De quando em vez um ou outro comentador de direita da nossa televisão diz mal do Pedro Sánchez. Não conheço o suficiente da politica espanhola para me pronunciar mas há pelo menos duas coisas que sei. A economia espanhola é das que mais cresce na UE e o PM espanhol, ao contrário do que acontece com o governo português, não faz fretes ao Trump e não verga a espinha à administração americana. Eu sei que é difícil a Europa falar a uma só voz e que há líderes europeus que não aprendem, mas as declarações que têm sido feitas por estes lados são verdadeiramente irritantes e diminuem o papel que UE devia ter na cena internacional.
Não aprenderam que a única vez que a Europa mostrou alguma união e fez frente ao Trump, refiro-me á Gronelândia, o tipo TACO (Trump always chickens out). Não percebem ou não querem perceber que estes actos da administração americana, que toma medidas despóticas, irracionais, que não respeitam o direito internacional e fortalecem objetivamente as posições dos russos e dos chineses têm que ser criticados e a que UE não pode ser complacente com eles. O que vale é a lei do mais forte e, se a UE fosse firme, poderia fazer das fraquezas forças e começar a contar na política mundial.
Na realidade, a Europa dividida e minada por duas ou três toupeiras, não é suficientemente forte e muitos dos países da UE não contam para este campeonato. O Macron, de vez em quando, tenta pôr-se em bicos dos pés e o Merz dá mais no cravo que na ferradura. Por exemplo, na terça-feira, na Casa Branca, quase fez figura de urso.
No caso português, ninguém os tem no sítio. A entrevista do Paulo Rangel na CNN para justificar o injustificável relativamente às Lajes foi ridícula. Nem coragem têm para assumir o que aconteceu. Estou convencido que, se o Pedro Sanchez fizesse alguma escola, a Europa era mais respeitada e o eixo transatlântico não ia ao fundo, antes pelo contrário. Felizmente, esta quarta-feira, o Costa mostrou solidariedade com Espanha o que é relevante.
Tenhamos esperança, mas não estou suficientemente confiante que as midterms tragam grandes mudanças nos Estados Unidos. O Trump é tão nocivo como o Putin e a sua eleição foi uma verdadeira catástrofe planetária.
O Trump é um grande problema, mas, o problema enorme são aqueles que o rodeiam e que tudo manobram para conseguirem os votos dos grunhos e demais acéfalos. Será que vão conseguir continuar a manobrar a esta gente em Novembro?
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Uma nota final: A conferência de imprensa do Peter Hegseth e a forma como falou do afundamento do navio iraniano revelam bem a boçalidade da administração americana. Ao elogiar empolgadamente a forma como, com um torpedo, o navio foi afundado, esquecendo-se que a bordo estavam quase duzentas pessoas, revela a crueldade e a falta de respeito pela vida humana da administração Trump.
Tinha identificado uns quantos candidatos a serem sucessores de Ali Khamenei mas o ataque foi tão bem sucedido que morreram todos.
Isto foi dito por Trump.
Não é de loucos? Eu ouço isto e não consigo conter uma gargalhada. Não parece uma anedota? Mata um para pôr uns que ele lá sabe e, afinal, mata-os a todos? Se não fosse trágico, não era de ir às lágrimas?
É como aquela outra maluquice. Perante as crescentes vozes de que não havia quaisquer evidências de que nos próximos anos o Irão representasse qualquer risco, o fofo Marco Rubio, sempre com aquela sua boquinha de folhos e ar meio perdido, veio dizer que a coisa tinha sido assim: os americanos tinham sabido que Israel -- que se está nas tintas para as negociações que os dois artolas, o genro e o outro totó também do imobiliário, andavam a ter com o Irão -- tinha descoberto uma cena que era uma janela de oportunidade e que iam avançar à bomba sobre o dito Irão. E que pensaram que, se isso ia acontecer, os iranianos, furiosos, iriam retaliar e ainda iam fazer mal aos americanos. Portanto, antes que isso acontecesse, apanharam a boleia de Israel e lá foram dar cabo deles.
Perante a candura desta confissão, a casa veio abaixo: uns a rebolar a rir, outros de boca aberta. Então foi essa a grande razão para avançarem para uma guerra destas que está a desestabilizar o mundo? Então é mesmo verdade que o Bibi é que manda nos Estados Unidos?
Face a esta revelação que pôs o mundo a dar cambalhotas para trás e para a frente, meio mundo perplexo e desconcertado e o outro meio sem sabe se rir ou chorar, Trump, para remediar a barracada, veio contradizer o Marquito: não, não nada disso, não foi bem assim, ele é que forçou a mão de Israel. Só que ninguém acredita numa palavra que ele diz.
Enquanto estou a escrever, estou a ver televisão. E de novo aqui está ele. Confirma que mataram todos os que pensaram que poderiam suceder a Khamenei mas que vão lançar uma onda de ataques ainda mais ofensiva e que, provavelmente, vão matar outros que talvez também pudessem servir. E como, se calhar, a seguir haverá outra onda de ataques ainda mais destrutiva, se calhar depois já lá não conhecem ninguém.
Ouço isto e penso: mas isto não será para os Apanhados? Isto não será uma comédia? É que é tudo uma maluquice tão grande que é impossível encontrar aqui algum racional.
Também o ouvi a dizer que vai proibir todo o comércio contra Espanha e que, se quiser, usa as bases que (o corajoso e, aparentemente, dos poucos adultos na sala) Pedro Sánchez diz que ele não pode usar. Que não precisa mas, se precisar, os aviões vão para lá e sempre quer ver quem é que o vai proibir.
Ouço isto e penso que é preciso respirar fundo. Um palhaço destes armado em ditador, em imperador de meia tigela...
E não sei se este voluntarismo é bazófia, se é loucura, se é um destemperamento provocador e inconsequente, se é ganância, ou se é demência pura e dura. Sobretudo penso que um estupor destes está é a precisar de uma lição.
E, o que mais me tira do sério, é que, ao lado dele está Merz... a apoiá-lo... Porquê? Como se ouve uma coisa destas e se fica a apoiar? Como!? Não deveria interrompê-lo, não deveria dizer que cada país é soberano e que ninguém se pode sobrepor a isso e, mostrando que não está para alimentar a sede imperialista do bufão laranja, não deveria levantar-se e sair da sala?
Enfim... Um mundo pantanoso em que uns quantos espantalhos se levantam para roubar, vilipendiar e matar os indefesos que esbracejam, tentando salvar-se.
No vídeo abaixo fala-se numa coisa que me parece muito verdade: se pensarmos em líderes que desencadeiam guerras ilegais, cruéis criminosos de guerra que causam muitas mortes absurdas, então, ao lado de Putin, haverá que colocar Donald Trump e Benjamin Netanyahu.
Claro que, ao falar-se em líderes, David Rothkopf torce-se todo e questiona-se sobre se Trump é mesmo um líder ou, até mais do que um belicista aventureiro, não é senão um grande e gordo motor de impulso laranja.
E, com isto, já estão a perceber que, uma vez mais, escolho quem quero ouvir sobre o que se passa. Fonte sempre muito bem informada, David Rothkopf, aqui no vídeo ainda não tinha ouvido a confissão de Rubio e as parvoíces de Trump que se lhes seguiram já que a conversa com Joanna Coles foi gravada na 2ª feira de manhã. Mas é sempre uma voz que se ouve de gosto (relembro que nas definições do vídeo podem seleccionar legendar e, aí, seleccionar a auto-tradução para português)
Como a guerra de Trump desencadeou um novo eixo do mal | Podcast do The Daily Beast
David Rothkopf junta-se a Joanna Coles para defender que a guerra de Donald Trump contra o Irão revela um presidente que acredita governar como um rei, e não como um comandante-chefe constitucional. Rothkopf, colunista imperdível do The Daily Beast e fundador da DSR Network, apresenta os argumentos de que se trata de uma guerra ilegal, iniciada sem a aprovação do Congresso, com apenas 21% de apoio público, sem um processo coerente do Conselho de Segurança Nacional e com baixas iniciais que já agravam o caos. Relaciona o ataque impulsivo de Trump aos incentivos políticos de Benjamin Netanyahu, ao risco de escalada regional, aos choques petrolíferos em vésperas de eleições intercalares e à perigosa fantasia de que a mudança de regime resultará de alguma forma em democracia em Teerão.
Há muitos anos comprei um blusão de pele. É forrado a cetim e tem um feitio intemporal. Sempre gostei imenso de o vestir, sinto-me bem, não é quente nem frio, não é justo nem é largo. Nem é desportivo nem clássico. Portanto, sempre o vesti em qualquer situação.
No entanto, não sei se foi o maluco do cão que, quando era mais pequeno, num daqueles saltos festivos, ferrou o dentinho ou se foi qualquer outro acidente: rasgou-se atrás, um pouco acima do cós. Fiquei passada. Não passada no sentido de zangada, já que acidentes acontecem, mas triste. Pus cola, tentando disfarçar, colando a pele ao forro. Não ficou grande coisa. E acabou por se deslocar e rasgar um bocado mais. Quando o visto, o meu marido diz que já não está capaz. É que, para além do rasgão, o cabedal também já está, em várias zonas, um pouco coçado. Tenho ideia que já a minha mãe também me dizia que o blusão já tinha visto melhores dias e que, se calhar, estava na altura de me desfazer dele.
Contudo, parece que gosto ainda mais dele. Parece que está cada vez mais afeiçoado a mim e eu a ele. E vejo beleza no passar do tempo sobre aquela pele.
Ocorre-me ainda uma outra coisa: há um lugar, in heaven, em que o terreno desce e se encosta à propriedade vizinha, vendo-se para lá e de lá para o nosso lado. Há uns anos imaginei um grande muro que estabelecesse uma barreira visual. Alto e comprido, com várias faces, quase como um grande livro aberto, com folhas desdobradas. A minha ideia era fazer pinturas em cada folha do muro. Poderia ser uma história que se desenrolasse ao longo da superfície ou poderia ser um deslizar de cores em movimento, formas abstractas, subtis. Sonhei com o que lá iria desenhar e pintar. Antecipei o prazer que era, para mim, pintar à mão livre em grandes superfícies.
Para começar, houve que aplicar primário e, a seguir, umas camadas de tinta branca para que, com a superfície devidamente selada, pudesse, então, partir para as minhas rêveries.
E o que aconteceu é que me apaixonei pelo muro branco. As sombras que lá se desenhavam, as árvores ao lado, os arbustos por detrás, tudo aquilo, na singeleza de um grande muro branco, me parecia muito belo.
Andei naquela dúvida durante algum tempo: persistir na ideia que me tinha levado a construi-lo ou abdicar dela e aceitar a surpresa da inesperada beleza de uma superfície branca. Ficou assim. Agora a perder cor, com alguns musgos, com aquela patine que acrescenta beleza ao tempo.
E depois há aquelas outras imperfeições que me parecem embelezar e enriquecer os objectos. Vou dar um exemplo do qual já aqui falei algumas vezes. Uma vez fui sozinha, para poder andar com tempo e à vontade, à FIL Artesanato. Já foi na FIL no Parque das Nações mas deve ter sido pouco depois da Expo 98. Saí do trabalho e fui para lá. Tínhamos mudado de casa pouco antes, havia muito por decorar. A feira enorme, cores, criatividade, tudo muito apelativo. Vi coisas giríssimas e fui comprando. Claro que não trouxe tudo aquilo de que gostava mas, ainda assim, muita coisa. Pior: coisas muito pesadas. As coisas mais pesadas, eu pedia para ficarem no stand enquanto ia passarinhar por outros stands. Antes de me vir embora, fui fazer a recolha. Tenho ideia que já eram umas dez da noite, senão mais. Quando me vi com aquilo tudo, percebi o disparate. Pensei que não ia conseguir. Quilos e quilos e quilos. Muitas peças em terracota, espessa, pesada. E peças muito grandes. Não podia deixar cair, senão partiam-se. E quase não conseguia dar passo. Aliás, dava dois passos e parava e pousava tudo. Depois mal conseguia retomar. O carro tinha ficado numa rua perto mas, com uma carga daquelas, era como se estivesse a milhas. Só me ocorria ligar ao meu marido e pedir que me fosse buscar. Mas já era tarde e não ia ficar no meio da rua, rodeada de tralha, assim de noite, para além de que não ia dar-lhe essa colherzinha de chá...
Mas, não sei como, lá consegui. Cheguei a casa esbaforida, derreada, arrasada, apesar de ter deixado grande parte das compras no carro, para o meu marido lá ir buscar. Escusado será dizer que ficou até assustado com o despropósito de tamanho carregamento. Aliás, já tinha apanhado um susto pois eu nunca mais aparecia e não atendia o telefone. Lá dentro, com o barulho, não ouvia tocar. E, na rua, ajoujada como ia, não tinha mãos para pegar no telemóvel e depois, não sei como, deixei-o cair para dentro de um saco que ficou no porta-bagagem e nessa altura ainda não havia bluetooth. Aquela noite foi um stress do qual jamais me esquecerei
Uma das peças que trouxe é uma senhora a fazer tricot. Andando eu, naquela altura, sempre a fazer tapetes de arraiolos, isto depois do período do crochet e do tricot, achei que aquela mulher era uma bela piada para mim própria. E nessa mesma noite coloquei-a na sala do piso superior.
Na altura, a nossa cãzinha, a doce boxer cor de mel, estava na flor da sua idade. Dormia na sua caminha, na copa. Geralmente, quando acordava, subia a escada e vinha para o nosso quarto. Mas, na manhã seguinte, acordámos com ela a ladrar furiosamente, como quando alguém tocava à porta. Contudo, o ladrar vinha da sala. Não fazíamos ideia do que se passava, alguma coisa era. Fomos ver, intrigados.
Estava, então, a ladrar, possuída, aos saltos, junto à senhora que, tranquilamente, fazia tricot. Fartámo-nos de rir.
Por segurança, tivemos que pôr a nova habitante quase entalada entre um sofá e o móvel-estante, para a proteger, pois a raiva contra o abuso de invasão do seu espaço poderia levar a ex-pacífica cãzinha a atacar a pacífica senhora.
Sempre tive mil cuidados para que não se partisse. Quando mudámos de casa, quase a trouxe ao colo, entre espuma, com receio de algum acidente.
Pois bem... há algum tempo, ao passar por ela, o casaco de malha solto que trazia prendeu-se numa das agulhas de tricot e, pimbas, lá caiu a senhora. Desastre, desastre. Quebrou-se toda. Fiquei cilindrada. Mas por pouco tempo. Resolvi que ainda não tinha chegado a hora dela. Fui buscar cola e tentei recompô-la. Depois, ainda pensei tentar disfarçar as cicatrizes. Mas ficou assim. Acho-a ainda mais bonita, imperfeita, não escondendo as vicissitudes pelas quais passou.
(ampliem a saia e os joelhos e verão as cicatrizes...)
Quem a veja, pensará que termos, num lugar de tanto destaque, uma peça que se vê que já se escaqueirou toda não tem grande jeito. Mas eu acho que tem.
E, com todas estas minhas particularidades, já concluí muitas vezes que, afinal, se calhar o que há em mim não será tanto uma valente pancada mas uma veia oriental.
A minha casa não é nada como as casas que no vídeo abaixo se veem, pois resulta de uma vida inteira vivida segundo hábitos ocidentais. Não é uma casa minimalista nem monocromática. Mas, apesar de tudo, é uma casa que privilegia o espaço livre e a entrada da luz. Circula-se abertamente pela casa toda, sem obstáculos.
E passo a vida a fotografar reflexos, projecções, sombras e luzes vogando sobre os objectos.
Shibui é a estética japonesa que encontra beleza na simplicidade, na imperfeição e na passagem do tempo. Ao contrário do minimalismo extremo que se concentra no vazio, o Shibui cria riqueza através de materiais naturais, artesanato e uma elegância discreta que se torna ainda mais bela com o passar dos anos.
Principais Características do Shibui
Beleza Sutil e Natural: Valoriza materiais naturais (madeira, pedra, algodão) e formas imperfeitas, muitas vezes associado ao conceito de wabi-sabi.
Contenção e Moderação: O design é simples, funcional e sem adornos desnecessários.
Profundidade: A beleza não é óbvia; é algo que cresce com o tempo e o uso.
Cores Neutras: Preferência por tons suaves, apagados ou monocromáticos, como cinza, castanho e branco suave.
Elegância Discreta: É o oposto de chamativo; uma sofisticação tranquila.
O Shibui aplica-se a artes, design de interiores, arquitetura e à vida quotidiana, focando-se no que permanece bonito ao longo do tempo.
Quando os aviões cruzam os céus para despejar bombas, quando os mísseis atravessam países, quando pessoas começam a reduzir-se à condição de corpos -- e quando as televisões nos encharcam as mentes com imagens e com explicações e mil comentários -- chego a esta hora e mais depressa me apetece falar dos meus meninos, todos os dias mais crescidos, do que de toda a instabilidade que grassa pelo mundo.
Tempos houve, e não foram longínquos, em que os países faziam as pazes, em que os muros caíam, em que as guerras, fossem guerras de bombas e botas no terreno ou guerras frias, pareciam coisa do passado. Infelizmente voltámos a esses tempos sombrios. E é um pavor.
Como chegámos até aqui?
Talvez a explicação esteja na ausência de saúde moral de parte dos regimes que, em vez de cultivarem a paz, parece que, no seu âmago, se atolam na lama.
Diz David Rothkopf que a assinatura de Trump e, na realidade, a assinatura destes tempos é a 'história' que se conta através dos ficheiros Epstein.
E, embora já aqui tenha falado dele algumas vezes pois gosto imenso de ouvi-lo, recordo que David Rothkopf é uma pessoa particularmente bem informada, daquelas pessoas de quem se pode dizer que bebe do fino. O seu currículo é impressionante e a quantidade de pessoas que conhece e conheceu de perto, a rede de informações que facilmente cruza, e a forma simples, quase humilde, mas sempre perspicaz e sólida, tornam-no, a meus olhos, uma pessoa cujas opiniões interessam.
Aqui, no vídeo que abaixo partilho, está de novo à conversa com Joanna Coles que garante sempre conversas interessantes, leves qb e com um toque de boa disposição. A conversa decorreu no momento em que Clinton, com quem David Rothkopf trabalhou, estava a depor no Congresso. Por isso, a novidade do ataque ao Irão ainda não tinha ocorrido.
A conversa é longa mas tem interesse do princípio ao fim.
Para quem duvida das ligações de Epstein à Rússia ou à Mossad, para quem duvida da longa mão de Putin na governação Trump, para quem ainda pensa que tudo gira à volta de sexo com menores de idade, para quem ainda não percebeu o esquema da troca de favores e da pirâmide da influência, para quem ainda não percebeu como o esquema de financiamento privado que existe nos Estados Unidos com políticos e universidades a terem que arranjar financiamento para as suas actividades leva, quase inevitavelmente, à venalidade -- aqui fala-se de tudo isso.
Porque é que Epstein é o crime que define Trump: Rothkopf | Podcast do The Daily Beast
David Rothkopf junta-se a Joanna Coles para defender que o escândalo Epstein é a crise que define Donald Trump, ligando o poder global, a desigualdade de rendimentos, a corrupção e a impunidade. Rothkopf, colunista imperdível do The Daily Beast e fundador da DSR Network, explica como Epstein envolveu uma rede de elites como Bill Clinton, Príncipe André, Peter Mandelson e magnatas de Wall Street, ao mesmo tempo que levanta questões mais profundas sobre obstrução à justiça, desaparecimento de provas e envolvimentos dos serviços de informação. Discutem também como figuras-chave encobriram ativamente irregularidades para se protegerem a si e aos seus aliados, mostrando um mundo onde o privilégio protege o crime e a verdade completa pode nunca vir ao de cima.
00:00 - Porque é que os arquivos de Epstein podem remodelar a política americana 05h05 - Clinton, Trump e a política de desvio de atenções 10h00 - Mortes, silêncio e o medo em torno do círculo íntimo de Epstein 15h00 - A Rússia, as agências de informação e a armadilha de Epstein 20h05 - Kompromat, o poder e como as elites são comprometidas 25h00 - O príncipe André, as elites globais e a troca de acesso por influência 30h00 - O "escândalo característico" de Trump e a cultura da impunidade 35:05 - Comunicação social, desinformação e obstrução à justiça 40h00 - O que revela o caso Epstein sobre a corrupção nos Estados Unidos 45:05 - Porque é que este escândalo ainda importa e o que vem a seguir
Não consigo dizer que os americanos são estúpidos tal como não digo que os russos são criminosos. Uma coisa é a população e outra é o regime instalado no respectivo país. Não fomos fascistas só porque tivemos, durante décadas, um fascista a governar-nos.
Por isso, ao pensar no que os Estados Unidos têm feito no último ano, tenho que fazer a ginástica mental de me focar nos responsáveis pelas anormalidades a que temos assistido: Trump e os seus acéfalos carneiros, tão ignorantes quanto seguidistas.
Mais uma vez, não sei se mais esta ofensiva contra um outro estado soberano é fruto de um plano assente em ideologia ou que vise uma estratégia, ou se é, apenas, fruto de um desvario narcisista, alguém que começa guerras para depois apregoar vitórias (mesmo que ilusórias) ou se é uma demanda tresloucada para afastar a atenção do seu eventual envolvimento no ambiente Epstein ou se, por qualquer motivo que um dia se perceberá, está nas mãos do criminoso Bibi e, por isso, faz o que este lhe manda.
Claro que o regime iraniano não é defensável sob qualquer ponto de vista. Mas o Irão é um estado soberano e, a haver ajuda ao povo, não poderá ser desta forma. O direito internacional é para ser levado a sério.
Se, lá porque se acha que quem governa um determinado país é um déspota, for aceite que um outro país o invada e atire bombas e mísseis e drones para cima da população então o que não falta são países candidatos a serem arrasados, a começar pelos países governados pelos ídolos de Trump ou, até, os próprios EUA.
E o que me faz ainda mais confusão é como os merdas dos líderes europeus, em vez de condenarem veementemente esta acção bélica de Trump e de Netanyahu, aparecem quase de gatas, com uma conversinha de caca, em que se limitam a condenar a retaliação do Irão contra outros países. O que é que estavam à espera? Que o regime iraniano vergassm sem disparar um míssil? Supostamente, o Irão estaria a pretender atacar bases americanas e o que terá acontecido em zonas urbanas terá resultado de mísseis interceptados. Mas sabe-se lá, quando se começa uma guerra nunca se sabe o que acontece a seguir: há erros, há acidentes, há excessos. E, para mim, de forma inequívoca, em primeiro lugar haveria que condenar a ofensiva de Trump, que, ainda por cima, parece ser ilegal mesmo face à constituição americana. Ele, o bufão cor de laranja, dirá que é uma ofensiva tremenda, nunca antes vista, talvez até diga que é hot, se não mesmo big and beautiful. Mas, por sabermos todos o chanfrado cruel e demente que é Trump é que se justificaria condená-lo, condená-lo com veemência. A ele e ao outro criminoso, o manipulador Netanyahu.
Claro que sou pacifista, totalmente pacifista (excepto quando a paz é sinónimo de rendição e anulamento de identidade). Portanto, claro que gostaria muito que todos os países fossem democracias, que os povos vivessem em liberdade e pudessem gerir as suas vidas num ambiente tranquilo e feliz. E isso vale para os iranianos, os coreanos do norte, os russos, os venezuelanos que agora nem devem saber a quantas andam, até os americanos que agora vivem tão atormentados, e tantos mais.
Só espero que esta última loucura de Trump, o doido varrido que se acha merecedor do Nobel da Paz e a quem ninguém parece conseguir controlar, não alastre, não traga mais mortes e não se arraste no tempo.
Só espero também que os líderes europeus mostrem que se regem por princípios e por valores, que têm capacidade de liderança, que sabem fazer ouvir a sua voz -- ou seja que têm cabeça. E tomates.
E pardon my french. Mas é que fico passada com gente cobarde e hipócrita. Com burros, então, nem vos digo nem vos conto.
No outro dia, por mero acaso, dei com uma coisa nova. Estava ali no canal 19 ou 20, não sei, estava como canal convidado da NOS: Conta lá. Fiquei espantada, a ver de gosto.
Depois desapareceu de lá. Fiquei intrigada, pensei que tivesse sido um cometa que tivesse passado por ali e logo desaparecesse.
Mas ontem resolvi não me dar por vencida. Fui à pesca, de canal em canal, já pensando que se tinha evaporado. Mas, surpresa, surpresa, acabei mesmo por descobri-lo. Estava, e se calhar é o lugar dele, no Canal 123.
E é viciante. Ainda há bocado, o meu marido dizia que não havia nada que se pudesse ver. Já estava um bocado saturado de mais esta maluquice do Trump. Disse-lhe para espreitar o canal 123. Quis saber o que era e nem soube bem dizer-lhe o que era, falei-lhe em reportagens locais, apontamentos, coisas com muita piada. Um bocado céptico mas lá foi. E ficou também agarrado. A qualidade é boa mas, sobretudo, há muita proximidade.
Belíssimas reportagens, bons jornalistas. É o país que somos, visto de perto. Para quem ainda não conhece, aqui fica a minha viva recomendação.