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domingo, fevereiro 22, 2026

Um humor inconveniente

 

Se, há coisa de seis anos, assisti aos Golden Globes 2020 provavelmente não percebi parte das piadas que Ricky Gervais disse. Sei que foi considerado inconveniente, sei que deixou muitos dos presentes incomodados. Disso lembro-me. E tenho ideia de que ele, antes desse dia, já tinha decidido que seria a sua última vez pelo que podia partir a louça toda. E de que se especulava se teria sido mesmo sua decisão ou se não voltou a ser convidado porque o seu nível de corrosão já estava a causar alergias. Mas, sinceramente, à luz do que agora sei, vejo que na altura, se assisti pela televisão às suas piadas, uma parte passou-me certamente ao lado. E, agora que revi as imagens que abaixo partilho, percebo que não foi apenas uma dessintonia entre o humor britânico e o americano: foi mesmo que as piadas foram, na verdade, valentes ferroadas.

Em 2020 eu nunca tinha ouvido falar em Epstein. 

Havia a bronca do Harvey Weinstein e de tudo o que se seguiu, #MeToo incluído, havia a barracada do Woody Allen se apaixonar pela filha adoptiva e a fúria do Ronan Farrow contra o padrasto por supostamente abusar da irmã, Dylan. Mas, em particular esta história, era daquelas coisas, parecia mais um melodrama desconchavado, custava-me a acreditar que o simpático Woody Allen fosse o pervertido que os enteados e a ex-mulher, Mia Farrow, pintavam. Não sei. Acho que naquele ano eu ainda acreditava que a maioria das pessoas eram boas pessoas e tudo o que me parecia excessivo ia para o compartimento das teorias da conspiração que eu renegava como o diabo renega a cruz.

Claro que gostava imenso de Ricky Gervais. Gosto do humor britânico. É um humor em que encaixo bem, parece que é um humor que nunca acho forçado, daquele humor básico ou boçal, infantilóide, feito para pessoas parvas. Pelo contrário, tem aquela dose de irreverência, quase inconveniência mas sem ser ordinário, revela sempre um apurado sentido de observação, é desconcertante, vem com aquele toque de inesperado que me faz cócegas boas, que me faz rir e ter vontade de mais. Mas, lá está, em 2020, se assisti, e se calhar assisti, é certo que parte do conteúdo me tenha passado ao lado.

Mas, agora que sei o pouco que sei (pouco, muito pouco), espanto-me com as flechadas que ele disparou, certeiras, e percebo o ar algo atónito ou, por vezes, desconfortável de algumas pessoas.

Ora vejam.

A piada sobre Epstein que deixou Hollywood sem palavras | Ricky Gervais nos Globos de Ouro de 2020

quinta-feira, novembro 03, 2016

A vantagem em escolher um bom médico para fazer um check up de rotina --
neste caso, um post para homens


Vou já dizendo: não gosto nem um bocadinho de fazer exames médicos. Dizem que quando muito se procura, acaba por se achar. Por isso, vou sempre com medo que achem.

Desde a primeira vez que fui fazer uma mamografia, eco mamária e eco pélvica -- na desportiva, apenas porque toda a gente ia e eu nunca tinha ido e toda a gente me contava mil casos para provar que ainda bem que tinham ido -- e, sem que estivesse minimamente preparada para isso, vi o médico a olhar com atenção, a fazer perguntas suspeitas e a mostrar-me umas bolinhas que eu nunca tinha suspeitado que tinha, que passei a temer qualquer má notícia.

O médico falava comigo e eu nem respondia, estava em estado de estupor catatónico. Até que o médico me disse :'eu disse quisto, não disse tumor e grande parte das mulheres tem quistos e isso não tem mal nenhum'. Mas assustei-me. Caraças que me assustei mesmo. Depois disso, já apanhei alguns outros sustos. Já aqui o contei. Uma vez uma bolinha cresceu, qualquer coisa parecia suspeita, nem sei. Biópsia. Fiquei sem um pingo de sangue. No diado exame, estava em pânico. Doeu, foi difícil, estava enervada. Felizmente nada de mais, talvez um hematoma, uma pancada qualquer. Diminuíu.

Outra vez, uma inflamação qualquer. Não se percebia onde. Exames, medo. Tretas que desaparecem, felizmente. Mas não gosto, não gosto mesmo. Todos os anos, pela empresa, check up. Aí é coisa mais ligeira mas também não gosto.

Um colega meu uma vez andava enervado. Perguntei o que se passava. PSA muito elevada. Exames. Muito medo. Afinal era apenas uma inflamação, nada de mais. O ano passado outro também numa pilha. Pensei logo: PSA. Perguntei: algum problema? Confirmou. Tranquilizei-o, pode não ser nada, pode ser só inflamação. Ele aflito. Dias depois, todo contente: nada de mal.

Quantos sustos uma pessoa pode apanhar e, felizmente, não ser nada de mal.

Mas há casos em que, felizmente, se fez o exame a tempo.

Importante, também, é dar-se com um bom médico.

Veja-se o exemplo abaixo. Qualquer homem adoraria ter um médico de família como o Dr. Ben mas, hélas, não se pode ter tudo. Doutores Bens não há muitos. Digo eu.


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