Não posso aqui desfiar tudo o que me tem ocorrido desde que li que Schäuble disse que Centeno é “o Ronaldo do Ecofin”.
A minha veia metafórica borbulha com verdadeiras epifanias em torno do tema.
Vejo o Schäuble a seviciar, com esgares de sadismo, a sua dilecta pupila Pinókia Albuquerca, vejo o Schäuble a obrigar o servil Gaspar a praticar actos impuros (e abstenho-me de usar a partícula reflexa para não dizerem que estou a pisar a linha encarnada), vejo o Láparo pelas ruas da amargura, a correr com o rabo em chamas ou então a ganir de rua em rua e o mastim alemão a acelerar na cadeira de rodas atrás dele, a rosnar-lhe, de dente afiado... vejo coisas assim -- mas tudo em brejeiro, tudo recorrendo a um vocabulário vernacular, impróprio para consumo.
Ajoelhou... tem que rezar!
[Ai não, não era isso, desculpem: era 'tem que pagar']
Ora, atendendo a que este é um salão onde se usa apenas o mais fino léxico e a mais requintada semântica e que eu própria cubro o meu púdico rosto quando alguma ideia menos piedosa se me ocorre, coibo-me de aqui verbalizar os meus pensamentos.
Limito-me a, caridosamente, recomendar ao nosso Láparo de estimação que, depois desta do Schäuble a comparar o Centeno ao CR7
-- e do Marcelo, esse ubíquo e fofo catavento, vir dizer que por uma vez o sinistro Rottweiler não tinha pensado mal --
tente ele (ele, Láparo) acalmar o ânus com água de malvas, quiçá aplicar também unguento para assaduras (vaselina não, que isso poderia dar más ideias a algum malandreco que tenha contas a ajustar). Ou, não tendo nada disso em casa, pois que encha o bidé de água, coloque lá uns cubos de gelo, e ponha o rabo de molho. Há-de passar. O tempo tudo cura.
Ok, ok, já sei que tenho um coração de manteiga, sempre com pena dos desvalidos. Mas, fazer o quê?, estou com uma peninha dele... cada vez numa saia mais justa, sem chão onde pôr o pé... Só falta mesmo a Teodora oferecer flores ao Costa e fazer um striptease para agradar ao Centeno. Sim, já só falta isso.
Portanto, com vossa licença não falo mais no assunto. Pena, pena do pobre coitado. Apenas transcrevo mais uma coisitinha que li:
“Há doze meses, era tudo tão diferente. Portugal estava à beira das sanções económicas da União Europeia e o sucesso do seu novo Governo de coligação de esquerda estava longe de ser assegurado. Hoje, já não viola as regras orçamentais da UE e espera entregar antecipadamente 10 mil milhões de euros ao FMI”, lê-se na newsletter do “Politico” (que acompanha as políticas e personalidades da União Europeia).
Ui... Coitado do láparo.
[E mais não digo. Não quero que pensem que gosto de pisar em quem já está mais do que no chão, e ainda por cima, agora, o pobre com o rabiosque a arder daquela boa maneira. Ainda vinham dizer que eu sou insensível ao sofrimento do coitado do láparo ou dizer-me que estou assim porque não é comigo, que pimenta no cu dos outros é refresco. Não, não. Calo-me já.]
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Mas, já agora, permitam que partilhe convosco a lembrancinha que o ex-amigo do coração, Schäuble de sua graça, (ex-amigo do láparo, atenção! -- não meu), lhe deixou aqui para o poor, poor coitado, ir ouvindo enquanto estiver a tentar apaziguar os calores da assadura anal.
[And pardon my french]
Uuuuhhh...
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As imagens que usei para enfeitar o misericordioso texto provêm da infindável arca do saudoso blog We Have Kaos in the Garden
(com quem muito divergi nos tempos que ele refere ao dizer que integrava então a escola da pureza inconsequente)
Em 2008 a Europa estava a ferro e fogo com os fundos abutres a sobrevoarem as economias mais débeis, fundos que fazem apostas e que ganham com os incumprimentos, fundos que sobrevoam os países ou as empresas onde sentem o cheiro morno na carniça.
Poderia relembrar que a mesma Europa que antes, e bem, tinha tentado fazer frente a essa ofensiva dando ordem para que se avançasse em força com o investimento público para ver se se mantinham os motores da economia em movimento, veio depois (assustada com o escândalo das contas públicas falseadas da Grécia - falseadas com o apoio da Goldman Sachs e com a Alemanha a olhar para o lado, a fingir que não via, note-se) a mandar travar a toda a força, impelindo estes países para uma austeridade radical, provocando a angústia e incompreensão dos povos envolvidos.
"O Fabricante de Máscaras", (Wikicommons, Carlos Orduna)
Debaixo de um fogo externo severo (e não tendo maioria no Parlamento e, ainda por cima, sujeito a campanhas sórdidas forjadas pelos apaniguados do PSD, nomeadamente pelos Jotas que vieram depois a descrever em pormenor a forma concertada como actuavam nas redes sociais e comunicação social), Sócrates negociou um programa que tinha o apoio da Comissão Europeia, da Merkel, da França, do BCE, contando que, entretanto, viesse a ser aprovado um outro programa europeu que permitisse a Portugal sobreviver sem ter que se chamar a troika - uma vez que sabia que, entrando a troika, Portugal ficaria francamente sem grande margem de manobra para decidir. Tentou fazer aquilo que, mais tarde, por exemplo, a Espanha conseguiria, isto é, resolver, por meios próprios e recorrendo ao menor mal, o ataque que se abatia sobre o País.
Mas o PSD de Marco António, Relvas e Passos Coelho estava noutra, a avidez pelo poder era muita, era cega. O CDS, qual mulher fácil, abeira-se sempre dos que se acercam do poder e, portanto, também embarcou na aventura. Numa união espúria (que para sempre carregarão nas costas), o PCP e o BE aliaram-se ao grupelho mais desqualificado de que havia memória.
O que aconteceu foi o expectável: o Governo caíu, a troika veio.
Na altura, tirando alguns aspectos como alguma redução dos direitos dos trabalhadores (que achei que deveria ser, depois, renegociado) e tirando o facto do prazo ser muito curto (devendo, também, ser posteriormente renegociado), não fiquei especialmente chocada com o programa da troika. Havia um conjunto de propostas, até relativamente equilibradas, para reformar todas as artroses da administração pública, as metas eram razoáveis, estimulava-se o diálogo entre os parceiros e o reforço dos apoios sociais.
Contudo, como todos os alunos marrões e pouco dotados, o novo governelho, este que ainda se conserva em funções, achou que se um comprimido por dia fazia bem à anemia, então porque não tomá-los às mãos cheias?
Nessa altura, quais porcos a tomar conta da quinta, decretaram que o programa da troika era o programa deles e que iriam ainda mais longe do que o que era requerido.
Mas talvez tão grave quanto isso foi nunca terem percebido a razão da crise. Desde o início - e penso que até agora - pensaram que o problema residia na imoralidade ou fraqueza individual dos mais carecidos: os velhos que recebiam pensões mais altas do que o que precisavam, os desempregados que não trabalhavam porque não queriam, os mais pobres dos pobres que tinham contas no banco, os que compravam uma televisão quando podiam vê-la na montra da loja. Entretidos com a sua própria estupidez e moralidade balofa, não cuidaram sequer de fazer um simples cálculo aritmético para perceber quão ridículo era o seu raciocínio: quanto é que cada um desses pobres ou piegas precisava de ter gasto a mais para gerar um buraco tão grande nas contas do país? Se o fizessem perceberiam que jamais aí poderia ter residido a raiz do problema. Não perceberam isso tal como não perceberam que são os erros de gestão, nomeadamente os de gestão financeira (não terem renegociado os swaps de alto risco), o material de guerra pago por valores excessivos para cobrir luvas e outras prebendas, o dinheiro desviado da economia para offshores, o peso do serviço da dívida, a importação para suprir a ausência de indústria, e todas essas debilidades nacionais que pesam, e como pesam, no drama deste pobre país - e que deveria ser aí que deveriam ter incidido a sua acção,
Mas não. Não têm cabeça para tanto.
O desastre foi o que se viu. Perante os sucessivos desaires, Vítor Gaspar ia-se confessando perplexo, nunca percebia o que acontecia. Cortava nos ordenados e nas pensões, aumentava impostos, cortava nos apoios sociais, aumentava transportes e taxas moderadoras e, para espanto dele, as empresas começaram a fechar e o desemprego a aumentar para além do previsto.
Como todos os burros encartadados, os membros do governo não conseguiram nunca perceber o nexo causal entre as causas e as consequências, olhando apalermados a realidade que desfilava perante si. E, para espanto da maior parte da população, para tentar corrigir a rota, os do governelho persistiram na receita e, alheados até da lei, foram sempre tentando aumentar a dose.
E foi assim que a Segurança Social começou a desequilibrar-se, a dívida pública a aumentar, o défice a não abrandar, a recessão a impor-se, a emigração a aumentar.
Até que, não conseguindo mais gerir o descalabro, Vítor Gaspar se foi embora, confessando que tudo lhe tinha fugido das mãos, que a receita estava errada.
Poderia pensar-se que os que ficaram aprendiam alguma coisa com a lição. Mas não. Menos inteligentes ainda do que Vítor Gaspar, continuaram a persistir nos erros.
Depois de cortarem no rendimento disponível e na liquidez circulante, desataram a cortar naquilo a que chamaram gorduras: na investigação, no ensino, na saúde, na justiça. Sempre à toa.
É que poderiam tê-lo feito (embora o não devessem porque racionalizar não é eliminar!) com um mínimo de ponderação ou racionalidade. Mas não. Cortaram mãos, braços, pernas, com a displicência de quem corta cabelos ou unhas. Com os corpos em sangue e em sofrimento, apresentam-se, lampeiros, a pedir desculpa pelos transtornos ou a fazer pueris habilidades verbais.
Mural de Rivera pintado no Palácio Nacional, México
E nós assistimos perplexos à desvergonha, ao desrespeito desta gente. Pensamos, com pudor, que um povo não deveria ser governado por gente tão ignorante. É que é tudo muito mau, mau demais, humilhantemente mau demais.
A devastação que esta gente provocou no País vai ser difícil de corrigir.
Há questões que são estruturais e só gente muito inconsciente e irresponsável é que, querendo fazer arranjos em casa, desata a deitar abaixo os pilares e as traves, as paredes mestras, a escavar dentro de casa. E nem mesmo quando lhes cai o tecto em cima percebem que a culpa é do que estão a fazer.
Durante muito tempo me interroguei: será deliberado? será ideologia?
Mas agora tenho para mim que não: é burrice mesmo, apenas burrice, aquela burrice estulta dos que nem sequer se sabem burros.
Augustin de Lassus
Ao fim de três anos, a dívida disparou para valores assustadores, o défice não desceu nem dá mostras de estar controlado, o desemprego mantém-se elevado, o esbulho fiscal mantém-se, a economia está mais débil que antes e, mais preocupante, e isto é mesmo o mais grave, o investimento parou e a demografia prenuncia uma catástrofe a prazo. Ou seja, o mal que foi feito não é apenas um mal imediato: não, é um mal que vai perdurar.
Poderia ainda falar em tantos outros aspectos. Mas são tantos.
Por exemplo, poderia falar na cegueira e leviandade como se actuou no caso BES deixando ruir e despedaçar um banco que era um pilar do sistema financeiro português, poderia falar no que está a acontecer na PT em que com a mesma ligeireza dizem que não têm nada a ver com isso, como se os 14.000 empregos directos e os ainda em maior número indirectos ou um importante centro de decisão nacional ou a detenção de tecnologia fossem letra morta, objectos dispiciendos.
Poderia também falar na ligeireza com que entregaram a energia aos chineses, parte significativa dos seguros aos chineses, os aeroportos aos franceses, os correios a não se sabe quem, e, com idêntica ligeireza, querem entregar os transportes públicos a quem calhar, as águas a quem der mais (mais ou menos, tanto lhes faz), e etc, etc.
Poderia também falar da ligeireza com que se acolhe gente cujas fortunas não são explicáveis e que estão a comprar todo o património imobiliário relevante, tal como poderia falar na igual ligeireza com que fecham os olhos ao facto de grande parte da comunicação social já estar nas mãos de angolanos.
Poderia ainda falar no preocupante e gravíssimo desprezo pela arte, pela cultura em geral, pelo conhecimento no seu todo.
Poderia falar no desprezo pela dignidade das pessoas, na indiferença perante a dor e o sofrimento dos que ficaram desempregados, nos que caíram na mendicidade encapotada, nos que foram para longe das famílias, nos que foram formar família longe do seu país. Poderia falar de tanta coisa.
Mas vou poupar-me porque falar nisto deixa-me doente. Se eu pudesse e se soubesse que não me ia meter em trabalhos, juro que soltava os cachorros atrás desta gente que tão mal fez ao meu País.
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Não gosto de acabar o meu dia debaixo de uma nuvem de arrelia malsã.
Podia, claro, escrever um outro post como geralmente faço.
Mas, em vez disso, vou antes chamar um Poeta para ver se, com as suas puras palavras, me ajuda a purificar o ar por aqui. Luís Filipe Castro Mendes comImitado de Alberto Caeiroe depois com A Casa na Noite emA Misericórdia dos Mercados parece-me ser a voz certa para isso.
Ontem um homem das cidades
veio explicar-me os valores da vida.
Disse-me que a minha sobrevivência era um privilégio
e o conchego dos banqueiros uma justiça.
Falou-me de uma nova sociedade, feita de esperteza e água fresca.
Deixei-o falar.
Ele não sabe que ficou também do lado dos que perdem
e até o descobrir virão mais rosas
e a areia cobrirá todos os jardins.
Máscaras de dança da tribo Yupk, século 19
O que foi teu e o que juntaste à vida,
tudo te mostra a casa iluminada:
no fim do caminho a luz estremecida,
no rasto dos teus passos a morada.
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E a dança, senhores. Que os corpos digam de sua justiça.
Nederlands Dans Theater
SLEEPLESS
coreografia Jirí Kylián, música de Dirk Haubrich
GODS AND DOGS
coreografia Jirí Kylián, música de Ludwig Van Beethoven
MINUS 16
coreografia Ohad Naharin, música de autores vários
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E, por hoje, por aqui me fico.
Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa terça-feira.
No post abaixo já me pronunciei sobre a minha relação com 'As cinquenta sombras de Gaspar', com a Madame Avillez a fazer de Tiazona perguntadeira e o Gaspar a fazer de sádico disfarçado de palhaço, um livro que tem todos os condimentos para ser uma obra de pornografia rasca. Ora eu, como de pornografia só gosto da fina, passo.
LOL.
Mas, sobre esse interessante tema, disserto no post abaixo, a seguir a este.
Aqui, agora, viro-me para a Porta dos Fundos. LOL.
A cena é aconselhar uma pessoa a dar uns toques num certo livro para ele vender melhor, uns truques, umas dicas, cortar nos personagens chatos, apimentar os que têm potencial. Um livro é um objecto que tem que ter os temperos certos para cair no goto da clientela, tem que ter o embrulho adequado.
A Margarida Rebelo Pinto sabe disso, o Valtinho, essa coisa fofa, também, o Orelhas, que escreve a metro, idem. Os dois cromos acima referidos e sobre os quais falo no post seguinte se calhar também vão vender bem já que há por aí muito masoquista escondido à espera destes livros de falam de práticas que envolvem sodomia à bruta, cenas de chicote, assaltos bárbaros, sorrisinhos pérfidos. LOL.
Mas, convenhamos, há por aí muito candidato a escritor que ainda não aprendeu a lição e que, depois, se queixa que não tem tanto sucesso como os outros. Ora. Aprendam com quem sabe.
O livro é a Bíblia - e eu, como já vos confessei, ando encantada com esta gente da Porta dos Fundos. E acabo de ouvir o Marinho Pinto, no Prós e Contras, a dizer que não sabe o que significa LOL. E quer ele ir para deputado europeu. Está bem, está.
LOL.
*
Vocês podem não acreditar mas não tomo daquele comprimido para relaxar os músculos desde sexta feira e, no entanto, ainda ando pedradíssima, nitidamente sob o seu efeito. No fim de semana, à noite, mal me sentava sem ter que estar a tomar conta na criançada, adormecia instantaneamente. Ou então é de ter tido um fim de semana como o que tive ainda mal me estava a refazer do torcicolo. Ou de tudo junto. Ou de estar a precisar de férias. Ou de me deitar sempre tarde. Ou de outra coisa qualquer. E agora já nem sei se já dormi no meio deste pequeno texto ou se, agora, não estou a dormir. Que coisa. Tenho que me ir deitar antes que vá parar ao chão.
Relembro: sobre a ménage avillez & gaspar é favor descerem até ao post abaixo.
Muito gostaria ainda de vos convidar a darem uma espreitada até o meu outro blogue, o Ginjal e Lisboa, onde hoje tenho o Segredo de Fernando Pinto do Amaral dito por Nuno Miguel Henriques. A propósito digo o que, para mim, é o amor. Ou parte do que é o amor. Ou uma coisa a modos que assim, já que o amor não é propriamente uma coisa que se defina.
*
E, por hoje, vou despedir-me já e vocês já sabem: se isto estiver tudo aos esses, sou eu a dormir.
Beijinhos e abraços e adeus que por aqui me desbaldo e o que eu estimo é o que eu desejo.
E tenham, meus Caros Leitores, uma bela terça feira.
Como é bom de ver não comprei nem vou comprar o livro onde Maria João Avillez, a tia do regime, dá palco ao psicopata-mor Vítor Gaspar.
Era o que mais me faltava dar algum dinheiro a ganhar a qualquer dos dois.
Ele foi o braço armado da política mais criminosa e anti-patriótica de que há memória nos tempos modernos e ela é a tia fala barato do regime, a tia-catatua que repete ad nauseum os argumentos que ouve aos correlegionários, a acéfala voz do dono, o que se queira. Aconteça o que acontecer aí está ela a desculpar todas as perversidades que qualquer palerma encartado do PSD se lembre de fazer.
Sempre ouvi dizer aos papagaios do regime, Tia incluída, claro, que o Vítor Gaspar é inteligente. Lamento: nunca lhe vi inteligência nenhuma. Se trabalhasse numa empresa normal, seria corrido ao fim de poucos meses. Não acertou uma e, com os seus erros, provocou um descalabro insanável. Levaria uma empresa à falência em três tempos - tal como ajudou a enterrar ainda mais o País.
Mas, para além de não ter qualquer inteligência racional (já que não sabe interpretar os problemas, não acerta na solução e não sabe tirar conclusões quando vê que se enganou), quando viu o buraco em que se tinha metido, ele e o resto do país, saíu de fininho com uma carta na qual aproveitou para entalar o chefe que tanta corda lhe tinha dado, mostrando assim que, para além de não ser racionalmente inteligente, também tem um carácter duvidoso, pelo menos no que à lealdade se refere.
Como se não bastasse, não tem também um pingo de inteligência emocional. Não estabelece empatia com as pessoas, não percebe as emoções dos outros, se for caso disso dá um tiro a sangue frio numa pessoa e depois diz, com aquela sua habitual cara de bobo da corte, que não percebe porque é que a pessoa estrebuchou e morreu, que isso não estava previsto e que as condicionalidades terão que ser calibradas.
Das citações que li, a luminária criatura (luminária ou alimária?) diz que não falhou nas metas porque foram mexendo nelas por forma a que as ditas se fossem ajustando aos buracos. Coisa esperta. Chico-esperto. Descarado. Desavergonhado.
E, perante o descaramento de tão atabalhoada criatura que desgraçou a vida a tantos e tantos milhares de pessoas, ainda há gente que lhe vai alimentar o ego comprando o livro e ainda há gente muito burra que vem gabar-lhe a esperteza.
Maria João Avillez e Vítor Gaspar no lançamento do livro
Riem de quê, estes dois?
Da parvoíce dos portugueses que parece não ter limites?
Será que um dia destes ainda me vou convencer que este povo é um povo masoquista?
Tenham dó.
***
Desconheço o autor das fotografias em que aparece Maria João Avillez.
As três imagens do meio provêm do inesgotável blogue We Have Kaos in the Garden.
Escreve um Leitor num comentário ao post abaixo que a economia é o raio de uma disciplina do saber em que frequentemente a teoria se explica recorrendo à condição Ceteris Paribus (ou seja, se o resto dos factores se mantiver inalterável). Tem razão o Leitor ao achar estapafúrdio esse pressuposto pois, de facto, havendo ignorância, leviandade ou desatenção, é isso que geralmente leva aos grandes descalabros.
Ceteris paribus é, na prática, uma manifestação de whisful thinking em relação ao que nos rodeia (uma coisa de tipo: deixem-se estar sossegadinhos e não venham, para aqui, dar cabo do nosso maravilhoso excel).
Vítor Gaspar (e Passos Coelho e demais inteligentes por arrasto) caíram nessa quando resolveram aplicar as medidas de austeridade sem as condimentarem com medidas de desenvolvimento e, ainda por cima, aplicando-as em dose reforçada. Esqueceram-se que as medidas iniciais produziriam efeitos se nenhum outro factor se alterasse. Ou seja, esqueceram-se que, só o facto de as aplicarem, produziria efeitos secundários tanto mais dramáticos quanto mais eles carregassem na dose.
Ou seja, esqueceram-se que retirando dinheiro de circulação (absorvendo-o directamente na origem, através da carga fiscal), a economia vacilaria e, com ela, os postos de trabalho e que, de seguida, haveria mais subsídios a pagar e menos gente a efectuar descontos para impostos e que, portanto, a receita mágica seria um fiasco.
Para tentarem acautelar esses efeitos, nos tão falados modelos de excel, usaram uns parâmetros de impacto mas, como o FMI veio depois a reconhecer, o efeito recessivo da austeridade era bem pior do que esses parâmetros teóricos previam.
Antes disso, sendo quase todos eles gente formatada para não pensar, formatada apenas para aplicar modelos, não perceberam o que estava a acontecer. Todos, desde o Vítor Gaspar aos da Troika, vieram confessar a sua surpresa pelo desemprego que estava a disparar muito para além do valor teórico expectável.
O que, de facto, aconteceu foi que admitiram que a maioria dos aspectos colaterais se manteriam iguais e, mesmo quando a evidência mostrava o oposto, não conseguiram reagir, alterando a porcaria dos modelos.
Mais tarde, ao demitir-se, Vítor Gaspar viria a reconhecer que tinha falhado em toda a linha mas os seus discípulos, mais burros que ele, ainda não perceberam e continuam a usar a mesma cartilha furada.
O mundo real é complexo e múltiplo e funciona de forma sistémica. É difícil criar modelos matemáticos ou ecométricos que contemplem todas as variáveis envolvidas no funcionamento do mundo real. Contudo, para terem alguma aderência à realidade, deve ao máximo evitar-se fazer modelos que tenham em linha de conta pouco mais do que os factores que, directamente, são objecto de alteração pois os modelos simplistas falharão de certeza absoluta.
Há factores dificilmente previsíveis e que, portanto, é natural que fiquem fora dos modelos, admitindo-se, por facilidade de análise, que são neutros em relação à evolução dos restantes. Dou um exemplo: os aspectos climatéricos. Se durante um ano inteiro houver chuvas anormais, vendavais, toda a espécie de intempéries que arrasem a agricultura, que impeçam as pescas, que impeçam os transportes, que causem estragos de toda a ordem, que impossibilitem que as pessoas vão trabalhar num número avultado de dias, isso dará cabo de todas as previsões. Mas, admitindo que mais chuvas, menos secas, mais coisa, menos coisa, será igual ao de sempre, não se entra em consideração com o clima até porque nada do que se faça a outro nível tem, no curto prazo, efeito sobre o clima. Mas todos os factores que interagem entre si, directa ou indirectamente, deverão fazer parte de um modelo para que ele tenha hipótese de ser minimamente fiável.
Se, se fazem modelos para aspectos tão críticos como o aumento de impostos, o corte das pensões ou o corte de ordenados apenas com um alqueire mal medido de variáveis e, por simplificação, se consideram constantes outras que deveriam ser variáveis é, pois, muito provável que os resultados sejam um colossal disparate.
Se, além disso, quem usa esses modelos é burro ou ignorante, então é mais do que certo que não perceberá quando o modelo falhar e, em vez de o corrigir (ou calibrar...), persistirá no erro, achando que os que o criticam gostam é de maledicência.
Em qualquer profissão, a intuição e o golpe de asa são tão ou mais importantes do que ser-se estudante aplicado, marrãozinho acrítico. Se, ao pôr em prática uma certa reforma, se vier a constatar que ela não está a produzir os efeitos desejados, há que retirar ilações. Pode acontecer que a reforma tenha sido mal estudada, esteja assente em modelos incompletos ou errados. E há que perceber o que deve ser alterado ou corrigido - e fazê-lo com urgência (pois é a qualidade de vida das pessoas que está em causa).
Mas qualquer destas alterações requer estudo, requer que, antes de ser posta em prática, se proceda a análises de sensibilidade, se efectuem simulações aplicando-a, por exemplo, a dados históricos para se validar como se teria comportado em situações reais, etc. Por isso, costumo afirmar sempre com tanta certeza que medidas paridas em cima do joelho, em reuniões plenárias de conselho de ministros, com cada um a dar palpites, só podem dar asneira. Só por milagre dariam certo. Uma pessoa escreve uma chave do euromilhões ao calhas e, na melhor das hipóteses, acerta uma vez na vida. O que esta gente do governo, que vai inventando medidas avulsas como quem cospe para o ar ou como quem vai ao quiosque preencher um boletim do euromilhões, revela de forma inquestionável é que não sabe o que anda a fazer. Não sabe mesmo. E, claro, quem se lixa é o mexilhão.
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O conceito Ceteris Paribus explicado a donas de casa
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E obrigada ao Leitor que tão oportunamente invocou este conceito.
Aqui há umas semanas o Nicolau Santos escreveu no jornal de Economia do Expresso uma coisa que me deixou siderada.
Mas, pelo meio, meteu-se uma tal avalancha de disparates, que acabei por não falar disso. Foi o chilique irrevogável do Portas, um homem sem palavra que por aí anda há anos a espalhar demagogia, depois foi a ideia luminosa do Cavaco, a seguir foi a cagarrada fatal da ideia de Cavaco, agora é o desgoverno em segundas núpcias requentadas, é a cena das aldrabices da pinóquia albuquerque sobre os swaps (uma vergonha), eu sei lá. Não há dia em que nova porcaria não nos entre pela casa através das notícias.
No meio de tal enxurrada, a notícia de que Nicolau Santos dava conta, passou-me.
Este fim de semana voltei a ser alertada.
Mas quando se está de férias com crianças em casa - e toda essa rotina de horas de fazer a papa, horas de dar a papa, horas de mudar a fralda, horas de dormir, horas de levantar, horas de dar a papa do lanche, horas de ir, horas de vir, e cada um come sua papa e cada um tem sua especificidade, em particular agora o bebé, o que está a caminho de fazer 1 ano, que é um reguila irrequieto, mas irrequieto senhores..., capaz de ultrapassar o ex-bebé que já tinha ultrapassado o 'mano velho' - o mundo muda de configuração.
Deixa de haver qualquer remanescente de hábitos anteriores.
Por isso, os horários agora são outros, quase não se vê televisão, jornais nem pó e, as nossas melhores intenções são ultrapassadas pela força dos acontecimentos domésticos que se sucedem a um ritmo imparável.
Nada de que me queixe. Adoro os meus meninos, adoro, adoro vê-los, tê-los perto de mim, são a vida em toda a sua maravilha, são uma felicidade, são tudo o que pode haver de melhor.
Mas isso é um facto e outro, inegável, é que uma pessoa fica com poucas probabilidades de fazer alguma coisa das que vagamente tinha em mente.
Hoje na praia, um coelho
(Se repararem na mãozinha repararão que diz:
mais coelho, não, não queremos mais, o coelho é mau, pleaaseeee, tirem-me o coelho daqui, medo...., medo...!)
Por isso, o assunto de que acima falei ia outra vez passar sem uma referência aqui no Um Jeito Manso. Contudo, em boa hora, um Leitor atento e a quem agradeço a generosidade de me ir enviando alguma informação preciosa, deixou-me hoje o texto que transcrevo. Trata-se da crónica de Fernado Dacosta publicada no Jornal i de 25 de Julho intitulada:
Vítor Gaspar, um homem perigoso até ao último dia
Mas ele não era o 1º responsável.
O primeiro responsável chama-se Pedro Passos Coelho e ainda chefia o desGoverno de Portugal
TIRO DE MISERICÓRDIA
No último dia como ministro das Finanças, Vítor Gaspar assinou um decreto que pode liquidar a vida de, pelo menos, 3 milhões de portugueses. Esse decreto determina que o Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social (que geria uma carteira de 10 mil milhões de euros) "terá de adquirir 4,5 mil milhões de euros de dívida soberana".
Sabendo-se que o referido fundo foi criado como reserva para assegurar, em caso de colapso do Estado, os direitos dos reformados, pensionistas, desempregados e afins durante dois anos (segundo o articulado de lei de bases), o golpe em perspectiva representa o risco de uma descomunal tragédia entre nós.
Lembremos que dos rendimentos dos seniores vivem hoje gerações de filhos e netos seus, sem emprego, sem recursos, sem amparo, sem futuro. Lembremos ainda que os últimos governos têm sido useiros no desvio de verbas da Segurança Social para pagamentos de despesas correntes - "o que qualquer medíocre gestor de fundos sabe que não se deve fazer", comenta, a propósito, Nicolau Santos no "Expresso".
Em 2010, dos 223,4 milhões de euros que deviam ser transferidos para o fundo em causa, o executivo apenas entregou 1,3 milhões.
Após ter semidestruído Portugal economicamente, socialmente, familiarmente, psicologicamente, com total impunidade e arrogância, Vítor Gaspar deixa, ao escapar-se, apontado um tiro de misericórdia aos idosos (e não só), depois de os ter desgraçado com o seu implacável autismo governamental. Sindicatos, partidos, oposições, igrejas, comentadores, economistas, intelectuais meteram, por sua vez, a viola no saco ante mais esta infâmia - entretanto, os papagaios de serviço aterrorizam as populações com a insustentabilidade da Segurança Social.
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Isto é muito, muito grave. Não sei se toda a gente que me lê consegue perceber a enormidade da desgraça que se pode estar a desenhar. E coisas como esta passam-se no silêncio dos gabinetes sem que transpareça para a comunicação social... É assustador. E outro dos dramas é que são raros os jornalistas atentos e lúcidos. Geralmente limitam-se a andar por aqui e por ali a papaguear o que os assessores de Passos Coelho & Amigos passam para os media como fontes.
No entanto, felizmente ainda há alguns. Nicolau Santos e Fernando Dacosta merecem, pois, uma palavra de apreço.
Pouco se me ocorre dizer a propósito desde governo recauchutado.
Se digo mal, ainda acham que sou má língua ou que estou a deitar mau olhado. Nestas alturas as bentinhas e os beatinhos - aqueles que comem tudo o que lhes dão a comer e que acham que é boa educação tudo engolir - acham, como sempre, que se deve dar um voto de confiança e tal e coisa e desejar boa sorte e tudo isso.
Eu também, sinceramente, desejo que tenham boa sorte pois, se a tiverem, quem ficará a ganhar será o País. Mas acontece que não sou bentinha nem beatinha.
Vamos por partes.
1. Esvaziar um bocado os mega-ministérios, essa ideia estúpida de Passos Coelho (mais uma das suas muitas ideias do mesmo calibre), poderia parecer boa ideia. Mas vai implicar novas remodelações, novas leis orgânicas, toda uma burocracia (que não é isenta de custos) que vai atrasar o funcionamento efectivo.
Mas, enfim, no meio de tanta desgraça, esse talvez até seja o menor dos males. Tanto nos habituámos a tudo aceitar, que já damos de barato o que é menos nefasto, como se fosse normal termos a governar o País gente que se pode dar ao luxo de experimentalismos ignorantes e irresponsáveis.
2. Sobre Pires de Lima, substituido o totózito Álvaro, só posso achar que estará muito melhor preparado para exercer as suas funções. Conhece a economia real, conhece o mundo das empresas, é directo, tem espírito de liderança.
3. Sobre o rapaz Jorge Moreira da Silva, mais um jota, que - read my lips: depois de, recentemente, ter andado a rodar a bolsinha pelos grandes escritórios de advogados a anunciar gelados e outras quimeras desligadas da realidade, escritórios esses que, para assistir, convidaram, por sua vez, os seus principais clientes - agora chega a ministro, também não me vou pronunciar.
4. Mas já me faz espécie que Rui Machete aceite entrar num governo desconforme, chefiado por um sujeito desqualificado.
E é aos 72 anos que vai ter genica para aguentar viagens sucessivas, diferentes fusos horários? Acusado pelos americanos de gestão ruinosa, faustosa, quando à frente da FLAD, e ligado à SLN e ao BPP, seria esta a pessoa com um curriculum mais adequado para ir para MNE? Não sei, tenho algumas dúvidas.
De resto não guardo ideia de quando ele andou nos governos. Lembro-me muito bem, isso sim, de um colega meu, católico do mais praticante que há, daqueles dos Grupos de Nossa Senhora, que fazem formação a casais e organizam grupos de reflexão, me contar que quem lá estava sempre caído era o Rui Machete. Não quererá dizer nada mas sempre me fez muita confusão que católicos, tão católicos, depois, quando se apanham com a mão na massa, façam coisas como esta: «continuar a gastar 46% do seu orçamento de funcionamento nos seus gabinetes luxuosos decorados com peças de arte, pessoal supérfluo, uma frota de BMW com motorista e custos administrativos e de pessoal que incluem por vezes despesas de representação em roupas, empréstimos a baixos juros para os trabalhadores e honorários para o pessoal que participa nos próprios programas da FLAD».
Segundo Francisco, o Papa, cristãos que exerçam actividade política (que, segundo ele, é um dever) devem fazê-lo com espírito evangélico. Deus meu, que distante estão os que conhecemos disso...
[Num àparte, para que aqui fique registo das referidas palavras de Francisco]
5. Mas depois há a desconformidade maior de que já aqui falei (desculpem, pois, a repetição): que sentido faz que o líder de um partido minoritário fique com as pastas mais relevantes do governo, a Economia, a Reforma de Estado e as negociações com a Troika?
Eu diria que não faz sentido nenhum. Mas isso também eu daria de barato. A política com este governo desceu a um tal nível de disparate que já dou quase tudo de barato.
O pior é que não vai funcionar.
É certo que parece que vivemos o tempo dos homens sem palavra. Dos homens sem coluna vertebral. Mas esses mesmos são também, têm-no demonstrado à saciedade, homens mesquinhos, egoístas, maus.
Por isso, não é de crer que Passos Coelho deixe o nº 2 mandar mais do que ele, muito menos ficar com louros. Não vai deixar. Já se percebeu que Paulo Portas também não tem dificuldade em rastejar e aceita ser pisado a troco não se sabe bem de quê. Mas, se Paulo Portas é um homem sem palavra e da raça dos rastejantes, já não me parece que Pires de Lima o seja. E não o vejo a vender pastéis de nata ou a inventar fantasias como o Álvaro. No dia em que Pires de Lima se atire para fora de pé, contando com o suporte do seu amigo Portas, será que vai aceitar, a seguir, ser rasteirado por Passos Coelho?
Tenho muitas dúvidas.
6. Tudo isto para chegar ao ponto final. E digo bem: ponto final. É que tudo vai ter sempre ao ponto que é ao mesmo tempo o ponto de partida e o ponto de chegada: Passos Coelho.
Este desGoverno teve, desde o início, muitos males. Teve um inqualificável Relvas, teve um sociopata Gaspar, teve um desleal Portas, teve um ingénuo e apatetado Álvaro, teve mais uns quantos. Mas teve, sobretudo, um ignorante, incompetente, insensível, inculto, frio, com mau perder, vingativo Passos Coelho.
E ainda tem.
Por isso, o Governo pode parecer outro mas, de facto, é o mesmo.
Travestiu-se para ver se passa despercebido, para ver se aguenta mais dois anos. Mas, vendo por detrás das aparências, as matrafonas são afinal as mesmas criaturas que há dois anos andam a destruir Portugal.
Por isso, nada a fazer. Temos pena.
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As fotografias foram obtidas na net através da pesquisa 'matrafonas no carnaval de Torres Vedras'.
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Para quem queira começar a formar ideias sobre os e-books, permito-me sugerir a leitura do post abaixo onde, a propósito de um elucidativo comentário do JCM que fala com conhecimento de causa, mostro que começo a ficar tentada (embora ainda com muitas dúvidas).
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Resta-me desejar-vos, meus Caros Leitores, uma bela quinta feira.
No post a seguir a este já formulei a minha primeira reacção e as explicações que correm aqui por casa.
Aqui, neste post,continuo a tentar pôr as minhas ideias em ordem. Sou uma pessoa dos números, dos cenários, da avaliação de hipóteses e, além disso, costumo reagir com uma calma até desconcertante (como, por vezes, me dizem) perante situações de crise. Por isso, estou a tentar pôr os meus tresmalhados neurónios no redil a ver se eles começam a pensar como deve ser.
Ora vejamos as minhas dúvidas e primeiras conclusões:
1. Cavaco Silva diz que fazer eleições antecipadas agora seria complicado por causa dos afazeres imediatos (acompanhar a avaliação da troika, fazer o orçamento para 2014, etc). Concedo: havendo melhor alternativa, talvez.
Mas há?!?
Afinal Cavaco Silva não foi o Cupido entre os inimigos Passos Coelho e Paulo Portas:
afinal foi dele a maior facada nas costas que os dois sofreram.
(imagem de We Have kaos in the Garden)
2. Aparentemente, Cavaco Silva marimbou-se (para não dizer que cagou - e vocês, dada a agitação conjuntural, desculpar-me-ão o linguajar) para a trupe Passos Coelho, Paulo Portas e Companhia Limitada.
Estavam estas criançolas todas entretidas a inventar reorganizações de ministérios, novas leis orgânicas, novos ministros e novos secretários de Estado, e agora vem o Cavaco e diz que já chega!, que daqui por um ano os quer a todos na alheta. Ora, com estas eleições antecipadas, convocadas com 1 ano de antecedência, o que me parece é que Cavaco Silva acabou de lançar a confusão generalizada.
3. Se o Passos Coelho, com a inteligenciazinha que se lhe conhece, não percebeu nada do que Cavaco quis dizer (e, aqui, estarei com ele: também não percebi) e amanhã se apresenta em Belém a querer que Cavaco aceite a remodelação do Governo e dê posse aos novos ministros, o que fará Cavaco depois de dizer que o Governo está na plenitude das suas funções? Que se referia ao anterior do qual Portas se demitiu irrevogavelmente?
4. E que história é esta do acordo entre os 3 partidos? Para combinarem as eleições de Junho de 2014 ou para mais que isso? É que se é para mais que isso, quem é que vai conseguir que Passos Coelho comece de repente a ser capaz de trabalhar em conjunto com o Tozé Seguro, quando nem com o Paulo Portas ele interage de outra forma que não através de sms?
É que Cavaco Silva até poderia ter razão com isto de querer um compromisso alargado. Concordo: o estado de calamidade a que este governo conduziu o País exigi-lo-ia. Mas com estes? Com os mesmos que causaram o desastre?
Se até aqui foi o que foi, como é que é credível que o líder do principal partido (nas anteriores eleições) - que hostilizou a oposição e os parceiros da Concertação Social, que hostilizou o próprio partido da coligação - vai conseguir agora estabelecer compromissos? Impossível. Não tem cabeça para tanto.
5. Sabendo-se que vai mesmo haver eleições daqui por 1 ano, e com outras eleições pelo meio, andando em campanhas eleitorais e numa posição frouxa face aos resultados económicos e financeiros, com um segundo resgate a caminho, e depois desde par de patins, como vão Passos Coelho e Paulo Portas ter capacidade para continuar à frente do Governo durante um período tão difícil como o que se avizinha? Vão ser capazes de levar a cabo alguma reforma?
Não estou a ver.
6. E outra coisa: com a maneira de ser dos meninos em causa, como vai isto funcionar?
Afinal nenhum dos dois ganhou a melhor sobre o outro.
Com a comunicação ao País desta noite, Cavaco Silva deu cabo deles.
Como vão sair Passos Coelho e Paulo Portas de uma destas?
Não estou a ver.
(a imagem é, claro, de We Have Kaos in the Garden)
Passos Coelho a esta hora deve estar f---- com tudo isto. E a culpar o Portas. Deve achar que se não tem sido a demissão e a birra e as palavras e o volte-face de Portas não se teria chegado aqui.
Alguém imagina que Passos Coelho vai andar a tratar o Portas com decoro e lealdade depois de mais esta? Depois deste vexame?
7. E Paulo Portas? Tão tacticista, depois de ontem já se ter despedido da função de MNE quando foi ao Parlamento, depois de ter convidado o Pires de Lima e de ter andado todo importante, a achar que tinha metido o Passos no bolso, como vai ficar com uma destas? Demite-se outra vez? Irrevogavelmente....?
8. Cavaco Silva diz que o compromisso pode ser moderado por alguém mais sénior e que, se isso falhar, há outras soluções.
Eu também acho que é mais do que chegada a hora de gente com tino, saber e experiência voltar a exercer funções neste País. Mas com estes figurantes, farsantes, criançolas, será possível fazer-se alguma coisa? Duvido.
Por isso, parece-me inevitável que se avance para o plano seguinte pois este que agora Cavaco atirou para cima da mesa parece-me uma embrulhada grande demais para ser desembrulhada em tempo útil.
9. E a economia no meio de uma destas? Quem é que vai lançar medidas de relançamento da economia? Não estou a ver.
10. E a dívida? Quem é que vai tentar renegociar com a troika? Quem é que vai acompanhar o famigerado 2º resgate?
XX. ... A menos que algum espírito inesperado tenha encarnado em Cavaco Silva e, a partir de agora, desate a surpreender-nos todos os dias... e tenha alguma na manga. Só se for isso.
Vítor Gaspar - a criatura que destapou a Caixa de Pandora
YYU. Cá para mim, quem a esta hora se deve estar a rir como um psicopata destrambelhado é o Gaspar...!
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(Continua no post abaixo. Ou melhor, foi lá que a minha estupefacção começou a manifestar-se...)
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Ontem depois de ter escrito o post já a seguir e este que acabam de ler, por volta das 23:30 h, fui deitar-me no sofá a ver o que diziam os esclarecidos comentadores e alguns costumeiros papagaios de serviço. Estava especialmente curiosa em ver a pirueta que o Ricardo Costa ia dar, ele que não tem feito outra coisa que não defender que este moribundo e incapaz governo se deve aguentar até ao fim da legislatura.
Pois bem, cansada que ando, adormeci instantaneamente. Acordei perto da 1 da manhã, mas acordar não é o termo. Mal me consegui ter de pé: arrastei-me a custo até à cama e, por isso, não voltei ao computador nem sequer para me despedir e desejar-vos um bom dia.
Aqui o faço agora, portanto. No entanto, nem ontem pelo sono, nem hoje pela pressa, consigo rever o texto. Relevem as vírgulas fora dos sítios, erros ou outras desarrumações linguísticas.
Alterei a hora do post porque não gosto muito de saídas à francesa quando são os meus amigos e queridos Leitores que estão por perto. Agora que me vou despedir é que o post está concluído.
Desejo-vos, pois, um belo dia, apesar das confusões que a nossa classe política anda a armar na nossa pobre sociedade.
Hoje amanheceu mais fresco, há uma aragem com um leve toque de mar. Isso sabe muito bem.
No post a seguir a este falo da anedota que é a solução com que Paulo Portas e Passos Coelho pretendem continuar a afundar o país. Desculpem, não era isto que eles queriam dizer: reformulo - a solução que eles aprofundaram e que basicamente consiste em Paulo Portas fazer uma nova pirueta e destruir de vez a imagem que o País tem dele, Passos Coelho mostrar que é um falso obstinado pois, de facto, é um pau mandado e... claro, quem se lixou foi o pastel de nata, o Álvaro. A propósito do que se está a passar, conto a anedota do comboio e do palerma que, sem perceber porquê, estava ali mesmo só para levar estaladas.
Mas isso é no post abaixo.
Aqui, agora, a conversa é mais séria.
Cavaco Silva aceita ser passado a ferro desta maneira pelos dois levianos e irresponsáveis líderes do PSD e do CDS?
Achará esta dupla que ainda é credível aos olhos do País?
Uma vergonha tudo isto, uma vergonha...
Depois do mais absoluto desprezo que Passos Coelho e Paulo Portas mostraram por Cavaco Silva com o que se passou durante esta semana, admitia eu agora que, depois da barraca que armaram e do prejuízo (prejuízo financeiro, social e moral) que causaram ao País, agissem agora com algum decoro.
Admitia eu também que Cavaco Silva lhes tivesse dado um chega para lá, deixando bem claro que cenas deploráveis daquelas não voltariam a acontecer, que não voltaria a ser desautorizado e achincalhado por eles na via pública.
Admitia eu ainda que, depois de se saber que Cavaco Silva estava a chamar a Belém os partidos para os ouvir sobre esta triste e preocupante situação, aqueles dois descompensados, desequilibrados e mal educados líderes do PSD e CDS, tentariam comedir-se e esperar pela decisão do Presidente da República antes de armarem outro carnaval.
Pois não. Mal Passos esta sexta feira saíu de Belém, depois de lhe ter ido comunicar qual o novo arranjinho, eis que aí andam já todos contentes com o novo compromisso a que parecem ter chegado - o Portas não apenas volta atrás com a sua decisão, como sobe na estrutura do governo e fica com a Economia, chutando borda fora o pobre do Álvaro, e engolindo a Miss Swap, como se isso não tivesse sido o suposto pomo da discórdia; e o Passos mostra porque razão toda a gente diz que não tem um mínimo de capacidades de liderança, sendo o Governo a maior descoordenação e bandalheira - fazendo comunicações atrás de comunicações, divulgando o novo governo como se se marimbassem completamente para a decisão do Presidente.
Depois destes anúncios todos - que este vai para ministro disto, o outro para ministro daquilo, que o ministério é dividido em dois e mais não sei o quê - com que cara é que Cavaco vai falar com os Partidos? Depois de Portas e Passos o exibirem ao País como um verbo de encher, com que resto de autoridade é que ele vai falar com os outros Partidos????!
E pergunto eu: nova alteração nas leis orgânicas do Governo?!?! A mais de meio do mandato, no meio desta crise toda, vão-se pôr outra vez a perder tempo com mexidas destas que consomem um tempo incrível? Mas está tudo doido? É a mesma coisa que, no meio de um tremor de terra, com a casa a cair, aparecer um doido varrido que resolva pôr-se a alterar a decoração da casa.
Gente estúpida, gente sem carácter, gente irresponsável, gente perigosa.
De que é que Cavaco Silva está à espera para correr com eles? A pontapé.
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No meio desta palhaçada deplorável não nos esqueçamos da verdadeira raiz dos problemas de Portugal:
A desgraçada impreparação e incompetência de Passos Coelho e a maioria dos ministros do seu Governo
A estupidez que é o programa de festas que têm seguido com fundamentalista cegueira
Ambas comprovadas através da constatação, através dos resultados, da inviabilidade do caminho que tem estado a ser seguido. Assumiram-no publicamente Vítor Gaspar na sua carta de demissão e Carlos Costa, Governador do BdP.
Vítor Gaspar, ao sair e ao escrever aquela extraordinária carta com a qual entalou Passos Coelho, disse, preto no branco, que as políticas seguidas pelo Governo falharam todas, que os resultados foram uma desgraça e que, perante tamanho descalabro, não havia condições para continuar em funções.
Ou seja, o agente principal da cega política de austeridade que destruíu o País, assumiu por escrito que a política estava errada em todas as suas frentes.
Pois bem, esta sexta feira foi a vez de Carlos Costa, governador do Banco de Portugal, o assumir em público. Eu ia no carro quando o ouvi dizer que falhou tudo, que todas as metas falharam, que havia que reconhecê-lo. Que se tinha feito tudo com todo o rigor mas que o falhanço tinha sido total.
Quando cheguei perto de um computador, pesquisei e encontrei a transcrição dessas palavras no site da TSF, juntamente com a gravação audio dessas declarações.
Pensei: caraças... quando o Governador do Banco de Portugal assume em público que toda a política que tem estado a ser seguida está errada e que não conduziu a um único resultado positivo, isto vai dar que falar, não se vai falar de outra coisa, depois disto quem é que ainda vai ter cara para defender o crime que tem estado a ser levado a cabo??!
Mas, ao ouvir as notícias, os comentários, etc, comecei a estranhar: ninguém falava no assunto. Apenas no Expresso da Meia-Noite Vera Jardim o referiu. Não ouvi mais ninguém.
Fui agora ao site da TSF para transcrever para aqui e, para meu espanto, o que eu tinha visto e ouvido desapareceu!!!
Quando faço a pesquisa no Google, ainda aparecem os links para a notícia original e ainda consigo ver "Banco de Portugal: Carlos Costa assume que programa de ajustamento falhou todas as metas ..." mas quando clico para entrar vou parar a outro texto e a outra gravação.
Isto já está assim. Mas, para que conste, aqui o deixo escrito e repito: Banco de Portugal - Carlos Costa assume que programa de ajustamento falhou todas as metas.
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Por isso, quando vier o cherne Durão, a alforreca Olli Rehn ou qualquer outro avençado, dizer que o que é importante é que se continue a implementar o programa de ajustamento até ao fim, até ao último sopro, até ao último pingo de sangue, e que estávamos no bom caminho e, portanto, que não nos desviemos, acho que só há uma resposta possível: que se vão f----!! (Peço desculpa mas não há uma forma delicada de o dizer).
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No meio desta linda carga de trabalhos, no meio de tanta palhaçada, de tanta desgraça, de tanta demonstração de falta de carácter, de tanta estupidez, é importante que não nos deixemos distrair: o que tem que ser mudado em Portugal não é o Álvaro ou a Miss Swap. Não.
O que tem que mudar é esta política, quem tem que desaparecer dos lugares de poder é esta seita toda que tem andado a desgraçar o País, o que tem que mudar é a nossa atitude de acreditar em tudo o que estes vigaristas nos dizem, a nossa atitude passiva de nos deixarmos roubar e empobrecer a troco de coisa nenhuma, a nossa atitude beata que nos leva a expiar culpas que não são nossas, deixando que o País se afunde sem que mexamos um dedo para nos defendermos, para defender o nosso País.
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Bem. É tardíssimo, 3 da manhã, e eu tenho sono. Não consigo reler o que escrevi. Se calhar está tudo com letras trocadas e uma pontuação desgraçada. Amanhã logo vejo se arranjo tempo para lhe dar uma limpeza. Os cartoons são obra, como ultimamente vem sendo costume, do inacreditável blogue We Have Kaos in the Garden.
Relembro ainda: se quiserem ler uma anedota a sério que remete para a triste sina do Álvaro, é descerem até ao post a seguir a este.
E, se quiserem ler e ouvir quadras de António Aleixo e conhecer um documentário sobre este Poeta, ficarei feliz por vos receber no meu outro blogue, o Ginjal e Lisboa, a love affair.
Abro aqui o apetite - e vejam se não se aplica à situação presente:
Vinho que vai para vinagre
Não retrocede o caminho;
Só por obra de milagre,
Pode de novo ser vinho.
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E tenham meus Caros Leitores um belo sábado.
Atenção à canícula: irra que isto é que vai um verão quente...!!!