A partir de hoje vamos estar formalmente livres do Marcelo. Já aqui escrevi que na minha opinião foi um mau Presidente da República.
Prometeu que vai ficar calado, mas temo que não consiga ficar longe dos holofotes mediáticos por muito tempo e que ainda tenhamos que aturar, com maior ou menor frequência, a incontinência verbal que o caracteriza.
Devo confessar que tenho uma enorme dificuldade em associar a personagem To Zé Seguro ao cargo de PR, não encaixa. Ver a imagem do Seguro na televisão e ouvir o locutor chamar-lhe Presidente obriga-me, embora tenha votado nele nas duas voltas da eleição, a um esforço cognitivo não despiciente para conseguir ajustar o cargo á pessoa.
Há seis meses parecia impossível não só a mim como, julgo eu, a uma boa parte do País que fosse eleito PR.
Conseguiu, mostrou resiliência e perseverança para atingir o objetivo. Merece aplausos e felicitações. Vamos ver como corre, e desejo que corra bem.
Contudo, parece-me que estas ideias de que a estabilidade é um valor em si mesma e de que os consensos são o Alfa e o Ómega para o nosso desenvolvimento são, no limite, castradoras da democracia e potenciadoras do crescimento do Chega que se poderá posicionar como a única oposição capaz de agregar descontentamentos mais ou menos fundamentados.
Também vai ser curioso ver como é que o Montenegro, até agora muito pouco dado a consensos, sem respeito pelo papel da oposição e gerador de conflitos, se vai posicionar neste novo contexto. Dobra a cerviz ou estampa-se contra a parede?
Não me parece que o Seguro tenha muito tempo para mostrar o que vale. A Saúde e a legislação laboral são dois testes muito importantes para vermos se mudou e amadureceu ou continua como há dez anos atrás.
Boa sorte. Dou-lhe naturalmente o benefício da dúvida, que espero seja infundada.
* - Falso sonso como no domingo foi descrito pelo Ricardo Araújo Pereira no Isto é gozar com quem trabalha
Ando tão numa outra que me parece pura perda de tempo pôr-me a falar de temas que não me interessam. Mas a verdade é que compreendo que quem aqui me visita também já deve estar pelos cabelos com os meus bucolismos e as minhas florzinhas.
Só que falar dos ataques de uns malucos a uns fanáticos, das retaliações de uns estupores a uns fundamentalistas, de umas ameaças de uns filhos da mãe a uns sacanas de primeira é coisa que me maça. Pá, maça-me mesmo. Mesmo que queira alinhar três palavras falta-me a inspiração para inventar motivações válidas ou reações lógicas. Tudo me parece uma soap opera ensopada em sangue, fragmentada por estilhaços, mas com a agravante de os intervenientes serem uns palhaços, uns trogloditas. Por isso, lamento mas não consigo.
Acho que ando em modo 'férias grandes'. Quando andava no liceu, aspirava a entrar nas férias grandes em que havia sempre praia com amigos, festas de anos com slowzinhos e bolos incluídos, passeatas e risotas com fartura. E esse espírito parece que desceu em mim e me impede de me deter em temas 'pesados' ou chatos ou absurdos.
Sobre o Governo também não quero dizer nada. Ainda agora começaram, há que esperar para ver. Além disso, quero que, a bem do País, as coisas lhes corram bem. E, no que se refere à oposição, o PS tem que dar ao pedal para se voltar a aguentar em cima da bicicleta, mas há também que lhe dar tempo. Tempo. Aguardar. Não falar só por falar.
Por isso, querendo não defraudar a paciência de quem aqui vem na esperança de me ouvir a falar de coisas mais actuais e concretas, vou falar do conflito entre uns tais Anjos e uma tal Joana Marques.
Para começar tenho que confessar que não sou seguidora ou apreciadora nem de uns nem de outros. Do pouco que lhes conheço, a qualquer dos três, não aprecio. Nada daquilo faz o meu género.
Mas se acho que o que eles cantam não faz mal a ninguém, quem gosta gosta, quem não gosta segue em frente, já do que ela faz não se pode dizer o mesmo.
É humor, dizem. Mas eu, ao pouco que lhe tenho ouvido nunca achei ponta de corno de piada nenhuma. Parece-me apenas uma criatura maledicente, antipática. Haverá quem ache graça a ouvir umas pessoas a troçarem de outras. Eu não acho. Pelo contrário, incomoda-me.
Quando o Ricardo Araújo Pereira põe a ridículo maus desempenhos no exercício de cargos públicos por parte de pessoas pagas por todos nós e que se revelam uns burgessos que não sabem falar, nem estar, nem fazer, não me choca. É gente incapaz cuja profissão supostamente é trabalhar em benefício da população e que, nos vídeos que ele mostra, se revelam uns bimbos que jamais, em tempo algum, deveriam estar naquelas funções. Outras vezes mostra candidatos que pisam o risco, que tropeçam, que se desviam. Mas, lá está, estão a candidatar-se a cargos públicos. Seria bom que fossem exemplares, competentes, acima de qualquer suspeita. Por isso, não me choca que sejam chamados à atenção. E se o forem de forma como ele o faz em que pouco diz, apenas os expõe e, sempre, através de vídeos públicos, também nada a dizer. Não sei se aquilo é humor ou se é crítica social ou política. Mas aceito.
Mas gozar com pessoas que estão no exercício do seu trabalho e no decurso da sua vida, por exemplo por cantarem menos bem, por se vestirem menos bem, por trabalharem de uma forma algo questionável ou seja lá por que for, isso parece-me bullying, maldade, exercício gratuito de maledicência. Forçosamente irá afectar negativamente as vítimas, irá humilhar as pessoas, envergonhá-las, prejudicá-las. Nunca gostei de assistir à troça de uns sobre os outros. Nunca. Se não consigo impedi-lo, afasto-me.
Tenho observado que meio mundo anda a defender a pespineta Joana Marques. Alega-se que é humor ou liberdade de expressão. Não concordo nem um pouco. O que ela faz é dizer às claras aquilo que os maledicentes fazem à boca pequena, é dizer de viva voz o que tanta gente anónima despeja nas redes sociais. Mas isso não é bom pois a humilhação que inflige aos visados é ainda mais cruel, mais amplificada.
Dito isto, acho também um disparate a reacção dos Anjos com o recurso à via judicial, com aquele pedido de indemnização. Penso que mostrarem publicamente o seu desagrado e seguirem em frente teria sido mais razoável, mais digno. Assim, o que conseguiram foi o oposto do que pretendiam: são ainda mais ridicularizados. Mais valia terem ficado quietos.
Agora penso que seria interessante que se debatesse sobre o caminho do entretenimento em Portugal. Se ouço algumas rádios, fujo a sete pés: meio mundo diz graçolas parvas, riem-se muito das parvoíces que dizem. Se calha ouvir alguns podcasts, fujo a sete pés: perguntas parvas, respostas parvas, a futilidade como o novo 'normal'. E o endeusamento que fazem desta Joana Marques é outra aberração. Como pode ter tamanho palco uma pessoa que amesquinha os outros, que é gratuitamente desagradável, que causa constrangimento e angústia às suas vítimas? Em que mundo é que aquilo é humor? Gozar com os outros, apoucá-los, é engraçado? Não acho. Acho triste.
Já é tempo de se reconhecer o mérito a quem tem alguma profundidade, a quem consegue falar de assuntos interessantes, desenvolvimentos científicos, arte, experiências sociológicas, a quem consegue falar de assuntos em que haja mérito, a quem revele saber e cultura, a quem tenha graça e delicadeza e bondade -- em vez de dar palco a parvoíces de gente parva que se acha engraçada a expor a sua vacuidade e a troçar com as fragilidades alheias.
Ontem o Montenegro teve tempo e completa conivência do Ricardo Araújo Pereira para passar no "Gozar com quem trabalha" todas as mensagens que são importantes para a AD nesta campanha eleitoral. Parecendo colocar perguntas "difíceis" ao Montenegro o que o Ricardo Araújo Pereira fez, pela forma como conduziu a entrevista, foi permitir que o Montenegro passasse a sua versão dos factos relativos à sua atividade pessoal e aos resultados da sua governação sem qualquer contraditório e sem qualquer de comentário do Ricardo. Deixou o Montenegro falar à vontade, qual comício da AD. "Por acaso" isto passou-se no dia em que o programa terá mais audiência. O Ricardo prestou um bom serviço à AD, a SIC deve estar contente e a AD agradecida. Ser humorista não é com certeza seguir a voz do dono, muito menos ser acrítico. Não basta bater no Chega. Deve ser-se contundente e não apadrinhar pseudo verdades. Será que ainda veremos o Ricardo Araújo Pereira a fazer campanha pela AD?
Não tenho acompanhado a campanha eleitoral pois, se calha o canal em que passamos estar a dar alguma coisa, só se veem parvoíces e, como é óbvio, desandamos rapidamente. Portanto, temos optado pelo condensado de parvoíces que o Ricardo Araújo Pereira prepara diariamente.
Não posso pronunciar-me, pois, sobre se, no geral, é mesmo tudo uma treta, sacos de vento, chachadas que até as crianças acharão infantilizadas ou palermas, ou se tem havidos bons momentos informativos ou reflexivos.
Contudo, temo que o panorama geral seja mesmo inaproveitável. Duvido que alguém fique verdadeiramente a perceber qual o programa eleitoral a partir do que as televisões e as redes sociais mostram. Acabamos por aceitar tudo isto com naturalidade mas, na verdade, se pensarmos bem, é uma autêntica aberração. A vida do País depende, em grande parte de quem nos governa e, para nos explicarem porque devemos votar neles, os partidos fazem cartazes parvos, arranjam iniciativas apalhaçadas, uns tocam tambores, outros correm, outros dançam com idosas, outros andam de mota, outros jogam voleibol de praia, quase todos andam pelas tascas... e é isto.
Pelo meio, o Marcelo, que tem arranjado caldinho atrás de caldinho -- a ele devemos toda esta instabilidade --, aparece-nos a dizer vacuidades a que já ninguém liga.
Uma desilusão. Dá ideia que a inteligência, a decência, a exigência está em acelerado processo de rarefacção na política -- e não é só por cá, aliás, com anormais como o Trump, tudo tende a acanalhar-se ainda mais. Estão a ser criados standards que deveriam envergonhar-nos. Gostava de poder dizer: 'Caraças, também não é bem assim, aproveita-se fulano de tal que tem sabido manter a cabeça no lugar e que tem mostrado estar à altura do cargo a que se propõe'. Mas, lamentavelmente, parece que a bitola está toda a querer alinhar-se por baixo. Claro que há algumas diferenças. De vez em quando, naqueles rápidos relances, enquanto o canal não é mudado, vejo algum peixe fora de água e imagino o sacrifício que deve estar a fazer. Mas, tirando as excepções, é a indigência total. Digamos que, se quisermos votar com alguma coerência o máximo que podemos fazer é fugir daqueles em que a bitola consegue estar ainda mais baixa do que noutros. Mas é uma tristeza. Confesso que me tem ocorrido votar em branco. Mas nunca o fiz. Só de pensar nisto me sinto arrependida, como se estivesse a trair o meu direito de cidadania, como se estivesse prestes a dar uma facada nas costas da democracia. Mas é o que me tem ocorrido.
Caraças. Ao que chegámos.
Consolo-me a ler. Mas também só leio livros mais ou menos marginais. A dificuldade está em descobri-los. Sempre que pego num livro badalado, hiperconceituado, só sai treta. No outro dia pensei que um certo, com tanta recomendação, tantas mediatização, e que já vai na n-ésima edição, talvez se aproveitasse. Folheei, folheei. E deixei ficar. Treta e da grossa. Como é que é possível?
E depois há a natureza, o jardim, os campos por onde passeamos. Isso, sim, é uma alegria. Estão lindos, os campos, a chuva hidratou a terra, as flores nascem que dá gosto. E a passarada, os chilreios, uma festa.
Vi um vídeo de que gostei bastante. Uma pessoa que desenha paisagens. Quando pergunto aos meus netos que profissões gostariam de ter, ficam-se pelas mais tradicionais. Gostava que tivessem acesso a tantas outras. Há tantas profissões fantásticas. Quem as exerce deve viver num permanente estado de motivação, de surpresa, de vontade de aprender e de experimentar.
O paisagista Piet Oudolf fala sobre encontrar consolo no jardim
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De qualquer forma, desculpem lá o mau gosto de voltar ao tema da campanha eleitoral depois de estarmos no jardim mas o meu marido pediu para eu deixar a seguinte nota: o Ricardo Araújo Pereira, ao entrevistar este domingo o Montenegro, quis fazer-se passar pela Maria João Avillez?
A propósito da confirmação de que os números anunciados pelo Fernando Alexandre sobre o número de alunos sem professores eram aquilo que qualquer pessoa com dois dedos de testa percebia de imediato -- uma patranha, um logro, uma estupidez --, assisti a um belo momento no 'Isto é gozar com quem trabalha', com o RAP a mangar que nem o perdido com:
-- a cagança do ministrozito da Educação a dizer que veio do meio académico e que era melhor que não soubesse perceber os números, que redução assim, de 90%, do número de alunos sem professores sem professores, nunca se tinha visto, só com ele,
-- com o Montenegro que, com o seu intragável sorrisinho pimpão, andou a dizer que claro que os números estavam certos e que eles, ao contrário de outros, prometem e fazem,
-- e com o Lentão Amaro, como sempre um totó de todo o tamanho a dizer as lerdices do costume, a gabar-se nem ele sabe exactamente de quê, só sabe que são feitos históricos.
Mas foi pena que não tivesse incluído nos que andaram a fazer figuras de urso, o Marques Mendes e o João Vieira Pereira que, infelizmente, continuam a papar toda a porcaria que o Governo lhes põe à frente.
Marques Mendes, que quer ser presidente, devia ter mais discernimento e rigor. Faz figura de urso, e não é pouco, a tentar enfiar-nos pela goela abaixo toda a porcaria que o Governo diz e faz.
E o João Voeira Pereira já se espalhou tanto ao comprido ao fazer fé nas patranhas do Governo Mentenegro que já deveria ter aprendido a não lhe dar ouvidos e a não fazer o Expresso passar por mais vergonhas. Francamente... é ingenuidade, tontice ou é obrigado a fazer fretes? Não percebo.
Criaturinha desagradável. Faz uns esgares que incomodam. E tem um hábito que me parece do pior que há: está sempre a esticar o braço para ver se agarra ou se toca no outro. Detesto pessoas que têm esse hábito. Pessoas assim são peganhentas.
Vi-o no 'Isto é gozar com quem trabalha' e foi a única coisa que retive.
E ou muito me engano ou não há mulher que vá votar nele.
Não quero ser pessimista. Por natureza não o sou. Mas estou a encontrar alguma dificuldade em ser optimista.
Um país funciona bem quando as suas principais instituições funcionam bem, de forma articulada, sensata, inteligente.
Agora quando temos um Presidente que parece estar descompensado, desbocado, desprovido de bom senso, um Governo que parece funcionar na base do improviso (e não é só Marcelo a queixar-se), sem se articularem com os outros partidos (veja-se a barracada da eleição para presidente da AR ou agora, mais recentemente, do diploma do IRS), sem pensarem (vide a descabelada questão de mandarem os meliantes para as forças armadas, pelos vistos seguindo a prática de Prigozhin que ia à cadeia buscar os bandidos para o grupo Wagner) e sem se coordenarem entre eles, e com um Parlamento todo salteado, sem equilíbrios virtuosos, o que se pode esperar?
Um disparate constante.
Salva-se deste panorama -- até ver -- José Pedro Aguiar-Branco a quem tenho visto tomar atitudes assertivamente civilizadas. Mas que pode ele fazer perante o pot pourri em que a AR está transformada sem que do lado do Governo minoritário pareça haver habilidade e inteligência para negociar e sem que o líder da bancada da AD pareça ter cabeça, elegância e savoir fair para estabelecer pontes...?
Quando vejo Montenegro, com comportamentos trauliteiros, a ver se provoca arruaça, em vez de se portar condignamente tentando estabelecer uma linha de entendimento com as outras forças do Parlamento, fico sem perceber qual é a dele. É a atitude de um frangote com a mania que é um galo capão? É a atitude de um rural-lento (Marcelo dixit) que, não conhecendo mundo, se acha mais capaz do que todos os outros com quem tem que lidar? Ou nunca pensou ganhar as eleições e, não se achando capaz, está a ver se se põe a andar?
E outra coisa, agora ao nível das Europeias: ao ver o Bugalho, de peito feito, impante, desafiador, provocador, já a saltar a pés juntos em cima do Marcelo, a sua arrogância e ambição já a saltar-lhe do corpo para fora, pensei que não tarda está a disputar a liderança ao 'lento' e 'rural' Montenegro e a disputar o lugar do mais populista ao Ventura. Não se me afigura nada de bom, devo dizer. Vejo o Bugalho a espalhar confiança e um hiper-convencido donaire neste seu novo papel e, confesso, sinto um bad feeling.
Poderia sentir-me confiante com a liderança do Pedro Nuno Santos. Mas não sinto. Também o acho lento, palavroso, cauteloso, agarrado a uma ideia demasiado colada à esquerda-esquerda de uma sociedade que já se moveu daí. Falta-lhe ímpeto, visão a longo prazo, calo, mudo. Falta-lhe golpe de asa. Pode ser que ainda a ganhe. Mas não sei.
Portanto, a ver vamos.
Intuo que as eleições europeias vão trazer inputs que vão revirar as expectativas e baralhar as contas. Os desaires e os embustes da AD e a forma canhestra como conduzem os assuntos têm causado péssima imagem. Por isso, a ver se não vem de lá um cartão amarelo.
Enfim...
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Para pro memoria aqui fica o link para o vídeo que, como muito bem diz o João Lisboa, vai ficar para a história por revelar o real dimensão da demência:
A Governo da AD confirmou ao que vinha. O objetivo fundamental parece ser sobretudo dar mais lucros às grandes empresas, às que não precisariam de mais 'atenções' e diminuir poucochinho, muito poucochinho, os impostos sobre os rendimentos de quem trabalha e de quem já trabalhou.
Nos intervalos, tenta iludir as classes profissionais e as corporações que se têm mostrado mais reivindicativas com reuniões, aparentemente simpáticas, nas quais, de forma redonda, promete analisar os cadernos reivindicativos. Se bem me recordo da campanha eleitoral, as promessas eram que iam resolver, de súbito, todos os problemas que eram conhecidos. Mais um embuste. A tendência que o PM e o seu séquito têm para deturpar a verdade continua.
Depois de desdizerem tudo o que disseram na campanha eleitoral sobre o IRS, eis senão quando, o Montenegro na conferência de empresa da passada sexta-feira sobre o IRS consegue dizer que a maior diminuição da taxa do IRS é feita nos rendimentos das pessoas cujos escalões não são abrangidos pela taxa de IRS. Para além de mais uma falácia, revela, de novo, a falta de rigor e de ética das pessoas ligadas à atual AD e o hábito que têm de iludir as pessoas.
Os jornalistas, revelando uma preocupante acefalia, não dão ou não querem dar pelos embustes. Que eu tenha visto, apenas o Ricardo Araújo Pereira ontem falou em mais esta mentira. Não deveriam os jornalistas exigir rigor e verdade nas intervenções do PM e dos seus apaniguados? Deviam!
A falta de rigor e de ética dos ADs e seus "proxies" (expressão que parece que, neste contexto, agora caiu no goto da malta) é uma constante. São as intervenções do Paulo Portas na TVI, é o Nuno Melo a anunciar comemorações do 25 de Novembro dias antes dos 50 anos do 25 de Abril numa convenção do CDS, são os comentadores de vários programas televisivos a opinarem sem rigor e a reescreverem, sem pudor, a história recente. É um vale tudo vergonhoso.
Outro que merece reparo é o Leitão Amaro (Lentão Amaro, segundo o mesmo Ricardo Araújo Pereira). Também padece da mesma falha ética: depois de o PSD ter atacado fortemente o caso da Alexandra Reis, agora vem defender a Secretária de Estado da Mobilidade quando o caso é análogo. A verba pode ser menos sexy mas os fundamentos são os mesmos. Uma pessoa que recebe indemnização ao sair de uma empresa, a seguir não pode ir trabalhar para outra empresa da mesma entidade empregadora. Neste caso, por maioria de razão, já que os empregadores são empresas da esfera pública. Ora, ao escamotear este facto e ao usar argumentos falaciosos, alinhou pela bitola desta AD.
O Hugo Soares, líder parlamentar do PSD, afirmou que o programa eleitoral do PS não contemplava nenhum alívio fiscal. Ora basta ler o programa do PS para constatar que o Hugo Soares também mentiu.
E, a propósito de vergonhoso, quando é que a PGR se demite?
O Prof. Marcelo, depois de ter andado estes anos a ser um dos fatores de maior instabilidade do País, podia fazer alguma coisa de útil e, pelo menos, já que diz que não tem poder para tal, pelo menos podia aconselhar a PGR a demitir-se. Já não seria mau. O ideal era que ele próprio também se demitisse. Depois de mais uma intervenção muito infeliz sobre o desenrolar da atuação do MP que fez cair o Governo e das respetivas justificações, mais uma vez ficou claro que já ultrapassou o prazo de validade.
Sim, vi a entrevista. Sim, vi o debate na tvi24 que se seguiu. Sim, continuo a achar que toda a gente é inocente até prova em contrário. Sim, continuo a achar que ainda vale a pena haver tribunais. Sim, ainda acredito na Justiça, essa velha trôpega, tantas vezes entregue aos cuidados de gente que a mina e enlameia. Sim, podem chover canivetes que eu tentarei que não caiam directamente, a pique, sobre o peito nu dos que estão no chão, levando pedradas e pontapés da turbamulta.
O mundo dá muitas voltas e frequentemente o que se vê não é senão uma pequena parte do que há para saber. Na primeira pessoa muitas vezes o testemunhei. Mil vezes acompanhei, por dentro, conspirações, intrigas, farsas. Como assisto, sem preconceitos ou julgamentos prévios, às situações que me rodeiam, há muita gente que confia em mim. Confiam cegamente. Sabem que o podem fazer pois, se é para não falar, eu não falo. Tenho tido, portanto, a oportunidade de saber os contornos, as motivações, as manobras, os disfarces, de conhecer as actuações e as reacções --- e de constatar como, geralmente, é limitada e imponderada a visão dos que apressadamente julgam, pouco sabendo do que há para saber.
Em contrapartida, tenho testemunhado como é bondosa, generosa, a opinião dos outros para quem se apresenta como um sofredor. Pode o sofredor usar esse disfarce para ocultar uma alma de manipulador, um espírito de oportunista (quando não, mesmo, de desonesto), uma prática de mentira continuada. Bastar-lhe-á usar um jeito de vítima, de pessoa incompreendida, de alguém a quem os outros não reconhecem os méritos, pôr um arzinho indefeso de quem precisa de colo para que, perante a turbamulta, passe a ser visto como alguém que precisa de um conforto, que merece carinho. Tenho visto isso tantas vezes.
É assim.
Houve um primeiro-ministro que dizia que o povo é sereno. Mas eu digo outra coisa: tem dias.
Podem passar séculos, podem as temperaturas e as águas dos mares aí estar, a subir, podem ter caído monarquias e repúblicas, podem os homens ter ido à lua e mandado geringonças para marte, pode tudo. Mas a populaça é a mesma, gente que saliva e grita de entusiasmo enquanto alguns são puxados ao encontro da guilhotina, gente que não desvia o olhar quando um corpo indefeso cai inerte, desprendido da mente, da alma.
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Depois de um dia nem mau nem bom, antes pelo contrário, depois de uma noite cansativa, estou aqui a pedir, justamente, serenidade. E não preciso de pedir muito: já adormeci algumas vezes. Evito ir até ao youtube pois tem milhares de vídeos de suculentas para me mostrar e eu... não consigo resistir-lhes. Percebo agora porque milhares de mulheres no mundo inteiro andam fascinadas com as gordinhas. Nestes vídeos, as jardineiras-amadoras falam todas com diminutivos rolando redondinhos na boca. Fico com vontade de fazer mudinhas, de esperar para ver rebentar brotinhos, de misturar verdinhas escuras com verdinhas clarinhas. De início. este terracinho aqui tinha só um vaso grande com uma planta seca. Agora há dois cadeirões e uma mesa, um vaso grande com uma espécie de grande feto e quatro taças com gordinhas lindas. E começo a aventurar-me na reprodução, embora, impaciente como sou, esteja a tentar short cuts que, se calhar, nem vão resultar. E, pior, está de chuva quando elas gostam é de substracto sequinho e não todo húmido -- e tudo isso. Mas não faz mal. O universo há-de protegê-las. De vez em quando abro a porta da rua e vou espreitá-las, toda eu cheia de enlevo e de ideias.
Entretanto, passei os olhos pelas notícias. Hoje nada que me tenha agradado. Ontem sim. Duas que me dão que pensar, e por motivos distintos.
Uma é que Darius desapareceu. Tem cerca de um metro e trinta de tamanho e dizem que é o maior do mundo. A dona está preocupada, diz que o ladrão o pode matar por não saber os cuidados que Darius requer. A polícia está atrás do animal e a sociedade lamenta que haja quem mercadeje com coisas tão sensíveis, a saber, um ser vivo. E eu, reparo agora, estou a usar, pela primeira vez na minha longa vida, o verbo mercadejar. Aqui pensa-se que o ladrão vai querer mercadejar não um cabrito, que não tem, mas um Darius rabbit que está a deixar a dona com um buraco no peito, infeliz porque o seu Guiness já não esteja disponível para se fazer fotografar com ele nos seus braços.
A outra notícia é que uma bola de fogo de grande dimensão atravessou os ares a grande velocidade e que só por um bambúrrio de sorte não causou o fim da picada. Fireball lights up Florida sky as it 'passes uncomfortably close to Earth'. Passou longe, por sorte. Podia ter-me caído em cima e eu já aqui não estaria a escrever, ou ter caído em cima de si e já não estaria aí a ler-me, ou do João Miguel Tavares, do José Manuel Fernandes, do Filipe Santos Costa, do José Alberto Carvalho, da Ana Lourenço, do Ricardo Araújo Pereira e de todos os que sabem de tudo, antes de todos, e que -- sim, é verdade -- estão acima de todos e que, a ter-lhes a bola caído em cima, já não estariam por aí a manipular, a distorcer, a poluir a opinião pública. Tivemos sorte, todos.
Contudo, ao ver o vídeo, fico a pensar: até quando estaremos a salvo?
Estarmos a salvo é uma sorte: a salvo de que uma bola de fogo nos apague da superfície da terra, a salvo de que um qualquer outro evento não nos desgrace a vida.
Uma vez mais, estive a ver o Governo Sombra. No outro dia fiquei surpreendida e hoje confirmo que parece que mudaram ligeiramente de registo. Parece que estão um pouco mais atilados. Se calhar é porque estão todos mais velhos, já terão ganho mais noção de quão efémero é o poder que têm. Talvez seja o tempo a fazer o seu trabalho também sobre eles. Até o João Miguel Tavares parece ligeiramente mais ponderado. Ainda não aprendeu a pensar mas, enfim, parece que já consegue elaborar melhor as tentativas de raciocínio. Acresce que se apresenta mais composto, quase civilizado, cabeça rapada e todo em noir. O Ricardo Araújo Pereira também parece não querer fazer, a toda a hora, o papel de palhaço de serviço. Só às vezes. Quando fala a sério, percebe-se que é capaz de ter qualquer coisa interessante lá dentro. E Pedro Mexia continua equilibrado e com ideias estruturadas pelo que se ouve sempre com interesse até porque se aprende sempre com ele. E estou a dizer isto sem estar a prender-me, particularmente, ao sentido do que defendem mas à qualidade da argumentação ou, pelo menos, à forma como falam sobre os assuntos da semana. Não concordo com muito do que dizem mas para se gostar de ouvir outros a conversarem ou, inclusivamente, para participar na conversa, não é forçoso que todos alinhem pela mesma cartilha.
Sei que o facto de dizer estas coisas pode parecer confuso aos olhos dos fundamentalistas que acham que se digo que simpatizo com o Pedro Mexia, assumido simpatizante do CDS, ou se me mostro mais tolerante com o João Miguel Tavares, conhecido descerebrado que pensa com o nariz (Mexia dixit), é porque tenho motivações secretas. E digo isto pois hoje recebi um mail dando-me conta de uma coisa feia. Para que eu visse com os meus próprios olhos, um Leitor a quem agradeço enviava-me um link para um comentário num outro blog no qual um comentador relativamente habitual do Um Jeito Manso escreve aparentemente sobre mim, mas escreve com a maledicência a escorrer-lhe das mãos, deturpando o sentido do que escrevi e acrescentando que 'o teor de alguns posts já antes era estranho e as respostas a certos comentários eram por vezes provocatórias e nem sempre correctas' e concluía, 'Passarei ao largo desse local daqui em diante'. Não refiro o nome dessa pessoa, ou melhor as duas letras com que se assina, nem coloco o link para o dito comentário pois não me agrada dar palco a gente cobarde e estúpida que não apenas treslê em vez de ler como, em vez de ter a frontalidade de me dizer aqui o que pensa, vai, qual vizinha, fazer fofoquice nas minhas costas. Mas adiante que com gente que age assim não faz sentido que se perca mais tempo do que já perdi. E acho bem que não volte a pôr aqui os pés -- que gente que pensa e escreve com os pés não faz cá falta nenhuma.
Mas, volto ao Governo Sombra só para dizer que, quanto ao moderador, o que tenho a dizer é que estava mais arranjadinho do que o vi ali pela hora de almoço, desfraldado e com ar meio despassarado. Mas nada contra os desfraldados e despassarados.
E, por falar no Pedro Mexia, estive agorinha mesmo a ler o que ele escreve sobre Rothko (na crónica 'O vermelho e o negro' integrada no Livro 'Imagens Imaginadas') e revi-me totalmente nas suas palavras. Fiquei foi muito admirada pois tinha para mim que ele ficaria indiferente a uma pintura a que aparentemente apenas os intutivos e os que sentem com as vísceras seriam sensíveis. Não os exclusivamente racionais. Mas, pelos vistos, ou não é bem assim ou ele não é cem por cento racional. A pintura de Rothko é, de facto, luminosa e ambígua. O que ali está tem a ver, também para mim, com a ideia de acesso a um mundo vedado ou com a ideia de um memorial perpétuo.
O programa de hoje acabou, justamente, com o Pedro Mexia. O livro de hoje foi escolha sua e era um livro de crónicas de Vasco Pulido Valente. Hoje, ao ouvir as notícias, fiquei triste com a saída de cena de mais um. Ninguém cá fica, é bem certo. Mas faz impressão. É tudo tão passageiro, tão sem nexo se visto nesta perspectiva. Mas, enfim, é o que é. No entanto, quando se vai alguém ligado à cultura, parece que a perda é bem maior. Era tão corrosivo, ele. Tinha graça nesse seu excesso de ironia, nessa sua transbordante verrina. Inteligente, capaz de imagens destruidoras mas de uma eficácia brutal. Ia-se para uma crónica dele com a curiosidade de quem quer saber em cima de quem é que ele ia deitar o copo de veneno, sendo certo que o copo de veneno podia ir disfarçado de muitas e engenhosas maneiras. Não há nada como uma pessoa inteligente, culta, bem humorada e de verbo fácil. E, quando mais uma pessoa assim desaparece, inevitavelmente olha-se à volta e percebe-se que não há muitos mais com aquela verve e aquele frutuoso mau feitio e que isso é uma pena. Parece que o nosso mundo se vai extinguindo, tornando-se mais cinzento e triste. Mas claro, isto que digo é um lugar comum, apenas aceitável se me esquecer que essa não é a equação certa pois também nós, um dia, nos iremos e os que vêm a seguir a nós já não estão nem aí. Apenas lerão os sucedâneos do Instagram ou do TikTok que, fiquei a saber ontem, é o que está a dar junto dos mais novos. Portanto, coração ao largo e siga o baile.
E, por falar em equilíbrios instáveis e em coisas que, se pensarmos bem, não fazem grande sentido -- como andar a gente uma vida inteira a querer aperfeiçoar-se para depois ir desta para melhor -- não vem nada a propósito mas deixem que partilhe este vídeo. É uma construção efémera e inútil. Mas o trabalho que lhe deve dar e a beleza que tem... Coisas que são para a gente ver e apreciar sem pensar muito nelas. Digo eu.
As pinturas são de Bela Silva e não faço ideia de porque é que me apeteceu trazê-las para um post em que se fala de Rothko tal como não faço a mínima de porque é que me apeteceu ter o Mr. Bojangles a fazer-me companhia. São cenas.
Em tempos que já lá vão, por alturas dos Gato Fedorento, eu achava piada ao Ricardo Araújo Pereira.
Depois perdi-o de vista e apanhava-o, de vez em quando, na rádio, tenho ideia que era às sextas-feiras na TSF por volta das sete, quando regressava a casa, ele no Governo Sombra. Até que vi que aquilo era sempre mais do mesmo, parvoíce em cima de parvoíce. Salvava-se o Mexia mas, ainda assim, era muito relativo pois no meio de muita parvoíce até o mais atilado se afoga.
Quando passou a dar na televisão a horas razoáveis ainda tentei ver. Impossível. O João Miguel Tavares atentava contra a minha sensibilidade: sempre no registo do popularucho bacoco, tentando graçolas e trocadilhos mas sempre básicos e parvos demais e, pior, obsessivamente agarrado ao Sócrates. Uma fixação doentia que, digo eu, mereceria uma ida ao psiquiatra. Pelo contrário Marcelo aprecia o estilo e guindou-o a comissário do Dia de Portugal, arruinando a reputação do Dia de Portugal. Mas, enfim, adiante que esse não é o tema de hoje. Voltando ao Governo Sombra: outro que também me causava brotoeja era o Ricardo Araújo Pereira numa acelerada deriva no sentido da alarvidade primária, do disparate, do populismo mais rasteiro. Portanto, também não consegui acompanhar.
Agora está creio que na TVI e, sem querer, apanhei-o de raspão um domingo destes. Uma vergonha. Não apenas o achei cobarde, coisa que se vem acentuando, gostando de achincalhar pessoas detidas e fragilizadas, como não consegui suportar a falta do mais elementar bom gosto. A boçalidade dos que gostam de saltar a pés juntos sobre os que estão caídos por terra sempre me incomodou muito.
Naquela contabilidade que há dias por aí vi e que confirmava o óbvio, que a gente de direita avençada pelas televisões supera a de esquerda, não sei onde encaixaram o RAP. Mas se não o puseram na direita espero que o tenham posto na secção dos tóxicos, dos que fazem mal à higiene mental, dos que não sabem o que é a elegância. Ou seja, dos que não sabem estar.
Em contrapartida, acho um piadão à Beatriz Gosta. A moça tem pinta. Tem graça. É espontânea. É irreverente. É truculenta. É divertida. É inteligente. É do povo, do povão. Desbocada.
Dir-me-ão: o registo é outro. Claro que é outro -- e ainda bem.
E, do que até hoje lhe vi, não ofende, nem as suas 'vítimas' nem a inteligência de quem assiste. Por acaso, do que tenho visto, aqueles contra quem ela investe até são os primeiros a desatar a rir.
Alguns exemplos das suas gostosas intervenções no 5 para a Meia-Noite.
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E já cá volto que, já que o JMT me fez pensar no Sócrates, tenho uma coisinha a dizer.
Fui agora espreitar as estatísticas do blog. Dizem-me que 'agora' estão 83 pessoas a ler o Um Jeito Manso. Mas estão aí desse lado e eu dava-me jeito é que estivessem aqui. Aqui. A beliscar-me. Todos, ao mesmo tempo, a beliscar-me.
Explico porquê e vocês já vão dar-me razão.
Antes de jantar, enquanto decorriam os preparativos, liguei a televisão e fui fazendo zapping. Estava a caminho da Sic Radical para ver se hoje havia o Colbert. Mas, a meio da operação, passei por um canal onde acho que até hoje nunca parei. Até hoje - leram bem. Vi e não acreditei. Parei para confirmar. Podia ser uma visão. Infelizmente não, vi que era real. O João Pereira Coutinho, ele mesmo, o grande intelectual, essa direitola figurética da luso-piolheira, comentando o caso da jovem que morreu com sarampo. Na CMTV.
O grande mestre da teoria política, ex-guru da blogosfera, agora transformado em vulgar profissional da crónica azeiteiro-social. Com uma fita rolante a passar-lhe em cima da cabeça com dizeres relativos ao Ronaldo, ali estava ele, populista, populista, demagogo, demagogo, a dar na cabeça dos pais da jovem. A mim que, claro está, nem me passaria pela cabeça não vacinar os meus filhos, sem conhecer os factos relativos a este caso não vou falar sobre eles, muito menos aos balcões do infecto-contagioso Correio da Manhã. Já li que a miúda tinha tido um episódio grave de alergia a uma vacina e que, por precaução, os pais resolveram não reincidir. Não sei. Não me pronuncio. Dor maior já os pais devem estar a sofrer, escusamos de deitar mais sal por sobre cicatrizes que, certamente, estarão em carne viva.
É certo que é uma boa oportunidade para apelar à racionalidade dos pais que se encontram nalguma deriva metafísica, pondo em risco a vida dos filhos, mas que o seja com contenção e, sobretudo, não ao balcão de uma coisa como a CMTV, no meio de uma conversa desenvolvida em tom fútil e demagógico.
E se eu visse um daqueles comentadores que tanto falam de Passos Coelho, como de uma jogada mal apitada pelo árbitro, como de uma camioneta que tombou na estrada despejando ruidosos bácoros, ainda vá que não vá -- uma pessoa, vai-se habituando a que baixem os padrõezinhos*. Mas, com o caneco... o João Pereira Coutinho...? Já desceu a esse ponto? Comentadeiro no Correio da Manhã...?!?!
É onde se acolitam agora os ressabiados, os desaguados da democracia, os de má bílis, os moralistas do regime, os enfatuadinhos, os pintarolas encartados? No Correio da Manhã...? Muito me contam.
Mas a minha surpresa não se extinge aí. É que a criatura dizia vá-cinas. O entrevistador perguntava-lhe o que achava de não vacinar crianças e ele, cinquenta mil vezes, vácinas: vácinas para aqui, vácinas para acolá.
Totó como sou, ainda pensei: querem lá ver que eu é que ando com o passo trocado? Então fui validar e o totó é ele. Diz-se vacina com os dois a's fechados pois vacina é, obviamente, uma palavra grave.
Agora, vocês que aí estão sossegados e nem se dão ao trabalho de aqui me vir beliscar para eu ter a certeza que não eu estar a delirar, digam-me: como é que um intelectual destes, com esta carinha de menino inteligente, professorzinho da Católica e tudo, não sabe disto e diz vássinas**...?
Estou banza, é o que é. Não estava psicologicamente preparada para ver uma coisa daquelas.
Quando a intelectualidade de pacotilha vira comentadeira do Correio da Manhã... o que se vai seguir...? Um dia ainda vou ver ali o Pedro Mexia, a pronunciar-se sobre o roubo por esticão ou sobre a namorada do CR7? E, ainda por cima, a dizer 'námora-da' ou Márcelo? Ou o cardeal Clemente comentador nos programas da Cristina Ferreira a falar do maestro gay que foi corrido pelo pároco de Castanheira de Pêra? A procuradora Mana do Vidal como avençada no programa da Júlia Pinheiro a comentar as aparições da pequena Maddie? O António Lobo Antunes a dar troco ao cacarejante Rangel? What...?
Não sei mas, depois do que presenciei, acho que temos que estar preparados para o pior.
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Fiz as fotografias à televisão e, depois, na segunda apeteceu-me pôr o comentador João pereira Coutinho ainda mais cor-de-rosa, com uma boquinha ainda mais mimosa. A ver se a imagem fica mais consentânea com o absurdo da coisa.
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E, a propósito de não baixar os padrõezinhos, aqui vos deixo o Lopes da Silva, o homem com demasiadas características.
Um número maquilhado do BPN conforme ordem da Maria Luís Albuquerque (in 'Isto é muito bonito mas...')
Com medo que os jornalistas comecem finalmente a fazer investigação a sério e descubram mais números maquilhados para forjarem resultados menos maus, Passos Coelho, esse paladino da verdade e dos bons costumes, saíu-se com esta:
"Libertámo-nos da ditadura financeira e dos números, chegou a hora da política", prometeu Pedro Passos Coelho esta terça-feira à noite, num jantar-comício em Coimbra.
Pudera. Depois dos jornais em peso terem destapado o lixo que a pinokia mandou esconder debaixo do tapete (e vamos lá a ver se terá sido só isso) é natural que agora o Coelho e o vice-desembestado queiram à viva força parar de falar de números.
Transcrevo a cena da maquilhagem com que, esta terça-feira à noite, os Gato Fedorento gozaram à brava:
Maria Luís terá dado ordens para esconder prejuízo do BPN
O actual Governo terá dado indicações à Parvalorem, a empresa pública que gere os ativos tóxicos do antigo Banco Português de Negócios (BPN), para esconder prejuízos do banco com o objetivo de não agravar as contas do défice de 2012, avança a Antena 1. Desta forma, a Parvalorem terá ocultado uma parte das perdas registadas com o crédito mal parado a pedido de Maria Luís Albuquerque, quando ainda era secretária de Estado do Tesouro. Cerca de 150 milhões de euros.
O nº maquilhado do BPN com um nº maquilhado do novo Banco (em entrevista ao Ricardo Araújo Pereira na TVI)
Segundo a Antena 1, em fevereiro de 2013 a atual ministra das Finanças (na altura ainda Vítor Gaspar assumia esta pasta) soube que a Parvalorem ia ter perdas de 577 milhões de euros, em créditos em risco de incumprimento. Fonte ouvida pela rádio pública conta que Maria Luís Albuquerque pediu para mexer nas contas e divulgar as melhores contas possíveis: "Foi uma martelada que demos nas contas, as ordens vinham de cima, atuámos dentro da margem que tínhamos."
A Parvalorem terá procedido então a uma operação contabilística para adiar o impacto das contas para exercícios futuro, fazendo alterações às contas já auditadas.
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Espanto? Nenhum. Não a mim. Mas talvez seja um espanto para quem, a esta altura do campeonato, ainda não tinha percebido com que raça de gente tem o País andado a lidar: gente pouco séria, muito incompetente e, sobretudo, com uma noção muito fluida de conceitos tais como verdade, ética, moral, etc.
Mas há que ver o lado positivo das coisas: saber disto talvez seja o empurrão para a piscina de que alguns eleitores indecisos estivessem à espera para saber que é indispensável correr com os PàFs, essa gente incapaz e ignorante que, nos últimos 4 anos, para além de andar de gatas perante a Europa pretendeu pôr Portugal inteiro de gatas perante a Alemanha, China, Angola, Brasil e por aí fora. Há males que vêm por bem -- digo-vos eu.
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Conto-vos a história que Leitor, a quem muito agradeço, me enviou (and pardon my french).
Um milionário promove uma festa numa das suas mansões e, a certa altura, pede que a música pare e diz, olhando para a piscina onde cria crocodilos australianos:
Quem saltar para a piscina, conseguir atravessá-la e sair vivo do outro lado ganhará todos os meus carros. Alguém se habilita?
Espantados, os convidados permanecem em silêncio e o milionário insiste:
Quem se atirar para a piscina, conseguir atravessá-la e sair vivo do outro lado ganhará os meus carros e os meus aviões.
O silêncio impera e, mais uma vez, ele oferece:
Quem saltar para a piscina, conseguir atravessá-la e sair vivo do outro lado ganhará os meus carros, os meus aviões e as minhas mansões.
Neste momento, alguém salta para a piscina...
A cena é impressionante. Luta intensa, o destemido defende-se como pode, segura o boca dos crocodilos com pés e mãos, torce o rabo dos répteis. Muita violência e emoção. Parecia um filme do Crocodilo Dundee!
Após alguns minutos de terror e pânico, sai o corajoso homem, cheio de arranhões, hematomas e quase despido.
O milionário aproxima-se, dá-lhe os parabéns e pergunta:
Onde quer que lhe entregue os carros e os aviões?
- Obrigado, mas não quero os seus carros e os seus aviões.
Estranhando a reacção do homem, o milionário pergunta:
E as mansões?
- Eu tenho uma bela casa, não preciso das suas. Pode ficar com elas. Não quero nada que é seu.
Impressionado, o milionário pergunta:
Mas se você não quer nada do que ofereci, o que quer então?
Ao que o homem respondeu, irritado:
- Achar o filho da puta que me empurrou para a piscina!
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Moral da história?
Somos capazes de realizar muitas coisas que por vezes nós mesmos não acreditamos, basta um empurrãozinho. Um filho da puta, em certos casos, é útil na nossa vida.
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Cá para mim, a Maria Luís com esta revelação dos números maquilhados, até é capaz de nos ser útil. Talvez assim as pessoas saltem para a piscina e votem capazmente, contra os PàFs.
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E já agora, meus Caros, desçam até ao post seguinte, para cantarmos em uníssono
'Salta, coelhinho, salta' já que o animal (em pessoa) está, neste momento, à beira do precipício.
É alérgico a pessoas (e as pessoas alérgicas a ele) e não diz uma que se aproveite. Dentro da bolha, não apenas está a salvo do contacto humano como não precisa de falar e, a bem dizer, até pode arranjar um boneco que diga umas coisas à toa para fazer as vezes dele.
Leio que é deliberadamente que Passos e Portas não aparecem nos cartazes, nem nos que já aí estão afixados nem nos próximos. Esperam, pois, que as pessoas se esqueçam que foram eles que estiveram aos comandos da (des)governação do País nos últimos 4 anos.
Vejo também que, onde quer que vá, Passos Coelho vai rodeado de seguranças, apoiantes e jornalistas pois, fora deste escudo protector, são mais os insultos e queixas do que palavras simpáticas.
Leio que, por onde passa, montam-lhe quase uma cápsula protectora para que as televisões não o voltem a apanhar a ser confrontado com a ira dos lesados do BES, com novas senhoras cor de rosa ou com gente a chamar-lhe gatuno.
No entanto, quer ele quer o seu vice-irrevogável, são animais de palco: onde quer que os vejamos, riem, fazem de conta que não é nada com eles, que não são de cá, viram-se contra o PS como se o governo em funções fosse do PS e não deles, inventam feitos despropositados*, desbocadamente acusam o PS de ser o que eles próprios são.
Com estes PàFs vale tudo. Desconhecem conceitos como os da vergonha, ética ou moral. Para eles vale tudo.
Mas agora digam-me, meus Caros Leitores:
Pode o País eleger para Primeiro Ministro e para seu Vice duas criaturas que os portugueses já não podem ver nem pintados?
Pode o País ser governado por duas criaturas que são um mau exemplo?
Que fazem de tudo para governar como se o país fosse terra de ninguém, sem Constituição?
Que envergonham os portugueses?
Um não paga a segurança social, mente com quantos dentes tem, outro não tem palavra, vende a sua honra por um cargo no governo.
E isto só para falar de algumas das mais gritantes que eles fizeram.
Pode o País eleger duas criaturas que só vão à rua desde que protegidas e bem protegidas?
É isto que Portugal espera dos seus governantes?
Não, não pode ser, nem pensar, jamais, em tempo algum, só se fossemos um país de totós, seria de gargalhada, etc, etc, etc.. NÃO!
Por isso, bem pode Cavaco andar com uma mão por baixo, outra por cima e meia dúzia de lado amparando estes dois incompetentes, bem pode a comunicação social enxamear as televisões de avençados pafientos e o Expresso manipular a informação com despudor a mando do seu balsemão-patrão, que eu, sim Senhor, ó Leitor Nuno, continuo a achar que os portugueses vão mandar o Láparo e o seu Vice-Irrevogável para ajudantes de campo do ex-Cavaco e de sua Senhora, a Dona Cavaca. Ou isso ou vão dizer-lhes para irem dar banho ao cão. Ou para irem cantar para outra freguesia. Ou para fazer cinquenta travessias no deserto. Qualquer coisa. Mas longe da nossa vista. Acredito.
E, se vir a coisa mal parada, faço uma promessa: se os PàFs ganharem, deixo crescer a barba.
(Já está a ver, Nuno, que estou à vontade)
1.2. O Vídeo do Homem-Bolha e sugestões ao RAP
Bem, mas aqui está o filme do Homem-Bolha para ver se o RAP se inspira e, já que o Láparo em pessoa não lhe dá a honra de uma visita, pois que no Isto é tudo muito bonito, mas..., apareça o homem-bolha a falar por ele.
(Ó Ricardo, e até podia ir buscar aquele isento comentador da SIC, o catraio Mendes, para fazer de anãozinho - ver ali aos 58 segundos do vídeo, para ver se o nosso querido coisecas tem altura que chegue).
E nada contra os pequeninos, juro, até os acho amorosos. Só me maçam os pequeninos armados em conselheiros de estado, que contratualizam vistos gold no intervalo dos biscates na televisão e assim.
(Olhe, olhe, ó Ricardo!, e também podia ir buscar aquela ministra que dá mau nome às louras - a das inventonas, a que armou um granel dos grandes nos tribunais, a que ia derretendo os processos todos naquela bronca (ainda não resolvida,a do Citius), -- para fazer de moçoila gaseada que anda de mangueira na mão a fazer números sexy em cima do carro)
Vá lá, RAP, faça lá isso.
Coisa esperta, este homem-bolha do vídeo. Mas, apesar de tudo, ligeiramente mais esperto que o Láparo.
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1.3. Em contrapartida, António Costa
Em contrapartida, vejo António Costa na rua, a andar à vontade, sem medo, entre abraços, risos, toda a gente fala com ele, há afabilidade e alegria no ar.
E explicou - e bem - aquilo da Segurança Social e só espero que os pafientos percebam que não vale mais a pena continuarem a chover no molhado, que aquela furdunço que armaram já foi chão que deu uvas.
António Costa pode não ser um santo (espero bem que não seja, que de santinhos está o inferno cheio) mas é, de certeza, mais inteligente, mais sério, mais patriota, mais decente, mais respeitador, mais humanista, melhor defensor dos interesses dos portugueses que esta cambada dos pafiosos que só não nos trataram na base da chicotada para que nos vergássemos aos interesses dos chineses, angolanos, brasileiros ou quem calhe porque, em 4 anos, não tiveram ocasião de chegar a essa fase. Era deixá-los mais 4 anos e a ver o que eles seriam capazes de fazer. Foge!
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1.4. Diz Nicolau Santos sobre Passos Coelho
* Sobre os feitos que, pela boca dos cabecilhas dos PàFs, saem à cena sejam ou não verdadeiros, transcrevo o que diz Nicolau Santos:
O Alexandre Abreu podia ser apenas um homem bonito.
Se os olheiros da Dolce & Gabanna o vissem chamavam-lhe um figo: ia direitinho para modelo da marca. Que belos fatos eles lhe vestiriam, que belas poses eles o poriam a fazer. Tem uns olhos lindos e um sorriso florentinamente inocente (ou quase).
Mas ele não é apenas bonito: é também inteligente, focado, rigoroso, sistemático.
Ler o que escreve é um prazer. O seu último texto no blog acima referido deveria ser decorado e, a toda a hora, debitado pela oposição em peso.
Transcrevo apenas a introdução mas aconselho a sua leitura integral pois, ponto a ponto, o economista que tem uns belos blue eyes desmonta o embuste que é o sucesso que os PàFs andam por aí, pelas feiras, a ver se vendem aos distraídos.
À luz da sua própria avaliação, o governo PSD-CDS deixa um “triste legado” que “vai marcar inexoravelmente as nossas vidas e as dos nossos filhos”.
Em maio de 2011, a poucas semanas das últimas eleições legislativas, Álvaro Santos Pereira procedeu no blogue Desmitos a uma avaliação do desempenho do anterior governo PS à luz de oito critérios – oito indicadores económicos, analisados em sucessão a fim de proporcionar uma perspectiva abrangente da situação da economia portuguesa.
Santos Pereira concluiu essa análise ao legado do governo PS afirmando que estávamos perante, “de longe, os piores indicadores económicos desde 1892” e apelando a que os portugueses não esquecessem esses factos no dia das eleições. Poucas semanas depois, tomava posse um novo governo de coligação PSD-CDS, sustentado por uma maioria absoluta parlamentar. O Ministro da Economia desse governo era o próprio Álvaro Santos Pereira, certamente determinado a inverter a catastrófica situação que tão exaustivamente diagnosticara.
Quatro anos depois, é da mais elementar justiça que avaliemos os resultados alcançados por este governo à luz dos indicadores que o seu próprio Ministro da Economia original considerou mais apropriados para aferir o desempenho governativo. Quais eram os desequilíbrios então identificados? E qual o desempenho do governo PSD-CDS à luz desses mesmos critérios? Quando actualizamos os gráficos de Santos Pereira, trazendo-os até ao presente, verificamos que os resultados são esclarecedores. (ler o artigo todo; também foi publicado no Expresso)
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3. David Cameron: sexo, pias virtudes e cabeças de porco
A propósito dos santinhos, era para falar do Cameron mas agora, aqui, não vem a propósito.
Ainda se o post fosse só sobre o Láparo, o novo Homem-bolha, ainda fazia sentido, são ambos conservadores, ambos muito certinhos, muito apertadinhos.
Mas, assim, depois de ter falado de coisas sérias, até o Alexandre Abreu me deserdava se eu o misturasse com tão bizarras criaturas. Não pode ser.
Por isso, só mesmo um brevíssimo apontamento, para quem não está ao corrente dos gostos sexuais do exemplar Primeiro Ministro britânico:
Segundo relata um amigo do peito, nos tempos de esbórnia, Dave (como agora lhe conheço certas intimidades, acho que já posso tratá-lo por Dave) não se pôs, qual Edite Estrela na imaginação do Herman há uns anos, ou seja, qual leitão, todo nu de maçã na boca, num tabuleiro de ir à mesa - mas, ao invés, praticou um curioso número com um porco morto (ou melhor: com a cabeça do porco).
Diria eu que a coisa desentusiasmaria qualquer homem normal mas, para ele, pelos vistos, foi gratificante.
(Há gostos para tudo, ó caraças, que esta não lembraria nem ao Maçães, esse nosso intrépito animal sexual.)
Claro está que o Dave teve sorte porque, se fosse na China - em que, volta e meia, declaram o óbito e, umas horas ou dias depois, o morto começa a bater à porta da urna porque, afinal, a notícia da morte foi precipitada - ainda se arriscaria a que o porco, envergonhado, fechasse a boca e ai!... bye bye, valentia.
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STOP
Bem, fico-me por aqui neste tema porque hoje estou que não me recomendo. Se continuo, ainda vou desenterrar gostos excêntricos de outras proeminentes figuras do nosso espaço político e ainda se armava aqui no Um Jeito Manso uma verdadeira hórgia, como dizia o outro. É que podia não haver cabeça de porco mas teríamos animais para uma verdadeira cena em grupo; um cherne, um c-rato, um láparo, um cão com pulgas, uma galinha, um lombinha, um bando de papagaios, sei lá - uma verdadeira desbunda.
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4. Passos Coelho debate com Passos Coelho - mais um vídeo do grande Luís Vargas
O Passos Coelho de 2015 em debate com o de 2011.
Brilhante!
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Usei outra vez duas imagens do Kaos. I love, love, love Kaos in the Garden.
(Atenção: a 2ª imagem, a última ceia a la PaF, não é obra do Kaos, é obra mesmo dos pafiosos)
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Pronto. calo-me já.
Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela e divertida quarta-feira.
Uma das grandes vencedoras dos debates políticos nesta campanha eleitoral foi a Senhora Cor de Rosa: entalou o Láparo à grande, não desarmou, deu luta e levou o Passos ao tapete cá com uma pinta...!
Pois bem, Depois de, no outro dia, os Gato Fedorento já terem mostrado esse glorioso momento -- em que, à porta de casa, numa arruada dos PàFs, a senhora, sem papas na língua, exprimiu o que vai na alma de quase todos os idosos do País -- esta sexta-feira, a própria senhora foi aos estúdios da TVI e aguentou-se com um à-vontade surpreendente. Com sentido de humor mas com segurança, respondeu às questões do RAP e aproveitou para voltar a dizer as suas razões de queixa.
Grande ideia, a dos Gato.
Depois, passaram apontamentos de uma espécie de reportagem, aquelas entrevistas 'em quem é que vai votar?' e, aí, até a Cristina Ferreira e outras figuras conhecidas da TVI disseram que iam votar na Senhora Cor de Rosa. E mais: até o David Fonseca apareceu a cantar o Hino com apoiantes equipados com as devidas bandeiras cor de rosa.
A bela Senhora Cor de Rosa, por acaso diabética, sempre sorridente, e uma feroz combatente
Na rua, em terreno aberto, e com as televisões a assistirem, derrotou Passos Coelho que foi uma limpeza!
E, em estúdio, não se deixou intimidar: contra os PaF, marchar, marchar.
Isto é tudo muito bonito mas: a senhora Cor de Rosa com o RAP (que várias vezes se desmanchou a rir)
David Fonseca entoando o hino com os apoiantes da Senhora Cor de Rosa ondulando bandeiras cor de rosa e de Portugal
E aqui, em vídeo, abaixo, o grande momento em que a Senhora Cor de Rosa (quase batendo em acutilância o Costa, a Catarina Martins, o Jerónimo e todos esses aprendizes da política), fez o tonto e mentiroso do Láparo meter a viola no saco.
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Quanto a António Costa, apareceu com a pastinha (com que o RAP o tinha brindado em rábula anterior), mostrou que felizmente tem sentido de humor, gozou consigo próprio, desarmou várias vezes o RAP; e o RAP, divertido, bem tentando descalçá-lo, várias vezes se desatou a rir.
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Gente inteligente e bem humorada é outra coisa! Ficamos todos numa boa onda.
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PS: Estou a ouvir na televisão o resultado das sondagens, com conclusões mais manipuladas que eu sei lá o quê.
(O Expresso e a SIC estão a fazer um frete a quem? Aos amigos do Bilderberg? A quem?)
Pois bem, eu aqui, agora, não é sondagem nem nada disso, é apenas cá um feeling meu.
Estes são os resultados que eu acho que vamos ter nas próximas legislativas:
PS: pelo menos39% PaF: no máximo 34%
BE: no mínimo 7%
No noite das eleições falamos, ok?
..
NB: Sobre sondagens amanhadas a gosto e sobre conclusões à medida, permitam que vos convide a lerem isto.