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quinta-feira, outubro 01, 2026

Montenegro & Sarmento - é gastar à tripa forra!
--- A palavra ao meu marido ---

 

O Montenegro acompanhado pelo Sarmento juram (quem mais jura mais mente!) que não é possível ajudar o povinho porque o orçamento não aguenta, e não querem correr o risco de haver défice no fim do ano. 

O que é curioso é que não é possível ajudar o povinho mas é possível ajudar os que estão em melhores condições para enfrentar a crise (por exemplo, o IRS jovem beneficia mais quem tem melhores condições). O ponto é o seguinte: o Estado deixou de arrecadar cerca de 1,3 mil milhões de euros com as medidas ditas emblemáticas do governo, como o IRS jovem e as isenções e apoios para os jovens adquirirem casa. E quais foram os resultados destas medidas levianas do governo? 

Os resultados são uma lástima! 

  • Embora não existam dados definitivos, a opinião generalizada é que a emigração jovem até parece ter aumentado. 
  • Relativamente à habitação, confirmou-se o que se previa: as medidas do governo originaram o aumento dos preços das casas e um aumento sem precedentes da taxa de esforço para muitos daqueles que adquiriram casa, o que poderá ter consequências muito nefastas para esses jovens num futuro próximo. 
Resumindo: a emigração jovem não diminui, a crise da habitação piorou e os cofres do estado arrecadaram menos 1,3 mil milhões de euros que tanta falta fazem para apoiar quem mais precisa na crise atual.

Para além de deixar de arrecadar dinheiro, a política do governo promoveu aumentos na função pública, muitas vezes sem critério, como aconteceu com os professores, que oneram bastante a despesa pública. São custos fixos, que passaram a pesar nas contas do Estado e esmagaram a margem de manobra necessária para superar situações de crise. É esta a política do governo AD tendo como expoente máximo a dupla Montenegro & Sarmento que, curiosamente, ao contrário do que acontecia com governos anteriores, não merece uma crítica veemente de comentadores económicos, geralmente próximos da apoplexia com governos anteriores. 

Governar também é saber ler os números, ser prudente e não hipotecar o futuro. Neste governo ninguém terá estas capacidades, muito menos o Montenegro. 

Ontem ouvi a parte final da entrevista ao José Luís Carneiro na CNN e gostei da forma como se apresentou e respondeu às perguntas. Apesar dos entrevistadores demonstrarem, como  também aconteceu recentemente na SIC, uma animosidade intrínseca, não conseguiram montar as armadilhas que pretendiam. Pode gostar-se ou não das políticas do PS, mas é certo que se percebe que o José Luís Carneiro é uma pessoa honesta, sólida, que conhece os dossiers e que está a tentar definir uma política que possa projetar o Pais para um futuro melhor. Quando o comparamos com o Montenegro e com o Ventura as diferenças para melhor saltam à vista, a começar pela honestidade intelectual. 

Alguém que afirmou no Parlamento que tinha uma empresa para gerir terrenozitos com meia dúzia de árvores de fruto quando, afinal, a empresa prestava serviços de consultoria diferenciada, recebia avenças para completar ordenados e suportava custos, é intelectualmente honesto? E um tipo que  publica geralmente notícias falsas é honesto? Não são, pois não? 

Para além disso se são impreparados e não conhecem os dossiers pouco se pode esperar deles. Estou convencido que o José Luís Carneiro, se continuar neste caminho, dará um bom primeiro ministro. Espero que sim. 

quarta-feira, abril 29, 2026

Em Portugal o ascensor social está mesmo bloqueado? Como desbloqueá-lo? Como fazer crescer o País e a confiança das pessoas?

 

Há pouco, ao fazer uma pesquisa a mails antigos, encontrei uma fotografia de um menino talvez com cerca de um ano, dá ideia que estava a levantar-se sozinho mas ainda com cautela. O primeiro dos meninos, um fofo, espertíssimo. Muito pequenino e já dizia coisas que revelavam a sua inteligência. O tempo passa. Não tarda faz dezoito anos. E, como ele é e com a abertura que revela a conhecer novos mundos, temo que se sinta impelido a ir para fora. Com a minha menina temo o mesmo: é independente, gosta de abrir asas, é voluntarista. Se souber de oportunidades que não identifique por cá pode passar-lhe pela cabeça ir experimentar a sua sorte lá fora.

Há isto, em especial no mais velho, de achar que por cá não vai ter facilidade em conquistar a autonomia, em ganhar dinheiro para ter a sua casa e a sua vida.

E, na realidade, há um sentimento na classe média (e, mais ainda, na classe mais baixa) de que ninguém consegue verdadeiramente progredir a menos que circule pela via da fuga aos impostos.

Face ao sentimento de uma certa impotência que se sente nos mais jovens (e fruto disso é a forma como têm votado), resolvi, uma vez mais, recorrer à Inteligência Artificial. Pretendi, também neste caso, ter uma certa análise comparativa. O que se passa para que haja esta sensação? Como compara a carga fiscal em Portugal com outros países? O que poderia ser feito para se sair desta situação?

Fui colocando questões e fui obtendo respostas. Transcrevo o que me parece interessante. Abaixo as palavras do Gemini.

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A sua análise toca no ponto nevrálgico da economia portuguesa: o fenómeno do "ascensor social bloqueado". A sensação de que a classe média é taxada como se fosse rica não é apenas uma perceção abstrata; ela tem fundamentos matemáticos claros quando comparamos o esforço fiscal com o custo de vida e a qualidade dos serviços.

Para fundamentar isto, vamos olhar para três métricas críticas:


1. A Armadilha da Progressividade Precoce

Em Portugal, as taxas elevadas de IRS (Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Singulares) começam a incidir em níveis de rendimento muito baixos comparativamente à Europa do Norte.

  • Portugal: Se ganhar 6.000€ brutos/mês, entra no penúltimo escalão (45%). O Estado trata este rendimento como "muito alto".
  • Holanda ou Suíça: Esse mesmo valor é considerado um salário de classe média ou média-baixa. Nesses países, para chegar à taxa máxima, teria de ganhar o dobro ou o triplo.
  • O Resultado: O Estado português "confisca" a capacidade de poupança da classe média antes mesmo de ela conseguir acumular capital.

2. A Dupla Tributação (O "Imposto Oculto")

O que torna a situação portuguesa única (e dolorosa) é o que chamamos de insuficiência do retorno público.

  • O Modelo Nórdico: O cidadão paga 40% de imposto, mas tem "custo zero" em saúde, educação e creches. O seu rendimento líquido é para lazer e poupança.
  • O Modelo Português: O cidadão paga 35%-45% de imposto, mas como o SNS não responde a consultas de rotina e a escola pública tem falhas de pessoal, ele tem de pagar por fora:
    • Seguro de saúde privado.
    • Consultas e exames no setor privado.
    • Explicações ou colégios para os filhos.
  • A Conta Final: Se somar o IRS (35%) + IVA (23%) + Seguros de Saúde + Copagamentos, a carga real sobre o rendimento disponível de um profissional qualificado em Portugal é, muitas vezes, superior à de um sueco ou dinamarquês, com a agravante de ter um salário base muito menor.

3. O Castigo à Poupança (Capital)

Sobre os juros sobre o capital: 28% sobre os juros. Este é um dos pontos mais críticos para a falta de liquidez:

  • Em países como a Holanda, existem isenções de impostos sobre o património até certos valores para incentivar a poupança.
  • Em Portugal, a taxa é plana e alta (28%). Para um pequeno aforrador, isto é punitivo. Se a inflação for 3% e o banco pagar 3%, o aforrador perde dinheiro após pagar o imposto, porque o Estado taxa o lucro nominal, não o real.

Estudo Comparativo: Esforço Fiscal vs. Poder de Compra

Variável

Portugal

Suíça

Dinamarca

Salário Médio Bruto

~1.500€

~6.800€

~6.200€

Taxa IRS para 3.000€

Alta (Entra no topo)

Baixa

Média

IVA (Padrão)

23%

8.1%

$25%

Retorno em Serviços

Baixo (requer privado)

Eficiente (Pago via seguro)

Muito Alto (Público)

Conclusão: É Percepção ou Realidade?

A sua análise está fundamentada. Portugal sofre de um desfasamento entre a sua estrutura fiscal (desenhada para um país rico) e a sua produtividade (de um país de rendimento médio).

O sentimento de "não sobrar dinheiro" deve-se ao facto de a classe média portuguesa estar a financiar dois sistemas em simultâneo: o Estado (via impostos) e o Privado (via seguros e serviços diretos), porque o primeiro não entrega a qualidade mínima necessária no dia a dia.

Isto cria um ciclo de estagnação: sem liquidez, a classe média não investe; sem investimento, a economia não cresce; sem crescimento, os salários não sobem.

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Nota: O sistema fiscal português atual não é obra de uma única pessoa, mas sim o resultado de uma reforma profunda ocorrida entre 1988 e 1989, que procurou modernizar Portugal para a entrada na Comunidade Económica Europeia (CEE).

No entanto, há nomes e contextos políticos fundamentais que explicam por que é que o sistema tem esta estrutura "voraz" para a classe média:


1. O "Pai" da Reforma: Miguel Cadilhe

O grande arquiteto do sistema fiscal moderno foi Miguel Cadilhe, Ministro das Finanças dos governos de Aníbal Cavaco Silva (PSD).

  • O Objetivo: Antes de 1989, Portugal tinha um sistema caótico e arcaico. Cadilhe criou o IRS (rendimento de pessoas singulares) e o IRC (rendimento de empresas), que entraram em vigor a 1 de janeiro de 1989.
  • A Inspiração: A ideia era simplificar, seguindo modelos europeus, e baixar as taxas nominais que eram altíssimas, mas que ninguém pagava porque a fuga ao fisco era generalizada.

2. A Introdução do IVA (1986)

O IVA (Imposto sobre o Valor Acrescentado) foi introduzido por exigência da adesão à CEE. Substituiu o antigo "Imposto de Transações".

  • O Problema: Sendo um imposto sobre o consumo, ele é cego à riqueza. O "pobre" e o "rico" pagam os mesmos 23% por um computador ou pela eletricidade. Como Portugal tem salários baixos, o IVA retira uma fatia muito maior do rendimento disponível do que num país com salários altos.

3. A "Mão" de Vítor Gaspar e a Troika (2011-2014)

Se Cadilhe criou a estrutura, foi Vítor Gaspar (Ministro das Finanças de Passos Coelho) quem "apertou o garrote" de forma definitiva durante a crise da Troika.

  • O "Enorme Aumento de Impostos": Em 2013, houve uma reestruturação dos escalões de IRS (passaram de 8 para 5), o que empurrou a classe média para taxas muito mais altas muito mais cedo.
  • A Herança: Embora os governos seguintes (PS/António Costa) tenham revertido algumas medidas e voltado a desdobrar os escalões, o nível de receita fiscal nunca baixou significativamente. O sistema habituou-se a este nível de arrecadação.

Por que é que o sistema se tornou "perverso"?

A intenção original de 1989 era boa, mas o sistema falhou por três razões históricas:

  1. Baixa Produtividade: Os legisladores criaram escalões a pensar que Portugal iria convergir rapidamente com os salários europeus. Como os salários estagnaram, o IRS que era para ser "para ricos" começou a apanhar a classe média-baixa.
  2. O Facilitismo do IVA: Como é difícil controlar a economia paralela, os governos sucessivos (de esquerda e direita) preferiram manter o IVA alto e o IRS retido na fonte. É dinheiro "fácil" e garantido para o Estado, mas retira liquidez imediata às famílias.
  3. A Máquina do Estado: Portugal mantém uma estrutura de Estado desenhada para um país rico, mas com uma economia de país remediado. Para sustentar hospitais, escolas e pensões num país envelhecido, o Estado "seca" quem ainda trabalha e produz (a classe média).

Resumo Político

  • PSD (Anos 80/90): Criou a estrutura moderna (Cadilhe/Cavaco).
  • PS (Anos 2000 em diante): Consolidou o uso do IVA e da carga fiscal para financiar o modelo social.
  • Troika (2011): Maximizou a eficiência da cobrança, eliminando quase todas as hipóteses de "respiro" fiscal.

O resultado é este sistema "Frankenstein": temos a modernidade europeia na cobrança (as Finanças em Portugal são das mais digitalizadas e eficientes do mundo), mas uma ineficiência de terceiro mundo na entrega de serviços públicos de rotina.

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O que fazer? De que reforma está Portugal precisado? 
O que poderia ser uma reforma relevante para relançar o País, para reter a nossa juventude e para atrair jovens de outros países?


1. A Reforma Fiscal: "Taxas Moderadas, Base Alargada"

Em vez de focar na idade, focamos na criação de riqueza.

  • O Modelo de 3 Escalões (Simplificação): Substituir os atuais 9 escalões por apenas três:
    • Isenção: Até aos1.000 € (Proteção da base).
    • Taxa Classe Média (15%): Para a vasta maioria dos portugueses (até aos 5.000€/mês). Isto daria uma liquidez imediata e brutal às famílias.
    • Taxa de Topo (30%): Para rendimentos muito elevados. Note-se: 30% é o que a classe média paga hoje; aqui passaria a ser o teto máximo.
  • Eliminação da Retenção na Fonte Excessiva: Ajustar o sistema para que o Estado não "peça emprestado" dinheiro aos cidadãos sem juros durante um ano. O dinheiro deve estar no bolso das pessoas todos os meses.
  • Unificação da Taxa de Capital: Baixar a taxa sobre juros e dividendos de 28% para 15% (alinhada com o escalão da classe média), incentivando o pequeno aforro.

2. De onde vem o dinheiro? (O Equilíbrio das Contas)

Esta é a pergunta de "um milhão de euros". Para baixar impostos sem criar um buraco no orçamento, é preciso atuar em três frentes:

A. O "Dividendo do Crescimento"

Ao baixar o IRS para 15% para a classe média, o consumo aumenta. Esse dinheiro volta ao Estado via IVA. Mais importante: empresas que hoje não conseguem contratar porque os salários líquidos são baixos, começam a expandir-se. O aumento da atividade económica compensa a descida da taxa (Curva de Laffer).

B. Reforma do Estado: Menos "Gasto", Melhor "Investimento"

  • Extinção de Observatórios e Entidades Redundantes: Portugal tem centenas de institutos públicos e fundações que consomem milhões com utilidade marginal.
  • Privatização/Concessão de Gestão: O Estado não tem de gerir companhias aéreas ou empresas de logística. O foco deve ser o regulador.
  • Digitalização Real: As Finanças já são digitais, mas a Justiça e a Educação não. A redução da burocracia poupa milhares de horas de trabalho e milhões de euros em papel e processos lentos.

C. Combate à Economia Paralela

Portugal tem uma economia informal estimada em 25% do PIB. Com impostos mais baixos e justos, o incentivo para "pedir fatura sem número de contribuinte" diminui. Se a taxa é justa, o cidadão prefere a segurança da legalidade.


3. Saúde e Social: Do Estado Prestador ao Estado Garante

O equilíbrio das contas também vem da eficiência na entrega.

  • Concorrência na Saúde: Em vez de injetar milhões no SNS para gerir listas de espera, o Estado contratualiza com o setor privado e social por resultados. Se o privado faz uma cirurgia mais barato e mais depressa que o hospital público, o Estado poupa dinheiro e o cidadão ganha saúde.
  • Ensino Dual e Financiamento por Aluno: O dinheiro segue o aluno. Isto obriga as escolas (públicas e privadas) a serem eficientes para atraírem financiamento.

Comparação de Impacto: Modelo Atual vs. Nova Reforma

Medida

Modelo Atual (Sufocante)

Nova Reforma (Desenvolvimento)

IRS Classe Média

Entre 25% e  45%

Fixado em 15%

Liquidez Mensal

Baixa (Estado retém muito)

Alta (Famílias decidem o gasto)

Investimento

Fugaz e dependente de subsídios

Estrutural e focado no capital

SNS

Monopólio estatal ineficiente

Sistema misto focado no utente



O Plano de Ação: O "Contrato de Confiança"

Aconselharia um plano a 4 anos, onde a descida dos impostos é feita de forma gradual mas irreversível:

  1. Ano 1: Redução imediata do IRS para a classe média e simplificação de escalões.
  2. Ano 2: Implementação do sistema de liberdade de escolha na Saúde (Vouchers/Cheques).
  3. Ano 3: Reforma da Administração Pública e eliminação de gastos supérfluos.
  4. Ano 4: Consolidação com a descida pontual do IVA para bens essenciais e energia.

Conclusão: O dinheiro para financiar isto vem de uma economia que respira. Atualmente, Portugal tenta tirar 40% de um bolo pequeno. O plano propõe tirar 15% de um bolo que, com estas medidas, crescerá exponencialmente. O equilíbrio vem do fim do desperdício estatal e da entrada de milhares de trabalhadores na economia formal que hoje fogem ao fisco por este ser "confiscatório".

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O sistema fiscal, a nível do IRS, manteria a progressividade, mas com uma lógica de "escada" muito mais suave e justa, evitando o chamado "salto para o abismo" que acontece hoje em Portugal.

No modelo que desenhámos, a progressividade funcionaria por fatias (ou escalões marginais). Isto significa que a taxa mais alta incide apenas sobre o valor que ultrapassa o limite, e não sobre o salário todo.

O Exemplo Prático: Um Salário de 3.500 € Brutos

Vamos ver como se dividiria o imposto para alguém que ganha 3.500 €:

  1. A 1.ª Fatia (Até 1.000 €): Paga 0%. (O Estado garante o mínimo de existência).

  2. A 2.ª Fatia (De 1.001 € até 3.000 €): Paga 15% sobre esses 2.000 €. ($2.000 \times 0,15 = 300$ €).

  3. A 3.ª Fatia (Acima de 3.000 €): Paga 30% sobre os 500 € restantes. ($500 \times 0,30 = 150$ €).

  • Total de IRS: 450 €.

  • Taxa Efetiva: 12,8%.

  • Líquido: 3.050 € (sem contar com Segurança Social).


Por que é que este modelo é superior ao atual?

1. Elimina o "Medo de Ganhar Mais"

Atualmente em Portugal, muitos profissionais recusam aumentos ou horas extras porque o salto de escalão é tão agressivo que o aumento bruto quase desaparece no imposto líquido. Com apenas 3 escalões largos, o esforço compensa sempre.

2. Protege a Classe Média (A "Zonal de Conforto")

A grande inovação aqui é o intervalo dos 15%. Ao esticar este escalão até aos 3.000 € ou 4.000 €, estamos a dizer que a classe média tem o direito de reter o fruto do seu trabalho. É aqui que se cria a liquidez que mencionaste: dinheiro para investir, poupar ou consumir sem sufoco.

3. Simplicidade e Transparência

Um sistema com 9 escalões (como o atual) é opaco. Quase ninguém sabe quanto vai pagar realmente. Um sistema de 3 fatias é previsível. A previsibilidade é o que atrai investidores e convence os talentos a ficar.


Como garantir que o Estado não entra em colapso?


Mencionaste a preocupação com o equilíbrio das contas. Para passar do sistema atual para este, o "segredo" está na eficiência da despesa:

  • Menos Benefícios Fiscais, Taxas Mais Baixas: O sistema atual é cheio de deduções complexas (faturas de oficina, ginásio, etc.). Na reforma, eliminaríamos essas "migalhas" burocráticas em troca de uma taxa base muito menor. O cidadão prefere ter o dinheiro logo no salário do que andar a mendigar deduções no final do ano.

  • Crescimento do PIB: Se a classe média tem mais 500 € ou 1.000 € por mês, esse dinheiro circula. O Estado recupera uma parte via IVA (consumo) e outra via IRC (lucro das empresas que vendem mais).

  • Atração de Não-Residentes: Portugal deixaria de precisar de "regimes especiais" para estrangeiros (que criam injustiça entre quem cá está e quem vem). Com uma taxa de topo de 30%, Portugal passaria a ser, naturalmente, um dos países mais competitivos da Europa para qualquer profissional qualificado, independentemente da nacionalidade.

O Impacto Psicológico

A maior mudança não é financeira, é moral. O cidadão deixa de sentir que o Estado é um sócio maioritário que não aparece para trabalhar. Passa a haver um sentido de justiça: "Eu contribuo com uma parte justa (15%), e o Estado deixa-me gerir o resto da minha vida."

segunda-feira, abril 13, 2026

Um domingo com árvores abatidas, com a feliz vitória da democracia e da liberdade europeia na Hungria, com o impasse na estúpida guerra que Trump desencadeou contra o Irão e com Israel a continuar a mostrar que é quem manda nos Estados Unidos

 


O domingo amanheceu muito cedo, cedo demais, e logo depois já se ouvia o barulho em contínuo da serra elétrica. Começaram a ser cortadas as árvores que tombaram ou que estão em vias disso na sequência da tumultuosa Kristin. Aliás, hoje ventava de tal forma que, sempre que passava sob as agitadas copas, me interrogava sobre a minha segurança e a de quem por ali andava a serrar os tão amados troncos. Mesmo os cedros e pinheiros que secaram, provavelmente por terem estado tanto tempo com as raízes encharcadas, também já começaram a ser abatidos. Onde havia árvores grandes e frondosas há agora espaço vazio e, ao olhar para esse espaço sem nada, sinto tristeza..

E ainda faltam as árvores maiores, os cedros gigantes, os que estavam dispostos em lugares estratégicos e que maiores dificuldades vão colocar ao seu abate e remoção. Temos mais uns fins de semana destes pela frente.

Tento colocar o coração ao alto. Os paisagistas que cá estiveram foram consensuais: nesta terra pedregosa mais vale contentar-nos com árvores autóctones do que alimentar o sonho de ter belas árvores que, aqui, serão sempre vulneráveis. Os cedros gigantes enraízam superficialmente, sobretudo em terrenos pedregosos. Por isso, quando estão muito grandes, se o vendo os faz flectir, por pouco que seja, o seu centro de gravidade não é sustentado por um enraizamento profundo. E tombam, levantando por completo as raízes. Com os pinheiros não é a mesma coisa, creio que, por um lado, é o mal que lhes dá. Ou a vulnerabilidade face ao excesso de água. Não sei. Não caíram, simplesmente secaram. Mas isso aconteceu sobretudo com os bravos. Os pinheiros mansos estão bem e os outros, de que não consigo lembrar-me do nome, também.

E as azinheiras e as aroeiras e as figueiras bem estão. Portanto, festejo o que está bem e tento aceitar com naturalidade que o ciclo de vida das outras chegou ao fim.

E, como esteve muito frio, estive mais tempo dentro de casa. E até fiz um chá e tudo. Só não acendemos a lareira porque, afinal, psicologicamente já nos estávamos a sintonizar com uma primavera quente. Este retrocesso climático não deverá levar-nos ao saudosismo da lareira.

Além disso, a madeira dos cedros e dos pinheiros não é boa para as lareiras, tem resina de mais.

Enfim, adiante.

Sobre o que por aí se vai passando um ou dois apontamentos:

Hungria

A derrota de Orbán é uma boa notícia para a União Europeia, para a Ucrânia, para a democracia. Ouvir uma multidão, em festa, a aplaudir Péter Magyar e a gritar a uma só voz Europa, Europa, é qualquer coisa de emocionante. A Europa é o berço, o refúgio, o chão e o tecto de quem, por estas nossas bandas, defende a democracia, o humanismo, o desenvolvimento, a liberdade, o Estado de Direito, a paz, a ética, a verdade. Que a Europa, livre e democrática, nos acolha, nos abrace, nos defenda, nos ampare.

Ao mesmo tempo, a derrota de Orbán é uma derrota para Putin, para Trump e para o oportunista e vira-casacos J. D. Vance, é uma derrota para Ventura e para todos os populistas de extrema direita que têm vindo a pulular na Europa à garupa do que julgavam ser a tendência vencedora Trump/Órban.

A caguada quase galáctica armada pelo idiota do Trump

 (nb: caguada com u para não ser um nome feio)

Ele não quer que se lhe chame guerra pois, para ser guerra, tinha que ter sido aprovada pelo Congresso. Como vai muito para além de uma operação especial ou de uma pequena excursão, como ele se lhe refere, prefiro chamar o que é, uma caguada em três actos.

O burro meteu-se nesta alhada, a reboque do outro que o tem na mão, e agora não tem como sair. Ele bem quer pirar-se de qualquer maneira, deixar tudo ensarilhado, e, como se fossemos todos tão burros e malucos como ele, dizer que ganhou. Só que o outro, o que o tem na mão, diz que espera lá aí: não sais, não senhor. E, para provar que não sai, não senhor, continua a bombardear tudo e mais alguma coisa, sobretudo o sacrificado Líbano, mesmo enquanto duram umas pretensas negociações com o Irão.

Para essas negociações, enquanto para representar o Irão, foi um grupo de homens feitos, com formação e experiência, para representar os Estados Unidos foi a tropinha fandanga do costume, a saber: o sinistro genro, o tipo de imobiliário e o totó do J.D. Vance. Enquanto para negociações similares em circunstâncias muito menos limites, outros levam meses ou anos, mas, vá lá, dada a urgência, no mínimo semanas, aqui julgavam que iam conseguir chegar a acordo em 21 horas. Como não conseguiram, vieram-se embora. E o paspalhão-mor, o doente Trump, ameaçou bloquear o bloqueado Estreito de Ormuz que, antes da monumental caguada, estava aberto. Uma tragicomédia que vai paa lá de ópera-bufa, mais parece um teatreco desconchavado engendrado por malucos internados num hospício para dementes encartados.

Qualquer dia nem é uma questão de ninguém conseguir pagar o combustível, é mesmo que não há. Escassez pura e dura.

Não se sabe qual a saída para isto. Airosa não há, mas mesmo que pouco airosa, não se vislumbra.

No meio disto, a esfíngica Melania veio fazer aquela conferência solene que, até hoje, ninguém conseguiu descodificar. Dizem que  uma ex-amiga dela, dos tempos de Epstein, ex-mulher de um grande amigo e apoiante de Trump, ameaçou pôr a boca no trombone e fazer revelações que vão mostrar o que é a verdadeira escumalha, e que, para se antecipar e mostrar que a escumalha não é ela mas, sim, o pato cor de laranja, Melania se antecipou. Mas há também quem diga que foi a Melania que já não pode com o marido e resolveu apertá-lo onde a ele lhe dói mais. Mas também há quem diga que foi Israel, que tem o casal na mão, que a obrigou a ela a ir pregar um susto ao marido para ele perceber que Israel é que manda e que, se ele quiser agora mijar fora do penico, ai ai, que eles pegam no material incriminatório que têm e o põem na prisão em três tempos. Who hnows...?

Um dia, presumo que não longínquo, teremos documentários, dramas e comédias sobre este período rocambolesco da história do mundo. E, muito provavelmente, em todos teremos o venal e idiota Trump retratado como estando simultaneamente nas mãos da Rússia, da China, de Israel e de Melania. Todos com material mais que suficiente para o chantagearem e o levarem a fazer todas as borradas a que vamos assistindo. Claro que tudo devidamente condimentado com o seu narcisismo e a sua demência. Ou seja, um filme.

Seja como for, por crime grosso de envolvimento com menores ou por desencadear uma guerra não autorizada, ou por estar a dar cabo da vida dos americanos ou por muitos outros motivos, parece que reina a agitação entre os republicanos. Preveem que não tarda se vão ver livres dele e já anda cada um para seu lado a ver se se organiza face ao tão esperado day after. Uns andam a arranjar maneira de o tirar rapidamente da Casa Branca, outros aguardam que a solução chegue por outra via: como vaticina um médico americano, esperam que um dia destes ele se engasgue de vez com um hamburguer ou, então, cometa um erro tão grave, tão grave, que tenham que interná-lo à força.

Eu, por mim, só mais modesta, gostava mesmo é que o mundo voltasse a ser como o era nos tempos em que a Rússia ainda não tinha invadido a Ucrânia, que Israel ainda não tinha destruído Gaza e agora o Líbano, em que Trump não tinha tido a sua 2ª e inexplicável vitória. Será que é pedir muito?

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Amanda Ungaro ameaça expor as ligações ocultas de Melania Trump nos arquivos de Epstein

A modelo brasileira Amanda Ungaro ganhou destaque nos media internacionais depois de alegadamente ter ameaçado "expor" informações relacionadas com Melania Trump, na sequência da negação pública da modelo de qualquer ligação a Jeffrey Epstein.

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Desejo-vos uma boa semana

terça-feira, março 31, 2026

Todos os dias uma novidade... e cada uma mais maluca que a anterior...

 

Não estou obcecada, estou é preocupada. Os preços a dispararem, e não se sabe até que níveis, e não se sabe se não vai haver mesmo escassez, os juros a subirem, muita gente com a corda na garganta... e sem perspectivas de até quando e sem se conseguir antever o nível de gravidade que tudo isto pode atingir.

Não me parece razoável que alguém se mantenha alheado do que está a passar-se.

Imagine-se que os jovens que Trump quer enviar não se percebe para quê, se para ocupar a ilha de Kharg se para lá ir roubar petróleo (e qualquer das situações se traduzirá numa matança), são da nossa família, os nossos filhos, os nossos netos. Gostaríamos que, à nossa volta, as pessoas se mantivessem indiferentes? 

E o grave não serão apenas os mortos: será a violência dos ataques seguintes e as consequências cada vez mais brutais.

E isto seria mau se fosse o plano de um estratega, de um imperialista racional. Agora imagine-se o que é isto nas mãos de um maluco que devia estar internado.

Hoje soube que os briefings diários de Trump, levados a cabo pelos militares constam de vídeos de cerca de dois minutos em que, basicamente, se vêm coisas a irem pelos ares.

E ele, ao ver aquela 'fúria épica', delira e fica furioso por a comunicação social não se fazer eco de tantos feitos.

Hoje também ouvi um editor do Finantial Times falou com ele ao telefone e que ele lhe perguntou se devia invadir a ilha ou ficar-lhes com o petróleo. O jornalista disse que não lhe competia a ele dizer mas que achava que não ia ser fácil, ao que Trump respondeu que não, que ia ser fácil. Assim, toma aquele maluca as decisões.

Uma loucura.

As autoridades norte-americanas dizem que Trump recebe informações sobre a guerra com o Irão através de montagens de vídeos de ataques

Três responsáveis ​​norte-americanos em funções e um antigo funcionário afirmam que as Forças Armadas dos EUA compilam montagens de vídeo de ataques a alvos iranianos para apresentar ao presidente Donald Trump. Courtney Kube, da NBC News, relata como estes vídeos preocupam alguns aliados de Trump, que temem que este não esteja a receber uma visão completa da operação.

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Trump admite secretamente que seu principal capanga 'é louco' | Dentro da cabeça de Trump

Michael Wolff e Joanna Coles exploram um período caótico em que os impulsos de Donald Trump colidem com consequências globais, revelando um presidente movido menos por estratégia e mais por instinto, ego e controle da narrativa. Desde contradizer abertamente sua própria posição sobre o voto por correspondência até colocar seu nome na nota de dólar, Wolff e Coles identificam um padrão de comportamento que prioriza domínio e atenção em vez de consistência.

À medida que a guerra com o Irão entra em uma fase volátil sem um objetivo claro, Wolff argumenta que nunca houve um plano real — apenas improvisação que agora se transforma em risco — enquanto Coles investiga se existe uma lógica oculta nos bastidores ou apenas confusão disfarçada de bravata.

A conversa se aprofunda na dependência de Trump em contar histórias para sobreviver a danos políticos, sua fixação em ressentimentos com a aproximação das eleições de meio de mandato e as fissuras crescentes em seu círculo íntimo, desde a instabilidade de RFK Jr. até dúvidas crescentes sobre figuras-chave responsáveis por executar políticas.

domingo, março 22, 2026

A crise tramada em que ainda estamos só a entrar.
Os meus meninos e a política.
E, para desanuviar, pastéis de massa tenra e gelados.

 


Não é obsessão, é verdadeira preocupação. Não dá para assobiar para o lado. Pode ser-se muito optimista e pensar que é lá longe ou que um dia destes o maluco recua. Mas nada disto elimina os riscos graves que todos corremos.

Com um doido varrido, narcisista maligno e demente, ao comando na nação mais poderosa do mundo, rodeado de nacionalistas que aliam um belicismo exacerbado a um espírito doentia e deturpadamente religioso, de ignorantes, de gente que luta pela sobrevivência (pois sabem que, mal sejam apeados, serão presos), ninguém está seguro. Poderia pensar-se 'coitados dos americanos' ou 'votaram nele, agora amanhem-se'. Mas não é uma visão correcta pois, como se vê, o mal que ele faz é extensivo a todo o mundo.

Os combustíveis vão continuar a subir e poderão tornar-se proibitivos, especialmente para quem não usa viatura de empresa e tem que os pagar do seu bolso. Acredito que possam até vir a ser rateados. O impacto que isso vai ter nas nossas vidas vai ser enorme. Em Espanha, muito correctamente, já está a ser recomendado o regresso ao teletrabalho, o incremento do uso do transporte público, o conselho para evitar viagens desnecessárias.  E isto afecta a sociedade em cadeia de uma maneira de que não consigo perspectivar o limite inferior.

Ao mesmo tempo que Trump dá sinais de que quer retirar, aumenta o número de tropas a caminho (e o uso da base das Lages...), aumentam os bombardeamentos, destroem instalações críticas -- e as retaliações iranianas não se ficam atrás. Ou seja, é o caos. E se do caos tranquilo nasce frequentemente a beleza e a criatividade, quando é um caos destrutivo é difícil ver se pode sair algo de bom.

Aqueles países agora tocados por esta guerra absurda dependem, para sobreviverem, de muita coisa que lhes é externa mas também, como todos nós, de água. E grande parte da sua água resulta de dessalinização. Uma central já foi atacada. Um primeiro aviso. Se várias o forem, a crise escalará para outros patamares. E nem quero pensar com que consequências.

Especula-se (e, por enquanto, este é o verbo que quero usar) que, com toda a escassez de combustíveis e consequente aumento de preços,  os juros começarão a subir. Ao subirem, sobem as prestações ao banco de quem está a pagar casa. E isso apertará ainda mais o garrote a muito boa gente. Mas subirá para muito mais que essas pessoas pois todas as empresas e todos os países têm dívidas e, portanto, o impacto será generalizado.

Não sei se há uma saída possível para isto. Se Trump saísse de cena (mas não é provável que saia, pelo menos no curto prazo) e se, em vez dele, houvesse um tipo inteligente e decente, talvez pudesse reunir-se com a China, talvez conseguissem pôr o Putin a bordo (idealmente, alguém mais decente e menos criminoso que Putin), talvez fizessem a delicadeza de contar com o contributo da Europa -- e talvez conseguissem pôr-se de acordo em que já é tempo de pensar em destruição e morte e começar a pensar em paz, no futuro, nas crianças e no mundo que lhes queremos deixar. Mas isto sou eu a efabular, sou eu a querer ter pensamentos positivos

E, muito sinceramente, não estou a consegui-los ter. Parece que o mundo está a ser sugado pela vertiginosa demência e malvadez de uns quantos homens possuídos pelo diabo. Netanyahu é um criminoso insaciável. É como Putin. Não há compaixão, não há misericórdia nesses dois seres viciosos, sanguinários. Matam crianças, famílias inteiras, destroem-lhes as casas, aniquilam-lhes o futuro, fazem com que toda a gente viva apavorada, sem perspectivas, entre mortos e ruínas. E não se condoem.

Poderia acabar-se-lhes o dinheiro, não conseguirem suportar a pesadíssima factura da guera. Mas com esta crise, o Putin fica a rir-se e a facturar. E de onde vem o dinheiro de Israel? Há anos a bombardear tudo e mais alguma coisa... Sabendo-se que o armamento e munições são dispendiosíssimos, de onde lhes vem todo esse capital? São frentes de guerra em simultâneo e em força: Gaza, Líbano, Irão. Não percebo. Têm de tal maneira os Estados Unidos na mão que é de lá que o dinheiro vem? Dívida? Mas estão a financiar-se onde? (Se não fosse tão tarde, tentaria agora pesquisar. Follow the money. Mas daqui a nada são três da manhã, já tenho sono). O dinheiro em Israel parece vir de um poço sem fundo. E um poço sem fundo de dinheiro nas mãos de um regime facínora, com uma apetência insaciável pela destruição alheia e pela ambição desmedida, é um grande, grande e dramático, problema.

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Mas adiante. Não quero contagiar-vos com o que a mim me atormenta.

O meu dia foi muito bom. Tive cá a almoçar os meus rapazes crescidos, desportistas, cheios de apetite e boa disposição. Um deles contou que na preparação física lá no clube onde é guarda-redes levanta 90 kg. Usou uma palavra que não identifiquei. Traduziu: com agachamento. Nem consigo imaginar... 90 kg...? Vai fazer 15 anos. Desde pequeno que é todo dado ao desporto, ágil, habilidoso. O mano mais velho, também guarda-redes, está a pensar começar também a praticar box. Outro dos rapazes, igualmente guarda-redes, agora mudou-se para futsal. O mais novo também já lá andava. E a menina agora faz vólei. No outro dia vi imagens da equipa, um grupo de miúdas giras, divertidas. Tudo gente dada ao desporto. Fico contente.

E estivemos também a fazer o teste dos partidos. Já no outro dia, um dos meninos, um que percebe e gosta de política, o tinha feito. Não se pode dizer que tenhamos que atribuir um grande significado aos resultados pois, com a tenra idade dele, muitos conceitos não estão ainda bem compreendidos nem saberá avaliar correctamente as implicações das opções que se tomam. Mas tenho ideia que lhe deu AD, creio que logo seguida do PS. Fiquei surpreendida. Os dois que hoje o fizeram, sem surpresa a um deu-lhe a AD, logo seguida do Chega e da IL, e a outro o PS. Ao mais velho, o segundo lugar do Chega deve-se ao tema da imigração. Faz-lhe impressão a quantidade de imigrantes que, segundo ele, parecem ter tomado de assalto a Baixa, acha que isso é sinónimo de entrada desregulada de imigração. O irmão perguntou-lhe se lhe faria a mesma impressão se fossem ingleses ou alemães. Gostei da pergunta. Gosto muito de os ouvir discutir estes assuntos, gosto que se interessem por política. O mais velho, 17 anos, prestes a entrar na universidade, preocupa-se que não venha a ter um salário que lhe permita ter a sua casa, a sua família, os seus filhos. É a sua grande preocupação. E imagina que as políticas liberais serão a resposta a isso. E imagina isso porque diz que se as políticas que têm vigorado nas últimas décadas -- e que cola às políticas socialistas -- deram o resultado actual (salários baixos, dificuldade em ter casa, natalidade reduzida), então há que mudar. Compreendo o seu ponto de vista.

Há muita literacia política a levar a cabo junto da juventude. E há que perceber as preocupações e os ensejos dos jovens. Os partidos democráticos deveriam, de forma muito honesta e sensata, apresentar perspectivas e soluções que vão ao seu encontro.

Depois, já para o fim da tardinha, fui comer o meu belo geladinho de gianduja e cheesecake. Quando peco, peco a sério, duas bolas a preceito. Pelo-me pelos melhores gelados de Lisboa e arredores (já devo ter dito mil vezes mas não me canso de os louvar: Casa do Gelado, Avenida de Roma). E passeámos por lá, pela avenida e adjacências, e, antes,  pelo parque do Campo Grande e, apesar de serem lugares que conheço muito bem, que frequentámos assiduamente durante uma parte significativa da nossa vida, senti-me como me sinto sempre: uma turista à descoberta.

E, claro, não poderíamos regressar a casa sem uns pastéis de massa tenra do Frutalmeidas para o jantar (e, note-se: não sou parte interessada nos lucros nem daqui nem dos gelados, sou apenas cliente satisfeita). Claro que tudo isto tem um senão: o estacionamento. Cada vez mais difícil. Carros, carros, carros. Voltas e mais voltas para descobrir onde largar o carro.

Dependemos totalmente dos carros, eu e toda a gente. Até por esta dependência, a crise dos combustíveis em que estamos ainda só a entrar é um problema que deve ser levado muito a sério, que deveria estar já a merecer atenção e medidas como em Espanha. E é tão a sério que até volto a trazê-lo à conversa, aqui, na despedida, entre pastéis de massa tenra e gelados.

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Nas imagens, geradas através de Inteligência Artificial, procuro trazer sempre o motivo da paz [ao mesmo tempo que evoco alguns pintores (Geogia O'Keeffe, Paul Klee, Matisse, Mondrian, Kandinsky)].

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Desejo-vos um belo dia de domingo

quarta-feira, fevereiro 11, 2026

Montenegro - o estado a que a Saúde chegou, o artigo do Gouveia e Melo, as duas MAI que já lá vão e os atrasos no cumprimento das promessas do Luís
-- De novo, a palavra ao meu marido --

 

Saiu hoje um relatório da ACSS (Administração Central do Sistema de Saúde) sobre a atividade do SNS em 2025. 

Era difícil um governo conseguir piores resultados, a saber: a despesa aumentou, o número de profissionais contratados aumentou mas os resultados clínicos e os acessos ao SNS pioraram. 

Em concreto, verificou-se um aumento de 13% nos gastos operacionais (15.750 milhões de euros) e um reforço de recursos humanos, contudo, registou-se uma diminuição de 0,7% nas cirurgias (884.062) e uma queda na atividade dos cuidados primários, com mais de 1.000.000 de utentes a aguardar consultas e 264 mil esperavam por cirurgia no final de 2025. A nível preventivo o panorama é igualmente preocupante: verificou-se uma quebra de 10,3% nos rastreios do cancro da mama  O número de queixas dos utentes também aumentou, tendo diminuído a confiança dos utentes no sistema: 54,62% das queixas focam-se na falta de qualidade do atendimento clínico, apontando para uma “degradação humana e técnica” com a consequente erosão da confiança. 

Se o objetivo do governo é dar cabo do SNS parece que já está a conseguir. E não é apenas uma questão da Ministra da Saúde ser incompetentíssima. É o Montenegro que não tem capacidade de definir políticas globais para os vários setores nem capacidade para definir formas de atingir objetivos sendo, também ele, manifestamente incompetente. 

E o que me choca mais é que este relatório apenas traduz numericamente o que todos, o País inteiro, tem vindo a constatar ao longo dos meses: a degradação da Saúde em Portugal às mãos da ministra e de Montenegro. E volto a recordar que justamente a Saúde foi uma das bandeiras eleitorais da AD. Apregoou que ia resolver tudo num abrir e fechar de olhos. E o que aconteceu foi o oposto: yudo piorou. Um a um, correu com toda a estrutura de gestão dos serviços e hospitais, mesmo com os gestores manifestamente competentes, substituindo-os por carreiristas do PSD. Perante queixas, crises e mortes, Montenegro preferiu olhar para o próprio umbigo. É que o que os números deste relatório traduzem não é uma abstração: traduzem o sofrimento dos que esperam horas a fio nas urgências, dos que esperam meses a fio por uma consulta ou por uma cirurgia, dos que esperam horas a fio por uma ambulância, das que andam em bolandas, de um lado para o outro, até que apareça uma Urgência aberta para poderem ter um filho. Uma lástima.

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O Gouveia e Melo escreveu um artigo no Público que causou alarido, tendo demonstrado de A a Z a incompetência do governo na gestão da catástrofe recente. Embora não tenha dito senão o que todos temos constatado, sistematizou bem o problema: o governo falhou no planeamento, na comunicação,  na cadeia de comando, na logística e  na organização -- enfim, tudo correu mal. Concordo.

Não é uma novidade que este PM e este governo não têm capacidade para gerir crises e ainda por cima não têm a humildade suficiente para aprender com quem sabe mais. Dizem que só os burros não aprendem!

Entretanto, a MAI demitiu-se. Não tinha outro caminho pela frente senão o da porta da saída. Contudo, aqui também não se pode atribuir a responsabilidade a uma senhora que manifestamente não tinha competências e perfil para a função. A responsabilidade de um erro de casting não é de quem é escolhido mas de quem não sabe fazer escolhas. Aliás, já é a segunda ministra da Administração Interna que Montenegro queima. Um bom líder tem que saber fazer escolhas e o Luís manifestamente não sabe. 

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É certo que as tempestades extremas e as consequências devastadoras dificilmente se conseguem travar. Mas tem que haver quem saiba responder às emergências. 

O PM, que já demonstrou várias vezes que não tem jeito ou capacidade para enfrentar problemas complexos, quando se vê apertado pensa que resolve tudo fazendo grandes promessas. Mas depois, na prática, as coisas não acontecem. Sessenta e três por cento das pessoas que deviam receber os subsídios prometidos devido aos incêndios de Agosto ainda não receberam o respetivo subsídio. Mais outra coisa que correu muito mal.

Havendo cada vez mais emergências desta natureza (violentos vendavais, chuvas intensas ou, por outro lado, secas prolongadas e grandes incêndios) seria importante termos um governo capaz, com gente séria, competente, experiente e com humildade para corrigir os erros e para aprender com quem sabe. Mas não temos.

quarta-feira, julho 16, 2025

Sobre a demolição de barracas

 

Vi, estarrecida, imagens horríveis de barracas a serem destruídas sem que qualquer solução fosse apresentada aos seus habitantes e destruído ficou o meu coração ao pensar na aflição daquelas pessoas. 

Fotografia de José Fonseca Fernandes

Hoje disse aos meus netos que se me saísse muito dinheiro no euromilhões, pegaria em parte do dinheiro e estudaria em conjunto com algumas das autarquias em que o drama é maior qual a forma mais expedita de dar casas com conforto e dignidade às pessoas que vivem em condições miseráveis.

Custa-me conceber que, por exemplo, se arranje dinheiro a rodos para a Defesa ou dinheiro para jorrar sobre os médicos do SNS (médicos ditos 'tarefeiros' num daqueles expedientes para fugirem ao fisco e a todo o tipo de controlo -- enquanto estupidamente se continua sem se perceber que o tema da Saúde tem que ser 'agarrado' a sério por gente competente) ou dinheiro aos montes para fazer cartazes que poluem as estradas e as rotundas de cada vez que há eleições ou, nas autarquias, dinheiro a perder de vista com assessores e parasitas partidários e, depois, não há dinheiro para encontrar uma solução para estes pobres coitados que não conseguem um tecto seguro e legal para se acolherem.

Não há muito vi fotografias de um parque de campismo gigantesco na Costa da Caparica. Não parecem tendas, parecem casinhas, ou tendas de campanha, não sei bem, todas iguais. Disseram-me que muitas pessoas vivem ali todo o ano. Perguntei se não poderia ser uma solução para instalar com um mínimo de conforto e dignidade as pessoas que hoje vivem em bairros clandestinos. Responderam que o problema destas soluções é que, em vez de provisórias, soluções assim tendem a ser definitivas. Claro que não sei qual a melhor solução mas parece-me que qualquer solução é melhor do que a indiferença perante a aflição de quem não tem onde viver, de quem não tem uma morada, de quem não tem onde se lavar ou de quem não tem um mínimo de condições decentes para ter filhos.

Não sei se o PRR previu verbas para alojar as muitas pessoas que, tantas vezes vindas de longe, tantas vezes completamente desenraizadas, desaculturadas, vulneráveis, e, ainda assim, trabalhadoras, não têm outra solução senão juntas chapas, cartões e o que encontram para fazer um abrigo mais do que frágil, mais do que impróprio para um ser humano. Se previu, previu pouco e virá tarde de mais. Se não previu, os irresponsáveis que não pensaram nisso deveriam ser corridos.

Há tempos vi uma reportagem com prédios devolutos que pertencem ás Forças Armadas. De que se está à espera para lá instalar pessoas? E quem diz isso diz muitas outras casas do Estado. Ou da Igreja. 

Marcelo, que tanto falava dos sem-abrigo, já se esqueceu? Ou só se lembra quando as televisões o filmam a distribuir a sopa dos pobres? Quanta hipocrisia.

E já nem falo no cagalhoças do Moedas, essa anedota que para aí anda a armar-se em bom. Mete-me nervos de cada vez que o vejo: um saquito cheio de nada, um daqueles sacos pequenos para apanhar o cocó de cão. Obra feita, zero. Real sensibilidade e capacidade de acção para o que é preciso, zero. Só conversa fiada, só, só.

E o de Loures, com aquela vereadora, insensível, empedernida, gente desalmada, que nervos que também me dão. Caraças.

Enfim. Fico-me por aqui. Sinto-me verdadeiramente impotente perante a desgraça desta pobre gente que precisa urgentemente de habitação social. Estão a trabalhar para nós. Não podemos ignorá-los nem deixar que vivam como animais. Neste caso o tema não é o arrendamento acessível nem sem ser acessível pois estamos a falar de pessoas que primeiro precisam de se organizar, de se estabelecerem decentemente, só depois se pensa em como poderão pagar alguma coisa -- neste caso o tema é mesmo alojamento social, urgente, dar tecto e meios de higiene, dar uma morada e uma ajuda àquelas pessoas, permitir que sejam cidadãos de pleno direito.

domingo, março 30, 2025

Montenegro & Hugo Soares, Unlimited
Farinha do mesmo saco...? Os outros que paguem impostos...?
-- A palavra ao meu marido --


Agora veio a saber-se que há uma investigação do MP (curiosamente, provavelmente, a única investigação que até agora se manteve em segredo de justiça) sobre as atividades da sociedade de advogados do Montenegro, incluindo um parecer assinado pelo Luís sobre a maior obra pública da CM de Espinho quando presidida pelo um militante do PSD agora a ser julgado por várias acusações. O Montenegro terá assinado pelo menos um parecer que contraria a opinião dos técnicos da Câmara e favorece a empresa que fez a obra para a Câmara de Espinho e que, por sinal, forneceu o betão para a sua luxuosa casa de 6 andares em Espinho. Há coincidências do caraças. 

Pelo que a Comunicação Social tem vindo a desvendar, no percurso do Montenegro existem demasiadas "coincidências do caraças". Aparentemente, são tantas que ele não consegue explicá-las. Não consegue ou não pode... 

Os que ainda não perceberam como atua o Montenegro e ainda o apoiam deveriam reflectir nisso..

Entretanto, soube-se ontem que o Hugo Soares, que é um verdadeiro grunho que chama nomes a tudo e a todos na AR revelando uma enorme falta de educação, também tem uma empresa imobiliária e de consultoria na qual é o único empregado, que faz negócios assaz interessantes/proveitosos com a venda de imóveis, um deles curiosamente envolvendo a família do gasolineiro que faz adjudicações "curiosas" ao Montenegro e cuja nora trabalha para a Spinunviva. Também aqui seria relevante que fosse feita uma auditoria à contabilidade desta 'empresa' para verificar se não será mais uma empresa que serve para pagar muito menos impostos e onde estão contabilizados despesas pessoais do Hugo e família. 

Soube-se também que o homem recebe uma avença mensal de 14.000 Euros (o Montenegro parece que no total recebia 15.000). Como é possível? Das duas uma: ou não faz nada como líder parlamentar do PSD e só trabalha "por fora" para conseguir ganhar os 14.000 ou não faz nada na "empresa pessoal" e recebe este dinheiro vá lá imaginar-se porquê e para quê.

Não esqueçamos que o Hugo Soares teve a lata de se dirigir aos deputados do Chega exortando-os, com uma veemência bastante vocal, a dizerem quantos detinham empresas imobiliárias.

Montenegro e Hugo, a hipocrisia e a mentira têm limites. Não vale tudo e ser político implica um comportamento que não têm. São trumpistas em toda a linha: negam verdades evidentes, acham que  a melhor defesa é o ataque e marimbam-se para os outros.

Evidentemente, devem ser corridos. Espero que os eleitores tenham a perspicácia necessária para não se deixarem levar e verem como é de facto a conduta destes tipos.

segunda-feira, março 17, 2025

O que pensa o Montenegro depois de, semanalmente, se ver demolido no 'Isto é gozar com quem trabalha'?
Não percebe que virou motivo de chacota nacional? Não percebe que está a enterrar o PSD? Não percebe que está a dar argumentos ao Chega? Não percebe que está a fazer mal à democracia e ao País?
Pergunto.

 

Numa situação destas, qualquer pessoa de bem, decente, com dois dedos de testa, apresentaria a demissão.

Não é o caso do pintas do Montenegro, sempre de sorrisinho pimpão: por aí anda como se não fosse nada com ele.

E a carneirada laranja acompanha-o, papagueando disparates atrás de disparates. Parece que não percebem o que está a acontecer.

Que impressão que isto me faz. 

domingo, março 16, 2025

O Chicão cresceu! Tenho gostado de ouvir o Francisco Rodrigues dos Santos, ex-líder do CDS, nas noites da CNN.

 

Há uns anos era ainda muito verdinho, ainda pouco conseguia impor as suas ideias. Mas agora não, agora está mais maduro, tem as ideias mais arrumadas. E fala bem, tem verve, usa um vocabulário interessante.

As trocas de ideias com Pedro Costa (PS) são sempre bem dispostas, educadas, elegantes.

Ouço-os de gosto. A política pode ser um exercício civilizado.

sábado, março 15, 2025

Alguém consegue explicar porque é que ao grande Rangel deu a pica no day after?
Ao Rangel e, pelos vistos, ao Montenegro e, provavelmente, a todo o ex-Governo

 

Depois de a malta do Governo andar a baldar-se a reuniões europeias da maior relevância -- como as realizadas recentemente sobre o rearmamento da Europa ou sobre a guerra da Ucrânia (fosse para Montenegro ir jogar golf com o amigo Violas ou por outras razões lá deles) --, eis que, depois o mesmo ir abaixo, o Rangel resolveu armar-se em não sei o quê e apresentar-se em Kiev. Nem sei o que me faz lembrar. Vê-lo por ali a fazer não se sabe bem o quê só me constrange. É como se um noivo, depois de a noiva o ter rejeitado no dia do casamento, a seguir, todo lampeiro, se apresentasse para ir gozar a lua de mel. Figuras tristes.

É como a malta do Governo ter frequentado um curso sobre Transparência no dia a seguir ao governo ter caído por não merecer a confiança do Parlamento (por, justamente, o Montenegro ser tudo menos transparente ou confiável).

Falta de noção. Cenas muito macacas.

E, que nem de propósito, depois de eu, ontem, a propósito das dúvidas que, há uns meses, se levantaram sobre benefícios fiscais potencialmente indevidos por parte do Montenegro (quando fez aquela sua casa à beira da praia, com seis andares, seis casas de banho, elevador interior), ter referido a falta de transparência dele quando, num daqueles números em que é exímio, se tinha apresentado com um dossier cheio de papéis, hoje leio que, na realidade, não forneceu as facturas à PJ... Um artista. 

Muito transparente, de facto.

E li e ouvi também que a Câmara de Lisboa travou vistoria às obras nas casas de Montenegro em Lisboa, aparentemente feitas sem licenciamento (quando são obras que mexem com a estrutura do edifício ao abrir um buraco na placa de divisão entre pisos). Tudo situações muito transparentes...

[Não costumo ser cusca mas ainda hoje, ao ouvir comentar que ele deve ter uma grande fortuna para ter feito aquela casa exorbitante em Espinho e pouco depois ter comprado a pronto dois apartamentos no centro de Lisboa, fiquei curiosa sobre a sua declaração patrimonial]

O que é bizarro é vê-lo por aí, todo pimpão, com aquele sorrisinho cínico, como se os portugueses todos não olhassem para ele como o chico-esperto, o flausino, o habilidoso.

O trumpismo é uma virose que atravessa fronteiras e que contagia as pessoas mais vulneráveis, mais permeáveis à falta de vergonha.

sexta-feira, março 14, 2025

Sobre o beco ético

 

Marcelo não queria eleições, claro. Vai acabar coroado de dissoluções e de ingovernabilidades. Mas não pensou nisso quando dissolveu a Assembleia quando havia uma maioria absoluta. Tivesse ele aceitado Centeno como Primeiro-Ministro e não estaríamos onde estamos.

Mas, enfim, leite derramado.

Também achou uma burrice sem tamanho (burrice ou cavalice, como se queira chamar) o Mentenegro ter avançado com a Moção de Confiança. Mas não foi ele que andou com o Mentenegro ao colo até o pôr lá? Claro que depois percebeu que tinha feito mal, que o Luís não é flor que se cheire. Mas tarde demais.

Agora, na comunicação ao País, tentou alertar o País para que se o Parlamento tinha mostrado que não confiava no Primeiro-Ministro, não era colocando o Luís outra vez na berlinda que o problema ficaria resolvido. Como muito bem disse, quando se perde a confiança e quando o que paira é uma dúvida ética, nada a fazer. A mácula está e estará lá.

As notícias sucedem-se, todos os dias um jornal traz uma notícia nova e a conclusão vai sempre desembocar no beco ético a que Marcelo se referiu: Mentenegro é o típico videirinho, pequeno chico-esperto, daqueles que pensa que sabe como fazer para passar por entre os pingos da chuva, que sabe como usar as meias palavras  para que, quando vierem dizer que mentiu, ele  dizer que os outros é que não perceberam bem. 

Vai acabar mal, claro que vai. E não estou a rogar praga nem a fazer futurologia. Estou apenas a ser racional. Trabalhei parte da minha vida em modelos, frequentemente modelos previsionais, modelos que tinham por base estatísticas e probabilidades. Quando a informação chega até mim, mentalmente estabeleço correlações, vejo padrões, analiso desvios... percebo onde é que a coisa vai dar.

Um indício é coisa pouca. Da mesma forma que com dois pontos se traça uma recta, dois indícios já são qualquer coisa, já desenham uma linha de pensamento ou de actuação. E se com três pontos já se traça um plano, com três indícios o esquema começa a perceber-se. A partir de quatro pontos passamos para outras dimensões e o mesmo se passa com quatro ou mais indícios.

E depois há outra coisa: o que é verdadeiro, explica-se facilmente. Quando há mil explicações e quase todas, para parecerem muitas, já não são senão palha, a gente começa a perceber que alguma coisa está a querer ser ocultada. Se eu quiser mostrar as obras que fiz na minha casa, dou uma explicação clara e concreta. Se eu quiser ocultar, apareço com um dossier enorme cheio de papéis que, obviamente, numa conferência de imprensa vai ler. Só uma auditoria experiente, capacitada para perceber de construção e de contabilidade e de legislação consegue entender. Da mesma forma, se eu quiser explicar o que faz uma empresa minha, chego lá e explico: fazemos isto e aquilo, temos x clientes que são estes e estes, o que fazemos para cada um é isto e aquilo, facturamos tanto e tanto, a nossa estrutura de custos é esta, as contas de exploração e o balanço são estes. Tudo simples e clarinho. Mas, se eu quiser lançar a confusão, vou dizer que tenho um terreno com não sei quantos metros quadrados, com duas oliveiras e mais outro que se situa em Rabal e que tem isto e aquilo. E se eu quiser falar da minha idoneidade e da minha moral, vou para a frente das câmaras e sozinha, sem uma corte atrás, explico tudo direitinho, não vou dizer que montei uma empresa com uma estrutura, quando toda a gente sabe que uma empresa que faz consultoria jurídica não se monta com uma educadora de infância e dois filhos adolescentes, mesmo que um deles tenha jeito para a informática. E se eu fizer obras em casa, furando a placa, para transformar dois andares num duplex, não vou dizer que fiz o que tinha que ser feito, quando afinal parece que disse que eram obras interiores que não careciam de licença e não disse que ia mexer na estrutura do edifício. E falam os jornais também nas contas dos dinheiros que não batem certo e depois ninguém percebe ao certo se há para ali dinheiro não declarado ou o quê.

E se eu quisesse que não subsistissem dúvidas, pedia à Autoridade Tributária (ou porventura, também a outro qualquer organismo) que auditasse as contas da empresa. Pois se Mentenegro diz que nunca tirou de lá dinheiro nenhum, seria interessante que se comprovasse que não é de lá que sai o pagamento da água, da luz, das comunicações, dos combustíveis, da limpeza da casa, dos restaurantes, de viagens, um 'ordenado' da mulher, se calhar também um 'ordenado' para um ou para os dois filhos, quiçá uma 'renda' da casa, e sabe-se lá que mais. Se eu não tivesse nada a esconder, teria imediatamente fornecido a contas descriminadas da empresa.

E mostraria também, com o consentimento dos clientes, qual o trabalho efectivamente prestado. Seria interessante saber que trabalho é que a Solverde e demais clientes (como a gasolineira que pagou 230.000 € quando tem 12.000€ de lucro e, pelas contas do ano seguinte, parece que não beneficiou nada de tal trabalho) contratam para ser feito pela Inês Patrícia. Seria interessante não numa de voyeurismo mas, sim, para esclarecer tão bizarro mistério. 

Há um acumular de dúvidas que mancham a credibilidade de Mentenegro. Vota-se em alguém em quem se confia. 

Um político a sério, perante estas dúvidas, demitir-se-ia e tentaria provar, fora de cargos de poder, que é inocente e impoluto. Não arrastaria o governo, o partido e o País.

A dimensão de um homem (ou de uma mulher) vê-se, sobretudo, na forma como enfrenta os desafios: se é com verticalidade, de peito feito, com grandeza.

Mentenegro escondendo-se atrás da mulher e dos filhos, depois atrás do Governo, a seguir atrás do PSD, mostra ser um pequeno homem, alguém que não deveria estar na política.

O outro, que é gozado por todo o lado, roubava malas no aeroporto. depois continuou a dizer-se inocente e a manter-se no Parlamento. Este, a ser verdade tudo o que tem sido noticiado e não desmentido, joga num tabuleiro diferente, porventura mais rentável e um pouco, apenas um pouco, mais sofisticado. 

Só espero que a campanha que vai ser feita, em que mentem, mentem descaradamente, se gabam do que herdaram do Governo do PS (do excedente orçamental e dos projectos e trabalhos em curso, muitos dos quais interrompidos com a interrupção do Governo socialista), em que se vitimizam, seja desmascarada. Julgo que o mais eficaz será através do humor, através de memes que circulem nas redes sociais, que estejam nas ruas. 

 A política deve ser deixada para quem a executa com grandeza, com verdade, com honestidade, com verticalidade, com carácter. E não é o caso desta gente do actual PSD. 

quinta-feira, março 13, 2025

Fui ao ginásio e dei no duro, fui a uma bela Biblioteca, vi uma exposição de pintura, passeei à beira mar, fotografei garças e barcos, apanhei chuva, apeteceu-me lanchar mas contive-me, cheguei a casa já tarde mas ainda fui fazer sopa.
E agora vou imaginar que sou eu que estou aqui a dançar o tango e, para que não pensem que me esqueci do tema do momento, transcrevo um texto imperdível de Rui Bebiano no seu magnífico 'A Terceira Noite'

 

E, antes disso, ainda acrescento que já peso menos dois quilos e picos, ou seja, já estou na média para a minha idade e altura, mas que a balança inteligente e sobredotada (comunica-me os resultados por telemóvel, faz gráficos e diz-me em que ponto da escala me situo em relação a cada indicador) diz que ainda tenho alguma gordura corporal a mais. Não é muito, creio que uns 4 ou 5% a mais (tenho o telemóvel a carregar noutro sítio, não me apetece levantar-me para ir ver o valor certo), mas não quero. Só que ver-me livre dela não está a ser pêra doce. O ChatGPT diz que tenho que fazer mais exercício ou consumir menos calorias. La Palice não diria melhor. Só que é uma dor de alma não poder comer o queijinho pelo qual me pelo, tenho que me limitar a um esquálido quadradinho de chocolate preto sem pingo de açúcar. E a fruta, que eu se fosse eu comeria às carradas, agora está mesmo limitada a 3 míseras peças por dia. 

E o pior é que sei que, mesmo quando estiver no ponto, para assim me manter, terei que me manter assim, à míngua. Ora eu sou tudo menos vocacionada para me forçar a provações.

Enfim.

Bora mas é tangar.

No es por ti - Grupo Corpo (Lecuona)


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E agora é mal empregado colocar aqui um texto tão objectivo, tão exacto, como o que vou tomar a liberdade de transcrever na íntegra. Mas as coisas são o que são. O autor é Rui Bebiano, de que já antes aqui fiz referência, e escreve no blog A Terceira Noite que eu sigo religiosamente.

12 de Março de 2025

De forma simplificada, são dois os motivos principais que levaram à rejeição da moção de confiança e à próxima saída de Luís Montenegro do cargo de primeiro-ministro. O primeiro, mais invocado, tem a ver com práticas profissionais que colidem com o dever de exclusividade de quem detém cargos de responsabilidade no governo, por motivos acrescidos quem dele seja a figura principal. O segundo motivo, menos mencionado apesar de também importantíssimo, prende-se com o facto de a empresa envolvida, a Spinumviva, ser apenas familiar, não tendo sequer sede própria e corpos gerentes, dedicando-se basicamente ao tráfico de influências realizado sob a capa de «aconselhamento» em negócios privados.

Nada disto deveria ter acontecido, e, a ser revelado como foi, deveria ter conduzido de imediato à apresentação da demissão do cargo que LM ocupa. Todavia, não só tal não foi feito, como depois da triste novela pública vivida ao longo destes dias, o mesmo LM declarou pretender apresentar-se de novo a eleições e afirmou nada ter feito que «qualquer português não fizesse». Se assim acontecer, o PSD irá arrastar o país para uma situação de impunidade legal e ética premiada. Sabemos que em países como os Estados Unidos da América de Trump isto está a tornar-se trivial, mas, caramba, nós ainda vivemos no democrático país de Abril. Por isso de modo algum pode acontecer.

Nem mais. É isso mesmo. 

Ângelo Correia e Montenegro

 

Liguei a televisão e estava o Ângelo Correia, na SIC Notícias, a dar um tareão do Montenegro, mas um senhor tareão. 

Às tantas, interromperam para transmitirem o Mentenegro a falar, em directo para todas as televisões, creio que no Conselho Nacional. 

Quando se virou para a frente e disse que ia falar para os portugueses e para as portuguesas, fiz zapping. Foge...

Mas, quando chegar a casa, Mentenegro faria bem em ouvir a intervenção de Ângelo Correia. Talvez perceba melhor o que pensam os portugueses.

quarta-feira, março 12, 2025

O Mentenegro queria uma Comissão de Inquérito nini.
Ahahahahahahahaha

 

Quando a minha filha era pequenina, talvez ano e picos ou dois, quando uma coisa era pequena e nós, naquela forma que os adultos têm de usar diminutivos quando falam com crianças, dizíamos que a coisa era pequenina, ela reduzia a palavra e dizia que era nini. Uma vez, estava a chuviscar, uma chuvinha miudinha daquela de que se diz que é molha-tolos, e ela disse que estava uma 'chuva nini'.

Hoje, ao ver as cenas patéticas, ridículas, na verdade até absurdas, por parte do PSD a tentar, por todos os meios, impedir o escrutínio e propondo, em vez de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, uma conversinha de pé de orelha entre o Montenegro e o Pedro Nuno Santos ou uma Comissãozinha a jacto, de 15 dias, só me apeteceu dizer que vá brincar às CPIs ninis lá para a terra dele.

Haja paciência.

Ou melhor. Já não há paciência.

Montenegro já era.