Mostrar mensagens com a etiqueta João Cutileiro. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta João Cutileiro. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, janeiro 06, 2021

Uma coisinha sobre a vida

 


Estou a ver um programa sobre o João Cutileiro. Mais um que se foi. Dirão os mais sensatos que é a lei da vida. E é. Ninguém cá fica. Acontece que, para quem está nessas idades e ainda tem o gosto pela vida, essa lei é cruel. Se olharmos com distanciamento, e é inteligente que o façamos, achamos que nem vale a pena ter pena lamentar quando os velhos se vão. E esquecemo-nos que, se vivermos até essa idade, esses velhos seremos nós, um dia. E, um dia, talvez olhemos a vida com pena que tenha decorrido tão depressa e que ainda tenhamos tanta coisa para fazer, tantas palavras por dizer. 

A vida passa e as oportunidades também.

Sempre gostei muito de escultura e, se tivesse as minhas fotografias organizadas, poderia aqui mostrar as fotografias que, ao longo do tempo, fui fazendo a obras de Cutileiro. Por isso, vou ter que usar fotos obtidas na net.

Não sei se ele estava fatigado e com vontade de descansar ou se ainda tinhas trabalhos em curso ou em mente. Não sei se ele percebeu o que ia acontecer e teve pena ou se não deu por isso ou, se deu, se se sentiu puxado pela tal luz branca, indo, feliz, nessa direcção. Sei é que eu tenho pena.

Convivi de perto com o lento caminhar para a morte e sei como pode ser doloroso. Depois de ter ficado diminuído pelo avc, durante algum tempo havia desespero no meu pai. Impaciência. Queria recuperar os seus bons tempos e via que isso não ia acontecer. Antes pensava ser um homem saudável. Em boa forma física, aspecto jovem, não tinha doenças. Contava, com orgulho, como a sua vida saudável o trazia tão bem. Explicava a alimentação que seguia -- muito peixe, pouco sal, muitas saladas, muita fruta -- explicava os longos passeios no campo ou na praia. Nunca lhe ocorreu que um dia poderia acontecer-lhe o que lhe aconteceu. Mas aconteceu: nesse dia tudo se foi. Não valorizou as ameaças anteriores. Não ficou com medo. Achava-se sempre capaz de superar essas ameaças. Só que aquela, tão grande que quase o levou, venceu-o a ele. Mas levou doze anos a levar-lhe a melhor. Perdeu o andar e voltou a andar, perdeu a fala, recuperou a fala, perdeu a independência e voltou a recuperá-la. Mas nunca completamente. E sempre de uma maneira que se sentia ser efémera. Quando parecia estar melhor e a progredir no sentido da recuperação, apanhava uma pneumonia, depois uma bactéria hospitalar, depois voltava a perder o andar, a piorar. Ou, uma vez, no dia um do ano, caiu em casa, partiu uma perna, teve que ser operado. Não voltou a andar. Sempre assim. Desilusões sucessivas para ele, para nós.

As sequelas foram tão extensas e profundas que teve que passar a estar fortemente medicado. Alguns medicamentos tinham efeitos secundários que confundíamos com o seu próprio e intrínseco estado físico. Se estava agitado, enervado, não sabíamos se era alguma coisa nele ou de algum medicamento. Se estava ausente, não sabíamos se tinha tido outro acidente ou se estava sedado em excesso. Muitas vezes, resolvíamos retirar parte da dosagem, aos poucos, para ver se voltava a estar mais normal. Mas logo notávamos que isso tinha consequências que se calhar eram pior para ele. O neurologista dizia: vão aferindo, tentando acertar na melhor dose consoante ele esteja, não há outra maneira. Era muito difícil, nunca sabíamos o que era melhor para ele. E ele, antes tão orgulhosamente independente, não podia ter uma palavra a dizer sobre a sua própria condição.

Uma vez disse à minha mãe: 'Nós temos uma filha?'. A minha mãe disse-lhe que sim, disse-lhe o meu nome. Continha as lágrimas ao contar-me isso. Fiz de conta que a mim não me fazia impressão para que ela não sofresse ainda mais. No fim, quando não via, mal ouvia, e já praticamente não conseguia falar, quando eu chegava perto dele, lhe punha a mão no ombro e o beijava. a minha mãe perguntava-lhe: 'sabes quem é?' e ele esforçava-se por dizer o meu nome. Era um esforço enorme para dizer apenas uma palavra. 

Mais do que uma vez perguntou à minha mãe se já tinha morrido. A minha mãe assustava-se, dizia que não, que ideia, que não dissesse isso. Não percebíamos o que se passava na sua cabeça para colocar a hipótese de já ter morrido. Uma vez também perguntou se estava dentro do caixão. Muitas vezes não sabia onde estava e dizia que queria ir para casa. E, estando acamado, frequentemente, enquanto falava, gritava que a minha mãe ou a senhora que a ajudava se despachassem, dizia que queria ir para a cama para dormir. As vezes que dizia que queria morrer não têm conta. Muitas vezes, quando eu chegava perto dele e lhe perguntava 'Então, pai, como está?' ele respondia -- por fim, com a voz quase impossível de se perceber -- 'Quero morrer'. 'Que coisa, pai, não diga isso'. Mas percebia muito bem esse seu desabafo ou esse seu apelo. A degradação do seu estado físico foi progressiva, lenta, dolorosa. Uma pessoa antes com tanta vitalidade e tão orgulhosa ficou totalmente à mercê de outros: tinha que ser levantado, lavado, alimentado, aspirado. Não sei no que pensava quando estava mais lúcido. Sabemos, isso sim, que manteve até ao fim, pelo menos enquanto conseguia exprimir-se e salvo horríveis lapsos como os que acima referi, uma memória surpreendente. Mas parece que apenas reagia se chamássemos por ele e lhe fizéssemos perguntas. Senão, mantinha-se ausente.

Quando morreu, no meu íntimo, senti que o meu pai tinha, enfim, descansado, que não merecia ter sofrido tanto. O que senti como injusto foi o avc que teve há doze anos e o lento declínio a que assistiu aprisionado no seu corpo. Lembro-me de a minha mãe ter dito, no dia em que teve o avc, como um profundo lamento: 'acabou-se...'. E, quando lhe perguntei ao que é que tinha acabado, esclareceu: 'a vida que tínhamos'. A minha avó materna tinha morrido pouco antes e, finalmente sem encargos nem preocupações, os planos deles eram passear mais, iam de férias para o algarve no verão, iam para as beiras na primavera, iam para perto de nós com maior frequência, estavam a imaginar uma vida de qualidade. E uma rasteira assim, indecente, roubou-lhes doze anos de vida. Quando alguém sofre um tal sofrimento, é toda a família que o sofre, em especial os que lhe estão mais próximos.

Enfim. 

Moral da história: não guardar para depois o que agora pode acontecer mas amanhã não sabemos. Não guardar decisões, palavras, afectos. Se podemos fazer ou dizer hoje, é hoje mesmo que o deveremos fazer ou dizer. Quanto ao que vai acontecer amanhã, isso nunca o sabemos. Amanhã pode ser tarde de mais.

____________________________________

Gosto do vídeo abaixo. Pensei dar o seu nome a este post, a thing about life. Mas seria pretensioso. Fica antes 'uma coisinha sobre a vida' porque não consigo falar sobre a Vida, a vida em geral, só o consigo sobre a vidinha, em especial sobre a minha já que é sobre ela que falo com maior à vontade, sem recear tocar em pontos alheios, pontos privados onde não tenho o direito de tocar.


____________________________

Um dia bom

domingo, dezembro 18, 2016

Como apalpar mamas
- escreveu uma pessoa a quem o motor de busca enviou para mim.
E eu, que tento ser simpática, vou ver se consigo responder à altura.
(Mas só depois de um insignificante intróito sobre a Margarida Rebelo Pinto na Caras, o Frederico Lourenço no Expresso e mais não sei o quê)




Este sábado perdi a cabeça. 

O que se passou de tarde não conto. Estive para aqui a proscrastinar e ver se contava, se não contava, mas acho que acabo por não contar. Dois momentos marcantes, cada um à sua maneira, e de um não quero falar porque talvez me emocionasse e não gosto de alimentar o meu sentimentalismo nem de estimular o alheio e do outro também não, não vá dar-se o caso de a pessoa de quem ia falar calhar ler-me -- e não ia gostar de ler até porque, de certeza, ao vivo ficou com a ideia oposta da que eu, aqui, confessaria.

A seu tempo -- que eu, coisas assim, como já no outro dia contei, gosto de as deixar assentar e, tempos depois, quando já não haja grandes probabilidades de alguém relacionar o escrito com a circunstância, deixar que saiam à cena.

A minha vida é uma vidinha. Normal, sem que ninguém testemunhe em mim grandes tiradas metafísicas (sou mesmo militante na ignorância), sem viagens de arromba para descrever, sem neuroses ou pancadas dignas de registo -- sei bem que dar conta do que vou fazendo não dá empolgadura a vivalma. Se por aqui, volta  meia, me deixo embalar num registo mais diarístico é por falta de melhor assunto, preguiça ou, sei lá, talvez como possível recordatório.


Hoje, do que vivi de tarde, acho eu que iria gostar de dar conta e, se me detivesse nos pormenores, a mim ia agradar e talvez a alguns dos Leitores também. Sendo normais os meus momentos, contudo, quando vistos à luz do meu micro cosmos, são diversos e, também dessa diversidade, se alimenta o meu prazer em viver e relatar esta minha pacata existência. Contudo, não o farei e pode até acontecer que me esqueça e nunca o relato de dois momentos tão especiais venha a ver a luz do dia. Parece que, de vez em quando, me bate um certo receio de, relatando eu factos reais, quem neles também participou calhar ler e se reconhecer, e se sentir melindrado.

Já aconteceu, de resto. Recebi um mail tocante, que me deixou quase sem pingo de sange, de uma pessoa que se reconheceu no que eu tinha escrito. Por mil anos que viva não me esquecerei desse mail nem me esquecerei no peso tremendo que as palavras podem ter.

Por isso, adiante.


Dizia eu, no início que este sábado perdi a cabeça. Já de noite, regressando de casa dos meus pais, parámos na estação de serviço para abastecimento de combustível. Como levou mais de 30 litros, deu direito a uma revista. Enquanto o meu marido se ocupava da viatura, fui entrando. E, como sempre, fui ver o escaparate das revistas. Fofocas de um lado, decoração com motívios natalícios do outro, futebol, carros -- o costume. E um sítio com os sacos do Expresso. Como trazia um artigo sobre Frederico Lourenço, vá lá eu saber explicar porquê, apeteceu-me trazer. Depois fui à caixa levantar a dita revista. Caras ou Visão? - perguntou a senhora. Pensei: se já levo o Expresso, então, se é para ser para a desgraça, que venha daí a Caras. E, portanto, regressei ao carro com o Expresso e com a Caras. O meu marido ficou incomodado, claro está. De vez em quando confronta-se com a inconsistência da sua mulherzinha. 

Agora já se foi deitar porque, segundo ele, pratica horários de pessoa normal mas, até há bocado, esteve aqui ao meu lado, eu a ler toda esta variegada literatura e ele incapaz de folhear ou de querer ouvir-me comentar o que quer que fosse do que ia lendo.

Na Caras uma entrevista com Margarida Rebelo Pinto no Brasil. Fala do amor da sua vida, que já se foi, e das exigências que faz quanto a um próximo. E Clara de Sousa com o seu novo livro de culinária. E talvez mais notícias de gente gira mas de que agora não me recordo. No Expresso, um artigo da autoria do Pde. Tolentino de Mendonça e uma entrevista ao Prémio Pessoa deste ano. Li. Mas não achei nada de especial. Falta ali leveza, sentido de humor, desprendimento. Parece que tudo o que ambos ali dizem (e escrevem) e pensam tem monotonia em cima. Nas crónicas que escreve, Frederico Lourenço tem graça mas, tirando isso, parece um técnico a falar do seu mister ou, insipidamente, do que rodeia a sua actividade. 

Note-se que não estou a falar da leveza tipo Caras ou humor tipo RAP. Nada disso. Se nos recordarmos que a inteligência maior está em conseguir encontrar a essência no seio da complexidade e, portanto, conseguir, simplificar as coisas e que suprema prova de sabedoria é conseguir não se levar especialmente a sério, dado que há a noção da perspectiva geral e, portanto, a compreensão do muito que ainda há por conhecer, talvez se perceba melhor o que quero dizer.
E li mais coisas. Como sempre, tento ler quase tudo mas o quase tudo pelo qual passsei os olhos não imprime marcas na minha consciência. Nem na inconsciência. Ali é sempre tudo muito quadradinho, muito dispensável.


Portanto, resolvi que ia mas era ficar sossegada e, em vez de maçar consecutivamente os meus pobres Leitores, ia mas é continuar um trabalhinho que aqui tenho em mãos.

Eis senão quando vou espreitar as palavras que as estatísticas do blogger mostram como tendo trazido leitores novos até mim. São geralmente surpreendentes. Naquele preciso momento, justamente, estas: 'como apalpar mamas'. Fiquei espantada. Alguém teve curiosidade em saber como apalpar mamas e o algoritmo da google achou que deveria vir aprender comigo.


Muito bem. Faça-se a vontade do algoritmo.

Claro está que, para poder satisfazer cabalmente a curiosidade desse leitor/a deveria saber qual a finalidade da palpação.


Se o objectivo é saber como tentar despistar possíveis formações estranhas no interior dos seios pois não sou grande mestra. Como já aqui o referi sou uma maricas com isso. Não procuro, com medo de encontrar. Mas o melhor é verem um post que escrevi sobre o tema e do qual consta um vídeo elucidativo e com piada.

Se o objectivo é querer saber como se apalpam mamas alheias numa perspectiva de prazer -- e partindo do princípio que as ditas mamas pertencem a uma mulher --, pois então direi que, presumo eu (eu que nunca apalpei as mamas a nenhuma mulher e que apenas intuo que a coisa deva ser adequada ao tamanho das ditas e à sensibilidade da dona), deve ser um movimento holístico, à mão cheia (presumindo que a mama enche a mão que a apalpa), gradualmente da periferia para o centro, com gentileza, sem pressas. E que a evolução da pressão e do movimento deve ser ajustada ao prazer que a mulher vá revelando. Mal se sinta que ela se retrai, logo se deve suspender o avanço. A souplesse é a palavra de ordem e a inteligência e a sensibilidade devem ser os motores que guiam a mão que apalpa.


¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

Não sei se esclareci mas, por ora e de forma sucinta, é o que se me oferece dizer. 

Isto sobre mamas. Sobre nádegas já me pronunciei no post abaixo. 1001 Nádegas. 

As fotografias que aqui usei foram feitas este sábado de manhã e mostram as Tágides do Cutileiro a banhos num lago junto ao Tejo.

Aquela música lá de cima tem Richie Kotzen a interpretar 'You can't save me' num vídeo de Steven Lyon e, porque mostra muitas maminhas, pareceu-me adequado.


¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

terça-feira, fevereiro 17, 2015

Porto, lindo e majestoso [3 de 4] - a beleza desta cidade que tem um rio chamado Douro


No post abaixo mostrei algumas das pequenas lojas de comércio local do Porto e que são parte do encanto desta cidade que está cada vez mais bonita.

Noutro, mais abaixo ainda, mostrei uma árvore muito especial.

Aqui, agora, mantenho-me no Porto e, para não vos maçar demais, vou cingir-me a uma das zonas mais felizes da cidade, a Ribeira. Mas abro uma excepção para a 1ª fotografia. Sempre que venho ao Porto gosto de dar um giro na R. de Sta Catarina. 



Na Rua de Sta Catarina, casal sorrindo para a selfie da ordem enquanto um 'local' lhes tenta vender qualquer coisa


É um hábito que vem de outros tempos, quando a Rua de Sta Catarina tinha uma loja que eu conhecia de Espanha e que ainda não havia em Lisboa, a Zara. Gostava de ali comprar roupas para os miúdos, e para mim também, claro. Chegava a vir ao Porto quase de propósito para vir às compras. Havia outras lojas onde também gostava de me abastecer. E sempre gostei muito de aqui passear.

Dantes o meu marido tinha que cá vir em serviço com alguma frequência e eu chegava a meter um dia de férias para ficar a flanar pela cidade enquanto ele tinha reuniões.

É uma cidade à qual volta e meia e de há muito também eu venho em serviço mas na qual, nessas alturas, irritantemente nunca consigo passear: é chegar, trabalhar e largar. Mesmo quando cá fico a dormir, chego ao hotel ao fim do dia, faço o check in, saio para jantar, jantar também de serviço, regresso tarde, vou para o quarto e, no dia seguinte, estupidamente cedo, pequeno almoço, check out e ala moço que se faz tarde para mais um longo dia de reuniões. Por isso, com uma certa frequência, bate esta vontade de cá voltar para me desforrar.

Claro que o tempo é sempre muito rateado e é um calcorrear até quase à exaustão, turista no meio de muitos outros. Mesmo nesta altura do ano, com frio, chuva, tempo cinzento, há muitos estrangeiros e isso é bom para a cidade, torna-a ainda mais cosmopolita. Mas tal a raça da sua gente, nota-se que a alma tripeira continua viva no sotaque e na irreverência das pessoas do Porto.


Porto sentido - Rui Veloso



Há um passeio a que nunca consigo resistir: ir até à Ribeira. Descemos até lá, eu fotografando, tantas coisas sempre novas, um prédio que se recupera, um novo hostel muito bonito de onde saem jovens animados, as caixas com os quadro eléctricos nas ruas com pinturas engraçadas, uma loja que dá vontade visitar, uma gaivota sobre um carro ainda longe do rio, o cheiro a bolos que vem de uma pastelaria que aqui geralmente se chamam leitarias, sempre mil motivos de interesse.

Até que chegamos à margem, à Ribeira. Menos gente do que quando o tempo está mais quente e, portanto, mais calmo. Sentámo-nos de frente para o rio e ali ficámos, eu a ver as gaivotas, os barcos, a outra banda.


A zona ribeirinha, com as esplanadas


S. João Baptista de João Cutileiro no nicho da Fonte da Praça da Ribeira



Depois passámos para o lado de Gaia para poder ver o Porto de frente, ver o rio que aqui, ao contrário do Tejo que é largo como um lago, é estreito e permite que praticamente se veja de um lado para o outro. É um rio romântico, e os tons são melancólicos. Há muita beleza mas é uma beleza requintada, solene, não uma beleza meridional e luminosa como a de Lisboa. 


A beleza quase sublime do Douro e dos seus barcos rabelos na margem do lado de Gaia


Mesmo a zona da Ribeira que é uma zona popular, de casas antigas, muitas com ar pobre e que se adivinham com poucas condições, tem uma beleza ancestral, de cidade histórica com muitas histórias, que forçosamente inspira amores, abandonos, traições.


O colorido quase irreal do Porto que se quer ver ao espelho na superfície das águas do Douro


De todas as vezes rendo homenagem ao Mestre Júlio Resende que tão bem gravou no azulejo a sua Ribeira Negra.


No lado de cá da estrada está a homenagem ao barqueiro salvador Deocleciano Monteiro, mais conhecido por Duque. Foi esculpido por José Rodrigues.




-----

Relembro que no post abaixo há lojas para todos os gostos e, mais abaixo, uma árvore bela demais.

........

segunda-feira, março 25, 2013

Passear em Lisboa, na Expo, junto às Tágides do Tejo e a Catarina de Bragança. Depois os Desastres da Guerra, Sombras do Medo de Graça Morais (na Fundação Arpad Szenes Vieira da Silva). Depois do almoço no CAM, Exposição 360º - Ciência Descoberta na Gulbenkian


Hoje o passeio foi por outras bandas. Com a Ponte 25 de Abril cortada ao trânsito devido à Meia-Maratona, hoje de manhã fomos caminhar à beira-rio (claro, sempre à beira-rio), na zona da Expo, Parque das Nações.

Entre sol e chuva, nuvens e abertas, o passeio rente ao rio estava cheio de gente. A pé, a passo ou a correr,  com crianças, gente de idade, uns de bicicleta, uns com cães, outros sem cães, uns a fazer ginástica, outros a fotografar, ali é, sem dúvida, um lugar muito agradável para respirar ar limpo e sentir uma natureza  em parte desenhada, diria cosmopolita.




Nestas alturas sinto que sou transparente. Parece que ninguém me vê. Eu vou por ali, silenciosa, olhando, fotografando. Quem passa conversando, não reduz o tom de voz quando passa por mim e eu vou ouvindo o que dizem.

Ela diz que quer ter um filho, já viste?

É normal. 

Normal? Pá, não pensei ter outro filho. Já viste?

Pois. Os outros já crescidos. Mas é normal que ela queira.

E agora, já viste? faço o quê?

E lá se afastam, e passam outros, Pá, isto não tem saída.

E depois passa uma correndo, arfando. E depois passa outra com phones e vai cantando. E nós, que não ouvimos o que ela ouve, só a ouvimos a ela, cana rachada, cantando alto, na maior das naturalidades...

E depois outros fazem ginástica, deitam-se no chão. A Ponte Vasco da Gama quase ali ao lado.



Desporto sobre o Tejo


E há várias pontes assim, e não serão bem pontes, mais uns passadiços sobre o rio e vistos de longe parecem-me palafitas.



Ao fundo a ex-Torre Vasco da Gama, agora o hotel  Sana Myriad, um luxo de localização


Depois de ter estado uns dias nas cidades e vilas junto à Serra da Estrela em que dá ideia que as pessoas se conhecem todas ou, mesmo que não se conheçam, reparam umas nas outras, aqui ninguém olha para ninguém. Casais abraçados e quem é que quer lá saber se são legítimos ou clandestinos, mulheres sozinhas, gente vestida como quer, gente a apanhar sol apesar de estar frio e de chover a cada cinco minutos. 

Não sei o que é melhor, se é este espaço de indiferença ou o espaço de proximidade dos lugares mais pequenos. Sei que eu é nos grandes espaços anónimos que me sinto bem. Sempre assim foi e acho que sempre assim será.



Homem à pesca quase debaixo da Ponte Vasco da Gama


Quando vejo alguém assim, como o pescador que é pouco mais que um irrelevante ponto na paisagem, sinto que é também assim que eu sou. Insignificante, quase invisível, um ser quase transparente que caminha na beira do rio, em harmonia com a natureza.

Num local como este, apenas se passa alguém conversando, há um som. É tudo muito silencioso.



O lago das Tágides, as Ninfas de João Cutileiro


Num lago, há mulheres nuas que se banham, que brincam umas com as outras, seios à vista, braços ao alto. Lavam-se, riem, umas sentadas, outras deitadas, impúdicas, alegres.

Talvez que se, em vez de serem de pedra, fossem de carne e osso, as pessoas passassem sem estranhar. Talvez as fotografassem como eu fotografo as ninfas de pedra mas não mais que isso.

E, mais à frente, uma rainha de bronze, formosa, bonita. Catarina de Bragança.



Catarina de Bragança da autoria de Audrey Flack (Nova Iorque, 1931).


Vestido ondulando, fitas esvoaçando, é uma presença inusitada aqui à beira do rio e parece que também ninguém a vê. Transparente como eu.

E nem as gaivotas soltam os seus estridentes gritos. Aqui estão silenciosas. Deslizam no rio como sílfides.

Outras, muito sossegadas, olham o rio.



Sentindo a aragem fresca do rio, pensando na sua vida


E depois vamo-nos embora. Não me lembrei da Poesia no CCB. Só agora, lendo um comentário num dos textos mais abaixo, me lembrei. Que pena.

De qualquer forma, tinha uma pendência por cumprir e, por isso, lá fomos.

O destino era o Jardim das Amoreiras, um Jardim que conheço muito bem, que já muito frequentei e que se mantém inalterado, ano após ano. Um lugar bom para se estar.



Vieira da Silva agora


O destino era, pois, a Fundação Arpad Szenes Vieira da Silva. Claro que aproveitámos para ver as obras da Vieira da Silva e do marido, Arpad Szenes, sempre um grande prazer. Mas, depois, o objectivo era ver a exposição da Graça Morais, Os desastres da Guerra.


Palavras de Graça Morais

Sombras do medo
Pinturas nas quais homens e mulheres se transmutam em animais. animais que ganham a força dos heróis.
Anjos que carregam nos seus braços seres que são resgatados do Inferno e dos desastres das guerras e das doenças


Não são obras fáceis de ver. Incomodam. Ferem. Ferem porque são feridas expostas. Ferem. Por vezes, temos vontade de desviar o olhar.




Alguns não sabemos se dormem, se estão mortos, se estão apenas desamparados. Ou com medo.

Mais à frente uma vitrina cheia de recortes mostra onde Graça Morais foi buscar estas imagens. Não as inventou. É gente de verdade.



Repare-se na imagem das crianças deitadas cobertas de branco e atente-se no desenho acima


São imagens de dor, de gente que foge, de mães que seguram os corpos dos filhos, pungentes pietàs, gente caída, ensanguentada, crianças.



O medo, a tristeza, o amparo, os animais

Há um sofrimento grande que transparece, que sai das telas. Há muita violência. Incomoda. Incomodam os rostos gastos e sofredores.


Palavras de Graça Morais:

A caminhada do Medo
Fuga do Caos e do Abismo. São milhões de seres humanos que migram em busca de um futuro melhor. Fugidos de guerras, de genocídios, do terrorismo, de catástrofes naturais, lutando numa cruzada contra a fome, a doença, as injustiças sociais e as perseguições políticas.


Nestas obras de Graça Morais o que vemos é que são animais que nos regem, são animais, somos animais, somos seres irracionais. Quem faz a guerra? Quem comanda o mundo? Pessoas como nós? Animais? Animais como nós?




E há fogo no ar, sangue, beligerância e há a grande besta que tudo destrói. E há o cansaço, o fim da linha, o fim do sonho.



Um Chagall ao contrário: não há sonho, não há romance, fantasia.
Em Graça Morais, nestas obras, há sombras, medo, cansaço, guerra, dor, fome, morte


Trouxe uns livros, tenho-os aqui e gostava de amanhã ter o dia todo para os ler, para passar as mãos pelas páginas macias.

Depois, Gulbenkian. Almoço no CAM. A seguir, Exposição 360º - Ciência Descoberta (exposição sobre a ciência ibérica na época dos descobrimentos) que fez os encantos dos meninos. Olha! Olha! Rinocerontes, crocodilos, pinguins. Mas disso já não vou agora falar porque não era permitido tirar fotografias e porque senão isto vai levar horas a ler e vocês rifam-me...

Mas, antes de me ir embora, e porque falar da Gulbenkian sem falar dos Jardins e dos patinhos até parecia mal, aqui vos dou conta que há imensos patinhos bebés, uma ternura.



Patos, Patas e seus filhotes Patinhos - nos lagos dos Jardins da Gulbenkian

=================

Este é o meu segundo texto de hoje aqui no Um Jeito Manso. A seguir poderão ver um texto e imagens relativos a um vestido espectacular de Joana Vasconcelos a propósito da sua Exposição no Palácio da Ajuda e outros modelitos dos StoryTailors


=================

Apesar de isto por aqui, no UJM, ser dose, ainda arranjo coragem para vos convidar a ir dar uma espreitadela ao meu Ginjal e Lisboa. Hoje as minhas palavras juntam-se às de António Ramos Rosa para falar de um país adormecido que repousa à beira mar e, a seguir, uma música bonita demais, a Dança dos Espíritos Abençoados de Gluck numa coreagrafia de Pina Bausch.

=================

Resta-me, por hoje, apenas desejar-vos uma bela semana, a começar já por esta segunda feira. 
Que a tristeza paire bem longe de vós. Saúde e alegria é o que vos desejo, meus Caros leitores.

quarta-feira, setembro 12, 2012

Com a conivência e o silêncio (patriotismo, diz ele) de Paulo Portas, Vítor Gaspar (o tal que não acerta uma) avança com novo pacote de austeridade. Acho que está bem claro que, com isto, se pretende aumentar a miséria, acelerar o descalabro. Mais IRS, mais cortes nas pensões, despedimentos na função pública, mais empresas a serem vendidas. (O IMI nas casas acima de 1 milhão é coisa para enganar o zé povinho). 'Gatuno!', chamaram-lhe os manifestantes à porta da SIC. E algumas coisas que eu, ao invés, acho que deveriam ser feitas para Portugal tirar o pé da lama. (Francis Bacon e João Cutileiro acompanham-me ao longo do texto)


A saga continua. Tudo correu mal. Está provado, comprovado, oficializado. Um desastre.




Apesar de todos sangrentos esbulhos aos que não lhes podem fugir,  apesar da maioria que lhes permite governar à vontadinha, apesar de fazerem tudo o que querem, de irem mais longe do que a troika e ninguém lhes pôr travão, apesar de uma oposição bentinha composta por meninos velhos, apesar de uma população submissa como indefesas cobaias, apesar de tudo isto, o Governo falha em toda a linha: o défice não abranda, a economia definha, o desemprego atinge níveis letais e a dívida não pára de crescer. 

O Estado não pára de crescer, tudo devorando, um perigoso buraco negro que suga qualquer resquício de vida que encontre à sua volta. O estado transformado no vórtice de uma assassina espiral recessiva.

Estranho? Incompreensível? Misterioso?

Não, que ideia. Tudo previsível. A receita está errada, tanta a gente o viu desde o início: os ingredientes não são estes, a forma como se deveriam combinar está longe de ser esta, os tempos não são estes e, finalmente, os cozinheiros são atrozmente incompetentes. Com esta explosiva mistura de enganos e de incompetências, nunca poderia dar certo.

E mesmo os que incautamente no início acreditaram, logo que as primeiras campainhas começaram a soar perceberam que a rota tinha que ser corrigida. Todos menos Passos Coelho e o grupinho de que se rodeou.




E, de novo, com o País inteiro estupefacto perante tamanho estampanço e tão estrondosa incapacidade em perceber o que se passa, o Governo reage fazendo o quê? Claro, fazendo aquilo que os ignorantes fazem: a mesma coisa, esperando que resulte de maneira diferente.




Ou seja, constatando-se que foi um ano perdido, um ano de inúteis sacrifícios, e em que os objectivos deste ano passam agora a ser os do ano que vem - o mesmo ano que há menos de um mês o Passos anunciou que já não ia ser de recessão - os mesmos incompetentes resolvem aplicar a mesma receita mas agora reforçando ainda mais os ingredientes. 

Se antes resultou em comida salgada, pois agora, nada a saber: junte-se ainda mais sal. E, vai daí, novo agravamento no IRS, e isto a somar ao roubo à mão armada dos recentemente anunciados 7%, em cima do aumento do IVA, em cima do aumento escandaloso que se anuncia para o IMI, em cima do roubo dos subsídios para a Administração Pública e reformados. 

Se antes a comida estava intragavelmente picante, pois agora, nada a saber: junte-se ainda mais picante. E agora são também as pensões de reforma, com uma dentada que pode ir de 3.5% a 10%.




Tudo isto quase parece já demência. Começo a não ser capaz de formular mais vezes aquela minha dúvida metódica: pode isto ser só incompetência e ignorância ou é mesmo perversidade? É gente apenas incapaz que nem para ser varredor servia (sem desprimor para os varredores) ou é gente a mando de futuros patrões, que quer agora apenas comprar barato o que está a ser vendido ao desbarato?

Não sei. Já me parece incompetência e ignorância a mais. Começo a inclinar-me mesmo para a falta de valores morais, éticos e para tudo aquilo que costuma rodear a falta destes valores.




E, neste momento, coloco no mesmo saco criaturas como o Passos de Massamá, o Vai-estudar-ó-Relvas, o Gaspar-não-acerta-uma e o Paulo Portas. Nem sei se não acho ainda mais indigna a atitude de Paulo Portas. Depois de tudo o que se tem estado a passar consegue ele ainda olhar os seus eleitores nos olhos? Consegue ele ainda manter a cabeça erguida?

Talvez se sinta tentado a isso, o seu gosto pela performance pode levá-lo a isso. Mas aconselho-o a que não o faça. Olhar nos olhos e manter a cabeça erguida são gestos que devem estar reservados a pessoas de palavra.



Entregues que estamos a esta trupe, a única coisa que sinto é que têm que ser afastados o mais rapidamente possível do governo. 

Em pouco mais de um ano, a devastação que levaram a cabo revela que não têm escrúpulos e que prosseguirão com o maior dos à vontades. 




Ainda hoje vi o Vai-estudar-ó-Relvas, esgargalado, esgar desagradável, dizendo as vulgaridades do costume e, invariavelmente, sinto uma náusea insuportável. Não existe a noção do que é a vergonha, do que é a dignidade. Não existe. 

O país vai estando cada vez mais miserável, mais sem soluções, com as principais empresas nas mãos de estrangeiros (de estados estrangeiros em que a democracia não se escreve com as mesmas letras que se escreve por cá), com cada vez mais famílias sem casa, recorrendo à sopa dos pobres, com os jovens a debandarem, com os velhos entregues à sua sorte - e, no Governo, em vez de termos pessoas em quem possamos confiar e a defender-nos, temos gente mal formada, pouco instruída, gente que nos rouba, nos ameaça, gente que nos faz sentir inseguros, indefesos, pobres.

Cavaco Silva que, por muito menos, tudo fez para apear o anterior Governo, assiste seráfico a tudo isto. Vendo o País a desmoronar-se, vendo os apoiantes do PSD e do CDS a retirarem sonoramente o apoio ao Governo, vendo o contrato social à beira de ser rasgado, vendo o bem comportadinho Tozé finalmente a estrebuchar, vendo a Igreja a rebelar-se, vendo os permanentes desacatos levados a cabo pelo bando de desordeiros que mais parece ter tomado de assalto o Governo, deve estar sem saber que volta dar a isto mas esta sua perplexidade é bem capaz de se resumir a preparar palavras para dizer que já disse. O país também já desaderiu dele.




Estamos, pois, num daqueles momentos que são o limbo que precede as rupturas.

*

O que deve ser feito a seguir, quando o Estado vier a estar nas mãos de gente de bem?

Bem, receitas milagrosas não as haverá mas há, isso tem que haver, a vontade, a determinação de obter aquilo que se deseja.




E o que eu desejo é isto (e vou escrever à medida que me ocorrer, sem me preocupar em prioritizar):

Olhar o País numa perspectiva integrada, de longo prazo, e tendo por pressuposto basilar que tudo o que vier a ser feito o será em prol das pessoas, pugnando pela melhoria das condições de vida de todas as pessoas. 

Aproveitar fundos europeus que não estão a ser aproveitados e, em vez de gastar o dinheiro em subsídios de desemprego e encaixar perdas de IRS (porque os desempregados são, para um Estado, um custo em várias frentes), canalizá-lo para investimentos que gerem trabalho directo e indirecto. 

Relançar a economia, lançar um programa de revitalização reprodutível, lançar programas de economia verde, reabilitar edifícios públicos, pontes, prosseguir a reabilitação de escolas, de tribunais. 

Apostar em força na educação, na investigação, na formação profissional, lançar um programa de estímulo a quem regresse ao País.

Lançar um programa coerente de estímulos à natalidade.

Lançar programas integrados virados para o mar (pesca, biologia marítima, indústrias ligadas ao mar como, por exemplo, a conserveira, etc).

Lançar um programa de construção de creches, de lares, de espaços para tempos livres de novos e velhos.

Lançar um programa mas um programa a sério para o turismo.

Apostar fortemente na cultura e transformando-a na imagem de marca do País.

Ter como objectivo de base, relançar a industrialização do País, após análise das áreas em que pode haver vantagens competitivas. 

E, claro, acabar com toda a espécie de organismos que não fazem falta, reduzir o número de autarquias e de executivos camarários, reduzir o número de deputados (o que é um peanut mas é um exemplo e mal não faz já que metade dos deputados não anda lá a fazer nada), acabar com a pouca vergonha de, para tudo e para nada, contratar consultores e escritórios de advogados, acabar com mordomias abusivas.

E, como é evidente, reorganizar a justiça, trabalhando em conjunto com os seus agentes. É indispensável agilizar e dignificar a justiça. 

E voltar a restituir a dignidade profissional a profissões primordiais como a dos médicos e demais agentes de saúde, professores e demais agentes ligadas à aprendizagem e à aquisição de conhecimentos.




E podia continuar mas não vos maço mais. É nisto que acredito e é isto que funciona a bem das pessoas e da sociedade. E económica e financeiramente funciona, balanceia, e permite dirigir o País no sentido do futuro e o futuro é o destino de um País.


**

As pinturas são todas de Francis Bacon (1909-1992), pintor inglês nascido na Irlanda, pintor da carne em decomposição, dos corpos que se desfazem, dos corpos putrefactos, infelizes, sem destino, pintor da corrosão, da degenerescência, do fim sem glória, do desolado e solitário fim dos tempos.

A escultura é de João Cutileiro, escultor de corpos com vida, com sensualidade, com amor, e é uma das suas mulheres, mulheres muito mulheres.

O nenúfar foi fotografado por mim este sábado e pretende mostrar que, até num charco, pode nascer uma flor pura, bela, colorida. A vida pode renascer, a esperança e o futuro devem fazer parte de nós.

**

Se chegaram até aqui (eu confesso que já estou perdida de sono - e, portanto, incapaz de rever o texto; tomara que isto não tenha as vírgulas todas fora do sítio e letras trocadas), saibam que vos desejo um dia muito feliz, com muita energia e vontade de viver uma vida feliz.

terça-feira, abril 12, 2011

Os meus lírios in heaven e a pintura de Georgia O'Keeffe e as esculturas de Cutileiro e Rodin


Não consigo falar de política, economia. O FMI chegou. Talvez agora alguém seja capaz de gerir este País.

Hoje prefiro ocupar os meus pensamentos com assuntos do que gosto. Há pouco estive com os meus três menininhos pequeninos e com os meus meninos grandes e não há no mundo coisa que se compare a estes sagrados momentos. E agora estou com música, pintura, escultura, dança, fotografia.

Espero que gostem.


Os meus lírios do campo, in heaven

Purple petunias de Georgia O'Keeffe

Mulher adormecida de João Cutileiro

O beijo de Rodin

sexta-feira, agosto 06, 2010

Trazer a vida dentro de si


(Imagem de escultura de João Cutileiro, o escultor de mulheres em: www.centroculturalsaolourenco.com/Imagens/Artistas/Cutileiro/01_Cutileiro_M.jpg)


Toda sorte do mundo, toda a felicidade do mundo, aos pais que estão prestes a acolher um novo serzinho neste nosso mundo.