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segunda-feira, agosto 14, 2023

Os mistérios de Banksy

 

Faz já há algum tempo que aqui não falava de Banksy esse fantástico artista. Não é apenas o seu sentido de oportunidade, a simplicidade e, ao mesmo tempo, a acutilância das suas obras, a coragem de as efectuar tantas vezes em locais arriscados, o sentido poético que tantas vezes imprime aos seus trabalhos -- é também a forma como exige que o seu trabalho seja apreciado independentemente de quem o concebe e executa.

O vídeo abaixo fala disso. Está legendado.

The mysteries of Banksy

Montar a primeira exposição autorizada em 14 anos de obras do artista de rua anónimo Banksy exigiu um planeamento extenso e a elaboração de uma história para esconder sua verdadeira identidade até que ela fosse inaugurada, sem aviso prévio, em Glasgow neste verão. O correspondente Seth Doane explora a arte e os mistérios do mundo de Banksy, incluindo a contínua especulação sobre a verdadeira identidade do artista, um segredo guardado a sete chaves por décadas.


quinta-feira, novembro 24, 2022

From Banksy with love

 


Gosto de graffiti, gosto de política, gosto do 'bom gosto' ao serviço da inteligência, gosto da inteligência ao serviços das causas que considero justas e nobres, gosto de coragem e, em especial, quando vem vestida com beleza e afecto, gosto de arte ao dispor de todos, em especial dos que não podem frequentar inacessíveis galerias, gosto da lucidez que sabe escolher a oportunidade, gosto de mensagens certeiras, gosto de mistério.

Gosto de Banksy.

E, tal como ele e creio que como todas as pessoas civilizadas, estou ao lado do povo ucraniano na defesa do seu direito a escolher o seu destino, na defesa da liberdade, na defesa da paz em liberdade. E estou também ao seu lado na condenação, sem meias palavras, do narcisista assassino, do tresloucado psicopata, que resolveu negar a existência de um país e dos seus habitantes.

O vídeo 'oficial' dos graffitis de Banksy na Ucrânia só pode ser visto no Youtube e convido-vos a clicar aqui --> Ukraine <-- para o verem tal como Banksy quer que se veja. 

Acho-o tocante.

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Mas, entretanto, já foram feitos outros vídeos partilháveis que mostram a beleza, a ironia, a acutilância dos seus trabalhos no meio das ruínas ucranianas. Como este, por exemplo:

Banksy showcases new mural in war-damaged Ukrainian town

World-renowed graffiti artist Banksy unveiled a work in the Ukrainian town of Borodyanka, which had been occupied by Russia until April and heavily damaged by fighting in the early days of Moscow's invasion.

Banksy posted a photo of the mural - a girl gymnast performing a handstand on a small pile of concrete rubble - on Instagram late on Friday. The work was painted onto the wall of a building destroyed by shelling.

At least one other piece of new graffiti in Banksy's signature style, although not posted by the mercurial artist on social media, was spotted in Borodyanka, portraying a man being flipped in judo by a much smaller child.

The symbolism of that piece was an allusion to the biblical story of David and Goliath, the unlikely triumph of the underdog, as well as a nod to Russian President Vladimir Putin's much-publicised love of the Japanese martial art.


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Entretanto, aproveito para contar mais uma de Banksy. Em Londres, numa montra da Guess, bem na Regent Street, foi usado um trabalho de Banksy sem qualquer autorização do seu autor ou respeito pelos direitos de autor. Claro que Banksy não achou piada. E, sabem como ele é, não foi de modas: incitou a malta que costuma dedicar-se ao gamanço nas lojas a irem àquela e fanarem uma peça de roupa -- a ver se os da Guess aprendem a respeitar os criadores.


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Come to Portugal, Banksy. Play with us, Banksy.

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Um dia bom
Saúde. Garra. Paz.

domingo, junho 07, 2020

People of colour are being failed by the system -- diz Banksy



At first I thought I should just shut up and listen to black people about this issue. But why would I do that? It’s not their problem, it’s mine.
People of colour are being failed by the system. The white system. Like a broken pipe flooding the apartment of the people living downstairs. The faulty system is making their life a misery, but it’s not their job to fix it. They can’t, no one will let them in the apartment upstairs.
This is a white problem. And if white people don’t fix it, someone will have to come upstairs and kick the door in.

[Ler aqui: Banksy supports Black Lives Matter with latest artwork]

quarta-feira, dezembro 11, 2019

Um Merry Christmas by Banksy


Há quem tenha um grande coração e, não obstante, prefira o anonimato. 

Há quem siga com preocupação e tristeza o devir deste nosso descomandado mundo e consiga transmitir esses simples sentimentos em desenhos que aparecem numa parede.

Há quem lute, à sua maneira, por causas que são murros no estômago e, ainda assim, fuja dos holofotes.
Não se deixa fotografar ao pé das suas obras (excepto se disfarçado), não tira selfies, não se desloca com os jornalistas atrás, não se deixa filmar a entrevistar sem-abrigos ou a distribuir comida em cantinas. Não se deixa ver, não se deixa conhecer, não quer ser vedeta. Quer apenas chamar a atenção para temas que o entristecem.
Banksy. 
Quando ele esteve por cá, se é que ele é quem se pensa que é, tive esperança que aparecesse uma obra sua por aí. Mas, até ver, não se soube de tal. Tenho pena. 

A sua mais recente obra revela a sua inteligência, o seu sentido de oportunidade, o seu humanismo.

Gosto tanto dele.

Transcrevo do artigo Have a Banksy Christmas: his Birmingham reindeer are an artistic miracle no The Guardian:
(...) Banksy’s team of reindeer painted on a wall in Birmingham’s Jewellery Quarter, pulling a bench that homeless people use as a bed, is rightly popular. In a video that underlines his message, Banksy shows a man called Ryan having a drink before positioning a bag as a pillow and lying on the bench – to be, in dreams, lifted in the air by those magic reindeer while the soundtrack plays I’ll Be Home for Christmas. It has so far had nearly three million views on Instagram.
Once again Banksy reaches the parts other artists miss. This is a good painting – the reindeer are nicely three-dimensional and solid enough to make the trompe l’oeil segue from street bench to wonderland work. But the cleverest thing about this bighearted artwork is that it does not depict “the homeless”. By attaching his reindeer to an empty bench, it lets homeless people represent themselves. (...)
E este foi o vídeo que Banksy publicou:


Something special.

quarta-feira, novembro 07, 2018

Banksy, Lisbon calling. We will welcome you.
Ofereça-nos uma provocação. Saberemos acarinhá-la.



Venha mais cedo, parta mais tarde. Ou venha antes. Ou venha depois. Saberemos dar-lhe casa enquanto não encontrar o melhor sítio, saberemos protegê-lo enquanto, na calada da noite, estiver a deixar a sua marca, a sua ironia estampada num muro. Seria melhor no verão, os dias maiores, a luz de Lisboa mais pura, as pessoas na rua, deitadas à beira-rio. Mas Lisboa é sempre Lisboa e a luz de Lisboa é sempre a luz de Lisboa. Mesmo em fevereiro. Mesmo se noitar cedo, mesmo se nevoar ou chover, Lisboa sabe mostrar a sua beleza. 

Provoque-nos, provoque o mundo. Sinta o espírito do lugar e goze com os nossos mixed feelings sobre as touradas. Ou goze com com os nossos brandos costumes ou com a Madonna que já é quase made in Portugal, goze com os navios enormes a despejarem turistas, goze com o que quiser. Ou enterneça-nos. Mostre a nossa alma gigante, mostre a entrega sentida de quem canta o fado e toca o coração do mundo, mostre como a partir deste país pequeno nos abalamos a conquistar o mundo. O que quiser. O que quiser oferecer-nos será recebido com todo o nosso apreço.

Waiting for you, Banksy. Faltam só três meses e uns dias.



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E queiram descer até a uma declaração absolutamente fatal
. É já no post abaixo.

terça-feira, fevereiro 02, 2016

Pertencemos a uma espécie de vida breve





Julgo que a nossa espécie não durará muito tempo. Não parece ter o estofo das tartarugas, que continuaram a existir semelhantes a si mesmas ao longo de centenas de milhões de anos, centenas de vezes mais do que a nossa existência. Pertencemos a um género de espécie de vida breve. Os nossos primos já se extinguiram todos.  E nós causamos estragos. As alterações climáticas e ambientais que desencadeámos foram brutais e dificilmente nos pouparão. Para a Terra será uma pequena perturbação irrelevante, mas não me parece que escapemos incólumes; tanto mais que a opinião pública e a política preferem ignorar os perigos que estamos a correr e enfiar a cabeça na areia. Somos talvez a única espécie na Terra ciente da inevitabilidade da nossa morte individual: receio que em breve devamos tornar-nos também a espécie que verá conscientemente chegar o seu próprio fim ou, pelo menos, o fim da própria civilização.


Como soubermos enfrentar, melhor ou pior, a nossa morte individual, assim enfrentaremos o colapso da nossa civilização. Não é muito diferente. E não será por certo a primeira civilização a entrar em colapso. Os Maias e os Cretenses já passaram por isso. Nascemos e morremos como nascem e morrem as estrelas, tanto individual como colectivamente. Esta é a nossa realidade. 


A que terra podemos chamar nossa,
sem que um desafio nos tenha feito medir as forças com ela
até lhe pedir perdão?
Não falo de vencedores, dos que não são de nenhuma terra
e de todas se apropriam.
Não falo da luta com o Anjo:
o Anjo vence-nos sempre
e não precisa de qualquer luta para nos esmagar.
Falo da nossa dívida à terra,
desta consciência brusca de amanhecer um dia
ao mesmo tempo que o mundo




by Banksy (algures perto de Calais)

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Migrantes: 10.000 crianças desaparecidas, diz Europol


(Já para não falar nas que morrem pelo caminho ou dão à costa como conchinhas vazias)

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O texto pertence ao capítulo "A fechar: nós" do livro 'Sete breves lições de física', de Carlo Rovelli.
O primeiro vídeo tem, de Ennio Morricone, On Earth As It Is In Heaven do filme The Mission
O poema é A Nossa Terra de Luís Filipe Castro Mendes in Relâmpago, Revista de Poesia 36/37
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Convido-vos a descerem até ao post seguinte onde se fala da nossa natureza humana e do que nos une às borboletas ou aos pinheiros larícios

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sábado, agosto 29, 2015

De que fogem estas hordas de imigrantes, de refugiados, de invasores esfaimados e aflitos que um dia poderemos ter à nossa porta?


Há dias em que tenho uma em mente mas que me custa tanto que faço de tudo para a evitar. Sei que não conseguirei o tom adequado, sei que posso parecer fútil, leviana, sei que há coisas para as quais não há palavras. Por isso, este é o quarto post de hoje e já andei pelo sex-appeal, pelo humor, pela poesia, pelo amor - tudo para resolver se fujo ao assunto ou se tento abordá-lo. E aqui estou a hesitar. Não sei como mostrar o que penso sem correr o risco de, emocionada que estou, me mostrar lamechas; também não quero parecer panfletária. Ou vulgar.

E, no entanto, já falei algumas vezes disto. Vou falando. Mas acho que me fico sempre pela rama.

Centenas de milhares de pessoas de todas as idades, condições sociais e raças e de ambos os sexos têm vindo a deixar as suas casas e, correndo todos os riscos e sofrendo todos os horrores possíveis e imaginários, põem-se a caminho, morrendo, deixando familiares mortos para trás, em busca de um mundo em que possam viver com dignidade e esperança. Para isso, entregando todas as suas economias e pertences, colocam-se nas mãos de contrabandistas e bandidos e, procurando a Europa - que julgam ser um bom destino - metem-se dentro de barcos ou camiões onde muitos nem respirar podem, ou põem-se a caminho, crianças e velhos ao colo. Imagens que não parecem deste mundo chegam-nos a casa dia após dia, uma sucessão infindável de horrores. O sofrimento daquela gente parece não ter fim. Todos os dias mais dezenas ou centenas de mortos. Afogados, asfixiados. E as estradas cheias, cheias de gente. E comboios pejados de gente assustada, suja, exausta. E acampamentos a deitar por fora. E muros que se erguem. E arame farpado que dilacera os corpos e as almas. 

Andou a civilização a fazer-se, o mundo a desenvolver-se, a ciência e a tecnologia a superarem-se para que tantas centenas de milhares de pessoas passem por isto, como animais fugindo do fogo, como cães esfomeados percorrendo as ruas.

A cambada que ajudou a desestabilizar os países de onde esta gente foge não é agora capaz de ir para lá garantir um mínimo de ordem de modo a que as pessoas não tenham que fugir espavoridas, deixando as raízes para trás, correndo riscos de vida, pondo a vida dos filhos em risco. Ficam-se pelas palavras balofas e de circunstância. Quando foi para decidir ou apoiar as guerras ou os movimentos que provocaram isto, souberam tomar decisões. Agora que o inferno está lá instalado, lavam as mãos e entretêm o mundo com pífias considerações. Um asco de gente.

Não é com conversa que alguma coisa se fará: é indo para lá. Já lá deveriam estar tropas, Capacetes Azuis, não sei - gente que ajude a pôr cobro ao desatino e à crueldade sem rei nem roque que por lá impera.

Não sou capaz de dizer mais que isto porque me faltam as palavras e porque o peito se me enche de angústia. Vou, pois, ficar-me apenas pelas imagens.


De que foge esta gente?



Un drama con rostro

En la imagen, una mujer mira cómo la policía bloquea a un grupo de refugiados que hacen la ruta Macedonia-Grecia. El primero de estos países declaró el Estado de Emergencia el 20 de agosto, abrumado por el número de inmigrantes que llegaban a su país, y movilizó a su Ejército para que vigilara la frontera.


(ROBERT ATANASOVSKI (AFP))


Jugarse la vida

En la imagen, un inmigrante escondido debajo de un tren intenta colarse en él para dirigirse a Serbia, en la estación de Gevgelija (Macedonia). En los últimos días, más de 120 cadáveres de inmigrantes han sido descubiertos en vehículos que se dirigían a Europa y en los que los refugiados viajaban escondidos.


(BORIS GRDANOSKI (AP))


Miles de niños entre los refugiados

Inmigrantes sirios duermen en un parque de Belgrado, Serbia. Son más de 10.000 los refugiados que han cruzado con sus bebés y niños pequeños la frontera de Serbia en los últimos días.


(MARKO DROBNJAKOVIC (AP))

Estado de emergencia

La policía macedonia trata de bloquear a los inmigrantes que intentan entrar en su país. Alrededor de 39.000 personas, la mayoría de origen sirio, han sido registradas a su paso por Macedonia en el último mes. La cantidad abrumó al Gobierno macedonio, que declaró el Estado de emergencia.


(VLATKO PERKOVSKI (AP))


El miedo como compañero de viaje

Reacción de un inmigrante que sostiene a un niño mientras es detenido por las autoridades de Macedonia. Alemania espera este año la llegada de 800.000 refugiados a Europa, “el mayor reto al que se enfrenta nuestro país desde la unificación”, advirtió Sigmar Gabriel, líder socialdemócrata, partido en coalición con los conservadores de Ángela Merkel.


(DARKO VOJINOVIC (AP))


Un hogar en cualquier lugar

Rashina viene de Kobani, Siria. Tiene cuatro años y ha bajado por medio mundo para llegar hasta Europa. En la imagen, descansa en una cama improvisada mientras espera un tren en la frontera macedonia que les lleve a otros puntos de Europa en busca de un lugar donde establecerse.


(OGNEN TEOFILOVSKI (REUTERS))



Fogem de situações como estas, na Síria 




Uma criança síria (Hudea, 4 anos) teria levantado as mãos ao confundir uma câmara fotográfica com uma arma.

(Foto: Osman Sargili)


Homem sírio chora enquanto segura o corpo de seu filho perto de Dar El Shifa hospital em Aleppo , Síria. O menino foi morto pelo exército sírio.

(Foto: Manu Brabo)


Uma mulher ferida, ainda em choque, deixa o hospital Dar El Shifa em Aleppo, Síria em 20 de setembro de 2012, após um bombardeio da artilharia das forças do governo sírio na cidade, no norte da Síria.

(Foto: Manu Brabo)


Uma mulher chamada Aida chora enquanto se recupera de ferimentos graves após o exército sírio bombardear sua casa em Idlib, norte da Síria em 10 de março de 2012. O marido de Aida e seus dois filhos foram mortos no ataque.

(Foto: Rodrigo Abd)


Um menino chamado Ahmed lamenta a morte do pai (Abdulaziz Abu Ahmed Khrer, que foi morto por um atirador de elite do exército sírio) durante seu funeral em Ibid, norte da Síria.

(Foto: Rodrigo Abd)
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A favor da Síria, pela mão atenta e amorosa de Banksy


[Graffiti artist Banksy has reworked his Young Girl piece for the With Syria campaign, to mark three years since the crisis began. The campaign is a coalition of 115 humanitarian and human rights groups from 24 countries, including Save the Children, Oxfam and Amnesty International. According to the coalition their aim is to ensure this is the last anniversary of the Syrian crisis. At the Zaatari camp in Jordan 100 young refugees lit candle and released red balloons, inspired by Banksy to carry messages of hope to Syrians. Report by Genelle Aldred.]

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Obtive as primeiras fotografias, as que têm legenda em espanhol, no El País.
Obtive as últimas fotografias, da Síria, na Obvious

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Por indicação do Leitor ECD em comentário aqui abaixo fui ler e, de tal forma, me revejo no que ali está escrito que me permito transcrever o artigo quase na íntegra.

Os campos, novamente


ANTÓNIO GUERREIRO in Público


Os campos, sob a forma de centros e lugares de retenção, voltaram à Europa e disseminaram-se por toda a fronteira do Sul da União Europeia. São espaços geridos pela polícia, subtraídos à ordem jurídica normal, que funcionam como diques para reter o enorme caudal dos “fluxos migratórios”. A situação está fora de controlo e assemelha-se àquela “explosão” que se deu no coração do continente europeu entre as duas guerras mundiais, assim descrita por Hannah Arendt em O Imperialismo, num capítulo em que a filósofa analisa o declínio do Estado-nação e o fim dos direitos do homem: “[As guerras civis] desencadearam a emigração de grupos que, menos felizes do que os seus predecessores das guerras de religião, não foram acolhidos em nenhum sítio. Tendo fugido da sua pátria, viram-se sem pátria; tendo abandonado o seu Estado, tornaram-se apátridas; tendo sido privados dos direitos que a sua humanidade lhes conferia, ficaram desprovidos de direitos”. E num artigo de 1943, We Refugees, escrito para um jornal judeu de língua inglesa, Arendt terminava em tom de exaltação, como se tivesse acabado de identificar um novo sujeito da história: “Os refugiados representam a vanguarda dos seus povos”. Mas o refugiado que Arendt definiu a partir do modelo do apátrida — produto de uma dissociação entre as fronteiras administrativas do Estado e a realidade política dos homens — implicava, como o nome indica, a ideia de refúgio, tanto geográfico como jurídico: os refugiados judeus que, no início da Segunda Guerra Mundial, conseguiram embarcar para a América tinham um destino que os orientava à partida e contavam com a vontade política de uma protecção. Os actuais “migrantes” que se lançam ao mar para alcançarem o território europeu são, pura e simplesmente, “deslocados”, fogem da guerra e da miséria, na esperança de conseguirem encontrar um lugar, uma direcção, um sentido. Verdadeiros refugiados na Europa, no sentido jurídico da Convenção de Genebra de 1951, são uma ínfima parte deste fluxo de forçados migrantes que, mal entram em território europeu, são ainda menos do que párias: são uma massa incontrolada de indesejáveis estrangeiros, assaltantes contra os quais a fortaleza europeia não consegue erguer muros eficazes nem fazer valer as suas armas de dissuasão. À nossa frente, está a passar-se algo que não queremos olhar: o regresso a formas de brutalização e barbárie, a instauração de espaços anómicos onde, novamente, “tudo é possível”. Sem conseguirmos vislumbrar soluções para o problema, desistimos também de uma vigilância capaz de nos lançar este alerta: os campos que regressaram à Europa, em grande número e por todo o lado, muito embora não sejam regidos pelo regime de excepção que presidiu à tanatopolítica — à política da morte — dos regimes totalitários, não nos dão garantias de que nenhum descarrilamento terá lugar e nenhuma inclinação criminosa latente poderá seguir o seu curso. Não podemos hoje ignorar que há uma lógica terrível imanente ao campo como figura: ele acaba por desenvolver uma zona cinzenta onde todas as situações-limite, à margem de todos os direitos, se tornam possíveis.  (...)

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Permitam que vos informe que a seguir há mais três posts, leves, levezinhos
(uma tentativa de aliviar a consciência)

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, um bom sábado.

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domingo, agosto 23, 2015

Dismaland, o novo 'bemusement park' europeu - de Banksy with love. Ver para crer. E há mão portuguesa no Dismaland: a Wasted Rita está presente!!!!!!


Tenha eu, um dia, cabeça para organizar uma galeria dos 'mais que tudo' aqui no Um Jeito Manso e, certamente, Banksy fará parte dela. O que ele faz nunca me deixa indiferente: é truculento, carinhoso, atento, lúcido, destemido, irreverente, gosta do mundo, gosta das pessoas, gosta das crianças, é inflexível para com os desmandos do capitalismo selvagem... e tem um sentido de humor desarmante. E, sobretudo, é um espírito brilhante.

Desta vez superou-se. Os media andavam a anunciar que ele estava a tramar uma coisa em grande. Desta vez não era só graffiti, nem era só uma daquelas suas insólitas instalações, não era apenas uma pintura onde menos se esperava, não era apenas uma escultura provocadora. Não, desta vez era gozo à grande, desta vez ia gozar com a Disneyland mas, que nos preparássemos, que is ser mesmo à séria.

E cá está. Ver para crer.

O Dismaland situa-se em Inglaterra, mais propriamente em Weston-super-Mare, uma cidade perto de Bristol, a cidade natal de Banksy, e é descrito como ‘the UK’s most disappointing new visitor attraction!’



O castelo Dismaland e a Pequena Sereia

Uma vista global que mostra melhor o aspecto deliberadamente decadente do parque


A abóbora/carruagem onde ia a Cinderela virou-se, a Cinderela morreu... e os paparazzis apareceram de imediato
(não há símbolos intocáveis ou tabus para Banksy - é que nem a princesa Diana escapou...)


Alguém aproveita a distração para fazer lasanha com a carne dos cavalos do carrocel


A baleia assassina sai de do local mais inesperado para fazer uma habilidade

Uma senhora é atacada por pássaros, no caso, gaivotas desencabrestadas


No lago, uma embarcação cheia de imigrantes negros

Uma visão mais geral do laguinho com barcos com imigrantes que são seguidos por patrulhas

Funcionária do Dismaland vende balões com o seguinte dizer 'Eu sou um imbecil'

Uma visão mais global para se ver o edifício com figuras e com a inscrição: Mediocre"

'Hey... Parece que há uma cena de sexo aqui dentro...'
- um graffiti típico de Banksy para que ninguém tenha dúvidas

Esquema geral do parque para que, quem lá queria ir, não perca pitada


E o Vídeo do Dismaland, o 'Bemusement park, com os cumprimentos de Banksy



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E, para terminar com um momento musical, a seguir a uma conversa entre Banksy e uns dos músicos que vão tocar ao parque,:


Banksy meets Run The Jewels

(a propósito da próxima actuação no Dismaland - a 4 de Setembro)


I like to ask artists this question: if you could choose only one, would you rather be thought of as a great artist or a nice person?

EL-P Interesting question. We all want recognition and validation to an extent for our art, but greatness as a trade for decency is a risky proposition. In my life I try to leave the people I encounter with the feeling that they have been respected and treated with warmth and appreciation. Being known as honorable is way more important to me. But being that my career is in the public and my personal relationships are ultimately private, I suppose, for the sake of the question, being considered a great artist publicly means a bit more than being considered a nice guy publicly. Although I like to think I am thought of in that way. Point being, I don’t get paid to be a nice guy, I just try to be one.
KM I don’t know what the hell the future brings. If I did, I would play the lotto and win the mega millions and buy toy cars, real muscle cars, sneakers and art. I cannot lie: as good as it feels to get my deserved props, the best part of reading social media after I meet folks is reading: “Mike was a nice guy”. I believe being honourable lasts longer than rapping good.



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Nota importantíssima

Em comentário, a Leitora Rosa Pinto deixou referência à participação da portuguesa Wasted Rita no Dismaland. Transcrevo as suas palavras com os meus agradecimentos e os meus parabéns à Ritíssima!


E parabéns para a Rita que participou neste projecto.

No Sol: 

Wasted Rita faz desenhos, ilustrações e escreve teorias sobre o que a rodeia.

Para a "Dismaland", Banksy escolheu cartazes antigos da portuguesa que dizem: "You're giving me massive diarrhea" ("Estás a dar-me diarreia maciça"), "Bankrupt is the new awesome" ("Bancarrota é a nova cena"), "I have no fucking idea what I am doing in this world" ("Não faço ideia o que estou a fazer neste mundo") e "The more I know people the more I love snakes" ("Quanto mais conheço as pessoas mais gosto de cobras").

Além disso, Rita irá replicar, na "Dismaland", a parede "Love Letters" ("Cartas de amor") que criou no Parque das Nações, em Lisboa, durante o festival SuperBockSuperRock, no passado mês de julho.


Entretanto, vi que também a Visão referiu o facto e aqui deixo o link

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo dia de domingo. 

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terça-feira, março 24, 2015

Quando a arte está na rua. Odeith, EIME, Bordalo II e Vhils, entre os melhores do mundo. E Banksy, o grande.


No post abaixo já falei de um senhor capaz de resolver a problema do défice de natalidade num ápice. Bem se poderia pôr o senhor Tchicuteno, angolano, a fazer por cá umas sessões de coaching para os garanhões portugueses verem o que é um povoador em acção Com ele ou usando a sua técnica, nas aldeias onde não nasce uma criança há séculos, até as velhas e as pedras desatavam a ter filhos!

Bem, mas isso é a seguir - e o sultão até explica qual a alimentação que o ajuda na tarefa. Aqui, agora, a conversa é outra.
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Na Covilhã, trabalho de Artur Bordalo (aka Bordalo II)


Sou apreciadora de graffiti ou, mais em geral, de street art e ando pelas ruas a ver desenhos, ditos, pinturas. E fotografo. A minha frustração é quando vou de carro e não dá para parar e fotografar, acho um desperdício ter visto e não ter podido registar.

Mas não gosto de ver riscos à toa, letras trapalhonas, sobrepostas, uma poluição visual, coisas que dão ar sujo e abandalhado às cidades. Mas gosto dos apontamentos de poesia, humor, irreverência e arte em geral que pontuam as ruas das cidades. Por todo o lado deveria haver muros para os artistas de rua poderem oferecer às cidades (e vilas e aldeias) a sua arte.

As esculturas flutuantes, 3D, de Odeith
Acho que a arte, toda ela, é estimulante, motivadora, traz felicidade, e a arte de rua é, por excelência, uma das formas de arte mais democráticas e inspiradoras. Ela pode ser um grito de revolta, um alerta, um murro no estômago, uma provocação, uma experiência, um voo, um sonho, uma viagem, um delírio. Seja o que for. Mas é sempre uma interrupção na monotonia, na acomodação. 

Já aqui falei várias vezes de Banksy que admiro muito. Mas hoje quero mostrar também alguns dos nossos artistas. 




Murais de Odeith, EIME, Bordalo II e Vhils estão entre os melhores do mundo



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E, permitam. um vídeo com obras de Banksy. 



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E desçam, por favor, até ao grande Tchicuteno, o homem que gere 43 mulhere na maior limpeza. E que já deu ao mundo (à data da reportagem) nada mais, nada menos do que 152 filhos. É obra.

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segunda-feira, março 02, 2015

Infoexcluída me confesso. Nem Facebook, nem Twitter, nem Instagram. Nem gatinhos. Só gatos. E, de preferência, tal como Mario Testino os regista, nuzinhos, só com uma toalhita. Alô, alô Rosa Pinto: concorda que estes são de uma beleza universal, intemporal, obras de arte perfeitas?


No post abaixo já falei de dois ladrões honestos. Ou arrependidos. Ou amedrontados. Ladrões que, voluntariamente, devolveram o fruto do seu furto. Não foi ao Passos Coelho que me referi, é claro, longe de mim. Referi-me, sim, a dois ladrões cujos actos darão certamente filmes. Ora, como é sabido, Passos Coelho para artista não tem jeito (lembremo-nos da nega que recebeu do La Feria).

Mas isso é a seguir. Aqui, agora, a conversa é outra.

Se ontem confessei alguns dos meus segredos, hoje continuo numa de confissões e falo das minhas debilidades cognitivas. 

É que ele há coisas que eu não percebo. E são muitas.


Cauã Reymond por Mario Testino


Do filme The Great Gatsby, numa interpretação de Lana Del Rey: Young and Beautiful


Por exemplo, não percebo: 

  • Porque é que a maioria das pessoas quando está a ser fotografada se põe de lado, abre a boca e, não raramente, levanta uma perna, quase como se simulasse que está a cair?
  • E porque é que tanta gente acha graça a fotografar-se a si própria? Mais: porque é que tanta gente acha graça a divulgar fotografias de si própria? 
  • E, mais intrigante ainda, porque é que é tão importante para as pessoas e para as empresas terem likes no facebook? Se nas pessoas eu ainda posso atribuir a uma questão de carência afectiva, já no caso das empresas acho que é entrar num registo de futilidade quando seria expectável que se funcionasse num registo de seriedade.
Marcelo Boldrini por Mario Testino
  • E porque é que há tantas tricas em volta da utilização do facebook?
No outro dia, num dos espaços de open space que não fica muito perto do meu gabinete, ouvi vozes mais altas que o costume. Pensei que naquele dia haveria mais efusividade do que o costume já que, em regra, nada se ouve. Mas depois a coisa foi subindo de tom, já parecia uma altercação. Intrigada, assomei à porta e vi duas, alteradas, a discutirem e os outros em volta a tentarem acalmá-las.
Quando, algum tempo depois, fui à copa buscar um dos meus múltiplos chás diários, vinha uma outra ainda corada. Perguntei: Então o que é que se está a passar? Ela respondeu: Nada que interesse Doutora, parvoíces, coisas que não deviam acontecer no local de trabalho, mas deixe, elas agora já estão mais calmas. Eu não disse nada mas ela deve ter percebido que eu não estava a ver o alcance da coisa pois clarificou: É a M que se passa com coisas de que ela é a única culpada.
Nikolai Danielsen por Mario Testino



Devo ter sorrido com ar de quem, sendo assim, já estou mais descansada mas, se sorri, fiquei-me pelo sorriso. 
Mas toda a gente devia saber a causa de tal situação insólita pois, nessa tarde, uma pessoa veio dizer-me, com naturalidade, Ela comenta o que não deve junto de outras pessoas, de que é que ela estava à espera?
Não percebi. Explicou-me: Põe-se a fazer comentários sobre o que as outras escrevem ou sobre as fotografias, e isto tudo se sabe. Limparam-na do Face. De que é que ela estava à espera? E depois foi tomar satisfações? Claro, ouviu umas verdades.
Continuei a não perceber. Limparam-na do Face?
Ela deve ter percebido que a minha insuficiência intelectual era severa e, portanto, traduziu: Sim, do Facebook.
Romulo Neto por Mario Testino

Pensei: ó caraças, que mundo paralelo este que, como o próprio nome indica, me passa todo ao lado. 
E a que foi limpa deve ser mulher para uns 60 anos, imagine-se! E, portanto, pelos vistos, toda aquela gente tem conta no facebook, e devem lá colocar pensamentos, selfies de boca aberta, e todas se devem comentar umas às outras e, às tantas, pelos vistos, zangam-se, amuam-se, entram em despiques. 
Ou seja, isto do Face pelos vistos até pode transformar mulheres urbanas em vizinhas de bairro, daquelas que se pegam umas com as outras por causa do diz que diz que, feitas fofoquentas, mariazinhas.
Claro que não será toda a gente assim, se calhar a maioria mantém o nível e sente-se mais acompanhada ou realizada tendo muitos amigos no Face e muitos likes, e sente que está mais em cima do que interessa. 
Com esses e outros argumentos, muita gente me tem incentivado a arregimentar-me. Mas eu não, obrigada, prefiro sentir-me outsider, quase como se quisesse preservar o lado de boa selvagem que ainda subsiste em mim.

Cara Delevingne por Mario Testino

  • Mas depois ouço que toda a gente acompanha as fotografias de um e outro também no Instagram e até pelo DN fico a saber que o Mario Testino divulga fotografias no Instagram e eu, que gosto tanto de fotografias e tenho milhares delas, não tenho conta no Instagram, não sei bem qual a diferença entre pôr fotografias lá ou pôr aqui e receio que, se aderir a isso e a tudo o resto, às tantas não dê mãos a medir que tempo é o que já me falta; mas, se não aderir, parece que estou cada vez mais à margem do mundo que a maioria das pessoas já habita.

Tanta coisa da qual passo ao lado.

  • E a história dos gatos? Em tempos li que o tipo de imagem mais visto na internet é o que se refere a gatos. Fiquei perplexa. Gatos? Porquê?


A propósito das novas pinturas de rua de Bansky em Gaza, em que pintou um ternurento gatinho a brincar com destroços de guerra, ele explicou que o fez porque as pessoas adoram imagens de gatinhos, parece que se deixam prender sobretudo por imagens de gatinhos fofos.

Under the photograph of the large mural, Banksy wrote on his website: “A local man came up and said ‘Please – what does this mean?’ I explained I wanted to highlight the destruction in Gaza by posting photos on my website – but on the internet people only look at pictures of kittens.”

by Banksy

(e eu sei que não deveria misturar a destruição de Gaza com frioleiras mas, que querem?, Levezinha é o meu nome do meio)

É certo que já fotografei alguns gatos vadios no Ginjal mas, enfim, faço-o porque acho eu que são animais que, naquele contexto, têm um potencial estético interessante. Mas daí até perceber porque é que os gatos são o principal motivo de interesse global no visionamento de imagens na internet já vai um grande passo. Tanta gente fotografa os seus gatos e com eles enche páginas e páginas de sites, blogues, facebooks e instagrams, porquê? Porque tem procura? Meio mundo anda à cata de gatos na internet?
Todas essas imagens estão armazenadas em computadores algures por aí (nas nuvens) e, se um dia alguns seres extraterrestres tentarem perceber que mundo é este, vão ficar surpreendidos, provavelmente vão achar que os gatos são os seres dominantes na Terra. (E, de resto, quem sabe não são mesmo? Sábios têm eles ar de ser).


Enfim, coisas que vão para além da minha compreensão. Presumo que, por isto, quase me possa considerar infoexcluída e estou certa que, muitos de vós, a maioria talvez, tem conta nessas coisas e só vê vantagens nisso. E talvez saibam tudo antes de mim, porque as redes sociais propagam a informação de forma viral e tudo isso.

Mas, de cada vez que leio como estas empresas seleccionam as informações a divulgar nos murais de cada pessoa de forma a manipular a sua disposição emocional, ou adoptam políticas moralistas, puritanas, mais me convenço a deixar-me de fora do maravilhoso mundo novo em que todos sabem tudo, todos divulgam tudo, todos consomem tudo.

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As beldades desnudadas fazem parte da Towel Series de Mario Testino (assim até eu não me importava nada de ser fotógrafa profissional).

Ilustram este texto como forma de resposta à Leitora Rosa Pinto que, num comentário ao post abaixo, me desafiou: Beleza, aquela que é universal não deve depender de gostos pessoais e de modas. Desafio UJM para pensar e partilhar algumas dessas belezas.


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Relembro: no post abaixo falo de dois ladrões honestos ou enfastiados que, nos últimos dias, deixaram meio mundo de queixo caído. 

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sexta-feira, outubro 24, 2014

Rapariga com brinco de alarme em vez de pérola numa noite fora de casa, ou seja, com Banksy a fazer-me companhia, enquanto reflicto sobre a PT, sobre o capitalismo e sobre outras governanças





Como sempre nesta altura do ano (e noutras também), estou fora, dois dias no meio do nada. Para ser um retiro espiritual faltam-lhe apenas os momentos de meditação e oração, se bem que, se alargar o conceito, quase se poderia dizer que também o fazemos. 

Parte do público alvo está alojado num hotel da cidade mais próxima e um pequeno grupo está alojado na guest house existente no próprio local onde decorre o encontro. Por isso, a esta hora presumo que parte dos meus colegas ande a bater perna pelos bares da cidade enquanto eu estou aqui, nesta casa maravilhosa (e só não tiro fotografias para vos mostrar porque, parecendo que não, ainda tenho algum juízo nesta cabeça) a escrever-vos.

Por aqui, durante o dia e até à hora de jantar, fala-se de estratégia, de concorrência, de negócios, de como as dificuldades não são dificuldades mas sim desafios, de como os contratempos não são contratempos mas sim oportunidades. 

Não há lugar para temas luminosos como os que envolvem a ética ou o amor como critérios de gestão nem temos oradores convidados. Nem há lugar para divagações ou angústias, o mundo real não deixa tempo para frescuras. De vez em quando o clima adensa-se, algum lá sai do registo de salão mas logo a coisa se compõe e tudo prossegue como previsto, focado, um objectivo comum. Claro que nos coffee breaks ou cocktails os grupos sussurram private jokes ou não é difícil adivinhar que alguns se dedicam ao corte e costura, metendo as inevitáveis alfinetadas. Mas isso não tem mal, não é nada de mais. As organizações são compostas de pessoas e as pessoas não são máquinas.

Amanhã às 9 horas os trabalhos recomeçam e eu tenho que fazer uma apresentação. Claro que talvez pudesse estar a aqui a ensaiar, quando há cenas destas com dezenas de pessoas e convidados a assistirem, alguns dos meus colegas ensaia. Eu não o faço. Fiz a apresentação, sei o que lá está e, no momento, falo de improviso. Sempre assim o foi e sempre assim o será.

De resto, não sei nada do que se passou hoje. Há bocado quando falei com o meu marido, perguntei-lhe o que se tinha passado no mundo. Disse-me que, por cá, nada, tirando a trapalhada do IRS. Claro. Gente sem tino arranja lenha para se queimar (e, depois de tudo estar a arder, ainda aparecem com cara de tontos a pedir perdão pelos transtornos e o chefe ainda aparece a elogiá-los, dizendo que a situação só prova que os escolheu bem pois não fugiram a sete pés da baderna que armaram). Se esta gente trabalhasse numa empresa, ao fim de meia dúzia de meses levava-a à falência. Nunca vi tamanha incompetência.

Agora dei uma volta pela internet e li que a queda da PT no precipício está a levar várias empresas também ao charco. E muitas mais irão. Muitas, muitas. A queda da PT vai dar um abanão do caraças na já de si tão débil economia nacional. Mas devo confessar que me fiquei pelo título: ler uma miséria destas deixa-me angustiada. Como, de repente, uma empresa que era das mais valiosas do país, que emprega umas 10 ou 11.000 pessoas e dá trabalho indirecto via outsourcing a mais umas 16.000 e ainda a mais uns milhares de pessoas em empresas fornecedoras de tudo e mais alguma coisa, uma empresa que era 'vendida' como de sofisticada governance, comete erros crassos que não tem como corrigir e se vê devorada pela fome encarniçada dos mercados sem que ninguém levante um dedo para a salvar. 

Isto é o capitalismo selvagem na sua insanidade mais acabada. Claro que não são só os mercados, tenho que ser objectiva: muito do que era excelente governance não era excelente coisa nenhuma, era espuma, cagança, faz de conta, show off, servilismo perante o dono, palermas endinheirados armados em bons. Mas se isso se aplicava a uma vintena de iluminados, o resto das pessoas era esforçada, dedicada, competente. Mas, claro, o problema está sempre nas elites e em Portugal, salvo honrosas excepções, as elites são muito fracas e, ainda por cima, deslumbradas.

Não quero falar mais disto. Preocupa-me, assusta-me. Somos frágeis e vulneráveis. Conheço pessoas que trabalham na PT, belos empregos, belos níveis de vida, orgulho por trabalharem numa empresa sólida, numa das poucas empresas de bandeira do país. E, de repente, vêm pela ribanceira abaixo, uma derrocada brutal que, na queda, arrasta outras empresas.

Muito deveria ser repensado depois do descalabro do BES e agora da PT. Tanta auditoria, tanta consultoria, tanta compliance e, ainda por cima, sendo empresas cotadas, sujeitas a todo o tipo de escrutínio. E, no entanto, mais vulneráveis que uma mercearia de bairro.

Não basta lavar as mãos como Pires de Lima o fez, ao dizer que os prémios de gestão obtidos por Zeinais e Granadeiros e outros que tais são comprados (toda a gente sabe disso) e que, portanto, com as empresas nas mãos de gente assim, vou ali e já venho. Não basta. Há que ir mais longe e perceber que modelo de gestão e de economia é que queremos para o país um dia não acordar e estar feito em pó, com chineses e angolanos a tomarem conta do que sobrar.

Mas, enfim, estou a maçar-vos com isto, falo e volto a falar no mesmo e isso deve ter maçador para vocês.

Tenho aqui comigo, trouxe para ler à noite - e já estive a dar-lhe uma voltinha e a ver se, antes de adormecer, leio mais um pouco - uma edição especial da National Geographic dedicada a Einstein com subtítulo A Teoria da Relatividade, O espaço é uma questão de tempo. Encanto-me com isto, leio como quem passeia no espaço ou como quem lê um poema invadido pelo silêncio.


Estive a ver se dava para transcrever umas passagens maravilhosas mas não dá. Estou com internet móvel, a pedal e, pior, volta e meia a pen desengonça-se do computador e fico sem internet. Estive a ver se descobria um vídeo interessante sobre Einstein mas isto fica a remoer e ainda não consegui que o youtube se mexesse. Depois o quarto tem uma luz débil, se aponto para o livro quase deixo de ver o computador. 

Por isso, fico-me por aqui.

Escolhi imagens relativas às provocações de Banksy apenas porque sim. A primeira, lá em cima, é a sua última obra.


O artista Banksy atacou de novo e desta vez deixou a sua versão do quadro A Rapariga com Brinco de Pérola numa rua de Bristol, Inglaterra. O mural, a que Banksy chamou Girl with Pierced Eardrum (Rapariga com Tímpano Furado) surgiu segunda-feira na zona portuária da cidade.


O trabalho parece ter sido vandalizado na manhã de terça-feira, com uma mancha de tinta preta.

Banksy incorporou uma caixa de alarme no mural, no lugar do icónico brinco no quadro de Johannes Vermeer. O antes e depois da pintura da parede pode ser visto na página de Banksy, assim como vários ângulos do mural visto da rua.


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E agora vou entregar-me à relatividade. 

(Se isto estiver cheio de gralhas, por favor, relevem. 
Com a internet neste estado e com pouca luz não estou a atinar com isto)


Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela sexta feira.

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