Mostrar mensagens com a etiqueta marido. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta marido. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, outubro 01, 2026

Montenegro & Sarmento - é gastar à tripa forra!
--- A palavra ao meu marido ---

 

O Montenegro acompanhado pelo Sarmento juram (quem mais jura mais mente!) que não é possível ajudar o povinho porque o orçamento não aguenta, e não querem correr o risco de haver défice no fim do ano. 

O que é curioso é que não é possível ajudar o povinho mas é possível ajudar os que estão em melhores condições para enfrentar a crise (por exemplo, o IRS jovem beneficia mais quem tem melhores condições). O ponto é o seguinte: o Estado deixou de arrecadar cerca de 1,3 mil milhões de euros com as medidas ditas emblemáticas do governo, como o IRS jovem e as isenções e apoios para os jovens adquirirem casa. E quais foram os resultados destas medidas levianas do governo? 

Os resultados são uma lástima! 

  • Embora não existam dados definitivos, a opinião generalizada é que a emigração jovem até parece ter aumentado. 
  • Relativamente à habitação, confirmou-se o que se previa: as medidas do governo originaram o aumento dos preços das casas e um aumento sem precedentes da taxa de esforço para muitos daqueles que adquiriram casa, o que poderá ter consequências muito nefastas para esses jovens num futuro próximo. 
Resumindo: a emigração jovem não diminui, a crise da habitação piorou e os cofres do estado arrecadaram menos 1,3 mil milhões de euros que tanta falta fazem para apoiar quem mais precisa na crise atual.

Para além de deixar de arrecadar dinheiro, a política do governo promoveu aumentos na função pública, muitas vezes sem critério, como aconteceu com os professores, que oneram bastante a despesa pública. São custos fixos, que passaram a pesar nas contas do Estado e esmagaram a margem de manobra necessária para superar situações de crise. É esta a política do governo AD tendo como expoente máximo a dupla Montenegro & Sarmento que, curiosamente, ao contrário do que acontecia com governos anteriores, não merece uma crítica veemente de comentadores económicos, geralmente próximos da apoplexia com governos anteriores. 

Governar também é saber ler os números, ser prudente e não hipotecar o futuro. Neste governo ninguém terá estas capacidades, muito menos o Montenegro. 

Ontem ouvi a parte final da entrevista ao José Luís Carneiro na CNN e gostei da forma como se apresentou e respondeu às perguntas. Apesar dos entrevistadores demonstrarem, como  também aconteceu recentemente na SIC, uma animosidade intrínseca, não conseguiram montar as armadilhas que pretendiam. Pode gostar-se ou não das políticas do PS, mas é certo que se percebe que o José Luís Carneiro é uma pessoa honesta, sólida, que conhece os dossiers e que está a tentar definir uma política que possa projetar o Pais para um futuro melhor. Quando o comparamos com o Montenegro e com o Ventura as diferenças para melhor saltam à vista, a começar pela honestidade intelectual. 

Alguém que afirmou no Parlamento que tinha uma empresa para gerir terrenozitos com meia dúzia de árvores de fruto quando, afinal, a empresa prestava serviços de consultoria diferenciada, recebia avenças para completar ordenados e suportava custos, é intelectualmente honesto? E um tipo que  publica geralmente notícias falsas é honesto? Não são, pois não? 

Para além disso se são impreparados e não conhecem os dossiers pouco se pode esperar deles. Estou convencido que o José Luís Carneiro, se continuar neste caminho, dará um bom primeiro ministro. Espero que sim. 

sexta-feira, setembro 25, 2026

Envelhecer

 

Das melhores coisas que ouvi sobre o envelhecimento foi que envelhecer é o que acontece quando tudo corre bem.

Concordo plenamente. 

Aparareceu-me, no Instagram, a Bárbara Norton de Matos dizendo mal de umas e outras que não assumem que fazem 'picas' e que tentam fazer crer que estão lisinhas e esticadinhas sem nunca terem ido às 'picas'. Ela, pelo contrário, assumia que ia regularmente e que eram (e são) picas por todo o lado. Dizia que obviamente não tem um pele impecável, sem olheiras e sem rugas, só por si, que é muita pica all over. Não ouvi tudo, há em mim qualquer coisa que, mesmo que surpreendida com o que ouço, rejeita ficar a ouvir. Penso: 'quanta futilidade, credo!', e desando. Mas depois fico a pensar que o mundo é inclusivo, há pessoas de toda a espécie e feitio, e ainda bem que há tanta diversidade. Seria um tédio insuportável se toda a gente fosse como eu. Mas, portanto, retomando: não me informei sobre o que era e eu é que fiquei a perder, agora não sei dizer, tenho ideia, mas não garanto, que são injecções de botox, de ácido hialurónico e de mais qualquer coisa. Isto tendo ela quarenta e tal anos. Dir-se-ia que não precisaria de se injectar toda. Mas aos quarentas e tais pelos vistos quer-se parecer ter vinte. E, pensando bem, qual o mal? Nenhum.

Na volta há aqui um preconceito meu que me leva a compreender que ideia é esta de as pessoas quererem envelhecer parecendo sempre jovens. Mas, dito isto, tenho que confessar que, por vezes, olhando-me ao espelho, penso que, na volta, estou é a ser parva pois, se calhar, com meia dúzia de picadelas ficava com uma aparência mais juvenil. São contradições, bem sei. Felizmente, ocupam um espaço diminuto na minha cabeça. Penso e, mal desvio o olhar do espelho, já se me varreram da ideia.

Não sou de filosofar pelo que não vou pôr-me para aqui a dizer que envelhecer é uma maravilha, só sabedoria. E não digo porque não acredito nisso. Desde que nascemos que não fazemos outra coisa senão envelhecer e, depois, não ganhei sabedoria nenhuma, ganhei foi cada vez mais consciência da minha ignorância. De resto, gosto do que gostava, embirro com o que embirrava, desato-me a rir com o que sempre me fez rir, emociono-me com totozices que não lembram a ninguém e parece que me mantenho calma quando toda a gente está em ebulição.

A nível de saúde, tinha, com alguma frequência, dores inflamatórias em algumas arrticulações, à vez. Por exemplo, às vezes calhava ser um joelho. Mas também aconteceu uma vez num pulso. Sem se perceber bem o que teria desencadeado isso. E isso incomodava-me um bocado pois pensava: será que, quando for mais velha, vou ter isto com alguma frequência e fico impedida de fazer caminhadas, de ir ao ginásio, de nadar? Felizmente comecei a tomar meio comprimido por dia -- metade de um comprimido que é minúsculo (a minha nora deu-me uma caixinha-guilhotina, verdadeiro ovo de colombo, para resolver a dificuldade de partir ao meio um nano-comprimido) -- e não voltei a ter qualquer problema. Uma coisinha ínfima está a resolver um problema que, quando aparecia, me incomodava bastante. Deixa-me cá bater três vezes na madeira que isto de a gente se gabar parece que atrai. Mas isto para dizer que o que era uma chatice, até parece que se evaporou. Na volta, a menos que seja um problema daquelas que a gente se verga de medo, vai havendo solução para tudo, pelo menos para que vamos conseguindo levar a vida na boa. É não desistir, procurar solução. Não pensar: 'ah, isto é natural, é da idade'. Da idade, o escambau. Se é chato, tem é que se resolver.

Penso que já contei que durante muitos anos, muitos mesmo, sempre que encontrava alguém que não via há anos, essa pessoa olhava para mim e dizia com ar admirado que eu estava sempre na mesma. Nunca levei muito a sério pois não podia ser verdade que parecesse ter congelado no tempo. Mas é um facto que creio que a partir da covid me mofifiquei. Não sei por passar tantas horas sentada, ao longo de meses, em teletrabalho, em reuniões ao computador, se alguma vez teria que fisicamente ceder à passagem do tempo. No entanto, creio que continuo a ser a mesma pessoa a nível de descomplicação, de relevar os disparates, os meus e os dos outros (os disparates inofensivos, bem entendido), de seguir adiante e nunca ficar a empreender nas coisas, de gostar de coisas novas, de me perder de encantamento com a arte, com a beleza natural, com os meus. 

E deleito-me com a tranquilidade da imagem de dois patos a deslizarem num lago ao por do sol, com um passeio num caminho ladeado por conjuntos de ciprestes. Coisas simples. Vim do passeio de alma lavada, feliz da vida.

E estivemos, eu e o meu marido, a escolher caixas de arrumação e frascos para diferentes fins, a medir gavetas e prateleiras, a pensar no que lá vamos colocar -- e pode parecer estúpido eu dizer isto, mas é verdade: gostei. Só pensar em como vai ficar tudo tão mais organizado já me dá prazer.

Como se levanta bem mais cedo que eu, quando acordei, o meu marido avisou, no gozo: 'se precisares de ajuda no percurso dentro da cozinha, diz'. Percebi logo que tinha andado, outra vez, a mudar o sítio das coisas. Fui abrir armários e várias coisas desapareceram, outras estão acomodadas noutros lugares. E, misteriosamente, sobra espaço. Como fiquei tão agradada e o vi tão orgulhoso dos seus feitos não quis entrar em pormenores. O que desapareceu? Para onde foi? -- Foram perguntas que não fiz pois as respostas poderiam causar-me frenicoques. Assim, olha, deixa andar. Que está muito melhor, está. E que vai tudo ficar melhor com as caixas, de diferentes tamanhos e materiais, tenho a certeza que sim. 

E faz sentido eu ficar tão bem disposta com uma parvoíce destas? Pois... se calhar não. Mas quem é que disse que tudo tem que fazer sentido?

Hoje ao fim da tarde, ao virmos para casa, o sacrista do carro voltou a acender todos os alertas e a perder força, e estávamos a ver jeito de não chegarmos a casa. Mas chegámos. Não sabemos é se amanhã trabalha ou se tem que ir outra vez de reboque. No sábado tenho uma deslocação imperiosa e não ter carro vai ser uma maçada das antigas. Devo ter que ir e vir de uber o que é chato porque é longe que se farta, não me apetecia nada. Só conseguimos marcar para o concessionário para meados do mês que vem. Deve ser uma avariazeca da treta, um mau contacto elétrico ou coisa do género, pelo menos assim o esperamos. Só que é intermitente e na oficina multimarcas onte vamos não conseguem descobrir. É uma chatice mas, enfim, há coisas piores e não vou estar a apoquentar-me com isso. Mas esta atitude não tem a ver com a idade pois, noutros tempos, eu não conseguiria viver sem carro. Hoje consigo. Mas os tempos são outros, se antes o carro tinha um problema, era problema que não era meu: um motorista enarregava-se de tratar do assunto, de me entregar um carro de subsituição, e eu nem queria cá saber o que é que o carro tinha ou deixava de ter. Agora estamos por nossa conta, essas mordomias acabaram-se. Mas aprendemos a viver sem elas, e tudo bem.

E agora vou mas é dormir que estou com a impressão que este texto andou para aqui aos ziguezagues. Sono, sono, sono. 

As imagens foram geradas, segundo requisitos meus, pelo ChatGPT.

Deixo-vos com o Luís Osório que é menino para uma prosa bem mais burilada do que a minha.

Envelhecer | Postal do Dia | Luís Osório | Antena 1

Envelhecer é tramado e uma oportunidade. Ser velho é tudo e o seu contrário. Mas é o único tempo em que a Sabedoria pode ser alcançada, a capacidade de estarmos para lá do corpo.


Desejo-vos uma boa sexta-feira

quinta-feira, setembro 24, 2026

Vejo o principio e o fim abraçados numa espécie de altar



Sobre a futura saída de cena de Guterres o que tenho a dizer é que até pode acontecer que a responsabilidade não seja só dele, sei bem que não é, mas, ainda assim, a minha opinião é que foi irrelevante e contribuíui para acentuar ainda mais a irrelevância das Nações Unidas.

Sendo um homem que todos dizem ser muito inteligente, a mim nunca me impressionou. Sendo como sou mais velha que a sé de braga, lembro-me dele como primeiro-ministro, e, aí, mais uma vez, o achei palavroso mas pouco actuante. Tem boas ideias mas não é homem de chutar à baliza.

O discurso de despedida, o último em funções, foi -- nas partes que ouvi -- muito acertado. Mas irrelevante em termos práticos. Não foi feito para deixar marca. É certo que tirou uma fotografia de fato e gravata e os pés debaixo de água. Muito elogiado por isso. De facto, uma boa fotografia, uma boa mensagem. Mas, em termos objectivos, não passou disso.

Trump salta em cima, pisa, faz o pino num só dedo, tudo em cima dele. É certo que ninguém com dois dedos de testa interpreta politicamente os desmandos de Trump. Tudo o que faz ou diz é fruto de um narcisismo maligno temperado com uma crescente dem~encia. Mas ele sabe com quem se mete. Por isso bate a bolina baixa com ditadores e trogloditas. Agora quando sente mole, está bem está, salta em cima com uma pinta. Fosse outro com mais fibra no lugar de Guterres e a ver se o Trump levantava cabelo como faz agora, ai fazia, fazia.

Do que vi do discurso de Trump, e só vi excertos, o que posso dizer é que foi a pangalhada do costume, parvoíces, contradições, auto-elogio, ameaças, tudo inconsistente, sem ponta por onde se lhe pegue.

Está metido naquela bela alhada do Irão e não sabe como sair dela. Só espero que as eleições de Novembro não venham com molho (pois ele já incitou os magaburros à batota, já ofereceu dinheiro, já os ameaçou com um bilheto de ida para o inferno caso não votassem nos dele -- já fez de tudo) pois seria preciso que os americanos fossem muito mais burros do que já demonstraram ser para que não conseguissem dar uma banhada das valentes aos republicanos e encostar o parvalhão às boxes. Não são só as mortes e os achincalhamentos e as perseguições, é a instabilidade galática que tem gerado.

A quem continuo a tirar o chapéu, e não tenho dúvidas de que ficará para a história, é Zelensky. Um estadista. Corajoso, resiliente, assertivo, determinado. Um homem inteiro. Se há alguém que ilustra na perfeição aquela coisa de que os homens não se medem aos palmos é ele. O que aquele homem tem enfrentado, o discernimento e a coragem e a presciência em cada momento da sua vida, mesmo quando é atacado, humilhado, torpedeado, é digno de louvor. Continuo a achar o que acho desde o início (embora os factos ainda não me tenham dado razão): a guerra acabará quando Putin for ao tapete. E sempre passei que seria a Rússia a atirá-lo ao tapete e a pôr-lhe o pé em cima para que do tapete não se levantasse. Mas como todas as vítimas de violência, os russos pecisam de tempo para processar o que lhes tem estado a acontecer, para afastarem a avergonha de estarem manietados por um ditador e para gahnarem coragem para expulsar o malfeitor. Não sei como será, mas acredito que um dia acordaremos com a notícia de que os russos se livraram do Putin e da sua entourage, talvez o ponham em cativeiro, e vão assinar um acordo de paz sincero e duradouro com a Ucrânia.

Talvez a seguir o entreguem para ser julgado pelos crimes que tem estado a cometer. E eu só espero que isso aconteça rapidamente.

....    ....    ....    ....    ....       ....    ....    ....    ....    ....

Mas, enfim, é tarde, não me apetece falar mais disto. Depois logo conto como vão as nossas arrumações na cozinha. Amanhã vou encomendar umas caixas de arrumação de diferentes tamanhos e finalidades. Quando as entregarem é que vai ser, uma reforma a sério. Até lá vai continuar a zaragata pegada entre mim e o meu marido. Eu sou de reformas profundas: tudo cá para fora e vamos pensar com racionalidade. Ele não: mal começa, já quer é despachar. Arranja soluções mirabolantes para tudo. E eu não concordo com elas. E ele passa-se, acha que discordo por discordar. A conjugalidade aqui por casa tem destas coisas: concordamos nos grandes assuntos da humanidade, discordamos sobre como arrumar especiarias.

.... .... .... .... ....      .... .... .... .... ....


E, na despedida, Espécie de altar, Jorge Palma


_______________________________

Desejo-vos um dia feliz

quarta-feira, setembro 23, 2026

Enquanto houver estrada para andar

 

Tenho tido uns dias ocupados. Como creio que já aqui tinha admitido, cedi à pressão para que a 'nossa' casa de banho fosse reconvertida. Relembro: digo 'nossa' porque é a casa de banho junto ao nosso quarto, já que a outra está bem e recomenda-se. 

E, como sempre acontece, caí na armadilha do 'já agora'. Da base do duche já derivámos também para o lavatório. Novo, coisa diferente. E mexer nestas coisas implica parte do revestimento, parte do pavimento. E, já agora, a torneira do duche também nova, mais para cima. E o pior é que olho para a pobre coitada da casa de banho já com olhos de quem quer ver coisa nova e, portanto, já tudo me parece mal. Já não gosto dos toalheiros onde estão, já não gosto das prateleiras giratórias, já não quero ali o armário espelhado, dito dos medicamentos. Já tudo me parece a precisar de desandar. E o pior, pior mesmo, é que o meu marido não me refreia capazmente.

E o fogão, que já cá estava quando comprámos a casa (já lá vão 6 anos!), um bom fogão mas já certamente com alguns bons anos, também andava a pedir para ser posto em cima de um par de patins. Resisti. Resisti. Até que cedi. Também já encomendámos. 

Todos os materiais, fogão incluído (embora comprado noutro local) só chegam a meados de outubro.

Hoje, enquanto caminhávamos ao luar, eu dizia: 'agora já está tudo encaminhado, tudo o que havia a encomendar está encomendado, já podemos tirar daí o sentido'. Ele disse: 'falta executar'. Exacto. Mas isso também já está contratado. O meu marido lembrou: não o conhecemos, não sabemos como é, vamos esperar que apareça, que trabalhe bem.

Claro. Vamos esperar.

Dá-se também outra circunstância: quando o meu marido se cansa dos programas de televisão comuns, ou vê futebol ou vê cozinhados (ele que pouco ou nada cozinha). Mas agora aparece (creio que no canal 24 kitchen) uma simpática e gravidíssima jovem senhora que remodela cozinhas, Ellen Marie Bennett. Ele ficou entusiasmado e contagiou-me. 

Incrível o que há para arrumar coisas, as ideias, os truques, os apetrechos. Revejo-me nos problemas que levam as pessoas a recorrer a ela. A minha cozinha é aparentemente uma cozinha fantástica: ergonómica, com muita arrumação. Mas, para mim, não é o que eu gostaria. Tem armários até ao tecto, ou quase. Portanto, para chegar às prateleiras de cima só com mini-escadote. Às tantas não faço ideia do que está lá para cima. Mesmo com o escadote, vejo o que está à frente, não o que está para trás. E os compartimentos são um bocado estreitos. Portanto, as coisas estão um bocado salteadas.

A despensa é também um espaço pensado ao milímetro, ultra arrumação: prateleiras altas, fundas, com imensa arrumação. O pior é que são tão fundas que mal tenho percepção do que está lá para o fundo. As prateleiras lá de cima, então, são para mim um mistério. Por vezes, quando me encavalito no mini-escadote, vejo que, pelo menos à frente, estão uns tachos gigantes. Mas está tudo tão inacessível que, na prática me esqueço do que para lá está.

Somos todos escravos do que precisamos / Reduz as necessidades se queres passar bem

O meu marido diz: 'pego naquilo tudo e levo para a cave'. Não me parece lógico. Levar para a cave é, na prática, o mesmo que  nos esquecermos das coisas. E tudo o que voltar a enfiar lá para cima, tem, na mesma, o destino traçado. Por isso, não sei qual a solução. Só se for pôr espelhos na parte de cima das prateleiras....

Outra coisa que agora questiono. Tenho duas gavetas ocupadas com panos de cozinha. Depois de vermos o programa, o meu marido questiona: 'para quê tanto pano de cozinha? duas gavetas desperdiçadas com panos!'. Mas eles existem, têm que estar em algum lado. É certo que estou longe de precisar de todos. Vejo que a dita Ellen, que coloca tudo em caixas e em prateleiras deslizantes ou em prateleiras com degraus, para tudo estar sempre à vista, coloca os panos da louça e das mãos em rolinhos, ao alto, numa cesta, e a cesta está numa prateleira.  Talvez seja uma solução. E fica a gaveta para arrumar especiarias, por exemplo, que hoje tenho os frascos encavalitados em cima uns dos outros, de cada vez que quero um posso ter que tirar os outros todos.

Ou seja, agora olhamos para as coisas com vontade de reformular também tudo. Só que, ao contrário das cozinhas americanas que são gigantes, a minha cozinha é o que é, relativamente estreita, sem margem para grandes reformas. O mais que dá é para reorganizar, repensar as coisas. 

E sei que esta conversa -- no meio da crise energética, no meio dos desequilíbrios de forças a nível internacional, no meio do pântano, que tende a ser infecto, da política nacional, num dia triste em que sentimos a falta do grande Jorge Palma -- é uma não-conversa, é uma futilidade, uma coisa de quem tem pouco com que se ocupar. 

Pois, reconheço que sim -- mas fazer o quê? Sou assim, não sou de me deixar afogar em mágoas ou de me deixar ficar a carpir, sou mais de bola para a frente, enquanto houver estrada para andar acho que a gente deve continuar. Continuar com a vida de sempre, de todos os dias.

Se eu ainda estivesse a trabalhar, iria para o trabalho, trabalharia, embrenhar-me-ia na resolução dos mil problemas que me apareciam. Agora as minhas circunstâncias são outras. Já posso dar-me ao desfrute de me ocupar de temas banais que, provavelmente, são de fazer bocejar o mais careca. Quiçá até o mais cabeludo.

Quem sabe até, um dia destes, não partilho convosco a forma como o meu marido pegou nos meus chás e os arrumou tentando fazer mais ou menos o que viu lá a tal senhora fazer. E depois me dirão se o que ele fez está bem feito. A mim parece-me que tem sérias limitações, mas ele acha que sou eu a embirrar só por ele ter feito aquilo sem me consultar. Claro que não é. De qualquer forma, já arranjou uma solução. Só que, como ele diz, 'falta executar'.  

Enfim.

Enquanto houver ventos e mar / A gente não vai parar

A gente vai continuar -- Jorge Palma

Desejo-vos um dia feliz

sexta-feira, setembro 18, 2026

Existem duas competências chave para o Montenegro escolher ministros - humildade virtual e burrice intrínseca
-- A palavra ao meu marido --

 

O ministro estrela do Montenegro, também conhecido por Fernando Alexandre, anteriormente alvo das maiores loas por tudo o que é comentador é o exemplo acabado deste perfil. Faz-se de humilde e não aprende com os erros, o que é um dos maiores apanágios dos verdadeiramente burros. Para uma área em que, lembro-me bem, o Montenegro dizia na campanha eleitoral que tudo se podia resolver facilmente com uma melhor gestão, escolheu um sujeito que não percebia nada de educação mas que tem a mania que é o maior. Vem o Fernando e conseguiu estragar o que corria bem, atirar-se de cabeça para a trapalhada e fazer estragos que nunca tinham acontecido com ministros anteriores. O Fernando conseguiu, porque acha que ele "é que sabe", originar desigualdades nas colocações no ensino superior, o que nunca tinha ocorrido e não colocar centenas de alunos porque destruiu a estrutura do ministério. Paralelamente as escolas continuam sem professores, os alunos sem aulas e as condições de muitas escolas degradaram-se a olhos vistos. E o que faz o Fernando?  Culpa tudo e todos e, num pseudo acto de contrição, pede desculpa. Logo os comentadores mais próximos lhe perdoam porque o tipo afinal é humilde. De facto, qualquer pessoa com apenas um dedo de testa percebe que humildade não é uma valência do Fernando. Já quanto a burrice... só um tipo sem grandes dotes cognitivos conseguia fazer tanta asneira em tão pouco tempo. Portanto, neste caso o Montenegro esteve quase a acertar. Escolheu para ministro um tipo arrogante que se faz passar por humilde e cujos dotes cognitivos são parcos. 

Outro exemplo acabado é a Ana Paula Martins. Passa a vida a dizer que está tudo mal e, às vezes, que ainda vai ficar pior. Portanto, é humilde -- e bate todos os recordes de falta de dotes cognitivos. Só uma pessoa com enorme falta de dotes cognitivos conseguia fazer chegar o SNS ao estado que chegou. Mais uma com o perfil adequado.

Claro que nem todos os ministros se podem gabar de ter este perfil. 

Uma exceção clara era o Neves quando ainda achava que era o "maior da Cantareira"; mas, vai pelo bom caminho. Já revela aquela pseudo humildade que caracteriza outros ministros do governo e na audição parlamentar até reconheceu que tinha cometido erros, mas claro, segundo ele, coisa pouca. No caso das capacidades cognitivas estamos conversados. Só um tipo pouco esperto pode julgar que engana tudo e todos com patranhas. 

Relativamente a outros ministros é difícil perceber se cumprem ou não integralmente as competências chave. Raramente dão um ar da sua graça. 

----------------------------------------

Só um aparte:, quem seguramente não é humilde é a Ângela Silva. Utilizar exatamente as mesmas técnicas que o Chega, para não deixar falar o José Luís Carneiro revela uma arrogância insuportável. Claro que na SIC cada um faz os fretes que quer, e defende quem lhe apetece desde que não seja de esquerda. Ter esta criatura viperina horas e horas como comentadora e entrevistadora na SIC revela bem com que linhas se cose a linha editorial desta estação de televisão. 

----------------------------------------

E vivam os burros, em especial os que, ainda por cima, são humildes.

quarta-feira, setembro 02, 2026

O Montenegro está nas mãos da improvável sociedade Ventura & Neves? E, afinal, o Neves também é um populista, não é?
-- A palavra ao meu marido --

 

A fazer fé nas notícias que li, o Neves revelou-se na comunicação que fez esta terça-feira, qual Ventura II, um verdadeiro populista. Fez exatamente o que os populistas, nomeadamente o Ventura, fazem. Não esclareceu nada, não tocou nos factos de que é acusado, elegeu um inimigo, neste caso o Ventura, e negou, irritado e vitimizando-se, tudo. É o que faz um populista: nega tudo (vejam o discurso do Trump), elege um inimigo principal (no caso do Ventura, a imigração) e nunca responde aos factos de que é acusado dizendo que são "fake" e resultam de uma cabala. Cavalgam a onda da "vox populi" e dizem o que é mais conveniente num determinado contexto, independentemente de ser verdade ou mentira. 

O Neves aproveita a onda dos "amigos do Neves" nas redes sociais e na comunicação social e transforma-se em arauto do combate ao populismo, elegendo como inimigo principal o Ventura e uns outros tantos que, diz, organizaram uma cabala contra ele, afirmando que são tudo mentiras e que esses difamadores vão sofrer consequências. 

Relembrando uma frase em voga: se fala como um populista, se age como um populista e se parece um populista, então, o mais certo é que o Neves seja mesmo um populista. 

No entanto, deve ter-se esquecido que está no governo mais populista de que há memória, que tem um discurso populista, que aprova leis suportadas no populismo, que segue a agenda do partido do Ventura eleito inimigo principal pelo Neves. Portanto, o Neves, que anunciou que "está de pedra e cal", vai afinal também vai encetar um combate sem tréguas contra o Montenegro..?. Curioso, muito curioso! 

Aliás, o Neves, segundo li, apresentou-se  como se a sua continuação como ministro dependesse da sua própria vontade e decisão e não da vontade e decisão do Primeiro-Ministro. A ser verdade, quer isso dizer que o Primeiro-Ministro não risca nada no que a ele diz respeito? Ou, melhor perguntando: o Neves quis mostrar a toda a gente que tem o Montenegro na mão? 

Parece que o Neves também disse que os bens apreendidos aos criminosos devem ficar ao serviço de quem os apreende. Curioso. Segundo tenho ouvido, parece que não é bem isso que é suposto. 

(Não sei bem porquê mas até me veio à memória uma frase batida "ladrão que rouba a ladrão tem cem anos de perdão") 

sábado, agosto 29, 2026

Breves e levezinhas
-- e poderia estar a referir-me à Sandra Felgueiras e à Felícia Cabrita, de quem aqui falo, mas não, até porque elas têm efeito de longa duração e são da pesada

 

Continuo na onda levezinha e acho que não faz mal, o melhor é aproveitar antes que a silly season dê de frosques. 

Primeira

Quando o cabelo atinge este tamanho, o normal é começar a sentir a tentação de ter a tesoura na mão e lá vai disto. Mas desta vez estou a vacilar. Como tenho farta cabeleira, que me aquece não apenas a cabeça como as própias entranhas, isto quando o tempo aquece, bem entendido, gosto de a apanhar. 

No outro dia, não sei se contei, usei a app que nos diz qual o corte de cabelo e o penteado que mais nos favorece. E deu-me, creio que em primeiro lugar, o rabo de cavalo à Brigitte Bardot, aquele rabo de cavalo meio despenteado com franja também despenteada. E eu gosto, de facto, de me ver assim. Andar bem penteada nunca foi a minha praia. Já não vou à cabeleireira há imenso tempo, creio que, no mínimo, há uns dois anos, e, de cada vez que vou, a primeira coisa que faço quando de lá saio é despentear-me. Continuando: como alternativa ao rabo de cavalo a la BB, o corte pela nuca, também meio despenteado, de que também gosto. Só que, se o corto, depois já não posso apanhá-lo. E, portanto, não apenas estou a refrear a tentação de me atirar a ele à tesourada como estou a protelar a resolução do dilema, sendo certo que, ao protelar, estou, na prática, a deixar-me ficar com ele mais para o grande. Mas o meu marido ontem, quando me viu com ele solto, perguntou-me: 'Não está já um bocado anos 80?'. Tenho a certeza que disse anos 80 como poderia ter dito outra coisa qualquer. Mas como nunca se pronuncia e, desta vez se pronunciou, fiquei a pensar que alguma coisa no cabelo lhe pareceu pouco canónica e, portanto, ou ando com ele sempre apanhado ou me decido a cortá-lo. 

Segunda

Vi, creio que na CNN, um excerto de uma peça sobre o Neves, o grande Neves, essa grande sumidade que desperta amores e paixões junto de tão boa gente. Como convidadas, creio que do André Carvalho Ramos, a Sandra Felgueiras e a Felícia Cabrita. E pensei que só pode ter sido maldade porem uma ao pé da outra. A Sandra toda articulada e bem falante, a Felícia, a trapalhona do costume, péssima dicção, sem conseguir dizer uma frase com seguimento. 

Mas uma coisa é certa: danadas para a brincadeira como são -- e a Cabrita com os seus contactos no milieu, cuidado com ela --, não vão descansar enquanto não entregarem, de bandeja, a cabeça do Neves ao Seguro. Aliás parece que já lhe levaram as orelhas e o rabo, o Seguro é que não é de decisões rápidas e deu um tempo ao Mentenegro. Este é que, vamos lá saber porquê, parece não se querer desfazer do Neves. Ou o Neves não deslarga o Mentenegro ou o Mentenegro não quer deslargar o Neves. Qual deles não deslarga o outro e porquê ainda haveremos de saber. Mas pode ser apenas porque o Mentenegro é casmurro como um asno, ou, então, gosta de coleccionar tesourinhos deprimentes como a Ana Paula ou o Fanã.

Nota: eu sei que não se diz deslarga, está bem?

Terceira

A notícia do sofá de pele branco com aplicações douradas, as televisões e os equipamentos de ginásio apreendidos numa operação da PJ e que deixaram a casa do Xuxas mais vazia é de se lhe tirar o chapéu. E a Judite (quem na Judite?) a querer aproveitar-se disso é ainda melhor. A gente ouve e começa a imaginar coisas. Como a minha imaginação é fértil ocorreram-me de imediato inúmeras possibilidades. Pulam-me, aliás, os dedos para criar micro-narrativas que envolvem um avatar do Neves, o sofá com dourados, e outros adereços e outros personagens. Só não divulgo aqui porque tenho cá para mim que a realidade é muito bem capaz de ser mais cabeluda que as minhas inocentes ficçõezinhas.

Mas, falando mais a sério, não seria de alguém fazer um inventário ao armazém de apreendidos e ao parque de viaturas igualmente apreendidas, para ver se tudo o que foi apreendido de facto deu lá entrada e se, tendo dado, ainda lá está? E, não estando, com ordem de quem de lá saiu e para onde foi? É só uma sugestão. A menos que aquilo seja mesmo na base do bar aberto. 

Quarta

Há pessoas que não suporto. Por diferentes motivos. Umas é porque são fúteis e parvas. Outras é porque se acham o máximo quando não valem um caracol. Outras é porque são insuportavelmente palavrosas, galináceas cacarejantes. Outras porque, sendo novas, nasceram velhas e se portam como velhas cagonas. Outras é porque se acham ladinas, matreiras, sabidas. Outras é porque são sonsas, acham que a melhor defesa é não saírem da moita. Outras porque são burras, ignorantes e descaradas. Outras porque são mentirosas e acham que se safam se estiverem sempre do lado da oposição (mesmo estando no governo). 

Apetece-me dizer os nomes, chamar os bois pelos nomes. Mas não o faço porque, ainda assim, a forma como as classifico é generosa de mais e não quero que me chamem otária. 

------------------------------------------------------

E vou-me, não sem antes dizer o que se passa com a cauda do meu petcão. O meu marido sofre de empatia aguda em relação ao cãobeludo e, por isso, tentou outra vez tirar-lhe o funil. De novo, freneticamente a lamber a cauda. Funil de novo. Consulta na veterinária. Problema diagnosticado: as crostazinhas e a pele seca dão-lhe muita comichão. Solução: aplicar uma mousse hidratante e mais não sei o quê. Não se põe com água nem se tira com água, é para ficar. Um frasquito de nada quase quarenta euros. É o que eu digo: produtos muitas vezes mais caros do que os que eu uso, os meus tudo na base das marcas brancas do supermercado e tudo mais que bom, ele, o marquês, ex-pastor de ovelhas no monte, só produtos de vet. Já para não falar da ração que agora é de truta e sem cereais, porque os cereais não são bons para quem padece de alergias, isto supondo que ele de tal padece. Mas, enfim, já nem digo nada, já só quero que se ponha bom, que não espete praganas nas patas, que não se fira com nada, que não arranje alergias ou comichões, que não fique coma  pele ferida, que nos dê algum sossego. Tirando isso, está bem, ladra que se farta ao mínimo barulho na rua, desestabiliza os cães todos da rua quando o pobre carteiro se aproxima da nossa caixa de correio, corre e corre e faz acrobacias aéreas a desafiar o cão do lado e, á noite, vem pôr-se encostado a nós para lhe fazermos festas.


---------------------------------------------------------

Desejo-vos um belo sábado

quarta-feira, agosto 26, 2026

Se um ministro pode usar um Golf apreendido não poderá outro, ou o mesmo, usar um Rolex apreendido? É só uma pergunta.
--- A palavra ao meu marido ---

 

Tenho dificuldade em perceber como é que comentadores que me parecem razoavelmente honestos defendem de forma obstinada o Luís Neves. 

Já percebemos, como o próprio admitiu, que não cumpre os procedimentos, actua provavelmente de forma ilegal e as notícias vão dando conta de que mente com quantos dentes tem na boca. Temos, portanto, um conjunto de valências de excelência para se ser ministro -- e, no entanto, gente como o Fernando Medina, o Nuno Artur Silva, o Miguel Sousa Tavares, o Miguel Roque e outros que tais acham que é coisa menor um ministro actuar segundo uma lei própria, de forma opaca e, quando escrutinado, pelo que à posteriori é divulgado, descobre-se que que mentiu descaradamente. 

De facto, o nível exigido a um político baixou drasticamente desde a Spinumviva, mas não pensei que fosse possível chegarmos a este ponto. Já tinha ouvido o Sousa Tavares dizer que tinha aprendido a nadar num tanque como se isso justificasse a construção da piscina pelo ministro. Ouvi o Medina referir que provavelmente só havia uma empresa a construir para a PJ por questões de segurança como se fosse a única bolacha no pacote e o Miguel Roque mencionar que não interessa nada essa história do Neves ter um Mercedes de luxo e justificar o Golf por questões de poupança com qual é o problema? 

Argumentos mais cretinos são difíceis. E, no entanto, ainda é possível pior. O Santana Lopes disse que situaçoes destas são mais de 100 e que até conheceu ministros que conduziam Porsches. Pelos vistos é tipo self service. Cada um vai aos depósitos de apreendidos e escolhe o carro que quer. Inacreditável! 

Ocorreu-me se farão o mesmo com os Rolex ou com colares de diamantes. Mandam buscar, usam e, depois, devolvem? Será de escrutinar? É que isto é cada cavadela, sua minhoca.

E, com isto, o Ventura vai cantando e rindo.

sexta-feira, agosto 14, 2026

Notícias do cãovalescente

 

Estou menos preocupada mas estou cansada. O bichinho ontem só adormeceu depois das duas e tal da manhã. Na prática, deixou-se cair -- e ali ficou. Tenho que confessar que até fui fazer aquilo que, à socapa, pela calada da noite, fazia com os meus filhos e que ainda faço com os meus netos: fui confirmar que estava a respirar. 

Já contei várias vezes: na minha vida profissional e mesmo na vida normal há quem me ache destituída de medos. Na verdade sou muito de me atirar, sem medo. Quando quero uma coisa, vou, e acredito que acabarei por conseguir. Até por vezes me arreliava, intimamente, por ser tão destemida. À minha volta ficavam passados, achavam que eu não avaliava os riscos, que parece que não via as confusões em que me ia meter, os obstáculos que iria enfrentar. Mas eu avaliava, simplesmente tinha confiança em que eu e os que eu arrastava nas minhas empreitadas haveríamos de conseguir. E conseguíamos. E mesmo a outros níveis: não tenho medo de ir ao dentista, quase adormeço, nos exames médicos mais longos também quase adormeço de tão descontraída que estou, fui fazer artroscopia aos dois joelhos ao mesmo tempo sem consultar segunda opinião e sem medir consequências e, na véspera, estive aqui até às tantas a escrever como se nada se fosse passar. Sou assim. Mas quando a coisa tem a ver com filhos ou netos sou a mais maricas de que há memória. Chicken mais chicken não pode haver. Também me preocupo com o meu marido, claro que sim, mas não é aquela coisa absolutamente visceral que é com a descendência. Com os meus pais também havia aflição, por vezes bem grande, mas acho que era uma aflição misturada com ansiedade, com um temor de outra ordem --  não exactamente a mesma coisa que medo. 

E com o meu cão-bichinho há uma coisa que também não é fácil: quando o vejo aflito. é a sensação de preocupação misturada com responsabilidade e, também, aflição. Ele não sabe explicar-se, eu tenho que adivinhar, e, se interpreto mal e tomo a decisão errada, ele não pode defender-se. Claro que nisto há uma responsabilidade partilhada com o meu marido. 

Dito desta maneira parece que com os demais não há essa responsabilidade partilhada. Talvez haja mas de maneira diferente. Ele confia, ele desliga. Eu não. Quando os meus filhos eram adolescentes e saíam à noite, ele adormecia na boa. Eu não. No caso da minha filha, por vezes ele levantava-se às três ou quatro para ir buscá-la. Mas, antes disso, dormia. Eu não. Mesmo com o meu filho, já adulto, enquanto vivia lá em casa, eu não dormia, via as horas a passarem, numa inquietação, num sobressalto. Tinha que me conter porque se o meu marido se apercebia disto dizia que eu era maluca (e virava-se para o outro lado, a dormir). No entanto, muitas vezes em certos aspectos, era pior que eu. Eu sabia que eles não queriam que eu ligasse e, por isso, continha-me. O meu marido se acordava e via que era mais tarde e que eu estava numa inquietação, queria que eu ligasse. Eu não queria e ele inistia tanto que eu acabava por ligar. O pior era se eles não atendiam. Aí a coisa virava pânico. E, então, voltava a ligar. Quantas vezes eles depois se aborreciam por verem que eu já tinha ligado carradas de vezes... Enfim. Lembro-me do meu filho me dizer que eu tinha que aprender a controlar-me. Aí o meu marido fazia-se de santinho, todo sonso, como se não fosse ele também a picar-me para eu lhes ligar.

Pois bem. O meu cãobeludinho fofo ontem, tarde e más horas, depois de longas horas de calvário, a andar de um lado para o outro todo o santo dia, sem se deitar e, muito menos dormir, acabou por capotar. 

Pus o despertador para ligar para a clínica logo na abertura. A veterinária do outro dia não tinha chegado e ainda bem. Marquei para uma outra que, felizmente, estava de tarde e que é muito mais soft, mais open mind, menos quero-posso-e-mando. De seguida liguei para a jovem que vinha buscá-lo para ele ser tratado. Relembro: continuamos sem carro. 

A oficina ainda não conseguiu pegar nele. Escassez de mão-de-obra por todo o lado. E ainda há gente estúpida que não percebe que mais mão de obra houvesse e mais a economia cresceria.

Felizmente o meu filho conseguiu abrir alas nos seus compromissos da tarde para vir cá buscar-nos, levar-nos lá e depois trazer-nos. E, pelo meio, abusei como já tinha feito com a minha filha: pedi se, enquanto estávamos lá dentro, podia ir ao supermercado. A minha filha está habituada a fazer compras, ir com uma lista de compras não é transcendente. Mas ele não, lá em casa dele só encomendas online. Por isso, vi o sobressalto que se lhe estampou no rosto quando eu lhe pedi isso. Talvez não ponha o pé num supermercado há anos. Mas, pronto, lá foi... De resto, em qualquer dos casos, a minha ideia original era pedir que parassem por uns minutos que eu ia. Mas, no caso dela, ofereceu-se para ir durante a consulta. No caso dele, disse que tinha que ir abastecer de combustível e, portanto, aproveitei essa brecha que ele abriu.

Esta veterinária da tarde esteve a ver no sistema e, quando o observou, até achou que não estava tão mal como esperaria vendo o descritivo que a colega tinha escrito. O bichinho hoje estava mais tranquilo pois resolvemos seguir o conselho da primeira: que antes de ele lá ir, três horas antes, lhe dessemos um ansiolítico. E demos. Por isso, estava menos reactivo, menos apavorado. Quando a vet desinfectou as múltiplas feridas ganiu, saltou, tentou fugir e, se apanhasse alguém, ter-se-ia vingado, mas nada que se parecesse com o pesadelo de quando a outra médica o torturou no primeiro dia. Ou porque estava mais calmo, ou porque esta o desinfectou de forma mais gentil ou porque as feridas já estão melhor, a verdade é que a coisa foi controlada. A veterinária deu-lhe uma injecção de anti-inflamatório pois a inflamação nitidamente estava a incomodá-lo bastante. E usou um produto mais neutro na limpeza das feridas.

Explicou-me que o exsudado, em especial, o purulento, cria uma crosta que, se não for retirada, os tecidos debaixo ficam necrosados e a pele pode não regenerar. Mas que não tem que ser esfregado ou esfolado. E o líquido a usar não vai ser o betadine ou o outro de que não sei o nome mas que também lhe deve arder para caraças mas sim um que lhe vai dar uma sensação de frescura sem ardor.

Vamos ver. Espero que tudo, a partir de agora, corra melhor. 

No entanto, chegou a casa e pôs-se outra vez às voltas pela casa, de vez em quando parado a olhar fixamente para nós. Agora veio pôr-se aqui encostado a nós, de pé, para lhe fazermos festas. Estávamos a ver que ia ser a mesma coisa. Mas não. Por volta talvez da meia noite e tal, perto da uma, creio, eu disse-lhe: 'vá, agora vai beber aguïnha e vai fazer ó-ó'. Se estivesse aqui o meu filho repreender-me-ia: 'não é um bebé... falas com ele como se fosse...'. Mas sai-me assim, que hei de fazer?. Eu disse-lhe aquilo e ele ficou um bom bocado parado a olhar para mim. Depois saiu da sala, ouvimo-lo a beber água e já não voltou, está a dormir. Felizmente. Também já vai no terceiro dia de antibiótico, há de ir melhorando. 

Entretanto, vai abrir um novo espaço veterinário não muito longe daqui e estou tentada a mudar. Estas agora onde vamos são experientes, a clínica está bem equipada, etc. Mas a veterinária chefe, a dona, é linha dura, para ela os animais não são gente. E para mim são. Como no outro dia citei: cão como nós. E acrescentei: e nós somos gente como ele. 

Tenho que agradecer os comentários tão simpáticos que me deixaram e os mails identicamente queridos, com conselhos e dicas. Não respondo individualmente porque estou muito exausta, a modos que esgotada. Muita contrariedade em simultâneo. E o facto de ter andado, há alguns dias, a dormir muito menos do que necessito, retira-me, ainda mais, a energia.

Esta coisa de estarmos sem carro é uma delas: faz-me sentir dependente e isso deixa-me doente. Amanhã o meu marido vai fazer um ponto de situação com a oficina e provavelmente vamos activar o carro de substituição. Mas não sabemos por quanto tempo. Receamos fortemente que ele, o crazy dog --que, quando vai no carro, quer atirar-se aos motoristas, em especial aos de uber ou glovo, e, como não consegue, se desforra mordendo o estofado das portas ou dos bancos --  dê cabo do carro de substituição e nos vejamos metidos em sarilhos. Irei atrás agarrada a ele. Poder-se-ia pensar que, por ter o colar isabelino, não consegue fazer estrago. Mas a verdade é que ele consegue tudo, já aprendeu os ângulos em que consegue chegar onde quer. Felizmente, até ver, não consegue chegar ao próprio corpo e isso é a principal prioridade neste momento porque, se apanha a cauda, nem imagino o estrago que fará.

Mas, portanto, muito obrigada, do fundo do coração, pelas vossas mensagens amigas. Perceber que aí desse lado estão pessoas com um coração grande dá-me muito conforto.

E vou esperar que nos próximos dias as coisas se vão endireitando. O meu optimismo deve ser a última coisa a morrer. Se calhar, quando estiver com os pés para a cova, ainda vou estar a dizer que o mundo é maravilhoso, as flores um encantamento, e que, vão ver, vai tudo correr bem. 

Tenham um dia muito bom, ok?

quinta-feira, agosto 06, 2026

Cenas da vida conjugal in heaven

 

Olho para a azinheira grande e penso: 'aquele ramo grande ali podia ser cortado, a árvore já se diversificou de uma maneira tal que aquela grande pernada já é dispensável '. Mas depois penso que aquele ramo é, em si, quase uma árvore, não podemos ser nós a ocupar-nos do assunto, não temos uma serra para coisas daquela envergadura. 

Depois, estou a varrer uma zona e penso que os ramos baixos da romãzeira e os do cedro também deveriam ser cortados senão junta-se toda a espécie de folhagem lá por baixo. Vou chamar o meu marido que refila, diz que está ocupado com outras coisas e eu sempre a pedir-lhe para interromper e vir fazer outras. Mas vem. 

Depois reparo que o tamarix tem muitos ramos secos por baixo. Peço para ele cortar também. Diz que não é só cortar, é depois levar lá para baixo, para o infinito monte que se vai formando. Refila. 

Continuo a varrer. Encho não sei quantos carrinhos de mão que depois levo para um canteiro, lá mais abaixo, e onde está caruma e folhagem ajudará a manter a terra mais húmida por baixo. Quem duvidar que espreite o meu Instagram, está lá uma ínfima amostra do muiiiito que carreguei.

Depois peço ao meu marido que tente arrancar a hera selvagem que invadiu o canteiro onde estão os alfazemas, agora já quase expulsos do recanto que lhes era devido. Peço também que tenha cuidado porque ao fundo há uma ivone e ele que não a assassine como assassinou a outra que estava num outro canteiro. Fica furioso, primeiro porque mais uma vez estou a arranjar-lhe trabalho e, segundo, porque diz que lá venho eu, outra vez, com a porcaria da ivone. Não lhe perdoo.  Responde que ela não estava ali a fazer nada. Digo que não se pode pôr fim à vida de uma ivone só porque, na maior subjetividade, se declara que não faz falta. Essa agora. E nós fazemos? 

Portanto, indisposto com a confrontação, deixou grande parte da hera selvagem. Eu acho que tem que se puxar à mão, mas ele diz que eu acho mal. 

Já o luso-fusco vinha tombando quando fui aos figos. Mas, antes de abastecer os saquitos que levava, comi mais de uma dúzia. Ainda pensei que talvez tenham proteína e fibra, que talvez seja uma dieta até interessante. Mas resolvi ser honesta: deve ser só açúcar e aquela barrigada deles deve ser o equivalente a estar a chutar açúcar directamente para a veia e para o perímetro abdominal.

Foi já de noite que vim ocupar-me dos orégãos. Já enchi alguns frascos. Desta vez, até de kombucha usei, acho-lhes piada.

Ainda há mais para esfarelar mas tenho que os deixar secar mais uns dias, pois alguns ainda não se desprendem.

Agora estou a escrever e doem-me um pouco os ombros. Penso que é da força que faço para transportar e, sobretudo, virar e despejar os carrinhos. Ou de apanhar pás e pás e pás e pás e pás de folhagem e terra. 

Ainda peguei num livro mas, ao fim de um bocado, fechei e pensei: 'Caraças, já não há editores que se aproveitem? Só publicam redações infantis?'. Feito com apoio de uma bolsa da DGLAB, ainda por cima. Está tudo doido.

E é isto. Aqui estou no telemóvel, coitada de mim. Quando leio que ainda há quem escreva coisas em papel fico espantada. Eu já só sei escrever no computador. Os dedos sabem o sítio das teclas, andam sozinhos. Aqui é um desatino, esta gaita altera grande parte das palavras que escrevo.  Por exemplo, de cada vez que escrevo 'esta' ele vai e põe-lhe um acento, fica 'está'. E como isto muito mais. Deve ser fácil descobrir onde desactivar está inteligência, mas tenho preguiça. 

Bem. Fico-me por aqui.

Fiquem bem, ok? Divirtam-se.

sábado, agosto 01, 2026

Seguro: TACO... perdão SACO
-- E cá está, de novo, o meu marido --


Percebemos hoje, com surpresa e agrado, que afinal a fonte de Belém não secou. Terá estado em manutenção, talvez em reparação, mas voltou a jorrar pujante. Diz o Expresso que o Presidente não falou para não adensar a crise. A questão do Seguro não falar é um hábito antigo, para quê comprometer-se?, não é surpresa é mais do mesmo. Mas esta de ele assumir haver uma crise também me surpreendeu. 

O Neves segue as pisadas do Montenegro: trapalhadas, irregularidades, quiçá, ilegalidades (até ouve mimetismo na cena dos dossiers na conferência de imprensa, só para inglês ver). 

O Fernando com as suas decisões cria desigualdades no acesso dos jovens ao ensino superior e desbarata o erário público para corrigir os erros que originou. 

A ministra da saúde dá cabo da saúde dos portugueses. 

A ministra da justiça finge que não existe, quando bens sob custódia do estado vão parar a um armazém lá para os lados de Barcelos. 

O gabinete do Ventura na AR é, presumivelmente, assaltado. 

E, com este panorama, o Expresso refere que há uma crise e que o PR não falou para não a adensar. 

Nada mais errado. Este é o normal funcionamento do governo da AD e das instituições. Só os mais tresloucados achariam bem que o Seguro dissesse umas banalidades, que outra coisa não lhe parece vir ao espírito, por causa da situação atual. A coisa está normal, tudo o que o governo faz é asneira. E já agora uma proposta, se de Trump se diz que TACO, não fiquemos atrás dos cowboys: de Seguro se passe a dizer que SACO (Seguro always chickens out). Parece-me adequado! 

terça-feira, julho 28, 2026

Eleições antecipadas -- na lógica do Tiririca, pior do que está não fica
[A opinião do meu marido]

 

A minha opinião diverge da opinião daqueles que dizem que não deve haver eleições antecipadas porque delas não resultaria nenhuma solução de governo estável. Acho que, pelo contrário, se os astros estiverem alinhados pode resultar uma solução de governo estável. 

Uma coisa é certa: a não ser que o Chega tivesse maioria absoluta, o que não parece provável, qualquer governo que resultasse das eleições não conseguia, por muito que tentasse, ser pior que o atual -- portanto, haveria pelo menos uma vantagem. 

Mas qual a razão para eu pensar que pode haver um governo estável? 

Admitindo que o Luís não ganhava as eleições (as sondagens atuais colocam a AD em 3º lugar) e que o Chega não tem maioria absoluta, é possível que o Chega, ganhando ou não as eleições, fique à frente do PSD. Neste cenário, o Luís ia às urtigas e voltava à Spinumviva, e não me parece que o novo líder, seja ele qual for, esteja disponível para participar como subalterno do Andrézito numa solução governativa. 

Se apostar de forma irritante no otimismo, acredito que até é possível que o próximo líder do PSD seja um social democrata sensato e que se preocupe com o futuro do País. Como acredito que o José Luís Carneiro tem estes atributos, não é descabido pensar que dois líderes com esta natureza poderão dar origem a uma solução governativa duradora, forte e que potêncie o desenvolvimento do País. 

Muito otimismo? Talvez, mas não é impossível, certo?

domingo, julho 26, 2026

Somos um povo de masoquistas para querermos que esta legislatura chegue ao fim?
-- A palavra ao meu marido --

 

Admitindo que a sondagem foi bem feita, a maioria dos portugueses quer que a legislatura chegue ao fim, embora na mesma sondagem haja uma maioria de portugueses que desaprova fortemente as políticas setoriais do governo. É difícil perceber qual é o racional desta opção. Seremos maioritariamente masoquistas? Temos um governo em que o PM não sabe governar, segue a agenda da extrema direita, mente descaradamente (ainda hoje ouvi que no início do ano anunciou que iam adquirir 275 viaturas para o INEM e hoje o respetivo diretor referiu que iam lançar um concurso para 40 viaturas), atravessou mais vezes o atlântico durante o mundial que os pilotos da TAP, demonstra uma enorme insensibilidade social, decretou o simplex ético (uma vénia ao Pedro Marques Lopes) e não cumpriu as promessas que fez na campanha eleitoral. Um ministro da administração interna que, de acordo com as notícias recentes, trata os aspetos relacionados com obras particulares com uma grande informalidade, senão, irregularidade ou pior. Um MAI que nasceu com o rabo virado para a lua e consegue comprar vários montes no Alentejo por preços muito inferiores ao preço de mercado e, simultaneamente, efetuar obras nos montes sem os correspondentes pagamentos ao empreiteiro, que não entrega declarações de património e parece protagonizar uma situação alo bizarra com uma galera sob custódia da PJ. Uma ministra da saúde que para além de tudo o que de péssimo tem feito no SNS agora conseguiu põr diversas especialidades médicas contra ela e, mais grave, recusarem-se a efetuar atos médicos. Um ministro da educação, uma verdadeira fraude, que, com a sua arrogância e incompetência, conseguiu introduzir o caos no sistema de exames e introduzir desigualdades nas avaliações -- pior seria difícil. Um ministro das infraestruturas que de pacote em pacote continua na mira do MP por causa do período em que foi vice-presidente da câmara de Cascais e participou na aprovação de um projeto muito controverso. Uma ministra do trabalho que também mente descaradamente (a última foi sobre as baixas) e levou com chumbo grosso quando tentou alterar a lei laboral. Uma ministra da justiça que não fez nada no setor e se mantém muda e queda apesar da galera á guarda da PJ ter ido passear para  Barcelos. Um ministro das finanças que não controla a despesa pública. Um ministro da presidência que não prima pelo rigor e revela uma falta de preparação atroz. Um ministro da economia que não existe. Uma ministra da juventude que para além de pôr em prática políticas erradas também mente. E já basta de exemplos. Portanto, com este panorama, das duas uma: ou somos masoquistas ou andamos a chutar para a veia para querermos manter este governo. Por mim mandava-os pastar caracóis de imediato. Existem riscos na opção de convocar eleições mas em democracia há surpresas e pode acontecer que depois desta experiência a maioria vote com a cabeça e não com os pés.

domingo, julho 19, 2026

Atrelados, mentirosos e quejandos: Luís , Luís & Alexandre -- firma unipessoal de irresponsabilidade ilimitada
[A palavra ao meu marido]

 

O Luís (neste caso Neves) seguiu as pisadas do Luís (neste caso Montenegro) no caso Spinumviva. Arranjou um empreiteiro amigalhaço que tinha feito obras para a PJ, da qual era diretor, para fazer umas obras lá em casa num espírito de grande informalidade. A coisa já tem que se lhe diga, mas piorou. Soube-se que o Luís (neste caso Neves) autorizou que um atrelado apreendido numa operação de droga, cheio de químicos, parqueado num depósito da Marinha no Seixal, fosse parar às mãos do empreiteiro amigalhaço. Tão inverossímil que parece fake. Se o MAI não for corrido depois desta, nunca ninguém será corrido de um governo de Luís (neste caso Montenegro). E já agora sugiro uma linha de investigação à PJ sobre este caso. Parece que o Luís (neste caso Neves) cravou uma solipas à IP para fazer obras lá em casa. Será que o atrelado não foi cedido para transporte do material cravado?  Já agora um conselho ao responsável pelo depósito do Seixal. Vi numa imagem televisiva que há imensas lanchas parqueadas no depósito -- será que ainda estão lá todas? Uma embarcação destas dava imenso jeito para dar umas voltinhas tanto no mar como no rio em Odemira.

O caos nos exames é inacreditável e o comportamento do ministro ainda pior. O Alexandre mente, ameaça, chuta responsabilidades e enxovalha os professores. Para além disso é burro que nem uma porta. Um tipo com inteligência mediana nunca cometeria tantos erros em tão pouco tempo como o Alexandre fez no processo dos exames. Os senhores comentadores que achavam que este tipo é o suprassumo da batata frita o que dizem agora? Pois,... A talhe de foice, os professores que foram desrespeitados, acusados de várias formas e ameaçados com demissões impossíveis comeram, calaram e não fizeram birras. Longe vai o tempo em que por dá cá aquela palha amuavam e faziam greve. O dinheiro é um poderoso motivador não é?

Este governo é um governo de incapazes e mentirosos, até a ministra pepsodente mentiu descaradamente sobre as instruções da UE relativamente à gratuitidade em algumas entradas nos museus. 

As sondagens indicam que os portugueses pensam o pior sobre as políticas setoriais e, no entanto, também mostram que querem que o governo se mantenha até ao fim. Há muito tempo que conclui que somos um povo de masoquistas, o que se confirma com esta opção paradoxal. 

Um governo em que não fazem nada que se aproveite, criam problemas atrás de problemas, mentem descaradamente... e a malta quer mantê-los a governar? Está tudo bêbado ou é do calor que se tem sentido?

terça-feira, julho 14, 2026

Está esclarecido, os ministros estão no governo para arranjar problemas
-- Mais uma vez, a palavra ao meu marido --

 

Hoje o nosso Primeiro fez mais uma intervenção no seu estilo, confirmando que ou tem um baixo nível intelectual ou pensa que a malta é burra. Eu apostaria que no meio é que está a virtude. Tenho para mim que quem é burro acha sempre que os outros ainda são mais burros. Após a intervenção do Luís, percebeu-se finalmente qual o grande objetivo dos ministros. O objetivo número um dos ministros é criarem o maior número de problemas possível para depois, como fez hoje o Luís relativamente ao ministro da educação e fez anteriormente, por exemplo com a ministra da saúde, vem a público afirmar que estão de pedra e cal no governo e que os nomeou para resolverem os problemas (deveria ter acrescentado: 'os problemas que criaram enquanto ministros' -- mas isso já seria pedir demais). 

Quem duvida que esta é uma prática muito salutar para organizar um governo impróprio para governar? Não há dúvida. E os exemplos são muitos e variados. 

O que tem feito a Ana Paula Martins senão criar miríades de problemas na saúde sem conseguir resolver nenhum? Missão cumprida! 

O que tem feito o ministro da educação senão criar problemas desnecessários e que  deixam as famílias dos alunos em alvoroço? Missão cumprida! 

O que fizeram as ex-ministras da administração interna e o atual ministro senão criarem problemas que se foram agravando durante o tempo que estiveram no governo? Missão cumprida! 

O que fez a ministra da segurança social senão criar um problema enorme com a lei da reforma laboral (que, por sinal, até originou um desgaste muito significativo no governo)? Missão cumprida! 

E o que fez a ministra "pepsodente" com as medidas para os jovens, nomeadamente tudo o que tem a ver com a habitação, e o ministro da coesão quando agem ou botam faladura? Criam problemas. Missão cumprida! 

Até o Bugalhito, putativo ministro, criou ontem um problema com a intervenção que fez sobre o pagamento das horas extra aos professores. Missão cumprida! 

E o que faz o Luís com as políticas de insensibilidade social e privilégio dos mais ricos? Cria problemas que não sabe resolver e que agravam a situação dos portueses. Missão cumprida! 

Tudo isto seria cómico, senão fosse trágico, revelando um amadorismo e uma falta de conhecimento e bom senso absolutamente confrangedoras.

----   ----    ----

Para terminar. Vi na televisão umas pessoas a entrarem pela calada da noite aparentemente no armazém onde estão os exames para procurarem folhas em falta. Serão técnicos do EduQA. E, pelos vistos, também por lá andaram repórteres. Fiquei pasmado. Tendo um neto que fez exames, fico de pé atrás porque quem nos garante que estas pessoas não põem ou tiram folhas onde lhes convém, podendo, assim, prejudicar ou beneficiar alunos? A dúvida está instalada. Missão cumprida! 

O ministro é tão desprovido que origina imagens que só criam problemas ao governo e revelam a falta de rigor e de segurança que há em todo o processo. Missão duplamente cumprida!!

segunda-feira, julho 13, 2026

A bronca dos exames é o expoente máximo da extraordinária incompetência do governo? Não, há muito mais!
-- De novo, a palavra ao meu marido --

 

Então não é extraordinário ver o Bugalhito, com ar de quem acabou de se levantar e de se aperaltar, anunciar o pagamento de horas extraordinárias aos professores? Em que condição? Idiota útil? Futuro PM? Futuro ministro da educação? Ou parvinho do costume que quis encantar o ministro e tentar salvar o PSD? E não é também extraordinário anunciar que o governo vai pagar horas extras a quem faz trabalho extraordinário e tem o direito a receber o valor correspondente conforme consagrado na lei? Neste caso talvez não seja tão extraordinário, reflete apenas o espírito e a forma de tentativa de reforma trabalhista do governo que pretendia sonegar o pagamento de trabalho extra a quem trabalhavasse fora de horas. E não é extraordinário que o Luís fale sobre o problema com as avaliações dos exames no Alive em frente ao cartaz da Solverde? É o que resulta de termos um eterno bimbo sem sentido de estado e sem qualquer empatia pelos problemas das pessoas como PM. E, mesmo que involuntariamente, ainda fez publicidade aos antigos patrões, o que por si só já é bastante extraordinário. E não devemos considerar extraordinário que o ministro da educação ponha professores a digitalizar exames em máquinas 'piquininas' e, ainda por cima, quando foram a serem utilizados 40 disse que roubaram 70? O tipo fazia um programa na RTP 2 onde disse que não percebeua de educação. O tipo não percebe é nada de nada e ainda por cima desperdiçado o erário público comprando, aparentemente, muito mais equipamentos do que os necessários para garantir o funcionamento normal do processo e pondo profissionais a fazer trabalho de auxiliar da forma menos eficiente possível. 

E também me parece extraordinário que a ministra da saúde (é difícil pensar que ainda conseguirá fazer pior, mas ela consegue sempre) para diminuir a lista de esperas para cirurgias tenha anunciado uma aplicação que não contabiliza todas as cirurgias e, assim, diminuir artificialmente o número de cirurgias em espera. Que falta extraordinária de ética e de rigor! Mas, nada me surpreende quando analisamos a falta de rigor e de ética de Ana Paula. 

E não será extraordinário que o Luís consiga duplicar o valor dos gastos com o combate a incêndios? Neste caso é até muito comum. O que o Luís sabe fazer é por dinheiro em cima dos problemas. Eficiência e racionalidade não entram com ele. São coisas tão extraordinárias para ele que possivelmente nunca acontecerão enquanto for PM.

quinta-feira, julho 09, 2026

Ainda o caos nos exames e o Fernando Alexandre, e, desta vez, também a FENPROF
-- a palavra ao meu marido

 

Esta nova trapalhada do governo com a classificação dos exames é apenas mais um episódio da falta de capacidade técnica e política e da incompetência gritante que este governo tem demonstrado em todos os assuntos em que se mete de uma forma mais profunda. É assim na Saúde (depois da reorganização das maternidades feita pelo governo, hoje a notícia é que o hospital de Almada está a recusar receber grávidas). É assim na Habitação com o aumento de preços a subir sem parar. É ou foi assim na Administração Interna com os enormes problemas no combate aos fogos. É assim no apoio às populações afetadas pelas tragédias que têm assolado o País. Agora chegou a vez da Educação onde a jóia da coroa, the one and only Fernando Alexandre, meteu mais uma vez a pata, desta vez, numa poça sem fundo. O ímpeto """reformista""" (e ponham as aspas que quiserem) não olha a nada. Testar as aplicações antes de começarem a funcionar, nem pensar! Não vale a pena! É preciso é fé no programador e força no teclado. Se a coisa der para o torto culpa-se tudo e todos menos o responsável e realça-se o ímpeto reformista do governo que de facto não tem qualquer capacidade para fazer as mudanças que o País precisa. Com sorte ainda conseguem descobrir que a programação foi feita pela malta do Industão e arranja-se mais um argumento para o Leitão Amaro falar na imigração descontrolada,  encontra-se  um bode expiatório e desvia-se a atenção da populaça. Lata e descaramento para propagarem uma mentira destas não falta a este pessoal (por acaso, no lugar onde estou, uma coisa é certa: sem imigrantes, não comia e o hotel não funcionava. É por estas e por outras que não compreendo os argumentos estúpidos contra a vinda dos imigrantes). 

Nada me surpreende na incompetência do governo, mas há outras coisas que me suscitam alguma surpresa. Uma delas é: onde tem estado a FENPROF? Então essa rapaziada, sempre pronta para ir para a rua manifestar-se e ocupar a comunicação social com anúncios de greves e chorrilhos de notícias, agora tem estado praticamente muda e queda? Só agora começou a dar um leve arzinho da sua graça. O que se passa? Anteciparam as férias? Renegaram a herança do Nogueira? 

Quando analisava a questão ,surgiu-me uma ideia peregrina, provavelmente, inverossímil. Será que a  FENPROF foi comprada pelo Alexandre com todo o dinheiro que atirou para cima da mesa para calar os  professores (por acaso este aumento de custos não resultou em nenhuma melhoria efetiva no ensino público). Mas devo estar enganado. A FENPROF supostamente desfilava para melhorar a qualidade do ensino e defender os alunos menos favorecidos, não desfilava apenas porque queriam ganhar mais dinheiro e  um tratamento de favor em termos de carreiras. No entanto, o que se constata é que, desde que conseguiram o que queriam em termos salariais e de carreiras, borrifaram para a qualidade do ensino e para a defesa dos alunos menos favorecidos. Parece-me que é esta a realidade. A FENPROF só se preocupa com reinvindicações salariais e, como tem um ministro que faz o que a central sindical quer, não o afronta. Mal vai a principal central sindical dos professores quando, numa situação como a atual, apenas fala de fininho. Assim se confirma qual eram as reais reinvindicações dos profs.

Parece que o Montenegro no seu objetivo de cavalgar a onda foi ver o jogo de Portugal e obrigou o Falcón da Força Aérea a fazer mais umas quantas horas de voo. Teve azar. Não conseguiu tirar dividendos da viagem. E já chega de populismo bacoco nos elogios sem sentido à Seleção nacional que fez um mundial para esquecer. Resta-me uma dúvida: quem aprova este tipo de viagens? Como se justifica que o PM passe a vida a ver a Seleção mesmo quando manifestamente nada o justifica? Se fossem outros governos e outros PM, a rapaziada da AD não se calava, agora até elogia esta falta de ética (... e lá me lembrei outra vez da Spinumviva). 

_________________________________________________

Nota minha: como dá para perceber, o meu marido não leu o que eu escrevi ontem. Por isso, se o texto vos parecer um pouco redundante, confirmo: é mesmo. Mas a liberdade por estas bandas é total e, portanto, se ele se lembrou de escrever isto (enquanto eu cochilava de tarde), não ia fazer a desfeita de lhe dizer que não publicava porque ontem já tinha abordado estes temas. De qualquer forma, não falei na Fenprof. E ele tem uma forma talvez mais acutilante do que a minha. Seja como for, é o que é. Está dada a explicação.

_________________________________________________

Desejo-vos uma feliz quinta-feira

segunda-feira, julho 06, 2026

Sirenes, moscas e moscardos, aspersores e mangueiras

 

Não sei se já alguma vez falei nisto mas o meu marido, que é zeloso, de noite costuma activar um dos alarmes parciais que o nosso sistema de segurança tem, para cobrir algumas partes da casa que não estão propriamente à vista, como, por exemplo, a garagem, o sótão e outros pontos que o técnico de segurança identificou. Tudo bem, não tem qualquer problema.

O que acontece é que ontem esteve todo o mundo a ver futebol, a França - Paraguai, até às tantas. A seguir foi aquela dinâmica do vai tu, já vou, vai tu primeiro, etc. Depois é a cena das lavagens de dentes e ida à casa de banho. Finalmente, o mais pequeno disse-me que só me dava um beijinho se eu lhe contasse uma história a preceito. Conclusão, a operação 'cama' não acabou cedo e só depois peguei nisto. Ou seja, deitei-me tarde. E já sabia que a alvorada seria cedo. Mas não tão cedo. É que às sete, ou se calhar antes, desata a sirene do alarme a tocar. E, quando isso acontece, todos os cães das redondezas desatam a uivar. Um sobressalto. Acto contínuo, o telefone da central de segurança. Tinha sido qualquer coisa no piso de cima. O meu marido foi ver. E não era nada. Quando os quartos, que são cá em baixo, estão todos ocupados, o cão é isolado para não ir chatear ninguém, e geralmente vai para o piso de cima. Deve ter dado um salto do sítio onde dorme para o chão ou coisa do género, o que, em condições normais, não acontece. Resultado: com o susto, espertei. Portanto, passei o dia todo perdida de sono. À tarde, já só nós os dois, mal me encostei adormeci. Mas, como é certo e sabido que, se durmo de tarde, tenho insónio de noite, o meu marido não teve cuidado para não fazer barulho perto de mim e acabei por apenas dar uma cochilada.

Há bocado fomos fazer o nosso passeio nocturno e, quando saímos, o alarme fica sempre ligado. Mal tínhamos andado um bocado, outra vez aquele chinfrim que se ouve em todo o lado e arredores. Desta vez assinalou que era na sala. Voltámos atrás. Mais uma vez nada. Aliás, as imagens mostravam que nada. Mas, mal entrei, ouvi um zzzz. Provalmente, uma mosca ou moscardo a passar em frente ao vídeo-sensor.  Felizmente estamos cá, deu para validar no local. 

Mas já apanhámos, uma vez, um susto às três da manhã, quando estávamos no campo, com uma chamada da central de segurança. Os vídeos não mostravam presença humana, mas não ficámos descansados. A polícia que lá foi também confirmou que não havia problema. Mas apanhamos sustos. E tenho ideia que nesta época de calor é pior, deve haver insectos nocturnos que se passeiam onde não devem. São os chamados falsos-positivos. 

E estou a falar nisto pois estou a escrever e a ouvir um zumbido. E é enervante. Zzzzzzz.... Não tarda estou toda picada. Acho que temos mesmo que tratar das redes mosquiteiras. Ontem, perdida de sono quando cheguei à cama, também a ouvir zzzzz e a pensar que deveríamos acender a luz e ir à caça. Mas com o sono com que estávamos. Tanto mosquito ou melga ou lá o que é.... O meu filho falou numas fitas para pendurar no exterior, acho que também temos que tratar disso. Que castigo que está ser este ano...

Também aconteceu outra contrariedade. Habitualmente a rega funciona de noite. Mas agoras temos painéis solares para autoconsumo e, portanto, regulámos a rega para a parte da manhã. E vimos que, num ponto, um aspersor está fora e, portanto, sai a água toda e não rega nada, fazendo com que nos aspersosres seguintes a água saia com menos força. Fomos tentar encaixar e não encaixa nem por mai suma, não enrosca, não se percebe. E, numa das partes principais do jardim, pura e simplesmente não há rega. Andámos à procura e vimos que há uma rotura por detrás de umas treliças. O espaço é apertado e tem trepadeiras. Por isso não foi fácil lá chegar. E vi uma imensa poça de água e não percebi de onde vinha a água. O que sei é que não chega depois aos aspersores que se seguem. E agora arranjar alguém que se ocupe disto...?

É certo que são males menores, coisas de nada, irrelevâncias. Mas eu prezo muito o meu jardim. Andei de mangueira a regar à mão mas não dá, é complicado. E a mangueira que ali temos é fraca, retorce-se, engalfinha-se nela própria, trinca, e a água não sai. Tenho que estar sempre a voltar atrás, uma perda de tempo.

Nestas coisas o meu marido chuta para canto, se não regar, não regou, não quer saber. Anda sempre de maquinaria em punho, a desbastar a sebe, a desbastar as buganvílias, a cortar as glicínias que trepam para o telhado. Somos o oposto: preocupo-me é com a rega e, de resto, gosto é que tudo cresça à vontade e à vontadinha.

E é isto. Por uns motivos ou por outros há sempre coisas e coisecas. Se, quando eu estava a trabalhar, me viessem com estas conversas eu fartava-me de rir: frioleiras, preocupações de gente desocupada. E não considerava que fossem problemas. Eram simples ocorrências que se resolveriam, se calhar até por si. Mas é o que é. Mudam as circunstâncias, mudam as perspectivas. 

E mais não digo. Vou pirar-me daqui que já não aguento o estupor da mosca só a zumbir e a vir pousar-me ora na perna ora no braço, já estou cheia de comichões só de a ouvir. Caneco.

____________________________________________________________

Só mais uma coisa antes de ir: já viram a cor da buganvília lá em cima? Não é tão linda? É a tender para o alaranjado, acho-a mesmo alegre e bonita.

______________________________

Desejo-vos uma boa semana a começar já por esta segunda-feira 

quinta-feira, julho 02, 2026

O Leitão, o Ventura, a Ramalho e o Alexandre ou a "liga dos sem vergonha", sem esquecer, bem entendido, a Dona Ana Paula e o chefe deles todos, o Luís
-- E, finalmente, eis que o senhor meu marido se dignou, de novo, a dizer de sua justiça --

 

Ouvir um tipo que é jurista e deputado dizer que o governo não deve cumprir uma ordem do tribunal é assustador e chocante. Assustador porque percebemos que a extrema direita se sente com poder suficiente para fazer este tipo de afirmações, chocante porque apesar desta e de outras afirmações semelhantes ou piores, muita gente vota neles. O Ventura é o Trump cá do burgo. Populista, demagogo, xenófobo e autocrata -- e podem ver pelo que tem acontecido no EUA e no Mundo o desastre que é eleger um tipo com esta natureza. Devia servir de vacina e ninguém votar num tipo sem um pingo de vergonha! 

Mas neste cantinho à beira-mar plantado temos outras aberrações semelhantes. 

As afirmações que o "Lentão" Amaro fez recentemente sobre a imigração confirmam que a xenofobia e a direita mais populista ocupam lugares de relevo no governo. Ter um ministro que, das duas uma, ou não tem um mínimo de conhecimento da realidade ou mente descaradamente é uma vergonha para quem os elegeu, para quem o escolheu e naturalmente para o próprio. 

Outro elemento do elenco governativo que se pauta por uma enorme falta de vergonha, basta relembrar as mentiras que foi dizendo para suportar as suas tentativas legislativas discriminatorias e com cheiro a direita saudosista é a Palma Ramalho. É preciso não ter vergonha para fazer o que tem feito mas, é preciso ser verdadeiramente desavergonhada para manter a reforma da lei laboral na agenda após 12 meses de negociação e namoro ao Ventura que no final redundaram no colossal fracasso que conhecemos. Como é possível tanta falta de razoabilidade e de vergonha!

Não procurando ser exaustivo sobre os membros do governo que fazem parte da "liga dos sem vergonha" e sendo óbvio que o PM e a ministra da saúde são sócios desde a primeira hora (como é possível a ministra ter gasto mais 21% na saúde, termos atingido o caos atual e não ser corrida?) tenho que referir mais um que está de corpo e alma na liga: é o rapaz da Educação. O Alexandre depois de torrar dinheiro em tudo o que dava chatice decidiu tentar fazer umas coisitas que não correram nada bem. Desde os números sem fundamento relativos ao número de alunos sem aulas, referidos pelo ministro até à vergonha que é o atual processo de correção dos exames, existem bastas razões para incluir este ministro em lugar de destaque na "liga dos sem vergonha".

Mas tenho que voltar à da Saúde. Com estes calores extremos, o que ouvimos à que nunca mais é ex é que alerta para o aumento da mortalidade. Mas alguém morre porque quer? O que é isto de alertar para a o aumento de mortes? Não passa pela cabeça da Ana Paula Martins que o que ela tem que fazer é dar conselhos práticos, é informar sobre medidas concretas, é fazer com que haja meios para minimizar insolações ou para acudir rapidamente a quem se sinta mal? O que mais esta senhora tem que fazer de mal para que o Luís perceba que mantê-la é caso quase de alarme social?

E é destas vergonhas que se vai fazendo uma parte da politica em Portugal. Que vergonha!

terça-feira, junho 02, 2026

Cenas da vida de um casal

 

Estive ocupada cá com a minha vidinha, coisas que meto na cabeça fazer e que me ocupam bastante, sabe-se lá se com resultados algum dia atingíveis. Mas sou discípula daqueles que diziam que só são vencidos os que desistem de lutar. 

Como continuo a ser a mesma -- quando meto na cabeça que tenho uma coisa para fazer, não descanso enquanto não a faço --, trabalho no assunto horas a fio sem me cansar, sem me desviar. O meu marido pasma com o meu regime, com a minha capacidade de me manter focada durante tanto tempo, apesar de não ter qualquer perspectiva de vir a ser bem sucedida. Nunca trabalhou no mesmo sítio que eu pelo que não sabe que, no que se refere a trabalho, é assim que sou. Isto agora não se pode dizer que seja um trabalho propriamente dito mas, pelo menos, é um projecto. Pode ser um projecto mais lírico do que pragmático. Mas é um projecto e lutarei para que se concretize.

Com isto, a televisão passa-me praticamente ao lado. Mesmo as notícias me parecem um carrossel que anda em volta sem sair do mesmo lugar. Espreito as novidades do dia, e está feito, fico informada q.b. Os jornais da noite alongam-se, alongam-se, metem reportagens e trapalhadas pelo meio, esticam a duração até mais não. Espreito o que se segue a isso, e ou é o Joker com o Palmeirim sempre com piadas secas, coisa que me deprime, e, portanto, evito, ou são novelas da treta na SIC para as quais não tenho qualquer pachorra, ou a xaropada indigente dos intermináveis big brothers e afins na TVI, o que faz com que, há anos, nunca paremos neste canal, ou são debates sobre tudo o que mexe, gente saída sabe-se lá de debaixo que pedra e para cujo peditório não me peçam para dar. Na Dois às vezes há coisas interessantes mas é preciso estar concentrado pois muitas vezes falam línguas que não domino e, portanto, requerem que esteja só a ver televisão para ler as legendas. Ora gosto é de estar com um olho no burro e outro no cigano e, portanto, se não posso, abdico. O meu marido, por ele, vê ténis, o Roland Garros, ou futebol. Eu desando e vou para a minha vida.

Ele, como todo o dia anda ocupado com desbastes, limpezas de terreno, corte de rebentos ladrões, etc., chega à noite e dá-lhe o sono. Portanto, ao fim de um bocado, a televisão fica a falar para o boneco. 

Claro que nessas suas actividades diárias o que não falta são disparates. Gosta do que faz mas não consegue ser cuidadoso, atento. Por exemplo, a última. Num canteiro, havia um arbusto grande, de nome Ivone, que era preciso aparar. Em volta desse arbusto estava a enlear-se uma coisa que não sei como se chama, uma espécie de hera selvagem, que cresce doidamente e que pica. Então, eu tinha-lhe dito que era preciso arrancar essa hera e desbastar um bocado o arbusto. Ouvi-o andar não sei se com a serra eléctrica, se com a roçadora ou o aparador. Não fui ver senão não faço outra coisa senão andar atrás dele. Confiei. 

Fiz mal. Quando vi, fiquei para morrer. Tive que respirar fundo cinquenta vezes. Noutras alturas, quando eu estava na flor da idade, dispararia em direcção a ele, capaz de engoli-lo vivo. Agora, com a sabedoria que a idade madura me está a trazer, prudentemente afasto-me dele. E espero que a fúria me passe. Só quando o vi, tentando mostrar toda a calma do mundo, lhe disse: 'Há algum motivo para teres dado cabo da Ivone?'. Ficou espantado. Ao fim destes anos todos, ainda não aprendeu que a defunta se chamava Ivone. Expliquei, com a calma possível: 'Cortaste, deste cabo, acabaste com a Ivone. O arbusto verde com nuances douradas. Não sobrou nada.'. E apontei para o espaço vazio. Com aquele ar de sonso que tão bem conheço, respondeu: 'Não disseste que era para arrancar?. Mais uma vez tive que fazer cinquenta respirações, e das profundas. 'Arrancar a erva daninha, a hera, não a legítima. Obviamente não era para assassinares a Ivone'. De novo, tentou a abordagem do costume, desvalorizar: 'Volta a nascer'. 

O pior é que não: não volta a nascer, deu cabo dela. 

Mas depois fico a pensar: o mal está feito. Por muito que eu estrebuche ou estabeleça tácticas de vingança, a Ivone não vai ressuscitar. Poderia pensar: 'Enganos destes não podem passar impunes, senão vai continuar a fazê-los'. Mas sei que, de uma maneira ou de outra, vai. Não distingue espécies, gosta é de cortar a eito. Portanto, tenho é que pôr o coração ao alto.

Enfim. É o que é.

Ao fim da tarde, o tempo tinha mudado, estava vento, a tender para o frio. Fui dar uma volta mas tive que voltar a casa para buscar um agasalho. No caminho, atravessou-se à minha frente, a correr, um pequeno bicho, peludo e quase preto. Dorso arqueado. Fiquei parada, de espanto. Não há coelhos ou esquilos pretos. Então o que foi aquilo? Ainda me enfiei pelo meio das pedras e das ervas a ver se via alguma coisa, mas os bichos são espertos e dissimulados. Por isso, não vi nada. Saí foi toda arranhada nas pernas.

Para o jantar, o meu marido comeu lombinho de porco estufado, acompanhado por legumes, mas eu ando cada vez mais a tender para a simplificação em tudo, até nos jantares. Como tinha um resto de iogurte grego, magro, juntei-lhe um bocado de kéfir, um bocado de queijo cottage, um bocado de uma mistura de sementes, umas cinco amêndoas, cinco ameixas secas, quatro ou cinco morangos e meia banana. Misturei. Soube-me lindamente. E fiquei bem.

E agora fico-me por aqui, a noite já vai avançada.

Desejo-vos uma boa terça-feira.