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quinta-feira, setembro 17, 2026

Ângela Silva: mal educada, sectária, antipática, ou, simplesmente, má jornalista...?
Pergunto a propósito da desastrada (pseudo)entrevista que fez a José Luís Carneiro

 

Em seu tempo conhecida como a 'Fonte de Belém em 2ª mão' (escuso de dizer que de Marcelo se dizia ser a verdadeira Fonte de Belém), Ângela Silva parece mover-se por afinidades e pancadas e não pelo brio ou rigor jornalístico. Dela não conheço -- ou, pelo menos, disso não me lembro -- uma entrevista que desse gosto ouvir ou que tenha ficado para referência futura. Não tem profundidade, não tem argúcia, e é condescendente com quem gosta e quezilenta com quem não é do seu agrado.

A entrevista que ela, o Bernardo Ferrão e o Paulo Baldaia fizeram esta 4ª feira, na Sic N, ao José Luís Carneiro bem pode ser usada nas aulas de Jornalismo para ilustrar o que é uma não-entrevista, ou melhor, para ilustrar como não deve ser conduzida uma entrevista -- muito devido à sua intervenção.

Foi mal educada, falando por cima do entrevistado, não o deixando concluir os raciocínios, interrompendo-o com outros assuntos, fazendo trejeitos e mostrando uma antipatia que uma pessoa com um mínimo de boas maneiras não faz, pelo menos em público e, muito menos, com um convidado. E com uma cara de raiva que constrangia. As narinas abriam-se mais do que o costume, quase parecia que ia deitar fogo e fumaça por elas de tal forma parecia descontrolada. 

Senti-me incomodada. O José Luís Carneiro foi convidado para estar ali. Supostamente queriam ouvir o que ele tinha para dizer. Mas Ângela Silva não: não queria ouvi-lo, não queria que ele falasse. Por duas vezes, José Luís Carneiro teve que chamar-lhe a atenção, sempre de forma afável e paciente. Não sei como conseguiu manter a bonomia apesar dos atropelos sistemáticos dela.

Aquilo que se ensina às crianças de não falar por cima dos outros, de esperar que a pessoa acabe para então falar, pelos vistos ninguém ensinou à Sra. Silva. Custou-me a assistir àquela grosseira falta de educação. Felizmente àquela hora as crianças já estão a dormir e nem é programa que costumem ver, mas, de qualquer forma, é recomendação que aqui deixo: quando Ângela Silva estiver numa de tentar destruir um entrevistado, retirem as vossas crianças da sala porque o que vai acontecer é uma avalanche de provas de má educação a que as crianças devem ser poupadas não vão achar que é normal alguém portar-se daquela maneira.

Depois de ser chamada à atenção pelo José Luís Carneiro, a senhora ficou ainda pior, passou a demonstrar rancor, já não conseguia conter-se, afogueada -- e a falta de educação tornou-se ainda mais gritante, já era uma coisa quase irracional. Dir-se-ia que estivesse ela em cima de um tractor e o José Luís Carneiro correria sérios riscos.

Quem esteve mais normal, isto é, mais jornalista foi o Paulo Baldaia. Perguntou, ouviu a resposta, contra-perguntou. Tudo na decência, tudo num registo civilizado. 

O Bernardo Ferrão, entalado entre o Paulo Baldaia e certamente incomodado com o indecoro da Ângela Silva, mostrou-se periclitante, sem encontrar o registo adequado. Via-se que queria ser jornalista mas deve ter pensado que se o mostrasse, deixava a Sra. Silva isolada, ainda mais exposta na sua investida desencabrestada contra o José Luís Carneiro. Por isso, com ar atrapalhado, lá foi fazendo perguntas das quais não rezará a história.

A Sic tem alguns problemas com os seus jornalistas e comentadores. Alguns jornalistas não o são na verdade, são gente de claques, gente que demonstra ter uma agenda própria, vão para as entrevistas ora para bajular os entrevistados do coração, ora para cair em cima, à bofetada e ao pontapé, àqueles que não são da sua afinidade política. Dos comentadores nem me apetece falar. Não sei onde recrutam alguma daquela maltosa que por lá aparece e que me obriga a fugir a sete pés.

Enfim. Bem poderiam aprender com o Anderson Cooper ou com a Christiane Amanpour, só para citar dois.

Quem esteve bem foi José Luís Carneiro. Um senhor. Mostrando-se conhecedor de todas as matérias, com ideias concretas e propósitos bem definidos, conseguiu manter a serenidade apesar do destratamento de que foi alvo. É preciso estofo e fibra para se ser político nos dias que correm. Percebe-se que poucos dos verdadeiros políticos estejam para aturar coisas destas. 

Não nos admiremos pois que o palco vá sendo aberto a artistas de stand up, a arruaceiros, a trauliteiros, a aldrabões. A Comunicação Social tem muita responsabilidade na degradação da democracia, na deterioração do nível intelectual e humano das figuras públicas.

segunda-feira, fevereiro 15, 2016

Paulo Baldaia, António Costa (ex-Diário Económico), e essa gente que salta de canal em canal, da rádio para a televisão, sempre a dizerem mal do actual Governo como se, pelo contrário, o Governo de Passos Coelho tivesse feito uma única coisa de jeito, pretende o quê? Quem os contrata, contrata para quê? E quem dá voz às desvergonhices de Passos Coelho pretende o quê? Não há paciência! Essa gente não tem um pingo de amor pelo seu próprio País? Ou é tudo gente burra?


Está de chuva, um tempo tramado. Uma pessoa arruma a casa, faz o jantar, lava a roupa e, às tantas, desliza até ao sofá. E, então, merecidamente, descansa, lê, e, por fim, para ver a quantas anda o país, liga a televisão e... miséria: aí estão eles. 

Por todo o lado, Passos Coelho, com aquela sua cara de pau, aparece a dizer que não acha bem tanto imposto ou que não acha bem o capital chinês que porventura se infiltrou na TAP ou que o Banif no tempo dele é que estava bem, e a gente pensa que o fulano devia ser internado, tanto descaramento e falta de vergonha já parece padecimento de foro mental. Mas, pior ainda, deve estar quem oferece palco a criatura com tão patológico comportamento.


Mudo de canal, farta, e eis que, do outro lado, me aparece o Baldaia a dizer coisas que não colam com a realidade, teses lunáticas, a defender o indefensável, parece que tem ódio a estes que agora nos governam ou, então, tanta parvoíce bolsa a toda a hora que já não sabe o que diz.

E depois é aquele que trabalhava num jornal económico que parece que foi à falência, um tal que também se chama António Costa, e que agora anda também por todo o lado a atacar a eito o que este governo faz mas antes de o ter feito.

Ou é o José Gomes Ferreira que ora é comentador, ora é entrevistador, ora escreve armado em economista doutorado em finanças públicas. E sempre, sempre, sempre, doentiamente sempre a agitar papões, fantasmas, como se deste governo apenas pudesse vir a peste suína, a peste amarela, a peste negra e como se, pelo contrário, as anteriores políticas tivessem sido bem sucedidas. Ouve-se o que a criatura exala e vê-se, em forma de palavras, o que é a incoerência e a falta de sentido de responsabilidade ou ética.

Qualquer órgão de comunicação social que prezasse a isenção, o rigor e a decência proibia isto. Mas aqui não, aqui dá-se palco a estas criaturas que ou padecem de um permanente vício de raciocínio ou de taras.

E quem diz estes, diz outros de quem não sei o nome e que já se dão ao luxo de até prever a queda do governo. E, pela forma como o vaticinam, adivinha-se como exultariam se isso acontecesse.

Uma vergonha, esta gente. 

Qualquer burocrata em Bruxelas ou alemão de raça canina que arreganhe o dente, querendo vergar a coluna aos portugueses, e aí está, acto contínuo, uma tropa fandanga -- que, parecendo que anda a fazer o trottoir e a rodar a bolsinha de esquina em esquina, circula entre a rádio, a televisão e os jornais -- a dar-lhes razão e a querer derrubar os que defendem a soberania e uma melhoria de vida para os portugueses.

Não sei o que é isto. Será que as mães foram picadas, em seu tempo, pelo zika? Ou será que a estupidez e o ódio é doença contagiante e se infectaram uns aos outros?

O que sei é que há uma chusma de gente desqualificada que não sei se deliberadamente ou na maior ignorância -- ou até talvez como torpe forma de vida -- não se cansa de vilipendiar os que lutam pelo desenvolvimento do país. Na sua encarniçada sanha persecutória, estas Direcções de Informação e e estes comentadores avençados (que, de caminho, estão a destruir a imagem do jornalismo em Portugal) mais parecem defender uma abúlica rendição colectiva às mãos dos agiotas que mais não são do que agentes dos ditos mercados.

E mais não digo que o comportamento desta gente me revolve as entranhas. Lamento dizer mas a verdade é que penso neles e só me lembro de ratos.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa semana a começar já por esta segunda-feira.


domingo, março 02, 2014

"E ainda querem falar de natalidade? Haja vergonha!" diz Paulo Baldaia a propósito da suspensão da atribuição de subsídios a crianças pobres com necessidades especiais ou deficiências. "O que mais perturba (...) é ter um primeiro-ministro que tem como principal aliado, como alma gémea, (...) alguém que está na política para fazer outra coisa qualquer que não política" explica Pedro Marques Lopes, referindo-se, claro, ao regresso do fantasma Vai-Estudar-Ó-Relvas oas cargos dirigentes do PSD. Ambos os artigos no DN.


Não gosto de transcrever artigos na íntegra pois pode parecer que quero usurpar o mérito alheio. No entanto, dois artigos que acabo de ler merecem-me tal apreço que me permito transcrevê-los quase na íntegra. Ou melhor, o primeiro deles, o de Paulo Baldaia, vou mesmo divulgá-lo todo pois tenho dificuldade em extrair parágrafos sem lhe retirar a força.

Lidos pela ordem que aqui vos mostro, talvez fique clara a explicação para a estupidez e desumanidade, para a canalhice política que tem o seu corolário na situação descrita por Paulo Baldaia: talvez tudo resulte, sobretudo, da maneira de ser dos fautores de toda a demencial e sangrenta estratégia que, tão laboriosa e insensivelmente, vem sendo levada a cabo, fautores esses de quem Pedro Marques Lopes fala no seu artigo.

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Para acompanhar a leitura destes dois textos, que venha Yo-Yo Ma e interprete Bach 

(Sarabande of the Six Suite for Unaccompanied Cello)


Dança sobre o gelo a cargo de Jane Torvill e Christopher Dean.




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Sexta, às nove - por PAULO BALDAIA


Sexta-feira, às nove da noite, estava em casa a ver um programa de reportagem na RTP com o nome que dá título a esta crónica. A essa hora fiquei com a certeza de que a sociedade faliu por decisão política. Há crianças pobres com necessidades especiais e com deficiências a quem o Estado está a recusar subsídios, que até aqui fornecia.

Para que não pareça apenas mais uma crónica contra a austeridade, devo recordar que eu sou dos que entendem que Portugal viveu acima das suas possibilidades, dos que entendem que o Estado tem de deixar de ter défices para poder pagar o que deve, dos que entendem que os cidadãos não podem exigir do Estado o que Estado não for capaz de pagar.

Mas não é do pagamento em auto-estradas que um dia foram grátis que estamos a falar. Nem sequer de cortes nas pensões e nos salários ou da brutal carga de impostos que queima em lume brando a classe média. É pior, muito pior. É a desistência de seres humanos que, pela sua fragilidade, mais precisam da nossa ajuda.

Eu pago impostos e pago-os com gosto por ver neles a vantagem de estar a contribuir para uma melhor redistribuição da riqueza, mas, acima de tudo, porque sei que há determinadas coisas que só o Estado pode resolver e que para isso precisa de dinheiro.

Na reportagem da RTP havia, por exemplo, uma criança de seis anos que estava a dar os primeiros passos no mundo das palavras (apenas dizia carro). A família, com um rendimento de 900 euros, viu recusado um subsídio de 300 para pagar uma das terapias de que a criança precisa. E a outra família com um rendimento de 620 também foi retirado o subsídio. Não estamos, portanto, a falar de o Estado recusar ajuda a uma família que tem rendimentos que dispensam esse apoio.

Sexta, às nove, fiquei a pensar em jornalismo e a desejar que aquela reportagem seja suficiente para os governantes corrigirem o tiro. Não consigo perceber como alguém consegue dormir tendo responsabilidade nesta matéria, nem entendo como pode algum político aceitar como opção cortar nos subsídios a crianças que, tendo nascido com necessidades especiais ou deficiência, vivem em famílias com carências financeiras.

Sim, eu sei, sabemos todos, que o dinheiro não chega para tudo.

Num país que tem mais de 300 mil desempregados sem qualquer rendimento ou subsídio do Estado, é evidente que, pelo menos temporariamente, deixar pessoas para trás e sem qualquer apoio é uma opção política que alguns consideram válida. Incluir neste pelotão de deserdados crianças que tiveram a dupla infelicidade de nascer com deficiência e em famílias carenciadas não é apenas uma questão política, é uma questão civilizacional.

E ainda querem falar de natalidade? Haja vergonha!


No DN

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A alma gémea - por PEDRO MARQUES LOPES



O Congresso do PSD da semana passada não teve propriamente muitas novidades.

(...)

Apareceu Marcelo Rebelo de Sousa, que fez questão de se rir na cara de Passos Coelho, como quem diz: "Podes-me chamar cata-vento e tudo o que tu quiseres, mas não tens outro remédio senão apoiar a minha candidatura à presidência." Assim se encerra definitivamente o dossier candidato do centro-direita, para desgosto dos barrosistas e dos assessores políticos mais próximos de Passos Coelho que adorariam criar uma espécie de Sarah Pallin à portuguesa.

E, claro, o regresso de Miguel Relvas à política. Imagino que para quem teve tanto trabalho a tornar minimamente interessante um congresso sem assunto, a dar-lhe dinâmica e a tentar criar factos políticos, será duro perceber que o grande tema do evento foi o regresso de Relvas. Mas foi. As más notícias batem sempre as boas, já se sabe.

Há quem tenha dito, com alguma piada, que Passos Coelho está tão preocupado com uma eventual derrota, ou vitória demasiado curta, de António José Seguro, nas eleições europeias, que trouxe Miguel Relvas de novo para a política. 

De facto, o antigo ministro é, para todos os portugueses e para grande maioria dos congressistas do PSD presentes no Coliseu - como se percebeu pela votação na lista que ele liderava -, o símbolo de algo que ninguém quer na vida política. 

Ao contrário do que o primeiro-ministro possa pensar, ninguém se esqueceu das mentiras ao Parlamento, do patético processo da licenciatura, da inexistência dum pensamento político minimamente elaborado, dos truques, da RTP, da TAP, dos ditos por não ditos, dos negócios mal explicados. 

Francisco Assis talvez não o faça, mas nada melhor para que Paulo Rangel perca votos do que recordar amiúde que Miguel Relvas o está a ajudar na campanha.

Agora parece que, afinal, estávamos todos enganados. Miguel Relvas encabeçou a lista, patrocinada por Passos Coelho, ao Conselho Nacional do PSD, principal órgão do partido entre congressos, mas não está de regresso à política. 

Foi o próprio ex-ministro que o afirmou, na última sexta-feira, ao semanário Sol.

A pergunta impõe-se: se Miguel Relvas vai para primeira figura dum órgão político mas não vai fazer política, vai para lá fazer o quê?


Há um lado quase ingénuo nas declarações do ex-político mas principal figura dum órgão político, atual consultor de empresas mas sem que se saiba que tipo de consultoria faz. Sim, obrigado pela lembrança, nós sabemos que há muita gente que está na política para tudo menos para fazer política. 

Homens e mulheres para quem a política é uma maneira de arranjar contactos, oportunidades de negócio, empregos. Até para vender consultoria, às tantas.

(...)

O que mais perturba, porém, é ter um primeiro-ministro que tem como principal aliado, como alma gémea, como compagnon de route, alguém que está na política para fazer outra coisa qualquer que não política.


No DN


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As três últimas imagens são, como é fácil ver, da autoria do responsável pelo inspirado blogue We Have Kaos in the Garden


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