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domingo, setembro 17, 2017

Plúvio desvendou a assinatura de Fernando Medina e eu, inexperiente grafóloga amadora, vou fazer de conta que não vi tão apetitoso pitéu


Aprendi com o meu saudoso Mestre que não se fazem análises grafológicas à pressa, descontextualizadas, olhando só para um aspecto e não observando os elementos no seu contexto. A assinatura deve ser vista em confronto com a escrita em geral, em papel sem linhas, percebendo a localização, a inclinação, o tamanho face ao tamanho da letra no texto que se assina e, de preferência, não analisando uma única ocorrência.

Portanto, apesar de ser pitéu, pitéu -- e, confesso, apesar de me ter surpreendido -- não vou ceder à tentação. Facilitismos, reacções imediatas, descontextualizações podem ser rasteiras numa análise ponderada. 

Portanto, vou fazer de contas que não vi a assinatura de Fernando Medina que Plúvio -- castigador inveterado que não perde oportunidade de soltar o chicote sobre o lombo de quem se põe a jeito -- nos mostrou, comprovando que o seu arquivo deve concorrer em variedade e dimensão com o do Tombo.

Agora uma coisa é certa: ele há coisas.

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sexta-feira, julho 11, 2014

Numa noite de verão, o discurso de José Manuel dos Santos chegou com a chuva trazendo a evocação de Sophia


Já aqui referi que o discurso completo de José Manuel dos Santos aquando da ida de Sophia para o Panteão em boa hora foi publicado no blogue Chove. Mas como coloquei a referência já esse post estava lá para baixo, fiquei moída com isso: e se ninguém dá por ele...? 


E, por isso, para que mais pessoas o possam ver, aqui fica a referência em post autónomo.

O discurso é uma maravilha e os links que o Plúvio, Autor do Chove, lá incluiu são muito oportunos e, sobretudo, bem pensados. Só me apetece pegar nele e copiá-lo aqui para dentro do Um Jeito Manso, guardá-lo bem guardado para não o perder. Mas contenho-me e copio apenas um bocadinho, pedindo-vos que vão até lá e o degustem com vagar.


(...)
Minhas senhoras e meus senhores,
Sophia contou assim:  Em 25 de Abril de 1974, às quatro e meia da manhã, um amigo telefonou-me dizendo que abríssemos o rádio, pois havia uma revolução. O quarto em que ouvíamos o rádio tinha uma porta de vidro que dava para o jardim e à medida que víamos a revolução avançar, e construir-se, víamos crescer a claridade do dia e sentíamo-nos emergir das trevas e do opaco. Foi para nós  mais do que uma revolução; foi uma ressurreição. Era Páscoa, vi um povo inteiro habitar a transparência, vi multidões dançar de liberdade. Às vezes, olhávamo-nos uns aos outros e perguntávamos uns aos outros "Será que estamos a sonhar?" E um amigo disse "Mesmo que esta revolução falhe, mesmo que tudo acabe em desastre, nós vivemos isto". Pois o 25 de Abril era para nós mais do que uma libertação política; era a libertação da vida, a renovação do mundo. Por isso escrevi
"Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo."
Há nestas palavras a veemência de um começo, a vontade de um recomeço. Sophia, a Antígona portuguesa, cita a Antígona grega fazendo dessa citação um selo com o mundo: "Eu sou aquela que não aprendeu a ceder aos desastres". Por isso, no país do medo, os seus poemas não tinham medo e, no tempo da cobardia, a sua coragem não aceitou o inaceitável.

(...) clique, por favor, para ler o discurso todo.



O mundo parece tornar-se um lugar menos perigoso quando frequentamos lugares habitados por pessoas que amam as palavras. É o caso do Chove.