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segunda-feira, janeiro 03, 2022

A difícil vida dos escritores

 

Gostava muito de ver o filme de que abaixo mostro a apresentação. Não sei se vem para Portugal nem sei se ganharei confiança para me enfiar durante hora e tal numa sala fechada a respirar o ar saturado, expirado pelas outras pessoas. Claro que há que acreditar que os sistemas de climatização dos espaços públicos estão configurados e mantidos para não comportarem riscos para a saúde pública, em especial em época de contágios pelas vias respiratórias. Mas, ainda assim, como nas relações um pouco saturadas, acho que prefiro dar um tempo.

No entanto, confesso que, apesar do cheiro e do ruído mandibular associado às pipocas, ainda acho que há uma mística em assistir a filmes no escurinho da sala de cinema. Além disso, como frequentemente ia ver filmes que não atraíam muito público, era bafejada pela sorte de ter salas com pouca gente e, sobretudo, por partilhar o filme com gente silenciosa, respeitadora.

Seja como for, para garantir que o via, a verdade é que gostava que o filme passasse na Netflix ou na HBO. Tromperie|Deception

Gosto bastante da Léa Seidoux, em geral gosto de filmes franceses; e ser baseado numa obra de Philip Roth é um plus que não deve ser negligenciável.

Ao ver a apresentação, ocorreu-me que uma das dificuldades para quem tem uma vida sentimental e sexual muito movimentada e uma escrita confessional deverá ser o risco de reacção de quem se sente retratado e, para os que são casados, o receio de que o/as respectivo/as tentem tirar a limpo se o que é ali retratado tem fundo de verdade.

[Alimento a esperança de ainda vir a ter tempo para me dedicar, de alguma forma, à escrita. Se me puser a escrever memórias, creio que terei alguns episódios interessantes para reportar. Mas tenho para mim que mais do que apontamentos que possam ter algum interesse do ponto de vista da petite histoire associada à história dos dias, teriam graça os episódios anedóticos ou atrevidos. Mas... e se os envolvidos o lêem e não acham graça nenhuma? Perdoar-me-iam que os expusesse daquela forma?

Será mais seguro ficcionar. Mas como ficcionar na íntegra, escrever na base de uma imaginação bacteriologicamente pura, quando a vida é tão rica e supera em densidade, divertimento ou picante a ficção?]

E pode um escritor ficcionar uma história de adultério, descrevendo ao milímetro as aventuras, os cenários e os momentos de amor, sedução ou prazer, descrever os riscos incorridos, descrever as perplexidades, os sustos, descrever a adrenalina, descrever as combinações em segredo... e o cônjuge não desconfiar que aquilo não é ficção coisa nenhuma, que aquilo é confissão pura e dura?

E como reage um escritor quando é confrontado com essas desconfianças? Ou com acusações de deslealdade por parte de quem, em segredo, viveu esses amores encobertos?

Nega? Confessa? Pede desculpa? Ou, no íntimo, está-se nas tintas e quer é viver situações extremas para ter o que contar?

Tromperie | Deception (2021) | Realizado por Arnaud Desplechin
An American novelist living for a time in London converses with his wife, his mistress, and other female characters he may have dreamed up.
Arnaud Desplechin returns with a powerful, haunting story of sex and loyalty, love and deceit. Adapted from Pulitzer Prizewinner Philip Roth’s bold autobiographical novel exploring the world of adulterous intimacy.

E, ao que parece, Léa Seydoux, 36 anos, assina mais uma memorável representação.

Estou danadinha por vê-la a beijar as palavras

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Percebi que começaram os debates para as Legislativas. Não vi. Sei bem em quem vou votar. Não é com trocas de galhardetes em formato de condensado televisivo que vou mudar de opinião. 

Ao fazer zapping vi que começou outro Big Brother, desta vez com a Madame Brega in action, gritando como uma capada. Na sala das anedotas, um bando de gente de aspecto suspeito, incluindo o Bruno de Carvalho. Não conheci ninguém a não ser ele. Pelo aspecto do que vi, parece que sacaram um bando de desocupados nalguma casa de alterne. Curiosamente, parece que chamam a esta edição a dos Famosos. A TVI na sua trajectória descendente, a bater no fundo. 

Quanto aos outros canais não tenho ideia. Estive a ver a Terapia com o Gabriel Byrne (e daqui vai, de novo, o meu obrigada pela dica!). 

Não estamos a começar bem o ano, televisivamente falando.

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Desejo-vos uma boa segunda-feira

quarta-feira, dezembro 08, 2021

Spell on you

 


Já não quero ter pois tenho de sobra para o que preciso. Mas ainda move a minha atenção. Spell on you. A sedução começa no nome. What's in a name

O nome é a chave de tudo. A minha filha não poderia ter outro nome senão o que tem. Cai-lhe bem seja qual for a declinação que se use. O meu filho não poderia ter outro nome senão o que tem. Aliás, se, no caso da minha filha, o nome estava definido desde sempre, o do meu filho começou por ser negado. Eu dizia: qualquer nome menos esse. Era o nome do meu marido, o do primo mais chegado, o do filho do primo, o do tio, o que tinha sido do avô. Tentámos todos os nomes e mais alguns e, em todos, achávamos defeitos. No último dia, rendemo-nos: não podia ser outro senão aquele nome e foi assim que foi registado. É agora também o nome do filho mais velho da minha filha e o do filho mais velho do meu filho. Nas nossas casas, chama-se por esse nome e há vários a responderem. Mas cai-lhes bem esse nome. Não poderia ser outro senão esse.

Quando me apaixonei pelo meu marido sem o conhecer foi sem surpresa que a amiga especial dele da altura me disse como é que ele se chamava. Foi como se obviamente tivesse que ser esse o nome. Como se isso comprovasse a razão de ser da minha paixão. Nunca tinha falado com ele nem nunca o tinha ouvido falar. E, no entanto, estava apaixonada por ele e, no meu íntimo, sabia que o seu nome não poderia ser outro senão esse. Quando ela me falou dele e me disse qual o seu nome, eu tive a certeza que ela estava a falar do desconhecido por quem me tinha apaixonado.

Já o meu primeiro namorado se chamava assim. Estávamos a entrar na adolescência, eu nada sabia da vida, e, no entanto, ele tinha tudo o que eu gostava ou haveria de gostar num homem. Não sabia, então, mas sei agora: tudo o que há a saber sobre uma pessoa está contido no seu nome.

O meu nome. Eu não seria eu se não me chamasse como me chamo. Sou chamada pelo menos em quatro declinações e em qualquer delas me revejo. A minha mãe tinha dúvidas, pôs a hipótese de me chamar Helena. Mas eu não teria tido a vida que tive, seguido as opções que segui, não seria a que sou hoje, não escreveria aqui o que escrevo se me chamasse Helena. Gosto muito do nome mas a mim não me assentaria tão naturalmente quanto o meu me assenta. Eu sou o que sou porque este é o meu nome e porque as pessoas com o meu nome são assim.

Nem todas as pessoas com o mesmo nome serão exactamente iguais. Claro que não. Aí entra a questão do signo. O nome mais o signo definem e calibram com precisão tudo o que há a saber sobre uma pessoa.

Aqui chegados, imagino que muitos dos que me lêem acham que nada disto faz sentido. Mas ainda estamos no início dos tempos. Tudo o que se sabe não é nada comparado com o que há para saber. Se não nos apressarmos a chegar ao fim dos tempos talvez, até lá, consigamos descobrir alguns dos mistérios que hoje nos parecem insondáveis.

Mas, dizia eu, que é o nome. Spell on you. Isso e a descrição, o nome das flores, os sentidos despertos para receberem odores de terras longínquas, as palavras que hipnotizam e seduzem. Transcrevo:

An ode to the iris pallida from Florence, its composition exalts the duality of a precious flower that symbolizes feminine seduction. The iris insinuates its violet notes into a radiant bouquet of rose and Sambac jasmine, then unfurls the force of its powdery notes within the honeyed accents of acacia flower. Evolving from carnal seduction and an intimate impression, Spell on You has a hypnotic, heady aura, like an unforgettable refrain...

Ou, numa perspectiva mais técnica, as notas

Top notes are Green Notes, Violet and Tuscan Iris; middle notes are Rose, Chinese Jasmine and Tuscan Iris; base notes are Peach, Acácia and White Musk.

E depois há a embalagem, a elegância do exterior. As proporções. Os pormenores. 

E há a forma como se apresenta. Se há sensualidade, intimidade, sedução, malícia, segredo, mistério, se há qualquer coisa de inexplícito, se há a possibilidade de ser outra coisa e não aquilo que parece... então eu identifico-me. E tenho vontade de me aproximar, de experimentar. 

Por isso, logo que possa, fá-lo-ei. É inevitável. What's in a name...? E, de resto, para quê mudar...?


Spell On You with Léa Seydoux ||| Louis Vuitton

[ao som de Nina Simone: « I put a spell on you »]


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Fotografias de David Sims na companhia de Fiona Apple que interpreta Why Try To Change Me Now 

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Desejo-vos um dia feliz
Saúde. Sorte. Esperança. afecto.

terça-feira, outubro 19, 2021

Oito filmes razoavelmente eróticos

 



Segunda-feira nunca é um bom dia. É daqueles axiomas que é bom que ninguém ouse questionar. Segunda-feira é o início do que pode vir a ser uma sucessão de dias carregados de chatices. Numa segunda-feira as tréguas do fim de semana ainda estão longínquas. 

[Os Leitores reformados, ao lerem isto, esfregam as mãos de contentes: para eles todos os dias são fim de semana. Bem sei. São uns sortudos. Mas lá chegaremos, nós os pobres coitados que por aqui ainda andamos a trabucar.]

Enquanto não, tenta levar-se o melhor possível embora haja quem não se aguente sem moer a paciência aos outros. Para mim o pior é quando olho para a agenda e penso que tenho ali um buraquinho que virá mesmo a calhar para repousar a minha beleza e, acto contínuo, logo recebo uma chamada a pedir que arranje um bocadinho para uma reunião urgente. E uma pessoa tenta que não mas, às tantas, não tem como não e lá se vai o buraquinho à vida. 

[A língua portuguesa é traiçoeira, também sei]

Agora tenho aqui uma coisa a chamar por mim. Ainda antes de ir para a cama terei que ver e despachar esse assunto. Não me apetece nem um pouco pois estive a trabalhar até há pouco, estou mais do que saturada. Mas, quando o dever me chama, parece que não consigo entregar-me ao desfrute da escrita mesmo se de uma colecção de frioleiras postas em palavras se tratar.  Podia saltar por cima disto, do blog. Pois podia. Mas, enfim, ficar sem escrever também não consigo. Addicted to writing.

E, então, pensei escrever sobre uma coisa que li na Vogue francesa: as cenas mais eróticas do cinema. Fui conferir, curiosa. Como é costume nestas coisas, parece que quem escolhe os melhores livros, os melhores filmes, as melhores cenas faz de propósito para deixar os outros a sentirem-se ignorantes. Dos oito filmes, apenas conheço três. E das cenas que consegui ver, talvez por descontextualizadas, não achei grandes espingardas. Além disso, agora acontece uma coisa que me encanita solenemente: ao seleccionar um vídeo que contenha alguma ceninha mais encaloradita, o Youcoiso pede que comprove que sou adulta. Não estou para isso, era o que me faltava. Portanto, como não estou para fornecer comprovativos, marimbo-me para as ditas cenas. 

A beatice vai alastrando. Claro que há que acautelar que as coisas não sejam vistas por crianças. Mas, caneco, parece que preferia as salas de cinema em que a barragem era feita à porta. Agora aqui...? Não basta a publicidade em cima de tudo senão ainda isto...? Que seca, caraças.

Por isso, com tanto entrave e chachada, desisto das listas alheias. Acontece que, para listas próprias, tenho um problema do escambau: não as tenho anotadas, não as tenho de cabeça e, pior ainda, a cabeça não está formatada para fazê-las.

Posso aqui enunciar algumas cenas ou alguns filmes que tenho a certeza que amanhã me ocorrerão outros, provavelmente mil vezes melhores. E não estou certa de que o algoritmo que é mais lápis azul e beato que fedorentozinho de antanho me deixe abrir o vídeo para conferir. Vou tentar mas, acreditem, não garanto que seja muito para levar a sério. E são oito apenas porque não posso ficar aqui a noite toda a puxar pela cabeça ou a tentar encontrar vídeos que expliquem o critério. 

.  1  .

Lady Chatterly, na versão de Pascale Ferran, com Marina Hands e Jean-Louis Coulloc'h um filme belo demais. Mas, mais do que caliente, é belo, belo demais. As cenas mais eróticas apenas são disponibilizadas a quem provar que é adulto. Portanto, vai o trailer.


.  2  .

Dangerous Liaisons de Stephen Frears com Glenn Close, John Malkovich e Michelle Pfeiffer, um filme sensual da cabeça aos pés, passando pela insolente língua de Malkovich (e isto já para não falar do olhar, da voz, das mãos, do andar dele, o descaradão e perverso do Visconde de Valmont)


.  3  .

The Horse Whisperer de Robert Redford com ele e com Meryl Streep, envolvente demais


.  4  .

Damage de Louis Malle com Juliete Binoche e Jeremy Irons. Tem a chatice de não acabar bem mas, antes de acabar, é bom até dizer chea, a começar e a acabar na voz do Jeremy Irons


.  5  .

The Unbearable Lightness of Being de Philip Kaufman com Daniel Day-Lewis, Juliette Binoche, Lena Olin, um filme para sempre, com cenas inesquecíveis (a Lena Olin ficará para sempre na minha memória com aquele seu chapéu)


.  6  .

Closer de Mike Nichols com Julia Roberts, Jude Law, Clive Owen
[Larry : You like him coming in your face?; Anna : Yes!  Larry : What does it taste like?; Anna : It tastes like you but sweeter!]



.  7  .

La vie d'Adèle de Abdellatif Kechiche com Léa Seydoux e Adèle Exarchopoulos
O azul definitivamente a cor mais quente


. 8  . 

The French Lieutenant's Woman de Karel Reisz com Meryl Streep e Jeremy Irons. 
Intemporal, belo.


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Desejo-vos uma boa terça-feira
Saúde. Alegria. Boa sorte.

sábado, julho 17, 2021

Quando me tiram as palavras da boca

 



Acabámos de trabalhar a horas, concretamente por volta das seis da tarde. Uma coisa tão única que parecia que estávamos a entrar de férias. Cedendo à sugestão da minha filha, desafiei-o para irmos até à praia. 

Fomos.

Muita gente e tanto mais quanto a maré estava quase cheia. Ainda assim caminhámos, depois ele deu um mergulho. Eu, como tinha guardado a máscara no soutien do fato de banho, tive essa desculpa para não mergulhar também. Ainda assim, andei dentro de água a apanhar com as ondas, mas de pé, virando-me de costas quando receava que me cobrissem até ao pescoço e estragassem a máscara. Estava boa a água. Tive pena de não ter ousado. Lá dentro parecia frescota mas, mal saía, pensava que estava boa e voltava a entrar; mas debalde. Deve ser a isto que há quem chame mixed feelings.

Como nos tínhamos esquecido de levar toalha ou whatever, estendi o vestido na areia e sentei-me em cima. Ter-me-ia apetecido deitar e ficar a sentir o sol macio do fim da tarde e a ouvir o mar mas o vestido não dava pano para tanto.

Vi uma jovem que não fazia outra coisa senão fazer selfies com o namorado. Fazia poses, fazia caras, trejeitos, arrebitava-se, dobrava a perna, atirava a cabeça para trás. Chamei a atenção do meu marido, interrogando-me sobre o que levaria o jovem namorado a prestar-se àquela absurda sessão fotográfica. Interiormente, pensei que talvez fosse amor. Mas um amor que assenta em cima do narcisismo de um dos membros do casal é coisa de perna curta, não vai a lado nenhum. A seguir, pensei  que tal como há quem, em namoros, sofra de violência física há, certamente, quem sofra de violência psicológica. Aturar uma pessoa narcisista deve ser do pior que existe. 

Eu acho que não aguentaria, às tantas andaria a atirar sucessivos copos de água por cima da cabeça do narcisista. E se a água normal não fizesse o narcisista pegar na trouxa e desamparar de vez, partiria para copos de água de cozer corvina para os deixar malcheirosos, quiçá até lhe juntasse uma pinguinha de azeite para não ficarem apenas a feder a pexum mas ficarem, também, completamente untuosos.

Adiante.


Contudo, qualquer coisa de inspirador aquela sessão deve ter tido porque me pus à frente do meu namorado e disse: vamos também fazer uma selfie. Ele empinou-se, fez corpo. Deu-me logo vontade de rir. Pedi para se pôr normal para não estragar a fotografia. E, antes que me desse daquelas imparáveis vontades de rir, carreguei no botão. 

E coloquei no grupo da família do whatsapp, dizendo que também sabíamos fazer selfies. 

Como não tinham assistido à macacada que aqueles dois para ali estavam a fazer à beira-mar -- certamente dezenas de selfies, se calhar até faziam vídeos, quiçá para publicar uma story no insta -- não devem ter percebido o porquê da legenda. 

Agora uma coisa é certa: parece que acabou a covid. A malta já não está nem aí. Montes de grupos de jovens, grupos de amigas, grupos de casais, notoriamente mistura de vários agregados familiares. Claro que máscara zero o que não seria grave já que estão ao ar livre. A questão é que estão encostados, deitados ou sentados muito juntos, virados uns para os outros, tudo no maior chill out, desfrutando o belo sunset. Sem qualquer cuidado. Dir-se-ia que não há nem nunca houve covid. Só espero é que a versão delta ou gama ou lambda ou o escambau não seja da qualidade de ficar tinhosamente em suspensão durante o tempo suficiente para ficarem todos infectados, caso algum deles o esteja.

Vim impressionada com o descaso que observei. 

Mas, vá, é tempo de férias pelo que corações ao alto.

Depois, resolvemos ir e eu, que estava com a ideia de que já estava em férias, disse que boa, boa, era se fossemos comprar caracóis. Ele disse que sim. Como ele é alérgico a caracóis, sugeri que comprássemos também gambas para ele, coisa a que eu sou alérgica. Não quis, disse que comia o resto das costeletas. Disse que então não valia a pena ir comprar caracóis, até porque teríamos que fazer um desvio. Insistiu.

Portanto, o meu jantar foi um prato de caracóis. Depois comi um pêssego e uma fatia de queijo. Ou melhor: duas. Melhor: três. Perco-me: uma fatia de pêssego fresquinho com uma fatiazinha de queijo da serra é um petisco de detrás da orelha. A seguir, comi um quadrado de chocolate preto com figo, uma maravilha que a minha filha me ofereceu.

A seguir começámos a ver Gambito de Dama

Yes, Mr. Anónimo do Baldinho, fiz-lhe a vontade. Não estávamos numa de The Crown e, tem razão, Cold Water Man, o Virgin River é capaz de ser uma pepineira (mas acho que ainda vou ter que confirmar, ainda tenho esperança que aconteça ali um twist que vire a mesa e mostre que a chazada do início é só para despistar). Então, The Queen's Gambit. E foram três episódios de seguida. Viciante. Dou-lhe razão.

O meu filho ligou quando estávamos a ver. Tinha sido também uma sua fortíssima recomendação. Perguntou se não estávamos a ver The Crown. Confirmei. Disse-me que o conceito das séries não costuma ser andar a intercalar episódios de séries diferentes mas que, pronto, está bem. 

Já disse ao meu marido que, se calhar, podemos ver estas coisas no computador e levá-lo para o jardim. Não percebeu, diz que na sala a ver na televisão estamos melhor. Expliquei que é para não estarmos fechados em casa, assim teríamos o melhor dos mundos, estaríamos ao ar livre e a ver séries. Isto durante o dia, bem entendido. Acho que não ficou convencido.

Agora foi-se deitar. Diz que amanhã há mais.

E haverá.

Tenho ainda a reportar um outro evento. As minhas orquídeas, que não têm nome nem pensamentos de gente, tinham largado as pétalas. Fiquei na dúvida se estavam a caminho de se finar ou se estavam simplesmente numa de mudar de visual. Mas deixei-as ficar à janela e fui regando. Eis senão quando vejo que estão a rebentar uns little botões e, hoje, que as flores começam a dar as caras. Estou contente. Há coisas que quase parecem milagres. Mas, se calhar, não é milagre, se calhar é normal. A menos que, em vez de cor-de-rosa, me apareçam amarelas. Isso é que era bom, milagre para ninguém botar defeito.

Gostava também de falar de Léa Seydoux, actriz que muito admiro e que, ao que parece, está em quatro filmes em Cannes e que, tendo testado positivo, não poderá esta presente. 

Mas o adiantado da hora faz-me protelar a intenção. Já vão sendo horas de me recolher aos meus aposentos.

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As borboletas são obra de Salvador Dali e sobre a escolha destas imagens para enfeitarem este texto e sobre a escolha do título do post, a Wendy McNeill tirou-me as palavras da boca: Ask Me No Questions

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Bem, para que isto tenha um toque de quelque chose, partilho um vídeo que me diz também quelque chose:


"Ela escreveu o que eu sinto" | Clarice Lispector e Maria Bethânia


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Um belo sábado!

domingo, janeiro 10, 2016

Cada vez mais mulheres americanas declaram a sua bissexualidade (ou sexualidade fluida, como se diz). Só americanas? E isto é tendência recente? --- Olhem que não, olhem que não.



Já aqui há pouco tempo o tema veio à baila, não a propósito do que aqui vou falar, que é de natureza estatística, mas, sim, de natureza psicológica (- ou fisiológica, digamos assim). Na altura, levei quase na brincadeira. Agora, se a coisa mete estatística, mudo de tom e tento aumentar a amostragem.

Um estudo publicado há dias nos Estados Unidos mostra que há três vezes mais mulheres que homens a declararem-se bissexuais. O estudo mostra também que este número cresceu desde a última avaliação, poucos anos antes.

Não é que o número seja elevado (5,5% nas mulheres, 2% nos homens) mas, ainda assim, as proporções e a evolução merecem atenção.

Para além disso, se perguntadas se alguma vez tinham tido um contacto sexual com alguém do mesmo sexo (e isto, de um contacto, pode ser uma coisa esporádica e não uma orientação permanente), também o número de mulheres que responde positivamente é bem maior nas mulheres que nos homens -- 17,4% contra 6,2% -- e é significativo.

Também desde há alguns anos se vem verificando uma tendência crescente na assumpção por parte de figuras públicas da sua condição de bissexuais. Alguns exemplos:

Kristen Stewart e a sua namorada  Alicia Cargile

Depois de viver vários anos com Robert Pattinson,
agora é Alicia que faz vibrar a talentosa Kristen

Angelina Jolie não esconde o caso amoroso que viveu com Jenny Shimizu

Cara Delevingne e St. Vincent
...

Mas, pergunto eu, qual a novidade? E porquê tanto destaque à realidade americana?

Respondo - Nenhuma novidade, desde sempre, em todo o lado.
(Mas às escondidas, claro... O manto do pecado pesava, a clandestinidade impunha-se)

Gravure Galante, XII ou XIII?

La Nymphe Callisto, séduite par Jupiter sous les traits de Diane, François Boucher,  (1759).


Le sommeil de Gustave Courbet, 1866 (também chamado: Les deux amies Paresse et Luxure)


Les deux amies, oil, ca. 1894-5; Henri de Toulouse-Lautrec

Egon Schiele - Two Women, 1915
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E estava tentada a fazer avançar as mulheres malditas do Baudelaire mas o poema é longo, longo e, portanto, por hoje não. Avanço para o cinema.

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Violette (Violette Leduc)


Carol



Adele



Ou seja, a bissexualidade, tal como a homossexualidade ou a heterossexualidade -- ou whatever -- existem, não dá para as escamotear. Mas são matérias do foro íntimo, pessoal, orientações com as quais ninguém tem nada a ver a não ser os próprios. E eu, pela parte que me toca, di-lo-ei vezes sem conta: não é pelo facto de eu ser hetero que alguma vez poderei sentir-me no direito que censurar quem quer que seja por ser diferente de mim tal como não aceitaria ser censurada ou ser condenada por eu ser hetero, uma vez que é coisa que não é voluntária ou controlável.

.....

E estava para vos mostrar como estava belo, belíssimo, o mar nesta tarde bravia de sábado mas, dado o adiantado da hora, limito-me a sugerir-vos que deslizem até ao post seguinte para saberem esta agora do Marcelo a abafar um palmier ao Nóvoa, dando assim início à sua excêntrica Campanha do Coração.
Se ele se apanhasse ao pé de mim neste momento, estava capaz de jurar que me dava razão, haveria de jurar a pés juntos que isto da bissexualidade é que está a dar e que ele próprio, até, enfim... (e sorriria e pigarrearia, todo malicioso, para ver se me ultrapassava, ora não, quiçá até para ver se ultrapassava em fluidez sexual a Angelina Jolie. Menino para isso é ele).
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sexta-feira, novembro 06, 2015

Uma loura, sexy e jovem, outra é morena, sexy e madura - e ele gosta das duas
Ele é Bond. James Bond.


Dantes, já lá vão uns anos, eu não achava graça ao 007. Achava que aqueles filmes eram uma palhaçada meio infantilóide. Provavelmente foi nalguma fase mais fundamentalista minha. Tenho ideia que coincidiu com a fase Roger Moore. Aqueles saltos exagerados, aqueles carros que voavam por cima das coisas,  aquele ar de canastrão convencido, tudo aquilo me parecia uma paródia.

Tenho ideia que só verdadeiramente comecei a achar alguma graça ao Bond com o Daniel Craig. Não sei se foi pela realização, se pela caracterização dos personagens, se pela interpretação dele ou se era eu já com aquela tolerância que vai chegando com a idade.

Agora, por exemplo, estou com vontade de ir ver este novo, o Spectre. Podia esperar que viesse para dvd mas não, apetece-me ver em tela cheia, ouvir a música, ver aquelas cenas transbordantes de energia de toda a ordem.


Também tenho curiosidade de ver estas duas Bond girls que são um bocado atípicas. 


A curvilínea Monica Bellucci, já com 51 anos, vem mostrar que a sensualidade feminina é intemporal e certamente condimentará o ambiente com o seu sotaque italiano. Léa Seydoux, 30 anos, filha de uma família rica, é aquela actriz que, com as suas olheiras, traz em si a alusão à inevitabilidade do pecado. Além disso, a interpretação de Léa em A vida de Adèle foi de tal forma impressiva que dificilmente se vai vê-la em acção sem esperar que nos surpreenda com a sua sensualidade marcante mas algo ambígua.


As mulheres do novo James Bond: Monica Bellucci e Léa Seydoux



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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela sexta-feira.

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sexta-feira, dezembro 05, 2014

Monica Bellucci e Léa Seydoux, as novas Bond Girls no novo 007, SPECTRE. Quem são? Em síntese: uma é morena, italiana e tem 50 anos, outra é loura, francesa e tem 29. Em comum têm o serem hot, hot, hot.


Bond, James Bond, aqui com as suas duas novas Bond Girls -
Daniel Craig, Léa Seydoux e Monica Bellucci


A apresentação do elenco do novo 007 (que se vai chamar Spectre) trouxe surpresas. As novas Bond Girls são de deixar qualquer um de queixo caído. A escultural Monica Bellucci é a verdadeira MILF: é sensual todos os dias mas, ó heresia das heresias, já tem 50 anos (50!); Léa Seydoux é de uma irreverência que desconcerta e que não se julgaria encaixar facilmente num filme do Agente 007 pelo que só pode trazer novidade e, do que se lhe conhece, muito picante.



A apresentação a cargo de Sam Mendes


Elenco completo do novo 007 (realizado por Sam Mendes)

Daniel Craig, Ralph Fiennes, Naomie Harris, Ben Whishaw e Rory Kinnear e os novos Christoph Waltz, Léa Seydoux, Dave Bautista, Monica Bellucci e Andrew Scott. Mendes revelou também o novo Aston Martin, o DB10, criado exclusivamente para o SPECTRE.

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Mas vejamos então quem é Léa Hélène Seydoux-Fornier de Clausonne (nascida a 1 de Julho), a actriz francesa de 29 anos.


Léa Seydoux no Lynn Hirschberg's Screen Tests (W magazine)



E aqui abaixo em actuação como a rapariga de cabelo azul, a lésbica assumida do belo filme La Vie d'Adèle (Blue Is The Warmest Color)



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Quanto a Monica Bellucci creio não serem necessárias apresentações. É italiana, atriz, modelo, nasceu a 30 de Setembro e tem 50 anos e é a sensualidade em forma de gente. 


No vídeo abaixo, que tem poucos meses, responde a questões colocadas por admiradores.




E aqui em acção, no filme Manuale d'amore


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O filme promete e a curiosidade está em saber como é que o pobre do James vai haver-se com uma dupla de tão elevado calibre.

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Permitam que informe: descendo até ao post seguinte, seguirão na senda das mais belas do planeta, os Anjos da Victoria's Secret.

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