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sábado, agosto 31, 2024

Desculpem eu não entrar em grandes pormenores pois as circunstâncias desaconselham-nos mas, caraças, as principais instituições do País parece mesmo que estão ocupadas por saloios, por pacóvios

 

Já ontem a notícia do assalto ao Ministério da Administração Interna, as circunstâncias em que ocorreu, as circunstâncias em que só perto das 10 da manhã um agente de segurança, ao fazer o giro, deu por isso, as câmaras de vigilância sem funcionarem, o equipamento à mão de semear, tudo, tudo me parece coisa de anedota. Anedota de uma ponta a outra. Não há uma que sirva de atenuante.

Mas o que hoje se passou é tão ou mais grave. As imagens que a televisão me estão a mostrar com Montenegro deixam-me perplexa. Vejo-o a portar-se como um daqueles parvalhões que se pespegam junto dos acidentados, atrapalhando os salvamentos. Fico estupefacta com a falta de sentido de Estado, com a tremenda falta de bom senso, com a falta de tudo. Não é só disparatado, é mesmo ridículo.

O acidente foi terrível, deixa-me triste, com muita pena, é daquelas situações que deixam qualquer um consternado. Requer das instituições não apenas apoio, garantia de que tudo será feito nas operações de resgate, empatia para com as famílias e os camaradas, mas também recolhimento, discrição, noção de que um mínimo de decoro é indispensável.

Mas o que estou a ver, os carros oficiais a atrapalharem, a encherem tudo de pó, depois montado numa lancha onde decorrem as operações de resgate, é daquelas que enchem qualquer um de vergonha, vergonha alheia.

Marcelo parece ter aprendido com Pedrógão e agora conteve-se. Imagino que esteja a rabiar com as imagens do outro armado em papalvo. Montenegro revela-se nas atitudes de videirinho, de chico-esperto, de bimbo, de primeiro-ministro pimpa.

A escolha da Miss Swaps para Comissária e a forma como o processo decorreu é outro disparate, outra anedota, outra afronta. Têm a sorte de a malta já estar por tudo, de muita gente, enfronhada quase 24 horas por dia nas redes sociais, nem saber ou já nem se lembrar da Maria Luís Albuquerque. Em situações normais, esta decisão constituiria uma barracada, um tiro no pé, uma chachada. Assim, passa entre as pingas da chuva.

Um País vai mal com um Primeiro-Ministro destes. Mal, mal.

A Assembleia da República, onde pontuam 50 deputados do partido mais rasca e inconsequente de que há memória, com uns ADs maioritariamente desqualificados, sem uma esquerda-esquerda que se veja, e com um PS meio titubeante e que parece que não tem acção para dar os murros na mesa quando são necessários, também não é flor que se cheire. 

Depois o Marcelo é o que se sabe, anda a apanhar as canas antes que o mandato acabe. 

A Justiça é outra pouca-vergonha, com uma PGR que também envergonha qualquer um, com os juízes, muitos deles, a não inspirarem qualquer confiança. 

Uma salsada. Parece que, com o tempo, a democracia foi ficando mais deslavada, com a sociedade devorada pelas redes sociais e pela comunicação social a tentar não ficar atrás das redes sociais. E as pessoas de valor, não estando para serem chamuscadas por coisa nenhuma, só para gerar audiências, fogem a sete pés da política. Sobram os oportunistas, os medíocres, os chico-espertos, os saloios.

Mas, enfim, calo-me com estes desabafos. 

Lamento a queda do helicóptero e a morte dos agentes da GNR que iam a bordo. Louvo a generosidade e a coragem de todos quantos dedicam a vida a ajudar os seus concidadãos tantas vezes em situações de grande risco.

quinta-feira, agosto 29, 2024

Super best sellers

 

Tenho que confessar: nunca li nada do Stephen King. Não posso dizer se é bom, se é mau. Sei que os seus livros vendem-se como pipocas saltitantes e que há filmes, feitos a partir dos livros, que foram outros tantos sucessos. Também nunca vi nenhum. Provavelmente é preconceito meu. Achando que sou uma mente aberta tenho, contudo que reconhecer que os preconceitos que tenho são mais que muitos. O género, as capas, as cores, tudo ali me afasta. Contudo, vendem-se aos milhões. Deve ser a melhor recompensa para um escritor. E, na volta, se calhar, se me afoitasse, sentir-me-ia surpreendida.

Em relação a Marguerite Duras, escritora também de milhões e de cujos livros também se fizeram filmes (pelo menos de O amante), não tenho preconceitos e já li vários livros. E gosto bastante. 

Imagino que não poderiam ser mais diferentes um do outro. 

Mas que sei eu?

Têm, contudo, em comum -- e isso acho que não oferece dúvidas --, o gosto pela escrita. Falo no presente em relação a ambos embora a Duras já lá esteja faz tempo. Mas os escritores, os bons, são eternos.

Talvez ela seja mais autobiográfica, quase confessional, talvez burile mais a escrita tentando ficcionar a sua própria vida ou a dos que lhe eram mais próximos, enquanto Stephen, aparentemente, tem uma ideia enquanto enfia a primeira perna das calças e, quando enfia a segunda, já está a história concluída na sua cabeça.

Seja como for, gosto sempre de ouvir os escritores. Tenho para mim que os que o são mesmo têm qualquer coisa em si que os torna especiais. Mas também posso estar enganada, claro.

Stephen King reflects on his iconic career and latest release 'You Like It Darker'

Stephen King, has gone on to write more than 60 books and many have been turned into such films as “The Shining” and “Shawshank Redemption.” Jeffrey Brown spoke with King about his latest book, “You Like It Darker,” and the long arc of his career. 

Une vie : Marguerite Duras

"Je crois que l’homme sera littéralement noyé dans l’information. Dans une information constante." Résistante, femme de lettres insoumise et engagée, Marguerite Duras était aussi une visionnaire. 


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Quanto à escolha de Miss Swaps para comissária europeia parece-me coerente com a grunhice e o papalvismo da AD

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Um dia bom

quarta-feira, julho 31, 2019

Olha, afinal as golas não são inflamáveis....
Mas, entretanto...


  • Quem terá sido o chico-esperto que se lembrou de lançar o boato de que as golas pegavam fogo? 
  • Quantos doutos papagaios vieram, a seguir, dizer que as golas pegavam fogo? 
  • Quantos doutos comentadores enxamearam os balcões onde se servem opiniões a copo, prontos a fazer justiça com as suas próprias mãos? 
  • Quantos jornalistas na reserva saltaram avidamente para a ribalta para sujar o bom nome do jornalismo, falando do que não sabiam?
Não sei quantos. Só sei que muitos.

Já Patrícia Gaspar tinha explicado: não se quer que as pessoas vão para o pé do fogo, que vão apagar fogos; pelo contrário, o que se quer é que fujam dele e as golas são apenas para evitar a inalação de fumo.

Mas qual quê: alguém inventou que as golas pegavam fogo e, incapazes de pegarem em assuntos inteligentes, logo todos os canais, como gato a bofe, inflamadamente se atiraram às golas e desataram a clamar contra o Governo.


E eu gostava de ver se a mesma maralha, nos mesmos canais, vai enxamear outra vez os media para fazer o mea culpa junto da opinião pública. É o vês. Caladinhos que nem ratos.

E eu gostava de ver outra coisa: será que a malta que de repente virou especialista em materiais inflamáveis faz ideia se as calças, as blusas, os casacos ou os ténis que usa ou o das pessoas que se virem em situação de fugir ao fogo são ignífugos...? Cá para mim nem lhes ocorreu tal dúvida metódica. Como burros encartados, pensar não é com eles. Põem-lhes um coisa à frente e logo eles, sem pensar, a enfiam na cabeça todos gabarolas. Se depois lhes disserem que aquilo não era um chapéu, eram umas orelhas de burro só para gozar, tiram-nas logo, fazem de conta que não é nada com eles, assobiam para o lado e dão meia volta de fininho. Não desfazendo: na verdade são uns caguinchas, uns putativos maraus de meia tigela.

E a única coisa que se pode dizer de tudo isso é: santa ignorância, santa estupidez. 

Agora dito isto, digo outra coisa: se os objectos que compunham o kit não obedeceram a uma decisão informada ou se a escolha da empresa que os forneceu obedeceu a critérios que não os normais (ie, melhor preço para qualidade e prazos de entrega equivalentes) então que se apure isso. Com rigor e sem dramas. Escrutinar os actos da administração pública é um dever e é normal nos regimes democráticos. Mas não faço ideia de se houve algum favorecimento. Se há dúvidas apure-se e apure-se sem condescendências. Não vou atrás de qualquer osso que um qualquer manhoso atire para a rua. Preciso de demonstração, de factos confirmados.

Hoje, ao ouvir as notícias, já aparecia outra: a empresa da qual o filho do Secretário de Estado tem uma quota de 20 ou 30% fez três negócios com autarquias ou lá o que foi. Posso não estar a ver bem mas, só por isto, não vejo mal nenhum. Se fizesse negócio na Secretaria de Estado à frente da qual está o pai, aí já me pareceria eticamente reprovável. Agora em organismos onde o pai não risca peva, não estou a ver qual o problema. Há que evitar fundamentalismos senão perde-se toda a racionalidade.

E digo isto com a consciência tranquila: não exerço nem nunca exerci cargos públicos nem estou ou alguma vez estive filiada em qualquer partido política. Sou absolutamente contra qualquer forma de corrupção, compadrios ou beliscaduras na ética. Mas sou também absolutamente impermeável a fundamentalismos ou juízos precipitados ou levianos.

Portugal é um país de justiceiros, de gente que se acha moralmente superior aos outros, gente que cultiva a maledicência, a intriga, a inveja, a cobardia. Mas atacar ou difamar gente que é inocente é cobardia, é também maledicência, é maldade e, frequentemente, demonstra aquela inveja surda dos que olham alguns dos que exercem cargos políticos como desprezíveis 'poderosos' esquecendo-se que, na maioria dos casos, são pessoas normais, com família, com sentimentos, com valores.

Já o referi algumas vezes: tenho, muito próximas, algumas pessoas que exercem relevantes cargos públicos. Curiosamente, nenhum deles é filiado ou simpatizante do PS, partido com que mais me identifico. E uma coisa posso eu dizer: são pessoas íntegras. E nenhum deles enriqueceu ou está a enriquecer com essa sua ocupação. Pelo contrário. Ganham menos do que ganhavam nas suas actividades anteriores e o que, de facto, ganham é cabelos brancos, dores de cabeça, estafas sobre estafas, noites mal dormidas e grandes sacrifícios das famílias.

De novo, dito isto, acrescento que acredito que haverá ainda muito por aí alguns pequenos amiguismos, combinações de correlegionários de partido que tentam influenciar pequenos negócios. Gente de Juntas de Freguesias, gentinha que ainda anda por dentro dos aparelhos de algumas Direcções Gerais. Acredito. E, havendo, acho que é gentinha que não interessa, cujos hábitos devem ser banidos, cujos crimes devem ser punidos. A transparência é fundamental.

Mas chega-se lá com maturidade, com ponderação, com inteligência -- não com juízos precipitados e goelas inflamadas. Sou a primeira a condenar oportunismos, interesseirismos, gatunagem. Mas não acuso só porque sim ou porque algum palerma que ninguém sabe quem é diz que sim. Acuso quando estou certa de que estou a ser justa. acusar. Acusar um inocente não tem perdão.

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Tirando isto: estou curiosa de saber se, por estes dias, o PSD se vai auto-destruir, comendo-se todos uns aos outros. Literalmente. Quiçá, até, biblicamente. No final, apenas um monte de ossinhos debaixo dos lençóis.
Por exemplo, o Hugo Soares, que andava por aí todo fera, comerá alguém? O Rio? Ou o Rio virará o jogo e, qual tarzan, a cavalo numa liana, conseguirá comer alguém? Quiçá o José Eduardo Martins? Ou a pombinha da paz descerá sobre eles e sairão todos de lá aos beijos na boca? E a Maria Luís Albuquerque entrará em que cena? Beijos de língua? Ou não porque toda a gente tem medo porque sabe que aquilo lá é língua venenosa? Eo marido dela pairará por lá armado em body guard? E o Miguel Pinto Luz? In love com a Manuela Ferreira Leite? E o Professor Marcelo telefonará em directo para desejar muitas audiências?
Também estou curiosa de saber se, nas próximas eleições, o CDS vai conseguir eleger alguém. Se calhar não. Se calhar, o CDS já era. O pernão não funcionou, o vestido dos kiwis também não, a peixeirada também não, o mostrar folhas com desenhinhos  na Assembleia também não, a votação no penteado também não, o falar pianinho também não, o ter diarreia de ideias também não. Bolas. Ou melhor: bola. Zero. 

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E agora uma coisa boa


E até já.

sexta-feira, janeiro 18, 2019

Lisboa tem montras com leitões, calçadas, ratinhos, galos, santos e santinhas.
Lisboa, minha linda.
[Postal nº 2 de 8]




Está muito frio. Quando fomos fazer a nossa caminhada e estava que não se podia. Não sei se era do ar que se respirava, se era de mim que o respirava.

Motivos para fazer aqui uma festarola não faltariam: 
  • não só as macacadas dos defuntos da era lapariana, todos a darem à costa -- a pinókia dos  swaps, a  tal da justiça que dá mau nome às louras, o aguiar do escritório de advogados, o Hugalex que nunca mais atina, sei lá, tudo a sair à cena -- palavrentos, biliosos, conversas trapalhonas, falta de ética, todos prontos a destruir com o ácido da sua bílis não só Rui Rio mas toda a sua entourage, afinal todos correlegionários. 
  • mas também poderia falar do abraço apaixonado e emocionado entre as duas múmias paralíticas que sempre se odiaram, o Rio e o Menezes
  • ou poderia dizer qualquer coisa da dupla sinistra que a SIC convidou para falar de Vara, uma dupla que pareceria uma anedota se eles não fossem um perigo, a Procuradora Boca Guedes e o ressabiado Mano Costa. Não fui autorizada a ver já que, aqui em casa, se preza muito a higiene mental mas, num rápido zapping, o que vi e ouvi foi de susto. Gente destas é tóxica, estraga tudo, envenena o solo que pisa e o ar que respira. Mas não me alongo, remeto para as palavras do Valupi.
  • e até poderia falar do anormal do Trump com as suas burrices e alarvidades e com a última tirada a dar entender que a mulher poderia fazer as saladas para servir aos convidados (já que continua o shut down). Mas a Melania não se deve importar, gosta de fazer papel de parva, de escrava parvalhona.
  • ou poderia falar da pangalhada do Brexit e da demonstração da irresponsabilidade dos populistas que levaram o Reino Unido a este beco sem saída. Todos à deriva, conduzidos por uma totó.
Mas, infelizmente, não estou in the mood. Continuo com pouca vontade. Estou melhor, bem melhor, thank you, mas, ainda assim, aquelas cócegas nos dedos de que o Francisco, no outro dia, falou, essas ainda não deram as caras.

Por isso, volto-me para o meu passeio de domingo pelas ruas desta Lisboa de que gosto todos os dias e, sempre, cada vez mais.

Comecei, lá em cima, com a fotografia um bacorinho que podia passar por atleta mas que a fumar daquela maneira não o é e que, ó Caro Rei dos Leittões, pela cor dos pezinhos, lamento mas não é da sua família, um ilustre Pata Negra.

Noutra montra um garboso galo, um bem comportado acólito e não sei se um Santo Antoninho. E azulejos. 


E depois um quadro lindo, uma Nossa Senhora, um menino e mais uma amiga da mãe do menino e, à frente, uma orquídea perfeita e umas pecinhas.

E o reflexo dos prédios da frente. Gosto de fotografar montras em Lisboa pois contêm sempre a beleza das ruas reflectida nelas.


E continuo Rua Alecrim acima, agora do outro lado da rua, passando por uma loja de que gosto há bué. Comprei lá uma caixinha para jóias para a minha mãe que, desde há mil anos, está em cima da cómoda do quarto que era de ambos e que agora, desde que o meu pai está numa cama articulada com um colchão eléctrico anti-escaras, é só dele. Também é de Louças de Sant'Anna uma cigarreira com cinzeiro acoplado que não exerce outra função que não apenas a de ser apenas uma bela peça. Herdei também o pé de um candeeiro, uma mesinha pequena com tampo de mini-azulejos e creio que mais qualquer coisa mas de que agora não me lembro.



Lá em cima, já no Chiado, a Vista Alegre. Não fotografei bem pois no chão há montinhos de pedras da calçada e não as apanhei. Só fotografei as peças cujo desenho é inspirado no belo trabalhado das ruas.  E, uma vez mais, o reflexo das ruas. Tudo tão bonito.

E, atravessando a rua, a bela loja Hermès. Tudo ali é bonito e de boa qualidade, desde as sedas -- cada écharpe mais linda -- até à decoração das montras.

Agora todas as montras têm ratinhos fofinhos e alegres. O decorador de montras deve ter uma explicação para a opção mas, pelo menos para mim, não é evidente. Não interessa. Ratinhos, gatinhos, gatões, leitões -- tanto faz.

Já no outro dia, quando falei da Lisboa musical, mostrei outra montra, uma com ratinhos músicos. 


Devo dizer que não sou grande cliente da marca, é tudo caro demais para o meu gosto. Mesmo as gravatas de homem, sempre com um bom toque e com desenhos bonitos, me parecem excessivamente caras. Penso sempre que gravatas Hermès só para homens que fazem questão de ostentar marcas. Tinha um colega muito vaidoso que tinha uma grande coleção delas. Quando gozei com ele, disse que não era vaidoso e que não tinha comprado uma única, que os amigos é que, pelos anos, lhe ofereciam sempre gravatas Hermès. Claro que gozei com ele por causa desses amigos, deviam ser escolhidos a dedo para terem poder de compra para lhe oferecerem gravatas Hermès. Whatever.

Para mim, de Hermès, apenas os seus bons perfumes. 

No outro dia, por exemplo, vacilei quanto a um que é excelente, o Eau de Rhubarbe Écarlate: pensei que não precisava e depois, quando lá voltei, com a auto-desculpa que era uma extensão dos presentes de Papai Noël, já se tinha ido. Fiquei com pena. Devemos seguir os nossos instintos. Quando os contrariamos fazemos mal.


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Espero que tenham gostado deste meu passeio a ver montras. 
A ver se agora vos mostro o tal alfarrabista. Têm que ver.
O pior é a minha falta de energia.

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terça-feira, setembro 19, 2017

Casais improváveis
[Com um número extra em pós post: o casal maravilha cuja missão seria, nada mais, nada menos, que a procriação]


(diz-se ter fixação em ou fixação com? -- volta e meia tenho destas ocorrências, fico sem saber; e é que a gente a falar é mais ou menos na base do 'olha, já foi' e bola para a frente, a asneira fica para trás. Aqui não, aqui, se a gente diz um disparate, fica escrito saecula saeculorum, uma responsabilidade), 
lembrei-me, dizia eu, que, se tivesse um meio televisivo à minha disposição, inventava um programa daqueles em que se colocam pessoas em situações que induzem o romance. Podia ser daqueles em que fazem perguntinhas pessoais, e eles tête a tête, e às tantas a coisa já começa a ficar morninha, depois quentinha, e a gente a ver que a intimidade já se abeira e que, a bem dizer, já estão capazes de sair dali e ir fazer um cafuné um no outro, beijinho aqui, beijinho acolá e, pumba, truca-truca, coisinha mai boa.


E até aí tudo bem. Déjà-vu. A net cheia disso. O picante da coisa estaria nos parzinhos que eu ia arranjar. 

E é aí que entra a conversa do Valupi. 

Dois que eu poria numa de a ver se rola seriam o Sócrates e a Helena Matos. Haveriam de começar numa de arrogância para aqui, arrogância para acolá, chispas a tordo e a direito, desprezo, cada um mil vezes superior ao outro, cada um a cuspir para o chão, ódio e mais ódio. Mas depois, não sei cá porquê, a ver se não saíam de lá os dois com sorrisinhos cúmplices, tímidos e malandros e a gente a ver onde é que aquilo ia dar. Até um livro a meias haveriam de publicar. E a ver se ele não fazia um restyling naquele ar pingão dela. Haveria de ficar uma giraça, toda bué produzida, toda ela chameguinhos bons no Zé.



Outro casalinho: o Láparo e a Catarina Martins. Ele armado em superior, sensaborão, boca retorcida, a fazer perguntas parvas. Ela, ao princípio, sem ter jeito, furiosa, incapaz de se articular com aquele coiso. Depois, lembrando-se do objectivo do programa, artista, olhinho sorridente, boquinha marota, a dar-lhe a volta. Daqueles apanha-os ela à mão. No fim, quando ele estivesse a piar fininho e a vir , de facto, já comer-lhe à mão, aposto que ela desatava a rir pela ratoeira que lhe tinha armado. Querias, não querias, ó láparo...? Pois é, querias... Mas não vais ter. E a ver se desta não vais, no futuro, aparecer a gabares-te de que, se quisesses, tinhas feito e acontecido... Tinhas uma ova, ó láparo. Como diz a Constança Cunha e Sá, 'se cá nevasse, fazia-se cá ski'. Ahahahaha. Ganda asinino, este láparo. Haveria até de chamar as manas Mortágua para, as três, rebolarem a rir da partida que ela tinha pregado ao láparo.

Mais um: o Centeno e a Pinóquia Albuquerka. 

Ela a começar feita cagona e ele todo pacholas, com uma paciência danada, ela toda peixeira e ele professor, ela a dizer cavaladas e ele, didáctico, a explicar-lhe que não, nada disso, ora pense lá melhor. E, no fim, ela já toda derretida, já até esquecida do sarrafeiro que lá tem em casa. E o Centeno, apesar de tímido e com aquela carinha de anjolas, a lembrar-se da macaca que é ela -- e a mandá-la bugiar. Olhe, Drª, porque não vai antes dar banho ao cão do Schäuble?


Mais um casaleco: João Miguel Tavares e Fernanda Câncio. Bem. O que haveria de ser. Faíscas, raios e coriscos. Cá para mim, aqui não havia química possível, a coisa haveria de acabar ao estalo. Ela nele, claro. E ele, feito parvo, a tentar fazer trocadilhos. Trocadilhos pirosos, de mau gosto, a ver se se fazia engraçado. E ela, furibunda, a começar por lhe atirar água a cara para acabar a tentar agredi-lo, a produção do programa a agarrá-la, a chamá-la à razão. E o outro, todo totó, cheio de medo, a inventar desculpas, todo tantã, o tatibitate do costume.


E ainda mais um: o Mexia, Pedro Mexia, com a Cristina Ferreira. Ela a querer pô-lo a dançar, ele a querer falar de literatura, ela a rir escaganifada e ele, atrapalhado, sem saber se rir, se chorar, ela a fazer-lhe perguntas inconvenientes e ele sem saber como limpar tal nódoa do seu exemplar cv sem ser rude, e ela a piscar-lhe o olho, depois a descalçar-se e a enviar o pé pela perna das calças e ele, a fazer de conta que não estava a dar por nada, e a perguntar-lhe qual o autor preferido. No fim...? Pois, neste caso, não arrisco palpites.


E, para terminar, o casal que se impõe: Valter Hugo Mãe e Cátia Palhinha. Sabido é que o Valtinho tem um problema: não consegue ter um filho. Presumo que tenha tentado. Contudo, como penso que o seu clube de fãs seja constituído maioritariamente por senhoras menopáusicas, a coisa não lhe tem corrido de feição. Vai daí, mandaria vir uma fogosa mulher, e até a poria vestida de agente da Cruz Vermelha que o tema é de cariz quase social tantos os lancinantes apelos que o nosso bardo tem lançado. Diria mesmo que aconselharia a que a célebre Palhinha fizesse uso do seu golpe de magia que, como se sabe, se traduz em, do nada, mostrar uma passarinha. Penso também que é o tipo de mulher que deixaria o Valtinho inspirado em todos os sentidos, incluindo no bíblico. Cá para mim nem seriam precisas as trinta e tal perguntinhas da praxe nem os olhos nos olhos do costume. Capaz até da coisa pintar e rolar logo ali. Um pico de audiências nesse dia.



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Podia continuar. Bloggers. Também arranjava uns casalinhos improváveis. Estou aqui danadinha para lançar uns quantos à liça. Mas pronto, fico-me por aqui. Um dia que me reforme e que crie um canal de youtube logo ponho as minhas ideias em prática.


A imagem de abertura do programa -- que se chamaria Love is the air -- poderia ser, por exemplo, qualquer coisa romântica deste género:


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quinta-feira, maio 25, 2017

O elogio, pela boca de Schäuble, de que Centeno é o Cristiano Ronaldo do Eurofin é a pimenta que faltava no cu de Passos Coelho


Não posso aqui desfiar tudo o que me tem ocorrido desde que li que Schäuble disse que Centeno é “o Ronaldo do Ecofin”. 


A minha veia metafórica borbulha com verdadeiras epifanias em torno do tema. 
Vejo o Schäuble a seviciar, com esgares de sadismo, a sua dilecta pupila Pinókia Albuquerca, vejo o Schäuble a obrigar o servil Gaspar a praticar actos impuros (e abstenho-me de usar a partícula reflexa para não dizerem que estou a pisar a linha encarnada), vejo o Láparo pelas ruas da amargura, a correr com o rabo em chamas ou então a ganir de rua em rua e o mastim alemão a acelerar na cadeira de rodas atrás dele, a rosnar-lhe, de dente afiado... vejo coisas assim -- mas tudo em brejeiro, tudo recorrendo a um vocabulário vernacular, impróprio para consumo.
Ajoelhou... tem que rezar!

[Ai não, não era isso, desculpem: era 'tem que pagar']

Ora, atendendo a que este é um salão onde se usa apenas o mais fino léxico e a mais requintada semântica e que eu própria cubro o meu púdico rosto quando alguma ideia menos piedosa se me ocorre, coibo-me de aqui verbalizar os meus pensamentos.


Limito-me a, caridosamente, recomendar ao nosso Láparo de estimação que, depois desta do Schäuble a comparar o Centeno ao CR7 

  -- e do Marcelo, esse ubíquo e fofo catavento, vir dizer que por uma vez o sinistro Rottweiler não tinha pensado mal -- 

tente ele (ele, Láparo) acalmar o ânus com água de malvas, quiçá aplicar também unguento para assaduras (vaselina não, que isso poderia dar más ideias a algum malandreco que tenha contas a ajustar). Ou, não tendo nada disso em casa, pois que encha o bidé de água, coloque lá uns cubos de gelo, e ponha o rabo de molho. Há-de passar. O tempo tudo cura.


Ok, ok, já sei que tenho um coração de manteiga, sempre com pena dos desvalidos. Mas, fazer o quê?, estou com uma peninha dele... cada vez numa saia mais justa, sem chão onde pôr o pé... Só falta mesmo a Teodora oferecer flores ao Costa e fazer um striptease para agradar ao Centeno. Sim, já só falta isso.
Portanto, com vossa licença não falo mais no assunto. Pena, pena do pobre coitado. Apenas transcrevo mais uma coisitinha que li:

“Há doze meses, era tudo tão diferente. Portugal estava à beira das sanções económicas da União Europeia e o sucesso do seu novo Governo de coligação de esquerda estava longe de ser assegurado. Hoje, já não viola as regras orçamentais da UE e espera entregar antecipadamente 10 mil milhões de euros ao FMI”, lê-se na newsletter do “Politico” (que acompanha as políticas e personalidades da União Europeia).

Ui... Coitado do láparo.

[E mais não digo. Não quero que pensem que gosto de pisar em quem já está mais do que no chão, e ainda por cima, agora, o pobre com o rabiosque a arder daquela boa maneira. Ainda vinham dizer que eu sou insensível ao sofrimento do coitado do láparo ou dizer-me que estou assim porque não é comigo, que pimenta no cu dos outros é refresco. Não, não. Calo-me já.]


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Mas, já agora, permitam que partilhe convosco a lembrancinha que o ex-amigo do coração, Schäuble de sua graça, (ex-amigo do láparo, atenção! -- não meu), lhe deixou aqui para o poor, poor coitado, ir ouvindo enquanto estiver a tentar apaziguar os calores da assadura anal.

[And pardon my french]



Uuuuhhh...

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As imagens que usei para enfeitar o misericordioso texto provêm da infindável arca do saudoso blog We Have Kaos in the Garden

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E, depois desta cena triste e meio escatológica, caso queiram purificar-se, desçam por favor para irem ao encontro do Pato Donald, da viúva em vida Perpétua Melania e de sua filha igualmente viúva, a Barbie Ivanka, e mais uns quantos deslassados que foram de visita ao Vaticano, moer a paciência ao pobre Francisco.

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quarta-feira, maio 17, 2017

Say cheeeeeeeesee.....


Não, meus Caros. Não vos estou a pedir para rirem comigo das cambalhotas, do flic-flac à rectaguarda, do mortal encarpado, do pino num dedo e do pé-cochinho do José Gomes Ferreira, há pouco na SIC, a dizer bem do António Costa e das políticas que tem seguido. Nem estou a pedir para se posicionarem para uma selfie com cara de riso ao verem o dito-cujo José Gomes Ferreira a querer salvar a face e a dizer, como quem não quer a coisa, que parte dos bons resultados que ao fim de um ano e tal o governo do Costa está a alcançar se deve às políticas do láparo (relembro: o mesmo láparo que fez tudo ao contrário disto, nunca atingiu nenhum objectivo e, por pouco, não deu cabo do país de alto a baixo).
[Ia lá eu pedir-vos isso. Ao Zé Gomes já o vimos mudar a casaca tantas vezes, mudar o bico ao prego quando convém, mudar de cor da pele, mudar de pele, e, de bicos de pés, andar a espanejar a prosápia, que não ia agora pedir-vos que se rissem com ele.]
Nem estou, tão pouco, a dizer que desatem a rir à gargalhada do que a pândega da Marilú diz porque, se o fizessem, ficavam com dores de barriga.

Nem digo que se riam da Helena Garrido, outra que tal, que -- se estão bem lembrados -- anunciava o fim do mundo se não se seguisse à risca a política da troika e se não se trisseguisse o triplo da política da troika e que, desde que o Costa chegou, aparecia a dizer que cuidado, que o bicho mau estava à espreita, que os demónios estavam prontos a atacar, que os lobos da bancarrota estavam a aguçar o dente... e que... agora... aparece a dizer que o Governo do Costa está a obter bons resultados, que, sim, por acaso sim, está a correr bem mas... cuidado... podem um dia deixar de correr...
[Uau. Que novidade, ó Helena, hoje está de sol, amanhã pode chover. Conta mais novidades dessas]
Nem, meus Caros, vos estou a pedir que mostrem lá os dentinhos depois de terem ouvido a Teodora Cardosa, essa inspirada vidente que tantos horrendos desastres previu se as medidas do Costa fossem aplicadas, -- que estupidez dar um empurrão no crescimento através de uma injecão de consumo interno, que tinha era que ser logo da economia... -- e que, agora que a coisa está a rolar e que o Costa pode pôr a economia a funcionar, vem ela dizer que... está tudo muito bem mas as boas notícias vêm do lado da economia e... ups, lembrei-me agora que a economia tem incertezas ... e, portanto, isto é bom, sim, mas é incerto e, se é incerto, é arriscado.
[Boa Dona Teodora, a economia tem incertezas...? Uau, isso é que são breaking news. Conte mais, Dona Teozinha.]
Não. Não é isso que estou a pedir-vos.

Como alma caridosa que sou -- e espero que todos os meus Leitores o sejam também --, não ia rir-me dessas indigências. Exibições destas deveremos observar com compaixão e piedade. Esperar que se redimam sozinhos. Que, por eles, ganhem vergonha na cara. Que, ao espelho, percebam que deveriam poupar os portugueses a tão tristes papéis. Por isso, perdoem-me os que esperam de mim que me ria da desgraça alheia mas não o farei. 

Ou seja: não estou, pois, Caríssimos, a pedir-vos uma boa risada com o que dizem esses figurões. figuronas e figurinhas que, mesmo sem querermos nos entram pela sala adentro. Estou apenas a dizer o que me ocorreu ao ver o 'antes' e o 'depois' do lindo trabalhinho que o Olly Gibbs divulgou. Ele foi ao Rijksmuseum e só via gente sisuda; e isso, naturalmente, maçou-o. Apetecia-lhe ver aquela gente a rir. Vai daí presumo que lhes tenha pedido para dizerem cheeeese, fotografou-os com a FaceApp que dá para dar uns toques na criatura fotografada -- e o resultado é o que têm estado a ver. 

Claro está que eu gostava era que ele fotografasse o Medina Carreira e o pusesse a rir, todo fofinho, ou o Láparo em dia de raiva, naqueles dias em que até come os próprios beiços, quiçá até o saudoso Cavaco em dia de azeites, num daqueles dias em que anda a remorder promessas de vingança ao Lima do Sotão ou ao Sócrates.



Ou que fizessem umas gracinhas: o Marques Mendes com cara de taróloga Maria Helena, o bebé chorão do CDS com cara de homem feito. Gracinhas assim com gente conhecida. Só para a gente ver se ficavam mais credíveis. A Face app faz isso tudo. Capaz até de me pôr com a cara da Blanchett em pequenina.


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Até já que eu vou ver se descubro a dita app.

Até lá, sugiro que se juntem à festa:



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(Bem. Pensando melhor, a rir só se fosse com o desespero pungente do João Miguel Tavares, já atrapalhado por não poder converter-se publicamente ao Costismo, e a fazer de conta que é a brincar -- mas a gente a ver que é mesmo verdade -- quando arrepela os cabelos num lancinante queixume: O que é que mais pode correr bem?)


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segunda-feira, março 13, 2017

Alô, alô Paulo Núncio!
Na sua qualidade de fiscalista que "ajudou a criar 120 offshores na Zona Franca da Madeira", explique lá que cena é essa?
Não é uma fuga ao fisco que, por algum estranho motivo, é vista como legal?
Pergunto. É que, confesso, sou ignorante na matéria.



Com pinças por vários motivos, incluindo o da ignorância. 

Nunca percebi bem, num contexto internacional, especialmente quando há relações de confiança entre os Estados envolvidos, qual a lógica de haver offshores. Sempre que um Estado atrai empresas para os seus offshores, sabe, acho eu, que está a prejudicar fiscalmente o Estado na qual as empresas deveriam estar a pagar impostos. Poderia admitir que Estados pouco mais que fantasmas ou que pouco mais são do que barrigas de aluguer de dinheiros mal contados (ou que querem pagar menos do que devem), recorram a este engodo para terem alguma fonte de rendimento.


Mas, por exemplo, tenho muitas dúvidas quando um país normal, como é o caso de Portugal, tem uma plataforma de offshores. Dizem-me que a Madeira, ao atrair empresas que lá vão pagar impostos (menos do que pagariam em circunstâncias normais), tem receitas que lhe garante um desafogo agradável; e que para o Continente também é bom porque, assim, tem que enviar menos dinheiro para aquele dito paraíso fiscal.

Parece-me uma lógica daquelas 'se não os podes vencer, junta-te a eles' e isso nunca é coisa muito ética ou legítima.


Mas o que dizer quando empresas portuguesas, operando em Portugal, criam sucursais fictícias ou transferem a sua sede fiscal para a Madeira? O que dizer quando é criado todo um fluxo artificial para que os impostos sejam calculados e pagos na Madeira e não em Portugal?


Ganham essas empresas, claro, pois pagam menos impostos, e ganha a Madeira porque lhe cai, de mão beijada, uma receita fiscal. Mas, sendo que a Madeira faz parte de Portugal, qual a lógica? É que em vez de pagar o que devem, as empresas pagam menos. Fica o País a perder. Ou não...?

Pode ser que haja para aqui algum aspecto que me escape mas, a mim, leiga, o que me parece é que isto é uma fuga ao fisco legalizada. Mas, sendo fuga ao fisco, porquê legalizada?  

Estarei a ver o filme ao contrário?

Não é verdade que o Centro Internacional de Negócios da Madeira oferece apoio a quem lá quiser 'parquear' as suas sedes e/ou sucursais e que há um conjunto de fiscalistas especializados em guiar as empresas em todos os procedimentos para que tudo fique devidamente blindado? 


Como é que isto pode fazer sentido, à luz de um Estado de Direito?

Claro que estou a escrever isto ao saber que Paulo Núncio, enquanto fiscalista, segundo o Público, terá estado ligado ao registo de 120 "offshores", ao longo dos 10 anos em que trabalhou para a Zona Franca da Madeira, como fiscalista, antes de ir para o governo.


Transcrevo do Observador

O ex-secretário de Estado dos Asssuntos Fiscais Paulo Núncio colaborou no registo de mais de uma centena de empresas na Zona Franca da Madeira (ZFM), com a qual trabalhou durante dez anos, como fiscalista. A notícia, avançada pelo jornal Público este domingo, é relevante porque a publicação de dados sobre a Madeira foi a única dúvida oficial levantada pelo antigo secretário de Estado para não tornar públicas as informações sobre as offshores.

Entre 1997 e 2007, Núncio trabalhou como advogado fiscalista da MLGTS Madeira Management & Investment SA, uma empresa da sociedade de advogados Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva & Associados que prestava serviços de assessoria jurídica às empresas sediadas no Centro Internacional de Negócios da Madeira. Núncio era o responsável pelo escritório local da firma, quando a zona franca madeirense funcionava também como praça financeira.
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Para que os portugueses fiquem esclarecidos, melhor faria a Madame Cristas da Coxa Grossa se, em vez de andar a tentar limpar a barra do ex-Secretário de Estados dos Assuntos Fiscais do Governo de Passos Coelho ou a, num momento de particular infelicidade, a dizer que o país lhe deve muito, nos explicasse o funcionamento destes esquemas. 


Sendo advogada e chefe do partido dos contribuintes, não poderá elucidar-nos?


E a Marilú, sempre tão lesta a vir a terreiro dizer insanidades numa tentativa de denegrir a actuação no Ministro Centeno, desta vez por onde anda que ninguém lhe põe a vista em cima? 


Está com muita ocupação na Arrows? Não tem nada a dizer do que se passava no seu Ministério enquanto foi ministra? 


Ah criaturinha mais sonsa... A deixar queimar o seu ajudante e a ver se ninguém se lembra dela...



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Nota: fazendo uma pesquisa na google sobre o tema aparece, em 1º lugar o anúncio que se vê. Sai barato.

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domingo, fevereiro 26, 2017

Paulo Núncio assume responsabilidade política naquilo de esconder as transferências para milhares de milhões de euros para offshores e demite-se não faço ideia de que cargos.
Ora responsabilidade política não sei bem o que é isso: implica o CDS? Implica a ministra de quem dependia, a sonsésima de rabo peladésimo Marilu? Implica o chefe do Governo onde se inseria, o desgraçador-mor do reino, o mal afamado láparo? E serve de quê demitir-se de alguma treta qualquer num partido que não vale um caracol e cuja líder, a madame Cristas da coxa grossa, foi armar-se em queixinhas-totó junto do Presidente da República?

Pergunto. Pergunto porque não sei mesmo o exacto significado de tão sonso acto.


Do Núncio nunca ninguém com dois dedos de testa pensou que valesse uma casca de caracol ao serviço do País. Do seu passado e liaisons só nos vinham indícios que mandava a prudência que andássemos de olho nele.

E os indícios continuaram enquanto Secretário de Estado no desGoverno PSD&CDS. Com a escola toda aprendida enquanto serviu clientes que o procuravam para que ele os ajudasse a fazer optimização fiscal,  a depender, no Governo, de uma outra que também nunca mostrou ser de fiar e, no partido, a depender de um outro que cuidado com ele, este Núncio era peça que se prestava a ser o peão de brega da tourada que foi a gestão financeira do Governo de Passos Coelho.


Leia-se o que José Simões, o certeiro autor do Der Terrorist, escreve em 'Só estou a ler jornais' ou em 'Por falar em "Claustrofobia democrática"' para melhor perceber de que bela peça se trata, este Paulo Núncio.


Leia-se também o que 'O Jumento' tem publicado sobre Núncio para melhor se conhecer o figurão -- um cagãozinho de meia tigela sempre a sacudir a água do capote para cima dos funcionários dos serviços que tutelava (felizmente agora, em boa hora, entalado pelo valente Azevedo Pereira).


Sem grande escapatória, Núncio, agora, assume a responsabilidade política pela barracada que veio a lume. 

Mas eu pergunto-me: que raio significa isso? Que vai pintar a cara de preto? Pôr orelhas de burro? O quê, em concreto?
Facilitou a vida a uns quantos a troco de quê? Isso é que era bom que explicasse.

Enquanto carregavam sem dó nem piedade sobre os fracos, fechou os olhos aos milhares de milhões que saíam do país -- e agora espera que com este heróico acto de fds consiga sair de fininho?


Ou isto é para servir de pára-raios e fazer com que ninguém chame à barra nem o especialista em passar por entre as pingas da chuva sem se molhar, o ex-irrevogável vice primeiro-ministro e agora ilustre mestre entrepeneur Paulo Portas, ou a sua chefe Marilú, também conhecida por Miss Swaps, ou lambe-botas do Schäuble?


E espera o barítono frustrado Pedro Passos Coelho, também conhecido por Pedro-Abre-Portas, que o País esqueça que o controlo do seu desGoverno sobre as transferências para offshores, pelo que se vai conhecendo, foi uma verdadeira bandalheira


Está bem, está. Podemos ser ingénuos mas completamente parvos acho que não somos. Sabemos bem quem é que tem que assumir a responsabilidade (para já a política -- e veremos se apenas essa).

E faz muito bem o Der Terrorist ao trazer-nos à memória o que, em tempos, os jornais revelaram sobre os milhões das comissões dos submarinos, os célebres submarinos de que Portas não conseguirá nunca que a gente se esqueça. 


Agora só espero bem é que a comunicação social também não largue estes assuntos. Depois de terem andado aí a salivar sobre sms que não interessam nem ao menino jesus, a ver como é que agora se comportam. Se forem jornalistas a sério e não uns fracos avençados, farão trabalho a sério sobre isto. A ver. (A ver -- como diz o ceguinho, devo confessar)

E uma perguntinha a pensar no escritor Cavaco: com tanto apontamento que tomou, com tanta perspicácia e sapiência, o Prestador-de-Fracas-Contas também nunca deu por falta de nada? Nunca se lembrou de pedir informação sobre o controlo da transferência dos milhões para offshores?

Esperta, esperta esta rainha suburbana que, enquanto reinou, mais pareceu ao País uma santa protectora de láparos e de banqueiros de índole algo duvidosa.

E Lobo Xavier, o Conselheiro-Alcoviteiro, o que vai agora fazer perante esta bronca que envolve correligionários centristas e, em particular, um colega muito chegado (não só do partido mas, sobretudo, lá da Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva & Associados)? Vai contar a Marcelo o quê? Não tem sms alheias ou gravações de telefonemas para andar por aí a alcoviteirar? Ou desta vez não tem interesses envolvidos?


Pergunto. Só pergunto. 


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Toas as imagens, excepto a primeira, provêm do saudoso We Have Kaos in the Garden

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