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segunda-feira, abril 04, 2022

Dia em família

 


Tenho estado aqui a ver se arranjo energia para começar a escrever. O dia foi muito bom mas começou cedo e acabou tarde e veio na sequência de uns tempos bastante atarefados. Talvez por isso, agora me sinta sem pilhas.

Festejámos mais um aniversário. Não foi hoje o dia dos anos mas foi o dia da festa da família. 

Entre caminhada matinal, compras no supermercado, ir buscar a minha mãe, almoço, preparar as coisas, ténis em grupo, lanche e brincadeiras e, no fim, ir levar a minha mãe, foi muito bom mas, quando chegámos, estávamos os dois com vontade que não viesse aí uma segunda-feira mas um domingo. A minha mãe dizia, no carro: "Vocês deviam era ir uma semana para um hotel para dormirem até tarde, para dormirem a sesta, para descansarem. Vocês não descansam.". Ao ouvi-la pensei que isso deveria acontecer no primeiro dia, dormirmos bastante, mas que, ao segundo, já não deveríamos aguentar-nos sem nada que fazer.

Os meninos estão crescidos, bonitos, amigos uns dos outros, sempre bem dispostos. Desta vez quem fez anos foi o menino que, durante algum tempo, aqui tratei por bebé e a quem, pouco depois, passei a chamar ex-bebé. Chorava que se fartava, em especial de noite, quando era bebé. Não se percebia o que se passava mas a verdade é que não deixava a mãe dormir. O pai, nessa altura, estava a trabalhar longe e ela, sozinha com dois pequenos, um dos quais a chorar toda a noite, passou um mau bocado. Quando resolvi tentar eu, até para dar lhe dar tréguas a ela, não consegui fazer nada dele. Chorava, fazia birras, não se cansava. O meu marido perguntava-me, espantado: 'Mas que é que o puto tem? Alguma coisa deve ter para berrar desta maneira...'. Mas, que se soubesse, não tinha nada a não ser o não dormir nem deixar dormir. Noites em branco. Quando se deixou disso, virou um menino tranquilo, meigo, muito boa pessoa. Como sempre foi muito dado ao desporto e a tudo o que sejam actividades físicas, acabámos por ficar surpreendidos por ser tão bom aluno e por, afinal, ser também dado a gostar de história (imagine-se...) e ser sensível, mesmo sentimental. Nunca se zanga com ninguém, nunca arranja problemas, ajuda os outros, tenta ir de encontro ao que os outros gostam e, claro, toda a gente gosta dele.

É o padrinho da pequena fera. Tanto queria um cão, tanto pediu e tanto logo se afeiçoou, mais que qualquer dos outros meninos, que só poderia ser ele o padrinho.

Nestes dias, a pequena fera anda de um para outro, todos brincam com ele e o enchem de festas e de mimo. 

Quando estão juntos, os meninos falam muito, têm sempre imenso a conversar. Dois deles, dois homónimos, os que sabem muito de futebol, tentam apanhar o outro em falso. O mais novo desses dois, o que hoje foi repórter e é um bacano bem disposto e cheio de marotice, bem tenta desarmar o primo mas o primo, o mais velho dos cinco, é enciclopédico no que se refere a jogadores, nacionalidade e clubes, treinadores e sei lá que mais. Não faço ideia onde se adquire este género de conhecimento mas a verdade é que nada o finta. 

Têm um apetite de dar gosto. Quando chegam ao pé de mim perguntam logo o que há para comer. Desta vez, dois deles perguntaram se era um lanche ajantarado. Talvez. Mas com o apetite que têm e com a energia que gastam, por muito que comam, acho que, pouco depois, estão capazes de se sentarem de novo à mesa e jantar e cear. Numa das fotografias que a minha filha mandou há bocado estão os cinco sozinhos à mesa, comendo e conversando. Uma graça. Fico feliz ao vê-los assim. Tomara que, ao longo da vida, seja qual o for o rumo que sigam, se mantenham sempre amigos. 

Hoje são amigos e quer os filhos do meu filho adoram a tia quer os dela adoram o tio. Aliás, quando cá estão, quaisquer deles perguntam logo se os tios não vêm ou quando é que os primos chegam. E o meu coração enche-se de alegria. Não há cansaço que se sobreponha ao contentamento por vê-los juntos e amigos uns dos outros.

A minha mãe gosta de estar no meio da confusão, admira-se por vê-los cada vez maiores. Diverte-se com a voz aguda da bisneta e com o seu sentido de organização. Ainda hoje, ao entrar no carro da tia começou logo a perguntar que bolas eram aquelas no chão, três bolas de futebol!, e a querer começar a fazer arrumações. E espanta-se com o vocabulário e a desenvoltura do mais novo, que sabe tudo. Ainda hoje, quis pôr uma raquete nas costas, presa entre o corpo e a tshirt. Dizia que era como se fosse uma espada. Depois puxava-a e apontava-a. E eu perguntei-lhe: 'Sabes o que se diz, nessa situação? En garde'. E ele, como que corrigindo-me, pronunciando o r arranhado, mesmo à francesa: 'En garrrde. Como na esgrima'. Não sei porquê, hoje esteve parte da tarde, depois de lanchar, de máscara. Nem sei que máscara é aquela. Trouxe-a lá de baixo, quando o aniversariante esteve com o tio, o seu grande amigo, a jogar ping pong. Se calhar é uma máscara de paintball.

Já sei que amanhã, quando perguntar à minha mãe se dormiu bem, me vai dizer ora!, que nem uma pedra, que adormeceu mal se sentou no sofá ou que caiu na cama e que dormiu muitas horas de seguida. O movimento acelerado e ruidoso destas tardes em grupo são para ela uma verdadeira terapia de choque em termos de sono e de boa disposição.

A vida é uma caminhada, na verdade. E que a façamos juntos, em harmonia, em paz -- isso é o que é preciso.

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Desejo-vos uma boa semana a começar já por esta segunda-feira
Saúde. Afecto. Paz.

quinta-feira, julho 11, 2019

Chris Kläfford para A Kullervo -- Imagine


Gosto de ser surpreendida e, no outro dia, o Leitor A Kullervo surpreendeu-me com um comentário bem interessante. E hoje, ao ver a interpretação do Imagine que abaixo partilho convosco, não pude deixar de pensar nele. 

Não tenho conhecimentos que me permitam fazer comparações, se este cover é melhor que este, aquele ou o outro. Sei apenas que gosto. Mais do que interpretar o Imagine, Chris Kläfford reinterpreta-o e, em meu entender, o Imagine renasce.

A coisa deu-se há menos de um dia e já conta com mais de três milhões de visualizações.



segunda-feira, novembro 16, 2015

Imaginemos que o mundo não é um lugar perigoso. E tentemos que o não seja - apesar de o ser cada vez mais.


Enquanto escrevo, vejo na televisão que Ismael Omar Mostefai -- francês, de 29 anos, um dos terroristas que perpetrou, a eito e com a maior das calmas, uma carnificina, filho de pai argelino e mãe portuguesa, com quatro irmãos, empregado numa padaria -- era uma pessoa recatada, alegre, com mulher e filha, e que ninguém alguma vez desconfiou de algum indício de alguma coisa de estranho. 


Há uns 4 ou 5 anos, sem que se tenha, então, percebido porquê, supostamente terá optado por radicalizar a sua atitude perante a vida. Terá estado na Síria há um ou dois anos.

E é tudo isto que inquieta: a frieza que, nestes casos, se abate sobre algumas pessoas (que até então todos julgavam ser pessoas afáveis e amistosas) tornando-as despegadas da vida, com vontade de destruir e sem medo de ser, no acto, destruídas. Porque acontece isto? A infância ou a adolescência passadas num meio pobre, talvez a experiência de algum racismo, poderão explicar que o coração se feche desta maneira?

Ou não é isto? É outra coisa? Revolta, desejo de vingança? São pessoas facilmente manipuláveis? Estão a ser instrumentalizadas por outros mais fanáticos que eles?

Agora uma coisa é certa e é importante que nos fixemos nisto: Ismael não era um refugiado sírio -- era um francês enquadrado na sociedade. 

Muito difícil,pois, deve ser controlar estas situações, evitar as mortandades que um qualquer jovem possa entender levar a cabo. Mas, apesar do medo*, a única resposta possível é a união contra o terror, é a firmeza na defesa da democracia e da liberdade. E da inclusão.

Imaginemos que o mundo é um lugar onde é bom viver. E façamos por isso, façamo-lo com todas as nossas forças, sem reacções imediatistas, sem futilidades, sem emoções estéreis e efémeras.
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David Martello estava a ver o jogo França-Alemanha no pub Konstanz na Alemanha quando soube dos atentados. Resolveu, de imediato, fazer qualquer coisa com algum simbolismo. Conseguiu transporte para o seu piano, cerca de 650 km, e fez os últimos metros puxando-o com uma bicicleta até à rua Richard Lenoir, a dez metros do Bataclan, o teatro que na noite de sexta-feira foi palco de um dos mais sangrentos ataques terroristas em Paris. De seguida, sentou-se e começou a tocar Imagine de John Lennon. Quem por ali andava, acercou-se e ficou a ouvi-lo.



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Como forma de homenagear as vítimas dos atentados de Novembro, sexta feira 13, a orquestra do Metropolitan Opera de New York, dirigida por Placido Domingo, inesperadamente, tocou neste sábado "La Marseillaise".



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Por todo o lado, as capas de jornais e revistas mostram ou o pânico ou a vontade de lhe reagir.



Do mesmo modo, as ruas enchem-se de orações e solidariedade.






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E, por todo o mundo, os principais monumentos ou edifícios emblemáticos reflectiram as luzes francesas. Em Portugal também, claro.

Teatro Rivoli no Porto

Torre de Belém em Lisboa
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Sobre o medo que nos tolhe perante alertas de ameaças terroristas, já aqui o contei.

Por razões inadiáveis estive por duas vezes em Paris em alturas de ameaças de ataques terroristas.

Sei bem o medo que sentia quando tinha que estar em lugares que pensava poderem ser alvos preferenciais ou a inquietação que sentia quando via grupos de polícias, movimentações estranhas.

Estava também em Barcelona num dia em que houve um ataque bombista, com as ruas atravessadas por carros de polícia, com a população ansiosa, com informação difusa sobre por onde se podia circular. Imagino o que será viver debaixo do medo todos os dias e não apenas quando se está na condição de turista, mesmo que turista acidental.

Mas bem pior, muito, muito pior, será viver debaixo de constantes ataques de morteiros, de mísseis, com as casas destruídas, com as ruas desfeitas, com a família desfeita. Sem tecto, sem raízes, sem esperança num amanhã de paz.

Portanto, nunca confundamos as causas com os efeitos, os culpados com as vítimas. E saibamos ser firmes todos os dias: não apenas nos dias de grande comoção colectiva.

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Raid aérien français sur Raqqah en Syrie



Ce soir à 19H50 et 20H25 (heure française), une dizaine d’aéronefs français de la force Chammal ont frappé et détruit, lors d’un raid, un centre de commandement et un camp d’entraînement de Daech situés à Raqqah en Syrie.


[Chaîne officielle de l'état-major des armées]


Acabo, entretanto, de ouvir que França atacou, neste domingo, alvos do ISIS na Síria.
130 pessoas terão já morrido. Quid pro quo?
Hollande avisou: a França está em guerra.

Dez caças franceses lançaram esta noite 20 bombas sobre Raqqa, no Norte da Síria, que o Estado Islâmico tornou na sua capital, anunciou o Ministério da Defesa de Paris, no que está a ser visto como uma resposta aos atentados de sexta-feira na capital francesa, que o Presidente François Hollande tinha classificado como “um acto de guerra, cometido por um exército terrorista.”
E eu não sei se, com esta ofensiva, o mundo fica mais ou menos perigoso. Mas tomara que menos.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa semana, a começar já por esta segunda-feira.

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segunda-feira, setembro 29, 2014

António Costa ganhou as primárias do PS de forma inequívoca e vai avançar como um bulldozer infalível sobre o governo de Passos Coelho. O PS está em festa. Marcelo Rebelo de Sousa, pela parte do PSD, face aos resultados, já começou a despedir ministros. E lembrou ao vice-Portas que é suposto estar presente na coligação. Na actual.


António Costa, o senhor que se segue. Finalmente!


Resultados finais: 

68% para Costa
32% para o Seguro

(Numas eleições enormemente participadas:
creio que votaram umas 170 a 180 mil pessoas)



Não vou agora pôr-me aqui armada em isenta e a dizer coisas de circunstância. Sabidas que são as minhas preferências, claro que estou muito contente. António Costa ganhou as primárias para escolha de candidato a primeiro-ministro por parte do PS de forma estrondosa, esmagadora.



Tenho que confessar que foi com emoção, verdadeira emoção, que vi aquela massa de gente em festa, alegre, pronta para a luta.

O PS andava sombrio, atrás de um líder no qual não se revia. Hoje a energia retida soltou-se e soltou-se em festa, com muita alegria.

Quando Costa pegou no cravo que tinha na lapela e o devolveu aos apoiantes, dizendo que o cravo era deles, sorri. Gosto de gente inteligente e com sentido de humor. À bon entendeur, salut! 


António José Seguro,
o conhecido biquinho mesmo na hora do adeus.
Bye, bye, Tozé,

António José Seguro saíu de fininho nesta noite em que (finalmente!) percebeu que não era querido e ter-se-ia poupado a este desgosto se tivesse sabido ler os sinais. Demitiu-se e abandonou a sede do PS no Rato. 


Era mais do que expectável, pena que não o tivesse percebido antes. Ainda este domingo, ao votar, disse, com ar entusiasmado, que estava muito, muito, muito confiante. Quase me deu pena, palavra.

Querendo ganhar tempo, pensando que conseguiria minar o aparelho, sem o querer acabou por estender uma passadeira vermelha a António Costa. 

O PS e os seus simpatizantes uniram-se em torno de alguém que tem carisma e espírito de liderança, que tem demonstrado uma personalidade forte e um bom carácter, que é culto e boa pessoa, e isso é aquilo de que os líderes devem ser feitos quando almejam governar e conduzir um país. A isso juntam-se os ideais que professa, os ideais democráticos, de liberdade, de solidariedade e desenvolvimento. Ou seja, tem estofo para ser um bom governante. Assim tenha sorte e assim saiba dar corpo ao que se espera dele.

Não sou seguidora de religiões pelo que muito menos tenho arroubos místicos perante uma pessoa tão terrena como eu. António Costa não deve ser visto como um messias para que não venham depois os desapontamentos pueris. Mas acredito que António Costa tem uma força e uma consistência que corporiza bem o espírito de mobilização que pode fazer levantar um país.

Não consigo conformar-me com a actual governação, levada a cabo por alguém que não me merece consideração. A anterior experiência profissional de Passos Coelho jamais poderia dar-lhe preparação para voos mais largos. Acresce a isso o pensamento errático, avulso e inconsistente que se lhe conhece, e uma maneira de ser fria, insensível, desagradável. Não devia saber gerir uma empresa com meia dúzia de pessoas, quanto mais um país.

O País tem sido envergonhado, vergado, sacrificado, seviciado às mãos desta troupe que nos desgoverna. O País quer, obviamente, ver-se livre de Passos Coelho e da sua estúpida política.


António Costa tem agora a responsabilidade de saber mobilizar o país tal como mobilizou os militantes e simpatizantes do PS.


O abraço de Carlos do Carmo a António Costa


Gostei de ver aquela sala enorme em festa, gostei de ver aquela alegria, os sorrisos abertos, a esperança que começa a desenhar-se.


Maria Antónia Palla, a emocionada e feliz mãe de António Costa


Gostei também de ver António Costa ir dar um beijo e receber um apertado apertado da sua mãe, Maria Antónia Palla, antes de subir ao palco para a festa.
Aos jornalistas que queriam saber o que desejava para o filho, Maria Antónia Palla respondeu que o que deseja é saúde e que seja feliz e que consiga concretizar os seus projectos. Também eu.

Gostei também de sentir o toque pessoal de António Costa ao agradecer o carinho da mulher e dos filhos sem o qual não conseguiria prosseguir este percurso. A família, sorridente, ar orgulhoso, retribuíu a emoção com alegria.


A mulher de António Costa, Fernanda Tadeu, e os filhos, Pedro e Catarina, felizes.



Uma palavra para a reacção de Marcelo Rebelo de Sousa que estava a acompanhar isto na TVI, no seu comentário semanal com Judite Sousa. 


A propósito da barraquinha que aí está armada relativa à Tecnoforma e à ONG,  parecendo que estava a desculpar Passos Coelho por ser desleixado, não guardando papéis, acabou por dizer que ele se tinha chamuscado com isto e recomendou-lhe que mostre rapidamente as contas relativas ao que recebeu e se deixe de mas, mas. 


E, a seguir, face aos resultados nas eleições do PS, largou os paninhos quentes e confessou que agora a oposição, com António Costa, vai ser a doer. Disse que conhece, e bem, António Costa, que foi seu aluno, um aluno brilhante e que, como adversário é temível.  E que Passos Coelho o melhor que tem a fazer é remodelar já o governo, deixando cair de imediato os dois ministros que estão a causar mais embaraços, a da Justiça (que não vai ser possível andar com ela ao colo por mais um ano) e o Crato (que é mais sonso e escorregadio que Paula Teixeira da Cruz mas que também não dá) e também Poiares Maduro que não é capaz de fazer qualquer coordenação política, quanto mais conduzir as coisas até às eleições. 


E, de caminho, aproveitou para dar uma canelada a Portas, dizendo que está fora quatro em cada sete dias e que qualquer dia Passos Coelho tem que se disfarçar com óculos escuros e ir fazer-lhe esperas para o aeroporto, para o lembrar de que faz parte de um governo de coligação.



Para esses mesmos Passos Coelho e Paulo Portas, António Costa deixou o seu primeiro grito de guerra: este é o primeiro dia dos últimos dias do actual governo.


Assim seja.


António Costa tem consigo todo o partido e todos os simpatizantes.
O País pode contar com António Costa: assim ele o disse e assim eu acredito




Rodeado por abraços apertados, com muito afecto, num contacto estreito e muito humanizado, António Costa saíu em glória da festa e, perguntando-lhe a jornalista o que ia agora fazer, com aquele seu sorriso aberto, disse: Agora vou beber uma imperial.


Bem a merece. Saúde!

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Tenho estado a ouvir a miríade de comentadores que pousaram nos balcões da grande pastelaria em que se transformou a televisão. Há sortido para todos os gostos e opiniões novas, velhas, requentadas, mascaradas, acrobáticas. Um dos factos desta noite que mais motivou e, até, comoveu os comentadores foi a ausência de uma palavrinha por parte de Costa ao Seguro. As pessoas gostam de ver quem está por cima a dar uma esmolinha aos vencidos, ou gostam de assistir a uma farpazita espetada com 'grandeza' mas que se sabe que vai doer como uma humilhação. Estavam à espera disso, daria pano para mangas.

Como Costa omitiu a dita palavrinha, aqui d'el rei.

Pois cá em casa a opinião é diversa: Costa não foi hipócrita. Andou a ser apodado de traidor e ganancioso durante meses, foi insultado publicamente, foi alvo de toda a espécie de ofensas por parte de Seguro. É, pois, mais do que natural que esteja maçado. O que quer que dissesse, não lhe saíria do coração.

Por isso, ou se esqueceu ou se fez esquecido e nós, cá em casa, compreendemo-lo. Mas Costa é um homem com um bom coração e, por isso, logo, logo, vai ser capaz de encontrar o tom e a oportunidade para dar a mão a Seguro.


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Tenho pendente o assunto do Menezes e da D. Cristina Ferreira mas fica para amanhã ou depois. Hoje fico-me por aqui.

Mas, para os que não alinham pelo mesmo diapasão que eu e que não gostam de António Costa nem acreditam que, com ele, chega um sopro de esperança ao País, e para não darem a visita ao Um Jeito Manso por perdida, aqui deixo: 

Imagine - John Lennon - Playing For Change


(Um projecto invulgar e que se traduz em coisas muito boas de ver e ouvir)


A dream you dream alone is only a dream
A dream you dream together is a reality 

John Lennon



The Playing For Change crew began work on a new Song Around the World, John Lennon's "Imagine." It has been an amazing year of production, taking the crew from the favelas of Brazil to the shrines of southern India, from villages in Nepal to the glittering urban landscape of Tokyo and New York, and beyond.

The campaign seeks to advance John Lennon's vision of peace by engaging artists and audiences to contribute to music education programs worldwide. Proceeds raised will help build music schools, support teachers and music programs, purchase instruments, and connect schools for cross-cultural learning and conflict resolution across borders. 


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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela semana a começar já por esta segunda-feira.


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quinta-feira, janeiro 02, 2014

O meu réveillon e o meu 1º de Janeiro de 2014


Bom, para coisas maçadoras, pífias ou fatelas, é favor descerem até aos dois posts seguintes. Não se zanguem porque não tenho culpa, quase me obrigaram a escrever o que escrevi.

Mas reconheço: não é maneira de começar um ano e, portanto, volto aos primeiros minutos e horas do primeiro dia de 2014, ano do Cavalo, animal que simboliza a liberdade, a paixão e a liderança.

*

Give peace a chance 

(todos os dias - porque Dia da Paz devem ser todos os dias e não apenas o 1º dia do ano)



*

Fico sempre hesitante entre começar o ano com passas ou com uvas frescas. Tenho ideia que a tradição fala em passas mas, tenho cá para mim que, mais auspicioso do que começar o ano a comer coisas secas é, começar a comê-las frescas. 

Por isso, por via das dúvidas, arranjei para cada um uma tacinha com doze bagos de uvas frescas e um embrulhinho de prata com passas. Quando estava a escolher os bagos de uva, pela mesma lógica, achei que o que deve dar mesmo sorte é serem uns big bagos. 

Não ligo patavina a superstições, a sério, mas acho graça a algumas parvoíces; e estas coisas da passagem de ano são dessas. Não é por achar que, por si, isso dê sorte: acho que é mais a intenção, a vontade de que dê certo, o começar o ano a fazer tudo o que for preciso (mesmo que sejam coisas parvas) para que tudo dê certo.

Ora, com a cena de bater as tampas dos tachos à janela para mandar à vida o ano velho (cá em casa fui só eu, mas, ao mesmo tempo, a rua era percorrida por exércitos de gente animada, ruidosa, todos armados de tampas, tudo a afugentar o malfadado 2013), com o ter a máquina fotográfica a postos para o fogo de artifício, com o estar em cima de uma cadeira (esta não sei explicar a lógica mas sigo-a na mesma) e mais ter dinheiro na mão, e mais a agarrar no copo para brindar - e porque não fui a única distraída - só começámos a comer as uvas já só faltavam uns 8 ou 9 segundos para a meia noite.

Vai daí, estão a ver: teve que ser à pressa para ver se recuperava o atraso. Ora, a correr, conseguem comer-se 12 passas. Mas 12 bagos quase do tamanho de ameixas...? Senhores...! Já me escorria o sumo por todo o lado. Quem é atinado e leva as coisas a sério, concentra-se na tarefa e leva-a facilmente a bom porto. Agora gente estabanada como eu...? Só me dava vontade de rir. A boca a transbordar de uvas, o sumo a escorrer... Se abria a boca para rir à gargalhada, saíam-me as uvas disparadas. Tive que tentar mantê-las dentro da boca com a ajuda da mão, e chorava, chorava a rir. De pé em cima da cadeira, quase me dobrava de tanto rir, tão ridícula percebia que era a minha figura. Aliás, todos nos ríamos, uns mais exuberantemente, outros mais reservadamente.

Mas pronto. E fazer o brinde assim perdida de riso e de boca cheia...? Não vos digo nada.

Devia esperar mas, se o fizesse, perdia o momento. O brinde deve ser feito no raiar do ano novo, não é? Por isso, a fazer um esforço danado para, com o riso, não espirrar a bebida por todo o lado, com as lágrimas da risota a escorrer, lá consegui, a custo, fazer o brinde. E lá o fiz e lá desejei para mim, para os meus e para todos que 2014 seja um belo ano. E será.



A room with a view - ou o céu da minha janela aos primeiros instantes de 2014


O fogo de artifício foi lindo como sempre. As duas margens do Tejo, Lisboa e Almada, unidas e em festa. Os céus apoteóticos. Adoro ver o fogo de artifício de perto (mas nunca fui capaz de me pôr mesmo por baixo, tenho medo, receio sempre que uma cana a arder me caísse em cima, sei lá, não deve cair mas sou um bocado medrosa para estas coisas).

Depois o dia foi outra festa. 

A casa cheia de brincadeiras, alegrias -  virada do avesso, mas fazer o quê? 

O meu marido quer que se imponha alguma disciplina para não mexerem em tudo. Mas, quando é desafiado a intervir, nunca é bem sucedido.

Como é tal possível quando uma tem 3 anos, outro 2 e outro 1? O mais crescidinho (5) ainda se entretém de vez em quando com coisas mais compenetradas mas a verdade é que, entre os quatro, se gera uma tal dinâmica que, a menos que se prendam, não se consegue muito mais do que tentar que não se magoem.

Hoje uma das brincadeiras foi com livros. 

Trepavam por um sofá para irem para cima de uma estante baixa. E um dizia que era o rei, ela a rainha, o outro o príncipe e o mais pequeno recebeu o título de pajem. E cada um ia buscar um livro para a coisa ficar mais credível. Na cabeça deles, os reis e rainhas são gente de muita leitura. 

Tirei-lhes umas fotografias engraçadíssimas, haviam de ver. Mas estão de frente e, claro, não os quero mostrar aqui. 

Mas mostro alguns momentos para vocês perceberem o ambiente de brincadeira.

O bebé é que ainda não capta bem as subtilezas das brincadeiras dos outros e alinha só pela paródia de os imitar. 

Mas, nos intervalos, desenfia-se e brinca com o que apanha, fazendo a festa a solo. 

Na véspera, desencantou um chapéu meu e andava a pô-lo pela cabeça abaixo e a tirá-lo, rindo à gargalhada que dava gosto ouvi-lo.

E, portanto, foram dias felizes. 

E comidinhas boas - e o que eu gosto de cozinhar para ter uma mesa cheia de coisas que os outros apreciem. 

Desta vez a ementa foi na base do brunch. 

Salmão fumado, tostas, salada de tomate com mozzarella, patés, gambas cozidas, salada de ovas de bacalhau, tortilha à minha moda (ovos mexidos misturados com esmagada de batata e salsa, sobre cama de cebola estrugida), terrina de enchidos (cama de pão tostado, camada de maçã às rodelas e, por cima, farinheira de porco preto e alheira de caça, tudo levado ao forno para os enchidos ficarem estaladiços e pingarem sobre a cama) e, como quente, arroz rico de carnes e legumes levado ao forno. Doces variados e vinho branco bem fresco.

E, portanto, com um começo de ano tão feliz, acho que tenho mesmo razão para estar optimista. Mesmo que seja contra ventos e marés, acho que me aguentarei esperançada no futuro dos meus amores e dos meus amorzinhos, e, portanto, também no futuro do meu País. As coisas irão ficar melhores, todos juntos conseguiremos fazer um futuro melhor. Tem que ser.


***

Relembro que abaixo há mais. Num dos posts falo de como um Leitor acha o Um Jeito Manso um blogue assim-assim, com o título mais pífio e com o sub-título mais fatela (e está no direito de achar isso, ora essa) e, depois, falo no discurso de Cavaco Silva dirigido a um certo coelho que, cá para mim e do que vi, estava escondido atrás da cortina.

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Entretanto, permitam ainda que vos convide a visitarem o Ginjal e Lisboa onde hoje há teatro, mais concretamente Gil Vicente. E só vos posso dizer que isto anda tudo ligado.

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E, assim sendo, por agora por aqui me fico. Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela quinta e feira e, uma vez mais, porque nunca é demais, um maravilhoso 2014.