Neste mundo de marias-vão-com-as-outras, como conseguimos preservar intacta a nossa vontade? Como conseguimos afirmar a nossa personalidade sem que sejamos acusados de pedantes ou de criaturas difíceis?
Nestes tempos de mediocridade e indiferença, interrogo-me frequentemente sobre isto.
Lembrei-me então de uma experiência célebre: a experiência do elevador da série de experimentações levadas a cabo por Solomon Asch.
Asch combinava com um grupo de pessoas que todos iriam dar a mesma resposta mas uma resposta obviamente errada a uma questão simples. Depois, colocava no meio uma pessoa que não conhecia essa combinação. O indivíduo, apesar de ver qual a resposta certa, vendo todos os outros a darem uma resposta errada, acabava por responder também erradamente.
A experiência do elevador era a seguinte. Um grupo de homens, com aspecto de utilizadores acidentais, entrava num elevador e comportava-se parvamente: todos de costas para a porta, todos virados para um dos lados, todos a tirarem o chapéu, etc. E, no meio, entrava um pobre coitado, utente normal, que não sabia do que ali se passava.
Vejam o seu comportamento e vejam se não é o que acontece aos papagaios, carneiros, bois mansos, etc, que por aí andam. Dá vontade de rir? A mim não. Dá-me é vontade de chorar. Somos assim. Pelo menos a maioria de nós, é. E quem o não for, volta e meia sentir-se-á muito isolado. Podem crer.
