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terça-feira, junho 30, 2026

Madonna mostrou os objectos maravilhosos que tem em casa mas aquele em que eu mais reparei foi no seu novo rosto

 

Aqui há uns tempos, a propósito de coisas de nada, umas três ou quatro pessoas disseram-me: 'Não julgo o livro pela capa mas...' e continuaram, dizendo mal de alguém. Como em todos esses casos se tratava de pessoas que consomem mais Insta do que literatura, admito que tivesse sido expressão que tivesse estado viralizada durante essa altura.

Mas agora, ao ver esta menina aqui abaixo, no lindo estado em que agora se metamorfoseou, foi só o que me ocorreu. Parece mesmo que está a pedir que a gente diga: 'Não julgo o livro pela capa, mas benza-o deus, a menina mais parece um boneco de plástico... e que objectos maravilhosos é que um boneco de plástico pode ter...?'. 

Ou seja, sinceramente, tomada pelo preconceito, fiquei até com medo da bugigangaria que, na volta, invadiria a sua casa. Objectos especiais? Nem imaginava, vendo o que ela fez a ela própria.

Afinal tem uns Frida Kahlo que, caraças, não me importava nada de ter também. Não sei se não se perdem ali, mas, enfim, cada um albarda a casa à sua vontade.

Mas, tirando essas pinturas, em especial a primeira, e talvez a colcha que uma das filhas fez para lhe oferecer, acho que não houve assim nada que me desse vontade de também ter. As esculturas de pénis não me parecem nada de especial. Muito déjà-vu, nas Caldas é o que não falta. 

Tirando isso, nem sei que mais, digno de relato, lá vi. Mas, na volta, não vi porque estive foi a tentar decifrar o que é que ela fez a ela própria. Ruga, nem uma. Mas também não mexe. Os olhos parecem ter sido ali colocados, meios enviesados. O nariz parece um objecto externo. A boca também mal abre. E depois a toilette e o cabelo... Não sei que diga.

Era uma pessoa tão irreverente, tendencialmente autêntica, e agora parece sei lá o quê. O que é que passa pela cabeça destas pessoas para se deformarem a este ponto? Perdem a noção? E a sério que não estou a dizer isto numa de crítica destrutiva, é mesmo uma dúvida que tenho. Será que embarcam numa de se esticar dê por onde der e perdem a noção de que estão é a ficar uma caricatura de si próprias?

Ou sou eu que vivo num outro planeta e já estou orgulhosamente só no grupo em via de extinção das dinossauras que não se esticam, não se insuflam, não se injectam, não se liftam nem se peelam (peelam de fazerem peeling, tal como liftam de fazerem lifting)? Pois não sei.

Mas vejam se gostam. 

Na casa de Madonna em Londres, repleta de objetos maravilhosos | Vogue

A lendária artista e estrela da capa da Vogue Itália, Madonna, abre as portas da sua casa em Londres para a Vogue mostrar alguns dos seus objetos mais preciosos. Começando com um autorretrato de Frida Kahlo, Madonna conta uma história incrível sobre a sua primeira chegada a Nova Iorque e o sonho de possuir esta obra de arte. Exibe também um terço de madeira que pertenceu à sua mãe, uma escultura desenhada pelo seu filho, uma manta de croché feita pela sua filha e um polvo de peluche com um profundo significado pessoal.


Desejo-vos uma boa terça-feira

sábado, junho 27, 2026

Casas com livros

 

Hoje, por cá, foi dia de ponta. E, ao dizer isto, de novo, só me apetece gozar comigo. A mesma pessoa que tinha reuniões de manhã à noite, que tomava decisões com impacto na vida de muita gente ou relativas a negócios de milhões, agora chama dia de ponta a uma vulgar sexta-feita em que as tarefas se reduzem a ir às compras, arrumá-las, pôr a roupa a lavar e estendê-la, trocar parte da terra de alguns vasos e adubá-la, regar, cozinhar para hoje e para amanhã, ir ao ginásio, passear o cão, rever umas prosas -- tudo coisas deste simples calibre. Mas a verdade é que foi o dia todo a fazer isto, fazer aquilo, ir aqui, ir acolá, sem tempo para me sentar ao sol a ler nem por um bocadinho.

Continuo sem um pingo de saudades da minha vida profissional. Gostei muito, sentia-me motivada todos os dias mas, ao fim de décadas, senti que já chegava, que precisava de me libertar das amarras dos horários, das obrigações, do stress de ter que estar permanenetemente a tomar decisões, da prisão que a responsabilidade constituía. E continua feliz, deslumbrada mesmo, com esta minha vida actual.

Mas antes, durante a semana, não almoçávamos em casa, pouco estávamos em casa. Portanto, tinha muito menos compras para fazer, menos refeições para preparar. Agora é uma coisa que me espanta e que, de certa forma, me complica com os nervos: passo a vida a ter que comprar fruta, legumes, iogurte, queijo, peixe, carne. E mil outras coisas. Uma canseira. E, vivendo num apartamento, não havia nada dos trabalhos que hoje temos relacionados com o jardim, e que são permanentes. E não tínhamos cão. Se hoje não o tivéssemos não teríamos os nossos dias tão preenchidos (a todos os níveis) como hoje temos, e adoro, mas o pretexto que nos dá para ir passear com ele é, ao mesmo tempo, um hábito que consome tempo (e, desejavelmente, calorias). 

Resultado: agora ao fim do dia, o meu marido foi buscar o jogo de futebol que só tarde e más horas percebeu que tinha dado.... e, para mim, o som dos jogos de futebol é melodia para adormecer. Dormi profundamente. Só espero que agora não me faça ter insónia na cama.

Mas tinha ideia de ter começado um livro e não consegui. Já tenho várias pilhas de livros espalhadas por vários cantos. Aborrece-me arrumar nas estantes livros que ainda não li, tenho sempre a sensação de que livro arrumado é livro desaparecido, sugado pelos restantes. Mas isso traduz-se em desarrumação.

Estive a ver a casa que aparece no vídeo que aqui partilho e gostei imenso. É o oposto da minha. A minha casa tem cores, é pouco monocromática, e tem alguns pequenso focos de bagunça. Esta que aqui se vê é uma casa tranquila, elegante, muito organizada. A biblioteca é fantástica. Não há nada que dê mais vida a uma casa do que os livros. Uma casa na qual não se veem livros revela que lá dentro há pessoas com a cabeça um bocadinho oca. Acho eu.

Uma bonita casa de campo inglesa repleta de livros e achados vintage | Tour pela casa

Entre numa casa de quinta da década de 1750, maravilhosamente restaurada, na Cornualha, onde a jornalista que se tornou instrutora de Pilates e amante de livros, Christen Pears, criou um lar acolhedor e cheio de personalidade, com design vintage, tesouros colecionados e milhares de livros.

Após anos a viver no estrangeiro, Christen e o marido regressaram ao Reino Unido e transformaram esta histórica quinta de 1750 num refúgio acolhedor e cheio de personalidade, com mobiliário escandinavo de meados do século XX, materiais reciclados, tesouros colecionados e renovações cuidadosas.

Desde a icónica parede com livros de bolso da Penguin e a lareira original do século XVIII à encantadora despensa, ao jardim florido e à deslumbrante biblioteca no celeiro, cada recanto reflete um estilo de vida mais lento e intencional.

Situada na zona rural da Cornualha, a propriedade inclui ainda casas de férias, um estúdio de Pilates, hortas e espaços concebidos para encontros, leitura e para se desligar do ritmo frenético da vida moderna.


Desejo-vos um bom sábado

quarta-feira, outubro 30, 2024

Quais as causas para haver, em simultâneo, em vários países, uma crise na Habitação?

 

Até há relativamente pouco tempo não se ouvia falar em crise na Habitação. 

Aliás, há uns anos, antes da 'acalmia', mais concretamente em 2008, houve uma crise mas de sinal contrário. Se agora, o problema é a escassa oferta e, consequentemente, os preços muito elevados, há uns anos o que aconteceu foi o contrário: era área de forte investimento até que a dita bolha imobiliária rebentou, deixando os bancos entalados e, logo, o sistema financeiro a tremer.

Mas agora não é apenas em Portugal mas em vários países, alguns com ainda maior premência do que por cá, que as pessoas vêm para a rua gritar pelo direito a uma habitação digna. Casas não as há, quer para vender quer para alugar, pelo menos a valores compagináveis com os rendimentos da classe média baixa. Parece que as casas 'económicas' desapareceram. Há, sim, casas milionárias ou milionaríssimas que, estranhamente, também se vendem e arrendam bem, embora certamente a outra camada da população, se calhar, até, a estrangeiros.

Há pouco, estávamos a jantar e a ver, na RTP 3, o Jon Stewart com Josh Shapiro, Governador da Pennsylvania. E, para meu espanto, um dos temas abordados foi também o da crise da Habitação.

Ora o que há de comum entre Portugal, Espanha, França, Irlanda, Reino Unido... e Argentina, Canadá, Austrália, Estados Unidos... para que não haja casas disponíveis para a classe média e média-baixa?

A população está a aumentar de forma rápida, não orgânica? 

Em Portugal, o número de imigrantes é de ordem a justificar a escassez de casas? Até pode ser. Felizmente, a demografia anémica de Portugal está a ser compensada com os imigrantes. Já aqui o referi muitas vezes: tomara que por cá se mantenham e se instalem e formem família, de preferência com muitos filhos. Mas, na realidade, são centenas de milhares de pessoas que têm que ser alojadas.

Ou a crise da Habitação tem também a ver com o advento do turismo fora do âmbito hoteleiro? Estará a crise relacionada com a implantação de plataformas como o Airbnb (escrevo no plural pois não sei se não haverá mais)? Por todo o lado há casas que saíram do mercado do arrendamento tradicional ou em que provavelmente os donos desistiram de as pôr à venda pois o rendimento que obtêm com o alojamento local é bem mais atraente.

Gostaria de ver um estudo exaustivo sobre este tema, identificando, por um lado, o número de casas que seria necessário para alojar o acréscimo de população e, por outro, o número de casas que foram subtraídas do mercado habitacional por transferência para o mercado turístico. Creio que estes dois factores são transversais a todo o mundo dito ocidental (que acolhe imigrantes e turistas).

Penso que, com um estudo fundamentado e com números exactos e uma distribuição geográfica das carências, seria mais fácil encontrar soluções.

O que me confunde é que ouço frequentemente dizer que o problema não é a falta de casas. Não sei se há nuances semânticas nisto. Não vale dizer que há casas, são é de gama alta. Se a população que se queixa de falta de casa é gente com fracos rendimentos, o facto de haver casas de 1 milhão ou com rendas de mais 2 mil euros não vem ao caso. Nem vale dizer que há casas, por exemplo podem usar-se conventos ou quartéis, pois instalações dessas poderão ser reconvertidas para hotéis mas dificilmente para apartamentos (digo eu).

Ou seja, penso que tem que haver um mapeamento exacto do que falta e das suas características e localização. 

E também não vale a pena tentar travar o que não é travável, tal como o turismo que se se instala em alojamentos locais. Quando muito consegue racionalizar-se, mas não travar. Pode, também quando muito, tornar-se o arrendamento habitacional mais atractivo para os senhorios (impostos mais baixos, por exemplo). Mas nunca a solução passará por aí.

Seja como for, em abstracto, creio que o que há é fomentar a construção rápida, económica e bem pensada de construção de habitação, não direi social mas para uma população de baixos rendimentos. E isto deveria ser pensado de forma articulada, discutido, entregue a quem sabe: equipas mistas de arquitectos, sociólogos, engenheiros civis e engenheiros urbanistas. 

Não pode ser feita uma coisa às três pancadas, na periferia. Não queremos, certamente ter mais bairros sociais, indistintos, nos limites das cidades, futuros ghetos. 

Creio que há técnicas de construção económicas e seguras que não têm que ser necessariamente ruinosas para os empreendedores. Ainda agora vi que em Estarreja, numa fábrica, estão a apostar em técnicas económicas e sustentáveis para a construção. Tem que haver investigação e investimento forte nestas áreas.

Não creio que tenha que ser construção pública. Pode ser. Mas não tem que ser forçosamente pois as naturais limitações orçamentais do Estado não devem ser um travão para a resolução deste grande problema. 

Agora que se perceba de que é que efectivamente se está a falar, quais as causas, de que é que se precisa exactamente. E que se perceba que isto é um tema global. Que se aprenda com os outros, no que for de aprender. 

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Partilho um vídeo sobre o tema. Contudo não são abordadas possíveis causas que me parecem bastante prováveis como as que referi (o disruptivo e não linear crescimento da população pela incorporação de imigrantes no tecido social e o grande afluxo turístico que se aloja em casas que antes eram habitacionais).

The Global Housing Crisis in 5 Minutes

The global housing market has reached boiling point. Prices are going through the roof, home-ownership rates are at all-time lows, and supply is consistently below what is needed. As we go through multiple global cities, we investigate the main problems with the housing market, as well as the possible solutions.


domingo, setembro 15, 2024

Há casas e casas...

 

Enquanto escrevo, estou a ver um programa fantástico na RTP 1, 'Em casa de Amália' em Elvas. Muita gente na rua a assistir a contagiantes momentos de partilha com o António Zambujo, o Buba Espinho e o Luís Trigacheiro, apresentado por um José Gonzalez que eu não conhecia mas que é um tipo bem simpático. 

Muito bom. Penso que o país caminha no bom sentido quando se fomentam momentos assim, de comunhão em torno de uma língua comum, em que as pessoas saem à rua para ouvir cantar, quase tudo canções que toda a gente canta, em que há sorrisos no ar. O cante alentejano é maravilhoso. 

Mas não tem que ser o típico cantar alentejano. Canções que muita gente conhece, melodicamente ricas, em que se toda a gente se junta a cantar, são uma riqueza cultural inesgotável.

E estes três jovens cantam lindamente. Estou impressionada. Por exemplo, não conhecia bem o Luís Trigacheiro e tem uma voz e um poder de interpretação extraordinários. Neste momento está a cantar uma que não é muito conhecida (digo-o pois não o acompanham a cantar) mas que é uma canção linda. Estou encantada.

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Mudando de assunto. Ontem à noite, sem querer, dei com um documentário tocante. Fiquei a ver até ao fim. Foi na RTP 2. Feito pela Charlotte Gainsbourg sobre a mãe, Jane Birkin, mulher de uma inocência e franqueza totais.

Se não viram, sugiro fortemente que ponha a box para trás e o vejam. Partilho o trailer só para se perceber o género. 

Jane by Charlotte - Official Trailer (2022) Charlotte Gainsbourg

Watch the trailer for Jane by Charlotte, a documentary by Charlotte Gainsbourg about her mother, Jane Birkin. It features intimate conversations between parent and child, as well as footage of Birkin performing onstage, and explores the emotional lives of two women as they talk about subject matter that ranges from the delightful to the difficult: aging, dying, insomnia, celebrity, and their differing memories of their shared past, which includes Charlotte's father and Jane's husband, Serge Gainsbourg. 

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Como estou com um olho no burro e outro no cigano (e espero não ser censurada pela utilização deste ditado popular), não me dá para me pôr para aqui agora com divagações. Vou já direita ao assunto.

A forma como as pessoas vivem por esse mundo varia de uma maneira que se calhar não julgamos possível. Eu, se fizesse programas educativos, incluía o conhecimento de hábitos, dificuldades, excentricidades e gostos ao longo de todo o planeta. Penso que é bom que tenhamos noção das disparidades, da diversidade. O que aqui podemos observar atesta a criatividade humana quer a nível arquitectónico, quer tecnológico, quer estético ou económico quer a nível da própria sobrevivência.

Pode ser difícil de acreditar, mas as pessoas realmente moram nestas casas


A tod@s desejo um belo dia de domingo

quarta-feira, janeiro 17, 2024

No dia em que a Irene soltou os cachorros, ia-nos acontecendo uma.
Portanto, para festejá-lo, vou ver uma casa fabulosa e convido-vos a virem também

 

O meu dia foi sobretudo disparatado. Uma peça do separador central da autoestrada, com a ventania, soltou-se e enfiou-se debaixo do nosso carro e, tal o estrondo, pareceu produzir o efeito de uma explosão. Depois, quando o meu marido abrandou e conseguiu fazer uma diagonal para levar o carro para a berma, aquilo fazia um ruído de tal forma excruciante que nos fez levar a pensar que o carro estava a despedaçar-se por baixo. 

Tivemos que chamar a Assistência porque a parte de ferro daquela coisa estava enganchada por baixo. O carro teve que ser levantado, claro, para desencravar e puxar aquilo. Depois, o senhor da Assistência chamou a polícia para registar a ocorrência. Com isto estivemos não sei quanto tempo ao frio e ao vento na autoestrada. Aparentemente o carro não ficou estragado mas já era de noite, não se conseguia ver nada, muito menos por baixo do carro. Tem que ir à oficina para ser inspeccionado por baixo. 

Mas, face ao que aconteceu e ao que poderia ter acontecido, tivemos muita sorte. E, sempre que apanho grandes sustos e vejo de perto acontecer qualquer coisa que pode acabar muito mal mas não acaba, sinto-me agradecida, agradecida pela boa sorte. 

A vida é sempre, queiramos ou não, um equilíbrio precário pois, pensando nós que o que está mal na nossa vida está noutro sítio (no meu caso, numa cama -- e refiro-me, obviamente, à minha mãe), do nada acontece-nos uma que, num ápice, sem termos tido tempo para reflectir ou para perceber o que nos estava a acontecer, nos poderia levar desta para melhor (bastava que aquilo tivesse entrado pelo vidro do carro ou que, no momento em que o carro pareceu explodir, o meu marido tivesse travado ou dado uma guinada que levasse os outros carros a virem para cima de nós, com as consequências que daí poderiam advir). Portanto, não tenho que lamentar o susto, o tempo perdido, o frio -- tenho é que estar agradecida por termos escapado ilesos.

Face a isto, penso que não vale a pena falar de mais nada. Só que cheguei a casa enregelada até aos ossos mas, depois de um banho quente, senti-me tão animada (ia dizer abençoada) que, sem pensar duas vezes, resolvi fazer uma tentativa junto de uma editora. Mas tão despassarada estava que, ao preencher o formulário de caracterização e envio, me esqueci talvez do mais importante. Quando dei por isso já o tinha enviado com essa estúpida omissão. E agora não vou enviar segunda vez, iria dar mau aspecto. Mas também não estou aborrecida. Há coisas piores. E tenho para mim que o que tem que acontecer acontece no momento certo, portanto não vou para aqui ficar a pensar no disparate que fiz.

E, para ser ainda melhor, ao abrir o YouTube, apareceu-me uma casa fabulosa. 

A arquitectura desta casa, a engenharia, a envolvência, a luz, a largueza e a harmonia dos espaços, os materiais, a intemporalidade, a decoração, tudo é fabuloso. É uma obra de Frank Lloyd Wright. Convido-vos a ver pois é uma maravilha. Quando me sair um super euromilhões hei-de descobrir um arquitecto deste calibre, um terreno deste género e hei-de pedir-lhe que desenhe a casa dos meus sonhos.

Inside One of Frank Lloyd Wright’s Final-Ever Designs | Unique Spaces | Architectural Digest

Today AD travels to Connecticut to tour Tirranna, one of legendary architect Frank Lloyd Wright’s final designs. Considered one of the greatest architects of all time, Frank Lloyd Wright produced over 1000 designs in a career spanning 70 years, revolutionizing architecture in the United States. A pioneer of organic architecture, Wright believed any building should exist in harmony with its inhabitants and surroundings–a concept that runs through the veins of Tirranna. Join Stuart Graff, president and CEO of the Frank Lloyd Wright Foundation, as he walks you through one of the final designs of Wright’s career.


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Uma boa quarta-feira
Saúde. Boa sorte. Paz.

quinta-feira, dezembro 07, 2023

A extraordinária casa do arquitecto Manuel Aires Mateus em Lisboa

 

Já aqui falei muitas vezes que gostei muito de tudo o que fiz a nível profissional e que, se quisesse dizer que outra profissão poderia ter tido, teria alguma dificuldade. Psicóloga talvez. Ou arquitecta. Na altura nunca me ocorreu que poderia enfeitiçar-me pela concepção de espaços. Estava tão longe disso...

A arquitectura atrai-me. Parece-me a mistura harmoniosa e perfeita entre a arte e a técnica. Há ali muita matemática, muita geometria descritiva, muita trigonometria. Mas também muita poesia, muito amor à luz e às sombras, muita toada melodiosa na integração entre o interior e o exterior, entre a vivência de quem habita os espaços por dentro e quem vive ao redor. E requer criatividade, requer ousadia mas também ponderação, capacidade de sonhar mas com os pés em terra firme.

Hoje vinha para aqui falar de outra coisa, para falar daquele caso mediático que ilustra bem a velha máxima de que quem com ferros mata, com ferros morre, (como podem verificar, ando a fazer um esforço por reencontrar o equilíbrio), quando, ao espreitar o youtube, me apareceu um vídeo irrecusável. Arquitectura da boa: a própria casa de Manuel Aires Mateus, arquitecto que tem qualquer coisa de especial.

Num espaço com muitas memórias (remonta ao século XVIII), pedras, arcadas, sublimes entradas de luz, um jardim generoso, vista sobre o rio, a casa de Manuel Aires Mateus, em Lisboa, é qualquer coisa de maravilhoso.

E ele leva-nos pela sua casa, podemos ver a decoração, podemos ver a porta extraordinária (gosto imenso daquele tipo de portas; por acaso tenho uma porta assim, embora, obviamente, numa outra escala, na cave; ou seja, um desperdício...), podemos ver a mesa enorme, podemos ver a pérgula, as glicínias.  E ele sempre com aquela simplicidade simpática que o caracteriza.

Espero que gostem tanto como eu gostei.

Inside a Portuguese Architect's Converted Lisbon Home | estliving.com

Architect Manuel Aires Mateus’ own home, located within an 18th-century building in the heart of Lisbon, was conceived as an ever-evolving space that he and his family can cherish for years to come.

In an exclusive film, Portuguese architect Manuel Aires Mateus, co-founder of Aires Mateus Architects, guides us through his historic family home on Lisbon’s Rua De São Mamede. Occupying the ground floor of a five-storey building that had endured a prolonged period of neglect, the intention was to update the interiors without compromising their historical essence. “We designed the house in a very open way, aiming to create spaces that support any kind of way of life,” Manuel expresses.


Desejo-vos um dia bom

Saúde. Coragem. Paz.

quarta-feira, novembro 22, 2023

Lei de Murphy -- casos práticos

 

Outro dia que não foi fácil, sobretudo pelas razões que, infelizmente, estão a ser uma constante. Parece que vai de mal a pior e há cada vez mais coisas que tenho dificuldade em perceber. Dizem os meus filhos e diz o meu marido: é o normal. Que eu relativize. Que a tendência não será para melhorar pelo que tenho que aprender a aceitar a situação. 

Para ajudar à festa, porque nestas coisas os contratempos nunca são acontecimentos isolados, um dos equipamentos críticos cá em casa está com problemas. Não seria dramático pois há um outro que é suposto funcionar na ausência do primeiro. Pois, como parece que sempre acontece nestas situações, também não funcionou.

Chamado um técnico para ver um e outro, concluiu que o primeiro tem que ser substituído mas não vai ser rápido nem fácil nem económico e que o problema do segundo não era dele mesmo mas de outra coisa a montante.

Portanto, cá esteve hoje, outra vez, para reparar essa insuspeita coisa que estaria a causar problemas ao segundo e a ver se este funciona e aguenta os cavalos enquanto o primeiro não é substituído. 

Trouxe peças novas, montou, fez testes e para aqui andou de um lado para o outro. Parece competente. Não quero deitar foguetes antes de tempo mas penso que, para já, o segundo já funciona. Menos mal. Sem nada é que não poderíamos estar.

Tendo sido recomendado por um conhecido, fiquei a saber que tem trabalhado para muita gente que eu conheço, tendo contado episódios engraçados e que encaixam na perfeição no que conheço deles. 

E porque há aquilo de a Lei de Murphy ser para levar mesmo a sério, o meu calcanhar também continua a doer-me bastante, o que me tem impedido de fazer diversas coisas... e tantas que tenho para fazer.

Portanto, com tudo isto, umas a seguir e em cima das outras, continuo a sentir-me um bocado esvaziada. As preocupações puxam-me para baixo, as avarias maçam-me, as muitas solicitações deveriam tirar-me de casa e a dificuldade em andar atrapalha tudo. Claro que, ainda assim, faço o que posso mas chego ao fim do dia sem ânimo para dissertar sobre os acontecimentos do dia ou para me divertir. Não levem a mal que não responda aos vossos comentários. Leio-os atentamente, ouço as músicas... mas parece que não tenho energia para falar convosco. Desculpem-me.😞

Só espero estar melhor amanhã e, sobretudo, que não aconteça de tudo um pouco, pois vou ter que sair para tratar de uma série de assuntos. Raios partam o estupor do Murphy.

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Prefiro, pois, partilhar um vídeo com uma casa que achei com o seu quê de interessante, com objectos meio excêntricos. Gosto de ver casas, não apenas aquelas em que eu não me importaria de viver mas também as que têm coisas insólitas, únicas.

Inside This Curator’s Bohemian L.A. Home Filled with Handcrafted Objects | Vogue


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quarta-feira, setembro 20, 2023

Cenas da minha vida doméstica -- passando ao lado da chã política doméstica

[E uma casa extraordinária, uma fantástica obra de arquitectura]

 

Sinto um certo remorso por não comentar a palhaçada do Chega com a moção, mais a chachada do PSD que não é carne nem é peixe e que se deixa meter no bolso do Ventura, e mais, ainda, a palermice encartada dos artistas da IL que emparelham com os achegados para depois se armarem em betinhos e dizerem que não andam aos gambozinos com eles.

E podia ainda falar do Lula que tanto diz uma coisa como o seu contrário, e recordar que eu dizia que entre o Bolsonaro e o Lula, o Lula -- mas que, para dizer a verdade, venha o diabo e escolha. 

Ou poderia falar do carente Marcelo que faz de tudo para ser amado e para que ninguém se esqueça dele e que, nessa sua desaustinada ânsia, já não consegue conter a incontinência afectiva e verbal que tomou conta dele... dizendo o que lhe vem à boca (ia dizer, tudo o que lhe vem 'à cabeça' mas emendei porque acho que nem lhe passa pela cabeça, é tudo na base da ligação directa à boca). 

Mas vou falar de outra coisa. Estivemos a ver e ouvir o Nada será como Dante. Várias leituras um pouco desconcertantes. Mas uma poesia em particular deixou-nos a balançar sobre um dedo do pé. Para validar se era eu que estava armada em picuinhas, perguntei ao meu marido o que achava daquele poema. Respondeu: 'Para começar, seria preciso saber se aquilo é um poema'. Concordei pois estava a pensar a mesma coisa. Poema, o tanas.

Então perguntei-lhe se ele se lembrava de uma certa situação a que ambos assistimos há uns anos. Lembrava-se. Então disse-lhe: 'Vou ler um poema que escrevi sobre isso'. Ficou totalmente admirado. Há coisas da minha existência em que dificilmente acredita.

Não sei se já contei mas para aí no verão, entre os dias de férias e de miúdos e de mais não sei quê, meti na cabeça que haveria de fazer uma série de retratos em poesia. Cenas minhas, não interessa. E mandei-os para um certo sítio, e não vale a pena virem com piadinhas. E nem dei a ler ao meu marido pois ele não é grande apreciador de poesia. Temi que gozasse e me boicotasse a intenção. Portanto, a coisa seguiu o seu rumo sem a bênção ou o conhecimento dele.

Tive que me focar para não me desatar a rir. Dá-me vontade de rir de mim e das parvoíces que faço. Mas, então, lá li. 

Por fim, atinei e li. Ouviu atentamente e, no fim, quando a coisa teve um desfecho trágico-cómico, riu-se. 

Perguntei-lhe se tinha gostado e disse que sim.

Eu é que não gostei nada pois descobri que falta uma letra numa palavra. É o mal de nunca me dar tempo para rever com mil olhos. Caraças. Seguiu com uma letra a menos. Tomara que não seja fatal.

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E como na volta aparecerá alguém, outra vez, a protestar que, lá está, falo, falo... e não digo nada... (ah pois é, bebé...), vou passar ao que interessa: uma casa que é uma fantástica obra de arquitectura.

 Inside a Futuristic Mansion with Removable Rooms | Unique Spaces | Architectural Digest

Today Architectural Digest tours a futuristic home nestled among the trees in Malibu, California. If you were to imagine life on Mars your mind might conjure an image similar to this extraordinary residence. Built by architect Ed Niles in 1992, his experimental builds have been redefining the architecture of Southern California for decades. The innovative design features a long structure with modular rooms that can be unhooked and rearranged along the house's spine. Join Ed as he talks you through the creative process behind this architectural marvel.


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Um dia bom

Saúde. Alegria. Paz.

sábado, agosto 12, 2023

Irrelevantes tropeços. Auspiciosos recomeços.
E uma casa para lá de linda

 

O senhor que veio consertar o que tinha desarranjado na véspera felizmente veio cedo e, felizmente, ao fim de hora e picos, aparentemente resolveu a situação. Digo aparentemente pois, quando o tema envolve artolas, viro pessimista.

Mas tive um outro contratempo. Ao querer fazer uma simples operação num banco, em casa, não consegui. Começou por me aparecer a mensagem de que o site estava inoperacional, para tentar mais tarde. Quando tentei, consegui entrar mas não concluí a operação pois apareceu-me a mensagem de que era preciso actualizar alguns dados. Não percebi quais. Liguei. Fui aconselhada a dirigir-me a uma agência. Fui (convencida de que o site estava ensarilhado). Depois de algum tempo à espera, o funcionário disse que o problema, no último caso, não era treta informática mas, sim, que era mesmo preciso actualizar os dados profissionais e a morada e que tínhamos que ter comprovantes. E não tínhamos. E já não deu tempo a ir a casa e voltar antes das 15.

De vez em quando tenho o feeling de que há-de chegar o dia em que me verei aflita para coexistir neste mundo cada vez mais digital mas, cada vez, mais complicado.

E depois há isto: porque é que para movimentar o meu dinheiro (meu, m-e-u) me vejo obrigada a dar informação ao banco da minha situação profissional ou dar cópia de documentos que atestam tudo o que afirmo?

Estas coisas maçam-me. Maçam-me mesmo. Fazem-me perder tempo e desgastar a paciência.

E hoje não me dediquei a uma das tarefas a que me tenho dedicado nos últimos dias: organização de coisas que tenho escrito, coisas dispersas a que quero dar alguma unidade. Não tive tempo e, diga-se, muita paciência. 

De tarde, enquanto os meninos viam televisão ou se entretinham no jardim, andámos, eu e o meu marido, a cortar ramos secos do farto jasmim amarelo (que agora não está florido) e, depois, a apanhar a porcaria que ficou no chão. Coisas assim. 

Ou seja, estou naquela fase de gestação em que sinto que qualquer coisa pode estar para começar a aparecer mas em que retardo o momento pois sei que não é fase para poder dedicar-me como a situação exigirá. 

E em princípio vou reencontrar uma pessoa com que não estou há bastante tempo e estou radiante por isso ir acontecer. E há pouco, ao trocar mensagens com uma outra, falei-lhe em ela vir cá a casa e penso que ela ficou contente, e isso alegra-me bastante.

Tal como sempre esperei, estou a entrar num novo capítulo da minha vida e a perspectiva de novos recomeços sempre me aliciou.

Quanto à actividade por que tanto esperei, estou a dar os primeiros passos no caminho das pedras. Estou informadíssima de que é missão praticamente impossível. Os editores não gostam de arriscar em quem ninguém conhece. Percebo-os muito bem. Mas isso não me desmotiva. Quanto mais difíceis as batalhas, mais eu desejo ganhá-las.

Sei que talvez tenha que equacionar a adopção de um plano B. Mas, por enquanto, ainda estou focada na concretização do plano A.

Tirando isso, vou partilhar convosco o vídeo daquela casa extraordinária de que ontem falei. Espero que gostem. Sintam-se em casa.

Inside Bernardette's Lush Green Paradise

 This massive villa sits next to a serene river, surrounded by the beauty of natural jungle and vibrant greenery. From the local art paintings and pit fire pizza oven to the lap pool, this villa is the perfect haven to escape the hustle and bustle of everyday life.



Um belo sábado
Saúde. Boa disposição. Paz.

sábado, julho 29, 2023

Um oásis de luxo, um bom investimento... ou um exemplo do que é o mau gosto...?

 

Como já aqui tenho falado inúmeras vezes gosto muito de conhecer casas e sou muito sensível ao ambiente que lá se vive ou, quando estão desabitadas, ao ambiente que intuo como provável.

Se há coisa de que gostei foi de andar a ver casas quando estávamos a pensar mudar de casa. 

Das vezes em que comprámos casa, o amor pela escolhida foi sempre instantâneo. Pelo contrário, pasmávamos com o mau gosto de algumas pessoas ao fazerem casas enormes, forçosamente dispendiosas, e tão feias, algumas tão estranhas.

E ainda me aflige, e quando falo em afligir refiro-me mesmo a uma aflição quase física, quando estou numa casa em que o ambiente proporcionado pela disposição das divisões ou das janelas ou a decoração é atrofiante. Casas carregadas de móveis escuros, sofás escuros, tapetes escuros, cores pesadas, quadros de mau gosto, escuros, colocados acima da linha dos olhos, perdidos no meio das paredes, tudo isso me deixa verdadeiramente atrofiada.

E, no entanto, para quem lá vive, aparentemente está tudo bem. Portanto, lá está, é tudo relativo.

Por exemplo, está a merecer destaque a casa da família Gucci, em Roma, que está à venda pela módica quantia de 15 Milhões. Vendida como uma mansão de luxo, a imagem exterior é convidativa, os jardins, as árvores, tudo parece uma maravilha. 

Contudo, ao ver as fotografias do interior, mudei de opinião. Não a queria nem dada. Só o dinheiro que teria que gastar para a arranjar e para a manter... Não, nem pensar. 

E, no entanto, deve haver muita gente (em especial, daquela que nada em dinheiros-novos) a disputá-la.

La demeure est aménagée dans un savant mélange du charme italien et une décoration de style anglais, qui découle des inspirations de la femme d’Aldo Gucci, Olwen Price, qui venait du Royaume-Uni. Dès lors, pas étonnant d’observer, sur la façade, des bow-windows, ou bien des éléments de décoration typiquement anglais, à l’instar de motifs tartan ou excessivement fleuris.

12 quartos, 12 casas de banho, salões, escritório, etc. São 1.200m2 de construção num parque com 7.000m2, a 10 minutos do centro de Roma. Mas....

Ora vejam e ajuízem (ou invistam, se puderem e gostarem...)














Não acham desagradável...?

quinta-feira, julho 13, 2023

Mais uma voltinha, mais uma viagem

 

De facto, continuamos a girar neste vasto universo e nem damos por isso. Quase nos convencemos que pisamos solo firme numa realidade estática. E, no entanto, por aí andamos às voltinhas. E, depois, há outra. A organização do tempo que leva a contabilidades a que nos agarramos como se fossem condicionantes, bem vistas as coisas são meras abstracções.

Mas cá estamos para irmos fazendo de conta que, quando há um determinado alinhamento, faz sentido apagar velas, cantar, bater palmas. Desde pequena que, no que a mim diz respeito, acho isso uma fantasia em que me encaixo com algum esforço.

Contudo, logo que tive filhos e vi como para eles e para a família era importante um festejo, passei a encarar os aniversários com maior bonomia. Aliás, fazer festinhas de anos para eles era para mim uma alegria, com amiguinhos da escola, primos e, à noite, a família toda. Como é tudo gente do verão, só me lembro dos calores que me apanhavam quando já estava cansada e a precisar de férias.

Enfim.

O que posso dizer é que, portanto, podendo facilmente estar enfiada no campo sem qualquer comemoração, a verdade é que a opção foi outra: cá estivemos, todos juntos, malta dos 6 aos 90, tudo junto, tudo à conversa, conversas sobrepostas, os miúdos com aquele apetite voraz que os caracteriza, e uma boa disposição contagiantemente maravilhosa. Complicado mesmo é conseguir uma fotografia de grupo em que não fique um a olhar para baixo, outro a fazer cara de totó, outro a fazer cornos a alguém, outro fora de ângulo. E, passado algum tempo, já estão todos fartos e vai cada um para seu lado. Uma frustração.

A ementa foi daquelas que os deixa felizes só de verem as bancadas compostas: crepes chineses, diversas caixas de sushi, pizzas várias daquelas boazonas em forno de lenha, arroz chau chau, frango assado, batatas fritas. Só faltaram as chamuças e o pão naan mas já não tivemos tempo. O bolo foi de pão de ló com mascarpone, morangos e amores-perfeitos. E havia também pão de ló com doce de ovos e bolo de limão merengado. Uns gulosos.

A ver se entro em dieta para me conseguir enfiar com elegância nos fatos de banho.

Conclusão: a esta hora, como é bom de ver, estou cansada, com sono. 

Ficou cá um menino mas também estava cansado pois foi logo para a cama e, depois de mais uma história, ficou instantaneamente a dormir.

E, como é bom de ver, foi mais um dia sem ver televisão. Não sei de notícias, não sei de nada. A vida sem a gente conspurcar a mente com uma overdose noticiosa pode ser bem melhor.

E, para não darem o vosso tempo por mal gasto, vindo aqui para nada, partilho dos vídeos que me parecem interessantes.

Why Yuval Noah Harari meditates


An Architect's Hidden Family Home Built Into A Hillside

Um dia bom

Saúde. Vida longa e feliz. Paz-

quinta-feira, julho 06, 2023

A graça, a funcionalidade e a elegância de duas casas pequenas. Um casal em que cada um vive em sua casa.

 

Quando temos mais tempo, se não estamos cansados, damos uma volta maior ao fim do dia. Como temos andado a sair e a ter compromissos e esta quarta-feira não os tivemos, não saímos, não fomos para a praia nem para outro lado. Ficámos por aqui, fizemos uma caminhada alargada. Não estava muito calor. O tempo assim, ameno, é uma maravilha, um apelo à serenidade, ao apaziguamento.

Se há coisa de que gosto é de ir olhando para as casas. Adoro casas. Mesmo não as vendo por dentro, contento-me com o exterior. Há casas de arquitectura mais tradicional e casas de arquitectura moderna e outras que são superlativas, intemporais.

As casas que têm terraços e jardins em pisos superiores ou cujo design contemplou a integração, a meio, de uma árvore despertam-me especial atenção.

Hoje reparei numa casa de traça mais tradicional que tem diversas varandas e vários recantos e terraços em níveis distintos, com escadinhas para os diferentes patamares. E junto a um dos muros tinha hortenses todas floridas. Muito bonita, muito acolhedora.

Escusaria aqui de voltar a referir o quanto valorizo a boa arquitectura. Já o disse incontáveis vezes. 

No decurso das minhas várias vidas profissionais, por duas vezes separadas por alguns anos, no decurso de movimentações empresariais -- que envolveram alienação de edifícios no centro da cidade e necessidade de procurar outros, fusão de empresas, reorganizações de monta --, fiquei responsável pelos projectos nas suas diferentes valências, quer a das reorganizações propriamente ditas, até à selecção de edifícios, respectiva adaptação (desde o projecto de arquitectura, à selecção de empresas de construção e acompanhamento de obras --- não eu, pessoalmente, mas pessoas sob a minha coordenação), gestão das mudanças em si (colocando a trabalhar nos mesmos serviços e nas mesmas instalações, pessoas que não se conheciam, provenientes de empresas e cidades distintas). Das duas vezes, obviamente recorremos a arquitectos e, das duas vezes, foi uma experiência extraordinária. A forma engenhosa e inteligente como aproveitam os espaços e pensam na envolvente, nas necessidades, na luz, e como encontram soluções elegantes e ergonómicas, é, para mim, fascinante.

Foram projectos de grande dimensão que envolveram importação de materiais sofisticados que eu desconhecia e que transformaram radicalmente os espaços, que incluíram a concepção e construção de mobiliário, integração paisagística e sei lá que mais -- e que me deixaram extraordinárias memórias.

De vez em quanto tenho aqui mostrado casas maravilhosas, amplas, luminosas, integradas na paisagem. Mas são casas sobretudo para a gente sonhar com elas pois são imóveis que não estão ao alcance de todos.

Hoje partilho o oposto: duas pequenas casas. Mas recuperadas e alteradas com tal inteligência que as transformaram em casas fantásticas, nada acanhadas, muito acolhedoras.

Os vídeos têm ainda a vantagem de ser falados em língua portuguesa. São as casas de um casal que opta por viver cada um em sua casa. Mas as casas comunicam entre si pela varanda pelo que podem estar juntos sem se incomodarem. 

Archtrends Visita: fotógrafo Ale Disaro mostra apartamento pequeno e bem resolvido


Archtrends Visita: Lufe Gomes apresenta seu apartamento


Um dia bom

Saúde. Boas vibes. Paz.

terça-feira, junho 20, 2023

Uma casa extraordinária. Parece um ser vivo. Parece um fóssil. É pura beleza.

 

Por aqui há casas bonitas, umas de arquitectura tradicional e, cada vez mais, casas de traça moderna, linear, grandes planos de vidro.

Sempre gostei muito de casas e, como tenho dito sobejamente, sou muito sensível a uma boa arquitectura. 

Era jovem e já comprava revistas de arquitectura e de decoração. Há quem veja a decoração como uma arte menor. E pode ser. Mas quando a arquitectura e a decoração andam de mãos juntas e se compreendem e complementam é arte e da boa.

Esta é a quarta casa em que vivo (em ambiente urbano) e nunca tivemos vontade de construir uma casa de raiz. Não será opção fácil de explicar mas sempre foi uma decisão muito clara. Não sei bem qual a motivação do meu marido, em especial ele, mas a minha deve ter a ver com a humildade que sinto de que poderíamos falhar. Assim, só tivémos que escolher o produto acabado. 

Mas sempre procurámos casas especiais. Tinham que ter luz, ser amplas (ou dar essa ideia), tinham que estar bem situadas, num lugar agradável. 

A primeira casa era no cimo de uma torre, com janelas para vários lados, permitindo uma visão extraordinária sobre as cidades, sobre as serras, sobre o rio.

A segunda era normal. Tinha apenas a característica de ser central, ao lado de um jardim, no meio de todas as comodidades, incluindo as escolas dos miúdos.

A terceira era fantástica. O construtor chorou no dia da escritura. Era a sua casa. Mas divorciou-se e a nova mulher não quis lá ficar. Tinha uma vista maravilhosa, era central, tinha jardins ao pé, tinha uma luz que entrava por todas as janelas, era ampla.

E depois, quando nada nem ninguém (muito menos nós) julgaria que voltaríamos a mudar de casa, mudámos. 

Se fossem as pessoas da família ligadas ao sector ou se fossem ideias minhas, leiga, ou se fossem materiais escolhidos por mim não seria melhor que esta casa. Não estou a dizer que é majestosa, extraordinária, espectacular. Não, nada disso. É simples, maneira, equilibrada. Tem recantos. Tem espaços. Tem muita luz. Não é grande de mais. É tudo o que eu sempre quis. 

No entanto, quando por aqui caminhamos, vou vendo estas casas novas que são recticulares, grandes, com tanto vidro (ou mais) que betão. 

Vê-se muitas vezes o interior a partir do exterior. 

Por vezes, vejo os sites das imobiliárias só para ver as casas. Não para comprar. Apenas para ver. Há decorações elegantes, arejadas, inteligentes. E depois há outras meio atravancadas, móveis escuros, sofás de pele escura, tapetes escuros, muita tralha, candeeiros muito arrebicados. Só de ver as fotografias penso que as pessoas devem sentir-se deprimidas lá dentro. 

isto da internet tem coisas. Dantes comprava revistas. Agora vejo vídeos. E o meu amigo algoritmo do YouTube tem sempre coisa especial para mostrar.

A casa de hoje é qualquer coisa do além. Nunca tinha visto coisa assim. Creio que eu não queria viver numa casa assim. parece-me imponente demais para uma alma simples como eu. Mas é extraordinária, extraordinária.

Não deixem de ver pois uma casa assim acontece poucas vezes na vida de uma pessoa.

Inside a Breathtaking Desert Mansion That Looks Like A Fossil 

| Unique Spaces | Architectural Digest

Hoje, no Architectural Digest, visitamos Joshua Tree, na Califórnia, para conhecer a imponente Kellogg Doolittle Residence. A sensacional construção foi projetada pelo arquiteto orgânico Kendrick Bangs Kellogg e pelo seu protegido John Vugrin na década de 1980, levando mais de 20 anos para ser concluída. À primeira vista, você seria perdoado por pensar que esta propriedade era uma criatura viva; a magnífica estrutura parece esquelética com 26 peças de betão fundido espalhadas em forma de vértebras. Uma obra de arte por si só, não é de admirar que este espaço único seja considerado uma das maiores obras-primas da Kellogg.


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Um dia feliz
Saúde. Elegância. Beleza. Paz.

sábado, abril 15, 2023

Ah... este admirável mundo novo.
Reverter o processo de envelhecimento, termos sistemas computorizados a lerem por nós e a sintetizarem a informação colhida em milhões de documentos, termos veículos sem condutor que nos transportam, etc, etc, etc...

 

Ao fim da manhã fui ao supermercado. 

Escolhi o meu pão, um baguette rústica, um pão de centeio com nozes. 

Quando estava a colocar as embalagens no carrinho um homem que ia dizer que era meio velho mas que talvez não fosse muito mais velho que eu. Contudo, se não era velho, parecia. O pão está em cacifos de vidro e há uma pinça para os retirar através de uma abertura. 

Pois o estupor do velho meteu a mão (sem luva) pela abertura e pôs-se a apalpar os pães, um a um, acabando por tirar o que lhe pareceu melhor. Várias pessoas assistiram incrédulas àquilo, fazendo esgares umas para as outras. Mas eu não me contive. 'O que é que o senhor está a fazer? A apalpar o pão?'. Pois o estúpido virou-se para mim: 'Que mal é que tem?' Perguntei-lhe se não sabia. Desafiadoramente disse-me que não. Expliquei-lhe que as outras pessoas não têm que levar pão já apalpado por ele.  E ele: 'E que mal tem isso?'. E eu: 'Não sabe? Acha higiénico?'. O velho furioso: 'Apalpei sim, senhor. E não vejo mal nenhum nisso'.

Pensei que todos os Boaventuras desta vida devem dizer o mesmo.

Olhei em volta a ver se via alguém da Segurança para me queixar mas não vi. E toda a gente que ali estava a assistir, visivelmente incomodada, ficou calada. É o costume. Nas redes sociais toda a gente manda bocas. Ao vivo, de frente para os parvos, a malta prefere ficar calada.

Resumindo: fiquei furiosa.

A seguir, na caixa, estava na ponta a enfiar no carrinho as coisas que o rapaz da caixa ia passando. Nem levantava a cabeça, ia jogando a mão e enfiando no saco que estava no carrinho. Às tantas pareceu-me que já tinha guardado o saco das maçãs mas pensei que estava equivocada. Depois laranjas. Pensei o mesmo mas, como era tanta coisa e tudo tão rápido, julguei que o meu cérebro estava a brincar comigo. A seguir veio um saco de salada mas como tinha comprado dois pensei que se calhar aquele era o segundo. Mas quando apareceu um saco de agriões, uma embalagem de legumes para a sopa, um detergente multiusos amarelo aí percebi que alguma coisa não estava certa. Dei o alerta: 'Estão a passar coisas que não são minhas' e já lá estavam mais umas poucas já passadas pela caixa. O rapaz parou. Apontou para o que estava antes da caixa. Disse-lhe que não, não eram coisas minhas. O rapaz disse que não havia separador, que as coisas do cliente seguinte tinham sido postas encostadas às minhas.. 

Aí o homem que estava atrás de mim acordou e ficou em transe, como se eu estivesse a arrumar coisas que não eram minhas. Furioso: 'O que é isso? Isso é meu!'. Respondi: 'Bem sei. O senhor não pôs o separador'. E ele, furioso por eu estar a pôr em causa a sua eficiência: 'Ora essa, não pus? Pus, sim senhora. Então não está ali?' E apontou o separador a seguir às suas coisas. Eu disse: 'Sim. Mas não pôs entre as minhas coisas e as suas'. E ele, verdadeiramente furioso: 'Então não está ali?' E voltou a apontar para o separador no fim das suas coisas. E ameaçador: 'E faz favor de não ficar com as minhas coisas'. O rapaz da caixa atrapalhado, tendo que chamar o supervisor, e explicando: 'Um cliente não colocou o separador, registei as coisas como se fossem da cliente da frente'. E o cliente: 'É mentira, pus, está à vista de toda a gente'.

Quando, no parque, estava a contar ao meu marido que um velho atrás de mim tinha armado uma confusão, vi-o a vir com o carrinho dele. E disse: 'Olha, lá vem ele'. E o meu marido disse: 'E achas que é velho? Se calhar não tem uma idade muito diferente da nossa'.

Fiquei a pensar. 

Fiquei também a pensar que o velho do pão deve ter chegado a casa a dizer que uma dondoca se tinha metido com ele por ele estar a apalpar o pão e que o velho da caixa deve ter contado à mulher que uma dondoca qualquer quis ficar com as compras dele e depois ainda se desculpou por ele não ter posto o separador quando toda a gente viu que tinha posto, sim senhor.

Tudo relativo. E tudo muito doido.

Tirando isso.

Esteve frio de tarde. Tive que voltar a usar uma capa de lã. 

Agora estou aqui a escrever isto, o cão dorme aqui, deitado ao lado da porta de vidro. Deve estar cansado, tanto que correu de um lado para o outro. Cão de guarda a sério.

A robínia aqui à porta está florida com os seus delicados cachos de florzinhas brancas. Se não fosse tão tarde, ia agora lá fora fotografá-las porque à noite ficam lindas.

Ao jantar, como sobremesa, comi nêsperas que colhi pouco antes. Tínhamos uma nespereira que já cá existia, pelo menos trinta anos. Agora já existem mais quatro e estão todas carregadas. A natureza é mãe.

Depois de jantar estivemos a ver mais um episódio de Sommerdahl, uma série fantástica que passa às 10 na RTP2, uma das poucas coisas que se conseguem ver na televisão e, cá em casa, quase a única que agrada simultaneamente aos dois.

Posso ainda contar que, de tarde, estive a escrever. O meu marido perguntou o que é que eu estava a escrever. Disse-lhe que um conto, para um livro de contos. O meu marido perguntou: 'Vê lá se não é nada que vá envergonhar o teu filho'. Estava a gozar porque lhe contei que, quando contei ao nosso filho que tinha escrito um livro e que ia concorrer a um prémio, ele me perguntou se era alguma coisa da qual ele se envergonhasse. Nesse caso, disse-lhe que não, era inócuo. Mas neste caso, dos contos, tive que responder ao meu marido que temo bem que ele vá envergonhar-se, sim (isto admitindo que o livro um dia será publicado, claro). O meu marido encolheu os ombros. 

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Vivo uma vida simples e os avanços tecnológicos incomodam-se não pelos seus inquestionáveis benefícios mas pelos riscos que comportam, em especial quando não há regulação, não há consciência colectiva dos reais perigos, não há tempo para pensar e avaliar bem no que estamos a meter-nos. 

A tecnologia é cada vez mais acessível, mais ubíqua, mais aberta. E a tecnologia anda por uma estrada e a ética anda por outra, paralela. E, para os distraídos, relembro que as paralelas nunca se encontram.

Os dois vídeos abaixo mostram temas distintos. Mas são faces de um futuro, nuns casos um futuro mais próximo, noutros um futuro um pouco incerto. 

Já nem falo no ChatGPT, uma coisa fabulosa e diabólica (já proibida em algumas instâncias, mas que, mesmo proibida, há-de reencarnar noutros produtos). Mas falo em veículos sem condutores ou, ainda mais preocupante, em mecanismos para reverter o processo de envelhecimento. 

Os vídeos não estão ainda traduzidos mas aqui os deixo. A quem possa interessar.

Putting an autonomous vehicle to the test in downtown London

I recently had the opportunity to ride in a car made by the British company Wayve, which has a fairly novel approach to self-driving vehicles. While a lot of AVs can only navigate on streets that have been loaded into their system, the Wayve vehicle operates more like a person


Exclusive Conversation With Geneticist & Harvard Professor David Sinclair

David Sinclair is a man who claims his ‘biological age’ is 10 years less than his actual age of 53. The Harvard Geneticist is a leader in longevity science. Watch him in a riveting conversation with Kalli Purie, Vice Chairperson, India Today Group at the #IndiaTodayConclave. The two discuss the formula to look younger, how healthy sugar is for you, whether fruits are a good substitute for sugar, the newly-researched stress-busting food, the benefits of red wine and the magic of metformin.

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As imagens, uma vez mais, não têm nada de nadica a ver com nada. Mostram a arte de Marianne Evennou, uma decoradora que faz maravilhas com pouco, inclusivamente decorando com arte e engenho pequenos espaços. Apeteceu-me partilhar convosco, só isso.

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Um bom sábado
Saúde. Pés na terra. Paz.

quarta-feira, março 15, 2023

As insignificâncias do meu dia a dia.
E uma casa absolutamente extraordinária.

 

Uns dias é preciso reparar estores, outro dia é preciso reparar tomadas e interruptores. Depois vem alguém entregar alguma coisa. Em qualquer destas circunstâncias é preciso previamente isolar a fera pois não queremos cenas tétricas aqui em casa. 

E depois das intervenções é preciso limpar o que sujaram.

O meu marido queixa-se que não consegue estar sossegado. Quer pintar o telhado do forno ali fora e não consegue ter tempo.

Claro que, pelo meio, é preciso ir às compras, tratar de coisas cá em casa e ir caminhar, passeando o cão.

Hoje, por exemplo, ainda não consegui pegar no livro. 

Dantes fazíamos mil coisas e tínhamos tempo para tudo. Agora não há comparação possível e não temos tempo para nada. É certo que a covid deu cabo de nós (continuamos a meio gás) mas não sei se isso explica tudo.

Tenho ali mais umas little coisinhas para pregar na parede mas ainda nem ousei abordar o assunto. Com a desculpa que não gosta de fazer buracos na parede, dá sempre mais luta do que seria razoável. E agora, sem energia, meio constipado e aborrecido por não conseguir fazer o que quer, assoberbado que anda sempre com cinquenta mil insignificâncias, ainda mais mal disposto fica quando lhe peço para fazer coisas que não quer.

Andamos também a ver se nos inscrevemos em actividades físicas e, depois de morarmos aqui daqui a nada já vai para três anos, só hoje começámos finalmente a desbravar as redondezas. Ficamos surpreendidos quando descobrimos bancos, pizzarias, parques, piscinas, como se tivéssemos interiorizado que estávamos a milhas de tudo. De facto, não estamos. 

Claro que, apesar de ser tudo aqui relativamente perto, temos que andar a reboque do waze pois tudo isto ainda é para nós geografia desconhecida. 

Amanhã vamos ter mais arranjos cá em casa e, mal nos vejamos livres disso, fazer mais umas surtidas e, desejavelmente, já inscrever-nos para não perderemos a embalagem e começarmos com as actividades as soon as possible.

Tirando isso, o que posso contar é que, de vez em quando, vemos personagens surpreendentes. Hoje vimos uma senhora que presumimos chinesa. Digo que presumimos pois poderia ser japonesa, coreana, etc. Na verdade pouco se via do seu rosto. Talvez uns trinta e tal ou quarenta e poucos anos. Pele do rosto muito branca, lábios num rouge intenso e vibrante, chapéu muito chique, óculos muito grandes, escuros. Vestia o que eu diria ser um casaco comprido de bom corte, acima do joelho, num tecido com bom cair em cor de rosa, uma racha lateral de cada lado. Saltos muito altos. Elegantésima. Poderia ter vindo de uma sessão fotográfica para a Vogue. Estava a passear assim. Um pouco atrás ia um senhor, talvez pela mesma idade, mas vestido normalmente, diria que entre o desportivo e o casual. Ia a tomar conta de uma criança de tenra idade. Eu disse ao meu marido que o senhor se calhar era o motorista. O meu marido disse que talvez fosse o guarda costas. Concordei. Pareciam saídos de um filme. 

(Foi daquelas situações em que lamentei não ter lata para pedir muitas excuses e solicitar autorização para fotografar. Adoraria que posassem para mim)

Claro que com tanta actividade e sem ter conseguido descansar durante o dia, estou aqui a lutar para não me encostar para trás e deixar-me dormir. Não sei o que é isto. Durmo, durmo e não me passa o sono. O meu marido está na mesma.

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Mas antes de me render (... a ver se amanhã consigo responder, em particular à Fátima), só um apontamento. Já sabem que, quando aqui me sento à noite, gosto de espreitar as notícias e os vídeos. Geralmente não encontro notícias animadoras mas vídeos vejo sempre bem interessantes.

Quem por aqui me acompanha já sabe também que gosto de arquitectura e decoração. E o algoritmo do YouTube também sabe e, por isso, faz sempre o mimo de me presentear.

Este vídeo tem uma casa que é de uma pessoa ficar maravilhada. Não quer dizer que eu me reveja a 100% em tudo o que aqui mostro mas, mesmo se não faz bem o meu género, aprecio a estética e o sentido de equilíbrio de quem sabe conceber espaços bons para viver. Mas, neste caso em concreto, acho mesmo tudo uma coisa fantástica. A arte, o conforto, a luminosidade, os extraordinários jardins, acho tudo extraordinário.

Esta casa em Nova Delhi é inspirada no artesanato da Índia
| Remarkable Living

A casa do costureiro indiano Tarun Tahiliani é um reflexo caleidoscópico da vasta gama de suas influências criativas, desde móveis antigos a arte interessante e peças decorativas fascinantes que se juntam para criar um banquete para os sentidos.

Um dia bom
Saúde. Boa onda. Paz.

terça-feira, fevereiro 21, 2023

Alô, alô António Costa!
Ainda sobre o tema da habitação aceite, por favor, algumas sugestões

 

Continuo intrigada com o que foi anunciado para resolver o problema da Habitação. Ouço falar em soluções mas, tirando generalidades, ainda não ouvi ou li uma cabal caracterização do problema.

Talvez por deformação académica e profissional, antes de resolver qualquer coisa ou de apreciar uma solução que me seja apresentada, sempre precisei de conhecer o problema.

Para mim, conhecer o problema é ter um enunciado muito objectivo. 

E, antes de ter o enunciado, preciso de conhecer a definição de conceitos.

Por exemplo, o que se entende por casa devoluta? Não é certamente sinónimo de casa vazia, conforme definição da inexperiente ministra,

E aqui exponho numa dúvida. Uma casa que esteja arrendada 'clandestinamente', isto é, sem contrato declarado nas Finanças, em que o senhorio não paga impostos sobre as rendas, é classificada como? Não estará como devoluta? Provavelmente, quando foi o Censos, o senhorio declarou-a como não habitada.

Seja como for, uma ideia que tenho a partir de inúmeros casos de que ouço falar é que grande parte dos arrendamentos são feitos pela porta do cavalo. Ora, enquanto isto acontecer não é possível ter nem uma pálida ideia do que é o mercado do arrendamento em Portugal. E, se não é possível conhecê-lo, então de que é que estamos a falar?

Em meu entender, esta deveria ser uma das frentes de combate: conseguir que todos os arrendamentos sejam regulados por contratos legais, declarados nas Finanças. Defende os inquilinos, defende os senhorios, permite uma visão correcta dos factos e, parecendo que não, potencia a receita fiscal.

Para isso, parece-me que um medida muito inteligente e eficiente seria passar a taxar todos os contratos com duração maior ou igual a 1 ano com uma taxa máxima de IRS de 10%. 

Não vale a pena complicar e arranjar vários escalões para os quais se arranjará sempre subterfúgios nem vale a pena querer taxas que são uma tentação para que se fuja delas. 

Taxas de 28% (25% que sejam), ou 20% ou mesmo 15% são um convite a que  troca se faça em contado, de mão em mão, toma lá, dá cá... e taxa de IRS bola, zero, népias. 

Quanto muito, para contratos com duração efectiva superior a 10 anos, que se baixe para 5%.  Tirando isso, 10% para todos os outros e não se fala mais nisso.

Penso que com uma taxa simples e acessível os senhorios sentir-se-iam tentados a entrar na legalidade.

Ao mesmo tempo, deveria haver uma campanha junto dos inquilinos no sentido de exigirem contratos 'legais', passando a não abdicar de recibo oficial. Claro que muitos desses senhorios dirão que, se for com recibo, será mais caro. Mas se a taxa de IRS que pagassem não fosse superior a 10% e se os inquilinos, ao declararem as rendas, também tivessem algum benefício fiscal, certamente que a estatística de casas arrendadas subiria em flecha e o saldo fiscal seria favorável ao Estado.

E isto, esta limpeza, deveria ser uma das primeiras medidas. É estrutural e independente de tudo o resto.

Passo, então, ao que penso que deveria ser a caracterização do problema da Habitação.

Qualquer coisa como isto, por exemplo: 

  • Em cada concelho (ou distrito, caso não seja possível dispor de dados por concelho), de quantas casas há falta e de que tipologia. 
  • Qual o intervalo de valores que os que precisam podem pagar.
  • Quantas casas, nessa região (concelho ou distrito) há devolutas
  • Qual seria o valor de mercado razoável para arrendamento dessas casas

Claro que não é possível obter números exactos para estas questões. Mas pelo menos deve ser possível dispor-se de números aproximados.

Estou em crer que em grande parte dos nossos concelhos ou não há problema ou é marginal. Não vale a pena estar a lançar a confusão em locais em que se vive na paz dos deuses. 

Em contrapartida, nos grandes centros urbanos em que provavelmente existe uma forte procura de casas de tipo T1 (a ser verdade que o problema maior se prende com os jovens), pode acontecer que não existam assim tantas desse tipo vazias. Ou se o máximo que uma parte das pessoas que precisa de casa consegue pagar for 300 ou 400€ ou mesmo 500€ por mês, então a solução para esses casos não pode passar por querer que os senhorios (directamente ou através do Estado) percam dinheiro pois certamente se vendessem essas casas e pusessem o dinheiro em Certificados de Aforro teriam um rendimento anual superior. 

As soluções têm que ser encontradas para problemas concretos e calibradas dentro do que é justo, equilibrado e socialmente aceite. Generalidades e abstrações só servem para alimentar falatório, não servem para resolver coisa alguma.

Se calhar, o Governo inabilmente provocou todo este burburinho quando o assunto ainda precisa de ser melhor estudado, sobretudo estudado com os pés na terra.

O caso dos imigrantes que, pelo menos nos seus primeiros tempos, não têm de certeza dinheiro para pagar habitação a preço de mercado é outro caso complicado. A solução que eles próprios encontram é a de se amontoarem em quartos clandestinos. Tudo ali é clandestino. Ora, a bem da segurança, da decência e da dignidade, há que ter mão dura para quem se aproveita da desgraça dos outros.

Aqui o tema é outro: é o das medidas à integração. O País precisa de imigrantes e acolhê-los e fixá-los deve ser uma prioridade nacional (até como medida a favor de uma saudável demografia). 

Deve haver quem tenha estudado estes temas. Eu não. 

Mas sei que, também aqui, o problema não se resolve pelo confisco de utilização a proprietários. Apartamentos nas Avenidas Novas, por exemplo, não resolvem a falta de habitação para as centenas de imigrantes que vivem ao monte em quartos insalubres na zona de Anjos ou Arroios. Aí provavelmente terão que ser mosteiros, quartéis, antigos edifícios fabris ou de escritórios ou outras instalações do género transformadas pelo Estado em Residenciais condignas. 

E, para já, é isto. Há muito a fazer. Mas, Caro António Costa, é mesmo preciso começar pelos alicerces, pelas bases.

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[Imagens da Tate Baby House]

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Desejo-vos um bom dia

Saúde. Cabeça no lugar e pés na terra. Paz.

sábado, julho 02, 2022

É até heresia este salmo estar aqui...
mas também não se pode dizer que este blog seja um local muito dado à devoção

 


Sempre gostei de ter as janelas abertas. Quando morava na cidade, uma vez entrou um pombo para a sala de baixo. O meu marido passou-se, disse que já me tinha avisado mil vezes que isso poderia acontecer. Foi o fim da picada para o tirarmos de lá. O pobre andava assustado, às voltas. Vimos o caso mal parado. 

Mas pior foi a gaivota. Grande, umas asas enormes. Já estávamos preocupados, com pena. Já o contei aqui. Dei uma de S. Francisco de Assis. 

(Não sou de listas mas um dia hei-de começar a fazer uma com as cenas incríveis que já aconteceram na minha vida, começando pelas vidas que salvei. Não sei se no caso da gaivota é correcto dizer que lhe salvei a vida mas, pelo menos, salvei-a de um mau bocado)

A gaivota estava presa na varanda pois, quando queria abrir as asas, batia nas paredes e não conseguia elevar-se para dela sair. Aquela varanda, em concreto, é uma varanda estreita. O meu marido tentou ajudá-la mas ela assustava-se, não aceitava ajuda, fugia. Estava num desespero (ela -- mas ele também). Gritava, esvoaçava a batia com as asas de um lado e do outro. Uma coisa que fazia impressão e pena. Pensei que tinha que acalmá-la. Então fui-me aproximando devagarinho. Pedi ao meu marido que me trouxesse uma vassoura. Comecei a falar com ela, a falar baixinho. Fui-me aproximando, ela foi ficando mais calma. Eu falando, apaziguando, dizendo que ia ajudar. Ela já sossegada a ouvir. Depois deitei a vassoura no chão e tentei que ela se pusesse em cima da parte mais larga. Assustada, a escapar-se. A tentar esvoaçar. E eu falando baixinho. Até que ela aceitou que eu deslizasse a vassoura sob as suas patinhas. E eu: 'Schhh, não tem medo, só quero ajudar, schhh...'

Isto pode parecer inverosímil e, ao escrever, até a mim me custa a acreditar. Mas aconteceu. O meu marido assistiu a tudo. Atónito. 

Quando ela já estava em cima da parte mais larga da vassoura, comecei a ver se levantava a vassoura na horizontal. Queria pô-la ao nível do parapeito para que pudesse voar. Assustou-se com o movimento. Eu a segurar a meio do cabo, muito perto dela e sempre a falar baixinho, 'não se assusta, não tenha medo, vou ajudar...' e ela sossegadinha, assustada, trémula. Até que comecei a conseguir levantar e ela quase imóvel. Muito pesada. Tive que segurar o cabo mais perto. Ela já confiando. E eu a fazer um esforço enorme para não a deixar cair. O meu marido em silêncio a observar. E eu sempre falando: 'está a ver? está quase... não tem medo, já vai voar..'. Até que consegui elevá-la até ao ponto em que ela percebeu que já podia abrir as asas. E voou. 

Quando me lembro, sinto-me emocionar. Um momento extraordinário.

In heaven temos mais cuidado. Já bastam os aranhiços, os bichos de conta, as melgas, as borboletas. Agora pusemos redes mosquiteiras, já é outro sossego. Mas há uns meses entrou um ratinho pequeno. E às vezes encontramos pele seca de cobra lá perto. Não quero pensar se um dia alguma entra. Isso assustar-me-ia. 

Aqui nesta casa só hoje vi um bicho aqui dentro. Não. Já uma vez entrou um passarinho lá para cima. Pusemos as janelas todas abertas e lá conseguimos que encontrasse o seu rumo.

Deixo as janelas a bascularem de dia e algumas à noite. Mas à noite os estores estão para baixo, não entra nada. Mas, de dia, se calhar entram. 

Há pouco vi um bicho aqui na sala. Não sei se era grilo, se quê. Matei. O urso felpudo nem aí. Coisa pequena destas não lhe faz mossa. Eu aqui sozinha na sala é que tive que resolver a situação. Quando, de manhã, contar ao meu marido vai fazer logo aquele número de me perguntar quantas vezes já me avisou. Mas gosto de ter as janelas abertas para entrar a luz e o ar da rua.

Custa-me matar bichinho. Não me fez mal nenhum. Porque o matei? Nem sei. É daqueles gestos reflexos em que a gente nem pensa. Poderia ter pegado nele com um papel, aberto a janela e atirado lá para fora. Foi uma crueldade desnecessária.

E hoje não tenho mais nada para contar. As reuniões foram demoradas, pouco tempo sobrou para mim. Os telefonemas também. Estou naquela fase do ano que, quando o telefone me toca depois das seis e tal, já fico irritada. E quando o tema é chatice só me apetece é pedir que me deixem em paz. Ou, como diz o José Leôncio lá do Patanal: 'larga da mão'.

Mas digo isto por dizer. Na verdade, não tenho de que me queixar.

No outro dia, ao fim da tarde, fui a uma consulta de rotina. Como sempre, o médico estava atrasadíssimo. A televisão estava sem som. Então, ia -- discretamente -- observando as outras pessoas. Nada de especial para observar. Até que uma senhora já de uma certa idade recebeu um telefonema de uma prima e o atendeu em alta voz. Todos na sala ouvimos tudo. E o que ouvi deixou-me nem sei como dizer. Não quero contar pois foi há poucos dias, não quero cometer uma inconfidência. Quem estava na sala ouviu o que eu ouvi mas a senhora que estava a falar não foi avisada de que a chamada estava em alta voz. Quando a gente pensa que tem um problema esquece-se de relativizar e pensar que há quem não tenha um mas, sim, vários problemas. E nenhum deles problemazinho, tudo problemazões. E, no entanto, nada fatalista e sempre simpática e generosa, preocupando-se com a saúde da prima com quem estava a falar.

Enfim. A vida de algumas pessoas, de facto, não é nada um mar de rosas.

Mas como estamos a entrar no fim de semana, não é altura para carpir ou reflectir. Não é altura para filosofias ou metafísicas. 

Mas para arquitectura, com vossa licença, já pode ser. 

Deixem, pois, que partilhe dois vídeos bons de ver, em especial por se situarem em extremos opostos

 La Casa Rosa, uma casa moderna projectada por Luigi Rosselli Architects, um prestigiado e galardoado arquitecto

E agora algo de verdadeiramente fabuloso. 

O Zaha Hadid Architects projectou o centro cultural de Xi'an para evocar "vales sinuosos". Foram divulgadas imagens do Jinghe New City Culture & Art Center, que abrange uma autoestrada de oito pistas em Xi'an, na China.

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Imagens da vida selvagem do Guardian

I Come Alone and to You de Nick Cave, do álbum Seven Psalms

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Desejo-vos um bom sábado
Tudo a correr bem