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sexta-feira, julho 29, 2016

FMI, uma vez mais, bate com a mão no peito e reconhece que errou na obnóxia receita que aplicou a Portugal.
E eu daqui pergunto aos viris Pafiões que quiseram ir ainda para além do prontuário da troika:
Já está claro que a receita do mata e esfola foi, sob todos os pontos de vista, uma cavalice e uma inútil humilhação para Portugal?
Já está claro que a política seguida durante os humilhantes 4 anos, a mando da troika e dos seus sabujos representantes em Portugal, foi completamente errada?
Já...?
É que, se ainda não, então ouçam as explicações do ex-cheerleader da troika, o impagável mano Costa






No dia em que o omnipresente e caleidoscópico Presidente Marcelo apareceu a espetar alfinetes nos balões da crise que o pafiano Láparo e amigos para aí têm andado a encher (Crise? Qual crise? Se havia, evaporou-se -- riu o tal catavento, escarninhamente), aparece o relatório do multicéfalo FMI a dizer que a receita aplicada aquando do so-called resgate a Portugal parece exercício académico feito por inexperientes totós. Que não resulta, que não atacaram a raiz dos problemas, que, ao exigirem objectivos inantigíveis, humilharam inutilmente os pobres portugueses que não tinham mesmo como alcançá-los -- e por aí fora.



Como tenho um certo lado de menina marota, ao ler isto, só me apeteceu ir pôr-me à frente do intelectualmente pouco dotado láparo ou do ex-irrevogável e de todos quantos andaram a esporear os portugueses -- e gozar com eles mas gozar mesmo, esfregar-lhes na cara o relatório do FMI, obrigá-los a engolir, uma a uma, cada página até as conclusões lhes saírem pelos olhos. Depois pensei que não, pronto, nada de vinganças, coisa mais feia. Devia, isso sim, arranjar uns quantos capangas para conseguir obrigá-los a confessarem, em público, que foram burros, sabujos, e anti-patriotas. Obrigá-los a pedirem desculpas aos portugueses. Isso sim.

Qualquer pessoa que tenha olhos de ver e que conheça minimamente a realidade do país percebe que Portugal tem problemas estruturais sérios e que nenhum deles foi objecto de intervenção por parte do esgazeado governo cujo objectivo foi ir além da troika.

Refiro alguns desses problemas:

Portugal não tem capitalistas. Eu gostava de saber que dinheiro ou que património livre (livre de garantias, penhoras, etc) têm, de facto, os mais ricos de Portugal. Vivem bem, sim, ok, mas dinheiro mesmo seu? Casas em seu nome? Que impostos pagam? Ok, são accionistas de empresas valiosas. Mas... e qual a dívida dessas empresas? Se quiserem investir, têm capitais próprios que não sejam activos já alocados como garantia a financiamento alheio? Pergunto.

O que temos, sobretudo, são empresas endividadas até ao tutano. Daí que, por muito bem que o patriotismo fique na lapela, quando a crise aperta os nossos soi-disant capitalistas vendem ao primeiro que apareça (angolano, chinês, omanita, francês, fundos apócrifos, whatever).

Ora, num país em que nem os capitalistas têm dinheiro, em que a classe média estava endividada a pagar a casa e pobres, mesmo que envergonhados, eram (e são) mais do que muitos só pela cabeça de gente muito burra é que passava a brilhante ideia de que a receita para a crise consistia em secar a pouca liquidez circulante, cortando nos rendimentos e aumentando a eito os impostos.

Depois não temos indústria a sério. Temos um ou outro pólo industrial - coisa sem grande expressão. Parte da pouca indústria foi vendida a estrangeiros cujos centros de decisão estão lá na terra deles. Não ter indústria forte é sinónimo de importação em força e de débeis exportações, ou seja, é sinónimo de uma economia frágil.

Se Portugal precisava (e precisa) muito de alguma coisa é de um forte apoio à reindustrialização. Com a reindustrialização principal vêm as empresas fornecedoras, vem o emprego qualifificado, vem o ensino e a investigação para suporte à diferenciação.

Um apoio intensivo na identificação de oportunidades, de modernização das redes logísticas a começar nos portos, um apoio intensivo aos centros de investigação e desenvolvimento e um apoio forte ao ensino a todos os níveis -- isso, sim, Portugal precisava e precisa como de pão para a boca. Mas a receita da troika passou por aqui...? Passou, passou. Como cão por vinha vindimada.

A agricultura é marginal. Não são as hortas das tias que animam um sector que, em tempos (nos vis anos do reinado do tal das cagarras), foi apoiado para pôr as terras de lado (a chamada política do set aside). 

Temos uma administração pública ainda, em parte, antiquada que consome muitos recursos dando, em alguns sectores, pouco em troca. O programa Simplex foi asininamente parado pelos pafiosos. Não apenas não fizeram qualquer reforma como, estupidamente, pararam o que estava em curso. Felizmente a Maria Manuel Leitão is back e com ela as reformas são de fundo e a sério.

Portugal tem ainda um outro problema grave (e só porque estou a escrever depois da meia-noite, deitada num sofá e mais para lá do que para cá é que coloco um problema desta natureza a meio do texto, quando deveria ser um dos primeiros): a definhante demografia.

São necessários apoios sérios e integrados de apoio à natalidade. É indispensável que os portugueses sintam confiança no futuro e sintam que serão apoiados na criação dos seus filhos. Os troikanos e seus discípulos perceberam isto e actuaram...? Então não...? Fizeram foi tudo ao contrário.

A dívida é imensa e impossível de pagar? Ah pois é. Tem que ser renegociada, os prazos dilatados. E tem que ser percebido que a dívida é uma consequência, não um objectivo primário.

Se for encarado como um objectivo primário como o foi por parte do FMI, congéneres da troika e membros do trágico governo PSD/CDS, acontece o que aconteceu em Portugal: se for necessário, correm-se com os portugueses de Portugal, corta-se a reforma aos mais velhos, atira-se com milhares de empresas para a falência e com centenas de milhares de portugueses para o desemprego para chegar ao fim de cada ano e verificar que a dívida tinha aumentado e que o país estava cada vez mais arrasado.
Broncos do caraças. Quando penso nisto, sinto cá uma raiva.
Quando se ouve a cambada a lamentar que o actual governo reverta as reformas estruturais, só me pergunto: mas referem-se a quê?

Que me lembre a única reforma que conseguiram levar por diante foi a laboral. Leia-se: foi precarizarem o trabalho. Como se algum empresário ou gestor que se preze, daqueles que trazem desenvolvimento ao país, gostasse de vulnerabilizar a segurança dos trabalhadores e, apesar de não ter dinheiro, fosse investir só pelo gozo de poder explorar à vontade os trabalhadores.

O que esta cambada pafiana conseguiu foi que se banalizassem os ordenados de 500 euros e a precaridade de tanta e tanta gente que trabalha para empresas que são subcontratadas por outras que, por sua vez, são subcontratadas de outras. O que conseguiram foi ferir a dignidade de quem dá o melhor de si para chegar ao fim do mês e receber trocos que mal chegam para o mês inteiro. É assim que se projecta o futuro de um país!?

Cambada.

Outra coisa que me dá uma raiva do caraças é o desplante de uns caras-de-pau militantes. Então, não é que acabo de ver o Ricardo Costa, na SIC, todo videirinho, a falar do mea culpa do FMI e falando como se os erros fossem óbvios e como se  ele próprio não tivesse feito outra coisa nos 4 anos da dupla Láparo&Irrevogável do que denunciar os clamorosos erros...? Que topete. Se houve opinadores que tivessem andado aos balcões da televisão a pregar a favor da receita troikiana e, com ar douto, a explicar que ou aquilo ou o dilúvio, foi ele e todos os que, tal como ele, andam pela trela.

Muito do que é a microcefalia ou, mesmo, a acefalia de parte da população portuguesa  se deve ao excesso de lavagens cerebrais que toda a espécie de apaniguados e papagaios avençados fazem a toda a hora na comunicação social.

Teria ficado bem ao mano Costa olhar de frente os espectadores e reconhecer que se enganou quando defendeu o FMI, a troika e o Governo de Passos Coelho. Em vez de se pôr, como esta noite, a lavar a imagem dessa trupe, dizendo que era a primeira vez e que, pronto, não se conhecia bem como funcionavam aqueles mecanismos, deveria ter dito que ele próprio tinha acreditado acefalamente, não dando ouvidos aos piegas que alertaram que a coisa não ia correr bem. Ricardo Costa devia ter pedido desculpa por ter induzido os portugueses em erro ao fazê-los acreditar que estavam a ser sugados e tratados como indefesas cobaias mas que era para seu bem já que, no fim, viriam radiosas e cantantes amanhãs.


Mas não o fez. Uma vez mais falou como se os portugueses fossem estúpidos.

Os amigos da TINA

E eu, quanto a isso, o que tenho a dizer é que Ricardo Costa e os que o secundam ainda acabam por levar à falência os órgãos de comunicação social por onde deixam essa sua sonsa matreirice.
É que já não há paciência para tanta chico-espertice. Não há paciência! Uma pessoa não tem outro remédio senão fugir sempre que os vê.

Para acabar, que isto já vai para além de longo, uma palavrinha relativa ao cherne: boa malha a da Goldman Sachs ao terem a soldo um acéfalo que se enganou tão redondamente em tudo em que se meteu. 


Porque não nos esqueçamos: nisto das medidas da troika, ao lado da galinha bronzeada do FMI, que dá pelo nome de Lagarde, esteve sempre, inútil e esponjiforme, o cherne Durão. 


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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela sexta-feira.
Dias felizes para todos.

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quarta-feira, setembro 09, 2015

Alô, alô, António Costa! No debate com o Passos Coelho, por delicadeza, vai deixar-se morrer...? Que raio de estratégia vem a ser essa de andar com água de malvas a lavar o rabinho aos PàFs? Porque é que o PS tem estado a agir como se fosse um partido de maria-amélias? Ó António Costa, a ver se, no debate televisivo com o Passos Coelho, se deixa de mas-mas e avança à leão sobre o láparo, ouviu? Argumentos e razões para dar uma tareia das valentes nesse sem-vergonha não faltam, ouviu?!




Confessei no post que acabei de escrever e que podem ver já a seguir, que praticamente não tenho visto televisão. Nem putos-charilas-mendes, nem cata-ventos-marcelos, nem espertos-a-metro, nem papagaios-comentadores, nada. Tenho andado numa onda zen, paz e amor, beleza all over, perfumes do mar, perfumes do campo, afectos, descansos do corpo e da alma.




Se abro os jornais online, rapidamente os fecho. O que me interessa não passa pelos jornais nacionais. Há na generalidade da nossa imprensa um imediatismo leviano, fútil, uma efemeridade levada ao extremo em que questões de fundo rapidamente saem de agenda ou se misturam com banalidades e infâmias.

Também ando sem disponibilidade mental para fazer pesquisas ou procurar os grandes jornais de referência. A minha cabeça parece que entrou em modo de funcionamento suave. Depois de umas semanas de ansiedade misturadas com um excesso de solicitações de toda a espécie, parece que o meu corpo me diz que é tempo de tranquilidade e não de agitação ou irritação.

Mas, apesar disso, não posso passar ao lado do período crucial que atravessamos.

Há bocado, eu deitada no sofá, as pernas sobre as pernas do meu marido que se sentava na outra ponta, descansava. Nem lia, nem nada, para ali estava, nem acordada nem a dormir. A televisão estava no telejornal da SIC mas nem eu nem ele lhe prestávamos grande atenção, conversávamos ao de leve, vendo a noite que já tinha caído, os dias mais pequenos, o silêncio que nos envolve e que a televisão, com o som baixo, não perturba.



Mas então reparámos numa reportagem: falava nos últimos anos, nos anos de governação Passos Coelho/Paulo Portas. Creio que o repórter era Pedro Coelho. 


E o que vos digo é que a verdade nua e crua esteve ali, desfilando à frente dos nossos olhos, a miséria escondida, a miséria generalizada, gente sem emprego, sem subsídios ou com subsídios miseráveis, gente que subsiste nem se percebe como, gente que vive de ajudas da Igreja, da Caritas, de familiares, gente no limiar da indigência, gente com rendas de casa em atraso, que a custo contem as lágrimas, gente que mantém a cabeça erguida sabe-se lá como, e gente que emigrou, que teve que procurar lá fora o respeito pelo seu trabalho, deixando para trás a família e o investimento feito pelo país, gente que espera horas e horas em filas na rua para conseguir fazer exames médicos, gente que recebe ultrajantes ninharias e daí tem que tirar dinheiro para se tratar, para comer, para pagar a casa, professores sem colocação, o ensino especial que foi cortado, o ensino de adultos que foi cortado. Sei lá que mais. Um desfile de desgraças, de má governação, de vergonhas, de crimes. Que grande reportagem.




Interrogo-me porque é que o PS não faz meia dúzia de vídeos (e os coloca no youtube) com entrevistas deste género, com as estatísticas que demonstram a devastação que esta cambada tem levado a cabo no nosso país, com pessoas como os da Caritas ou de paróquias carenciadas e não ouve o que dizem da austeridade para além da troika, da austeridade a eito, na miséria que isto provocou nas famílias, em comunidades inteiras. E para nada - para nada!
Porque a dívida aumentou, porque a Reforma de Estado não foi feita, porque a economia está exangue, porque o compadrio anda à solta, porque o país foi e está a ser vendido a preços de saldo, sem cuidados, sem concursos, sem nada. 
E, não menos importante, falar da destruição devastadora no ensino, na investigação, na cultura - porque um país que desinveste do conhecimento e da cultura é um país a soldo, sem brio, pronto para ser tomado de assalto por quem quiser.

Fez mais esta grande reportagem da SIC (e em horário nobre, num canal generalista) pela denúncia da desgraça absoluta que tem sido a governação Passos Coelho/Paulo Portas que o tacticismo cauteloso de António Costa em todos estes meses.




Podem os consultores de imagem que o rodeiam achar que isto se resolve ao centro - e é provável que sim - mas tão cautelosos e atados têm sido que a enorme massa de indecisos não se mexe, ou melhor, engrossa. Do que se vê nas sondagens, há um grupo imenso de pessoas que, não se revendo na porcaria levada a cabo pelos PàFs, não tem encontrado em António Costa a expressão forte de uma alternativa.

É para essa gente que António Costa tem que falar: tem que ser convincente, tem que denunciar esse incompetente que dá pelo nome de Passos Coelho e que, nos últimos 4 anos, tem mostrado à saciedade o incompetente que é, o inimigo de Portugal e dos Portugueses que tem sido. António Costa tem que acusar Passos Coelho das mentiras com que tem enganado os portugueses, das infâmias que tem cometido, tem que o acusar de todos os crimes que tem cometido. E tem que mostrar que o PS é uma alternativa viável, fiável e que ele, António Costa, será um bom Primeiro-Ministro. Não precisa de pôr de parte o seu bom humor, mas não se mostre displicente. Seja acutilante, incisivo, não dê tréguas, mostre que tem punch - mas não perca a tramontana, mostre que convive bem com situações de stress


E, caraças!, Caro António Costa, não tenha medo de falar de Sócrates. Não tenha medo de defender o que de bom Sócrates fez nos seus governos, em especial no primeiro -- em que não tinha os cães com pulgas a engendrarem maneiras de irem a correr ao pote nem, sobretudo, uma tremenda crise internacional em cima. Não tenha medo. E, se tiver que se demarcar do período em que Sócrates, lutando como um leão para defender o país, se lançou numa corrida quiçá insensata, pois que se demarque. Abertamente, sem meias palavras, sem fugir ao assunto.


Os eleitores gostam de gente que olha a direito, que marra de frente, que não foge das chocas.

E, Caro António Costa, não se esqueça que o povo não gosta de mentirosos: prove que Passos Coelho é um dos piores (mentiu aos eleitores que o elegeram, traíu os interesses do país empobrecendo os portugueses, fazendo regredir a riqueza do país quase uma década, vendendo empresas estratégicas, etc, etc - e, depois, o descarado, ainda vem gabar-se do contrário, julgando que os portugueses são parvos). Atire-lhe isso à cara, António Costa, não o poupe.

Enfim. Tanto que há a dizer desta tropa fandanga, do láparo e do artista-mor, esse troca-tintas vice-irrevogável, que a dificuldade estará em conseguir ser afirmativo e explícito em relação a todos estes pontos.

E, portanto, esta quarta-feira lá abandonarei o meu estado zen e lá estarei a ver o debate -- e só espero que António Costa não desperdice esta oportunidade de ouro. Vou ficar a fazer figas.



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E agora, contra os PàFs, coloco aqui três vídeos que já são bem conhecidos mas nada como divulgá-los o mais possível para que ninguém se esqueça de correr com esta gente, não votando neles nas próximas eleições legislativas. Já chega! Já destruíram o país e a vida dos portugueses para além da conta. Nem pensar em gramar com eles por mais 4 anos -  mas é que nem pensar!

Passos Coelho: mentiras, mentiras, mentiras


Votaram ao engano 2,159,742 portugueses. 4 anos depois, Portugal não pode mais.




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Sessões de stand-up em redacções de jornais #PortugalPodeMais



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Paulo Portas: as 7 vidas de um camaleão político


Pequena biografia de um artista de variedades





Obtive os vídeos no canal do Luís Vargas

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E, pronto, já desabafei e já disse de minha justiça.

Se vos apetecer passear comigo in heaven (onde fiz também as fotografias que escolhi para 'enfeitar' este post) ou pela praia, desçam, por favor, até aos posts seguintes: o ambiente é outro, é de paz.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela quarta-feira.

E daqui envio uma forcinha especial ao António Costa: levante-se e atire o láparo ao tapete, pleeeeaaaaseeeee....

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segunda-feira, maio 12, 2014

Um país a ferro e fogo para que os bancos estrangeiros (especialmente os alemães) pudessem sacar de cá, à pressa, o dinheiro que tinham emprestado. E, no fim disto tudo, o país muito pior do que estava antes. A trapaça que tem sido a base da governação de Passos e Portas é explicada por Philippe Legrain que foi conselheiro económico independente de Durão Barroso. A não perder a sua entrevista ao Público.


Reportando-me ao período negro que se seguiu à grave crise financeira internacional, Portugal começou por ser vítima da chantagem de Marco António Costa sobre Passos Coelho (ou o País vai para eleições ou é o PSD que vai para eleições).

Depois foi vítima da aliança mais espúria de que há memória: refiro-me a quando o PSD, o CDS, o PCP e o BE se uniram para chumbar o programa de ajustamento (aprovado pela Comissão Europeia e pelo Banco Central Europeu), sabendo que daí adviria a queda do Governo PS e que, havendo eleições, iria para o poder a dupla PSD+CDS, dois partidos chefiados por pessoas nada credíveis, nada sérias, incompetentes e impreparadas.

Miopia política, sectarismo, o pequeno espírito tuga no seu pior: defendendo o clube e marimbando-se para o País. Assim Portugal se vai ciclicamente enterrando.

Depois tem sido o que se tem visto. Sobre um monte de mentiras, Portas e Passos formaram um governo de uma indigência assustadora, quer a nível político, quer a nível de competência, quer a nível de visão estratégica - a todos os níveis. 

Gente como Passos Coelho e Paulo Portas são do melhor que há para empresários experientes, para especuladores, para investidores habituados a negociações complexas.

Depenam-se patos enquanto o diabo esfrega os olhos. 


Gente deslumbrada, com uns rudimentos de liberalismo na cabeça (rudimentos muito rudimentares, que os cábulas nunca aprendem verdadeiramente coisa nenhuma), gente sem carácter, é do melhor que há para quem quer entrar num País sem sentir resistência e sacar de cá rapidamente o 'seu' (dinheiro que, antes, cá tinham metido para conseguirem que tivéssemos dinheiro para lhes comprarmos o que nos foram impingindo, os seus excedentes, o que lhes proporcionou - e proporciona - o equilíbrio das suas contas).

Sem perceberem pitada do que se passou, sem perceberem pitada das 'soluções' engendradas pela troika, e todos contentes por serem primeiros-ministros, vice-primeiros-ministros e ministros e por poderem fazer as asneiradas que tinham naquelas cabeças de alho chocho, com o campo livre para poderem exercer aquele poder rasteiro e malévolo em que os medíocres são exímios, Passos, Gaspar, Moedas, Portas, foram avançando, sem rumo, sem coerência, sem consistência, apenas destruindo tudo à sua passagem.

E digo isto desta maneira, como se destruir tudo à passagem, fosse coisa pouca, porque, cada vez mais, acho que há nesta gente maldade, insensibilidade, instintos vingativos (os medíocres gostam de se vingar de tudo e de todos), mas acho que há sobretudo ignorância, nem medem as consequências das asneiras que fazem e isso é tanto mais perigoso quanto, como seres medíocres que são, não assumem os erros, tapam-nos com outros erros, e tudo na maior insensibilidade.


Rosa, uma mulher debilitada, com cancro, 

teve alta do Hospital Joaquim Urbano, no Porto,
mesmo sem ter uma casa para onde ir.
Passou uma tarde nas escadas de uma igreja, 

onde não viu o céu, até a Segurança Social lhe arranjar um quarto. 

O inferno em que vive está agora escondido numa pensão.


(notícia do Público)

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Que haja centenas de milhares de pessoas que não recebem um tostão para sobreviver, centenas de milhares de pessoas que deixaram de poder pagar a electricidade, tanta gente que perdeu as casas, tanta gente que está com os ordenados penhorados e, talvez tão grave quanto isso, tantos milhares que tiveram que emigrar, sobretudo jovens qualificados, isso para eles não existe.

Ou melhor, existe: existe como aspecto a ter em atenção em discursos ou acções de campanha em que dirão que estão a tomar estas medidas porque era indispensável e porque é dos escombros que vão fazer renascer os amanhãs que cantam e que, por eles, também não quereriam ter desempregados, emigrantes, etc, e que estão a fazer tudo a bem dos mais desfavorecidos. Bla-bla-bla. Música. Patranhas como tudo o que sai daquelas bocas.

Naquelas bocas infectas, não há pudor.

Onde falta a honra, falta tudo.


Com patos como estes, qualquer outro incompetente (por mais frouxo que seja, como Olli Rehn) ou qualquer outro banana (como o cherne de má memória) faz voz grossa.

Com gente destas, os de cá e os da UE, qualquer empresário experiente, qualquer banqueiro, até qualquer chico-esperto, faz o que quer. Com uma perna às costas.

Gentinha medíocre destas apanha-se à mão.

Depois mete-se no bolso.

Sem espinhas.

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Vem isto a propósito da entrevista ao Público de Philippe Legrain que foi conselheiro económico independente de Durão Barroso, entrevista que deverá ser lida com muita atenção: Ajudas a Portugal e Grécia foram resgates aos bancos alemães


Transcrevo alguns excertos porque revejo-me no que leio (e quem aqui me costuma acompanhar sabe bem que esta é a minha linha de pensamento) e faço questão de aqui ficar com este registo.

:

É preciso lembrar que na altura havia três franceses na liderança do Banco Central Europeu (BCE) – Jean-Claude Trichet – do FMI – Dominique Strauss-Kahn – e de França – Nicolas Sarkozy. Estes três franceses quiseram limitar as perdas dos bancos franceses. E Angela Merkel, que estava inicialmente muito relutante em quebrar a regra do “no bailout”, acabou por se deixar convencer por causa do lobby dos bancos alemães e da persuasão dos três franceses. Foi isto que provocou a crise do euro.

Já é mau demais ter-se um patrão imperial porque não tem base democrática, mas é pior ainda quando este patrão lhe impõe o caminho errado. Isso tornou-se claro quando em vez de enfrentarem os problemas do sector bancário, a Europa entrou numa corrida à austeridade colectiva que provocou recessões desnecessariamente longas e tão severas que agravaram a situação das finanças públicas. Foi claramente o que aconteceu em Portugal. As pessoas elogiam muito o sucesso do programa português, mas basta olhar para as previsões iniciais para a dívida pública e ver a situação da dívida agora para se perceber que não é, de modo algum, um programa bem sucedido. Portugal está mais endividado que antes por causa do programa, e a dívida privada não caiu. Portugal está mesmo em pior estado do que estava no início do programa.

Maria Luís Albuquerque - grande perita em swaps
Carlos Moedas - ex-Goldman Sachs
Vítor Gaspar - actualmente no FMI
(...) os Governos puseram os interesses dos bancos à frente dos interesses dos cidadãos. Por várias razões. Em alguns casos, porque os Governos identificam os bancos como campeões nacionais bons para os países. Em outros casos tem a ver com ligações financeiras. Muitos políticos seniores ou trabalharam para bancos antes, ou esperam trabalhar para bancos depois. 

Há uma relação quase corrupta entre bancos e políticos. 


No meu livro defendo que quando uma pessoa tem a tutela de uma instituição, não pode ser autorizada a trabalhar para ela depois.



Houve orientação política, só que vinha da Alemanha. E a Alemanha aconselhou mal, em parte por causa da forma particular como os alemães olham para a economia, por causa da ideologia conservadora, e porque agiu no seu próprio interesse egoísta de credor em vez de no interesse europeu alargado. A UE sempre funcionou com a Alemanha integrada nas instituições europeias, mas aqui, a Alemanha tentou redesenhar a Europa no seu próprio interesse. É por isso que temos uma Alemanha quase-hegemónica, o que é muito destrutivo.



(...) Mas a recessão foi desnecessariamente longa e profunda e, em resultado dos erros cometidos, a dívida pública é muito mais alta do que teria sido. A austeridade foi completamente contraproducente, as pessoas sofreram horrores e isso prejudicou imenso a economia.

Só que a culpa não é dos ‘mal-comportados’ portugueses ou gregos, a culpa é de Angela Merkel que aceitou resgatar os bancos alemães com os empréstimos a Portugal e Grécia. 

Não é verdade que os aumentos salariais no sul da Europa foram excessivos nos anos pré-crise. Em termos de peso no PIB, os salários até caíram. 

Por isso não é verdade que esta foi a causa da crise, não é verdade que os salários precisavam de ser reduzidos. Só que esmagar salários provoca o colapso do consumo, agrava a recessão e agrava o peso da dívida, porque se os salários baixam, é mais difícil pagá-la. 


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'Deutschland, Deutschland über alles', deveria ser o hino da coligação PSD/CDS se eles percebessem alguma coisa do que se passou  - mas não percebem.

Vão cair sem perceber o que se passou. Vão escrever, para uso próprio a sua pequena história, onde inventarão peripécias, pequenos feitos, gabarolices pacóvias.


Vão escrever, disse eu? Disse mal. Não têm arte para isso. Provavelmente, uma vez mais, a Felícia Cabrita, amiga do figurão (e com a experiência que já tem a escrever sobre patifes ou aldrabões), aceitará o convite para reescrever a história deste período negro da história portuguesa. 

Henrique Raposo aplaudirá, enrolando as palavras em historietas pseudo-neo-realistas de subúrbio, Maria João Avillez nessa altura já se deverá ter demarcado, tal como Marcelo Rebelo de Sousa (entre as suas rábulas de revista à portuguesa em que se põe a fazer humor ridículo a propósito do Seguro) se demarca à força toda, e tal como Marques Mendes, e tal como toda essa gente que antes apoiava o láparo e que agora bate em retirada.

José Gomes Ferreira será o idiota útil para, com a sua falta de conhecimentos, misturar alhos com bugalhos e, com ar muito afirmativo, confirmará que os números, quando torturados, dizem qualquer coisa. E muita gente concordará com ele porque os populistas dizem coisas dadas ao consenso.

Ricardo Costa e Henrique Monteiro dirão que sempre disseram.

Cavaco Silva dirá que, num dos seus Roteiros, deu a entender que.


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  • A segunda imagem provém do blogue We Have Kaos in the Garden. Das restantes desconheço a sua proveniência original com excepção da fotografia da mulher deitada na rua cuja origem é referida da legenda.
  • A entrevista na íntegra pode ser lida aqui.

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Para acabar este post que já bem longo vai, permitam-me que volte a colocar aqui uma canção de que gosto bastante. 

Aquilo que eu não fiz - Tiago Bettencourt




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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa semana a começar já por esta segunda-feira.


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sexta-feira, março 14, 2014

Parem tudo! Atenção! Ouçam Tiago Bettencourt a cantar 'Aquilo que eu não fiz'. Decoremos a letra, façamos eco, gritemos, cantemos. Juntemo-nos. Sejamos solidários, fraternais. Fortes. [A propósito de fraternidade até vou mostrar a incrível amizade e emoção de dois elefantes, Jenny e Shirley, que não se viram durante 22 anos. Uma coisa muito comovente. (O Tiago que me perdoe eu trazer esta história aqui para dentro da sua canção)]


No post abaixo falo de Manuela Ferreira Leite, brava, bravíssima na TVI 24 contra Passos Coelho que, sem saber do que fala (ou sabendo bem demais?), mostra desprezo e falta de respeito por quem assinou o Manifesto dos 70. Falo ainda de Viriato Soromenho Marques, outro dos bravos do pelotão, que defende Portugal com unhas e dentes. E falo de uns insignificantes caniches que não sabem o que dizem. Mas a carruagem passa.

A seguir a esse post, entro na Casa Chanel pela mão do genial Karl Lagerfeld com Geraldine Chaplin quase assustadoramente parecida com Miss Coco.

Mas isso é lá mais abaixo, a seguir. Aqui, agora, a conversa é outra.

*


Música, por favor: Aquilo que eu não fiz



Ia eu de manhã a chegar ao trabalho quando recebo um sms da minha filha a dizer: tens que ouvir a última do Tiago Bettencourt, 'aquilo que eu não fiz'


Ia no carro, consigo ler os sms no painel do carro mas não escrever (claro). Quando cheguei, respondi-lhe de volta: Mas porquê?

Não facilitou. Limitou-se a enviar-me novo sms: Ouve

Não ouvi na altura mas agora, com vagar, fui à procura - e percebi.

Talvez assim os jovens acordem, através de uma canção.

Tem razão o Tiago como temos quase todos: não fomos nós que gastámos mais do que devíamos levando o País ao estado em que se encontra.

Não, não fomos.

Foram os Jardim Gonçalves, os Oliveira e Costa, os João Rendeiro e outros que tais que, através de gestão danosa, impingiram crédito a rodos ganhando com isso, venderam ilusões e alimentaram vaidades próprias e alheias, foram os Berardos e vários outros como ele que se endividaram em milhões para se tornarem accionistas de empresas, dando como garantia acções das empresas que compraram, as quais, ao desvalorizarem-se, deixaram os bancos com dívidas e garantias nenhumas, foram sobretudo os Goldman Sachs ou os Citi ou outros que venderam riscos a preço de ouro.

Foram esses. Em Portugal e por todo o lado. São esses. Sempre os mesmos.

Não é por um pobre Zé-Ninguém comprar uma casa que não conseguiu comprar e que teve que entregar ao banco mantendo a dívida que o País está na situação que está.

Está assim porque o País foi exposto aos abutres e não houve ninguém que o ajudasse. O suposto escudo anti-abutre não existiu. Apenas Mario Dragui actuou mas já tarde demais, numa altura em que Portugal já estava entregue aos abutres e seus dilectos aprendizes (Passos, Gaspar, Portas, Moedas, o finado Borges, etc - mais os papagaios que gostam de se armar em crias de abutres como o José Gomes Ferreira, o João Vieira Pereira, o Henrique Monteiro, o Henrique Raposo, o Marques Mendes e outras figurinhas tristes que por aí andam a pipilar de galho em galho)


Fui à procura de uma fotografia para ilustrar este texto e descobri este apelo do Tiago. Aqui o deixo, desejando-lhe eu que seja muito bem sucedido. Tomara que consiga mobilizar muita gente, especialmente os jovens que tão desinteressados andam de tudo o que se está a passar.




Aqui está a letra para ajudar a fazer coro:

Eu não quero pagar por aquilo que eu não fiz
não me fazem ver que a luta é pelo meu país.
Eu não quero pagar depois de tudo o que dei
não me fazem ver que fui eu que errei 
não fui eu que gastei
mais do que era para mim
não fui eu que tirei,
não fui que comi
não fui eu que comprei,
não fui eu que escondi
quando estavam a olhar
não fui eu que fugi
não é essa a razão
prame quererem moldar
porque eu não me escolhi
para a fila do pão
este barco afundou
quando alguém aqui chegou
não fui eu que não vi 
(Refrão)
talvez do que não sei
talvez do que não vi
foi de mão para mão
mas não passou por mim
e perdeu-se a razão
tudo o bom se feriu
foi mesquinha a canção
de esse amor a fingir
não me falem do fim
se o caminho é mentir
se quiseram entrar
não souberam sair
não fui eu quem falhou
não fui eu quem cegou
já não sabem sair 
(Refrão)
meu sono é de armas e mar
minha força é navegar
meu norte em contraluz
meu fado é vento que leva
e conduz
e conduz
e conduz
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Parabéns ao Tiago e daqui lhe desejo boa sorte. Tomara que venda este seu novo CD como paezinhos quentes, tomara que toda a gente o cante, tomara que se torne um hino.


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E agora, embora não venha muito a propósito, mas apenas porque o vi e me apetece partilhá-lo convosco e porque, pensando bem, temos que ser fortes, amigos, unidos, solidários, como o são os animais, aqui vos deixo o filme que me emocionou: dois elefantes antigos conhecidos que se perdem de vista e, surpreendentemente, se reconhecem 22 anos depois. A alegria, o afecto deles é uma coisa surpreendente. Como eles demonstram o carinho e a alegria por poderem estar próximos, que emoção tão genuína. Os animais emocionam-me. São tão inteligentes, tão boa gente. E a amizade verdadeira de pessoas por animais também me emociona. Sei o que isso é, sei muito bem, sei as saudades imensas que se podem sentir por um animal (mesmo muito tempo depois de ele ter partido).


Dois elefantes que não se viam há 22 anos reencontraram-se num santuário para animais em Hohenwald nos EUA e provaram que a memória de elefante existe mesmo.


Jenny e Shirley trabalharam juntas num circo no final da década de 80. Depois foram enviadas para jardins zoológicos distintos, mas não se esqueceram da existência uma da outra.


O encontro aconteceu, 22 anos depois, e segundo o diretor do santuário, Carol Buckley, foi «dramático».

«Nunca vi nada com esta profundidade de emoção», comentou Buckley. Os animais entrelaçaram as trombas e começaram a passear juntos entre brincadeiras.

Quando se conheceram, Jenny era ainda uma cria e Shirley tinha cerca de 20 anos.





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Relembro: por aí abaixo há mais dois posts de hoje. São díspares entre si mas eu também sou díspar dentro de mim. Se eu fosse uma expressão numérica seria um conjunto de números primos, movidos a música e dizendo poesia. Na volta sou uma extra-terrestre, olha que bom.


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Bem, vou-me deitar que já não estou a dizer coisa com coisa.

Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo POET's day, isto é uma boa sexta feira.