Gosto de ver pinturas ou vídeos gerados por Inteligência Artificial. Eu própria gosto de transmitir inputs aos algoritmos para que me surpreendam com imagens geradas informaticamente.
Mas, de todas vezes, sinto aquela perplexidade que vem de não estar bem a perceber qual o caminho que as coisas levam. Ilustradores, designers, criadores de animação...? Continua a haver futuro para quem trabalha nestes domínios? É que, de dia para dia, se constata o incrível progresso dos algoritmos. É verdadeiramente estonteante.
O vídeo abaixo é disso exemplo. A única coisa real é o ficheiro que contém o vídeo que podemos ver -- as pessoas não são pessoas, as coisas não são coisas, a música não foi criada nem interpretada por humanos, etc. Bem, Kelly Boesch, que gizou tudo, é real (digo eu...).
Por curiosidade é assim que ela se apresenta:
Cinematic AI Art, Animation & Visual Poetry
Bem-vindos ao meu mundo de curtas-metragens surreais com IA, animações oníricas e histórias visuais onde a imaginação, a emoção e a tecnologia se encontram. Crio filmes cinematográficos com IA utilizando imagens generativas, animação por fotogramas-chave e fluxos de trabalho de movimento experimentais para dar vida a ideias estranhas e belas.
Exploro a nova fronteira da criatividade através da produção cinematográfica com IA, arte generativa, design de personagens, narrativa surreal e mundos oníricos digitais. O meu fluxo de trabalho combina geração de imagens por IA, movimento animado, personagens em constante evolução e paisagens sonoras originais para criar filmes que esbatem a linha entre arte e algoritmo.
Lá está... a esbater-se a linha divisória entre arte e algoritmo. É isso, justamente isso.
Mas vejam, por favor, o fantástico vídeo.
Açafrão e Fumo | Vídeo de Dança Surrealista com IA em 4K
Saffron and Smoke. Açafrão e Fumo. Uma festa dançante numa manhã de segunda-feira no mercado das especiarias. Por quê? Não faço ideia 😜 Estava a brincar com os códigos de referência de estilo no #Midjourney ontem à noite e adorei o contraste destas personagens no fundo preto com estas lindas cores suaves. As imagens fizeram-me lembrar algum tipo de mercado internacional, tipo em Marrocos. Assim, criei esta música usando o @suno para acompanhar. Animação feita com #VEO3. Autora: Kelly Boesch AI Art
Nos intervalos, ponho-me em modo de férias, sobretudo mentais. Hoje quase não houve televisão nem leitura de jornais. Poupei-me, no que pude, dei descanso à mente.
De vez em quando, não consigo evitar, sinto uma angústia que tenta, de forma certeira, esquartejar a minha disposição, e, nessas alturas, vou espreitar o mapa dos fogos. Um horror. Muita aflição, certamente. Muita área ardida e, quando ardem tão grandes superfícies é parte da natureza que morre, árvores, flores, muitos animais. Isto quando não ardem casas ou, em casos mais dramáticos, vidas humanas. Destruição pura. Temperaturas a rebentar, um calor que não se aguenta, e, em cima disso, gente doida, sem cuidado ou com perturbações.
Mas tenho tido outros assuntos, outras preocupações, outros compromissos. E, no tempo que sobra, tento pôr-me em modo de pausa, descontrair.
Claro que, ao longo do dia, vou tendo contacto com algumas bestas (pardon my french). Esforço-me para não dar respostas tortas, exercito a condescendência. Mas chego a esta hora a pensar que bem podia enfiá-las a todas num zoo, criar um bestiário.
Mas não vou para aqui pôr-me a destilar arrelias ou a gastar o meu latim com gente parva. Adiante, pois, que para a frente é que é caminho.
E, bestiário por bestiário, antes este aqui abaixo, surreal como gosto das coisas -- as demasiados reais cansam a minha beleza.
Tenho a dizer que o meu 1º de Maio foi um dia muito feliz.
Como boa trabalhadora que sou, trabalhei que me fartei. Dar de comer a muitas bocas e fazer gosto em que seja tudo feitinho com as próprias mãos é trabalhoso. Mas é trabalho que se faz de gosto e com recompensa imediata. Estar sentada no meio de tanta descendência é uma alegria. Ver como gostam todos tanto de estar uns com os outros é um aconchego para a alma. Ver os mais pequenos a brincarem em conjunto e o bebé já a querer participar nas brincadeiras é uma ternura.
Mas a realidade tem outras faces. Ao regressar ao trânsito, às reuniões, aos problemas e conflitos, às muitas horas de muitas coisas a que não se pode voltar as costas porque há compromissos e responsabilidades, ao chegar atrasada à fisioterapia receando que, uma vez mais, não conseguisse fazê-la, ao chegar a casa já depois das nove da noite, eu penso que já devia ter conseguido atingir o direito a ter uma vida mais descansada. Mas não sei como. Não é uma escolha, é assim porque é assim. Talvez seja esta a vida que escolhi mesmo sem perceber que chegaria a este ponto em que, mesmo que sinta vontade de trabalhar menos, o trabalho cai em cima de mim mais e mais e mais. Estou numa reunião, a conduzi-la e, sem poder desfocar-me dela, ao mesmo tempo a espreitar os mails que chegam e onde se anunciam crises e problemas que, se não atalhados, desembocarão em problemas maiores. E depois chegam mais pedidos de reunião e mais e mais e mais. Uma pastilha difícil de engolir. Pior: pastilhas que nunca mais acabam.
Estava na marquesa da fisioterapia e os mails continuavam e, ao contrário do que tantas vezes acontece, nem me deu sono. E agora que aqui estou, em vez de falar de frescuras e laroquices, estou nisto. Dia chato, conversa chata. Não gosto. Nem gosto de vos maçar com maçadas que só a mim dizem respeito. Mas nem energia nem inspiração para me alienar eu hoje tenho.
E aqui chegada, neste lindo estado de espírito, abro o YouTube para ver se o meu amigo -- que está carregadinho de inteligência artificial -- tem alguma graça para me animar e dou com um vídeo carregadinho é de ironia, de sarcasmo, de amargura. Steve Cutts, imagine-se. Logo ele. Caraças. Que mau gosto o do YouTube. Já uma vez aqui o tive, falando deste nosso mundo. Coisa lúcida até demais.
Agora, aqui, ele fala de Felicidade. Felicidade o escambau. Podia ser coisa para a gente se rir mas, bolas, vontade de rir é que eu não tenho mesmo. Ora vejam...
Isto de estar aqui agora a mostrar decorações de Natal no fim do dia de Natal até me faz lembrar quando sei das coisas só quando já se passaram.
Dia da Poesia com malta a declamar pelos cantos -- olha que giro que deve ser, mas, azarinho, já foi.
Dia da Música, concertos eveywhere, que bom -- olha que pena, já foi.
Assim eu agora: árvores de natal todas pisca-pisca -- olha, já está quase na altura de serem retiradas.
Mas no outro dia disse que quando calhasse haveria de vos mostrar as minhas christmas trees todas prêt-a-porter e sentir-me-ia mal se saísse da época sem cumprir. Aqui estão elas. Simplezinhas como vos disse:
aquela encarnada pequenina lá de cima onde se colocaram umas luzinhas pisca-pisca à volta e uma estrela em cima;
uma estrutura branca e dourada onde pendurámos umas bolinhas encarnadas e na qual o meu marido hoje também pendurou as bolas de luz que eu tinha posto sobre o aparador (e que hoje teve que ser limpo de tralha para nele se pôr a comida), mais uma estrela em cima;
ou uma que tem luzinhas nas pontas e que acho tão linda que uso todo o ano como candeeiro. Na volta é mesmo um candeeiro e eu é que penso que é árvore de natal.
E depois há um pai-natal trepador que sobe por uma coisa com luzinhas (quando fotografei estavam desligadas) e que tem música. Ou a rena aveludada e toda colorida que está no espelho junto da entrada da casa para dar as boas-vindas.
E no sítio onde almoçámos há uma cortininha de luzinhas todas pisca-pisca. Esqueci-me de fotografar isso mas dão também um look festivo e alegre, embora discreto.
A verdade é que o ambiente fica natalício e os miúdos começam logo a rir quando entram em casa e vêem tanta luzinha, musiquinha e tanta cor.
E, agora, a pedido de várias famílias que me têm pedido que explique como é que faço as tiropitas, aqui está a reportagem. É facílimo e faço-as com os mais diferentes ingredientes. Para a ceia da véspera tinha feito umas com farinheira e outras com alheira. Para o almoço de hoje (e é sempre para entrada), fiz com ricota (1 embalagem dá para 4 tiropitas) -- a ricota é obrigatória em todas as que faço -- salmão, cebolinho, maçã (1/4 de maçã, às fatias finas para cada tiropita) .
Começo por cortar o círculo de massa ao meio. De cada metade, faço uma tiropita, conforme se vê. Depois enrolo. Aliás, ao lado, já se vêem duas enroladas.
Depois ponho um pouco de azeite no papel vegetal e rebolo-as por lá. A seguir, na parte de cima, ponho um pouco de mel e polvilho com sementes (usei sésamo mas poderiam ser outras)
Ponho assim, com o papel, sobre a grelha do forno que é previamente aquecido. Ponho calor por baixo e por cima, e depois de lá pôr as tiropitas, baixo para 160º. Ficam para aí uma meia hora, não sei bem, é até estarem estaladiças e louras. Estão meias desengonçadas mas não faz mal pois, quando sirvo, corto-as às fatias. Ficam melhor quentinhas mas comem-se bem também frias.
Também fiz bacalhau com todos (couve portuguesa, feijão verde, cenoura, batata normal, batata doce, ovos) mas isso não tem história. Desta vez já lavei a couve portuguesa na banheira para não ficar com o chão da cozinha todo molhado. Levo um alguidar e seguro cada folha enquanto lhe dou uma bela chuveirada.
E mostro-vos o galo acabado de sair do forno para vir repousar durante uma hora. Antes de servir voltou a entrar no forno depois de regado com um fo de azeite e sumo de limão.
O que se vê por cima dele é alecrim, alho e louro. Asso-o em cima da grelha com um tabuleiro com um pouco de água para que não haja fumos nem cheiros com a gordura que cai do galo.
Acompanhei com papillotes de puré a la UJM. Num tacho com pouca água, cozi batata normal e batata doce e meia farinheira. Depois das batatas cozidas esmaguei-as com a farinheira e com um fio de azeite e coloquei porções individuais em papel de alumínio que levei ao forno.
O meu marido achou por bem que houvesse também arroz branco não fosse alguém não simpatizar com a esmagada papillotée.
Com o resto do recheio fiz um rolo que embrulhei em papel de alumínio e que levei também ao forno, servindo identicamente como acompanhamento. Como cozi os segumes separadamente, tanto serviram para o bacalhau como para o galo, para quem quis legumes no prato.
O vinho tinto foi alentejano e muito bom, um monocasta especial, oferta do produtor.
Para sobremesa tive um porquinho doce feito com amêndoa, gila, doce de ovo e chocolate e o resto de um delicioso arroz-doce feito pela mãe da minha nora, ambos vindos de casa do meu filho. Comprei um bolo de chocolate de tipo brigadeiro na Padaria Portuguesa e comprei-o contrariada. Sabia que não era isto de que eles gostavam mas o meu marido teimou que eles se pelavam. Queria ter trazido uma tarte de chocolate ou outra mas ele que não, que não, que eu estava a fazer confusão. Pronto. Viu-se quem é que estava a fazer confusão. Não acharam graça nenhuma ao bolo, que era maçaroco, que era doce demais.
Também tinha fruta mas não lhes assistiu, os miúdos já não se aguentavam sentados à mesa e os grandes já estavam cheios demais.
E foi assim.
E, de resto, foi a brincadeira do costume com os foliões de sempre e com o bebé já enturmado.
Faz um ano o bebé ainda estava escondido. Tenho fotografias da mãe, pelo Natal, toda balãozuda e com umas hastes de rena na cabeça em animada conversação com a cunhada que, por sua vez, estava com flores nos cabelos. Agora já cá está sorridente, um menino lindo, o quinto pimentinha, fazendo adeus ou dando 'passou-bens', todo feliz da vida.
Para o ano há mais. (Mais Natal, quero eu dizer.)
Entretanto, à laia de despedida da época natalícia, um vídeo giríssimo que um Leitor, a quem agradeço, me enviou.
Ele há coisas... Tais os dias que parece que se combinam para me darem conta do juízo, a verdade é que continuo sem conseguir ler notícias, aprender inteligiências com comentadores, ver televisão ou frequentar outros lugares de cultivo intelectual. A zeros. Face a esta constatação, embora tomada pela indolência que me assola quando a noite já vai alta, fui tentar suprir a grave lacuna cultural de que venho padecendo, espreitando a galeria lateral de blogs aí ao lado. Fui andando, andando, até que me ocorreu, vá lá saber porquê, ir ver as estatísticas do blog. E eis senão quando, de entre as palavras ou expressões que alguém colocou num motor de busca e a que o respectivo algoritmo considerou que este humilde blog poderia dar a resposta, dei com estas:
fatima lopes maminhas amota
Fiquei a olhar algo admirada. Discorri que a ideia deveria ser "maminhas à mostra" mas que talvez a pressa tenha levado a suprimir um r, um espaço e um acento grave. Até aí tudo bem. Parece-me normal que se vá ao google procurar as maminhas à mostra da Fátima Lopes.
Só não sei é qual a Fátima Lopes de que essa pessoa queria ver as mamocas popotas. Mas também não é grave. Têm ambas umas bombocas todas larocas.
E estranho também não é. Eu própria, volta e meia, vou ao google procurar partes pudibundas geralmente ocultas mas que quero ver ao léu, por exemplo do Bruno Alves*. Por exemplo. Mas já me parece bizarro que o google ache que eu, Sta. UJM, estou munida de armas para satisfazer curiosidades relativas a coisas amotas.
Mas, enfim, insondáveis são os caminhos dos algortitmos que governam a nossa vida e este hoje deve ter pensado que se non è vero, è ben trovato 'e deixa cá ver se ela se esmera para dar boa resposta a todos aqueles que para ela são encaminhados'.
Pois bem. Sou bem agradecida, sim senhor. E, assim sendo, e admitindo que, quem até agora tiver vindo, viria debalde -- pois não tenho ideia de antes cá ter as maminhas da Fátima Lopes e, muito menos, amota -- aqui estou para, numa próxima ocasião, ter com que satisfazer a curiosidade do meu Leitor ou da minha Leitora.
E se não for nenhuma destas a Fátima Lopes pretendida, aqui deixo mais umas quantas senhoras (cujo nome desconheço) mas que também têm as mamocas quase amota.
_________________________________________________
Foi pena ninguém ter escrito: 'o ganda melão do láparo' para eu aqui poder mostrar qualquer coisa como isto aqui abaixo:
E agora, ó Láparo, que até a Fitch melhorou em dois níveis a apreciação da dívida portuguesa,
não vais às lágrimas com esta notícia? Não desatas, de novo, a rir na cara de Mário Centeno?
Mas pronto, é o que é. Não vale a pena bater mais no ceguinho. Já era. Parece que agora que anda feito sleeping partner, é que se lhe subiu a popularidade. O pessoal gosta dele é caladinho, feito morto. Vamos ver a grande diferença que vai fazer quando for sucedido por um dos dois vintage que saíram à cena, duas criaturas que pouco podem trazer de novo a menos de uma certa nostalgia pelo passado.
Da parte que me toca, o que tenho a dizer -- a estes ou a quaisquer outros ursos -- é que o que eu quero é que se f...
Estes levaram a sério a minha recomendação e foram f....-se no sentido biblico.
* Aquilo do Bruno Alves é mentirinha, atenção, Claro que não vou à procura dos interiores do rapaz. Ainda se fosse do Hugo Soares... Ah, esse sim. Ou o puto charila Leitão.
Levantei-me alta noite, saí de casa ainda noite, fiz-me à estrada de noite, depois, já a caminho, começou a madrugar, um frio dos beleleu, a espaços os campos meio branquelinhos, o carro a avisar que cuidado, gelo na estrada. Depois meetings, almoçaradas, etc e tal, e, compromissos cumpridos, de novo mais umas centenas de quilómetros. Felizmente, conversa agradável, nem se dá pelas horas de caminho.
De regresso, já noite, fisioterapia com ela que o ombro ainda não anda grande coisa. Não se dá por ela porque ando em contenção, mas não é sistema. Sobretudo, é coisa boa estar ali no gabinete, na maca, sossegada da vida, uns ricoletozinhos picotados pikaki-pikaki (tens, ondas curtas) umas formiguinhas electrónicas, e mais um laserzinho, e eu ali, descansada, mais a dormir que acordada. Depois massagem e movimentação, puxar, rodar, levantar. Dói um pouco mas tanto o sono e tal o estado de descontração que me mantenho quase a dormir. Ela pergunta: 'Dói?' e eu mal consigo responder: 'Dói um bocado mas não faz mal'. No fim gelo. Ela vem a medo: 'Agora a maldade... com este frio...' e eu: 'Ponha, não me custa, até gosto' e, então, é que fico mesmo quase pregada no sono.
E amanhã, outra vez, madrugar -- e vai ser programa corrido a acabar com um jantar de natal. Ainda falta algum tempo para a o menino aparecer nas palhinhas e o Santa Claus descer pela chaminé mas tantas as cenas e tão reservados estão todos os espaços que a malta tem que se organizar cedo e ir distribuindo os festejos ao longo do mês.
Mas isto para dizer que ando para conseguir tratar de uns assuntos antes de ir trabalhar e... não consigo. Sempre mil coisecas circunspectas a meterem-se no caminho. Ontem à hora de almoço, numa tremenda ginástica, lá consegui tratar de mais uns quantos cadeaux, mas ainda não está tudo. E o meu marido já começou a querer que eu me sintonize com os comes do dia e, por vontade dele, íamos já ao supermercado aviar a coisa. Mas eu ainda não estou aí.
Com isto, não é que o esspírito natalício ainda não tenha descido em mim: desceu. E até já há um pai natal barbudo e com óculos do lado de fora da porta e um outro, a pilhas, que trepa por uma corda pendurada no hall. E uma árvore de natal que é um cone encarnado e à volta do qual piscam 60 nano-lâmpadas. Tudo no chinês. E mais coisas. E, para que saibam, até umas cuecas artísticas do mais natalício que há eu trouxe. Vi e pasmei. Depois o meu marido disse: 'Todas as mulheres que passam por elas, vão ver melhor'. Trouxe-as. 1,5 €. Fantastiques. Até pom-pons têm dos lados.
Bem. Adiante.
(Que isto não são minudências que devam figurar num blog tão erudito).
Agora mais a sério. A ver se um dia fotografo os enfeites de Natal. Quem sabe se até as cuecas
(mas num dia em que não as traga vestidas, bem entendido, que não tenho o traquejo do Marcelo, não me ajeito com selfies).
Mas não era disto que eu queria falar. Queria era falar daquilo das Raríssimas mas como é tema em que quero pegar com pinças e ainda não sei por onde, ando para aqui a procrastinar. Isto do natal é mais pretexto que outra coisa que eu, na verdade, é mais bolos.
Bolos e chamuças. Hoje papei duas. Deliciosas. Quando me apanho com pitéus à frente, decreto que é dia da asneira. Nem me tenho pesado para não sofrer. Contudo, ainda estou no 40. Pretty girl. Resta saber até quando.
Mas, pronto, dizia que isto do natal é para encher enquanto me organizo mentalmente.
Não... Não é nada... É mesmo coisa do coração. E, para o provar, aqui estão, derramados ao longo do post, os meus votos. Trouxe-os em forma de gif que votos natalícios que se prezem devem vir com animação qb. Não se gastam. Duram até ao natal. Podem sempre aqui voltar que voltarão inexoravelmente a sentir o espírito de noël a descer por vocês abaixo (a descer ou a subir, tanto faz, só que, se for a subir é subir por vocês acima -- porque, sendo o christmas uma época de excessos, todos os pleonasmos devem ser wellcome).
E bora lá todos ensaiar a coreografia aqui abaixo. Pena que apareça aquele senhor tão estranho e com aquela boca tão desconcertante. Mas vá, a gente faz de conta que não o vê. Bora lá dançar.
(...)
Well let's all unite and share in this delight..
Christmas is a time to celebrate..
So get yourself together for Christmas weather
and let the candle light the way
hey we're gonna share a lot of festive huggin'
yeah we're gonna post a lot of yuletide lovin'
there won't be any tears if we all open up our hearts..
Teimo em não ter facebook nem twitter nem tretas dessas que causam dependência e nada acrescentam ao nosso conhecimento ou felicidade.
Comecei a fazer fisioterapia e, desde as fisioterapeutas aos clientes, aquilo lá parece tudo gente de sangue azul. Finos, finos, finérrimos. Quando me perguntaram como tinha eu dado cabo do ombro, disse que achava que tinha sido a podar árvores. Pois bem. Parecia eu que estava a dizer que tinha sido a andar de braço esticado a apanhar borboletas em Marte. Não percebiam. Mas... árvores? Árvores... de quê? De fruto? Mas como? E eu: pinheiros, azinheiras, aroeiras. De podão ou serrote. E elas estupefactas. Mas também bastaria olhar para as minhas mãos. Nada de nails artísticas, nada de gel, gelinho ou corte em bailarinas. Com as minhas mãos, ou campónia ou sopeira. Por mim, qualquer das duas. Com muito orgulho.
Mas mil vezes isso do que ser daquelas malucas que estejam onde estiverem tiram selfies, tiram fotografias à comida ou às paredes e logo as postam, passando depois o resto do tempo a rir, supostamente em estado de derretimento a ver os comentários dos 'amigos'. Não há pachorra.
Pior ainda é estar-se numa reunião em que cada um dos presentes (excepto eu!) está de tablet, entretido a ver as notícias, a mandar mails ou o escambau. Onde eles se acham uns moderninhos, eu acho-os uns palermas encartados. Uma vez calei-me e disse que me fazia impressão falar para quem não estava a prestar qualquer atenção. Ficaram todos ofendidos. Que estavam a prestar ultra atenção, ora essa, apenas tinham que ver algum mail em particular ou alguma cotação, coisa muito útil e muito breve. Sim, sim. Mostrei que não acreditava patavina e volta e meia repito a graça: perante uma pausa silenciosa, levantam logo todos os olhos dos computadores não vá eu fazer mais algum remoque.
O mundo tem coisas de gente burra. A espécie, quando vista em geral, parece tender para a anulação. O que se lê é maioritariamente lixo -- e é quem lê alguma coisa para além dos faces desta vida. O pessoal vai desertificando das ideias e baixando o nível de exigência. Aceita-se tudo, convive-se bem com o lixo. Não sei onde é que isto vai parar mas a sítio bom não é, de certeza. Nos Estados Unidos, já os levou ao Trump.
Mas pronto, acho que pouco há a fazer. Massificámos a estupidez e agora chapéu.
Cá para mim, a menos que haja algum dia uma barraca dos diabos e a malta ganhe verdadeira aversão à coisa, este é o inexorável caminho que estamos a trilhar.
Mas ainda há quem do disparate consiga fazer uma coisa boa. Neste caso, um alerta bem parido:
De Steve Cutts (de quem também são as imagens dos gifs): This is our world
...........................................
E para aqui estou a tentar acertar o raio de acção dos olhos com o ponto dos óculos em que a coisa se dá. Idem com a posição da cabeça a tentar alinhá-la com a das coisas que quero divisar. Não está fácil. Turvo, desfocado, esbadanado.
Nem sei se existe esta palavra (esbadanado) mas, olhem, se não existe, passa a existir.
Recebi mails simpatiquíssimos com palavras de incentivo e/ou conselhos práticos sobre como fazer uma pobre coitada para se adaptar a esta tecnologia avançada dos óculos progressivos. Por isso, embora contrariada, aqui estou a sacrificar-me até que o cérebro se habitue a tanta sevícia. Claro que só os uso à noite, aqui no computador. Para mais do que isso já seria preciso virar-me do avesso e para isso ainda não vejo necessidade.
Mas talvez por causa disso, de estar para aqui, azamboada, às voltas com as focagens, ainda estou com mais sono do que nos outros dias.
Dado o dia de cão que tive, estive a mandar mails de trabalho até há pouco. E era ver-me: toda esperta. Mal acabei a faena, pimba, a cabeça a pendular, os olhos a fecharem-se e eu toda off. Vá lá a gente perceber esta lógica. A pancada devia era ter-me dado quando me ocorreu estar a trabalhar até tão tarde. Santa paciência que até para mim já me falta, caraças. O que vale é que esta quinta vai saber-me a ginjas, pelo menos assim o espero, uma quinta toda prosa, toda sexta.
Acontece tanto. A gente a ver o que ali está e os incautos a acharem que não. E, mais tarde, mesmo quando perante a evidência dos factos os pategos, em processo de negação, ainda a acharem que a coisa talvez não seja bem como a gente a aponta... Na política, no trabalho, na vida social.
Um amigo meu, quando os factos provam que o que eu tinha antevisto acaba por se concretizar, diz-me: ter razão antes do tempo, na prática, é a mesma coisa que não ter razão. E é verdade. Acontece-me ser vítima disso com alguma frequência. Contudo, ultimamente estou mais numa de deixar andar até que os que não vêem um palmo à frente do nariz se estatelem. Acho que já dei demais para o peditório dos burros. E, quem diz dos burros, diz das bestas quadradas.
Depois penso que isto é capaz de significar que não estou a ir para nova. A PDI a atacar em grande estilo. Ou, então, estou a precisar de férias.
Não é novidade para quem por aqui me vai acompanhando: eu própria já me movi em terrenos relativamente próximos da inteligência artificial e, oh céus, eu própria me surpreendi com a correcção e capacidade de decisão daquilo que eu própria tinha idealizado e que, perante situações reais, processava mais informação, em menos tempo e melhor que eu.
Há mundos que, por quem deles se abeira, devem ser vistos com respeito, forte sentido de ética e com instinto de sobrevivência.
Podemos desenhar modelos e conceber mecanismos que sejam melhores que nós em determinadas funções. Fazê-lo, para quem o sabe, é canja. Mas não devemos também deixar de ter presente que mesmo que invisíveis, há linhas que devem ser vistas como linhas vermelhas. As tentações, nestes domínios, são perigosas armadilhas.
No outro dia já aqui falei de bonecos de aspecto humano e que, ao contrário das vulgares bonecas sexuais (antes simplesmente insufladas), inertes e desanimadas, são animadas, falam, respondem com inteligência e que até já estão a ser preparadas para demonstrar emoções e para serem sexualmente interactivas.
Pode parecer que tem piada.
Imagino: aqui ao meu lado, um tarzan, todo giraço, e eu: 'lindo, diz-me um soneto de Shakespeare' e ele, prestável, voz timbrada, simpático,
All the world’s a stage,
And all the men and women merely players;
They have their exits and their entrances,
And one man in his time plays many parts,
His acts being seven ages. (...)
E depois eu, 'fofo, agora dá-me um beijinho' e ele, cortês, a debruçar-se sobre mim e a perguntar-me com ar malicioso 'onde, madame...?'.
Muita graça. E, no entanto, graça nenhuma.
Deve ser uma coisa como, quando os bebés estão habituados a mamar do peito da mãe, em que têm que fazer força para puxar o leite, em que encontram sabores diferentes -- e depois um dia experimentam beber leite artificial pelo biberon e nunca mais querem outra coisa. Assim eu com o tarzan. Às tantas, tão simpático, tão disponível, tão prestável a toda a hora, tão fofo, tão diseur, quiçá cantador de baladas, quiçá até arranjava um que tocasse piano, ou, quiçá até que dançasse o tango --- e eu, esperta, pensava 'mas pera lá aí, com este tarzan que nunca protesta com nada e que tem o feitio de um santo, para que é que eu quero este aqui ao lado, que qualquer dia vai para velho, que se chateia quando tiro mais de mil fotografias e que acha sempre que faço comida a mais quando cá vem alguém e não pára de me chamar para me perguntar se eu estou à espera que ele fique a comer restos durante uma semana...? Ná. Fico mas é com o tarzan.'
O drama é que o meu marido poderia arranjar também um sucedâneo de mim, uma Kate Moss tal e qual, uma espécie de eu mas em bom, e, um dia, chegava eu a casa e tinha a beldade estendida no meu lugar do sofá, a falar sobre futebol com ele e ele todo entusiasmado por ter finalmente uma parceira capaz de o acompanhar em conversa tão relevante. Ou, quem diz a falar de futebol, diz a fazer a dança do varão. E ele todo babado, sem tirar os olhos dela.
Isto já para não falar que, quando fossemos trabalhar, ficavam a Kate e o Tarzan sozinhos em casa e, às tantas, ainda se apaixonavam um pelo outro e, quando chegássemos a casa, tínhamos as malas à porta e a fechadura trocada porque os marmanjões se tinham aboletado com a nossa querida casinha e tinham resolvido que estavam melhor sem nós. Forrobodó todo o santo dia e no need for humans.
Ficção...?
Pois. Mas talvez não muito distante.
E no trabalho. Há muitos anos que as linhas de produção estão automatizadas, que são autómatos que regulam e optimizam o seu funcionamento. Há muito que, a nível administrativo, os sistemas informáticos automatizam processos de facturação, de gestão de stocks, de organização de transportes, etc. Onde antes trabalhavam largas centenas de pessoas, pode agora o mesmo trabalho (ou melhor: mais trabalho) ser feito por escassas dezenas. Claro que há desemprego. Como não?
E é irreversível, isto.
Obviamente a população trabalhadora vai-se desviando para outras actividades: para o turismo, para a cultura, para o entretenimento. Mas a tendência é esta: grande parte dos trabalhos tende a ser desempenhada, com vantagem a nível de eficiência e de custos, por máquinas ou por programas informáticos.
Programa tem "tecnologia cognitiva que lhe permite pensar como um humano" e deverá aumentar a produtividade da empresa
Uma empresa japonesa de seguros vai substituir 34 dos seus funcionários por um software de Inteligência Artificial. A Fukoku Mutual Life Insurance acredita que ao instalar o Watson Explorer da IBM poderá aumentar em 30% a produtividade e poupar 140 mil ienes por ano, cerca de um milhão e 100 mil euros. (...)
O Watson Explorer vai ser instalado este mês por 200 mil ienes, cerca de um milhão e 600 mil euros, segundo o Telegraph, e a empresa acredita que em dois anos conseguirá reaver o investimento. Os trabalhadores vão ser despedidos em março. (...)
Learn how IBM Watson works and has similar thought processes to a human
¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
O tema tem tanto de fascinante quanto de assustador.
E uma coisa é certa. Não é ficção, não senhores. É a realidade e vamos lá ver se, burros como somos, burros, burros, burros, não nos estamos a habilitar a ser os dinaussauros dos tempos modernos.
¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
Informação aos leitores:
O post abaixo trata de um caso patológico. Não digo que o senhor, coitado, seja um psicopata. Mas bom da cabeça, cá para mim, é que ele também não é. Refiro-me a Campos e Cunha.
Depois do Money do post abaixo, visito agora os tempos modernos. Este é o meu tempo. O nosso tempo. O tempo de todos os absurdos.
O smatphone, a criatura mais inteligentes do planeta, leva o homem a passear, que por sua vez leva o cão que é levado pelo gato que é guiado pelo rato que é puxado por um verme qualquer
Não muito mais gratificante do que os tempos que, então, eram modernos e igualmente estupidificantes:
Amorfos, comendo tudo o que lhes é dado a comer. Informes. Quase acéfalos.
Assim muitos dos seres destes nossos tempos.
Nem beleza nem sensualidade. Indiferença e desistência.
Guiados pelas televisões, jogos virtuais e redes sociais
Violência sem sentido. Banalização do mal.
Até que um dia... as coisas começam a mudar.
Ou até alguém encontra motivos - ou motivação - para fazer diferente.
___
As imagens que usei pala 'enfeitar' o texto são, tal como no post abaixo, da autoria de Steve Cutts que é também o autor do vídeo What a hunt! inspirado em Melissa Bachman que gosta de caçar e divulgar os animais que abate.
Lá mais em cima, Charlie Chaplin é o empregado que é usado como se fosse um robot. Aqui já acima é ele de novo, maravilhoso, quase tocante de tão gracioso e engraçado que é, Charlie Chaplin. Canta e dança uma canção sem sentido. Eram, então, os Tempos Modernos.
___
* Independentemente de algum vestígio de razão que possam ter, eles (a Cristas e o Negrão e respectivos apaniguados), sobretudo eles --, pertencendo respectivamente ao partido de Paulo Portas, esse mestre na arte de tudo fazer e de sempre passar entre as pingas da chuva ou do partido de onde têm saído rezes tão impróprias para consumo como o Cavaco, o Cherne Durão ou o caloteiro Láparo -- deveriam era estar caladinhos. Por isso, não estranhem que hoje não fale de Rocha Andrade ou do joker Montenegro, da Galp ou da Olivedesporto. É que, Leitores meus, para o peditório dos pàfs não dou o que quer que seja.
____
E queiram, por favor, continuar a descer porque o capitalismo selvagem mora já aqui abaixo.
Só imagens e canções que hoje estou de poucas palavras.
O deslumbrado que até tem muita consciência social. Tanta que emprega gente quando podia usar bestas de carga.
Focado, lutador, determinado, assim é o verdadeiro homem de sucesso. Sem trabalho e esforço nada se consegue.
E no fim, quando tudo tiver ardido, ficam só eles, os mais ricos.
No topo de um mundo escaqueirado.
____
Liza Minnelli e Joel Grey interpretam Money makes the world go round, no filme Cabaret.
As imagens são trabalhos do inglês Steve Cutts para quem a insanidade humana é uma fonte inesgotável de inspiração e que é o autor da animação Man que já foi vista mais de 19 milhões de vezes.
No leito da morte, Gertrude Stein ergueu a cabeça e perguntou: "Qual é a resposta?". Como ninguém falou, ela sorriu e disse: "Nesse caso, qual é a pergunta?"
2.
Temos em mãos vários fios, e o mais provável é que um ou outro nos conduzam à verdade. Podemos perder tempo a seguir o fio errado, mas mais tarde ou mais cedo encontraremos o certo.
3.
Ulisses: Conhecei o mundo inteiro.
4.
Formular uma pergunta é resolvê-la.
5.
Deu ao Homem a linguagem, e a linguagem criou o pensamento, que é a medida do universo.
6.
"Para onde vais?", perguntou o leitor ao cavaleiro, "Aquele vale é fatal quando as fornalhas ardem, acolá fica o monturo cujos odores enlouquecem, aquela fenda é o túmulo onde os altos regressam."
7.
"O mundo é como a impressão que fica depois de uma história ser contada."
8.
Sob o luar, a sombra de um gordo precede-me na estrada que vou a descer; e se me virar e fugir, ele persegue-me: é este o homem que devo conhecer.
9.
Vladimir: Que fazemos aqui, eis a questão.
10.
Nunca perguntes o caminho a alguém que o conhece, porque assim não poderás perder-te.
11.
Os homens receiam que as mulheres se riam deles. As mulheres receiam que os homens as matem.
12.
O cão, que, com todo o seu ímpeto e ferocidade, quando vem para morder, se se deitam no chão, não faz mal; isto por piedade.
13.
Einstein: Mas, seja como for, não podemos fugir às nossas responsabilidades. Estamos a fornecer à humanidade fontes colossais de poder. Isso dá-nos o direito de impor condições. Se somos físicos, temos de nos tornar políticos do poder.
14.
E o apetite, esse lobo universal, tão duplamente secundado pela vontade e o poder, tem de forçosamente fazer uma presa universal, e por último devorar-se a si mesmo.
15.
A terra não discute, não é patética, não faz arranjos, não grita, não apressa, não persuade, não ameaça, não promete, não discrimina, não concede fracassos, nada fecha, nada recusa, nada exclui, de todos os poderes, objectos, estados, todos notifica, nenhum exclui.
16.
Não existe... a morte... Só existo... eu... eu... que morro...
17.
Acredito que estou no Inferno, logo estou lá.
18.
"O que é a verdade?", perguntou Pilatos, jocoso, sem ficar para ouvir a resposta.
....
.....
.....
........
1. Donald Sutherland, Gertrude Stein: A biography of her work 2. Sir Arthur Conan Doyle, O cão dos Baskervilles 3. Shakespeare, Troilo e Créssida, acto 2, cena 3
4. Karl Marx, Zur Judenfrage
5. Percy Bysse Shelley, Prometeu Libertado
6. W.H. Auden, Cinco Canções, V
7. Valmiki, Yoga Vasistha, 2, 3, II
8. James Reeves, "Coisas Vindouras"
9. Samuel Beckett, À Espera de Godot, acto 2
10. Rabino Nachman de Breslau, Contos
11. Margaret Atwood
12. Fernando de Rojas, A Celestina, canto 4
13. Friedrich Dürrenmatt, Os Físicos, acto 2
14. Shakespeare, Troilo e Créssida, acto I, cena 3
15. Walt Whitman, Folhas de Erva
16. André Malraux, A Estrada Real
17. Arthur Rimbaud, Noite do Inferno
18. Francis Bacon, "Da Verdade"
....
Todas as citações do início do post, de 1 a 18, cujos autores se encontram acima, abrem alguns dos capítulos de 'Uma História da Curiosidade' de Alberto Manguelque tenho estado a folhear, surpreendida e agradada, e que mal posso esperar para degustar pausadamente, deleitadamente.
(O título do post é o início do capítulo I, cujo título é 'O que é a curiosidade?')
As imagens referem-se à Divina Comédia de Dante Alighieri
A música é "Blessed is the Man" que pertence a Vespers Op. 37 de Sergei Rachmaninov (Russian Orthodox Vespers Service) numa interpretação a cargo de Mikhail Ivanovich Glinka Choir.
A animação é de Blanca Li - "Le Jardin des Délices"
14 and Shakespeare the Numbers Man: a Matemática e a Poesia, pelo professor Professor Roger Bowley
A dança é Silhouette, uma coreografia da mesma Blanca Li sobre música de Tao Gutierrez
...
E, por hoje, pouco mais.
Não vou falar da actualidade já que não me interessa, nem um bocadinho, se o Mourinho foi despedido.
Vendo-o, sempre enjoado, tantas vezes pensei que não percebia aquela pose. Se não gostava, pois que não comesse. Portanto, se tudo lhe estava a correr mal e se ele já não estava com pachorra para maçadas, pois que fosse para casa. Ora se, ainda por cima, vai para casa com uns milhões valentes na mão, pois melhor para todos.
Também não vou comentar o caso do Banif pois era mais que esperado.
Quando a bulha rebentou entre herdeiras, deu para perceber que, o que viria a seguir, não seria bom de se ver. Mas os depositantes não terão problemas pelo que não há razão para alarme social.
Também não vou comentar aquilo da Manuela Ferreira Leite dizer que não é a altura certa para se reflectir sobre o Banco de Portugal.
Lá está ela. Parece tão atinadinha mas, quando a coisa toca aos ex-colegas e amigos do BdP (nomeadamente, às matrafonas adormecidas Carlos Costa e Aníbal Cavaco), logo ela sai em sua defesa. Bolas para ela.
Também não quero saber se o filho da prima da mulher do Rajoy, que lhe deu um murro na cara, é maluco, desequilibrado ou aventureiro.
Gostava era que o Rajoy fosse corrido do mapa eleitoral. Era bom que estes trastes todos levassem uma corrida em osso.
Muito menos vou falar do Passos Coelho, esse brincalhão, a dizer que acalmou os correlegionários do PPE.
Às tantas, se não fosse ele, os outros vinham por aí, de lanças na mão, a ver se libertavam o país do jugo marxista-leninista, não? Não se enxerga, aquele láparo mitómano. Porque será que não vai para casa fazer farófias para fora, que talvez fosse útil a alguém?
E, obviamente, não vou falar do dó que até mete o papel de décima-sétima categoria a que o vice-Portas está votado, nada lhe restando senão por aí andar, pelos cantos, a remorder a propósito do que o António Costa diz.
É que já ninguém quer saber dele para nada e ele, pateticamente, ainda não percebeu. Tornou-se irrelevante. Nada do que ele diz interessa a quem quer que seja. O jantar já acabou e ele ainda não percebeu que já deveria ter-se levantado da mesa há que tempos.
...
Portanto, meus Caros, não levem a mal, mas hoje prefiro ficar-me pela história dacuriosidade e vou ler um pouco do belo livro que tenho aqui ao meu lado (bem, belo, belo... Tenho que dizer que não acho muita graça ao design encardido da capa mas, enfim, relevo face à qualidade do interior)
...
Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela sexta-feira.
..