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segunda-feira, junho 10, 2024

Europeias 2024 -- os quês e os porquês
Análise, partido a partido

 

PS - Com uma AD que deu origem ao actual governo -- um governo desgraçado, que tem revelado uma atitude videirinha, pacóvia, ignorante e chico-esperta --, seria expectável e razoável que o PS conseguisse uma distância mínima de 5% em relação à AD. Mas não conseguiu. 

E não venham dizer-me que o PS ainda está a arrumar a casa, a juntar os cacos (como ontem ouvi, na televisão, um débil mental a dizer). Qual desarrumação? Quais cacos? Acaso o PS estava desarrumado? Acaso alguém tinha partido a louça toda? Estão malucos ou quê? O PS estava a governar e bem, tinha a casa arrumada. Poderia estar ainda muito agarrado a velharias, gente ainda muito saudosa dos maravilhosos tempos que se seguiram à queda da ditadura, gente que continua a sonhar sobretudo nos amanhãs que cantam. Mas, tirando o aspecto da renovação que já era (e ainda é) indispensável, era um partido bem dirigido. António Costa era um líder inquestionável.

A razão residirá, isso sim, muito na forma como este PS de Pedro Nuno Santos se posiciona. Continua a querer ressuscitar a geringonça, continua a querer agradar ao eleitorado mais à esquerda, mesmo quando está mais do que claro que esse eleitorado já praticamente não existe. 

Além disso, Pedro Nuno Santos funciona na base do eucalipto: à sua volta, nada. E isso foi bem patente na forma como se apresentou agora a cantar vitória. Em vez de aparecer rodeado pela equipa dos deputados eleitos, não senhor, apareceu ele, ele e ele. E num lado a Marta Temido e no outro o Carlos César. Muito mau. Depois de ter corrido com uma mão cheia de deputados notabilíssimos, nem para com os agora eleitos teve o gesto de os levar para o palco.

Da mesma forma como na política nacional não se sabe rodear de figuras de enorme qualidade como Mariana Vieira da Silva ou Fernando Medina ou Duarte Cordeiro (e outros a quem António Costa soube valorizar). Parece apenas dar ouvidos aos geringônticos Alexandra Leitão (e, de certa fora, Mendonça Mendes).

Ao parecer querer livrar-se de todos os que eram figuras de destaque na governação de António Costa e ao parecer não saber compreender a nova realidade, o PS não sabe ir buscar um eleitorado novo nem sabe recuperar a classe média que se deslocou para a sua direita por não se rever neste PS que, com Pedro Nuno Santos, aparece aos olhos do eleitorado como anquilosado e encostado a uma esquerda moribunda.

Ouvi Pedro Nuno Santos anunciar que vão lançar uns novos Estados Gerais. Espero que daí nasçam novas ideias. Espero que percebam que não é com Carlos César e outras peças de museu ou com Alexandra Leitão e outros saudosos da Geringonça que vão conseguir contrariar a tendência descendente que se vem desenhando. De resto, também não sei se a noite eleitoral era o momento ideal para falar nisto. Sendo estas eleições europeias tão relevantes, Pedro Nuno Santos esqueceu-se disso e só falou de política nacional. Muito curto em termos de visão estratégica. O que ali vi foi sobretudo o PS a olhar para o seu umbigo, parece que incapaz de olhar para o que o rodeia e para o contexto europeu.

Espero que consigam mudar (para melhor) pois o País precisa de um bom partido social-democrata.

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AD - Beneficiam da inércia e da deficiente informação dos eleitores tal como beneficiam do colo que a comunicação social lhes dá. Com Portas e Marques Mendes a fazerem campanha activa em horário nobre, ao domingo, em canal aberto (com a conivência da Comissão das Eleições) e com uma profusão de comentadores a manipularem a opinião política, conseguiram aguentar-se. Com o que têm demonstrado desde que formaram Governo, com um eleitorado bem informado e com um PS mais assertivo e inteligente, a AD teria levado uma banhada. Não levou. Mas é o que temos. De qualquer forma, penso que é uma questão de tempo.

Montenegro, na noite eleitoral, também não se lembrou de que se estava a tratar de eleições europeias. Não deve sequer saber quais os problemas europeus. Tudo o que disse me soa a conversa videirinha, saloia, a falar muito e sem acrescentar nada.

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Chega - Felizmente sofreram um trambolhão. Gostava que lhes acontecesse qualquer coisa como a que aconteceu ao PRD, ou seja, que um dia destes o Chega acabasse. Mas não sei, não. André Ventura não acabará, arranjará maneira de andar por aí pois nitidamente tomou-lhe o gosto, é um populista que não vai ser capaz de parar. André Ventura é inteligente, é ubíquo, é uma máquina, e, como sabe lançar sound bites em permanência, a comunicação social não o larga e isso chama os eleitores. Mas, enfim, assim como assim, os eleitores souberam dar-lhe um chega para lá e isso talvez faça André Ventura refrear a sua energia destrutiva.

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Iniciativa Liberal - Subiram e subiram bem. A democracia liberal é um caminho aberto e o eleitorado jovem e com sangue na guelra  bem como uma classe média informada e exigente que se vê abandonada pelos partidos do dito centrão dar-lhe-ão ímpeto para subir ainda mais. A nível europeu, o espaço da democracia liberal será, creio que cada vez mais, o oxigénio de que a democracia precisa para impor, com alguma modernidade e juventude, os seus valores, fazendo uma barreira contra o populismo e contra a direita reaccionária que tanto nos ameaça.

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Bloco de Esquerda - Caiu e caiu bem. O Bloco é um partido que por vezes está bem mas, na maioria das vezes, está mal, sendo frequentemente populista, agarrando-se a causas marginais, assumindo atitudes justicialistas e arvorando-se em dono da verdade.

Na intervenção que tiveram a propósito dos resultados eleitorais, considero patética a sua  alucinação a cantar vitória, a rirem, às palmas, todas contentes como se não tivessem percebido que a sua representação se viu reduzida a metade. De loucos.

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CDU -- Caiu e caiu bem. Continuam agarrados a ortodoxias de antanho, defendem já não se sabe bem o quê, não percebem que já não representam quase ninguém, ignoram tudo o que de novo e relevante se passa à sua volta. A intervenção de João Oliveira e do Raimundo é alienação em estado puro. Marimbaram-se para a política europeia (realidade que, a bem da verdade se diga, lhes passa ao lado), marimbaram-se para os temas mais relevantes da actualidade e sorrindo de gosto, eufóricos, cantaram vitória e reincidiram na única e estafada lenga-lenga que conhecem. Já vão em 4% dos votos, só conseguiram um deputado, e ali estiveram, contentes como se tivessem ganho as eleições. Não sei se isto deve ser visto como uma perturbação do foro psicológico ou cognitivo mas alguma é.

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Livre -- Tenho pena que não Francisco Paupério não tenha sido eleito. O Livre é uma esquerda moderna, ambientalista, humanista, informada. Como tenho vindo a dizer, acho importante que haja uma esquerda inteligente, informada, aberta aos novos temas. Gostava que, em Portugal, o Livre crescesse pois a democracia precisa de partidos assim. E a Europa precisa também de vozes jovens, civilizadas, democráticas, abertas ao futuro.

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Abaixo, as Primeiras impressões

Europeias 2024 -- primeiras impressões

 

A nível nacional:

Continuo triste e apreensiva com as elevadas taxas de abstenção. Não me interessa que seja menos 1 ou 2% ou por aí face às últimas. Mais de 60% das pessoas não se darem ao trabalho de votar.

Continuo triste a apreensiva com a capacidade de análise e com a inércia na reacção dos votantes, ao verificar que, sendo patente a inequívoca falta de qualidade, a todos os níveis, da AD e a estupidez que foi pegarem num comentador arrogante e agressivo (o facto de ter 28 anos até é pormenor) para cabeça de lista, ainda há tanta gente a votar neles.

E, para já, neste momento, só isso é certo.

Face à votação em mobilidade, como o Pedro Magalhães explicou, as sondagens à boca das urnas que serviam para a abertura das notícias este ano não estão calibradas. Portanto, não se consegue garantir a sua fiabilidade dentro dos intervalos que, noutras condições, era seguros.

Portanto, com as devidas reservas:

  • A ser verdade que o PS não descola, fico apreensiva por os Socialistas ainda não terem percebido que os tempos são outros. Se já nem os anteriores votantes no BE e na CDU votam neles, a que propósito o PS continua enleado na doutrina gerincôntica? 
Além disso, verifica-se que a nível de votantes, a faixa maioritária é a das pessoas com mais de 55 anos. Ora isto não é bom. Se um partido não sabe perceber e responder aos anseios dos mais novos e dos intermédios, acaba como o PCP... (ie, à medida que os mais velhos forem desaparecendo, o partindo tende para a extinção. Claro que ainda está longe disso mas os sinais já aí estão)
  • Não me espanto com o que se anuncia como a subida da Iniciativa Liberal. A ver vamos.
  • Ficarei bastante contente se se verificar que o balão do Chega desinflou. Mas vou esperar pelos resultados.´
  • Não fico admirada ao verificar que a esquerda-esquerda continua a caminho da extinção. O PCP e o BE bem podem reflectir. 
  • Gostava que o Paupério fosse eleito. Nos tempos que correm, o Livre é a esquerda inteligente e era bom que continuasse a subir e a ser reconhecida.
A nível europeu:
  • Estou deveras apreensiva com o que aconteceu em França. Muito.
  • Aparentemente, é uma tendência geral na Europa, embora talvez não tão acentuada como em França. O que sempre temo, que a democracia "por delicadeza se deixe matar", pode acontecer se não formos capazes de pensar com uma cabeça nova, uma mente aberta.

NOTA: Interessante a análise que o Sérgio Sousa Pinto tem vindo a fazer na CNN.

terça-feira, junho 27, 2023

Coisas bizarras e inexplicáveis numa história que escrevi.

[Para aligeirar o tema: a oposição ao PS luta arduamente para ver se consegue atingir os seus objectivos. O pior é que, coitados...]

 

Quando cheguei a casa de uma caminhada de cerca de uma hora que me custou mais que eu sei lá, vinha exausta. Enquanto andava, não sei se era do calor, se era da nuvem de poeiras carregadas de cinzas e de monóxido de carbono, estava cada vez mais cansada.

Na noite anterior, querendo levantar-me muito cedo e andando já em carência de sono, forcei-me a ir para a cama um pouco mais cedo. É sempre a pior asneira que posso fazer. O meu biorritmo é o de uma noctívaga, e noctívaga que é noctívaga só vai para a cama quando a noite começa a aproximar-se da madrugada. Ou seja, fui para a cama sem sono. E, quando isso acontece, é ver as horas a passar... Só adormeci, e mal, quando estava na hora de me levantar.

Por isso, tudo junto, ao chegar da caminhada, arrastei-me até ao sofá e caí redondamente num sono profundo. O que me valeu é que o jantar estava feito.

Quando o meu marido me chamou para jantar, arrastei-me. E, mal acabei, voltei para aqui e foi, de novo, tiro e queda.

Se isto é do calor, de é das poeiras, se é de algum cansaço justificável ou se é ainda do pós-covid não sei.

O que sei é que é isto.

Entretanto, descobri que uma colega de liceu foi, afinal, minha vizinha quando éramos bem pequenas e, ao comentar isso com a minha mãe, descobri que duas tias dela se casaram com primos, um do meu pai e um da minha mãe. E só o descubro agora, dois séculos depois de andarmos juntas no liceu.

E ainda não contei uma coisa e agora vou apenas aflorar pois é coisa que me deixa um bocado sem saber que chão piso. É isto. Numa história que escrevi e na qual contei três eventos estranhos e reais passados comigo e com o meu marido, no início de andarmos juntos, introduzi um personagem também bem real que, uma vez, a propósito desses três eventos estranhos, produziu um comentário também assaz estranho em que parecia mostrar que estava ao corrente. 

Na história relato isso e a seguir prossigo numa trama ficcionada em que esse meu amigo se transforma em personagem. E, às tantas, na história, a personagem feminina da história sabe que ele morreu. Fica chocadíssima pois custa-lhe acreditar que o seu amigo de longa data morreu.

Pois bem, depois de o ter escrito, poucos dias depois, inusitadamente, sei que o meu amigo, de facto, morreu. Podem imaginar o meu choque. Duplamente choque: por um lado por saber que ele morreu e, por eu, insolitamente o ter dado como morto na minha história. Quando contei ao meu marido que o nosso amigo tinha morrido, ficou também surpreendido e chocado. Mas não fui capaz de lhe contar que ele estava na minha história e que na minha história ele tinha morrido.

Como sempre, no fim, pedi ao meu marido para ler a história. 

Nesse dia, quando me levantei, encontrei-o calado, incomodado.

Ao ler, reconheceu os eventos reais, reconheceu o nosso amigo e ficou muito admirado por ele estar morto na história. Estava admirado. Quis saber se eu, quando escrevi, já sabia que ele tinha morrido (pois achava que não, pois eu só tinha sabido isso para aí uns dois ou três dias antes e, nessa altura, a história já estava praticamente toda escrita). Confirmei que não. Ficou ainda mais incomodado.

Por vezes, ele fica impressionado por achar que eu adivinho ou antecipo as coisas. 

Eu própria, ao rever a história para corrigir gralhas ou para ajustar algumas coisas, fi-lo com desconforto, quase com receio de que mais coisas que ficcionei se materializem.

E é isto. 

Bizarro, não é? 

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Mas, mudando de assunto: depois da quase obsessiva perseguição do Marcelo ao Governo, no que mais parecia um pré coup, e depois de a fraquíssima oposição e a mais do que medíocre comunicação social cavalgarem a ondulação causada pelas sucessivas bocas presidenciais, eis que agora o tema é se o Costa vai ou fica. 

Não há cão nem gato que agora não ande nessa. Gente mais parva e mais fútil não há. Como se fizesse algum sentido lançar a confusão com um tema destes numa altura destas. 

E eu, vendo a Mortágua de má catadura, o da IL de que não me lembro o nome nem sei qual a dele, o Montenegro eternamente aos papéis apesar de não perder o sorrisinho deslocado, e o Ventura que vende a banha da cobra que quer que a malta da comunicação social papa-a toda, só penso que são como os meus amigos Monty na cena da escalada. Parece ele que se esfalfam, que dão o duro para lá chegar. Só que não atinam. Só fazem porcaria. Vêem os filmes todos ao contrário. São irrelevantes, inúteis, malucos. E a comunicação social atrás, a fazer a reportagem, a entrevistá-los como se alguma coisa daquela fizesse sentido. 

É que das duas uma: se é para a gente se rir, então que se apresente como uma rábula cómica. Se não é, então é a miséria intelectual mais absoluta e é como tal que a devemos encarar.

Monty Python - A escalarem as ruas como se não houvesse amanhã


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Um dia bom
Saúde. Bom humor. Paz.


domingo, fevereiro 06, 2022

O PCP diz que vai encher as ruas e apela às massas.
Catarina Martins diz que não se demite e, em conjunto com o Cardeal Louçã, insistem em provar ao povo que o povo não os percebeu bem.
Ou seja, continuam a ir por bom caminho, eles. Não sei se são burros ou se padecem de autismo severo. Coisa boa não é.

Vou mas é colher inspiração noutras bandas

 

Ia no carro, distraída, quando ouvi o meu marido a dizer: Eh pá, estes tipos não atinam. Até dá pena.

Concentrei-me. Era Jerónimo de Sousa que falava, naquele seu tom simpático embora paroquial. Dizia que iam ser menos no parlamento mas mais nas ruas e falava mal do PS e do grande capital. O meu marido, disse: Pararam no tempo, ainda estão quarenta anos atrás. E voltou a dizer que até dava pena.

Eu ia preocupada com outra coisa. Dei-lhe razão mas não acrescentei nada. De resto, acrescentar o quê? Ainda não perceberam que as pessoas querem uma vida tranquila, estável, e não confusão nas ruas. 

E massas? Grande capital? -- continuam com o mesmo e estafado léxico. Será que a malta mais nova sabe a que é que eles se referem quando falam das 'massas'? Até eu, que pertenço à malta mais velha, tenho dificuldade em saber...

Passado um bocado, era outro. Está em todo o lado: na televisão, nos jornais, na rádio. É daquelas ervas daninhas que aparece all over. Era Louçã que falava do alto da sua cátedra, explicando que tudo o que se tem andado a passar resulta de uma conspiração orquestrada por António Costa. Passando um atestado de estupidez aos portugueses que não votaram neles, Louça inventou parvoíces numa tentativa vã de desviar a atenção para a barracada que tem sido a estratégia do Bloco. O meu marido insurgiu-se: Mas ninguém lhe pergunta quem é ele para andar a dizer isto? Aí fui eu que disse: Por duas vezes, foram de braço dado com o PCP, juntar-se à direita, abrindo espaço para a direita populista e, por duas vezes, os portugueses lhes mostraram o que pensam disso. O tipo, que é um perdedor e uma nódoa a definir estratégias, por aí anda a ganhar dinheiro para se gabar das suas teorias.

O meu marido insistiu. O que é necessário é que, quando ele estiver com estas teorias, alguém se vire para ele e lhe pergunte quem é ele para falar assim.

Conclusão: fizemos zapping radiofónico e fomos fixar-nos na Antena 2. 

E, agora que escrevo isto, ocorre-me que as Direcções de Informação das televisões, rádios e jornais também devem estar cristalizadas no tempo: alguém em seu são juízo, atento aos tempos que correm e com dois dedos de testa continuaria a contratar os mesmos de sempre? Quem é que insiste em contratar esta gente que já não sabe o que dizer, viciada na maledicência, destituída de capacidade de raciocínio, habituada a mastigar o que outros já regurgitaram? Provavelmente outros que tais.

Há paciência para aturar isto?

Por estas e por outras é que, nos meus tempos livres, cada vez mais me entretenho a ver vídeos ou as Gilde Ages desta vida.

Ou isso ou a colher ideias para cenas. Por exemplo:

Biquinis para anafadas
INSTAGRAM @_YUMI_NU
 

Blusinha de tricot em fio primaveril
Francesca Michielin


Maquilhagem combinada para aparecer no emprego sem passar despercebida
Des'ree Msasi

Ou a ver dança que nasce na medula dos bailarinos:

Girl Gone Wild - Madonna / 
Fredy Kosman ft Koharu Sugawara Choreography / Urban Dance Camp


Ou a ouvir/ver nova gente da música:

Crystal Murray - Other Men


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Desejo-vos um belo dia de domingo
Boas notícias. Boa sorte. Tudo a correr pelo melhor. Saúde e alegria.

segunda-feira, janeiro 31, 2022

Catarina Martins não anunciou que se vai demitir e, por estranho que possa parecer, acabou em apoteose, sob vibrante aplauso.

[Legislativas 2022 - Post Nº 8]

 

Catarina Martins, muito sorridente, veio confirmar que as suas teorias se confirmaram. Confirmou também que aquilo que ela sempre disse se confirmou. Certamente, o Cardeal Louçã confirmará que o que ela afirmou se confirmou.

Por acaso, Catarina Martins não insistiu para António Costa comparecer à reunião que ela convocou para dia 31. Vá lá. 

[O meu marido, aqui ao meu lado, diz que se fosse ao Costa ia à reunião mas não posso contar o que ele diz que, se fosse ele, diria à Catarina]

Mas, de resto, apesar de dizer, en passant que o Bloco teve uma derrota, continuou em tom eufórico, vitorioso e, com a sua arte em mobilizar o público, acabou debaixo de um entusiástico aplauso, tudo a bater palmas e a rir, na maior felicidade.

Gente aluada, desfasada da realidade, alienados. 

[E já faltou mais para se saber como vai acabar o filme da noite.]

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E queiram, pf, continuar a descer

E aquela reunião que a Catarina marcou para dia 31, para fazer ajoelhar o Costa...? Tenho curiosidade.

[Legislativas 2022 - Post Nº 5]

 

Já apareceu aquele pobre coitado que costuma avançar quando a coisa dá para o tordo e a Catarina e as Manas Mortáguas não sabem bem como descalçar a bota, o Pedro Filipe Soares. Disse qualquer coisa pouco relevante pois não é tão artista como elas.

Será que a Catarina agora o vai mandar ir bater à porta do Costa a ver se o Costa o atende...?

Também já ouvi a Marisa Matias e dizer que o Costa é que causou a crise política. Então o Marcelo anunciou que dissolvia a Assembleia se o Orçamento chumbasse... o Bloco juntou-se à direita e ao PCP e chumbaram... e ela ainda vem com essa conversa...? Ainda não perceberam que os portugueses não são burros e continuam a tentar fazer de conta que não fizeram o que fizeram...

[Mas, enfim, vamos com calma. A ver se temos resultados palpáveis. Por enquanto ainda estamos no domínio das sondagens]

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E queiram continuar a descer, pf

sexta-feira, janeiro 28, 2022

Nem mais: Louçã também vai a votos neste domingo

 

(...) Louçã revelou que não queria negociar com o PS, teria de ser o PS a negociar com o BE – isto é, os socialistas teriam de capitular, arrependerem-se, converterem-se à esquerda verdadeira. Jamais Louçã, depois da fulgurante ascensão, iria perder a possibilidade de tentar realizar o que a sua megalomania delirava. Caso os socialistas não lhe depusessem as armas capitalistas aos pés, pagariam o preço de serem derrotados as vezes que fossem precisas. E assim foi, em 2011 Louçã preferiu oferecer a Passos, Relvas e Portas a oportunidade para brincarem à reengenharia social enquanto vendiam mais empresas públicas. E, em 2021, Catarina Martins preferiu meter o País em eleições no meio de uma pandemia alegando que o Orçamento mais à esquerda de sempre não era de esquerda o suficiente – e com essa hipócrita e abstrusa opção garantindo que a extrema-direita vai crescer na Assembleia da República, quiçá ficando com força suficiente para levar a direita a governar.

(...)

Preferem o risco e prejuízos da interrupção da legislatura para ir a eleições a aceitarem negociar de forma a viabilizar o que fosse melhor para o conjunto mais alargado dos portugueses.

Donde, esta votação igualmente irá aferir quantos votos recolhe a soberba de um homem para quem a terra queimada e a aliança com a direita decadente é preferível ao bem comum.


Mais um grande texto do grande Valupi in Aspirina B

[Nunca tenho curiosidade em saber quem é ou como é quem escreve. Neste caso, confesso, tenho curiosidade. Quem será? Ou melhor: como será o Valupi? Tenho mesmo curiosidade. É que ele escreve aquilo que eu gostava de escrever (já o contei). E escreve bem, caraças. Gosto mesmo do que ele escreve. Escreve como se estivesse sempre numa de chutar à baliza. Não perde cá tempo com bolas de efeito ou conversa da treta. Vai straight to the point. Gosto.]

quinta-feira, janeiro 27, 2022

Eleições Legislativas 2022 - Votos e Bandidos

E umas perguntas muito concretas ao João Lisboa

 



Sobre o que escrevi ontem, recebi um mail e uma mensagem. E, com a devida autorização do estimado Leitor que me enviou o mail e pressupondo que o meu filho não se vai aborrecer que eu refira o reparo que me fez, aqui segue então, em primeiro lugar o texto do mail (que agradeço):


Votos

Bom dia UJM. Faço meus os seus votos, por mil e uma razões !

Há aproximadamente 2 anos foi diagnosticada uma doença degenerativa à minha Mulher. Durante os 2 ou 3 anos anteriores, foi seguida no Hospital da Luz por uma especialista que cobrava honorários a peso de ouro. Um dia pedi-lhe um relatório médico que me foi solicitado pelo Centro de Alcoitão, para iniciar terapia da fala. A dita médica, depois de muita insistência minha, escreveu meia dúzia de linhas manuscritas de difícil compreensão. A técnica do CRA, classificou  o dito relatório, "no comments". Ao mesmo tempo, a dita médica, recomendou a realização de um exame no HL, sendo que o mesmo teria que ser com internamento de 3 noites. Aí eu desconfiei ....

Realizámos o dito exame da Ressonância magnética num laboratório conhecido, a preço muito acessível, e decidimos recorrer aos serviços do SNS no HEM.

Tudo mudou desde então. A abordagem pluridisciplinar que se impunha, começou a funcionar em pleno. Sabemos que é uma doença progressiva, contudo, para minimizar os impactos temos contado com uma equipa excepcional  do HEM e HSFX que tem agido de forma integrada. 

Várias vezes tenho referido aos membros da equipa, a nossa gratidão. Sinto que a equipa dos médicos, também aprecia a manifestação do nosso reconhecimento.

Interrogo-me e preocupa-me o que irá acontecer com o hipotético regresso ao poder dos que propõem a privatização do SNS.

Desculpe-me não publicar este meu testemunho no espaço dos seus comentários. (...) Se achar relevante, pode transcrevê-lo.

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Do meu filho recebi um reparo, primeiro por mensagem e depois, mais tarde, por telefone. Dizia-me ele que. se António Costa conseguiu formar Governo e governar bem durante seis anos e se foram feitos alguns avanços significativos em algumas áreas, tal se deve ao apoio dos 'bandidos' a que a avó se tinha referido.

Do que lhe conheço, ao falar nos ditos bandidos, a simpatia dele vai mais para Jerónimo de Sousa. Não lhe conheço qualquer simpatia para com o Bloco. Também eu sinto respeito pelo velho moicano. E também eu, desde o minuto zero, achei bem que António Costa governasse com o apoio da esquerda. E, apesar da frequente queda da Catarina e das Mortáguas (com o Cardeal na rectaguarda) para a traição, passei por cima disso e foquei-me no importante: a defesa de políticas justas, de desenvolvimento, de salvaguarda dos direitos dos que mais precisam de apoio. Mas quando Catarina Martins, o ano passado, num gesto de arrogância, de irresponsabilidade política e de ânsia por protagonismo, chumbou o Orçamento e quando este ano, um ano tão difícil, com um Orçamento equilibradíssimo e com inúmeros pontos de convergência com as pretensões desses dois partidos, resolveu chumbar o Orçamento, juntando-se ao seu companheiro de percurso PCP e juntando-se à direita reunida, PSD, ao CDS e ao Chega, a minha posição mudou. Mudou mesmo.

O meu filho diz que em democracia devemos aceitar que os partidos se manifestem. Claro que sim. Em ditadura, quem se manifesta contrariamente aos cânones é perseguido, detido. Em democracia não: em democracia os ajustes de contas fazem-se nas urnas. E é nas urnas que desejo que quem antes votou no PCP e no Bloco agora lhes vire as costas pela irresponsabilidade e pela traição.

O Bloco e o PCP podem fazer o que quiserem, são livres de o fazer. Claro que sim. Mas ao quererem agradar aos seus militantes mais fundamentalistas esqueceram os interesses do País. E, com isso, revelaram que lhes falta o sentido de Estado.

Ao argumentar assim ao telefone com o meu filho, ele lembrou-me que, há seis anos, contra um longo historial de aversão aos socialistas por parte dos comunistas, Jerónimo de Sousa aproximou-se de António Costa e, com esse gesto, viabilizou um Governo socialista.

É verdade. Foi um gesto corajoso e digno de um verdadeiro estadista. Louvo-o por isso. Louvei-o na altura e, ainda hoje, reconheço o valor e valentia do gesto

Mas critico-o por agora ter saltado fora na votação na generalidade deste Orçamento (que, na especialidade poderia ainda ser melhorado), juntando-se à direita trauliteira e revanchista que sempre fez de tudo para denegrir a Geringonça e o Governo apoiado pela esquerda.

O meu filho recordou-me que o chumbo do Orçamento não implicaria a dissolução da Assembleia e que, aí, quem se precipitou foi o Marcelo.

Concordo. Algumas vezes aqui o tenho dito: Marcelo precipitou-se. Também ele é refém do seu forte apelo pelo auto-protagonismo.

Mas, tendo ele anunciado que, se o Orçamento chumbasse, a Assembleia seria dissolvida, já não havia recuo possível. Portanto, o PCP e o Bloco, ao votarem como votaram, sabiam a crise que iam abrir no País. 

Faltou-lhes sentido de Estado, faltou-lhes o sentido de lealdade, sobretudo lealdade perante os portugueses. E a quem faz isso (pela 2ª vez) não deve ter servida de bandeja a oportunidade de o fazer uma terceira vez.

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Entretanto, num comentário, o João, reportando-se ao que escrevi sobre as virtudes do PS e de António Costa enquanto governante, pergunta-me pelo Cabrita, pelo ministro da Educação, pela fraca intervenção cultural, pelas cativações*. Percebo-o. Tem razão. Mas, João, há soluções perfeitas? Quadros em que são todos umas sublimes, excelsas e não-pecadoras criaturas só aquelas pinturas com santinhos sobre as nuvens, uma virgem (a tal do imaculado pipi) e passarinhos iluminados por abençoados raios. 

[Eu não incluiria as cativações nos episódios menos felizes. Cativações são procedimentos normais na gestão económico-financeira. O facto de estar previsto em orçamento não tem que significar que são verbas automaticamente disponíveis para gastar pois as circunstâncias podem mudar e há que ir aferindo da oportunidade ou da necessidade de se gastar]

Na vida real, seja em que situação for, há sempre o que não é tão bom como o demais. Mas há que sopesar cada aspecto, olhar para o conjunto, avaliar alternativas. 

Imagine, João, que não ganha o PS. Aí, vamos pensar no que acontece no dia seguinte. Ganhando o Rui Rio, vamos ver quem é que ele poria na Administração Interna. Na Defesa já sabemos que põe o Chicão. Coisa esperta, não é? Na Administração Interna, imagino que não vá repescar o Ângelo Correia. Mas vai buscar quem? O Silvano? Credo. A Mónica Quintela? O Rangel...? Susto... E na Educação? Quem? Qualquer nome que me ocorra é para ser um susto ainda maior... E na Cultura? Quem é que o PSD tem para pôr na Cultura... Aqui nem consigo imaginar. Que ideias é que o Rui Rio tem para a Cultura...? Sabemos o que foi o reinado dele na Câmara do Porto. Um desastre absoluto.  E na Economia? O José Gomes Ferreira...?

Ou seja: pensando numa equipa governativa liderada por Rui Rio, o João consegue perspectivar melhor equipa do que uma equipa que António Costa possa formar? 

Por isso é que acho que nem vale a pena a gente pensar muito. Mesmo que não se ame o PS de paixão nem se  se idolatre o Costa, há que reconhecer que, neste momento, as alternativas a um governo PS são de mal a pior, são para a desgraça. 

Portanto, mesmo que não seja por total convicção, mesmo que seja um mero voto útil (quimicamente puríssimo), qualquer pessoa que goste do País e dos portugueses e que se preocupe com o futuro, o seu e o do País, não tem grande alternativa. Por isso, espero que os hesitantes e os sonhadores e os distraídos caiam na real e vão votar. No PS.


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Desta vez as belas rosas fotografadas por Nick Knight vêm ao som de Silêncio e tanta gente de Maria Guinot

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Desejo-vos um dia muito bom

Muitas rosas e muitos sorrisos para todos

terça-feira, janeiro 18, 2022

Legislativas 2022 / RTP: Grande Debate televisivo entre os 9 maiores
-- balanço final
(e disclaimer sobre o meu quadrante político)


Acabou o debate e, no fim, pouco tenho a acrescentar ao que escrevi no início. O facto é que adormeci e, ao acordar, voltei a ouvir  o que estavam a dizer no início. Déjà-vu.

Por isso fico-me por onde já estava:
  • O António Costa obviamente está com a sua gravata verde. Continua bem disposto, tranquilo e a falar com segurança.
  • Tirando isso, isto ainda nem arrancou e o Rui Rio já está a falar alto de mais, dando mostras de querer desorientar-se.
  • Catarina Martins continua loura e com aquele seu arzinho sonso e teatreiro. Não aprende. Julga que está a falar para parvos e que pode continuar a vender a sua hipocrisia como se alguém acreditasse que é a santinha que finge que é. Aquele sorrisinho já não se aguenta.
  • João Oliveira continua entroncado e tisnado, com ar de quem se alimenta bem. Poderia ser um potente motorista ou um valente agricultor. Vem com a conversa engatilhada e fala compulsivamente, sem ser capaz de ir straight to the point. Não sou de dizer isto mas hoje tenho que dizer: o homem engoliu a velha cassete do PCP.
  • O Chicão começou por dizer uma anedota, o que fez o António Costa desatar a rir. Está aqui para fazer um número de stand up e tentar mostrar que é um sarrafeiro ainda pior que o Ventura. Trazer putos que estão na idade da ramboia para uma cena destas só podia dar em baderna. Alguém o leve, se faz favor, com os seus lindos olhos azuis, de volta para a escola infantil. E vistam-lhe um bibe para ficar ainda mais fofo.
  • A Inês Sousa Real veio com um look discreto que lhe fica muito melhor do que o último em que estava muito gaiteira. Mantém-se assertiva, bem preparada e continua a surpreender-me. 
  • O Ventura falou, falou, falou e, como sempre, não disse nada. É um espalha-brasas, um vendedor de banha da cobra, uma nódoa
  • O Cotrim Figueiredo está com ar lavadinho, parece que saiu do banho, mantém-se bonitinho como sempre... mas hoje está irritadiço. A continuar assim deixo de lhe prestar atenção. Não gosto de gente que se arma em agressiva. 
  • O Rui Tavares mostra que é inteligente, parece ser sensato e ter bom senso. O drama dele é não saber escolher equipas. Ainda estou traumatizada com aquele mau passo dele ao escolher a Joacine. 
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Quanto ao meu posicionamento político e partidário, aproveitando a boleia do Provas de Contacto (Provas de Contacto: ... não sei, não... The Political Compass  Votóm...), fui fazer os testes. As perguntas do Observador são simplórias e enviesadas mas, ainda assim, respondi. Depois fui para o teste mais apertado

O resultado aqui está. Não me admiro. Diz-me que tenho uma coincidência de 80% com o programa do PS. É o que é. Ou melhor, sou o que sou.

A nível da bússola estou no quadrante balizado pela esquerda e pelo look libertário cosmopolita. Está certo.


Quanto ao teste mais completo, confirma-se: esquerda libertária. 
Tá-se.

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E agora?

quarta-feira, janeiro 12, 2022

E sobre o debate de que tanto se fala... o que é que se pode dizer?
A minha opinião é que ela apresentar-se de umbigo e mamas ao léu é capaz de não ser a opção mais consensual...

 

De vez em quando sou surpreendida com alguns factos. Este é que meio mundo fala sobre se ela esteve bem, se não esteve bem, se respeitou a ocasião, se procurou chamar o protagonismo para si quando tal não era suposto, se quê. As opiniões dividem-se, fazem votações, os comentários chovem. Às tantas já parece que a guerra é entre comentadores.

Pois bem. Ninguém me pediu a opinião mas eu, que gosto de opinar pro bono, aqui vos digo o que penso.

E o que eu penso é que, num casamento, a rainha das atenções deve ser a noiva e não uma convidada.

Na cerimónia parece que, tal como as outras damas de honor, apareceu compostinha mas, logo que pôde, mal começou o copo-de-água, soltou a franga que existe nela e mostrou-se quase desnuda, com o umbigo à vista e os seios para lá caminhando. 

Além disso, quebrou aquela regra básica de que a um casamento não se vai de vestido preto. Há quem diga que quem se veste de preto para um casamento está já a fazer-lhe o luto antecipado. Mas, mesmo não indo para um argumentário fatalista, é uma daquelas regras básicas que convém não furar: não se bate na avó, não se cospe na sopa e não se vai a um casamento com um vestido preto.

Acho eu de que.

Kendall Jenner e o vestido usado no casamento da amiga

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Post Scriptum


Ah... já agora... Sobre o debate António Costa vs Catarina Martins o que tenho a dizer é que tiro o chapéu ao Costa pelo savoir faire que, uma vez mais, demonstrou ao lidar tão bem (e tão pacientemente) com uma pessoa reiteradamente hipócrita, desleal e populista e, tanto mais, quando esta pessoa é uma artista, encenando cada expressão facial ou cada dichote.

quarta-feira, janeiro 05, 2022

Jerónimo de Sousa versus António Costa; Ventura versus Rio; Catarina Martins, a loura, versus Ventura; Tavares versus Costa; etc, etc.

Com vossa licença, vou mas mas é aprender a Como não morrer

[E, de caminho, vou uma vez mais constatar que it takes two to tango]

 




Vi o debate entre Jerónimo de Sousa e António Costa. Jerónimo de Sousa, com ar vendido, sem viço, com uma conversa que frequentemente roça o populismo, usa um discurso vago, oco, dizendo verdades inegáveis mas sem apresentar uma única solução. O PCP disfarça o estado de exaustão ideológica dizendo banalidades. Não conseguiu explicar porque é que chumbou o orçamento quando era um orçamento que ia mais longe do que alguma vez se tinha ido na defesa dos direitos dos mais vulneráveis e na concessão de regalias aos mais carentes. Não consegui explicar, claro. Enunciou pretensas medidas inexequíveis e ilusórias mas enunciou-as de forma gasta, sem vida.

A questão do salário mínimo, por exemplo. Claro que toda a gente gostaria que o salário mínimo desse um valente salto. Mas... e depois? Iria encostar-se ou ultrapassar os outros salários? Esses teriam que subir. Mas... iam encostar-se ou ultrapassar os seguintes...?

E as empresas iriam aguentar o embate dessa subida generalizada dos custos de mão-de-obra sem repercutir nos preços de venda? Provavelmente não. Com as margens de lucro esmagadas como andam por quase todo o lado... Mas os clientes iriam suportar o aumento de preços...? Bom, se calhar não.

É que, como António Costa referiu, grande parte dos possíveis beneficiários não são funcionários públicos ou trabalhadores de empresas altamente lucrativas. Grande número das pessoas que usufruem do salário mínimo trabalha em pequenos restaurantes, pequenos cafés, pequeno comércio. Numa altura em que todas essas pequenas empresas estão tão causticadas pela pandemia, como infligir-lhes ainda outro golpe...?

Subir o salário mínimo, sim, claro. Mas de forma gradual, de modo a que toda a cadeia económica consiga adaptar-se. 

O PCP e o BE não percebem isto? Bom. Se não percebem isto, então, mais vale que se dediquem a outra actividade, não à política ou a qualquer função em que se exija algum sentido de responsabilidade.

E, se percebem isto e, ainda assim o defendem, então das duas uma: ou querem o mal do país ou acreditam que a malta não percebe a sua hipocrisia.

Agarrado a conversas velhas, sem vida, o PCP continua, pois, a sua trajectória descendente. Não tem nada a propor. Continua a exibir jargões gastos, bandeiras que não convencem ninguém.

Antes vi excertos do debate de Rui Rio com o Ventura, Rui Rio com a Catarina Martins, Catarina Martins com o Rui Tavares.

A única coisa nova nisto é o cabelo da Catarina Martins: agora está loira e com madeixas.

Tirando isso, mantém-se populista, demagógica. Mostra que a deslealdade lhe corre nas veias, em abundância. 

Tal como Jerónimo de Sousa, usa argumentos hipócritas para defesa das suas indefensáveis atitudes.

Fui defensora e, depois, apoiante de uma solução à esquerda, apesar de já antes o PCP e o BE se terem aliado à direita para abrirem a porta a um governo de direita, um dos piores de sempre, o de Passos Coelho e Paulo Portas. Mas achei que traição tão grave acontece uma vez na vida. Acreditei que as probabilidades de voltar a acontecer eram mínimas.

Afinal aconteceu uma segunda vez. Sem outra justificação que não a de ceder ao facilitismo de querer agradar ao seus militantes mais fundamentalistas, Jerónimo e Catarina uniram-se ao Rui Rio, ao puto Chicão e ao execrável André Ventura, abrindo uma incompreensível crise. Idem ao IL mas esse não conta. Só conta, como já o disse, porque acho o Cotrim de Figueiredo uma bela figura de homem, ainda por cima sempre elegantemente vestido. E sabe falar e apresentar-se. Ora, na política, isso é importante mas não chega.

Mas, voltando ao PCP e ao Bloco. Tenho lembrado amiúde a propósito do comportamento destes dois partidos: Roma não paga a traidores. Portugal também não. Não perdoamos a traidores, ainda por cima traidores reincidentes. Da parte que me toca, e não passo uma simples e insignificante votante, não apoiarei novo acordo que envolva partidos nos quais o Jerónimo de Sousa, a Catarina Martins ou as manas Mortáguas estejam ao comando ou que tenham o cardeal Louçã na rectaguarda. É gente em que não é possível confiar. Lamento mas é coisa que não consigo ultrapassar. Não perdoo actuações políticas desleais, irresponsáveis, hipócritas.

Claro que Rui Rio também não é flor que se cheire: que não haja dúvidas sobre isso -- é errático, incoerente, é um troca-tintas, um tangas, não tem uma linha de rumo firme. Já deu mil provas disso. Não tenhamos pois dúvidas. Mas, a ter que contar com o apoio de algum partido, e se o Livre e o Pan (partidos relativamente neutros e em que, apesar de alguns excessos a absurdos, parece haver algum bom senso) não chegarem, preferiria que se desse uma little e controlada hipótese ao Rui Rio do que esperar que a demagoga e populista Catarina Martins e o gasto e servil Jerónimo (servil perante a linha dura dos seus militantes) traiam uma vez mais os seus eleitores (e o eleitorado de esquerda em geral).

Claro que preferia que o PS atingisse uma maioria estável sem necessidade de ficar na mão de quem começa bem mas acaba a chantagear. Confio no António Costa e confio na sua capacidade para formar e gerir equipas competentes e sérias. Confio na sua visão humanista e europeísta, confio na sua capacidade de ajustar um rumo estratégico face às circunstâncias adversas que vão ocorrendo, confio na sua capacidade de introduzir temas inovadores e na sua capacidade de ouvir e articular partes contrárias. 

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E agora ainda vou ler mais um pouco. 

Tenho andado a ler à vez: um pouco do Para quê tudo isto?, biografia de Manuel António Pina e um pouco do Como não morrer.

Comprei o segundo livro para a minha mãe. O bom efeito da nutrição na prevenção e tratamento de doenças é o género de livro de que ela gosta, ainda mais escrito por um médico. Depois de o ter comprado, cá em casa folheei-o e pareceu-me bastante interessante. 

Pensei que seria interessante para nós, cá em casa. Então, lembrei-me de o oferecer ao meu marido pelo Natal. Ofereci-lhe também o Jerusalém, a biografia. E, então, no meio da confusão da abertura dos presentes, todos a darem presentes a todos, abre ele o pacote com o Como não morrer e eis que o vejo ficar com ar estupefacto e os filhos a rirem e, ao mesmo tempo, a acharem que era um presente disparatado. Não percebi porquê. Não sei se acharam que era alguma indirecta, assim como se fosse um livro que se dá a alguém que está quase a bater as botas, se quê... Se o livro fosse: Como morrer mais depressa eu ainda perceberia que houvesse desagrado e estupefacção. Agora... é justamente o contrário... Nem é um livro dedicado à terceira idade. Não. É um livro bem escrito sobre as principais doenças causadoras de morte e como a medicina tradicional as encaram vis a vis uma alimentação saudável e equilibrada e um exercício físico adequado para as prevenir e ajudar a combater. Vou lendo aos bochechos e, até ver, estou a gostar de ler. Até estou a pensar oferecer aos meus filhos. Acredito piamente que uma vida saudável e uma alimentação equilibrada são fundamentais. Não garantem a vida eterna -- e ainda bem porque a vida eterna deveria ser uma seca -- mas talvez ajudem a viver melhor.


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As pinturas de Odilon Redon não têm muito a ver com o texto mas também o Vejam bem do Zeca não tem e não é por isso que deixa de ser aqui muito bem vindo.

E, para provar que não há limites para o despropósito e para lembrar que são precisos dois para dançar o tango, trago aqui, uma vez mais, o belíssimo tango dançado por Al Pacino e Gabrielle Anwar no Perfume de Mulher.


E se é bom ver Al Pacino a dançar, imagine-se o que será dançar com ele...


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Desejo-vos uma boa quarta-feira
Boa sorte. Saúde. Boa disposição. Coragem.

domingo, novembro 14, 2021

Alô, alô Catarina Martins! Alô, alô Mana Mortágua!
O que é que ainda não perceberam?
Continuem assim, populistas, cínicas, convencidas, a achar que os portugueses são burros e ainda acabam com menos votos que o CDS...

 

Estou a ver o noticiário e pasmo com a hipocrisia, com a sucessão de mentiras e com a permanente manipulação da informação por parte das desagradáveis dirigentes bloquistas. Tão arrogantes são que não percebem que os portugueses já as toparam faz tempo.

Não são uma maneira nova de estar na política como, de início, tentaram parecer. Pior ainda que isso: não querem o bem dos portugueses. 

Por duas vezes, em momentos críticos, juntamente com os comunistas, deram o braço à direita para deitar abaixo um governo socialista. 

Da primeira vez, abriram a porta ao pior período da era democrática, o período em que o Láparo, de braço dado com Portas, quis ir mais longe do que a troika (o Alberto João chamou ao período passista um período de genocídio social e de um aventureirismo que consistiu em dar cabo da economia supostamente para pôr bem as finanças e, em que, obviamente não melhoraram as finanças e estraçalharam a economia). E quem abriu a porta para que Passos Coelho e Paulo Portas quase aniquilassem o País foi o PCP, o Bloco de Esquerda, de braço dado com o CDS e o PSD. Não nos esqueçamos nunca disto.

Desta vez espero que lhes saia o tiro pela culatra e não consigam o que pretendem (embora, mentirosamente, digam que não): colocar a direita no poder. 

As do Bloco de Esquerda praticam uma política rasteira, falsa. São demagógicas. São populistas. E são capazes das maiores deslealdades e traições. Já aqui o disse e volto a dizer. Em Portugal seguimos a velha máxima romana de que não pagamos a traidores. Portugal não lhes perdoará (tal como não perdoará aos comunistas).

As sondagens apontam para um resultado desastroso nas próximas eleições para o Bloco de Esquerda (tal como para os comunistas que, desde há muito, se encontram numa trajectória suicidária e agora, dando o braço à direita para derrubar os socialistas, ainda mais) e, a continuarem a portar-se como sempre se portam, terão ainda menos. 

Até que desaparecerão. Renascerão, mais tarde, noutra qualquer agremiação de ex-trostkistas, ex-maoistas, ex-marxistas-leninistas, sempre com ar blasé, armados em doutores da mula russa, com uma suposta grande paciência para explicar coisas ao povo. Só que o povo já os topa à légua, já não lhes liga peva.

As pessoas que votavam no Bloco e que eram decentes irão votar no PS e os que votavam nelas apenas porque lhes apreciavam a veia populista e demagógica, vão votar no Chega.

Se fossem inteligentes, percebiam isto e faziam um esforço para perder a cagança e para assimilarem o que o povo pensa. Mas como não são inteligentes e como se estão a cagar para o povo, iremos continuar a vê-las a andar por aí, uma a representar, toda sorrisos, feita Marine le Pen a falar para as massas, outra, feita doutora-urubu, a falar de alto, a dar lições não se sabe bem a quem.

Enquanto isto, o Chega vai alegremente recebendo os dissidentes do Bloco, do PCP, do CDS e do PSD. As sondagens já os dão com 10%, já a terceira força política do país. Uma vergonha. Sobretudo uma vergonha para o Bloco e para o PCP.

(Nem falo do PSD e do CDS que esses, autofágicos e destrambelhados como andam, se encarregarão de se devorar a si próprios)

É o que é.

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Durante o dia de domingo, talvez ao princípio da tarde, publicarei outro post, bastante diferente deste. 

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Mas, enquanto não publico, aqui ficam já os meus votos para um feliz dia de domingo

sexta-feira, novembro 05, 2021

Marcelo -- ou a arte de dissolver a Assembleia e, en passant, também dar uma ajudinha na dissolução dos partidos à esquerda e à direita do PS

 


A data deixa-me indiferente. A ter que dizer alguma coisa, direi que é razoável. Mas o tema não é a data. O tema é o absurdo disto tudo. 

Dois partidos de esquerda, desfasados da realidade e atados ao que pensam ser o fio de ariadne que os prende ao que resta do seu exíguo eleitorado, entenderam que deveriam impor ao PS medidas com que o PS, que tem a responsabilidade de assegurar as boas contas e que já tinha feito inúmeras e generosas concessões, entendeu não dever comprometer-se. O Orçamento era equilibrado e francamente à esquerda, beneficiando amplamente o eleitorado natural do PC e do Bloco. 

Marcelo, que gosta de ser ele a estar no centro da agenda mediática, em vez de ser sensato e esperar que o PCP e o BE caíssem neles e constatassem que nunca tinham tido orçamento tão favorável, não senhor, resolveu chamar o protagonismo a si e, precipitadamente, informou que, se o Orçamento fosse chumbado, liquefaria a Assembleia e convocaria eleições.

Ninguém o levou a sério: parecia ser mais uma das suas sound bites para conseguir saltar para as primeiras páginas.

Com os nervos à flor da pele -- e com medo de desagradar aos membros mais fundamentalistas dos respectivos partidos -- e marimbando-se para o 'povo', o orçamento chumbou mesmo. 

Para espanto e incompreensão de toda a gente, o Bloco e o PCP apareceram de braço dado com o PSD, o CDS, a IL e... quem poderia imaginar?... até com o Chega. A esquerda e a direita do PS unidas para fazerem o País perder tempo e andar para trás numa altura crítica em que o sentido de Estado aconselharia a unir esforços num sentido construtivo e não destrutivo. Uma vergonha de que os portugueses não se esquecerão.

O retratista do reino deveria ter mandado que se sentassem todos do mesmo lado da mesa para lhes tirarem um retrato para a posteridade.

Aí chegados, o Marcelo, enfiado na saia justa que ele mesmo costurou, não teve outro remédio senão passar das palavras aos actos.

Confrontados com a consequência dos seus actos, o Bloco e o PCP, na maior imbecilidade, vieram, então, dizer que não queriam que isto acontecesse, queriam esticar a corda mas nunca, jamais, em tempo algum, provocar a liquefacção do parlamento. Tarde demais. Pela segunda vez, a espúria aliança já tinha sido consumada. Uma vez mais, o Bloco e o PCP trairam os seus eleitores. Logicamente, o mais normal é que, nas eleições, sejam dissolvidos de vez.

E, perante este cenário, para animar a festa, o PSD e o CDS resolveram começar a devorar-se uns aos outros. Agridem-se à bruta e, não contentes com isso, deram também em fornicar-se mutuamente, a toda a hora, à frente de toda a gente. Uma orgia de tal forma alargada e assanhada que chega a ser indecente. De cada vez que um deles fala, demonstra aos eleitores que neles é que ninguém se pode fiar. Nem internamente conseguem ser civilizados e responsáveis, faria se se apanhassem aos comandos do país. 


Não é só o espectáculo de lavarem a roupa suja em público. É mesmo a falta de decoro. É agressão, fornicanço e canibalismo praticado a toda a hora, à frente de toda a gente. A maior pouca vergonha.

No meio disto, Marcelo apareceu hoje ao País com ar esvaído, quase a fazer beicinho, aspecto de quem se sente acossado (quando foi ele próprio que se meteu nesta ratoeira), esforçando-se por justificar o que aconteceu. No fim da alocução, saiu de fininho, curvado, enfiado, rabo entre as pernas. Longe vão os áureos tempos em que corria para observar o acidente do eléctrico na Baixa, para acudir na queda da avioneta ou para andar a distribuir beijinhos e selfies pelas feiras, pelas ruas, de casa em casa, e em que, arrebatadamente, não resistia a ligar em directo para o programa da Cristina Ferreira. Longe, muito longe, vão esses tempos.

E a gente percebe que ele percebe que corre sérios riscos de ficar para a história como o presidente que dissolveu não apenas a Assembleia da República mas também os partidos à esquerda e à direita do PS. Dissolvidos, feitos em água, reduzidos a pó. E a ver se, no processo, não se dissolve a ele próprio.

Está bonito isto, está, está.


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E, já agora, a propósito de se sentarem do mesmo lado da mesa para ficarem todos no retrato, aqui fica a Última Ceia by Mel Brooks

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Inté

sexta-feira, outubro 29, 2021

Ó pr'a ele todo armado em 1º ministro, todo prosa, todo bicos dos pés.
Upa lá-lá.
'Tá aí pr'a levar tudo à frente. Cuidado com ele...

 

Nas várias pessoas com quem hoje falei, a estupefacção e a irritação contra o PCP e o Bloco são generalizadas. Ninguém percebe, ninguém aceita. 

A minha mãe, então, estava quase fora de si. Gente mais parva, concluía ela. Dei-lhe razão. Sobre o Bloco, ainda tentou desculpabilizar o todo, concentrando num só elemento a fonte de todo o mal: aquilo é tudo coisa daquele urubu, sempre de preto. Aí não lhe dei totalmente razão. Não sei se só é do urubu. Acho que também é da parrachita (como no outro dia ouvi chamar-lhe), talvez também do pérfido cardeal ou de toda aquela conjugação de ismos azedos, requentados, fora de prazo. O que sei é que de uma coisa podemos agora estar certos: aquilo é gente que não pensa.

Isto do lado das esquerdas reunidas (reunidas entre si & com a direita & com o Chega à mistura -- não nos esqueçamos). Quanto às direitas, o que se conclui é que reina o forrobodó. Guincham pela perspectiva do poder como histriónicas e impacientes gatas com cio. 

Desforrando-me de não ter televisão (ainda não tenho!), ao vir para casa ao fim do dia, vinha ouvindo as notícias. 

O PSD em efervescência. O Rangel, todo ele insuflado com a oportunidade que lhe puseram ao colo, com a voz em ebulição e já a querer dar-se ares de importante, enchia o peito de ar para dizer que tinha convidado o Professor Poiares e que o Professor Poiares tinha aceitado e que o Professor Poiares e ele próprio tinham convidado o distinto Professor Alexandre e que o distinto professor Alexandre tinha aceitado fazerem parte da equipa que vai fazer o programa. Muito jogo. Ganda Rangel. E acrescentou que, muita atenção, estas eleições não são para líder da oposição mas para primeiro-ministro. E todo ele, ao falar, se mostrava num verdadeiro frenesim imaginando-se primeiro-ministro. Um primeiro ministro que leva tudo à frente. Upa lá-lá. Cuidado com ele.

E, na euforia (e na ausência de substrato próprio), está a desenterrar toda a tralha passista para lhe fazerem uma cadeirinha e o levarem ao colo às eleições. 

Será uma coisa mais fofa de se ver. 

Já nem quer saber do Rio para nada. Na sua cabeça desfraldada, o PSD já é todo dele. E fala de datas, põe e dispõe, analisa na perspectiva disto e na perspectiva daquilo, todo ele teoria, uma coisa mesmo engraçada de se ver. 

E depois ainda há quem diga que não se espere ver uma galinha a trepar às árvores. Ai não que não. A cacarejante aí anda provando que pode tudo: trepar às árvores, nadar à cão, ir ao Daniel e, armado em pr'a frentex e fracturante, assumir-se, convidar professores e, pasme-se, até distribuir jogo em Belém.

Quanto ao CDS, enquanto o puto Chicão se reúne com o alpacas Rio, o Pintas Melo anda a ver se adia ou se antecipa eleições, já nem sei (nem interessa para nada). Nos áureos tempos em que Madame Cristas da Coxa Grossa fazia poses extraordinárias em São Pedro de Alcântara mostrando-se coberta de kiwis, ainda havia assunto de que se falasse no CDS. 


Agora com o puto Chicão, que tem medo de qualquer pum mais estrepitoso ficando de olhinhos esbugalhados a ver se percebe quem o deu, e que tem conseguido a proeza de reduzir o partido a raspas, já ninguém lhes liga patavina.

No meio disto não sei que ideias levitam na cabeça do exuberante Marcelo mas que ele ajudou à festa, lá isso ajudou. Portanto, agora que desembrulhe a crise que ajudou a criar ao dar corda a quem só a sabe usar de forma perigosa para si e para os outros. Se o seu primeiro mandato foi o dos omnipresentes beijinhos a ver vamos se o segundo não será o das permanentes macacadas.

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Como é bom de ver, a imagem do Upa lá-lá Rangel provem do saudoso We have kaos in the garden.

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E até já

quarta-feira, outubro 27, 2021

PCP e BE -- esqueceram-se que Roma não paga a traidores

 

Esqueceram-se. Mas o País não o esquece.

Para já, é isto. Só isto.

A Catarina Martins, quase em lágrimas, quase implorou a Costa que a impeça de votar contra o OE.
O coração do PCP balança: não sabe se trame os portugueses ou se esqueça os comunas da linha dura.
Rui Rio porta-se como um alienado e nada do que diz pode ser levado a sério.
O CDS está à beira da estrada a ver se alguém os leva a dar uma voltinha,
O Ventura mostra, uma vez mais, que está aqui apenas para atirar foguetes.
O Cotrim, perante tudo isto, mostrou como é que deve vestir-se um deputado.
A Inês mostrou que o PAN pode não ser muito para se levar a sério mas que a ela devemos prestar atenção.

O título foi longo e poderia ficar-me por aí. Mas, como sou extrovertida, aproveito para responder a alguns comentários e mails e, de caminho, para acrescentar uns pontinhos.

Acredito que o Orçamento ainda pode ter pernas para andar. Convém termos presente aquela coisa da estupidez: a estupidez é uma burrice sem beneficiários. Ora, se a estupidez ainda não se materializou, ou seja, se a votação ainda não ocorreu, ainda pode acontecer que os que se meteram nisto armados em leões percebam que o melhor é saírem de fininho. Entrada de leão, saída de sendeiro. Melhor isso do que se atirarem da ribanceira abaixo.

Talvez recuem percebendo que não iam apenas prejudicar os portugueses em geral (coisa para a qual se estão a marimbar) como se iriam prejudicar a eles próprios. Talvez o PCP e o BE percebam que perderam a noção da realidade ao pretenderem que o governo altere a sua linha governativa legitimada pela votação obtida nas últimas legislativas para governar de acordo com a vontade deles que tiveram 6% e 9%. Talvez tenham um lampejo de lucidez e percebam que os 36% de eleitores do PS não querem ser governados segundo as suas arrogantes imposições. Talvez percebam que são pequenos e, em trajectória descendente, cada vez mais pequenos. Talvez percebam que, se voltam a trair a confiança dos poucos que ainda votam neles, então mais vale dedicarem-se à pesca ou a outra coisa qualquer. 

Ou pode acontecer que, num derradeiro acto de misericórdia, o Costa lhes atire um peanut qualquer para eles, perante os seus fiéis, poderem fingir que ganharam alguma coisa.

Depois de ter visto as imagens do Parlamento, com a bancada do Bloco de Esquerda toda tef-tef, margarida, desorientadas, e a própria Catarina, com ar aterrado, quase a chorar, a pedir que o Costa lhe pegue ao colo ou, pelo menos, lhe dê a mão, acredito que, pelo menos, o Bloco já percebeu que fez porcaria (só que agora não sabe como sair do beco em que se enfiou). 

Quanto ao PCP, acredito que o coração deles balança. Por um lado, a linha mais racional quer ter uma atitude responsável mas, por outro, a linha dura, a linha que gosta de manifs e punho erguido, quer é ter motivos para o protesto e, para isso, têm os portugueses que estar a ser bem lixados. Portanto, a ver o que o Jerónimo vai fazer: se opta por satisfazer os comunas de linha dura ou se opta por querer o bem dos portugueses.

Mas também acredito numa coisa. Se por uma bizarra convergência de burrices, houver mesmo eleições antecipadas, acredito que 

  • o PS ver-se-á reforçado já que nisto tudo é quem, a par do PAN, tem mostrado ter cabeça e sentido de responsabilidade;

  • o PSD levará uma tareia das valentes, ainda por cima destrambelhados como andam ;
  • o PCP e o BE, obviamente, levarão um valente chega para lá pois ninguém gosta de irresponsáveis, arrogantes e gente que se porta de forma estúpida;
  • o CDS quase desaparecerá do mapa; 
  • a IL talvez se aguente pois o Cotrim, para além de ter pinta e de se saber vestir, é elegante e educado;

  • o Chega deve subir, repescando os distraídos, os manipuláveis, os desiludidos e os destituídos que assim se juntarão aos desinformados, aos ignorantes, aos arruaceiros e aos patifes que já lá estão. 

Portanto, acreditando que, a haver eleições, o PS sairá reforçado, a verdade é que não me agrada nem um bocadinho que, em vez de haver uma oposição construtiva e responsável, se tenha apenas um bando de gente desorquestrada e de um Chega perigosamente circulando com via verde para fazer a porcaria que quiser.

Quanto ao Marcelo, ele sabe bem que, se houver eleições antecipadas, o seu nome ficará ligado ao reforço do PS, ao estilhaçar dos partidos à esquerda e à direita do PS bem como à ascensão do Chega. E o que se seguirá poderá não ser bonito de se ver. 

E essa não é, seguramente, a forma como quererá ser recordado. Marcelo sabe bem que a memória das pessoas é curta. Os últimos tempos do seu mandato facilmente apagarão os seus áureos tempos pré-pandemia, o tempo dos afectos, das selfies e dos beijinhos. 

Por isso, pode muito bem acontecer que esteja a pôr toda a sua habilidade de experiente jogador político ao serviço da aritmética que pode garantir pelo menos mais um ano de governação estável.

E depois há aquilo em que parece que ninguém antes tinha pensado e que pode ser saída para se seguir em frente. Em frente mas com uns a irem ao charco e outros enfiados num saco de gatos. Em frente mas com os comentadores todos em histeria, todos a terem epifanias -- uma coisa também muito difícil de suportar. 

Enfim, vamos esperar que, fruto de interpretações regulamentares, habilidades alheias ou arrependimentos próprios, haja quem, à última hora, consiga que não se perca tempo com frivolidades e que, pelo contrário, possamos concentrar-nos no que é necessário (desenvolver-nos, por exemplo).

E agora vou pensar noutra coisa para não cansar a minha beleza.