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segunda-feira, dezembro 30, 2013

Balanço de 2013 à moda de Um Jeito Manso (coisa muito limitada, claro: Tozé, o Inseguro; Passos, o Pérfido; Portas, o do Destino Trocado; Cavaco, o Inútil; Costa, o Desencontrado; Jonet, a Naftalina ao serviço dos pobrezinhos; e mais uns quantos]


Não é altura de balanços? Fecha-se o exercício, fecham-se as contas, faz-se a demonstração de resultados, acerta-se o balanço, percebe-se qual o resultado bruto, qual o resultado líquido. Coisas assim.

Mas era o que mais me faltava pôr-me aqui a perder tempo com uma análise exaustiva ao que passou. Passou, passou, está passado.

Quanto muito, passo por cima de balanços e foco-me num ou noutro balancete.

Ora, então, vamos lá. Coisa simples com base no que se viu em 2013 neste luso rectângulo que, se isto não muda, ainda se torna pindérico. Ou de plástico, que é mais barato (O'Neill dixit).



António José Seguro - Um chato, sem alma, sem garra, sem charme. 


Li algures que se fez filmar armado em estadista a desejar um bom Natal às famílias. Típico. 

Este é daquele que antes de o ser já o era. Um velho. Um ex. 

Um chega para lá. Um pequeno Hollande. Tomara que nunca tenha a oportunidade de desiludir os eleitores como Hollande o faz todos os dias.



Pedro Passos Coelho - Uma criatura sinistra. 


Nunca me enganou: as palavras que proferia antes de ganhar as eleições revelavam demagogia, populismo, ignorância, leviandade, pouco respeito pela inteligência dos outros. É o joguete útil que qualquer poderosos deseja encontrar em lugar de importância num país. O facto de não distinguir a mentira da verdade torna-o ainda mais perigoso. O facto de ser frio e vingativo é a pitada que faltava para o tornar ainda mais temível. Os portugueses deveriam fazer tudo para o afastar de qualquer função pública. Não tem feito outra coisa senão destruir o País e dar cabo da vida dos Portugueses. Os danos far-se-ão sentir por muitos anos.


Paulo Portas - Uma pessoa cuja inteligência e fulgor se desperdiçaram estupidamente ao escolher o percurso político que tem vindo a singrar. 


Poderia ser um professor brilhante, um grande jornalista, até um grande actor de teatro. Qualquer coisa. Seria sempre muito bom. Mas optou por se enfiar numa carreira que é sempre pequena demais para a sua ambição e para as suas capacidades intelectuais. Por isso transborda, é arrastado por correntes que não controla, tenta manter-se no palco, encena, efabula, é histriónico para além do razoável no que faz e diz, perde-se nos seus labirintos, perde a noção de tudo (até do ridículo). Ganharia muito se se afastasse, se conseguisse manter o recolhimento durante uns tempos, se encontrasse um outro rumo para a sua vida, se serenasse, se fizesse um uso útil e inteligente das suas capacidades. Ganharia ele, ganharia o CDS, ganharia o País.


Jerónimo de Sousa, João Semedo, Catarina Martins - Gente bem intencionada, gente generosa, gente com ideais. 


Contudo, uns por estarem presos a conservadorismos desajustados aos tempos que correm, outros por ainda não terem sabido traçar caminhos que se compreendam bem, serão sempre refúgios para grupos fechados de sonhadores, saudosistas, idealistas. 

São os guardiões de castelos nos quais haverá sempre parte da população que gostará de se acolher. Mas dificilmente atrairão novos adeptos, ou gente com real capacidade para fazer frente aos desmandos ultra-liberais.


António Costa - Um homem com um discurso tão claro como bem articuladas são as suas ideias. 


Vigoroso, lutador, um democrata, um humanista. Mas parece não chegar a tempo ao sítio onde o comboio da história passa. Tomara que um dia o seu tempo coincida com o tempo comum. 

O País tinha muito a ganhar se a sua clarividência e frontalidade pudessem traduzir-se em acções.


José Sócrates - Um homem corajoso, um lutador, um homem a quem os ventos contrários não vergam. 


A imagem perfeita do resistente e do resiliente. Um combatente.

O País ainda irá contar ele. 

Muitas pessoas como ele em posições cimeiras na UE tornariam o nosso espaço comum um lugar menos perigoso.

Contra ventos e marés, contra ameaças ou traições, contra incompreensões ou abandonos, os seus ideais não sofrem abalos.


Rui Tavares, Daniel Oliveira, Carvalho da Silva e outros - Gente bem intencionada, com visões correctas da realidade e um discurso limpo e honesto.


Mas não será através de novos partidos, movimentos, pólos ou plataformas que a direita retrógrada, revanchista, apátrida e amoral será derrotada. 

Numa altura como a que vivemos, toda a gente de bem se deve unir. Qualquer divisão de votos favorecerá a pandilha que tem vindo a arruinar o futuro deste pobre País.


Cavaco Silva - Quando foi Primeiro-Ministro comprometeu o futuro do Pais, trocando o tecido económico nacional por meia dúzia de patacas. 


Como Presidente da República faz questão em ser inútil.

Este espaço vai ficar quase vazio de propósito pois vazio é o que parece rodeá-lo.


Mário Soares - Um homem inteiro. Um leão.


E não escrevo mais pois todas as palavras seriam fracas quando comparadas com a força que tem sabido demonstrar ao longo de toda a sua vida. 

Mesmo agora, aos 89 anos, é das vozes que mais vigorosamente clama contra a devastação em curso.

De cada vez que ruge, o seu rugido abala as estruturas apodrecidas.


Isabel Jonet - Canaliza a sua capacidade empreendedora para actividades assistencialistas que são úteis mas mais úteis seriam iniciativas que evitassem a necessidade da caridade.












...

E por aqui me fico para isto não ficar chato para além da conta.

Algumas imagens, como está à vista, provêm do blogue We Have kaos in the Garden. Das restantes desconheço a proveniência original.

...

Até já.

terça-feira, dezembro 17, 2013

Manifesto 3D (do Daniel Oliveira, Carvalho da Silva, Ricardo Araújo Pereira, Isabel do Carmo e outros), Partido Livre (do Rui Tavares), MPT (talvez com o Marinho Pinto), e BE, CDU, PS e os mais que se lembrarem de aparecer para pulverizar completamente a esquerda: um festim para os nossos queridos da coligação CDS & PSD. Os da direita não costumam ser muito inteligentes mas são espertos. Em contrapartida, aos da esquerda, que se acham muito inteligentes, falta-lhes esperteza. A continuar assim, isto não vai correr bem.





Eu não me revejo no PCP onde há gente honorabilíssima mas onde subsistem hábitos controleiros e uma atitute tendencialmente conservadora e sectária, nem no BE onde há uma leviandade intrínseca e uma não objectividade nos momentos críticos, nem sequer no actual PS. Posso concordar com algumas coisas de cada um destes partidos, posso ter maior sintonia com o PS (apesar de não haver empatia entre mim e a actual direcção do PS), mas a verdade, verdadinha, é que acho que esta gente deveria ir toda tomar banho, mudar de pele, repensar a sua vida, pregar para bem longe, para Marte, por exemplo, chatear outros, pentear macacos, qualquer coisa. O mundo mudou e os partidos não. As concelhias, distritais, as juventudes partidárias, tudo isso me parece velho e relho, anquilosado, castrador, coisa a tresandar a naftalina, uma gente que vive para se preservar, alheada do que se passa de novo no mundo.

Claro que o exemplo acabado dos compadrios, do regabofe primário, da incultura mais básica se pode encontrar no PSD. O CDS é outra coisa, o CDS é um grupo de equívocos, uma banda de garagem atrás de um vocalista histriónico e que, qual eucalipto, seca tudo à sua volta. O CDS actual, como é maioritamente constituído por gente sem grandes escrúpulos, monta-se em cima de quem estiver no poder. O eleitorado vai provavelmente dar-lhes um valente chega para lá a menos que se apresentem coligados, o que camuflará um bocado a origem do desastre. De qualquer forma, entre uns e outros venha o diabo e escolha.

Quando agora forem as eleições ponho, pois, de parte o PSD e o CDS, depois ponho também de parte o PCP e o BE e fico muito na dúvida quanto ao PS embora o PS costume ter grandes deputados europeus.

Mas a verdade é que o PS do Totozé Seguro me incomoda. Não é um partido mobilizador, inspirador. Nem um pouco. Parece mais do mesmo. Uma seca. É gente que gosta de empatar no meio campo (e até parece que percebo de futebol) e que tem a maior dificuldade em mobilizar-se para rematar à baliza. Enrolam-se, titubeiam, hesitam, vacilam, uns tarantantam que me dão nervos. Dá-me vontade que apanhem um susto para ver se esta mole espapaçada sai de cena para que as águas deixem de parecer um pântano, para que tenhamos águas límpidas. 

E até quase que sou levada a crer que talvez o regime esteja a precisar de uma fractura para se reorganizar mas, ó senhores, faz sentido aparecerem manifestos e movimentos e novos partidos como se fossem cogumelos?

Vozes lúcidas, bem intencionadas, gente de boa vontade... mas todos divididos...?! Acharão que, assim, vão a algum lado? Umas pombinhas da catrina, lá vai uma, lá vão duas, três pombinhas a voar. Ingénuas, bem intencionadas, umas pombinhas prontas para serem imoladas.

Não percebem que com esta divisão da esquerda, os chico-espertos da coligação PSD+CDS esfregam as manápulas de contentamento?

Não faria sentido que esta gente de bem se organizasse num único movimento e, tendo expressão, se juntassem em coligação com o PS?

Não faria sentido que, por uma vez na vida, fossem pragmáticos e pensassem em rematar à baliza de vez?

Sorte macaca.