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quarta-feira, maio 27, 2026

Retratos que nos marcam

 

Assim de repente não tenho presente qual o retrato que mais me impressionou. Retrato de alguém, quero dizer. Não falo de fotografia em geral, mas de retrato. Tanto pode ser retrato fotográfico ou pintado.

Quando pensei nisso, o que me ocorreu foi um que eu própria fiz. Durante parte da minha vida, não me movia sem levar a máquina fotográfica e aquilo de que mais gostava era de fotografar pessoas. Punha-me de longe, observava, antecipava movimentos e expressões, a adrenalina de captar a alma de alguém e de o fazer à socapa, sem que a pessoa se apercebesse do que eu para ali estava a espiá-la.

Fiz fotografias de que gostei bastante. Mas depois tinha receio de as mostrar. Nunca percebi qual a legitimidade de fotografar pessoas sem o seu consentimento. Claro que as melhores fotografias de rua são as espontâneas e, mesmo pensando em muitas das que passam à história, foram feitas na rua, à socapa. Se calhar há algum argumento que justifique a sua legitimidade. Será que uma fotografia feita há 10 anos, sem o consentimento expresso do visado, e publicada, ainda tem problema?

Não sei. Mas, não tendo eu o respaldo de uma agência que pudesse proteger-me ou esclarecer-me, optei por desistir. Com muita pena minha. 

Aquela de que melhor me lembro foi feita não apenas com a concordância mas a pedido do próprio. Eu andava a passear à beira rio, a fotografar os barcos, as pessoas que partiam e que chegavam, quando, mesmo junto a mim, um homem muito alto e muito magro, se acercou de mim e disse: 'Fotografe-me'. Tinha uma voz profunda, cava. Moreno, uns olhos enormes. À minha frente. 'Fotografe. Fotografe para ver o que é um homem desempregado, um homem sozinho'. Senti-me intimidada. Quase me barrava o caminho. Um rosto marcado. 'Fotografe', quase me ordenou. E eu apontei a objectiva e fotografei. Sentia-me quase envergonhada como se estivesse a testemunhar um momento de grande vulnerabilidade de alguém que, certamente, estava a atravessar um mau bocado. Ele olhou para dentro da câmara e a câmara olhou para dentro dele.

Na altura eu tinha um blog de que gostava muito, justamente de Street Photography, em que, justamente, para evitar problemas, eu só publicava fotografias em que os visados estivessem de lado ou em que, por algum motivo, mal se percebesse o rosto. Contudo, por pudor, por respeito para com a sua dignidade e, ao mesmo tempo, fragilidade, não publiquei a fotografia deste homem embora fosse talvez a única feita a pedido do fotografado. E era uma fotografia marcante. 

De retratos alheios não consigo seleccionar um, pois foram tantos os que me impressionaram. Retratar uma pessoa, para mim, não é propriamente mostrá-la bonita, não é um exercício editorial de mostrar o melhor ângulo, não é querer agradar ao ego do fotografado: retratar uma pessoa é mostrá-la como ela é, na sua espontaneidade. Pode estar absorta, pode estar séria, pensativa, distraída, pode estar perdida de riso. É captar o momento, captar a essência da pessoa no momento. 

Convido-vos a ver o vídeo abaixo no qual Stephen Fry vê o retrato de Oscar Wilde e, a partir dessa imagem, fala no que foi a vida do escritor e no que isso, em especial no que à sua homossexualidade dizia respeito, com tudo o que sofreu, de certa forma o marcou, receando passar pelo mesmo calvário que Oscar Wilde passou.

Stephen Fry - Os Retratos Que Nos Moldam

Stephen Fry apresenta uma história de esperança e inspiração, em contraste com a tragédia da vida de Oscar Wilde.

Sendo um herói pessoal para Stephen e para milhões de pessoas em todo o mundo, a história de Oscar Wilde mostra que o amor perdura e pode mudar o mundo, mesmo que ele não estivesse presente para o testemunhar.

Parte da nossa série "Os Retratos Que Nos Moldam", criada em parceria e ambientada no belíssimo cenário da @nationalportraitgallery. 

Oscar Wilde por Napoleon Sarony, 1882: © National Portrait Gallery, Londres


Desejo-vos um dia feliz

sexta-feira, abril 26, 2024

Foi bonita a festa, pá
25 de abril sempre

 

Um imenso mar de gente em festa, em família, entre amigos. Uma festa intergeracional mas, arriscaria dizer, com uma inédita e inacreditável massa de jovens e de crianças. 

Todas as ruas iam dar ao Marquês. Os relvados da avenida e da rotunda cheios de gente. Muita cor, muita alegria. Gente a cantar, a rir, a abraçar-se, a festejar, a gritar gritos de ordem: um hino à liberdade cantado a muitos milhares de vozes.

Muita emoção, uma emoção contagiante, uma vontade de que as ruas nunca percam a alma, que continuem cheias de gente, que não seja só nos 25 de Abril. As ruas querem-se vivas e alegres. É na rua que as pessoas se encontram, se abraçam, se vêem a rir, que cantam em uníssono. Não é na solidão das redes sociais. É nas ruas. É na partilha, no contacto, na felicidade de estar com os outros que a liberdade e a democracia se mantêm vivas e pujantes.

Em boa hora o meu marido se lembrou de que devíamos ir para a avenida. Estou muito feliz por lá ter estado. 

Desejo que o 25 de Abril se mantenha vivo, cada vez mais festivo, cada vez mais enraizado e pujante, cada vez mais um balão de oxigénio que alimente os nossos quotidianos. E desejo que daqui por 50 anos os meus filhos, os meus netos, os meus bisnetos e trinetos continuem a sair à rua a festejar o dia da Liberdade e da Democracia no nosso querido país.

















































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Nota: Caso algum dos que aparecem nas minhas fotografias aqui não quiser estar, peço o favor de me contactar identificando a fotografia que logo a retirarei

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Galeria de Fotografias do Guardian: clicar (link abaixo) para ver todas

Portugal commemorates the Carnation Revolution – in pictures

Thousands in Lisbon celebrated the 50th anniversary on Thursday of Portugal’s Carnation Revolution, which toppled the longest fascist dictatorship in Europe and ushered in democracy. The almost bloodless revolution was conducted by a group of junior army officers who wanted democracy and to put an end to long-running wars against independence movements in African colonies
Guy Lane
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25 de Abril sempre

sexta-feira, setembro 29, 2023

Casório, pedido de casamento, porquinhos da guiné, catatuas, kookaburras

 

Uma vez mais o meu dia começou com um telefonema a acordar-me. Os deuses conspiram para não me deixarem dormir aquilo de que preciso. Desta vez não foi um telefonema com drama mas, sim, uma situação tão inesperada, tão insólita, tão nem sei dizer o quê, que não sei como não pedi para desligarem e voltarem a ligar para eu me certificar que não estava a sonhar.

Além disso, nesse momento, andava eu, uma vez mais, num daqueles sonhos/pesadelos que me deixam de rastos. Quando eu tinha reuniões a norte e tínhamos que lá estar às nove, saindo de madrugada, muitas vezes encontrava-me com um colega e íamos juntos, geralmente ele a conduzir. Acontece que ele mora perto do local em que trabalhávamos. Pois bem, no meu sonho eu ia ter a casa dele e, de casa dele, seguíamos para o trabalho. Ou seja, uma versão absurda do que acontecia. Só que, às tantas ele tinha que fazer não sei o quê e eu tinha que ir sozinha. Ora, no sonho, ele morava numa torre sobre o mar, mas uma torre arranha-céus, com dezenas de andar. E eu tinha que ira pela escada de serviço, fora do prédio, e aquilo não tinha corrimão. Portanto, um terror para mim. E, para agravar, como sempre, ia com os meus netos. Então, estava em pânico com medo que caíssem, que se despenhassem, gritava por eles, que não se mexessem, que esperassem por mim. Mas eles fugiam e eu deixava de vê-los e ficava num total desespero com medo que tivessem caído. Depois eu perguntava se não havia outra maneira e diziam que sim, era voltar atrás e apanhar o comboio lá em baixo. E, então, eu ia com os miúdos, sem mãos para os agarrar a todos, e, afinal, para lá chegar, eram outras escadas quase a pique, sem corrimão. E eu já atrasada. E queria entrar em casa do meu colega mas só podia lá chegar por uma das duas escadas. E eu agarrava o mais novo e ele, a querer esgueirar-se ainda se colocava em mais risco. E os outros, vendo o mar lá em baixo, já falavam em mergulhar e eu, numa aflição, a implorar que fossem junto a mim, nem pensassem em mergulhar nem em andar depressa nem sequer em espreitar.

E estava eu nesta aflição toca o telemóvel. Não que fosse má notícia mas não era o que esperávamos, precipita as coisas. Fiquei estupefacta, quase sem saber que decisão deveria ser tomada.

Portanto, parte do dia foi depois a tratar desta bomba que nos caiu em cima. 

Acresce que esta sexta feira é um dia ultra super hiper especial. E, afinal, em vez de poder estar totalmente focada nisso, ainda vou ter que tratar de cenas relacionadas com o tema do telefonema.

Com este calor, demos um salto até à praia, Uma névoa. Um certo calor mas envolto em névoa. Bonito, apesar de tudo. Ou, sobretudo, por isso.

Ao chegarmos, um casal de noivos no areal. Só os dois. A olharem para cima, certamente intrigados por estarem só eles, como se o resto do pessoal tivesse tido mais que fazer. 

Passado um bocado chegaram duas convidadas e lá foram para um palanque.

Fomos fazer a nossa caminhada. Depois sentámo-nos na areia. Mal estendi a minha toalhinha e me sentei, logo o urso felpudo veio deitar-se sobre ela ao meu lado. Passado um bocado, pôs-se a fazer o buraco do costume e a encher-nos de areia.

Nessa altura, o meu marido disse-me: 'Olha ali'.

Ao princípio, de longe e com a neblina, não dava para perceber. Depois percebemos. Dois casais. Um era uma dupla de fotógrafos e o outro casal era o objecto da sessão fotográfica: de joelho em terra (leia-se, em areia mais do que molhada) o homem pedia a namorada em casamento. Mas isto com a fotógrafa a pedir e a ensaiar poses, ângulos, orientação solar. Portanto, chegámos a isto. Um homem pergunta à mulher se quer casar. 

Mas fá-lo em público, com pessoal contratado a fotografar. Agora, toda a gente, qualquer vulgar anónimo, acha-se uma estrela de cinema com direito a publicação de reportagem fotográfica de momentos que, em situações normais, deveriam ser íntimos. E, mais do que certo, já estava mais do que pedido, ou seja, mais do que tudo combinado, aquilo ali na praia deve ter sido apenas um faz de conta.

Ora, pergunta a minha ignorância: para quê isto? Para impressionar os outros? Para se sentirem famosos?

Dá ideia que parte das pessoas se vai afastando da genuinidade, da espontaneidade, da simplicidade... e isso, cá para mim, não pode ser saudável.

Pelo contrário, no extremo oposto, há outros que se afastam totalmente deste mundo e buscam a quase eremitagem, o isolamento. No outro dia, quando perguntei a uma amiga pela outra filha, contou-me, com um certo desconcerto na voz, sobre a sua opção de vida, a viver no campo mais campo deste país, a viver do pouco que as suas mãos produzem, sem preocupação em acautelar o futuro, apenas querendo viver em paz, no silêncio, de quase nada, longe de tudo. 

São pólos opostos. Provavelmente a virtude estará a meio destas duas realidades. Mas que sei eu...?

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O que sei é que vi estes vídeos e achei o máximo.

Cockatoo teasing Kookaburra


Existential Guinea Pig


Are you filming me?


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Desejo-vos uma feliz, feliz, feliz sexta-feira

Saúde. Afecto. Paz.

terça-feira, maio 31, 2022

Havia dois caminhos e eu escolhi o outro

 


Um título chamou-me a atenção. Fui ler e afinal não era bem o que estava à espera. The big idea: could the greatest works of literature be undiscovered? Only a fraction of the world’s stories have survived. What might we be missing?

Preferia que fosse sobre obras não entregues nas editoras ou obras entregues e rejeitadas. Ou obras perdidas. Obras esquecidas. Obras mal amadas por quem as gerou. Mas não noutros tempos. Agora, ainda. Todos os dias, algures, alguém a acabar uma obra, a sua obra, e depois, pelas voltas e desvoltas da vida, ninguém vir a saber de nada. E, no meio de tantas obras abandonadas pelos tempos, estarem obras primas. Para sempre esquecidas.

Ou músicas. Ou pinturas. Ou fotografias. 

Por vezes acontecem milagres e muito tempo depois, por um acaso que apenas um qualquer deus pode ter inspirado, essas obras perdidas aparecem, ressuscitam. Aconteceu isso com as fotografias de Vivian Maier. Mas é muito raro.

A vida é uma combinação infinita de acasos. O milagre é o que acontece e tudo o que acontece é um milagre. Tudo o resto fica por acontecer.

Bastava, por vezes, um gesto de apoio, bastava um passo dado numa outra direcção, bastava a pequena coisa que não aconteceu naquele momento.

É como os amores. O que aconteceria se, num certo dia, num certo instante, coexistissem no mesmo espaço aqueles que, se isso tivesse acontecido, teriam sido amantes para o resto da vida?

Jamais o saberemos. 

O que sabemos é que a cada fracção de segundo acontecem acasos, acasos, acasos.

Uma vez, há muitos anos, o responsável de uma área da empresa em que eu trabalhava, ia reformar-se. Nos meses anteriores eu tinha trabalhado com um outro que me tinha parecido muito responsável, muito conhecedor. Propus o seu nome e, embora na altura, a decisão não fosse minha, a minha opinião foi tida em atenção. Ocupou, efectivamente, o lugar deixado vago pela reforma do outro senhor, progrediu profissionalmente e foi bastante bem sucedido. Poucos anos depois, soube da vaga de um director daquelas áreas mas numa outra empresa do grupo. Perguntaram-me se recomendava alguém. Voltei a pensar nele. Seria um salto na sua carreira. Falei nisso. O administrador da altura achou bem. Privilegiava-se a rotação entre cargos. Seria dar uma oportunidade a alguém muito responsável. Além disso, ele tinha recebido um curriculum vitae de um jovem que poderia ocupar a vaga e vir a ser uma lufada de ar fresco. Com a luz verde do administrador, falei na oportunidade de um lugar de director àquele tal. Hesitou. Não era ambicioso, preferia viver na sua zona de conforto. Insisti. Não desperdiçasse a oportunidade: a água não passa duas vezes de baixo da mesma ponte, dizia-lhe eu. Ele reticente. Aliciaram-no, incrementaram as condições. Acabou por aceitar. Agradeceu-me muito por mais uma vez me ter lembrado dele. Para o ex-lugar dele foi o tal rapaz novo, vindo de fora, de uma outra realidade, desconhecido de todos. Este rapaz, agora homem feito, por mais uma sucessão de acasos, é agora o pai de alguns dos meus netos. 

Acasos, acasos, acasos. 

Ou as casas em que tenho vivido -- outros acasos. Nunca quis casas feitas de novo. Sempre preferimos casas existentes. Mas, com as nossas exigências, nunca descobríamos o que nos agradasse. Quando andávamos à procura de uma casa no campo, vimos dezenas, ao longo de anos. Ao fim de semana íamos à procura de casas ou quintinhas. Tenho ideia que ainda não havia as remax, era, century 21 e etc. O que estava à venda tinha uma tabuleta e a gente ia a passar, via o número de telefone e ligava. Até que num fim de semana de chuva, não fomos, estava mau tempo para andarmos à procura. Então, estava em casa a ver o Expresso e, às tantas, vi um anúncio. Não era nada do que pretendíamos nem era minimamente nos lugares onde até então tínhamos andado a ver. Zero. Mas bateu-me uma daquelas intuições que me chegam com carácter de urgência. Telefonei. Perguntei se podíamos ir ver nesse dia. Fomos. E imediatamente nos apaixonámos. Todos. Os miúdos numa alegria. Os papéis da casa e do terreno não estavam em ordem, uma confusão, nem certidões nem registos, a maior barafunda. Quase queriam convencer-nos a desistir. Mas não desistimos. É o nosso querido heaven. Se não tivesse estado mau tempo e eu não me tivesse posto a ver os anúncios, provavelmente a história tivesse sido outra.

E poderia continuar. E se dei exemplos meus foi apenas por facilidade. Qualquer pessoa terá os seus infinitos acasos. Mil caminhos, infinitos caminhos. E nós vamos por um. O que teria sido a nossa vida se tivéssemos escolhido qualquer outro nunca o saberemos. 

Devemos sentir-nos agradecidos pelo que temos. Mas devemos estar atentos, disponíveis. Nunca há apenas um caminho. 

[O que não sei é se somos nós que escolhemos o caminho ou se, de certa maneira, é o caminho que nos escolhe a nós -- mas isso já seriam outros quinhentos (como agora soe dizer-se).]


The Road Not Taken, by Robert Frost 



Fotografias de Vivian Maier na companhia de Nina Simone com Mr. Bojangles
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Desejo-vos um dia bom
Acasos felizes. Paz.

segunda-feira, abril 25, 2022

25 de Abril.
Nome do meio: Liberdade

 


Estes meus dias, o sábado e o domingo, foram dias muito bons. Estive com a família, com os meus meninos. O meu coração abre-se num abraço quando estou com eles. 

Sinto-me feliz e agradecida e gosto de ver que eles também se sentem bem. 

Os primeiros que chegam perguntam sempre pelos outros. Neste domingo não estiveram ao mesmo tempo. Os que vieram na parte da manhã tinham, logo a seguir ao almoço, um programa de festas apertado e que começava cedo. Por isso, quando os segundos chegaram já os primeiros tinham saído. Ficaram com pena. Mas, apesar disso, quer os da manhã quer os da tarde estiveram felizes da vida. Gostam de cá estar. 

Agora, para além dos primos e tios e avós há também este ser felpudo, amalucado e meigo, que fica doido de alegria quando os vê.

Brinca, brinca, deita-se para receber mimo, anda no meio de nós recebendo carinho de uns e de outros. 

Este domingo, o menino mais crescido -- que vai ter teste de português esta semana --, para treinar a composição, escreveu um texto (por sinal muito bem escrito e imaginativo). Eu li o texto, elogiei embora tivesse ressalvado um erro ortográfico e umas vírgulas fora do sítio, e a mãe leu-o também e também fez os seus comentários. Às tantas, vimos a pequena fera de composição na boca. Com tantos comentários, deve ter querido saber se também aprovava. Então, o menino dizia: 'Senta' e ele parava de correr e sentava-se. O menino dizia: 'Fica' e a fera ficava. Então o menino aproximava-se e dizia: 'Larga'. E a fera desatava a correr como se não houvesse amanhã, a composição na boca.

O mano dizia que o seu amigo felpudo era terrível, se calhar saía ao padrasto. 'Ao padrasto...?!'. A mãe perguntou: 'Ao padrinho?'. Sim, era isso, confirmou ele, o padrinho da fera.

De manhã, ao abraçar e beijar o mais novo, disse-lhe: 'Meu menino mais lindo'. E ele disse: 'Os meus pais nem sempre estão de acordo'. Assim, de repente, não percebi. 'Não estão de acordo com quê?'. Ele encolheu os ombros e disse: 'Que eu seja um menino lindo. Eu às vezes sou maroto...'. Abracei-o ainda mais, 'Meu marotinho mais lindo'.

Enquanto isso, a menininha ajudava-me na cozinha e confessava que adora cozinhar mas coisas complicadas, dizia. O irmão do meio, também a ajudar, refutava: 'Mas, mana, se tivermos que fazer o jantar, temos que saber fazer o básico, arroz, mexer um ovo'. E ela, na base do dahhhh...: Ó mano, claro que sei fazer isso tudo...

Todos eles me surpreendem, encantam e divertem, cada um à sua maneira. 

Apontamentos de momentos de maravilhamento e boa disposição. Tomara que sempre os retenha na minha memória e eles na deles.

Mas não me sinto apenas feliz por vivê-los: sinto-me também agradecida. 

Vivo num país lindíssimo, acolhedor. O clima é aprazível. O ambiente é luminoso e descontraído, as pessoas são afáveis e bem dispostas.

Antes espantava-me quando, nos outros países, via as pessoas deitadas ao sol, na relva, em jardins públicos, algumas em fato de banho. Ou pessoas cantando na rua, outras fazendo acrobacias. Pessoas andando de barquinho a pedais em lagos, as esplanadas cheias, gente cantando ou rindo em voz alta. Em contrapartida, por cá, as praças estavam vazias, ninguém se deitava na relva em parques públicos, quase não havia esplanadas e, nos restaurantes, falava-se sempre à boca pequena. Talvez fosse ainda o lastro do regime anterior, soturno, ensimesmado. As pessoas viviam viradas para dentro de casa e para dentro de si próprias. Havia ainda a psicose do que os outros pensavam ou deixavam de pensar. As pessoas tinham medo de se expor pois temiam a censura alheia.

Felizmente a nossa democracia foi amadurecendo. Desinibimo-nos, aprendemos a divertir-nos. E ninguém leva a mal.

Agora somos um país aberto aos outros e à diferença, as ruas estão cheias de vida e de diversidade, há alegria e vontade de partilhar e de conviver com a natureza e com os outros.

Vivermos num lugar assim -- um lugar tranquilo, luminoso, pacífico, cheio de sol e de mar e de jardins e serras e em que se vêem pessoas de todas as cores falando todas as línguas, vestidas das maneiras mais inesperadas, fazendo as coisas mais bizarras -- é uma felicidade.

E, se me sinto feliz por poder viver e testemunhar esta sorte, a verdade é que sei bem o quanto tudo isto é frágil.

Desejo que seja perene e que deixe boas memórias em quem vive estes momentos bons mas não me iludo: de um momento para o outro tudo pode mudar, tudo se pode perder.

Há cerca de dois anos fomos todos mandados para casa porque um vírus ameaçava a nossa vida normal, obrigando-nos a uma adaptação repentina a outros hábitos, longe uns dos outros, sem contacto físico, receando contagiar-nos uns aos outros.

Pelo meio o meu pai morreu e não apenas não pudemos velar o seu corpo (o que não me custou muito pois penso que me teria custado mais estar numa capela rodeada de gente sabendo que o seu corpo frio estava ali, ausente, destituído daquilo que ele tinha sido) como foi muito triste ver chegar a carrinha com o caixão envolto em película aderente e estarmos cá fora, poucos, todos meio abandonados. Pensar que o meu pai estava ali e nós a despedirmo-nos dele tão pouco condignamente causou-me muita tristeza. Mas tudo é relativo. Na morte e nas despedidas há sempre tristeza, de uma forma ou de outra.

Ao fim de dois anos, agora que a pandemia está a dar mostras de acalmia, acontece a invasão de um país por outro que o quer anexar e que, para o conseguir, o bombardeia, assassina pessoas, destrói cidades e obriga a expatriar milhões de pessoas. Famílias inteiras destroçadas. Uma tragédia infinita e imperdoável.

Estou feliz, a minha casa íntegra, a minha família unida. E a primavera aí está, florida, renascida, cheia de flores e canto de passarinhos. 

E eu ando deleitada, fotografando tudo e todos, olhando cada coisa como se fosse a primeira ou a última vez.

Mas sei que tenho sorte e que nada é garantido. 

Mas é bom enquanto dura e sempre farei o que está ao meu alcance para que sejamos felizes, livres, donos do nosso destino. 

E Macron venceu em França e a Ucrânia há-de manter-se um país livre e independente e tenho esperança que conseguiremos voltar a acreditar num mundo sem muros, sem guerras, sem mal.

(E não quero saber se isto soa a ilusão sem sentido. Quero acreditar que será possível sonhar com isso e isso chega-me)

Não tenho cravos para aqui festejar Abril. Mas Abril é um mês que não apenas acolhe todas as vozes como todas as flores e, por isso, termino o texto com uma flor de que gosto muito. Para todos os que por aqui passam.


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25 de Abril sempre

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Um dia bom
Generosidade e afecto. Liberdade. Paz. 

quarta-feira, fevereiro 23, 2022

A propósito desta guerra vou com o passo trocado na formatura a caminho do lança perfume e do banho de espuma

 



Sempre ouvi dizer mas nunca levei integralmente à letra que nunca se pode tomar nada como garantido. Pensava eu, na minha santa inocência, que idos estavam os tempos em que a Europa, os States, a Rússia e estados vizinhos viviam na instabilidade de um dia a coisa poder vir a dar para o torto. Para mim, coisas como guerras frias, cortinas de ferro, invasões, tomadas de posição nas fronteiras, exercícios militares ou envio de tropas eram coisas datadas, fora de moda. Para mim, era claro que jamais países civilizados voltariam a esses desagradáveis tempos de chumbo.

Sei que o petróleo é limitado, sei que a indústria do armamento tem a mão quente, sempre pronta a atear fogueiras para que a coisa pegue fogo e as fábricas tenham o que produzir. Mas, na minha ligeireza, pensava eu que a coisa haveria de se circunscrever aos territórios em que a população já se encontra esmagada ou foragida e em que a paisagem é, de há muito, cenário de destruição. 

Portanto, para dizer verdade, tenho vindo a ouvir esta ameaça de guerra como uma tesão do mijo dos que sempre beneficiam com estas histerias: a comunicação social e a indústria da guerra.

Mas eis que, ao ligar a televisão, vejo comentadores all over a comentar as macacadas do Putin. Às tantas, vejo-o a ele com ar de pero saloio, rosado, insuflado e, mais do que vintage, a dizer coisas que só poderão fazer sentido na cabeça de gente doente. Monty Python revisited. Desconfiada, resolvi contrastar com o Guardian. Tenho o Guardian em boa conta. Contudo, vejo que o Guardian também está a levar a macacada do Putin a sério. 

Enquanto escrevo, vejo tanques a andarem na neve e, desatenta, não sei se são coisas de agora ou imagens de arquivo. Mas fico a pensar se o meu optimismo de sempre não estará deslocado no actual contexto.

Custa-me a acreditar que o mundo, depois de dois anos de pandemia, se vá enfiar num conflito que cause ainda mais problemas à humanidade. Mas já não digo nada.

Mais autodestrutivos do que qualquer outra espécie, os homens andam a fazer de tudo para saírem de cena (não digo 'os homens e as mulheres' pois acho que, no que toca à estupidez autofágica, os homens dão 10 a 1 às mulheres -- lamento dizê-lo).

Contudo, não vou dizer mais nada: toda esta realidade me é estranha. Tenho a maior dificuldade em dizer o que quer que seja sobre isto pois, por um lado, ainda acredito que toda esta ficção se vai dissipar e, por outro, a ser verdade, prefiro alienar-me. A guerra é coisa que não me interessa. 



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Sou da paz, do riso, da brincadeira, da irreverência. Por isso, com vossa licença vou falar de outra coisa.

Desde os tempos da faculdade até os nossos filhos serem adolescentes, éramos um grupo de três casais que se encontrava quase todos os fins de semana. Depois um dos casais separou-se e a coisa começou a ficar um pouco estranha. Entretanto, juntaram-se mais dois casais. Não apenas nos encontrávamos no fim de semana como fazíamos passeios e picnics e, por vezes, à sexta ou sábado à noite, íamos fazer o circuito das discotecas da moda ali nas Docas, em Alcântara, na 24 de Julho. Dançávamos que era um gosto, um excesso (o meu marido não, nunca dançou, o meu marido limitava-se a esperar que eu me cansasse). Não sei como conseguíamos e porque gostávamos daquela loucura: mal nos podíamos mexer e o fumo e o barulho eram de destruir qualquer vestígio de saúde. Ficávamos cá por baixo. O Frágil nunca foi propriamente a nossa praia.

Muitas vezes, ao fim de semana, na casa de uns e outros, enquanto se ultimava o almoço, punha-se a música bem alto e todos cantávamos a plenos pulmões, dançando na maior alegria. Em certa altura, a Rita Lee era presença assídua. A sua irreverência amalucada merecia, como é bom de ver, o nosso melhor agrado. Uma das canções que cantávamos de gosto era o Banho de Espuma. Ou o Lança-Perfume

Pelo Natal, ao passar na livraria, vi a sua autobiografia e, ao espreitar os seus interiores, logo me pareceu que seria o tipo de livro que a minha filha ia apreciar.

E assim foi. Gostou. Falou-me do vocabulário criativo e bem disposto, falou-me do sentido de humor que revestia a memória de Rita Lee. Achou que eu também gostaria de ler. E, assim sendo, trouxe-o. E eu, mal acabado O ano do pensamento mágico, logo saltei para ele.

E que agradabilíssima surpresa. A fala é corrida, solta, desempoeirada, cheio de riso, palavras boas, sonoras, graciosas. As recordações são afáveis, generosas, abraçadas à vida. Ainda só vou na página 45 mas já estou agarradinha. 

Agora ando rigorosa, à hora de almoço obrigando-me a tempo para a leitura. A temperatura boa ajuda, está-se bem. À porta, ao sol, de calças piratas, justas e pelo joelho, blusa de alças, boné com grande pala para poder enfrentar o sol que disputa a leitura, ali estou eu, consolando-me das agruras, totalmente entregue ao prazer de um bom livro.

Quando estiver para aí virada, transcreverei alguns pequenos excertos para que V. lhe possam tomar o gosto.

Mas, para já, aqui fica um cheirinho dela, da Rita Lee, essa ganda maluca.






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As fotografias que aqui usei provêm do Street Photographers

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Desejo-vos uma feliz quarta-feira
Tudo a bombar. Sempre a abrir.

segunda-feira, janeiro 24, 2022

Passear em Lisboa, ao Chiado
[Com reportagem fotográfica]

E dúvidas sobre como funciona e a quem ataca este Omicron

 



Dormi que me fartei. Quando acordei e vi as horas nem queria acreditar. 

Para não acordar com notificações, tinha retirado os dados do telemóvel. Ao repô-los, uma boa notícia. Em casa da minha filha, todos negativos, excepto o menino que desde a outra semana tinha sido diagnosticado com covid. 

Em simultâneo com o alívio pelas boas notícias, o espanto. O menino, durante essa semana, antes de saber que estava infectado, tinha-se queixado com dores nas costas. Nada de mais. A mãe pensou que seria da mochila pesada. Depois, levemente constipado. Normal. Enquanto isso, sempre na brincadeira e às lutas, ele e o irmão inseparáveis, sempre em cima um do outro. Para além disso, dormem no mesmo quarto, em beliche. E, também para além disso, é super chegado à mãe, andam sempre abraçados e no mimo.  

Porque na turma do menino um dos professores tinha testado positivo, na quinta-feira fez o teste. Na sexta-feira, o menino já estava constipado mas nada de mais. E ele e o irmão em cima um do outro no sofá. No sábado veio o veredicto: positivo. 

Toda a gente pensou que lá em casa seria inevitável que estivessem todos infectados. 

Entretanto, o menino ficou apanhado, com dores de cabeça, muito constipado. Ficou no quarto e o irmão acampou na sala. No dia seguinte, o campista também já estava apanhadíssimo. Espirrava, assoava-se em contínuo. Murcho, enrolado em mantas no sofá, atacado. Lenços e lenços molhados. Não estranhámos. O contrário é que seria de espantar. 

Contudo, ao fazerem testes, os coabitantes, incluindo este outro que já estava doente, a surpresa: negativos. Pensou-se: ainda não estavam com carga viral suficiente. 

Repetiram ao 7º dia. Este resultado que chegou agora: negativos.

No entanto, o menino que comprovadamente teve, continua positivo. Os outros, incluindo o irmão que tão apanhado esteve, nada. Não se percebe. 

Quais os mecanismos de contágio? Sendo esta variante tão contagiosa, como não contagiou quem estava ao lado, em cima, a respirar o mesmo ar?

E o que significa isto: se não foram contagiados, significa isso que são imunes? Podem andar à vontade? Ou o quê?

Se alguém aí desse lado consegue explicar estes fenómenos, muito agradeceria que me explicasse.

Entretanto, do lado do meu filho, os primeiros testes também deram todos negativos (excepto o menino que está positivo). Irão repetir o teste dentro de dias mas, a manterem-se, repetir-se-á o espanto pois os irmãos também andam permanentemente em cima e agarrados uns aos outros. Aliás, os dois rapazes também dormem no mesmo quarto. 

Obviamente fico satisfeita (e descansada) mas, ao mesmo tempo, fico intrigada. 

O que eu gostava mesmo era que se pudesse concluir que, quando em circunstâncias de absoluto contacto, as pessoas não ficam infectadas é porque geneticamente têm características que as tornam imunes. Ou, então, que já tiveram covid sem o saberem e ficaram fortemente imunizados.


Covid à parte, como só por volta das sete iríamos deixar umas coisas a casa do meu filho, nomeadamente um empadão para o jantar deles, ao início da tarde resolvemos rumar ao centro da cidade, mais concretamente ao local em que Lisboa é mais Lisboa: a zona do Chiado, a zona a que sempre me apetece voltar.

Deixámos o carro na 24 de Julho e fomos a pé. Subimos a Rua do Alecrim, descemos a Garrett, fui à Fnac, fui à Bertrand, fotografei, cirandei.


Gosto muito de ver e fotografar pessoas. Tal como acontece em todas as grandes cidades, há várias Lisboas. Mas é desta Lisboa urbana, cosmopolita, aberta e inclusiva que eu mais gosto.

Quando, há mil anos, comecei a andar sozinha em Lisboa, era por aqui que eu gostava de andar: pelas livrarias, pelos alfarrabistas, entre estrangeiros. 

Acontecia, por vezes, dirigirem-se-me em inglês ou francês, convencidos que eu própria era estrangeira. E é sempre assim que aqui me sinto: estrangeira, turista, viajante de primeira viagem, deslumbrada com tudo o que vejo, integrada no apetecível desconhecido.


A luz, o movimento, as cores, a decoração das montras, o vidro das montras que funciona como espelho, as casas e as pessoas que aí se reflectem e a música de quem canta na rua -- tudo me agrada.


As minhas memórias tão presentes, o rio lá em baixo e o casario, os candeeiros, os passeios, as árvores, as vozes de quem passa conversando -- tudo me encanta. Por mil vezes que por aqui passe, sempre me encantarei.


Como tantas me acontece, apeteceu-me fazer a reportagem completa: fotografar, entrevistar quem passa -- quem são, onde vivem, o que fazem, o que pensam, o que as preocupa, o que as anima, de que gostam, o que gostariam de me contar. 

Será que um dia vou ter coragem para fazê-lo? 

Como reagiriam as pessoas se me abeirasse delas e lhes pedisse autorização para as filmar enquanto conversasse com elas...? Seriam compreensivas, achariam piada?


Poderia ter um blog assim, apenas com reportagens, apontamentos, a voz dos outros em discurso directo. Tentaria arranjar algumas perguntas que os deixassem desarmados, disponíveis para conversar. Tentaria que eles próprios me dessem ideias para novas perguntas, para novas reportagens. Pedir-lhes-ia conselhos. Ouvi-los-ia.


Este domingo fiz, pois, muitas fotografias. Agora ao escolher algumas, deixei muitas de lado. Por exemplo, tinha pensado fazer um post só com montras e, por isso, fotografei muitas. Há uma elegância muito lisboeta, muito bcbg nestas montras. Mas ficarão para outro post. 

Contudo, houve uma das que deixei de lado que não tem a ver com montras e que me deixou com pena por não a usar. Tinha visto um casal bonito, elegante, numa posição de proximidade que me pareceu sugestiva: fotografei-os pensando que iria ser uma boa fotografia.

Contudo, agora ao tê-las passado para o computador e ao vê-la fiquei com a sensação de que se trata de um casal clandestino. Há ali qualquer coisa de misterioso, de cúmplice e, ao mesmo tempo, de fugaz. Mais: olhando melhor, fico com a sensação que o homem está, na verdade, a desculpar-se ou a tentar convencer a mulher -- e que ela resiste. Fiz zoom e parece-me perceber nela alguma mágoa, algum cepticismo.

Por tudo isto, essa fotografia não está aqui. Mas, em torno dessa fotografia, eu gostaria de contar uma história.

Mostro outras. Em algumas veem-se os rostos. Como sempre, se algumas das pessoas aqui retratadas não quiser aqui estar, bastará que mo diga que logo retirarei a respectiva fotografia.


Entretanto, o nosso cão-pastor, nascido num monte do Alentejo profundo, gostou do passeio pelo Chiado. Entre tantas pessoas e carros e um movimento e ruído a que aqui ou no campo não está habituado, portou-se às mil maravilhas. 

O mesmo não posso dizer do seu dono que se queixa das minhas paragens e do muito tempo em que fico perdida dentro das livrarias. Desculpa-se com o urso cabeludo, diz que é ele que fica inquieto quando eu fico para trás ou quando entro numa loja e não reapareço de seguida. Mas não é: é ele que não tem paciência para andar devagar ou para ficar parado a olhar coisas que, segundo ele, já vi e fotografei mil vezes. 

Mas é assim mesmo: nem ele nem eu vamos mudar... E enquanto houver estrada para andar a gente vai continuar.

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Desejo-vos uma boa semana, a começar já por esta segunda-feira

Alegria. Bons ares. Bons passeios. Boa disposição. Coragem para ir em frente.