre a sua existência -- veio denunciar a exposição de crianças e adolescentes nas redes sociais, muitas vezes pela mão dos próprios pais, a adultização, a exploração a chantagem, os riscos tremendos das redes sociais que colocam os indefesos na rota dos predadores, dos pedófilos, dos criminosos de toda a espécie.

Sobre o Felca, transcrevo da wikipedia:

Felipe Bressanim Pereira (Londrina, 25 de julho de 1998), mais conhecido como Felca, é um youtuber, influenciador digital e humorista brasileiro. Conhecido por seus vídeos de reação e sátiras de tendências da internet, começou sua carreira como streamer em 2012, produzindo vídeos de jogos eletrônicos. Com o tempo, reformulou seu conteúdo e passou a criar vídeos humorísticos, principalmente com tom autodepreciativo.

Ganhou notoriedade em 2023 ao testar a base "We Pink", de Virgínia Fonseca,[1][2] e com vídeos criticando lives de NPC no TikTok,[3] que lhe renderam 31 mil reais, doando todo o valor arrecadado para instituições de caridade.[4] Em 2025, desmantelou uma rede de exploração sexual de menores com um único vídeo sobre adultização,[5] no qual denunciou várias pessoas associadas à exploração sexual de menores de idade na Internet, entre elas, o influenciador Hytalo Santos, que perdeu sua conta no Instagram após a repercussão negativa, e rendeu debates sobre a criação de leis para combater a exploração sexual de menores na Internet. (...)

Mas calo-me já e partilho uma conversa elucidativa na qual Bial eleva ainda mais o Felca a figura pública de excelência. 

Felca à conversa com o Bial sobre Adultização  


E, claro, aqui está o vídeo Adultização que, por muito que nos custe, tem mesmo que ser visto (a bem da compreensão deste fenómeno e a bem da defesa das nossas crianças e dos nossos jovens)

Adultificação



quarta-feira, novembro 20, 2024

Quando as influencers não existem na realidade e, ainda assim, têm carradas de seguidores e ganham milhares de euros todos os meses

 

Ah, que bom é este admirável mundo novo... Todo ele cheio de absurdos, de desnecessidades, de futilidades, de mil perigos, uns à vista, outros nem tanto...

Se esta nova profissão, ser influencer, já me deixa de pé atrás -- uma actividade sem regulação, sem código de ética, sem qualquer controlo -- (e cheia de dúvidas: cá em Portugal descontam para a Segurança Social? pagam IRS?), imagine-se como fico quando a dita é virtual, toda ela concebida através de Inteligência Artificial...

Imaginaram-na, deram-lhe nome, criaram uma personalidade que lhe assentasse bem... criaram-lhe uma conta de Instagram... e a partir de aí é começar a criar 'conteúdos' e facturar. A jovem de 25 anos, Aitana Lopez de seu nome, apresenta-se geralmente com o cabelo pintado de cor de rosa, viaja, documenta as viagens, dá conselhos... recebe patrocínios... e, afinal, não existe. É, toda ela, uma criação da Inteligência Artificial...

É o admirável e estúpido... e aterrador mundo novo em que já vivemos.

Por mim, fujo de tudo isso a sete pés. Mas é uma fuga aparente pois esta é uma realidade que nos cerca em permanência.

Mas o meu mundo, o meu pequeno mundo real, também tem o seu quê de irreal. 

Hoje de manhã, quando estava a caminhar aqui, por entre as árvores, senti-me observada. Arrepiei-me, senti aquele susto que resulta de não saber o que se passa... e, um pouco a medo, olhei para lá. Ao princípio nem percebi. No meio da folhagem, uns olhos. Fiquei parada a tentar perceber. Depois a 'coisa' mexeu-se, levantou-se. Um gato lindíssimo. Fundo branco, manchas em amarelo torrado e outras em preto. Ficou parado a olhar para mim. Nestas ocasiões, com a atrapalhação, não atino com o telemóvel. Quando consegui pôr na posição de câmara para disparar e fotografar, e me aproximei um pouco, ele virou-me costas e voltou a entrar pelos arbustos.

De tarde, um esquilo aqui mesmo em frente. Sobre o muro, depois a subir por um pinheiro, depois a saltar, no ar, em voo, para um cedro. Uma graça. O rabo peludo ao alto. Alguma vez, em toda a minha vida e até há um par de anos, eu poderia imaginar que aqui, no meu espaço, vivendo nas árvores que nós mesmos plantámos, teríamos esquilos? Nunca, nunca. Uma aparição mágica, fantástica. Uma bênção.

E agora o meu marido foi à rua com o cão. Diz que há um sítio na parte de trás, onde há um conjunto de grandes aloés vera, em que o cão anda em volta, fica a cheirar, a cheirar, como se por ali andasse bicho. Pois hoje foi mesmo aqui, no canteiro que está junto à porta de entrada, que ele ficou parado a cheirar. Eis senão quando salta de lá um grande sapo. Diz que era um sapo mesmo muito grande. 

De onde vem toda esta bicharada é um mistério. Admitindo que não são seres que nasçam de geração espontânea, de algum lado eles vêm. Mas de onde? Alguém me diz?

E, à tardinha, por entre o musgo, várias pequenas redes de orvalho que sobrou das neblinas matinais. Tão bonito. Parecia pequenos recortes de tule branco. Só falta mesmo aparecerem por aqui fadinhas, ninfas, duendes...

Ou seja, e voltando à cold cow, satisfaço-me e encanto-me com coisas assim, não sinto necessidade de ser influencida por influencers reais ou virtuais. Zero. O que tenham para me dizer não me interessa. O meu mundo não é o del@s.

Mas aqui está a Aitana Lopez e como é que isto funciona:

The AI models making huge money on Instagram - BBC World Service

Aitana Lopez is the most popular of the new wave of realistic-looking AI influencers and the agency that created her say they are making thousands a months from her. We visit the Barcelona-based creators of Aitana - the most popular and highest earning AI Instagram model to find out how they curate and create her life which is followed closely by 330,000 followers.