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sábado, setembro 19, 2026

Já vos contei que também gosto muito dela, não contei?

 

Ainda no outro dia falei da Lucy Darling, que me faz ficar sempre a ver o que dali sai, e hoje volto a uma que ainda me agrada mais. Comecei por vê-la na pele de Philomena Cunk, a fazer entrevistas do caraças que deixam as sumidades entrevistadas sem saberem como rreagir. E a graça é que, segundo ela, há muita gente que nunca percebeu que era um personagem, criticavam-na por ser impreparada e ignorante, diziam que a BBC estava a bater no fundo ao ter entrevistadoras tão incapazes como ela.

Perguntou-lhe um dia o Stephen Colbert se tanta ignorância era fruto de muita preparação para garantir que as perguntas eram mesmo parvas. Ela diz que não, que é mesmo assim ignorante. 'E aprendia alguma coisa, naquelas entrevistas?'. 'Não, nada, saía dali e já tudo se tinha varrido'. 

Podem achar que tudo isto é absurdo. Se calhar é. Mas eu tenho este meu lado que se identifica com o surrealismo e com o absurdo.

Mas Diane Morgan não é apenas Philomena Cunk, ela é ela e é sempre engraçada. Sempre ouvi dizer que o humor é uma forma superior de inteligência e Diane Morgan ilustra-o bem. Tudo nema é inteligência. Não tem que ter roteiro, as tiradas que desconcertam saem-lhe com naturalidade. Se eu pudesse, era muito como ela. Só não sou porque não tenho a inteligência e o talento dela: é também porque não tenho o descaramento. Muita gente não percebe a ironia  e o humor e poderiam achar que eu estava a ser inconveniente, imprópria para frequentar a sociedade. E poderia gerar-se ali um momento desconfortável. E eu sou muito educada, não gosto de causar desconforto. Por isso mesmo, para além de jeitosa, sou mansa. Mansinha. Como todos vocês podem atestar, estou certa.

Mas gostava de ser como ela.

E, perante a perspectiva de o Chega estar a subir progressivamente nas intenções de voto e de já haver sondagens que apontam o Ventura como primeiro-ministro, ou escavo aqui um buraco no jardim e enfio lá a cabeça e espeo que o planeta volte a girar no sentido correcto, ou me ponho a ver vídeos de humor. Se vocês aí desse lado quiserem aconselhar outra alternativa, sou toda ouvidos.

Diane Morgan é engraçada mesmo sem fazer nada para isso!


Desejo-vos um bom sábado

segunda-feira, setembro 14, 2026

Lucy Darling

 

Nunca fui a um espectáculo de stand up nem sequer costumo ver na televisão. Não sei porquê. Aliás, talvez saiba. Talvez seja porque receie não achar graça e ficar constrangedor ficar séria quando seria suposto rir. Ou talvez porque tenha a imprressão que o humor que me agrada seja o que nasce espontaneamente e não o que é encenado, preparado, interpretado. Não sei. A verdade é que eu, que gosto tanto de rir, não consigo. Por exemplo, pelava-me pelas séries inglesas de humor. Nunca mais vi nenhuma, acho que a televisão já não as passa. Isso eu deliciava-me. Mas espectáculos ao vivo com uma pessoa a desfiar piadas ou histórias palermas de auto depreciação ou coisas do género, para esse peditório não dou.

Mas no outro dia apareceu-me no Instagram uma pândega a que achei um piadão. Chama-se Carisa Hendrix. O que me apareceu foi a sua personagem Lucy Darling e eu achei-a inteligente, rápida na argúcia, com um charme que envolve as piadas porventura mais incisivas. Do que vi, não leva nada preparado. É na interacção com o público que as piadas lhe surgem. Mas não são piadas no sentido de contar anedotas. Não, o que é engraçado é a forma como interage e se diverte com as pessoas. É um risco, o que ela corre, mas, do que tenho visto (e é pouco, claro), sai-se sempre bem. 

Depois vi uma entrevista com ela e ainda achei mais piada pois não é nada como a sua personagem, nada, nada. Mas parece ser igualmente genuína, e parece também ser simpática, boa pessoa. Claro que impressões assim a partir de pouca coisa podem ser precipitadas mas, lá está, a intuição é um precioso auxiliar, um short cut da inteligência que devemos seguir.

Provavelmente quem costuma assistir aos infinitos espectáculos de humor que enchem salas, casinos e coliseus em Portugal olha para a Lucy Darling e diz que o mesmo que ela fazem esta, aquela e aqueloutra. Talvez. De resto, acho graça vendo assim à distância. 

Na realidade, se ela viesse cá, não sei se teria coragem de ir a uma cena da Carisa. Acho que estaria numa pilha de nervos com receio que ela viesse meter-se comigo. Provavelmente depois riria de gosto, mas só o receio de que ela dissesse alguma coisa que me deixasse atrapalhada me tolheria de todo. Não, acho que não iria. É como ser hipnotisada ou embebedar-me ou drogar-me: não quero nem experimentar, não quero perder o controlo dos meus actos, da situação. Numa coisa assim, uma pessoa também perde o controlo da situação, fica à mercê das piadas que ela lhe apetecer fazer. Do que tenho visto não é cruel, maldoso, sequer mazinha. Mas não sei, nunca fiando...

Mas ao passo que não senti, até agora, curiosidade em procurar no youtube se há vídeos da Inês Aires Pereira, ou da Pipoca ou da Beatriz Gosta ou do Eduardo Madeira ou do Gel ou de todos os imensos humoristas que realizam espectáculos por todo o País, hoje senti vontade de partilhar convosco a graça desta bem torneada Lucy Darling. Neste vídeo, ela é também a prestidigitadora que, ao que percebo, também é, mas mantendo a interacção com as pessoas do público.

Lucy Darling realiza truque de magia no programa Masters of Illusion

 Lucy Darling - Com o Público ao Vivo

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Desejo-vos uma boa semana a começar já por esta segunda-feira

sábado, agosto 29, 2026

Breves e levezinhas
-- e poderia estar a referir-me à Sandra Felgueiras e à Felícia Cabrita, de quem aqui falo, mas não, até porque elas têm efeito de longa duração e são da pesada

 

Continuo na onda levezinha e acho que não faz mal, o melhor é aproveitar antes que a silly season dê de frosques. 

Primeira

Quando o cabelo atinge este tamanho, o normal é começar a sentir a tentação de ter a tesoura na mão e lá vai disto. Mas desta vez estou a vacilar. Como tenho farta cabeleira, que me aquece não apenas a cabeça como as própias entranhas, isto quando o tempo aquece, bem entendido, gosto de a apanhar. 

No outro dia, não sei se contei, usei a app que nos diz qual o corte de cabelo e o penteado que mais nos favorece. E deu-me, creio que em primeiro lugar, o rabo de cavalo à Brigitte Bardot, aquele rabo de cavalo meio despenteado com franja também despenteada. E eu gosto, de facto, de me ver assim. Andar bem penteada nunca foi a minha praia. Já não vou à cabeleireira há imenso tempo, creio que, no mínimo, há uns dois anos, e, de cada vez que vou, a primeira coisa que faço quando de lá saio é despentear-me. Continuando: como alternativa ao rabo de cavalo a la BB, o corte pela nuca, também meio despenteado, de que também gosto. Só que, se o corto, depois já não posso apanhá-lo. E, portanto, não apenas estou a refrear a tentação de me atirar a ele à tesourada como estou a protelar a resolução do dilema, sendo certo que, ao protelar, estou, na prática, a deixar-me ficar com ele mais para o grande. Mas o meu marido ontem, quando me viu com ele solto, perguntou-me: 'Não está já um bocado anos 80?'. Tenho a certeza que disse anos 80 como poderia ter dito outra coisa qualquer. Mas como nunca se pronuncia e, desta vez se pronunciou, fiquei a pensar que alguma coisa no cabelo lhe pareceu pouco canónica e, portanto, ou ando com ele sempre apanhado ou me decido a cortá-lo. 

Segunda

Vi, creio que na CNN, um excerto de uma peça sobre o Neves, o grande Neves, essa grande sumidade que desperta amores e paixões junto de tão boa gente. Como convidadas, creio que do André Carvalho Ramos, a Sandra Felgueiras e a Felícia Cabrita. E pensei que só pode ter sido maldade porem uma ao pé da outra. A Sandra toda articulada e bem falante, a Felícia, a trapalhona do costume, péssima dicção, sem conseguir dizer uma frase com seguimento. 

Mas uma coisa é certa: danadas para a brincadeira como são -- e a Cabrita com os seus contactos no milieu, cuidado com ela --, não vão descansar enquanto não entregarem, de bandeja, a cabeça do Neves ao Seguro. Aliás parece que já lhe levaram as orelhas e o rabo, o Seguro é que não é de decisões rápidas e deu um tempo ao Mentenegro. Este é que, vamos lá saber porquê, parece não se querer desfazer do Neves. Ou o Neves não deslarga o Mentenegro ou o Mentenegro não quer deslargar o Neves. Qual deles não deslarga o outro e porquê ainda haveremos de saber. Mas pode ser apenas porque o Mentenegro é casmurro como um asno, ou, então, gosta de coleccionar tesourinhos deprimentes como a Ana Paula ou o Fanã.

Nota: eu sei que não se diz deslarga, está bem?

Terceira

A notícia do sofá de pele branco com aplicações douradas, as televisões e os equipamentos de ginásio apreendidos numa operação da PJ e que deixaram a casa do Xuxas mais vazia é de se lhe tirar o chapéu. E a Judite (quem na Judite?) a querer aproveitar-se disso é ainda melhor. A gente ouve e começa a imaginar coisas. Como a minha imaginação é fértil ocorreram-me de imediato inúmeras possibilidades. Pulam-me, aliás, os dedos para criar micro-narrativas que envolvem um avatar do Neves, o sofá com dourados, e outros adereços e outros personagens. Só não divulgo aqui porque tenho cá para mim que a realidade é muito bem capaz de ser mais cabeluda que as minhas inocentes ficçõezinhas.

Mas, falando mais a sério, não seria de alguém fazer um inventário ao armazém de apreendidos e ao parque de viaturas igualmente apreendidas, para ver se tudo o que foi apreendido de facto deu lá entrada e se, tendo dado, ainda lá está? E, não estando, com ordem de quem de lá saiu e para onde foi? É só uma sugestão. A menos que aquilo seja mesmo na base do bar aberto. 

Quarta

Há pessoas que não suporto. Por diferentes motivos. Umas é porque são fúteis e parvas. Outras é porque se acham o máximo quando não valem um caracol. Outras é porque são insuportavelmente palavrosas, galináceas cacarejantes. Outras porque, sendo novas, nasceram velhas e se portam como velhas cagonas. Outras é porque se acham ladinas, matreiras, sabidas. Outras é porque são sonsas, acham que a melhor defesa é não saírem da moita. Outras porque são burras, ignorantes e descaradas. Outras porque são mentirosas e acham que se safam se estiverem sempre do lado da oposição (mesmo estando no governo). 

Apetece-me dizer os nomes, chamar os bois pelos nomes. Mas não o faço porque, ainda assim, a forma como as classifico é generosa de mais e não quero que me chamem otária. 

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E vou-me, não sem antes dizer o que se passa com a cauda do meu petcão. O meu marido sofre de empatia aguda em relação ao cãobeludo e, por isso, tentou outra vez tirar-lhe o funil. De novo, freneticamente a lamber a cauda. Funil de novo. Consulta na veterinária. Problema diagnosticado: as crostazinhas e a pele seca dão-lhe muita comichão. Solução: aplicar uma mousse hidratante e mais não sei o quê. Não se põe com água nem se tira com água, é para ficar. Um frasquito de nada quase quarenta euros. É o que eu digo: produtos muitas vezes mais caros do que os que eu uso, os meus tudo na base das marcas brancas do supermercado e tudo mais que bom, ele, o marquês, ex-pastor de ovelhas no monte, só produtos de vet. Já para não falar da ração que agora é de truta e sem cereais, porque os cereais não são bons para quem padece de alergias, isto supondo que ele de tal padece. Mas, enfim, já nem digo nada, já só quero que se ponha bom, que não espete praganas nas patas, que não se fira com nada, que não arranje alergias ou comichões, que não fique coma  pele ferida, que nos dê algum sossego. Tirando isso, está bem, ladra que se farta ao mínimo barulho na rua, desestabiliza os cães todos da rua quando o pobre carteiro se aproxima da nossa caixa de correio, corre e corre e faz acrobacias aéreas a desafiar o cão do lado e, á noite, vem pôr-se encostado a nós para lhe fazermos festas.


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Desejo-vos um belo sábado

terça-feira, agosto 25, 2026

Breves e desnecessárias

 

. Hugo Soares, o gémeo siamês do Mentenegro, unha com carne, farinha do mesmo saco, amigos inseparáveis na saúde e na doença, cola Carneiro ao Ventura. Tem graça. E tem ainda mais graça por esta piada ter sido proferida na universidade de verão do psd, universidade esta de onde parece que nunca saiu nenhum doutor. 

. Vi vários vídeos com corridas de humanóides. Correm que se fartam. Parecem meio desconjuntados, quase não têm cabeça, nem precisam dela, e, no fim, atiram-se conta uma parede, escaqueiram-se todos, alguns até deitam fumo de tão queimados estão. Nas bancadas, outros descerebrados aplaudem.

. Vi que no Porto foi encontrada uma mala com cerca de um milhão e meio de notas falsas. A jornalista disse, com ar normal, que ainda ninguém tinha reivindicado a sua posse. Não seria de pôr alguns destes jornalistas também a fazerem corridas?

. Quando fui à veterinária, devido à piodermite no rabo (do cão, não no meu), ela rapou todo o pelo dessa zona do animal pois só assim conseguia ver e tratar a desgraceira de feridas que para ali estavam. Mas, por consideração, deixou um grande tufo na ponta. Parecendo que não, sempre compunha. Acontece que, pelos vistos, tinha feridas também na extremidade. Como eu não conseguia tirar as pequenas crostas que estavam emaranhadas nesse tufo, resolvi que para grandes males, grandes remédios: cortei o tufo. Agora o pobre coitado parece um alien com um funil na cabeça e uma salsicha espetada e depenada em vez de cauda. Está muito surreal, distorci-lhe a aparência. Só espero que não lhe afecte a personalidade.

. À noite, quando fomos caminhar, vimos, no outro lado da rua e indo em sentido contrário ao nosso, um grande grupo de pessoas, talvez perto de vinte. Percebemos que eram de várias idades e que iam conversando. Não sei se seriam todas da mesma família ou do mesmo grupo de amigos, ou se algumas pessoas avulsas e desconhecidas se lhes juntaram. Pensei que era uma ideia com piada, as pessoas juntarem-se a quem passa e irem conversando, fosse do que fosse. Mas não dá para me juntar sem saber se faz sentido, não é? Imagina que vai uma família, na boa, e lhes apareço eu, feita penetra, armada em espírito livre, estou aqui para partilhar ideias e sentimentos. Quem me garante que não se calam todos, acagaçados, temendo estarem a correr sérios riscos de eu ser uma doida varrida ou uma bandida à caça de rolexes?

. Também à noite, ouvimos pássaros que nunca antes tínhamos ouvido. Escandalosos, barulhentos. Não eram corujas, que essas são discretas, podem falar alto, mas é uma fala monocórdica, piuuuuuu, piuuuuu. Estes não, uma conversa variada, colorida, coisa de pássaros garridos ou bem bebidos em festas populares. Não faço ideia de qual a sua aparência mas, com aquela cantoria à desgarrada, devem ser passarões de olho encarnado e de garrafa de vodka na asa.

. Agora, quando posso, faço uma coisa: depois de almoço, deito-me em cima da minha cama. Estores para cima, vidros a bascularem. O quarto cheio de luz, a aragem a fazer ondular os cortinados. Ao fim de poucos instantes estou a dormir. E, ao fim de poucos minutos, chegam mensagens ou telefonemas e interrompem-me a sesta. Uma malapata. Mas, apesar de curta, a sestinha é sempre boa enquanto dura. Quando andava na escola infantil, e andei a partir dos quatro anos, todas as tardes as cortinas da grande sala eram fechadas, uns colchões eram estendidos no chão, no inverno junto com o colchão estava um cobertor, e tínhamos que dormir a sesta. Imposição sem margem para protesto. Nunca consegui. Nunca. Ficava cerca de uma hora a olhar para os outros, a tentar descobrir formigas, a pensar no que iria fazer no recreio, a imaginar quanto tempo faltava para acabar aquela estopada. Agora, nada me sabe tão bem quanto deitar-me à fresca e em plena luz, a dormir a sesta.

segunda-feira, agosto 24, 2026

Breves e desinteressantes

 

Continuo nas breves e a despachar porque são quase duas da manhã e não tenho cabeça para longas e com calma.

1. 

Como não vi televisão e estive a milhas de tudo, agora passei, rapidamente, os olhos pelas notícias e quase me sobressaltei com uma que começa por Governo apalpa. De repente, na minha ligeireza ensonada, pensei que alguém do governo andava a apalpar o que não devia. Pensei: 'Será o Neves?'. Depois de lhe ter aparecido uma piscina num fim de semana, de lhe ter aparecido um orçamento de 155.000 euros para coisas que custam para aí umas dez vezes menos e que não era ele a pagar (ele, leia-se a Judite), de andar aboletado num carro desportivo apreendido numa operação (também da Judite), e já nem falo de ter dado ordem para produtos perigosos andarem a passear do Seixal para Barcelos e de lá ficarem guardados ao deus-dará como se fossem azeitonas, querem lá ver que agora também anda para aí a apalpar qualquer coisa (ou alguém) que não é suposta ser apalpada? Fechei e abri os olhos e afinal verifiquei que não, coitado, não foi ele. O título completo reza assim: "Governo está a apalpar terreno para mexer nas pensões? "Atreva-se, atreva-se para ver o que lhe vai acontecer""

Como já tinha lido que o Seguro diz que as pensões são sagradas, pensei logo: 'É pá, temos homem. Já está a desafiar o apalpador. Atreva-se? Nem parece coisa dele, já a desafiar o Montenegro para um duelo...'. 

Mas, incrédula, fui cobfirmar. Afinal não foi o Seguro, foi o Raimundo já a ensaiar as cordas vocais para a festa do Avante. Assim já percebo.

2.

Hoje decorreu cá em casa mais um almoço de parabéns a você. No espaço de nem chega a mês e meio foi o sexto aniversário. Dia feliz, portanto. O tempo esteve de chuva e, de vez em quando, de trovoada. Como tivémos que refeiçoar dentro de portas, para evitar confusões com o cãobeludo que, nestas circunstâncias e com tanta gente e tanto movimento, fica num excitex, o meu marido, que antes tinha preparado tudo para ele ficar no jardim, teve que alterar os planos e acondicioná-lo na garagem. Com o terror que ele tem de trovoadas (ele, o cão), não iríamos sacrificar o animal. Então, deixou-o na garagem, e a garagem com o portão aberto, e com uns painéis de uma certa altura, talvez uns 70 ou 80 cm, que impediriam a sua saída. Tudo certo. Pois bem, de tarde, apareceu em casa, todo lampeiro. Pensei que tinha sido o meu marido a condoer-se. Não, foi ele mesmo. Fomos ver se tinha conseguido derrubar a barreira. Não, estava no sítio. Portanto, escapista profissional como é, fez salto em altura. Mesmo com o funil na cabeça, conseguiu alçar-se àquela altura, passar por cima e vir ter connosco. 

Nota: está bem melhor, mas agora com muitas crostazinhas soltas emaranhadas no pêlo da cauda, de alto a baixo. Tento puxá-las e não deixa, vai aos arames. Ora, se não as tiro, tentará tirá-las ele com a boca mal o libertemos do funil isabelinho. E o mal de começar a lamber e a puxar com os dentes é que, às tantas, com a pele húmida e lambida e relambida, arranja novo problema. Caraças. Está aqui um problema que não vai ser fácil de resolver. 

Ao fim do dia, quando estávamos só nós e nos dedicámos à faena da limpeza e desinfecção, foi outra vez o bom e o bonito: ladra, rosna, revira-se, contorce-se, tenta pirar-se, ameaça, e só não ataca mesmo porque o meu marido o agarra ferozmente. Portanto, suspendi a caça à crosta. 

Algum tempo depois, o meu marido, que consegue disfarçar melhor que eu, vendo que a fera estava mais mansa, tentou enganá-lo e pôs-se a escová-lo como quem não quer a coisa. Mal lhe tocou com a escova na cauda, deu logo um salto e mostrou aqueles ameaçadores dentinhos que tão bem conhecemos. Desistiu. cão, kikasPortanto, agora é mais esta para ver como se resolve

3.

Não sei se é só por aqui ou se é um mal generalizado: moscas e mais moscas. Nos últimos dias, mal conseguia estar sossegada lá fora, tantas as moscas. Comprámos uma espécie de ventoinhas portáteis próprias para afugentar bicheza esvoaçante e eu, às tantas, já andava com uma na mão. Agora, passaram cá para casa. Como costumamos ter as janelas abertas, entram estupidamente. Por exemplo, estou aqui na sala a escrever e uma filha da mãe não me deixa em paz, aqui anda a zoar-me os ouvidos, a deixar-me doida. Não me apetece pôr-me à caça dela para a esborrachar mas já não aguento, vou-me deitar. Com sorte, a estupora não sabe o caminho para o quarto.

domingo, agosto 09, 2026

Explicação sobre a indigência deste pobre post

 

A minha maltinha regressou toda de férias, todos de volta a casa depois de uns belos dias a banhos e em viagens. Sabê-los de regresso, sãos e salvos, por muito palerma que possa parecer, é para mim um alívio. Eles bem me dizem que a segurança deles não depende de mim. Concordo. Sei disso. Os meus filhos há muito tempo que não são adolescentes a meu cargo e os meus netos têm os respectivos pais para se responsabilizarem por eles. Mas o que é que posso fazer? Mãe é mãe e o meu instinto maternal que sempre foi agudo, extremo, indomável, mantém-se igual ao que sempre foi. Não descanso enquanto não sei que estão bem. É ridículo? Pois, na volta é. Mas tenho que me render às evidências: face à minha provecta idade e face a não ter detectado melhoras ao longo dos anos, acho que é matéria em que não é expectável que haja cura. É saber viver com isto, tentar controlar os meus receios, disfarçar para não parecer atrasada mental.

Enfim. 

Mas para nós dois o dia foi do piorio. Nada de grave e dramático mas, tudo junto, deu-me vontade de dar meia volta, fazer reset. O computador já está reparado mas veio desconfigurado e, para não ter que lá voltar, estive para aqui a fazer coisas que detesto fazer. A meias com o Gemini, lá consegui dar conta do recado. Mas detesto ele lado das informáticas, configurações, testes, coisas que não resultam. Sei que não devo mexer à maluca pois posso estragar ainda mais mas a perspectiva de o mandar de volta à oficina e esperar séculos pelo orçamento e depois pela reparação já estavam a stressar-me. Lá consegui resolver. 

Acresce que comprei um carregador pois o que tinha estava com a ponteira murcha e, logo, potencialmente danificadora da porta de entrada. Venderam-me um universal que supostamente dava para o computador. Depois de horas para ser atendida, sem que algum funcionário aparecesse, acreditei que sim, não exigi comprovação, e trouxe-o. Cheguei a casa e, claro, não dava. Furiosa, contrariada, voltámos lá. O dia nestas porcarias. Um mal nunca vem só: na ida o carro vacilou, mensagens más. À vinda, vacilou ainda mais. Depois -- felizmente, já aqui em casa -- pifou de vez, já não arranca. Podia ter sido na autoestrada, e isso seria pior. Mas não é bom. Não dá sinal. Vai ter que ir para a oficina, vamos ver quando e por quanto tempo. Em tempos, tinha cada um seu carro. Agora, como nos tornámos siameses, só temos um. Portanto, agora estamos apeados. Um lindo serviço.

Para as coisas não se ficarem por aqui, o cão não faz outra coisa senão lamber a cauda, uma coisa por demais. Frenético. E, estuporzinho como é, não deixa mexer. Queria ver o que se passa, mas não deixa. Rosna, mostra os dentes e, se nos atravessarmos, não se ensairá em fazer valer o seu aviso. Como isto costuma levar a feridas, a antibiótico e a um sarilho do caraças para o tratar, pusemos-lhe já o colar isabelino. Se tivermos que ir ao veterinário, só se sairmos de véspera para irmos a pé. Sem carro, ir a algum lugar transforma-se numa odisseia. Metermo-nos num tvde com ele, só se quisermos correr riscos de que coma o condutor e destrua o carro. Quem ele não conhece e está por perto, é inimigo a abater. Para ele, cão-pastor, nós somos ovelhas e qualquer pessoa que não lhe seja familiar, é lobo. E, caraças, não se fica. Não há lobo que se arrisque a aproximar-se. Por isso, metermo-nos num carro em que o pescoço do condutor esteja ao alcance dos seus dentinhos, está fora de questão. Nem com açaime: salta, ladra e tenta por todos os meios arrancar o açaime. E às vezes consegue. Portanto, estão a ver.

E ainda houve mais um ou outro contratempo mas já nem vou aqui falar disso, já estou cansada de tanta chatice. 

Dir-me-ão: há males maiores. Claro que há. Sei muito bem disso. Mas nós, nós todos, funcionamos por planos. E no plano das coisas domésticas, da vidinha do dia a dia, ou as coisas funcionam normalmente, ou há um cúmulo de atentados à rotina que nos estraga completamente as actividades banais e os gestos que fazemos sem sequer pensar neles. E isso corrói a tranquilidade básica sobre a qual é suposto assentar tudo o resto.

Enfim. São dias. Ou fases.

Quanto aos comentadores, bem os tenho topado -- uns animadamente admiradores do Neves e das suas chico-espertices (e ai de quem não aprecie as chico-espertices do Neves, é logo conotado com o Ventura), outros animadamente a favor do Montenegro (ui... tão melhor que o Costa... ui, ui...) , outros ainda dramaticamente fixados em Sócrates (o que será que o Freud diria de tamanha fixação? Gente ainda na fase anal, perdão, na fase anual? Gente que em pequenino não se sentia suficientemente amado pela mamã? What?) -e a sério que gostaria de responder. Mas, depois de tanta chaticezeca, estou mesmo um bocado exausta. Mas podem continuar a dizer de vossa justiça pois os vossos argumentos têm graça, alguns têm mesmo muita piada. A sério que sim. Alguns comentadores mostram-se picados com outros e eu poderia não publicar para não causar arrelias, mas hoje não estou para usar o lápis azul. Só digo uma coisa: piquem-se à vontade que o vosso picanço também tem graça. Mas não se levem demasiado a sério, não vale a pena.

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Desejo-vos um belo dia de domingo

quinta-feira, agosto 06, 2026

Cenas da vida conjugal in heaven

 

Olho para a azinheira grande e penso: 'aquele ramo grande ali podia ser cortado, a árvore já se diversificou de uma maneira tal que aquela grande pernada já é dispensável '. Mas depois penso que aquele ramo é, em si, quase uma árvore, não podemos ser nós a ocupar-nos do assunto, não temos uma serra para coisas daquela envergadura. 

Depois, estou a varrer uma zona e penso que os ramos baixos da romãzeira e os do cedro também deveriam ser cortados senão junta-se toda a espécie de folhagem lá por baixo. Vou chamar o meu marido que refila, diz que está ocupado com outras coisas e eu sempre a pedir-lhe para interromper e vir fazer outras. Mas vem. 

Depois reparo que o tamarix tem muitos ramos secos por baixo. Peço para ele cortar também. Diz que não é só cortar, é depois levar lá para baixo, para o infinito monte que se vai formando. Refila. 

Continuo a varrer. Encho não sei quantos carrinhos de mão que depois levo para um canteiro, lá mais abaixo, e onde está caruma e folhagem ajudará a manter a terra mais húmida por baixo. Quem duvidar que espreite o meu Instagram, está lá uma ínfima amostra do muiiiito que carreguei.

Depois peço ao meu marido que tente arrancar a hera selvagem que invadiu o canteiro onde estão os alfazemas, agora já quase expulsos do recanto que lhes era devido. Peço também que tenha cuidado porque ao fundo há uma ivone e ele que não a assassine como assassinou a outra que estava num outro canteiro. Fica furioso, primeiro porque mais uma vez estou a arranjar-lhe trabalho e, segundo, porque diz que lá venho eu, outra vez, com a porcaria da ivone. Não lhe perdoo.  Responde que ela não estava ali a fazer nada. Digo que não se pode pôr fim à vida de uma ivone só porque, na maior subjetividade, se declara que não faz falta. Essa agora. E nós fazemos? 

Portanto, indisposto com a confrontação, deixou grande parte da hera selvagem. Eu acho que tem que se puxar à mão, mas ele diz que eu acho mal. 

Já o luso-fusco vinha tombando quando fui aos figos. Mas, antes de abastecer os saquitos que levava, comi mais de uma dúzia. Ainda pensei que talvez tenham proteína e fibra, que talvez seja uma dieta até interessante. Mas resolvi ser honesta: deve ser só açúcar e aquela barrigada deles deve ser o equivalente a estar a chutar açúcar directamente para a veia e para o perímetro abdominal.

Foi já de noite que vim ocupar-me dos orégãos. Já enchi alguns frascos. Desta vez, até de kombucha usei, acho-lhes piada.

Ainda há mais para esfarelar mas tenho que os deixar secar mais uns dias, pois alguns ainda não se desprendem.

Agora estou a escrever e doem-me um pouco os ombros. Penso que é da força que faço para transportar e, sobretudo, virar e despejar os carrinhos. Ou de apanhar pás e pás e pás e pás e pás de folhagem e terra. 

Ainda peguei num livro mas, ao fim de um bocado, fechei e pensei: 'Caraças, já não há editores que se aproveitem? Só publicam redações infantis?'. Feito com apoio de uma bolsa da DGLAB, ainda por cima. Está tudo doido.

E é isto. Aqui estou no telemóvel, coitada de mim. Quando leio que ainda há quem escreva coisas em papel fico espantada. Eu já só sei escrever no computador. Os dedos sabem o sítio das teclas, andam sozinhos. Aqui é um desatino, esta gaita altera grande parte das palavras que escrevo.  Por exemplo, de cada vez que escrevo 'esta' ele vai e põe-lhe um acento, fica 'está'. E como isto muito mais. Deve ser fácil descobrir onde desactivar está inteligência, mas tenho preguiça. 

Bem. Fico-me por aqui.

Fiquem bem, ok? Divirtam-se.

sábado, agosto 01, 2026

Seguro: TACO... perdão SACO
-- E cá está, de novo, o meu marido --


Percebemos hoje, com surpresa e agrado, que afinal a fonte de Belém não secou. Terá estado em manutenção, talvez em reparação, mas voltou a jorrar pujante. Diz o Expresso que o Presidente não falou para não adensar a crise. A questão do Seguro não falar é um hábito antigo, para quê comprometer-se?, não é surpresa é mais do mesmo. Mas esta de ele assumir haver uma crise também me surpreendeu. 

O Neves segue as pisadas do Montenegro: trapalhadas, irregularidades, quiçá, ilegalidades (até ouve mimetismo na cena dos dossiers na conferência de imprensa, só para inglês ver). 

O Fernando com as suas decisões cria desigualdades no acesso dos jovens ao ensino superior e desbarata o erário público para corrigir os erros que originou. 

A ministra da saúde dá cabo da saúde dos portugueses. 

A ministra da justiça finge que não existe, quando bens sob custódia do estado vão parar a um armazém lá para os lados de Barcelos. 

O gabinete do Ventura na AR é, presumivelmente, assaltado. 

E, com este panorama, o Expresso refere que há uma crise e que o PR não falou para não a adensar. 

Nada mais errado. Este é o normal funcionamento do governo da AD e das instituições. Só os mais tresloucados achariam bem que o Seguro dissesse umas banalidades, que outra coisa não lhe parece vir ao espírito, por causa da situação atual. A coisa está normal, tudo o que o governo faz é asneira. E já agora uma proposta, se de Trump se diz que TACO, não fiquemos atrás dos cowboys: de Seguro se passe a dizer que SACO (Seguro always chickens out). Parece-me adequado! 

terça-feira, julho 21, 2026

O clube dos macho men da pila curta*

 

Já contei que sou tão céptica em relação às redes sociais que, quando me aparece alguma publicação especialmente estúpida, passo à frente: penso que pode ser fake, imagens manipuladas ou forjadas. Continuo a ter a ideia de que o mundo pode estar em franca degenerescência, pode estar infectado até à medula com populistas, palhaços e fantoches por todo o lado, mas, enfim, ainda há alguns limites. Ora tenho constatado que faço mal em ser tão cépica pois, na prática, o que estou a ser é ingénua.

Por exemplo, há não muito tempo eu juraria que seria impossível que o mundo estivesse nas mãos de um maluco rodeado de verbos-de-enche, de lambe-botas, de puxa-sacos. Depois, quando constatei que aconteceu, juraria que não se aguentavam muito. Aguentam-se. Portanto, mais me vale render-me às evidências.

Uma das personagens que acho de gargalhada, anedora pura e dura, é o Secretário da Defesa Pete Hegseth, intitulado da Guerra. Uma coisa inenarrável. Nitidamente é daqueles fulanos que acredita que é por ser alto e bem constituído que é mais homem. Ainda por cima, vê-se que é daqueles mentecaptos que acredita que, se em cima das suas condições genéticas, acrescentar uns músuculos trabalhados vai despertar o respeito alheio.

Parte das suas instruções aos militares tem a ver com essas parvoíces: que não podem ter barriga, que não podem  ser gordos, que não podem ter barba.

Pode ser pancada minha mas sempre tive para mim que os homens que se têm em alta conta, que têm um grande orgulho no seu físico, são tipos com fraco miolo. Por acaso, até hoje ainda não encontrei a excepção. Muito direitinhos, muito espetadinhos, músculos muito trabalhadinhos e, vai-se a ver, e são uns parvinhos que até enjoam.

Pior ainda se têm uma conversa muito sexuada. Um tipo que fala muito em testosterona, cá para mim é um parvinho que tem medo de a ter em fraca dose. Que tem medo de ou que sabe mesmo que a tem em pouca ou rala qualidade. É como os que contam muitas piadas de gays, fingindo-se de muito machos: geralmente são gays não assumidos. Ou que andam sempre com piadas sobre pénis pequenos querendo dar a entender que os deles, não, os deles são gigas: nada, coisa nenhuma, geralmente são uns pilas-de-gato.

É o caso deste Pete Hegseth: calmeirão, calmeirão, todo quitado, todo músculos, agora quer tudo o que é tropa a medir a testosterona. Não sei sequer o que pense disto, de tão absudo que é. Não sei se a seguir vai impor que levem injecções, que ponham adesivos ou que apliquem o gel milagroso ou se o próprio Donald não forma uma empresa de Pau de Cabinda convencendo os incautos magalas a abastecer-se no Trump Free Shop. E, pensando bem, o mais certo é que, em breve, da ficha de candidatura às Forças Armadas conste também o tamanho do pénis.

Imagem gerada pelo ChatGPT

Como as duas divertidas tertulianas que no vídeo que abaixo partilho, dizem: só um tipo que tem défice da dita se lembra de impor os testes aos outros como se ele a tivesse de sobra. Como o demente Trump que passa a vida a gabar-se de fazer testes cognitivos sem perceber que toda a gente pensa que se lhos fazem tantas vezes é porque andam a monitorizar o avanço da maluquice.

Michael Woolf no outro dia dizia que nos próximos cem anos, em termos de análise histórica, muita gente vai tentar perceber como é que foi possível que uma trupe tão desqualificada, comandada por um narcisista maligno, cruel, inconsequente e demente, tivesse conseguido ser eleito duas vezes com taxas de aceitação apesar de tudo razoavelmente elevadas. Concordo. É surpreendente, mesmo. Acho que seria interessante acrescentar mais um indicador para análse e para estudo de corrrelações: o tamanho do pénis, e, porque não?, também os níveis de testosterona.

Eu sei qual é o problema de Pete Hegseth com a questão masculina | Podcast do The Daily Beast

Jennifer Welch regressa ao podcast do Daily Beast depois de ter provocado uma tempestade política, revelando como um comentário sobre o ensino doméstico a colocou na mira do Departamento de Educação e dos meios de comunicação conservadores. De seguida, ela e Joanna Coles voltam a sua atenção para as maiores batalhas políticas da semana. Desde a obsessão de Pete Hegseth com a testosterona e a crítica mordaz de Jennifer ao movimento MAGA, passando pela saúde de Mitch McConnell, o futuro político de Andy Beshear, Todd Blanche, os arquivos de Epstein e as crescentes divisões dentro de ambos os partidos, Jennifer apresenta algumas das suas análises mais provocadoras até à data, explicando porque é que os democratas precisam de parar de se defender, porque é que as quezílias internas republicanas só pioram e porque é que as histórias que dominam Washington estão longe de terminar.


[*Ia dizer da pila murcha mas depois receei incomodar alguma alma mais sensível Por isso, ficou curta, assim como assim, pode ser que seja mais consensual]

terça-feira, julho 14, 2026

Está esclarecido, os ministros estão no governo para arranjar problemas
-- Mais uma vez, a palavra ao meu marido --

 

Hoje o nosso Primeiro fez mais uma intervenção no seu estilo, confirmando que ou tem um baixo nível intelectual ou pensa que a malta é burra. Eu apostaria que no meio é que está a virtude. Tenho para mim que quem é burro acha sempre que os outros ainda são mais burros. Após a intervenção do Luís, percebeu-se finalmente qual o grande objetivo dos ministros. O objetivo número um dos ministros é criarem o maior número de problemas possível para depois, como fez hoje o Luís relativamente ao ministro da educação e fez anteriormente, por exemplo com a ministra da saúde, vem a público afirmar que estão de pedra e cal no governo e que os nomeou para resolverem os problemas (deveria ter acrescentado: 'os problemas que criaram enquanto ministros' -- mas isso já seria pedir demais). 

Quem duvida que esta é uma prática muito salutar para organizar um governo impróprio para governar? Não há dúvida. E os exemplos são muitos e variados. 

O que tem feito a Ana Paula Martins senão criar miríades de problemas na saúde sem conseguir resolver nenhum? Missão cumprida! 

O que tem feito o ministro da educação senão criar problemas desnecessários e que  deixam as famílias dos alunos em alvoroço? Missão cumprida! 

O que fizeram as ex-ministras da administração interna e o atual ministro senão criarem problemas que se foram agravando durante o tempo que estiveram no governo? Missão cumprida! 

O que fez a ministra da segurança social senão criar um problema enorme com a lei da reforma laboral (que, por sinal, até originou um desgaste muito significativo no governo)? Missão cumprida! 

E o que fez a ministra "pepsodente" com as medidas para os jovens, nomeadamente tudo o que tem a ver com a habitação, e o ministro da coesão quando agem ou botam faladura? Criam problemas. Missão cumprida! 

Até o Bugalhito, putativo ministro, criou ontem um problema com a intervenção que fez sobre o pagamento das horas extra aos professores. Missão cumprida! 

E o que faz o Luís com as políticas de insensibilidade social e privilégio dos mais ricos? Cria problemas que não sabe resolver e que agravam a situação dos portueses. Missão cumprida! 

Tudo isto seria cómico, senão fosse trágico, revelando um amadorismo e uma falta de conhecimento e bom senso absolutamente confrangedoras.

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Para terminar. Vi na televisão umas pessoas a entrarem pela calada da noite aparentemente no armazém onde estão os exames para procurarem folhas em falta. Serão técnicos do EduQA. E, pelos vistos, também por lá andaram repórteres. Fiquei pasmado. Tendo um neto que fez exames, fico de pé atrás porque quem nos garante que estas pessoas não põem ou tiram folhas onde lhes convém, podendo, assim, prejudicar ou beneficiar alunos? A dúvida está instalada. Missão cumprida! 

O ministro é tão desprovido que origina imagens que só criam problemas ao governo e revelam a falta de rigor e de segurança que há em todo o processo. Missão duplamente cumprida!!

sexta-feira, julho 03, 2026

Enquanto Portugal tenta sobreviver, eu entretenho-me a festejar os 100 anos de Mel Brooks
-- Portugal, salvo seja, calma aí: a Selecção Portuguesa... --

 

Para já, chama-me a atenção o equipamento, muito fofo. Gosto. Mas, assim de repente, olhei para lá e pensei que estavam a dar algum outro jogo, não reconheci aquela roupa. Depois é que vi o Cristiano Ronaldo e percebi que são eles. Mas não percebo porquê porque o equipamento dos outros é azul, não se confundiria com o nosso, o tradicional. Mas é um pormenor, este equipamento também é bonito.

Tirando isso, não digo nada. Às vezes tenho premonições e acontece que, enquanto dura aquela excitação, eu digo: 'Não há crise, vão ganhar', mas, desta vez, talvez porque a coisa ainda não encarnou em mim, não tenho nenhuma previsão.

O que posso dizer é que este calor me derete. De dia, esteve horrível. O cão deita-se ao comprido no chão de pedra e eu deveria ter feito o mesmo.

Mas, ainda assim, tratei de uma data de coisas chatas e, quando consigo chegar a bom porto em tarefas que metem registos em portais do estado, em que nada é explícito, em que do call center ninguém atende, mas, ainda assim, consigo chegar ao fim, fico contente. O meu marido, então, não tem pachorra. Diz que delega isso tudo em mim porque eu gosto de fazer estas coisas. Não é verdade. Não gosto. Tenho é uma persistência que faz com que não largue até chegar ao fim, por mil obstáculos que me surjam.

À noite, depois de ver as notícias e ao querer distrair-me, apareceu-me a notícia de que Mel Brooks fez 100 anos. Inacreditável. 100 anos de boa disposição, de bom humor. Gosto muito dele, sempre gostei, sempre gostei de pessoas que, sendo boas pessoas, pessoas decentes, são, contudo, inofensivamente mal-comportadas, dos que pisam sistematicamente todas as linhas vermelhas, dos que são mais ireverentes do que o normal bom senso recomendaria. Faz falta termos mais pândegos assim. Agora, ao mesmo nível de maluqueira só mesmo o Trump. Falha é naquilo de ser boa pessoa, de ser decente.

Mas, enfim, enquanto a rapaziada por ali anda afincadamente a correr atrás da bola, eu atiro foguetes pelo Mel Brooks.

Aos 100 anos Mel Brooks não tem planos para se reformar

À nossa equipa desejo que siga adiante

e

a todos

um dia feliz

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E seguiu

Força, malta!

terça-feira, junho 02, 2026

Cenas da vida de um casal

 

Estive ocupada cá com a minha vidinha, coisas que meto na cabeça fazer e que me ocupam bastante, sabe-se lá se com resultados algum dia atingíveis. Mas sou discípula daqueles que diziam que só são vencidos os que desistem de lutar. 

Como continuo a ser a mesma -- quando meto na cabeça que tenho uma coisa para fazer, não descanso enquanto não a faço --, trabalho no assunto horas a fio sem me cansar, sem me desviar. O meu marido pasma com o meu regime, com a minha capacidade de me manter focada durante tanto tempo, apesar de não ter qualquer perspectiva de vir a ser bem sucedida. Nunca trabalhou no mesmo sítio que eu pelo que não sabe que, no que se refere a trabalho, é assim que sou. Isto agora não se pode dizer que seja um trabalho propriamente dito mas, pelo menos, é um projecto. Pode ser um projecto mais lírico do que pragmático. Mas é um projecto e lutarei para que se concretize.

Com isto, a televisão passa-me praticamente ao lado. Mesmo as notícias me parecem um carrossel que anda em volta sem sair do mesmo lugar. Espreito as novidades do dia, e está feito, fico informada q.b. Os jornais da noite alongam-se, alongam-se, metem reportagens e trapalhadas pelo meio, esticam a duração até mais não. Espreito o que se segue a isso, e ou é o Joker com o Palmeirim sempre com piadas secas, coisa que me deprime, e, portanto, evito, ou são novelas da treta na SIC para as quais não tenho qualquer pachorra, ou a xaropada indigente dos intermináveis big brothers e afins na TVI, o que faz com que, há anos, nunca paremos neste canal, ou são debates sobre tudo o que mexe, gente saída sabe-se lá de debaixo que pedra e para cujo peditório não me peçam para dar. Na Dois às vezes há coisas interessantes mas é preciso estar concentrado pois muitas vezes falam línguas que não domino e, portanto, requerem que esteja só a ver televisão para ler as legendas. Ora gosto é de estar com um olho no burro e outro no cigano e, portanto, se não posso, abdico. O meu marido, por ele, vê ténis, o Roland Garros, ou futebol. Eu desando e vou para a minha vida.

Ele, como todo o dia anda ocupado com desbastes, limpezas de terreno, corte de rebentos ladrões, etc., chega à noite e dá-lhe o sono. Portanto, ao fim de um bocado, a televisão fica a falar para o boneco. 

Claro que nessas suas actividades diárias o que não falta são disparates. Gosta do que faz mas não consegue ser cuidadoso, atento. Por exemplo, a última. Num canteiro, havia um arbusto grande, de nome Ivone, que era preciso aparar. Em volta desse arbusto estava a enlear-se uma coisa que não sei como se chama, uma espécie de hera selvagem, que cresce doidamente e que pica. Então, eu tinha-lhe dito que era preciso arrancar essa hera e desbastar um bocado o arbusto. Ouvi-o andar não sei se com a serra eléctrica, se com a roçadora ou o aparador. Não fui ver senão não faço outra coisa senão andar atrás dele. Confiei. 

Fiz mal. Quando vi, fiquei para morrer. Tive que respirar fundo cinquenta vezes. Noutras alturas, quando eu estava na flor da idade, dispararia em direcção a ele, capaz de engoli-lo vivo. Agora, com a sabedoria que a idade madura me está a trazer, prudentemente afasto-me dele. E espero que a fúria me passe. Só quando o vi, tentando mostrar toda a calma do mundo, lhe disse: 'Há algum motivo para teres dado cabo da Ivone?'. Ficou espantado. Ao fim destes anos todos, ainda não aprendeu que a defunta se chamava Ivone. Expliquei, com a calma possível: 'Cortaste, deste cabo, acabaste com a Ivone. O arbusto verde com nuances douradas. Não sobrou nada.'. E apontei para o espaço vazio. Com aquele ar de sonso que tão bem conheço, respondeu: 'Não disseste que era para arrancar?. Mais uma vez tive que fazer cinquenta respirações, e das profundas. 'Arrancar a erva daninha, a hera, não a legítima. Obviamente não era para assassinares a Ivone'. De novo, tentou a abordagem do costume, desvalorizar: 'Volta a nascer'. 

O pior é que não: não volta a nascer, deu cabo dela. 

Mas depois fico a pensar: o mal está feito. Por muito que eu estrebuche ou estabeleça tácticas de vingança, a Ivone não vai ressuscitar. Poderia pensar: 'Enganos destes não podem passar impunes, senão vai continuar a fazê-los'. Mas sei que, de uma maneira ou de outra, vai. Não distingue espécies, gosta é de cortar a eito. Portanto, tenho é que pôr o coração ao alto.

Enfim. É o que é.

Ao fim da tarde, o tempo tinha mudado, estava vento, a tender para o frio. Fui dar uma volta mas tive que voltar a casa para buscar um agasalho. No caminho, atravessou-se à minha frente, a correr, um pequeno bicho, peludo e quase preto. Dorso arqueado. Fiquei parada, de espanto. Não há coelhos ou esquilos pretos. Então o que foi aquilo? Ainda me enfiei pelo meio das pedras e das ervas a ver se via alguma coisa, mas os bichos são espertos e dissimulados. Por isso, não vi nada. Saí foi toda arranhada nas pernas.

Para o jantar, o meu marido comeu lombinho de porco estufado, acompanhado por legumes, mas eu ando cada vez mais a tender para a simplificação em tudo, até nos jantares. Como tinha um resto de iogurte grego, magro, juntei-lhe um bocado de kéfir, um bocado de queijo cottage, um bocado de uma mistura de sementes, umas cinco amêndoas, cinco ameixas secas, quatro ou cinco morangos e meia banana. Misturei. Soube-me lindamente. E fiquei bem.

E agora fico-me por aqui, a noite já vai avançada.

Desejo-vos uma boa terça-feira.

domingo, maio 31, 2026

Será que só eu é que ignorava o significado de GRWM?

 

De manhã deu-me uma ideia. 

(E reparem no verbo. Eu disse: 'deu-me'. As ideias são coisas que, volta e meia, me dão.) 

Já contei que isto de uma pessoa agora comer muitas vezes em casa é coisas que tende a desgastar a imaginação. É relativamente frequente eu não fazer a mínima ideia do que fazer e, quando pergunto ao meu marido o que quer para o almoço ou jantar, ele dar a resposta mais enervante possível: 'O que quiseres'. É que, justamente, não quero nada, não faço a mínima, já esgotei as receitas do meu reportório. Tudo déjà vu, déjà-mangé. 

Pois bem. Ontem o meu marido tinha sugerido uma coisa, mas foi uma daquelas sugestões com ponto de interrogação na ponta: pizza?

A falta de assertividade dele quase me contagiou, mas, enfim, face à falta de alternativas, disse que sim. Aquelas feitas em forno de lenha com alcachofras e presunto, por exemplo, sabem sempre bem. Portanto, que seja.

Mas acontece que acordei com uma ideia: ir aos pastéis de massa tenra. O meu marido reagiu: 'Não se pode dizer que fique em caminho'. Uma falta de entusiasmo que quase me desmoralizou. De facto, não se pode dizer que fique do outro lado da rua, mas não era mais entusiasmante que pizza. Mas a verdade é que a ideia fez o seu caminho dentro dele e acabou por dizer que sim. 

Montanhas de gente. Aquela casa é uma máquina de fazer dinheiro. Literalmente -- é que na Frutalmeidas não aceitam cartões. Tudo el contado. 

Quando lá chego, apesar da barafunda quando se vai à hora de almoço, a verdade é que perco a cabeça. Pensei: vai mas é em dose dupla, almoço e jantar. Trouxe os ditos pastélios, 3, trouxe 2 ovos verdes, um pastel de espinafres, 2 croquetes e um rissólio de camarão. E, embora não fosse a intenção, olhando para o lado, não pôde deixar de ser: uma fatia de tarte de maçã e uma de requeijão. Tudo uma delícia.

Para contrariar as frituras, fiz um arroz de legumes e acompanhámos também com salada de alface e rúcula. E, por cima do bolo, ou seja, a seguir, uns morangos.

Soube-nos pela vida.

De tarde, estive a regar e se há coisa que eu gosto de fazer é de regar. Não sou perdulária em nada; pelo contrário, sou poupada, ponderada. Mas no que se refere a água, se for para lavar ou para regar, facilito. O cheiro da terra molhada, oxigena-me a alma. E ando descalça, molho os pés, sabe-me tão bem. Pelo meio, sempre que passo por debaixo de uma nespereira, alço a mão e lá vai mais uma. Doces, doces que só visto. 

O meu marido, quando me vê a despachar nêsperas, não consegue deixar de manifestar a sua censura: 'Não te parece que estás a exagerar?'. Geralmente não respondo pois entendo que a pergunta é retórica.

A verdade, é que à conta disso, jantei quase nada, as nêsperas tinham-me alimentado bastamente. 

Entretanto, estive a ler as notícias e não vi nada de muito interesse, excepto uma altamente promissora, animadora, espero bem que comprovadamente extraordinária: umas injecções fantásticas estão a dar cabo de alguns cancros. E eu não atiraria foguetes se isto não fosse notícia de destaque no Guardian. Falam em respostas sem precedente em doentes em que a quimio e a radioterapias já não estavam a resultar. Isto é uma muito boa notícia. Aos poucos, um pouco por todo o lado, o cerco ao cancro vai apertando e os resultados começam a ser animadores. Felizmente. 

E, para aliviar do resto das notícias (Irão vai, Irão vem, Ormuz sim, Ormuz sopas, Gaza e Líbano feitos  num oito -- um desatino pegado), desandei para o Insta, a caixa de todas a surpresas. 

Para além das coisas mais ajustadas à minha vibe, volta e meia o Insta testa a minha coerência infiltrando algo de disparatado. Desta vez, apareceu-me uma mulher a sair do banho, a pôr cremes na cara, no corpo e no cabelo, a maquilhar-se, a fazer caracóis, depois a desmanchá-los, depois a perfumá-los e por aí fora, todo um filme em que ela ia reportando os seus actos, depois fingindo que desconstruía o que dizia, rindo e querendo fazer parecer que não se levava muito a sério. Mas claro que se leva, senão não se filmava a fazer aquilo, não é? Provavelmente acha que pode servir de exemplo, quiçá de inspiração. Na volta, é uma influencer. Não sei. Não fixei o nome dela pelo que agora não consigo ir mais longe nesse capítulo. Contudo, uma coisa chamou a minha atenção. No canto do vídeo, umas letras em maiúsculas. Fiquei a pensar que não era a primeira vez que via aquelas letras. Lenta como sou, só hoje me tocou a campainha. Fui então pesquisar. GRWM. 

Como não guardei a cena, agora, para ilustrar este post,
 pedi ao ChatGPT para remediar  a minha falta

E lá está. Nem mais. Existe e tem significado. Get Ready With Me. Claro. E, uma vez mais, não sem uma certa perplexidade, constatei que há toda uma nova cultura que eu desconheço. Pelos vistos todas estas mulheres que se filmam a pentear-se ou a vestir-se ou a maquilhar-se dominam esta cultura. Nestas alturas, sinto-me ignorante. Mas, enfim, hoje já aprendi esta: GRWM. 

E, ainda no capítulo do submundo, outra coisa que me divertiu foi o Trump não estar a arranjar artistas para participar na festarola que está a organizar e em que mistura o 250º aniversário da independência com o seu aniversário. Os que tinham dado o sim estão a bater em retirada. E ele, tresloucado de raiva, não tem feito outra coisa senão fazer posts em catadupa. Sempre quero ver. Alguns pimbas há-de conseguir arranjar, nem que seja à força, ou nem que peça à Sic alguns contactos dos que costumam comparecer no Domingão. Palpita-me que vai ser todo um número de comédia. Na privacidade da sua casa, quando pode despir aquele seu ar institucional, o que o Xi Jinping deve esfregar as mãos, enquanto se rebola a rir....

Trump, Putin, Kim Jong Un, Netanyahu... É o que dá o mundo estar nas mãos de malucos, ainda por cima do tipo de malucos que são perigosos.

E, por hoje, é isto. 

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Desejo-vos um belo dia de domingo

sábado, maio 16, 2026

Ora aqui está o que se pode chamar 'partir a loiça toda'...

 

Tudo, um dia, chega ao fim. Tudo e todos, bem entendido. Mas, por vezes, não chega por razões naturais, mas porque se é empurrado. 

Se há figura incontornável na forma de conversar, de receber, de fazer humor, de saber escolher os convidados, de dizer o que tem que ser dito e fazê-lo sem meias palavras -- essa figura é Stephen Colbert.

O seu indisfarçável pó a Trump valeu-lhe um par de patins. Depois de estar no ar há anos e anos e de ser sempre um sucesso, recebeu guia de marcha. Durante o período que tem decorrido entre o aviso e a data em que vai dizer adeus, que é para a semana, Stephen Colbert tem aproveitado para pintar ainda mais a manta. Bem, não sei se é correcto dizer 'ainda mais' pois ele sempre foi assim, gozão, irónico, certeiro, implacável.

Desta vez, convida o já lendário David Letterman -- percursor, mestre --, e a forma que arranjaram para se divertirem a partir a louça é surpreendente. Vingança a sério... 😂😂😂😂 A CBS deve ficar a ranger os dentes com estas gracinhas...😁

Destruição desenfreada de propriedade da CBS - Letterman e Colbert atiram coisas do telhado do Ed Sullivan.

David Letterman convida Stephen Colbert para repetir um dos quadros mais queridos e gratificantes do "Late Show" de Letterman.


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E, portanto, como se vê, ainda não é hoje que chuto à baliza e partilho algumas das medidas que não tenho dúvida que fariam toda a diferença no pântano de águas paradas e pouco perfumadas que é a realidade da terceira idade em Portugal. Como previa, não tive tempo para me dedicar. Dia atarefado... 

E, para além do mais, parece que agora sou eu que estou a ficar engripada. O meu marido tem andado assim. Começou com dores de garganta, depois congestionado, corpo dorido, abatido, e agora tosse, tosse, tosse. Aliás, tenho ido sozinha ao ginásio pois ele não se tem sentido minimamente com pedalada para ginásticas. E eu, estranhamente, fresca como uma alface, a achar que o meu sistema imunitário estava a bombar. Pois bem, parece que nem por isso. Já estou a chupar uma pastilha para a garganta, já espirrei não sei quantas vezes, ardem-me os olhos, estou assim a modos que não sei quê. Pode ser que, com uma noite sono, isto me passe. Não me apetecia nada agora ser eu a ficar jururu.

Tirando isso, tá-se.

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Um bom sábado para todos
Saúde. Alegria. Paz.

sexta-feira, maio 15, 2026

Um pesadelo -- e, no fim, para rematar, dois mandamentos que encerram o conteúdo de 'Os Dez mandamentos da Lei da Pança'

 

Hoje tive um dia mais ocupado e disperso do que é costume. Para além disso, um pesadelo acordou-me ainda muito cedo e era daqueles que, de tal forma se enrodilham em volta dos neurónios, já não me deixou voltar a adormecer. Por isso, durante o dia, nos momentos em que estive parada, estive a combater o sono. Mas não consegui: há bocado adormeci aqui no sofá, de forma pesada. A ver se não me vai causar insónia.

O pesadelo foi mais um daqueles que não tem por onde se pegue mas que teve uma ponta final que me deu conta do juízo. Conto. Tinha sido um daqueles dias na empresa que começavam da pior maneira: mal punha o pé dentro, logo alguém se acercava para me atazanar a cabeça com problemas, sem me dar tempo a pousar, a beber café, a ligar o computador. Portanto, tinha largado a carteira e o telemóvel e tinha sido puxada por esse colega para ir ver um assunto urgente. Mas o tema em causa não era no nosso piso: fomos pelo corredor, mas era um corredor comprido que parecia que circulava em torno de muitos gabinetes, até que chegámos a um elevador, no que devia ser a extremidade do edifício; e tínhamos ido para outro andar. A pessoa com quem ele queria que eu falasse estava ocupada e ele sentou-se à espera. E eu pensei que de líder ele não tinha nada pois a pessoa, que hierarquicamente dependia dele, tinha continuado, nas calmas, como se não visse que nós estávamos à espera e como se nem tivesse consciência que ambos éramos pessoas muito ocupadas, para estar ali especados, à espera. E eu com vontade de beber café e a pensar que devia ter trazido o telemóvel. O meu colega, entretanto, tinha começado a contar-me sobre os filhos, sobre o seu amor ao teatro, e falava, falava, falava. E eu a ver o tempo a passar. Às tantas, fartei-me daquele número e resolvi voltar para o meu gabinete. Mas apanhei um elevador que me levou para uma zona que eu não conhecia e que não tinha saída. E não vou estar a descrever o raio do labirinto em que me vi metida. Só que andava por lugares em que toda a gente com que me cruzava me era desconhecida. E eu pensava que àquela hora já o meu marido deveria estar lá em baixo à minha espera pois tínhamos combinado ir almoçar juntos. E eu, sem telemóvel, não tinha como avisá-lo. 

E o sonho basicamente foi isto. Mas eu não dar com a saída, andar acima e abaixo, às tantas já andava em monta-cargas, imagine-se, e não dar com o caminho para o meu gabinete, não poder comunicar com ninguém, fez com que acordasse completamente desatinada.

Provavelmente tem a ver com um colega me ter dito que a empresa agora já ocupa mais uma ala do edifício, aliás, se bem percebi, o edifício contíguo, que têm estado a admitir montes de gente, que, se eu lá fosse, se calhar, tirando uns três ou quatro, já não ia conhecer ninguém, que ele, que lá trabalha todos os dias, passa a vida a cruzar-se com gente que não sabe se é de lá ou se são consultores ou alguém de fora que veio para alguma reunião.

Ainda no outro dia, um outro que trabalhava directamente comigo, um dos resistentes, me contava que ia sair dentro de poucos meses, que já tinha tratado de tudo. Eu fiquei muito espantada pois ele está ainda bem longe da idade da reforma. Mas disse-me que começou a trabalhar cedo, tem muitos anos de descontos, e que, sobretudo, que as coisas tinham perdido a graça, que aquilo mais parecia o recreio da escola ou, por vezes, uma esplanada, que 'a malta gosta é de conviver, todos lá muito na curtição deles, ao fim do dia, e ainda o dia não terminou, é vê-los a juntarem-se para irem para o rooftop', que parece que a história e a tradição da empresa se estavam a esvair rapidamente. Quando pergunto por um ou outro, já tudo saiu. Não sei se é a empresa a querer rejuvenescer à força toda, se é a malta mais velha que se cansou. 

Mas deve ser por isto que depois, de noite, a minha cabeça se perde em meandros que já não conheço.

Tinha dito que ia tentar partilhar o resto do estudo de ontem sobre a Terceira Idade mas, muito francamente, pouco tempo e pouca disponibilidade mental tive para avançar nisso. E amanhã também não vai ser fácil, mas logo vejo.

Também estou a hesitar sobre se devo partilhar aqui alguma da 'descodificação' dos papéis velhos, velhíssimos, alguns com mais de um século, que trouxe de casa dos meus pais e que pertenceram a bisavós, um de cada lado e que o Claude -- apesar das manchas do papel ou da tinta esbatida ou da caligrafia muito diferente da actual -- descortinou com uma perna às costas. São documentos que têm muito a ver com a história da minha família.

Talvez partilhe amanhã, pela graça -- e porque nada têm de pessoal ou reservado --  o 'Padre Nosso d’um bêbado' e 'Os Dez mandamentos da Lei da Pança' que um tio-avô ou a mãe dele, minha bisavó -- certamente algum dos dois -- , escreveram, com uma caligrafia espantosa, em 1911. Não sei se é coisa de lavra deles ou se reproduziram alguma coisa que ouviram algures. Por hoje, limito-me a transcrever o remate desses mandamentos:

"Estes 10 mandamentos se encerram em dois: - Comer até arrebentar, beber até cair."

Ora bem!

Pintura by ChatGPT
(pedida para ilustrar os ditos 10 mandamentos)

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Desejo-vos um dia feliz

quarta-feira, abril 15, 2026

Temos a prova: Trump é o pior idiota da história.
-- É ele e o J.D. Vance, que já é visto como o novo gato Oscar... --

 

Depois dos passeios e lides no campo, 

-- e se me veem no Instagram (e já tenho 726 seguidores... -- dá para acreditar...?) --, 

estarão a acompanhar as minhas deambulações pelo meio das árvores, umas de pé, outras já cortadas às postas, pelo meio das silvas e etc., eis que agora, recolhida, tenho estado a ver uma dupla com que me divirto grandemente: conversar ou ouvir a conversa entre gente inteligente é outra coisa.

Joanna Coles solta gargalhadas de gosto, e eu com ela, e, quando David Rothkopf afirma que o morto que Jesus Trump tenta acordar do seu leito de morte não é outro senão Jeffrey Epstein, por pouco não projecta todo o chá que tinha na boca. 

E eu, que tenho estado a beber um belo chá de curcuma, por pouco não fiz o mesmo. O Jon Stewart achou que era ele e, de facto, assim de lado, quase poderia ser. Mas, vendo bem, parecido, parecido mesmo, o morto é bem capaz de ser o Epstein. 


E isso torna a maluquice ainda mais disparatado, mais insólito. 

Outro momento delicioso, embora de humor negro, é quando J.D. Vance é comparado ao gato Oscar, o célebre gato que quando se deitava ao pé de uma pessoa no lar em que vivia, pouco depois a pessoa estava morta. Por mais de 100 vezes, isso aconteceu. Andava por ali a vaguear e, de vez em quando, entrava num quarto e aconchegava-se ao pé da pessoa. De duas a quatro horas depois, já estava, a pessoa quinava. Por fim, a família já corria com o gato, chega para lá, ó urubu. Punham-no fora do quarto, fechavam a porta. Mas o gato não se afastava, ficava à porta a miar.

Ora acontece que o J. D. Vance foi visitar o Papa Francisco e, hélas, pouco depois, o Papa morreu. Agora foi pôr-se ao lado de Órban e, ups, Órban levou uma banhada monumental, incrementada pelo efeito J.D. Vance.

Mas, enfim, é ver porque aqui fala-se de tudo. Por exemplo, estará a base MAGA a desmoronar-se? E o que dizer da derrota da Hungria,  do desastre do Irão?

I've Got the Proof: Trump Is History's Worst Idiot | The Daily Beast Podcast

David Rothkopf, correspondente principal de assuntos globais do Daily Beast, junta-se a Joanna Coles para explicar porque está convencido de que a história vai julgar Donald Trump como o idiota mais poderoso e o maior idiota de sempre. Numa conversa abrangente e dinâmica, Rothkopf e Coles analisam os crescentes conflitos de Trump — do Vaticano ao Irão — juntamente com o espetáculo surreal das suas publicações autoproclamadas como "divindade" e as consequências globais das suas decisões. Exploram também as repercussões políticas nos Estados Unidos e no estrangeiro, incluindo a surpreendente derrota de Viktor Orbán e o que isso sinaliza para o futuro do populismo de direita. É uma análise perspicaz e provocadora sobre o poder, a instabilidade e a realidade cada vez mais bizarra que molda a política global.


quinta-feira, abril 09, 2026

Sobre o que o estúpido que tem a memória e a cor de um peixe dourado e a sua turma de estúpidos andam por aí a fazer

 

Não há qualquer racional em nada do que se passa. Qualquer. Bola. Zero.

Durante uns tempos, nas empresas, estava na moda o 'racional'. Qual é o racional? Era a pergunta que se fazia. Não havia apresentação que não se estruturasse em torno do racional. Claro que, só por ser moda, já eu fugia a sete pés de usar a expressão. 

Mas agora, ao ver o desconchavo permanente, só me apetece dizer que aquilo a que se assiste é a coisa mais irracional a que já alguma vez se assistiu. Por muitas perspectivas pelas quais se olhe, não há qualquer racional.

Um fulano que nunca foi bom da cabeça e que agora, em cima do fraco intelecto e da distorção de personalidade, está demente ser o presidente dos Estados Unidos é daquelas coisas que, se fosse ficção, seria delirante.

Mas é verdade. Não é ficção. 

E tão perturbante como ver a democracia a ser destruída naquele país e o mundo a ser sugado por um buraco negro é ver como ainda há anormais, tão ou mais estúpidos que ele, que, por lá, por cá e por onde calha, continuam a apoiá-lo. E os que não o apoiam, republicanos não MAGA, mas que não mexem uma palha, por cobardia ou receio de perderem o poder, são igualmente deploráveis. Hoje vi que agora até ameaçaram o Papa. Como o Papa o tem criticado, estão furiosos e, como sempre, não param para pensar- Mas ameaçar o Papa? Onde é que já vamos? É que tantas fazem que já nem dá para acreditar. 

Esta história do cessar fogo que não é cessar fogo coisa nenhuma, é um arremedo de coisa em forma de assim, um conjunto de medidas que o Irão impôs e que o palhaço cor de laranja aceitou -- certamente sem sequer saber o que estava a aceitar, deserto que estava por sair da saia justa em que a sua cabeça desgovernada o tinha metido -- é mais um episódio da fantochada circense que aqui está armada. É que ainda poderia parecer que aquilo era uma coisa assim a modos que mais ou menos. Isto se nos abstrairmos do curioso facto de agora ser o agredido a mostrar que é quem manda, e o agressor, feito caniche que já só quer é ver se consegue abocanhar algum bocado de osso, por exemplo uma percentagem das portagens no estreito de Ormuz, a andar a toque de caixa. Foi à monda e saiu mondado. O pior é o criminoso Netanyahu, que vive de espalhar sangue e que se alimenta do pó da destruição, que não consegue parar de atirar mísseis. Não sei de onde lhe vem tanto dinheiro para tanto material de guerra nem sei como consegue manter-se incólume no meio da desgraça que tem trazido àqueles territórios -- mas isso são outros quinhentos, como sói dizer-se. Mas, portanto, enquanto uns quererem fazer crer que se deu um belo passo a caminho não se sabe bem de quê, está aquele assassino a mostrar que se está bem a marimbar para tudo o que não seja escaqueirar tudo à sua volta a ver se abocanha mais um bocado de terra. Um gémeo separado à nascença de Putin.

Mais uma vez, onde ouço as análises mais interessantes para o caos e para o bailinho que está globalmente armado é nas conversas entre Joanna Coles e o muito bem informado Michael Wolff. Esta conversa foi gravada na terça feira antes de Trump ter, de novo, e neste caso ainda bem, demonstrado que TACO. Mas toda a conversa é actual e muito reveladora de como tudo aquilo funciona.

O que é mais em cima do acontecimento e igualmente imperdível é a reacção de Jimmy Kimmel, gravada já depois de Trump ter enfiado o rabo entre as pernas (vamos ver por quanto tempo, que aquilo ali, bicho maluco, cruel e desencabrestado, nunca será de fiar). Divertido, certeiro, implacável, assim é sempre Jimmy Kimmel. Não admira que Trump o odeie. Mas com as raivinhas de Trump pode ele bem. Começo por partilhar a sua intervenção sobre o Dia-D de Trump, D de Demência, claro.

Trump acobarda-se (chickens out) depois de ameaçar toda uma civilização com a morte, e até os lunáticos o acham louco.

Hoje foi o prazo final dado por Trump para o Irão abrir o Estreito de Ormuz ou ser bombardeado. Publicou esta manhã que, se não concordassem, "uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser trazida de volta". Felizmente, era terça-feira de tacos e ele decidiu não abandonar a chalupa durante pelo menos mais duas semanas. Ninguém parece fazer ideia de qual é o plano dele. Alguns membros proeminentes da comunidade de lunáticos estão a pedir a sua remoção através da 25ª Emenda. Lindsey Graham participou no programa de Hannity para dar o seu total apoio à guerra. Bill Gates e Howard Lutnick foram intimados a depor perante a Comissão de Supervisão da Câmara sobre Epstein. O Procurador-Geral interino, Todd Blanche, falou sobre se gostaria ou não do cargo a tempo inteiro. Trump falou com a tripulação da Artemis II e o congressista Tim Burchett disse ao TMZ que viu provas de vida extraterrestre. E JD Vance tem aprimorado as suas capacidades de oratória e comédia!

E agora o Daily Beast, a impagável dupla Joanna Coles e Michael Wolff, Dentro da Cabeça de Trump

O verdadeiro motivo pelo qual Trump nunca irá recuperar: Wolff | InsideTrump's Head

Michael Wolff junta-se a Joanna Coles enquanto Donald Trump intensifica o seu bluff mais perigoso até à data, ameaçando a destruição a uma escala nunca vista desde a Segunda Guerra Mundial, encurralado por uma guerra que prometeu nunca iniciar. As ameaças tornam-se mais elevadas à medida que as opções diminuem: o Irão aperta o cerco ao estreito de Ormuz, a instabilidade global do petróleo aumenta e o presidente do "não às guerras intermináveis" vê-se preso na guerra que ele próprio iniciou. Wolff defende que o caos é agravado por um círculo cada vez mais reduzido de apoiantes leais, desprovidos de poder de decisão, um nervoso JD Vance a estar discretamente posicionado para absorver a culpa e um mundo pró-Trump já a preparar-se para as consequências políticas. Wolff sugere que este é provavelmente o início do seu fim: um presidente que intensifica as ameaças porque está encurralado e uma base dividida a clamar por rebelião.
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E, se vos apetecer desanuviar, aconselho-vos a descer um pouco mais. 
Quando duas mulheres inteligentes se põem à conversa o melhor a fazer é ficar a ouvir

quarta-feira, abril 08, 2026

Conhecemo-nos...?

 


Um encontro casual no elevador entre Anna Wintour e Miranda Priestly

(Afinal, iam fazer a capa da Vogue)


quinta-feira, março 12, 2026

Trump compra sapatos para os seus totós amestrados e eles têm medo de não os usar, incluindo o Mark Rubio a quem os sapatos ficam a chinelar

 

Não foram os mortos, os estropiados, os deportados, os que ficam sem casa e sem família, os que ficam desempregados, os que ficam sem apoios a nível social ou de saúde ou de alimentação e todos os demais que se incluem entre as inúmeras vítimas da crueldade e da estupidez exacerbada de Trump, e tudo isto poderia ser um filme cómico.

Já tinha visto nas redes sociais mas, como sempre que vejo coisas parvas demais, desconfio que sejam fake news e mantenho-me de bico calado. Infelizmente, nestes desgraçados tempos, a realidade anda a ultrapassar a ficção pela esquerda, pela direita, por cima e por baixo.

Quando o Guardian confirma, eu rendo-me: é mesmo verdade. Transcrevo:

Segundo os relatos, Trump presenteia os membros do gabinete e os visitantes da Casa Branca com sapatos Florsheim.

Alguns funcionários do governo queixam-se de ter de usar calçado de qualidade inferior em vez dos seus modelos de luxo favoritos.

Sentado atrás da secretária Resolute, Donald Trump fixou o olhar nos pés de JD Vance e de Marco Rubio. “Marco, JD, vocês têm uns sapatos s—xy”, disse o presidente dos EUA, consultando um catálogo e perguntando o número que calçavam. Rubio disse 11,5 e Vance 13. Trump recostou-se na cadeira e comentou: “Dá para perceber muita coisa sobre um homem pelo número do sapato.”

A história é relatada numa reportagem do jornal The Wall Street Journal que conta como responsáveis, conselheiros e aliados visitantes estão discretamente a adquirir sapatos de couro oferecidos por Trump, que lhos apresenta com o entusiasmo de um vendedor ambulante.

Reuniões do gabinete, almoços e passagens pelo Salão Oval podem transformar-se subitamente em conversas sobre calçado.

“Recebeste os sapatos?”, pergunta ele aos colegas, segundo várias pessoas familiarizadas com o ritual citadas pelo jornal. Alguns chegaram mesmo a experimentá-los no Salão Oval.

Uma funcionária da Casa Branca comentou com ironia: “Todos os rapazes os têm.” Outra acrescentou: “É hilariante, porque toda a gente tem medo de não os usar.” (...)

Donald Trump, agora com 79 anos, terá começado no ano passado a procurar algo mais confortável para usar durante os longos dias de trabalho no cargo. Depois de se decidir pelos sapatos da Florsheim, começou também a encomendar pares para outras pessoas. Segundo a Casa Branca, ele paga os sapatos do próprio bolso.

Marco Rubio e JD Vance receberam os seus Florsheim depois de uma reunião em dezembro no Salão Oval. Membros do governo como Pete Hegseth e Howard Lutnick também passaram a fazer parte do “clube”, assim como os comentadores conservadores Sean Hannity e Tucker Carlson e o senador republicano Lindsey Graham.

Diz-se que um membro do governo se queixou em privado de que o presente presidencial o obrigou a aposentar os seus sapatos preferidos da Louis Vuitton — embora poucos pareçam dispostos a arriscar ofender o chefe deixando os Florsheim por usar.

O presidente desenvolveu até um pequeno truque de salão: adivinhar o número de sapato das pessoas. Quando fica satisfeito com o palpite, instrui um assessor a fazer a encomenda. Uma semana depois, chega à Casa Branca uma caixa castanha, por vezes com uma assinatura ou uma breve nota de agradecimento de Donald Trump, relata o The Wall Street Journal.

O hábito tornou-se tão rotineiro que alguns assessores dizem que agora existe uma pequena pilha de caixas de sapatos num gabinete próximo, cada uma com o nome do destinatário. (...)


Tão ridículo, tão, tão ridículo, caraças. Não dá para acreditar

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E são estas mesmas araras descerebradas que estão a lançar o caos e a destruir o Irão, a afundar submarinos cheios de gente, a bombardear uma escola cheia de meninas, a desestabilizar uma dúzia de países, a fazer desacreditar na viabilidade da lei e da ordem baseadas no direito internacional.

Eu sei porque é que a guerra de Trump está em desordem: Wolff | Dentro da cabeça de Trump

Michael Wolff e Joanna Coles discutem a guerra de Trump contra o Irão em tempo real, revelando um comandante-chefe que parece conduzir a guerra da mesma forma que conduz um comício: improvisando a cada instante. Do bizarro regresso da antiga ameaça de Trump de "fogo e fúria" às declarações contraditórias sobre a vitória, rendição e bombardeamento do Irão "de volta à Idade da Pedra", Wolff explica porque é que fontes internas afirmam que não há um plano, apenas improvisação. Entretanto, o Secretário da Defesa, Pete Hegseth, esforça-se por explicar uma estratégia que pode nem existir, os republicanos entram em pânico com o aumento dos preços da gasolina em vésperas de eleições intercalares, e o próprio Trump parece entusiasmado com o espectáculo. À medida que a retórica se intensifica e os objectivos da guerra permanecem indefinidos, Wolff e Coles expõem o caos, as contradições e os riscos políticos por detrás de um conflito que poderá terminar amanhã ou tomar um rumo imprevisível em Washington.

Um mundo que atravessa tempos para esquecer

sexta-feira, fevereiro 27, 2026

OMG, how stupid they are...

 

Não foi tanto o chorrilho de mentiras, os disparates sucessivos, a infantilidade da conversa, a descarada provocação aos adversários políticos - foi, sobretudo, a atitude dos correlegionários.

De 10 em 10 segundos levantavam-se para aplaudir, sorrindo em êxtase, abanando aquiescentemente a cabeça. Como marionetas enfeitiçadas, assim eles. Dissesse Trump as alarvidades que dissesse, aldrabices sem ponta por onde se lhes pegasse, proferisse as afirmações que proferisse algumas delas de arrepiar a consciência de quem respeite o civismo, o conhecimento, a verdade, e logo os deus patetas atrás, J. D. Vance e Mike Johnson, se levantavam, desfeitos em sorrisos e aplausos. Ao mesmo tempo a plateia fazia o mesmo. 

Ora não é possível que entre toda aquela gente não houvesse um ou outra com dois dedos de testa. Não se pede muito mais. Não se pede uma boa dose de escrúpulos, de conhecimento da história, nomeadamente da história económica do país, de bom senso, de respeito alheio. E, no entanto, ali estiveram, durante quase duas horas, a levantarem-se e a sentarem-se, a babarem-se perante um burro, um demente, um estúpido, um alarve.

Que raio de mundo é este? 

Não creio que este comportamento acéfalo seja específico dos americanos. Podemos vê-lo nos cultos e nos regimes ditatoriais. Mas, mesmo aí, não sei se o grande líder tem o despudor de dizer tanta mentira, de ser tão aberrantemente provocador, mal educado. Salazar, Mussolini, Hitler e toda essa estirpe de gente, e reportando-me apenas, aos idos, despertaram grandes manifestações de apreço e gáudio.

Ou seja, é a raça humana que é mesmo assim. Quase metade de nós é para esquecer: uns ignorantes, estúpidos, acéfalos, maldosos, vingativos, invejosos, cruéis. Somos nós, ou melhor: alguns de nós, que elegemos os piores, os mais perigosos, os fascistas, os nazis, que os mantemos no poder, que lhes damos a força de que necessitam para darem cabo de parte da população.

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Felizmente, Jimmy Kimmel ainda consegue dizer das suas. E que bem que as diz. Haja alegria.

Jimmy Kimmel reage ao discurso de Donald Trump - State of the Union Address 2026

Jimmy reage ao discurso sobre o Estado da União de Donald Trump. O discurso estendeu-se por muito tempo, a popularidade de Trump está no ponto mais baixo do seu segundo mandato, todo o tempo sentado e de pé deixou o vice-presidente JD Vance entusiasmado, a equipa masculina de hóquei dos EUA compareceu após visitar a Casa Branca, a equipa feminina de hóquei dos EUA recebeu uma oferta melhor de nada mais nada menos que Flavor Flav, as pessoas estavam a apostar no que Trump diria esta noite, e temos a réplica oficial dos democratas ao discurso de Trump, feita por nada mais nada menos que o governador da Califórnia, Gavin Newsom (Josh Meyers).