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segunda-feira, abril 06, 2026

Somos o acontecimento mais raro do universo e somos, ao mesmo tempo, o universo a observar-se a si próprio

 

Não vou falar de política, Isabel. Nem vou falar dos dementes que, com as mãos sujas de sangue, tentando iludir os ignorantes, invocam o nome de Deus para justificar os crimes que cometem. Não vou falar deste mundo que, em parte, parece estar esquecido das conquistas da humanidade, ameaçando a paz e a sustentabilidade do planeta e de tantas vidas, humanas e não só.

Hoje vou apenas falar da bênção de existirmos, nós, ocorrências improváveis.


Vivemos num universo de dimensões quase incompreensíveis. As estimativas actuais apontam para cerca de 2 biliões de galáxias, cada uma com centenas de milhares de milhões de estrelas. No total, isso significa algo entre 10²² e 10²⁴ estrelas no universo observável. Uma dimensão que vai para além de qualquer entendimento humano.

Foi neste cenário vastíssimo que tudo começou, há cerca de 13,8 mil milhões de anos, com o Big Bang.

Mas há um facto ainda mais surpreendente: somos feitos de matéria estelar. Os elementos químicos que compõem o nosso corpo — carbono, oxigénio, ferro — foram forjados no interior de estrelas e espalhados pelo espaço quando essas estrelas morreram em explosões como supernovas. Como disse o astrofísico Neil deGrasse Tyson, baseado na ideia inicial de Carl Sagan, somos poeira de estrelas que ganhou consciência.

Agora, consideremos a (im)probabilidade de estarmos aqui. Cada um de nós resulta de uma cadeia contínua de eventos:

  • Milhares de milhões de anos de evolução da vida na Terra
  • A sobrevivência através de extinções em massa
  • A formação da Terra a partir da matéria que orbitava o Sol, a uma distância adequada para a existência de água líquida
  • E, mais recentemente, a sucessão contínua de gerações que tornou possível a nossa existência

Centrando-me especificamente no nível humano, a improbabilidade cresce rapidamente. Cada pessoa nasce de uma combinação genética única entre dois progenitores. Recuando gerações, o número de possíveis combinações de ancestrais cresce exponencialmente, ultrapassando largamente o número de estrelas da Via Láctea.

Do ponto de vista genético, a improbabilidade é ainda mais extrema:

  • O corpo humano tem cerca de 30 a 70 biliões de células
  • Cada célula contém cerca de 3 mil milhões de pares de bases de ADN
  • A combinação específica que resulta em cada um de nós é essencialmente irrepetível

Algumas estimativas populares sugerem que a probabilidade de um indivíduo específico existir pode ser algo como 1 em 10²⁶⁸⁵⁰⁰⁰ — um número tão vasto que ultrapassa o total de átomos no universo observável (cerca de 10⁸⁰). Embora este valor seja ilustrativo e não exacto, ele transmite bem a ideia defendida por Neil deGrasse Tyson: a nossa existência é extraordinariamente improvável.

E ainda assim, aconteceu.

Num universo com um número imenso (possivelmente infinito) de eventos e combinações, até acontecimentos com probabilidades quase nulas podem ocorrer. Não porque sejam prováveis — mas porque há tempo e tentativas suficientes para que aconteçam.

Nós somos um desses acontecimentos.

Somos o resultado de estrelas que viveram e morreram, de átomos que viajaram pelo cosmos, de uma cadeia contínua de vida que nunca foi interrompida durante milhares de milhões de anos. Tudo isto teve de alinhar-se com uma precisão extraordinária para que estivéssemos aqui, neste momento.

Por isso, do ponto de vista científico, há uma ideia difícil de ignorar: temos uma sorte imensa em existir.

Num universo onde a nossa existência é tão improvável, o facto de estarmos conscientes, de podermos pensar, sentir e observar o mundo, torna-se algo profundamente raro.

E talvez por isso não devamos desperdiçar essa oportunidade.

Durante um intervalo extremamente breve — uma fração mínima na escala do cosmos — temos a possibilidade de experimentar a vida tal como a conhecemos: ver, aprender, amar, questionar e compreender, ainda que parcialmente, o universo que nos deu origem.

Tal como Sagan o interpretou e eu acho a ideia belíssima, somos o universo a observar-se a si próprio.

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Para mais informação e considerações sobre o tema recomendo os vídeos em que Neil deGrasse Tyson fala sobre o assunto. Este aqui abaixo é apenas um deles.

Um dos factos mais espantosos  -   Neil deGrasse Tyson

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As fotografias foram feitas in heaven
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Desejo-vos uma boa semana

domingo, fevereiro 22, 2026

Pathos

 

Há qualquer coisa de dramático, quase borderline, nas exibições de Ilia Malinin. Dizem que desafia as leis da física, e eu acredito. Tenho visto imagens em slow motion dos seus saltos e das posições em que o seu corpo se coloca e, na realidade, não sei sob que eixos se move nem que tração ou rotação imprime aos seus movimentos para não se despenhar nem sair a voar para uma qualquer outra órbita. 

Mas há uma outra dimensão. Se Alysa Liu dança e rodopia em plena alegria, já Ilia parece entregar-se a uma dimensão na qual as emoções o ferem e o transportam para um ambiente de piedade pelos que morreram, para a compaixão para com os que sofrem. Numa das suas interpretações foi a sua voz, grave, profunda, em palavras ditas sobre a música, que o acompanhou. E havia qualquer coisa de iminentemente trágico nos seus voos, como se a física não suportasse tanta emoção.

Nesse dia a força da emoção levou-o ao desequilíbrio: caiu duas vezes, pareceu finalizar a sua actuação em desequilíbrio e, tal o desalento, não conteve o choro. E quase tive vontade de chorar com ele.

Mesmo quem não aprecie muito a beleza da patinagem artística poderá maravilhar-se com as imagens que abaixo partilho: é vê-las sob a lente das leis da física.

Ilia Malinin oferece uma performance emocionante e de cortar a respiração! 🥺 | Jogos Olímpicos de Inverno de 2026


quinta-feira, janeiro 29, 2026

Temos é que nos ir aguentando até que todas as muitas inovações médicas estejam disponíveis para todos

 

Num ano e numa altura em que as estatísticas em Portugal nos trazem números nada tranquilizadores quanto ao aumento da mortalidade, talvez seja difícil antever quando é que os benefícios das fantásticas inovações técnicas se traduzem em melhores tratamentos.

De facto, se o governo da Saúde continuar enredado em partidarites dificilmente o que investigadores e técnicos desenvolvem chegarão até ao grande público. E faço notar que, em medicina, o que acaba em 'ite' remete para inflamação e, como se sabe, as inflamações estão na base de grande parte das doenças, incluindo as fatais. Nomeadamente, se os hospitais públicos continuarem a ser geridos por agentes partidários e não por gestores competentes, tudo continuará ensarilhado, tudo continuará a ser um sorvedouro de dinheiro, dinheiro mal gasto -- e a disponibilidade para o estudo, para a aplicação de inovações continuará relegado para segundo plano.

Há, claro, as instituições privadas. Mas essas apenas estão ao alcance de quem tem bons seguros de saúde. Ora, sabendo-se que é na terceira idade que as células começam a dar de si e que as doenças começam a aparecer, as Seguradoras ou não fazem seguros de saúde para quem tem mais de 65 anos ou tornam-nos proibitivos. Os funcionários públicos terão a ADSE, mesmo após a reforma. Mas quem não estava abrangido pela ADSE ou paga e paga bem ou batatas. 

Seja como for, há que reconhecer que a medicina tem avançado incrivelmente. Muitas doenças que há uns anos eram sentença de morte ou de declínio inexorável agora são tratáveis ou curáveis, havendo hoje incontáveis sobreviventes. Há uns anos seriam memórias. Hoje estão para as curvas.

Lembro-me de quando a minha mãe, há uns anos, teve cancro no cólon. Fizeram-lhe três insignificantes buraquinhos na barriga e salvo erro ao segundo dia saiu do hospital pelo seu próprio pé, bem disposta, a andar normalmente, sem qualquer desconforto, como se nada se tivesse passado. E, no entanto, um bom pedaço de intestino e tecidos adjacentes tinha-lhe sido retirado. E ficou boa. É certo que isto se passou num hospital privado mas se calhar o mesmo se teria passado num hospital público.

São os equipamentos de diagnóstico que são mais avançados, são os equipamentos de intervenção, tratamento e os medicamentos que são mais eficazes.

Mas a inteligência artificial está a dar um empurrão fantástico e isso é um lado bom que deve ser bem aproveitado. E há cada vez mais investigação cruzada, juntando médicos, biólogos, físicos, engenheiros. E tudo isto é muito promissor.

O que agora é preciso é transformar isso em soluções adoptadas pelos serviços públicos e levadas à prática o mais rapidamente possível. 

O vídeo abaixo da BBC é muito interessante, e está legendado. Fala quem sabe.

As novas inovações médicas que podem mudar tudo

 - The Engineers, BBC World Service

Três engenheiros de renome discutem os mais recentes avanços na engenharia do corpo humano.

A engenharia inovou como nunca, chegando ao interior do corpo. Em neurociência, os implantes cerebrais podem proporcionar uma comunicação "psíquica" a pessoas com síndrome de encarceramento. Na área médica, uma nova tecnologia visa administrar quimioterapia e outros medicamentos diretamente às partes do corpo que deles necessitam, através de bolhas na corrente sanguínea. E estão a ser desenvolvidos dispositivos eletrónicos ingeríveis para combater doenças, enviando mensagens que direcionam os anticorpos diretamente do intestino para o cérebro.

A BBC e a Comissão Real para a Exposição de 1851 uniram-se para apresentar um evento especial: Os Engenheiros: Explorando o Humano.

Três engenheiros biomédicos, na vanguarda das suas profissões em todo o mundo, juntam-se à apresentadora Caroline Steel para discutir os seus trabalhos pioneiros e responder a perguntas do público na Royal Geographical Society, em Londres.

Convidados:

Tom Oxley (Austrália) – Neurologista e inovador em implantes cerebrais. Professor Associado da Faculdade de Medicina de Melbourne. CEO da Synchron.

Eleanor Stride, OBE (Grã-Bretanha) – Engenheira Biomédica e inovadora em tecnologia de bolhas. Professor de Biomateriais na Universidade de Oxford

Khalil Ramadi (Emirados Árabes Unidos) – Nanorrobótico, inovador em eletroceuticos ingeríveis, Diretor do Laboratório Ramadi de Neuroengenharia Avançada e Medicina Translacional em Abu Dhabi. Professor Assistente de Bioengenharia na Universidade de Nova Iorque.

Para quem não queira ver tudo mas queira ter conhecimento de algum tópico, aqui fica o horário das intervenções

00:00 Introdução

02:20 Primeira experiência de um doente com síndrome de encarceramento

03:53 Utilização de bolhas para administrar medicamentos dentro do corpo

05:21 Eletrónicos ingeríveis

06:13 Implantação de um "stentrode" no cérebro

07:54 Influenciar o cérebro através do sistema digestivo

09:27 Introduzir oxigénio nas bolhas na corrente sanguínea

11:21 Testes em humanos para uma interface de computador implantada no cérebro

12:19 Direcionando as bolhas para diferentes partes do corpo

13:13 O que acontece aos dispositivos eletrónicos ingeríveis no organismo

14:15 Testes em humanos com a tecnologia de bolhas

15:09 Diferentes condições que estas tecnologias poderiam tratar

18:06 Questões éticas

21:44 As três tecnologias poderiam funcionar em conjunto?

23:32 Poderiam ser utilizados implantes neurais para jogos de realidade virtual?

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Desejo-vos dias felizes

quarta-feira, julho 02, 2025

Origami

 

O calor destes últimos dias tem-me desfeito. Só estou bem em casa, ao fresco. 

Mas calhou termos combinado um almoço ali para as bandas do centro, de perto do rio. Um calor de ananases. Felizmente o restaurante era relativamente perto de um grande parque pelo que o stress do estacionamento desta vez não foi tema. Claro que tive que me abstrair da memória de todas as vezes em por ali andei quando a minha mãe esteve internada, durante quase um mês, no hospital lá perto, num belo quarto com uma bela vista, vista essa a que nem ela nem eu prestámos qualquer atenção. Mas, enfim, o tempo anda e temos que andar também, transportando as memórias.

Não tentámos pôr o carro perto do restaurante pois estamos escaldados com as dificuldades em encontrar lugar. Assim, ali era garantido e, de resto, a distância não era nada por aí além. Mas subestimámos o calor que estava. Caraças. Infernal. Um daqueles calores que queimam, que custam a suportar.

Lembro-me sempre do meu espanto, há uns trinta e tal anos -- numa altura em que as viagens não eram uma banalidade absoluta --, quando um amigo chegou de umas férias algo exóticas pelos locais menos turísticos de Marrocos e me contar que, de tudo, o pior tinha sido o calor, temperaturas em torno dos 40º. Falou dos ventos, das areias, das ruas estreitas, de mil coisas, mas o calor... isso tinha-o deixado francamente marcado. E eu perguntava como suportavam, o que faziam para prosseguir os passeios dentro de tal forno. 

A experiência mais próxima que eu tinha tido tinha sido em Angola, numa viagem feita na minha adolescência. Mas a viagem foi no verão de cá, logo no tempo menos quente de lá. Estava calor e o ar era pesado, tanta a humidade, o meu cabelo chegava ao fim do dia todo empapado, mas o calor era razoável, nada de nada de fornos acima dos 40º.

E, no entanto, agora, por cá, é o que se sabe. Uma coisa impossível.

Ainda não foi desta que fui conhecer o Macam, o novo museu, às terças está fechado. Ainda tive a ideia de ir até ao CCB mas fui demovida, a ideia era peregrina demais.

Portanto, depois de termos cumprido uns afazeres, regressámos a casa onde o cãobeludo nos esperava, estendido no chão de pedra. 

Vesti o biquini e fui ler para o spot que descobri ser o mais perfeito, aquele onde poderia estar todo o santo dia, uma sombra verde, fresca e boa. 

O livro não me convence mas isso parece ser o 'novo normal', livros que não aquecem nem arrefecem mas que, espantosamente, parecem ser do agrado dos editores (e, se calhar, de muitos leitores). Mas entre uma página e outra vou olhando para a copa das árvores, para os pássaros que por ali andam, para o céu, para lado nenhum.

E estou a gostar muito das caminhadas ao cair da noite. É a hora da doçura, da intimidade. As luzes das casas estão acesas, mas as janelas ainda abertas deixam ver o tom quente e dourado do interior. As ruas estão silenciosas, o ar mais fresco, e sabe muito bem andar assim, o cão mais ligeiro, nós conversando ou não que o silêncio às vezes é muito reconfortante.

E, agora à noite, depois de ter feito umas coisas para o Instagram (tenho este lado proleta, de não me baldar, parece que tenho sempre que produzir quelque chose e então lá está, todos os dias tento fazer uma coisa para a story e outra para o feed), o Youtube traz-me de novo a matemática e a física, temas que sempre trago no coração, e, uma vez mais, envoltas em poesia. 

Desta vez o tema é o origami, tema que sempre me atraiu (numa onda contemplativa, não executiva). O que se faz com uma folha de papel só não é mágico porque tem muita técnica. Uma maravilha.

This Origami is Changing Engineering…

Twenty-five years ago, physicist Robert Lang worked at NASA, where he researched lasers. He also garnered 46 patents on optoelectronics and wrote a Ph.D. thesis called "Semiconductor Lasers: New Geometries and Spectral Properties." But in 2001, Lang left his job to pursue a passion he’d had since childhood: origami. In the origami world, Lang is now a legend—and this Great Big Story documentary tells his true story. It’s not just his eye-catching, intricate designs that have taken the craft by storm. Some of his work has helped pioneer new ways of applying origami principles to complex real-world engineering problems.


Dias felizes

terça-feira, julho 01, 2025

E se vivêssemos dentro de um buraco negro?

 

Sabemos tudo e mais alguma coisa a propósito de tudo. É ver os comentadores que aparecem nas televisões mal algum acontecimento salta para a ribalta. Os mesmos que sabem tudo sobre a Ucrânia e sobre a Rússia sabem também tudo sobre Israel e sobre a Palestina mas também sabem sobre Trump e sobre a legislação americana e, se necessário for, também são capazes de dissertar sobre as eleições no Benfica ou sobre a nuvem-rolo que galgou a linha do horizonte para ir a banhos. Mas pouco sabemos do que se passa dentro de nós, em especial no cérebro, e também muito pouco sobre o 'lugar' em que vivemos, como viemos aqui parar e para que freguesia vamos pregar quando o nosso corpo tão pobremente humano perecer.

Pasmo com as pessoas que põem e dispõem como se fossem viver para sempre, que tomam decisões definitivas sobre porcarias sem qualquer interesse como se estivessem a definir o futuro da humanidade.

E, igualmente, pasmo com as dúvidas que, por vezes, assolam à cabeça de cientistas.

O tema dos buracos negros é daqueles do caraças: matematicamente demonstra-se a sua existência e consegue-se saber (ou pensa-se que se consegue) as leis físicas que os regem. Mas ir lá vê-los, saber ao certo como são e sair de lá para contar... isso está quieto.

Até que alguém se lembra: espera lá... e se vivêssemos dentro de um? E se o que (pensamos que) conhecemos seja apenas o que existe dentro do buraco negro? Ou seja, e se o que (pensamos que) conhecemos não for o universo mas, apenas, uma ínfima parte dele? Ou seja, e se vivemos numa cápsula dentro do mega universo?

Claro que nada disso alteraria a nossa realidadezinha pequenina: o que amanhã vamos fazer para  jantar, o que temos que trazer do supermercado, em quem vamos votar nas autárquicas, como vamos desenrilhar-nos do enredo marado que prometem ser as presidenciais. Tudo isso existe e é inalterável estejamos nós dentro ou fora do buraco. E que raio de espaço habitamos é também uma coisa tão intangível que até se perceber alguma coisa não nos doa a nós a cabeça. Mas que teria graça percebermos alguma coisa disto, lá isso teria.

Mas isto, na volta, é conversa de quem tem os neurónios a derreter. Este calor derrete-me. Por mais que me banhe, nada arrefece as minhas células (nem as estátuas que tentam refrescar-me as entranhas).

Por isso, passo a palavra a Neil deGrasse Tyson.

Is Our Universe Inside a Black Hole?

Is our universe inside a black hole? Neil deGrasse Tyson (Astrophysicist & Hayden Planetarium director) breaks down intriguing new evidence along with other curious parallels that could point to the universe being inside a black hole. Is the edge of our universe an event horizon on a black hole in some other universe?  

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NB: As esculturas que aqui veem não existem, são totalmente inventadas por mim (com a ajuda da Sora)

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Dias felizes

sexta-feira, junho 27, 2025

Nós somos a matéria dos sonhos mas somos também a matéria que sonha

 

As coisas vêm ter comigo. É aquilo de ir na rua e alguém, que não conheço, chegar ao pé de mim e começar a contar-me a sua vida. Ou estou com uma em mente, abro o youtube e, sem que antes tenha feito pesquisas (porque 'ele', o algoritmo google, poderia migrar informação do motor de busca genérico para o motor de busca do youtube), aparece-me um vídeo que tem tudo a ver com aquilo em que ando a pensar. Não sei porque é que isso acontece. Mas acontece. Coincidência ou coisa do caraças, eu não sei.

Sei que ando numa onda zen (o que V. poderão já ter testemunhado pelo que vou divagando por aqui e que os vídeos que tenho estado a publicar no instagram também demonstram) mas, quando abro o youtube, não vou à procura de nada. Limito-me a ver o que 'ele' tem para me mostrar. Gosto de ser surpreendida.

E abaixo já verão qual o vídeo que hoje estava em posição de destaque e que estive a ver até agora.

Chegámos a casa perto das dez da noite. Depois de nos instalarmos, pusemos a reportagem sobre o Sócrates. Falarei disso depois pois tenho que deixar assentar. A seguir abri, então, o Youtube.

Hoje tive mais um dia calmo, com arrumações domésticas, com caminhadas, com um passeio bom, e, pelo meio, com mais uma tentativa de prosseguir a leitura da biografia do Herberto Helder -- mas a achar aquele tijolo um repositório ora excessivamente detalhado ora desnecessariamente ficcionado --, a espreitar  'O outro lado dos livros', Memórias de um editor, Manuel Alberto Valente, e a achá-lo um bocado 'seco' (seco ou seca?), e, pelo meio, a olhar as árvores, a sentir o perfume das flores, a ouvir os passarinhos, a olhar o céu.

Fui buscar uma espreguiçadeira e levei-a para um sítio onde não costumo estar, debaixo de uma árvore onde antes nunca tinha estado a preguiçar. 

E foi uma maravilha, um encantamento, uma sensação de que eu poderia ser uma folha, um fruto a ganhar forma, um dos passarinhos que passarinha por aqui, uma pétala de rosa. Por acaso, sou esta que agora aqui escreve e que dá conta da perplexidade agradecida que sente por estar viva, por poder presenciar tanta beleza, tanta harmonia entre todos os elementos. 

E, com este estado de espírito, abro o youtube e dou com uma conversa entre o Bial e Marcelo Gleiser, um físico que me deixou fascinada a ouvi-lo.

Apetecia-me transcrever várias coisas que ele disse e que correspondem ipsis verbis ao que penso (ou que me deixam a pensar), coisas como estas duas aqui abaixo que podem não ser a última coca-cola do deserto mas que são grandes verdades (pelo menos a mim tocam-me bastante pois é destas evidências que parece que meio mundo anda esquecido):

  • Celebrar o privilégio de estar vivo neste mundo 

  •  Cara, acorda, você é feito de estrelas!

Somos feitos da mesma matéria que as estrelas, da mesma matéria que as árvores, há átomos de outras coisas e de outras pessoas dentro de nós. Somos magia, um acaso que, por milagre, se materializou em nós. 

O vídeo é um bocadinho longo mas acreditem que é interessante do princípio ao fim. Espero que gostem.

ESTRELAS, ÁTOMOS e mais com o físico Marcelo Gleiser | Conversa Com Bial | GNT

Um bate-papo que mistura ÁTOMOS, ESTRELAS, NATUREZA e o "mundo sobrenatural": o físico e astrônomo Marcelo Gleiser chega no #ConversaComBial para uma entrevista de expandir mentes.


Dias felizes

quinta-feira, janeiro 09, 2025

Compreender as coisas difíceis --- ou rirmo-nos delas...?

 

Devo dizer que uma das coisas que academicamente mais gostei de estudar foi a Física da Matéria, a Física Quântica, a Física das Partículas Elementares. Acontecia-me por vezes atingir aquele patamar de prazer em que tudo flui de uma forma orgânica, em que a matéria e a ausência dela, a ciência e a poesia, o que percebemos ser infinitamente pequeno e o que intuímos ser infinitamente grande se tocam, se interpenetram. Dito assim, pode parecer disparate ou impossível, pode parecer um daqueles absurdos em que nem dá para a gente se deter. Acredito que sim. Mas é a verdade, era o que sentia.

Numa altura em que não havia internet nem as Amazons desta vida, eu mandava vir livros de fora, da Universidade de Berkeley, por exemplo. Tudo o que lia era fascinante para mim.

Hoje já não acompanho estas matérias pois a minha vida profissional levou-me para outros universos. Mas são ainda temas que vejo como belíssimos, atraentes, mágicos.

Tenho contudo um apontamento que aqui quero deixar: que me lembre quer os meus professores de Física quer os dos meus filhos sempre foram um bocado esquisitos, alguns até meio amalucados. 

E tive um colega, bom amigo, com quem fiz inúmeras viagens de várias horas cada que tinha uma prima maluca. Mas maluca de ter que ser internada no Júlio ou de os vizinhos chamarem a polícia dado o banzé que ela fazia em casa, com vassouras a bater na parede para caçar bichos imaginários. Por diversas vezes ouvi os telefonemas entre eles. O telefone ia em alta voz e eu ia encolhida para não soltar um espirro ou uma gargalhada que denunciasse a minha presença no carro. E eram as conversas mais delirantes que se possa imaginar. Professora de Física.

O que hoje aqui trago tem um pouco a ver com isso. Ou não.

Philomena Cunk é das personagens que mais me agrada na actualidade. Tem aquele toque de surrealismo, de humor, de destempero que me agrada por demais. Diane Morgan consegue, quando encarna a desconcertante Phiomena Cunk, dizer as coisas mais inesperadas, mais malucas, mais hilariantes. E sem se desmanchar. Claro que aqueles que ela entrevista ficam, frequentemente, de cara ao lado, sem saberem minimamente como reagir. Outras vezes riem-se. 

Acho delicioso. 

Philomena Cunk encontra-se com o Físico Teórico Professor Jim Al-Khalili 
| Cunk on Life - BBC

Pioneering documentary-maker Philomena Cunk (Diane Morgan) returns with her most ambitious quest to date; venturing right up the universe and everything, to find the definitive answer to the ultimate question – the meaning of life.

quinta-feira, maio 09, 2024

O grande silêncio.

[Ou: onde param os aliens?]

 

Gosto da expressão 'o grande silêncio'. E gosto do grande mistério: se há vida noutros planetas, por onde viajam eles que não os vemos?

Ou será que há civilizações que são como as orquídeas raras que florescem e depois morrem? E que, devido à distância no tempo e no espaço, não tenha havido sobreposição? Será que algumas ruínas que por vezes se encontram têm a ver com isso?

E como serão essas formas de vida? Terão também tentação para se destruírem como nós, por vezes, parece que nos sentimos tentados a fazê-lo?

O vídeo abaixo é interessante. Tem legendas em português. Brian Cox conduz-nos pelos labirintos do universo.

Why haven’t we found aliens? A physicist shares the most popular theories. | Brian Cox

Chances are, we’re not alone in the universe. But if that’s true — why can’t we seem to find our neighbors? 

This question is known as the Fermi paradox, and it continues to go unsolved. However, some theories could offer potential solutions. 

Physicist Brian Cox explains the paradox and walks us through our best guesses as to the reason for our quasi-isolation. 


quinta-feira, setembro 07, 2023

Relato de um dia todo ele coisas simples. Para compensar, sou forçada a trazer aqui a 'Equação de Deus'...

 

O meu marido quis arrancar a hera que tinha trepado por duas paredes e que eu adorava ver. Tentou convencer-me, mostrando que é uma bicha invasiva (ele não disse isto assim, claro), alegando que vai para os algerozes, que atrai animais. Com o coração já sentindo o peso das decisões fatais, observei com atenção e acabei por concordar. Ele cortou mas ela continuou agarrada, teve que ser puxada. Tem patinhas com ventosas. Agarra-se à vida com vigor. Tive muita pena. Gosto de ver as paredes cobertas por hera. Aliás gosto de ver a natureza em toda a sua pujança.

Mas reconheço que a natureza, quando não impedida, absorve, devora, tudo. Há que tentar manê-la controlada. 

Também foram cortados viçosos e ousados rebentos ladrões das buganvílias. 

E é certo: há ratos a devorarem as romãs. De longe parecem inteiras, penduradas, a criar açúcar nos ramos. De perto, pode ver-se que algum animal lhes abriu um buraco e se banqueteou com os sumarentos bagos. Sinto-me revoltada. Não é tanto pensar que anda por ali um ou mais ratos pois até li que é um animal limpo, inteligente e que dão óptimos animais de estimação, é mais por pensar que, a continuar a este ritmo, não terei romãs para comer.

Não queremos pôr veneno e custa-me pensar em ratoeiras pois gostava era de os afugentar sem ter que lhes fazer mal. Mas não sabemos como fazer isso.

A árvore das limas, que se chama limeira mas que, por algum motivo que desconheço, não me dá jeito chamar assim, está tão carregada que vergou uma pernada. No outro dia, ao chegarmos a casa nem percebemos bem, parecia que a árvore estava caída no chão. Depois é que percebemos que era apenas uma pernada, a maior. O meu marido foi à horta buscar um tronco com um V na ponta e os dois conseguimos levantar o grande ramo carregado e ampará-lo por aquele tronco.

E fiz sopa de legumes, que já não fazia desde antes do verão. Soube-me mesmo bem. 

Fiz ainda outras coisas mas não vou estar para aqui a maçar-vos mais com estas minudências.

Por isso, vou antes partilhar um vídeo de que gostei. Espero que também gostem.

Physics’ greatest mystery: Michio Kaku explains the God Equation | Big Think

"It's no exaggeration to say that the greatest minds of the entire human race have made proposals for this grand final theory of everything," says theoretical physicist Michio Kaku. 

This theory, also known as the God Equation, would unify all the basic concepts of physics into one. According to Kaku, the best, most "mathematically consistent" candidate so far is string theory, but there are objections.
"The biggest objection is you can't test it," Kaku explains, "but we're getting closer and closer."

[ Dr. Michio Kaku is the co-founder of string field theory, and is one of the most widely recognized scientists in the world today.]


Desejo-vos um belo dia
Saúde. Alegria. Paz.

segunda-feira, agosto 07, 2023

Há uma inteligências escondida?
As células pensam?

 


Tive um colega com quem me dava muito bem. De vez em quando, lá nas empresas, apareciam modas em que meio mundo queria embarcar, gastando pipas de massa para coisa nenhuma, apenas para não ficar para trás, porque todas as maiores empresas já tinham embarcado e ninguém queria aparecer como os que ainda não tinham implementado aquela metodologia, adoptado aquele processo ou contratado aquelas sumidades.

Eu, como sempre, não sou de embarcar à toa ou encarneirar e, portanto, levantava muitas questões. Esse meu colega também. Claro que olhavam para nós como os que estavam ali só para chatear.

Ele, brasileiro, com aquela forma divertida de falar, dizia-me de forma a que ninguém o ouvisse: 'nós dois somos mesmo a turma do baldinho'. O 'baldinho' era o balde de água fria que nós atirávamos para cima para esfriar os ânimos.

E assim me sinto eu hoje ao trazer aqui um tema que não está com nada. A bem dizer não tem a ver nem com os mega ajuntamentos da JMJ (e com a organização que fez com que tudo corresse lindamente) nem com o calorão de ananases que esteve. Também não tem a ver com mais uma da minha mãe que, em vez de curtir a provecta idade e o bom estado físico em que se encontra, agora panica com qualquer espirro, incapaz de perceber que o problema é o estado de ansiedade em que fica. 

Não. O post de hoje não tem mesmo nada a ver com nada de nada disso.

Não quero retomar a prática do baldinho de água fria que, por acaso, hoje até que talvez não caia mal tamanhas as quentes baforadas que nos têm assolado. Mas, sinceramente, estou exausta (fisica e psicologicamente) e a única maneira de descansar a cabeça é ocupá-la com coisas que me fazem pensar.

Portanto, com vossa licença, deixem que partilhe um vídeo que me parece muito interessante. Talvez explique muitas coisas. Muitas, muitas. 

Tem a vantagem de estar legendado. 

Can cells think? | Michael Levin

Sabemos que os humanos são uma espécie inteligente. Mas este biólogo decompõe a inteligência de cada uma de nossas células – e isso é surpreendente.

Michael Levin, biólogo do desenvolvimento da Tufts University, desafia as noções convencionais de inteligência, argumentando que ela é inerentemente coletiva e não individual.

Levin explica que somos coleções de células, com cada célula possuindo competências desenvolvidas a partir de sua evolução a partir de organismos unicelulares. Isso forma uma arquitetura de competência multiescalar, onde cada nível, de células a tecidos e órgãos, está resolvendo problemas dentro de seus espaços únicos.

Levin enfatiza que reconhecer adequadamente a inteligência, que abrange diferentes escalas de existência, é vital para compreender as complexidades da vida. E essa perspectiva sugere uma mudança radical na compreensão de nós mesmos e do mundo ao nosso redor, reconhecendo as habilidades cognitivas presentes em todos os níveis de nossa existência.


Desejo-vos uma boa semana
Saúde. Bons pensamentos. Paz.

segunda-feira, julho 31, 2023

Onde não se fala do divórcio entre a Catarina Furtado e o João Reis
(isso fica o Expresso, esse jornal de referência)
mas sobre o que há depois da vida, segundo Einstein

 

Estamos decididamente na silly season e, por isso, deslizo pelas notícias sem conseguir fixar-me em nenhuma. É verdade que as circunstâncias também não propiciam grande paciência para com futilidades ou coisas muito déjà vu. Um dos meninos tinha feito anos já vai para uma semana e, porque, nestas alturas, se acumulam aniversários com férias dos pais, ainda não tinha conseguido festejar com a família. Por isso, foi hoje e cá o tivemos a apagar as velas num belo bolo do Sporting.

Por isso, depois de ver as cabriolices que fazem em catadupa e que me deixam sempre apreensiva e com receio que se magoem pois um faz e os outros todos querem reproduzir, incluindo o mais novo, depois dos festejos e depois de uma bela tarde em família, obviamente não me dá para coisecas que não interessam nem ao menino jesus (no pun intended).

Mas, se não tenho pachorra para sillyzices, também tenho claro que temas mais complexos não são adequados a estas alturas em que o calor aperta e a saturação se instala.

Contudo, vi agora uns vídeos que me parecem deveras interessantes. Escolhi um deles para aqui partilhar pois, parecendo que não, se calhar até tem alguma oportunidade. 

Aquilo que, segundo os crentes, é uma perspectiva animadora, a de que, quando se morre, se vai para um paraíso que é só leite e mel (isto se as portas se lhe abrirem, claro), a mim sempre me pareceu uma fantasia desprovida de sentido. Haver algures, nos confins do céu, um branco open space, cheio de finados que sorriem a todo o tempo numa de peace and love, parece-me delirante e, sobretudo, desprovido de qualquer razoabilidade lógica e científica. Claro que ficam na nossa memória, embalados pelo nosso afecto. Mas, do ponto de vista, físico, material, a conversa é outra.

Numa de que as partículas elementares de que somos feitos podem desagregar-se quando lhes faltar a energia que as mantém agregadas e, uma vez soltas, agregar-se de uma qualquer outra maneira, consigo conceber que, de certa forma, algo dos que morreram continua a pairar por aí. 

Agora nunca me tinha lembrado que se pode olhar para este complexo e perturbante tema numa perspectiva de espaço-tempo. É que, segundo essa perspectiva, o tema adquire uma dimensão que, de certa forma, traz atemporalidade àquilo a que chamamos vida. E isso é extraordinário.

Apesar da física das partículas elementares ser fascinante para mim, a verdade é que o seu entendimento não me é linear, fácil. Deixo-me levar, neste domínio, confesso, mais pela intuição e pela poética do que pela matemática. 

Por isso, não consigo pronunciar-me sobre o que aqui se diz, não consigo dizer se está certo ou se é provável. Consigo, apenas, dizer que me parece muito interessante.

Sabine Hossenfelder é uma física teórica e uma comunicadora. Fala sem rodriguinhos, sem deambulações por territórios metafísicos. 

The “afterlife” according to Einstein’s special relativity | Sabine Hossenfelder

Sabine Hossenfelder investiga as grandes questões da vida através das lentes da física, particularmente a teoria da relatividade especial de Einstein. Ela destaca a relatividade da simultaneidade, que afirma que a noção de "agora" é subjetiva e dependente do observador. Isso leva ao conceito de universo de blocos, onde passado, presente e futuro existem simultaneamente, tornando o passado tão real quanto o presente.

Hossenfelder também enfatiza que as leis fundamentais da natureza preservam a informação em vez de destruí-la. Embora as informações sobre uma pessoa falecida se dispersem, elas permanecem parte integrante do universo. Essa ideia de existência atemporal, derivada do estudo da física fundamental, oferece percepções espirituais profundas que podem ser difíceis de internalizar na nossa vida quotidiana. Como resultado, Hossenfelder encoraja as pessoas a confiar no método científico e aceitar as profundas implicações dessas descobertas, que podem remodelar a nossa compreensão da vida e da existência.

Como físico, Hossenfelder confia no conhecimento adquirido por meio do método científico e reconhece o desafio de integrar essas percepções profundas nas nossas experiências diárias. Ao contemplar esses conceitos profundos, podemos potencialmente expandir a nossa compreensão da realidade e nosso lugar dentro dela.


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Desejo-vos uma boa semana a começar já nesta segunda-feira
Saúde. Serenidade. Paz.

terça-feira, maio 17, 2022

Três extraordinárias previsões para o futuro -- e alguns dilemas da minha vidinha

 


Tenho vários temas relevantes por resolver. 

Por exemplo: gosto de ver às outras mulheres mãos com nails em vermelho rubi, carmim, bordeaux, grenat ou mesmo em quase negro. Além do mais, sei que a saison, talvez para espantar as pesadas nuvens negras que por aí andam a pairar, requer nails multicores, uma unha de cada cor, e cores alegres, cor de laranja, verde pistachio, azul turquesa. 

Em abstracto tudo isso me agrada. Melhor: seduz-me.

Mas depois vem o lado prático. Não consigo ter unhas compridas nem consigo paciência para as pintar ou retocar frequentemente. Além disso, há que ter precisão para que o colorido não transcenda a pequena superfície que lhes é destinada. Debato-me, pois. Imagino que vendam pequenos estojos com frasquinhos multicores, pincelinhos pequeninos, e sinto-me tentada a experimentar. Mas, depois, já sei que acabarei sem aplicar nada ou, quanto muito, apenas um brilhozinho transparente, quanto muito um discretíssimo nude. 

Dilemas.

Se não trabalhasse, também ousaria uma maquilhagem divertida. Sombras nas pálpebras também em cor-de-laranja. Ou em verde-alface. E lábios em morango suculento e brilhante. Assim, trabalhando, não dá. Não seria levada a sério se me apresentasse assim a discutir propostas que, já de si, deixam alguns com os cabelos em pé. Tenho que me reservar para um dia mais tarde.

No domingo, quando fomos passear com a minha mãe, estava fresca, colorida e jovial: calças justas, alinhadas, em branco, uma tshirt justinha em verde seco e uma blusinha de lã fina em cor-de-laranja sobre os ombros. Ténis brancos. Completava a toilette com um chapéu de palhinha e de abas largas. Elogiei-a, disse-lhe que finalmente se veste como lhe fica bem, sem se preocupar se a toilette é adequada à idade ou com o que amigas e vizinhas pensam. Riu-se. Disse que finalmente tinha começado a libertar-se. Pensei -- mas não disse -- que já não era sem tempo. 

Pode parecer futilidade -- e quem sou eu para o negar -- mas a forma com a gente se arranja é meio caminho andado para a forma como a gente se sente. Se estamos com roupas tristes e desiluminadas, vai ser difícil sentirmo-nos especiais. E claro que é importante sentirmo-nos especiais. Pode haver quem pense que não quer sentir-se especial, quer apenas sentir-se vivo/a, e tudo bem -- só que não é a mesma coisa.

Há também a questão das flores. Vi umas florzinhas lindas, delicadas, em suave lilás. Estavam nas areias, nas dunas, junto à praia. Estou com vontade de ir colher umas quantas e pôr numa jarrinha. Hoje, nas reuniões, pensei que aquelas florzinhas ali ao meu lado fariam toda a diferença. Mas o que gostava mesmo era de apanhar com raiz e plantar um canteiro por aqui. Mas será que flor de beira mar vai dar-se bem em terra? Não sei. Nem sei se tente. Não quero fazer coisas contra natura mas, por outro lado, quem garante que elas não gostariam de mudar de ares?

Dilemas.

E depois há os pássaros. O meu marido reclama da gaiola grande que trouxemos da garagem para pôr aqui no jardim. Diz que está ali para nada, que não sabe porque quis eu trazê-la para aqui. Expliquei que pensava que, tendo a portinha aberta, os passarinhos entrariam e dali fariam a sua casa, podendo sair sempre que quisessem. Mas toda a gente me explicou que era uma armadilha, que os passarinhos que entrassem não conseguiriam sair. E a verdade é que a gaiola ali está de portinha aberta e nem um pássaro lá entra. Mas aí lembro-me de uma coisa. A anterior proprietária tinha periquitos. Nunca prestei atenção a essa ideia. Mas no outro dia lembrei-me de uma vez ter falado ao telefone com uma amiga e só ouvir uma orquestra de pássaros por trás. Ela disse: são os periquitos que a minha mãe aqui tem, são muitos, às cores, cantam que só visto. E era uma alegria. Sou muita contrária a pássaros prisioneiros. Mas será que os periquitos não se tornaram bicho de gaiola? E sendo a gaiola grande e estando no meio de árvores, não será para eles um resort que apreciem? Não sei. 

Dilemas.

E estou com esta conversa nem sei bem porquê. Será que fico com vontade de me remeter à maior simplicidade sempre que ouço falar de temas que me deixam as entranhas num frenesim?

Estive a ouvir três previsões muito prováveis para os próximos tempos. Algumas são-me, à partida, um pouco incómodas. Robots que se auto-fabriquem parece-me coisa meio assustadora. Mas se isso acontecer em Marte talvez não seja mau de todo. Robots que construam fábricas e enviem o fruto da sua produção para a Terra. A Terra transformada em paraíso, sem poluição, sem esforços, só desfrute. Talvez a vida ainda possa vir a ser uma coisa boa e o mundo um lugar feliz e pouco perigoso. E também me é estranha a ideia de fazer download do cérebro e pôr máquinas a usarem as ideias e memórias. Ou a perspectiva de se transmitirem emoções ou sensações e não apenas informação. Não sei bem o que pensar nisso. Mas parece-me provável e potencialmente estimulante. E depois há a promissora ideia de aprendermos, ab initio, se temos células que vão degenerar em cancro. Termos em casa sanitas com auto analisadores que detectem sinais de alerta que permitam que não se formem tumores -- o fim do cancro. Uma maravilha. Um alívio para todos.


Michio Kaku: 3 mind-blowing predictions about the future | Big Think

Carl Sagan believed humanity needed to become a multi-planet species as an insurance policy against the next huge catastrophe on Earth. Now, Elon Musk is working to see that mission through, starting with a colony of a million humans on Mars. Where will our species go next?

Theoretical physicist Michio Kaku looks decades into the future and makes three bold predictions about human space travel, the potential of 'brain net', and our coming victory over cancer.

"[I]n the future, the word 'tumor' will disappear from the English language," says Kaku. "We will have years of warning that there is a colony of cancer cells growing in our body. And our descendants will wonder: How could we fear cancer so much?"


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As luas pertencem ao artigo Super flower blood moon – in pictures e estão aqui na companhia de Blue Moon pela Billie Holiday and Her Orchestra
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Desejo-vos um dia tão bom quanto possível
Alegria. Força. Paz.

quarta-feira, agosto 15, 2018

O que é que tem mais a ver comigo?
Um anjinho penugento de cabecinha encarnada descendo no vazio?
Ou o Coro das Líbidos Activas?
Pergunto.


Recebi de um Leitor, a quem agradeço, um vídeo interessante mas, sobretudo, bonito, com o seu quê de poético. Claro que, na volta, sou eu que vejo poesia onde outros vêem apenas leis da Física. Mas não faz mal. Uma vez li um livro sobre os sonhos de Einstein e não me lembro do que lá dizia mas não me esqueci do título. A ideia de Einstein ter chegado a conclusões por mera intuição, não querendo saber de perder tempo com trabalheiras dedutivas é coisa que me é muito cara. E gostei muito de outro livro que tinha um título que era Esta é a cor dos meus sonhos, do Miró. Mas este agora não vem a propósito.

O vídeo tem a ver com isto, com a maravilha que é as ideias em abstracto, ou os sonhos, chegarem à verdade avant la lettre (digamos assim). Transcrevo o texto que acompanhava o vídeo:
Galileu, nos finais do século XV, postulou que dois quaisquer objetos, independentemente do seu peso, quando deixados cair de qualquer altura, não havendo resistência do ar, ou seja, se libertados no vácuo, levariam o mesmo tempo a chegar ao solo. 
Agora, utilizando a câmara de vácuo gigantesca do CERN, foi possível confirmar este postulado utilizando penas e uma bala de canhão, o que surpreende até a mente mais aberta.
Por acaso, para quem não saiba e veja de longe, até parece o anjinho de algodão felpudo que tenho a voar aqui no tecto da minha sala, aquele que a minha filha me ofereceu e que dança quando lhe dá alguma aragem. Só que o meu anjinho não tem a cabeça redonda e encarnada como este aqui nem a minha sala é um poço vazio. Pelo contrário, o meu anjinho voa sobre uma sala pejada de livros e caixinhas de música e jarrinhas de Murano e esferas de vidro com medusas inside e clepsidras e ampulhetas e demais objectos variados. Uma festa sobre a qual onde anjinho algum aceitaria aterrar a pique como este aqui do vídeo.



Mas se aquele meu Leitor me acha dada às Físicas, já o algoritmo do youtube parece que me tem em conta de depravada encartada, coisa que me incomoda bastante até porque eu, por aqui, sempre mostrei ser uma pacata e convencional criatura. Sou dada a poesias, a rêveries, a bucolismos e ecologias, a canto de passarinhos (gregorianos e outros), a florzinhas do campo, a tareiazinhas em laranjas obsoletas, em remoquezinhos pedagógicos num certo catavento que voou para belém a mando de nosso senhor, numa ou noutra referência a filmezinhos, num ou noutro conto devótico.

Porquê, então, isto de me sugerirem um Coro de Líbidos Activos, uma Associação de Freiras? Ainda por cima umas freiras anafadas a fazerem striptease... que coisa intelectualmente mais indigesta... Não lembra ao careca. Mas, enfim, esta malta das inteligências artificiais não bate bem da bola, temos que dar desconto.



Agora, fui de novo espreitar as sugestões e o maluco do algoritmo apareceu-me com uma música do Reggiani, uma cantata de Bach, um teste de personalidade, um trailer de um filme que desconheço, um do Joe Dallesandro e outro, imagine-se, com truques que eu devo saber ao utilizar a esponja de lavar a louça. Portanto, para o algoritmo da google, estes são os meus interesses típicos. Nem valia a pena mandarem-me vender a alma ao diabo com assessements que me viram do avesso porque o algoritmo já me topou a milhas. 

E pronto. Permitam-me só que vos recomende o post abaixo onde se falam de homens e mulheres sensuais, sobre a ternura versus erotismo e onde partilho alguns momentos ternos, ternos, ternos de arrebatar o coração. Tenho dias. 

sexta-feira, março 16, 2018

Dizem que lá se foi o improvável Stevie
... mas eu não sei, não...


Não sou de efemérides ou RIPs. Tenho cá para mim que aqueles que nos são importantes apenas se afastam fisicamente. Dentro de nós, continuam próximos.

Por exemplo, os meus tios -- aqueles a quem convidei para padrinhos de casamento e de quem sempre gostei tanto -- ainda andam por perto. Volta e meia, às sextas ao fim da tarde, ainda penso que devia ligar à minha tia. Não sei bem há quanto tempo se foi mas a ideia que tenho é que apenas se afastou. Nem consigo medir o tempo. Estava aqui a pensar e a apontar para uns dois anos. Ou três. Mas, pensando bem, na volta já há uns quatro. Ou cinco. O filho mais novo da minha prima devia ter poucos meses e já vai com uns cinco, senão quase seis. Estava grávida quando morreu o meu tio mas ainda bem no início. Corajosamente, escondeu-o. Não quis associar o anúncio da vinda de uma nova criança ao momento em que se despedia do pai, e isto com a mãe doente como também estava. Parece que foi há tão pouco tempo. 

Quando morre alguém conhecido, a blogosfera enche-se de despedidas e eu, que tenho muita dificuldade em fazer o mesmo que os outros, faço de conta que não se passou nada. De resto, também não gosto de despedidas. Não gosto de gastar muitas palavras na morte, em especial com a daqueles com quem antes não as gastei em vida. 

Stephen Hawking, a improvável criatura que desafiou as estatísticas e que abriu os buracos negros à luz do conhecimento, ter-se-á ido, dizem. Mas claro que não foi a parte nenhuma. Ainda por aí anda. A internet está cheia de provas da sua existência. Escolho, para aqui ter, apenas duas dessas provas, duas bem ao meu gosto.





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sábado, setembro 23, 2017

O cavaleiro da luz








Em 1895, quando abandonava a infância, Albert Einstein teve uma visão que lhe abriu portas desconhecidas: sonhou, ou imaginou que cavalgava pelos céus montado num raio de luz.

Alguns anos depois, estas portas conduziram-no à teoria da relatividade e a outras iluminações.




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O texto é de Eduardo Galeano em 'O caçador de histórias'

Béatrice, 1897 e The Birth of Venus, 1912 — Odilon Redon
The Cosmos -- Hee Choung Yi

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sábado, março 11, 2017

A peça que faltava... já aí está.
A tecnologia quântica começa a ser uma realidade e as perspectivas que isso abre ainda nós nem sonhamos.
Os desafios são imensos. Os riscos incomensuráveis.



Quando falo em Inteligência Artificial, na Internet das Coisas ou no tratamento de Big Data as pessoas ouvem-me com alguma estupefacção, intuo que percebem vagamente que podem por aí vir alguns riscos mas, mal páro de falar, sinto que preferem que mude de assunto. Talvez lhes pareça coisa de ficção, realidade virtual, coisas longínquais daquelas que 'até lá não me doa a mim a cabeça'.

Percebo. Se a mim me falarem, mesmo que apaixonadamente, de futebol, de jogadas, de jogadores, fico também insensível: é um outro mundo e essa não é, definitivamente, a minha praia.

Se eu, àqueles meus temas, juntar a minha preocupação com a conjugação disto tudo e com o advento da tecnologia quântica acessível ao mercado, aí é que me dizem claramente: 'pode ser que sim mas não percebo nada disso'. E eu percebo que está na hora de fazer a agulha para assuntos mais cosmopolitas.

A física da matéria, as partículas elementares e a energia quântica fazem parte daquele outro território que, uma vez trazido para o mundo do dia a dia, mudará a nossa vida e o mundo tal como hoje o conhecemos.

O vídeo que abaixo divulgo está disponível há poucas horas, é recentíssimo, e peço que o vejam. And read my lips: cuidado com o que aí vem.

Quantum technology opens up a world of possibilities


After a century confined to the laboratory, the quantum realm is turning its theoretical promise into practical opportunities.



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E, volto a dizer: não sou alarmista e abomino teorias da conspiração.

Se leram istoisto ou isto compreenderão que me baseio em factos reais.

Volto a dizer: penso que é indispensável que estes temas entrem na agenda mediática para que a sociedade acorde e alguma regulação seja introduzida (enquanto é tempo).

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quinta-feira, fevereiro 23, 2017

Cenas que me fascinam


Há muitas. Não poderia sequer enunciá-las. Coisas que têm a ver com pessoas, com a mente das pessoas, com a natureza, com artes, com livros, com física, com matemática (especialmente se forem cenas maradas), com música, com a forma como os artistas vêm o mundo.

E com culinária. E com decoração. E com mar. Também com rios. E com coisas que não percebo. Essas são as que prefiro. Em particular coisas que não existem. E com as sombras que a luz desenha. Com extravagâncias. Adoro extravagâncias.

Em suma: com mil, mil, mil coisas.

Exemplifico com uma. No dia em que leio notícias que dão conta da nossa pequenez (e passo a transcrever):


Descobertas sete "Terras" num sistema solar distante


A maioria destes novos mundos serão rochosos e pelos menos três deverão ter oceanos de água líquida e, quem sabe, talvez vida.
A descoberta é anunciada como sensacional: são sete "Terras" duma vez, em torno de uma única estrela, todas com as dimensões aproximadas do original - o nosso próprio mundo -, e tudo indica que a maioria desses exoplanetas é de natureza rochosa (como o original), e três pelo menos terão oceanos de água líquida na superfície. Ou seja, têm as condições certas para a possibilidade de lá existir vida.
Neste momento é impossível dizer se haverá vida nalgum destes novos mundos, que estão na órbita de uma estrela chamada Trappist-1 (o nome é o do telescópio do ESO, instalado no Chile, que permitiu fazer a descoberta), a cerca de 40 anos-luz de distância daqui. Mas para os cientistas, a descoberta deste verdadeiro jackpot planetário vem também confirmar uma coisa essencial: os planetas idênticos à Terra serão a regra, e não a exceção, na órbita das estrelas da Via Láctea. E a vida, provavelmente, também.

Descubro este vídeo que me deixa fascinada:

Vivemos num multiverso?



E, já agora, um outro vídeo que versa um tema que me prende:

Porque é que o tempo passa?



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Até já.

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sexta-feira, setembro 16, 2016

Deus é matemático?
E, já agora, Einstein acreditava em Deus?
E eu, acredito em quê?


Acredito na harmonia. Acredito na gentileza. Acredito na serenidade. Acredito na beleza. Acredito na generosidade. 
Acredito que nem todos as vêem ou sentem. Tal como uma pessoa com fé num Deus encontra provas da Sua existência, outros (ainda que apenas mentalmente) ajoelham perante a improbabilidade da conjugação de tantas coisas incríveis que a natureza lhes mostra.
E é assim que acredito na eternidade que se percebe no olhar de quem nos olha nos olhos ou no infinito que se adivinha perante a convergência inexplicável entre pessoas que antes não se conheciam e que, contra todas as probabilidades, se vêem uma em frente da outra como se não mais quisessem separar-se. Acredito na força que não se vê e que move montanhas e mares e vontades.

Acredito no que não conheço, no que não percebo, acredito na intangibilidade da coerência invisível que gera e mantém a vida em todas as suas formas. Acredito na multidimensional vastidão dos universos e nos múltiplos e diversos seres que os habitam.

Acredito na simplicidade. Acredito na singeleza intrínseca das partes que compõem os sistemas complexos. Acredito na terra, na água, nas pedras, nas árvores, na chuva e no vento, no voo dos pássaros, na doçura dos frutos, no olhar meigo dos cães, no distante azul do céu, no morno abraço que se pressente em quem nos quer bem, nas mãos do homens que constroem cidades, acredito na música poderosa do mar ou na suave da aragem ou na inocente da folhagem ou na inventada pelos homens. Acredito na melodia tangencial da poesia.

Acredito no inviolabilidade dos grandes segredos, na magia dos momentos únicos, na longevidade dos afectos, na efemeridade do prestígios, na veracidade dos prodígios, no mistério das palavras, na elegância dos corpos, na imensidão da mente, no poder absoluto do amor.









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O físico Michio Kaku divaga (se me é permitido usar este verbo neste caso) sobre se Deus (a existir) será um matemático e produz uma afirmação surpreendente: "The mind of God we believe is cosmic music, the music of strings resonating through 11 dimensional hyperspace. That is the mind of God." 

Thomas Levenson responde às questões de Cynthia McFadden da NBC News sobre se Einstein acreditava em Deus.

Finalemente, Leda e o Ciesne aqui numa coreografia de Kim Brandstrup e interpretada pelos bailarinos Zenaida Yanowsky e Tommy Franzen de The Royal Ballet . A poesia de Yeats é lida por Fiona Shaw.

As fotografias foram feitas in heaven, onde o outono se anuncia em toda a sua doçura.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma sexta-feira muito feliz.

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