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quinta-feira, julho 16, 2026

A vida no palácio

 

Tinha pensado escrever mais um post sobre o tema dos exames mas, à última hora, resolvi que não. Sempre tive um problema na minha vida: parece que antecipo os problemas. Ainda eles não aconteceram e já eu estou capaz de dizer, tim-tim por tim-tim, o que vai acontecer. Pode até parecer que estou a agoirar, mas não é, quero apenas tentar que se evite que aconteçam. Mas as pessoas reagem mal, acham que estou a preocupar-me á toa, dizem que há que dar o benefício da dúvida, que pode ser que as coisas corram bem. Mas eu, quando tal acontece, sei que não podem correr bem. Nunca engracei especialmente com grafos mas, caraças, parece que a mecância ficou gravada na minha cabeça. Dou por mim, a percorrer os caminhos críticos, a detectar os caminhos que são dead ends, a ver o que devia estar a ser feito em paralelo, a antecipar a barracada por estar a fazer em série coisas que, com toda a probabilidade, vão dar bode e empancar todo o processo. Mas como verbalizar isto? Não dá. 

Se me dissessem 'vamos digitalizar os exames' eu adoraria fazê-lo e, acto contínuo, começaria a delinear todo o processo. E, de caras, vos digo: seria um processo limpinho, económico, sem falhas. Se em contrapartida me aparecesse um bando de anhucas a propor implementar o processo que está em curso eu mandá-los-ia ir dar banho ao cão e nunca mais perdia um minuto da minha vida a ouvi-los. O que está em curso não é uma modernização, não é uma transformação (no bom sentido): é um aborto. Com todas as letras: um aborto. Mais um dos abortos em que o Governo de Montenegro se especializou. Um aborto. Não tem ponta por onde se lhe pegue. Não é moderno, não é eficiente, não é racional, não é económico, não é coisa nenhuma. É um aborto.

Não preciso de vir a ter conhecimento concreto sobre o que vai passar-se nos próximos dias: já o sei.

E tudo o que ouço ao Fanã Alex, ao Luís, ao Hugo, ou a qualquer desses cromos (incluindo a intragável Ana Paula) só prova que é gente que não sabe o que anda a fazer, gente incompetente e irresponsável.

Já aqui falei disso muitas vezes: um colega e amigo dizia-me muitas vezes: 'ter razão antes de tempo, em termos práticos, é o mesmo que não ter razão'. Por isso, não vou estar para aqui a enumerar as burrices imperdoáveis que toda esta gente anda a cometer. Na sexta-feira ao fim do dia falamos. Se estiver enganada, e muito gostaria de estar, será bom para os alunos e para as famílias e, até pelos meus dois netos que estão envolvidos nesta cegada, eu gostaria que tudo corresse bem.

Mas, portanto, em vez de falar nisto, opto por partilhar um vídeo que é, todo ele, um documento: as relações de poder, de chantagem implícita, a bajulação, a anulação da personalidade, e, ao mesmo tempo, a capacidade de tirar proveito de uma situação que tem a anulação implícita, são um roteiro do que se passa nos corredores do poder da Casa Branca. Não sei se é só na Casa Branca ou se é também em Downing Steet, no Eliseu, em S. Bento -- não sei. Mas é interessante perceber como funcionam as 'fontes', como a informação é veiculada.

Lindsey Graham morreu. O amigo indefectível de Trump morreu. Homofóbico, defensor da perseguição aos gays era, contudo, um gay. Toda a gente sabia disso, inúmeras histórias circulavam, e, no entanto, ele manteve-se até ao fim no armário. E Trump sabia disso. E, portanto, tinha-o na mão. Mais do que um grande amigo e um asqueroso puxa-saco de Trump, Lindsey Graham tinha medo dele.

O vídeo fala disto e de muito mais e é, como sempre, muito interessante. Mais do que tentar encontrar motivações ou estratégias políticas na actuação de Trump, talvez seja mais útil perceber como funciona a cabeça destrambelhada do doido varrido e quais as dinâmicas dos ridículos personagens que por ali gravitam.

Este é o motivo obscuro pelo qual Trump aterrorizou Graham | 

Dentro da mente de Trump

Michael Wolff e Joanna Coles investigam as consequências políticas da morte súbita de Lindsey Graham, revelando o que Trump realmente pensava por detrás das suas homenagens públicas, como são elaboradas as publicações do Truth Social dentro do seu círculo íntimo e porque é que a complexa relação de Graham com o presidente era motivada tanto pelo medo e influência como pela lealdade. Analisam também as crescentes especulações em torno da saúde de Mitch McConnell, o conflito cada vez mais inescapável de Trump no Médio Oriente, apesar da sua promessa de evitar guerras intermináveis, e porque é que Michael acredita que o presidente está preso à sua própria incapacidade de mudar de rumo. Por fim, voltam-se para uma força inesperada que está a remodelar o Partido Democrata, argumentando que Bernie Sanders pode ter tido um impacto muito maior na política norte-americana do que até os seus críticos estão dispostos a admitir.

quinta-feira, junho 25, 2026

Por um lado um tremendo sismo, por outro o Kiko is Hot

 

À minha frente, o caos: prédios em ruína, muita gente na rua, repórteres tentando descrever a confusão a que se assiste, pessoas espreitando os escombros, equipas de resgate.

Na televisão, um comandante diz que é mau haver tanta gente naquele cenário, diz que é indispensável ouvir os sons, interpretá-los, deduzir os riscos, prevenir males maiores. Com tanta gente e tanta confusão, não se consegue prestar atenção aos sons.

Vi o que me parecia ser o aeroporto e muita gente em pânico e nuvens de pó que talvez fossem de paredes a ruir. 

Vejo imagens avulsas, as ruas cheias de gente, edifícios com fissuras, pó, confusão, espaços destruídos e sangue na parede, sangue no chão, e nem compreendo bem o que estou a ver, só percebo que se está na presença de uma force majeure, de um act of god. A natureza, por vezes, dá um coice. E este parece ter sido dos valentes.

Um outro comandante, num outro canal, diz que um dia pode acontecer por cá. Falam nos kits de sobrevivência. Tenho ali na escada uma mochila com o que é suposto, o meu marido nisso não facilita. Mas penso nos meus: será que também têm? Será que, para cada um há uma mochila com os artigos recomendados? É que numa situação como a que estou a ver na televisão, ninguém consegue deslocar-se para ir acudir os que não estão ao nosso lado. Assusta-me isto porque sei que, perante uma calamidade desta dimensão, há muita gente que não tem a sorte de sobreviver e, entre os que sobrevivem, muitos serão os que perderão familiares, a casa ou outros bens. Um drama muito grande.

E só dei por isto certamente já um bom bocado depois de ter começado a ser denunciado pois estava a ver, atentamente, a entrevista da Mafalda Anjos ao Kiko is Hot. O jovem é outro sismo, embora de outra natureza. Sobretudo, não causa danos alheios. Mas ao afirmar-se da forma como se afirma  -- consciente das suas ambiguidades que aceita como parte integrante de si próprio, diferente nos seus contornos exteriores, mas uma pessoa tão pessoa como todas as pessoas e, portanto, com tanto direito a respeito e aceitação como qualquer outra --, acredito que provoque um sismo na consciência débil dos ortodoxos, dos quadrados, dos atrasados mentais, dos trogloditas.

Parece ser uma boa pessoa e ter um agradável sentido de humor. Quando comecei a ter conhecimento de pessoas via Instagram, pessoas que, de outra forma, não chegariam facilmente até mim, já aqui falei dele. Neste mundo das redes sociais -- a que só cheguei o ano passado, pois é uma realidade contagiante que assenta num algoritmo (e num modelo de negócio) que me causa uma certa repulsa -- aparecem-me personalidades curiosas, diferentes das que frequento ou das que normalmente acompanharia no meu dia a dia. E, no entanto, agora que sei da sua existência, gosto de saber delas. E não é só por cá. Por exemplo, gosto imenso de ver as publicações de Coco | Max Norman, acho o máximo.

Contudo, ao ouvir o Kiko is Hot, percebo como atravessou o seu tempo de adolescência e de juventude com agruras que não podem ter sido fáceis de suportar. E se a sociedade em geral rejeitar ou olhar de lado para uma pessoa deve desestabilizar emocionalmente uma vida, imagino o que é quando a incompreensão ou rejeição nasce na própria família. Mentes curtas, apertadas e mal formadas sempre temeram a diferença. É uma pena, mas é verdade. São pessoas limitadas, a sua capacidade de entendimento não dá para mais. E só alguém com um grande cabedal psicológico ultrapassaria isso e chegaria até aqui com um sorriso tão bonito, com um ar tão pachola e querido. 

Só tenho pena é que com a evolução e as descobertas dos novos tempos nem sempre venha, de forma natural, a aceitação pela diferença. Há aspectos em que não evoluímos. O género humano, em parte, está em processo de regressão, como se estivesse a voltar à condição de símio. São os populistas, os racistas, os xenófobos, os misóginos, os homofóbicos, os fascistas, os nazis -- toda essa seita de estupores encartados.

Pela parte que me toca, só tenho a dizer que admiro a Mafalda Anjos por dar voz ao Kiko is Hot e que o admiro a ele por dar voz às pessoas sem voz que, tal como ele, de uma forma ou de outra, são um pouco diferentes do que é habitual.

E só espero que o Kiko seja muito feliz, que vá alcançando tudo o que deseje. Já tem a sua casa, há de ter a sua família, ie, a família que formará, e já tem certamente muitos amigos e muito sucesso profissional. 

E, numa outra escala, numa outra dimensão, espero também que os sismos na Venezuela não sejam tão maus como parecem. Parte-se-me o coração ao ver o que para lá vai.

Kiko is Hot: “Só agora estou a reconhecer que mereço ser feliz” | Inventário Pessoal | RTP Antena 1

Cresceu com insultos, violência psicológica e um pai que foi o seu primeiro bully. Recusou sempre enfiar-se em caixinhas. O comunicador e ativista social trabalha para apanhar os fragmentos do chão e sair da escuridão.


Um dia feliz para todos, pelo menos na medida das possibilidades

domingo, novembro 16, 2025

Já há até quem diga que, afinal, o entusiasmo pelo Big Beautiful Bill já vem de trás

 

Talvez o jornalismo venha a noticiar, de forma estruturada, o que já se vai sabendo. Talvez os historiadores consigam contar a história ainda estando ela a fumegar. Seria útil.

Os ficheiros ainda não foram divulgados mas, enquanto o pau e vem, folgam os que vão vendo os mails que, mais ou menos a conta-gotas (a conta-gotas  ou à chuveirada), vão sendo libertados.

E, não sendo a informação devidamente tratada, tudo é pasmo e quiçá especulação. Pode até acontecer que tudo seja verdade mas tudo é de tal forma estapafúrdio que penso que todas as dúvidas são legítimas.

Não são apenas os nomes envolvidos, que são mais que muitos, variados, alguns antes supostamente insuspeitos. É também a dimensão da trama, o perverso e louco e inverosímil que é tudo. Vai-se sabendo e vai ficando cada vez mais difícil de assimilar.

É, pois, natural, que toda a gente que gosta de parodiar a realidade tenha muito por onde pegar. Maggie Reed não perde uma. E diverte-se à brava.

Já aqui abordei o tema -- aquele mail em que, em poucas palavras, Mark se dirige ao mano Jeffrey, fazendo-lhe uma pergunta em que se junta o Trump, o Putin, o Bannon e um tal Bubba, e que deixou as redes sociais ao rubro. Hoje partilho alguns dos vídeos em que Maggie Reed goza que se farta.

Entretanto, parece que Mark Epstein já veio dizer que aquele mail não passou de uma brincadeira entre irmãos e que não metam o Clinton ao barulho, coisa que parece que também não está a ser levada muito a sério.



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Desejo-vos um belo dia de domingo

terça-feira, junho 17, 2025

3 postais

 

Postal 1

Quando, à tarde, fazemos caminhadas alargadas, por vezes cruzamo-nos com jovens que vêm de algumas obras e vão apanhar um autocarro lá mais ao fundo. Todos negros, pele absolutamente negra, 

Fico sempre agradada com o seu perfume. Cheiram a banho fresco, a cuidados com o corpo e com o rosto. 

Fico a pensar que devem dormir em bairros clandestinos, se calhar sem casa de banho, em casas frágeis e temporárias, ou em quartos, se calhar vários colchões no chão. Nas obras devem ter possibilidade de tomar banho e de se arranjar. Vêm bonitos, bem arranjados.

Devemos muito a estas pessoas que fazem as nossas casas e arranjam as nossas estradas e jardins e que vivem tão precariamente. Pessoas como nós.


Postal 2

Íamos a caminhar à beira da praia, sempre linda e ainda mais ao entardecer. 

À nossa frente ia um jovem alto e robusto, encorpado, aspecto de jogador de rugby. Vinte e muitos, trintas e poucos anos, pernas grossas, peludas, todo ele robusto e musculado, mas sem ser daquele género de ginásio, mais o género desportista de desporto de equipa. Cabelo curto um pouco despenteado, barba. Vestido casualmente, risonho, bem disposto. 

Ao lado dele, um outro jovem em tudo o oposto. Mal chegava ao ombro do calmeirão, perninhas fininhas, todo ele magrinho, um cabelo fino, algo esvoaçante, óculos brancos, graduados. Para acompanhar a passada firme e larga do grandão, o magrinho parecia uma frágil libelinha quase saltitando em volta. Ao ir atrás deles, pareceu-me reparar que, de vez em quando, as mãos quase se tocavam. Conversavam, riam, de vez em quando abrandavam ligeiramente, parecia-me que o grande lenhador percebia que o outro estava com dificuldade em acompanhar a sua passada ampla. 

Perguntei ao meu marido: 'Não é um casal, pois não?'. O meu marido ia focado no nosso cão e noutros pois há sempre quem deixe os seus sem trela e há que evitar encontros destes, pois facilmente tendem para o confronto. Olhou de relance e foi categórico: 'Não!'. 

Mas, nessa altura, pararam ambos, o mais baixo agarrou a cara do grandalhão, pôs-se em bicos de pés e deu-lhe um beijo na boca. O outro correspondeu. Deve ter sido o primeiro beijo pois desataram a rir como se tivessem dado um grande passo, depois abraçaram-se. Depois, prosseguiram de mão dada, o magrito quase esvoaçava de alegria. O grandão sorria também mas de forma contida, quase como quem não quer a coisa. 

Tomara que não seja apenas um namoro de verão, que seja um amor para a vida.


Postal 3

Passou por nós um homem gordo a andar de bicicleta. Ia de calções e tshirt mas, pela forma como ia sentado e pela sua forma avantajada, ia com o rabo meio de fora. Ao lado dele, correndo, preso por uma trela, um cão. 

Quando me cruzei com ele pensei que estava com ar de ir com os copos. 

Passado um bocado, já mais adiante, um estrondo, um grito. Olhámos. O homem estava no chão, a bicicleta caída, e o cão, solto, muito admirado a olhar para ele. O homem deu outro grito pelo cão, mas o cão estava imóvel., notoriamente assustado com a queda do dono. 

Parámos para vermos se era precisa ajuda. O homem, a custo, tentava levantar-se. Mais uma vez fiquei com a sensação que não estava especialmente sóbrio. O cão aproximou-se, arrastando a trela. Finalmente, o homem conseguiu montar-se outra vez na bicicleta, o rabo ainda mais de fora. E lá prosseguiu, meio aos esses. O cão ao lado, a levar o dono à trela.

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Dias felizes

Be happy

terça-feira, outubro 15, 2024

O primeiro cogumelo, um pesadelo, o stress de domingo de manhã.
E, para um momento simpático, a bela casa de Daniela Mercury e Malu Verçosa

 

Já vi um primeiro cogumelo grande e, por sinal, já um pouco danificado. Antes já tinha visto alguns pequeninos, surgidos com as primeiras chuvas. Mas este prenuncia que muitos mais estão para vir. Isso enche-me sempre de felicidade pois vejo como esta terra se fez mulher, parideira, fértil, generosa, dando vida a muitos seres.

E choveu muito. Estávamos na rua quando desabou uma carga de água. O cão chegou a casa feito um pinto. E depois foi a tourada do costume primeiro que me deixasse limpá-lo: tenta arrancar-me a toalha, salta, rodopia, põe-se de pé com ela na boca. Uma festa.

Mas, tirando esse momento de super energia, como em todas as segundas-feiras em que, no domingo, temos a casa cheia, o cão só quer dormir. Assim estou eu. É que, ainda por cima, acordei muito cedo com um pesadelo e depois não voltei a adormecer. Foi outra vez aquela cena em que desespero com o que tenho para fazer temendo não me despachar a tempo. Desta vez estava fora, tinha ido em serviço. No dia de vir embora, uma carrinha ia buscar-nos para nos levar ao aeroporto. E eu não dava a mala feita. As coisas não cabiam na mala. E encontrava camisolas e casacos do meu marido e não percebia como era possível, achava que tinha trazido, por engano, uma mala dele. Por isso, as minhas coisas não cabiam. Depois, para me maquilhar, ia a uma casa de banho no corredor pois tinha espelhos e luz. Mas estava cheia, tinha que desistir. Depois não tinha tempo para tomar o pequeno almoço e tinha visto uma mesa que devia ter sido de pequeno-almoço descentralizado, no hall junto aos elevadores, mas já só tinha pastéis de nata. Eu ao pequeno almoço só como fruta e iogurte mas não tinha outro remédio senão comer um pastel de nata. E já estava na hora da carrinha partir e eu ainda tinha a mala por fechar, queria lavar os dentes, arranjar-me minimamente e não conseguia. Quando acordei ainda estava nesta azáfama e a tentar perceber como é que tinha tanta roupa do meu marido na minha mala.

Enfim. isto deve ter sido porque no domingo, precisando eu do forno para os meus cozinhados, o meu marido, que tinha resolvido fazer uns bolos que viu no programa da Joana Barrios no 24 Kitchen, ainda estava de roda deles quando fui para a cozinha e mobilizou o forno para ele, fazendo com que os meus tabuleiros só fossem para o forno quase uma hora depois da hora que eu queria. Gosto de fazer tudo antes da hora para, quando o pessoal chega, estar tudo pronto, pratos, acompanhamentos, molhos, saladas, frutas, etc. E, portanto, fiquei em stress com os meus planos atrapalhados. E gosto de estar sozinha, a mexer-me de um lado para o outro e não tê-lo a lavar louça quando preciso de lavar legumes. Portanto, deve ter sido isso que me deu a volta ao miolo e, de noite, deu naquela confusão.

A ver se amanhã ou outro dia conto como fiz os rolos de carnes, um recheado com maçã e farinheira e outro com mozzarella fresca e transparências de bacon. E também os doces que o meu marido fez. Hoje estou cheia de sono...

Mas, antes de desligar o computador, deixo-vos com a simpática casa do simpático casal Daniela Mercury e Malu Verçosa. É sempre bom visitarmos uma casa bonita.

Tour pela casa repleta de afeto de Daniela Mercury e Malu Verçosa | CASA VOGUE


quarta-feira, julho 24, 2024

Veado de Ouro

 

Então toda a gente pode invocar a silly season e eu não? Era o que mais faltava. Silly season é bom e eu gosto.

Estou carecendo de férias e, em plena carência, resolvi levar a cabo um conjunto de coisas de que, com vossa licença, sobre algumas vou guardar segredo. O que posso dizer é o que se tem visto: ou por isto ou por aquilo ou por mil outros motivos ando ocupada e bem ocupada et pour cause tenho-me mantido saudavelmente afastada do massacre constante dos comentários sobre as notícias. Reparem no que eu disse: comentários sobre as notícias. Os omnipresentes comentários que estão a devorar as notícias. Não tenho saco. Muito menos tenho acedido a partilhar o visionamento do Big Brother CPIs. Isso ainda menos. Não há pachorra. Não me assiste.

Só tarde e más horas me sento em frente da televisão e, ainda assim, o que vejo é o que me é dado ver no intervalo dos zappings que o meu marido incessantemente faz. Tem dormido até mais tarde pelo que adormece também mais tarde. Por isso, a esta hora ainda não está a dormir: anda a fugir dos comentadores.

Poderia procurar programas lá mais para a frente, National Geographic ou assim. Mas dá-lhe preguiça e eu compreendo-o porque a mim também me dá preguiça dizer que pare com o zapping. É assim a vida.

Por isso, nestes entretantos, espreito as notícias aqui no computador e, não me interessando o suficiente por nenhuma para me adentrar no seu âmago, esgueiro-me até ao Youtube. E ai, certo e sabido, aparece-me sempre coisa que vai de encontro às minhas motivações ou necessidades, nomeadamente às de me divertir. 

Hoje voltou a trazer o meu amigo Milton Cunha. Só tenho pena que ele viva tão longe. Devia vir morar para a minha rua e tornar-se meu amigo. Devia vir aqui bater um papinho todos os santos dias. E ele devia querer que eu lá fosse, a casa dele, ver as suas toilettes. Acho-o o máximo.

Milton Cunha fala sobre o troféu VEADO de OURO! 

| Avisa Lá Que Eu Vou | GNT

Milton Cunha e Paulo Vieira falam tudo sobre o evento mais PROFANO cultura do CÍRIO de NAZARÉ que é a festa da Chiquita e o prêmio VEADO de OURO


Dias felizes!

quinta-feira, outubro 26, 2023

Não conseguindo falar do super-bacano Major-General Arnault Moreira, mostro a super-gira casa do super-fofo Troye Sivan

 

Apanhámos hoje as vacinas. E, ao escrever isto, 'apanhámos', fico na dúvida se é a forma correcta de dizer. Será apanhámos ou levámos? Ou fomos injectados? Ou comemos com elas? Não sei.

Da gripe num braço, covid no outro.

Tudo tranquilo, até ver. A doer um bocado o braço mas, sendo só isto, não me doa a mim a cabeça.

Fizemos as caminhadas na mesma, tudo normal. 

Mas há pouco, enquanto via um programa com muito interesse, o meu marido adormeceu profundamente. E eu, certamente logo a seguir, fui pelo mesmo caminho. Como se estivéssemos pedrados -- e isto digo eu que de pedradas só conheço estas assim, de tiro e queda mas santinhas, sem recurso a substâncias alucinógenas.

Apenas uma mensagem me fez acordar. Mas com que sacrifício... Agora estou acordada mas a voltar a sentir um daqueles sonos de tipo boa-noite-cinderela de que padeci ao longo de meses no pós-covid. Presumo que seja só hoje, até porque amanhã não me daria muito jeito andar a cair de super-sono pelos cantos.

Mas agora estou assim, E, assim sendo, não estou capaz de nada. Desculpar-me-ão mas estou a escrever com os olhos a meia-haste.

Há pouco estava a ver o Major-General Arnault Moreira, pessoa simpatiquíssima e que diz coisas com que, se bem me lembro, sempre concordo, e estava a pensar escrever qualquer coisa sobre a excelente capacidade didáctica destes militares (com excepção para aqueles dois horríveis, mal-encarados que vêm para a televisão bolsar a cartilha putinista e de quem nem é bom a gente dizer o nome).

São cultos, bem informados, uma visão abrangente, uma perspectiva histórica, uma compreensão integrada das várias camadas em análise. É um gosto ouvi-los. 

O meu marido, no outro dia, comprou um livro deste risonho (Arnault Moreira) e, do que folheei, deve ter sido uma boa compra.

Entretanto, recebi de uma amiga, por mensagem, um vídeo com o belo bar em que ela está e onde se dança e canta e convive. No Rio. Ambiente giríssimo, super boa onda. Estou mesmo a vê-la, isto é, a imaginá-la, a soltar a franga na maior alegria. Dança que se farta, ela, mesmo que o ambiente não seja caliente e desinibido. Fará lá.

Mas, portanto, como ia dizendo, tenho que ficar por aqui enquanto consigo acabar isto com alguma decência, senão ainda me arrisco a adormecer com o dedo em cima do comando de publicação e sai o post mal amanhado, por concluir.

Vou é, antes, partilhar um vídeo em que um puto que aprecio até mais não poder (e gay até mais não poder como ele o diz), mostra a sua casinha. Tem graça e bom gosto.

Inside Troye Sivan’s Mid-Century Melbourne Oasis | Open Door | Architectural Digest

Today Architectural Digest brings you to Australia to visit Troye Sivan at his beautiful Melbourne home. Unpretentious yet expertly decorated, Troye collaborated with designer David Flack of local firm Flack Studio to bring the vision of his sunny, soulful home to life. An erstwhile brick factory and handball court, the property was transformed into a residence in 1970 by architect John Mockridge, preserving the essence of its Victorian-era origins. Today, it’s an eclectically decorated sanctuary - and a home for Troye’s artistic imagination. 

terça-feira, setembro 26, 2023

Stefanos Kasselakis --- qual o espanto...?
É simples... está à vista....

 

Parece que há agora um novo líder no Syrisa. E meio mundo ficou de queixo caído por ter aparecido, do nada, um manganão que vivia nos States, empresário, que trabalhou no Goldman Sachs e sei lá que mais. Ou seja, tal como se tivesse sido gerado e alimentado pelo sistema capitalista, apareceu esta ave rara. E muita gente, muito justamente, veio dizer que já não se percebe nada disto: afinal onde é que está a linha que separa a esquerda da direita.

Eu não sei responder a nada disto. Nunca tinha ouvido falar no Stefano. Agora uma coisa eu sei. Tal como é sabido e consabido desde os tempos em que Harry Selfridge organizou os seus armazéns no início do século passado, colocando na entrada o que agradava às mulheres (maquilhagem, moda, chapéus, luvas, etc), quem decide como vai ser são as mulheres.

E as mulheres, santa paciência, simpatizam de caras com o Stefanos. Virão advertir-me que o safado é gay. Pois, bem sei. Mas mesmo que não fosse, o que é que eu e as muitas mulheres que votaram nele íamos fazer com ele..? Nada, certo...? Olhar... Ouvir... Acreditar... Ora, se é para olhar e ouvir e acreditar... que diferença faz que seja gay...?

Portanto, se é para ver e ouvir (coisa forçosamente platónica, digamos assim), não é melhor que seja um giraço com um sorriso lindo, fofo, queridésimo, simpático todos os dias...?

E isto sou eu, hetero, a falar. Agora, se a mulherada se encanta, imagine-se o que não pensarão os homens gays lá do burgo...? Tudo a votar no menino... Ora não.

Mas se acham que isto é conversa da treta -- e claro que é -- deixem que transcreva o que o Guardian diz (tradução às três pancadas do artigo Stefanos Kasselakis: ex-banker who lit up Greek politics to lead Syriza):

Ao meio-dia de segunda-feira, Stefanos Kasselakis, um executivo do setor marítimo e ex-negociador do Goldman Sachs, caminhou pelos corredores do parlamento grego para ser coroado chefe do Syriza, o outrora partido radical de esquerda do país.

Ninguém poderia parecer mais fora de sintonia com uma força política tão mergulhada na turbulência da sangrenta história do pós-guerra da Grécia. Mas Kasselakis, com um sorriso aparentemente permanente nos lábios, desafiou todas as probabilidades. Depois de iluminar os céus da sóbria cena política do país com uma campanha no alto do vigor das redes sociais, o greco-americano de 35 anos não só emergiu como o vencedor da corrida de duas voltas para liderar o Syriza – ganhando 56,69% dos votos – mas provou que é muito mais do que uma estrela cadente.

Há apenas seis meses, Kasselakis era um desconhecido político arrancado da obscuridade pelo líder cessante do Syriza, Aléxis Tsipras, para se apresentar como candidato expatriado nas eleições estaduais do partido nas eleições nacionais de Maio. Desde que deixou a Grécia, ainda adolescente, com uma bolsa de estudos num prestigioso internato de Massachusetts, depois de vencer uma competição de matemática, ele não olhou para trás.

Se os roteiristas tivessem tido a chance de escrever o roteiro, eles poderiam ter tropeçado. E não só porque o antigo “Garoto de Ouro” – apelido dado a Kasselakis pelos colunistas – vem dos EUA com um currículo que nenhum esquerdista que se preze poderia endossar.

Num país mediterrânico mal preparado para eleger uma mulher como primeira-ministra – e muito menos um homem assumidamente gay – ele chegou à Grécia com o seu marido, Tyler McBeth, um enfermeiro norte-americano que conheceu e por quem se apaixonou em Miami.

McBeth, que assim como Kasselakis, começa o dia malhando na academia, apareceu sorrindo ao lado dele desde o início da corrida pela liderança – o casal entrou na união civil há quatro anos. “A minha mãe”, disse recentemente o novo líder do Syriza, “nada mais quer que nós tenhamos filhos e possamos vir ajudar-nos”.

No domingo, Kasselakis fez de tudo para garantir que a sociedade socialmente conservadora da Grécia soubesse exatamente quem era o seu marido, chamando McBeth para se juntar a ele no seu discurso de vitória fora da sede do partido.

Além disso, a ascensão de Kasselakis surgiu do nada.

O escritor de esquerda Dimitris Psarras, evocando a ansiedade que o súbito aparecimento do greco-americano desencadeou entre os quadros do que outrora foi uma aliança de marxistas, ex-comunistas, ecologistas e social-democratas, disse: “É como se a Netflix tivesse entrado, assumido o controle do party e agora está transformando-o em uma série. As pessoas não têm ideia do que se trata a sua política, ou se ele tem algum programa. É claro que eles estão em choque.”

(...)

Em retrospectiva, o anúncio poderia ter sido escrito por psicólogos comportamentais – o recém-chegado político falou publicamente sobre fazer terapia para lidar com a sua sexualidade.

Pesada na história de vida e na verdade, a declaração começa: “O meu nome é Stefano e tenho uma coisa para vos contar. Nasci em Maroussi [um subúrbio de Atenas] em 1988, num país com primeiros-ministros hereditários; numa família com pais que se criaram por conta própria. A minha mãe, dentista, trabalhou dia e noite para sustentar o meu pai enquanto ele abria sua empresa.”

No final do vídeo, Kasselakis falou sobre o colapso económico de sua família, como foi parar aos EUA “sozinho com bolsa integral”, cursou a Universidade da Pensilvânia, conseguiu um emprego no Goldman Sachs, entrou no mundo do transporte marítimo – ganhando uma pequena fortuna no processo – e conheceu “o sopro de liberdade” na sua vida, Tyler.

A sua decisão de aderir à corrida pela liderança do Syriza – permitida a qualquer membro assalariado do partido – nasceu, disse ele, do desejo de “construir o sonho grego”.

“Tenho consciência de que não tenho experiência partidária. A minha experiência é no trabalho e na vida social”, disse Kasselakis aos ouvintes, insistindo que com o seu melhor inglês, melhores competências empresariais e melhores diplomas, poderia não só derrotar o primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, mas também expulsar o centro-direita do poder. “Para que o sonho grego se torne realidade, temos de derrotar aqueles que beneficiam de uma Grécia que é um campo árido e não da Europa na prática”, disse ele.

Quer quisesse ou não, Kasselakis fez o que nenhuma outra pessoa conseguiu fazer: transformar a política grega num pseudo-reality show televisivo em menos de um mês.

Mas o que ele também mostrou tão acertadamente é que quatro semanas é muito tempo na política, o suficiente para apagar o passado e para “redefinir” um partido.

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 Uma boa terça-feira

Saúde. Boa disposição. Paz.

sexta-feira, julho 14, 2023

Quando a mulher chegou mais cedo, o marido foi apanhado nu mas disfarçou -- mas o pobre do Wellington teve que se atirar para debaixo da cama, ainda por cima vestido de Carla Perez

 

A minha vidinha, no que a certas tropelias diz respeito, é muito pacífica. Nunca fui apanhada pelo meu marido na cama com outro, nunca tive que esconder qualquer amante debaixo da cama ou dentro do roupeiro e, até ver, também nunca o apanhei a ele ou a alguma jeitosa a quem eu tivesse interrompido a farra em situação idêntica.

A bem dizer também não conheço ninguém a quem isso tenha acontecido.

O mais parecido com isso que pessoalmente conheço é uma pessoa da minha família que andava desconfiada com o marido (e nem ela sabia da missa a metade) e que, num dia em que lhe ligou para o emprego e lhe disseram que ele tinha metido um dia de férias, teve uma epifania e lembrou-se de uma tal a quem ele a tinha apresentado tempos antes tendo ela detectado ali um certo desconforto. Puxou pela cabeça, lembrou-se do nome, lembrou-se de ele ter dito onde é que ela trabalhava e, desenfreada, ligou para lá, dizendo-se amiga.

Informaram-na que a dita senhora estava de baixa pois, justamente nesse dia, era operada a não sei o quê (sei mas não vou dizer não vá o diabo tecê-las). Tão convincente deve ter sido que lhe disseram o nome do hospital (que era privado) onde a coisa se tinha dado.

Uma mulher ciumenta e que admite estar a ser traída fica com a inteligência aguçada e todas as barreiras mentais e psicológicas desaparecem. Fica um animal perigoso.

Portanto, completamente desencabrestada, meteu-se no carro, determinadamente avançou por Lisboa, entrou no hospital sem medir consequências, conseguiu saber o número do quarto e, num instante, completamente destemida, estava a abrir estrepitosamente a porta e a dar de caras com o casal de pombinhos, ela combalida e o extremoso namorado de mão dada com ela.

Quando viu a mulher a irromper por ali adentro adentro, o marido apanhou o susto da vida dele. Enquanto estava de boca aberta a tentar inventar uma desculpa, já a mulher estava a sair a correr, a meter-se no carro e, sabe-se lá porquê, a ir recolher os filhos.

Ele saiu a correr atrás dela mas já não a apanhou. Nesse dia toda a família sabia do acontecimento, uns a rirem com o divertido da cena, outros a dizer que estranhavam é que ela tivesse demorado tanto tempo a descobrir, outros a dizerem cobras e lagartos dele.

O caldo entornou-se, claro. Mas, por acaso, nessa altura, apenas temporariamente.

Mas, que me lembre, é o único caso em que alguém meu conhecido foi apanhado quase de calças na mão. Mas deve acontecer com alguma frequência pois é tema assaz referido.

Agora o vídeo aqui abaixo é hilariante. 

Wellington se escondeu embaixo da cama, vestido de Carla Perez! |Que História É Essa, Porchat? | GNT

O sonho de Wellington Pinheiro era ser e dançar como a Carla Perez, mas acabou a noite vestido como sua musa, escondido embaixo da cama de um homem casado! Como assim!? 😳


E tudo de bom
Saúde. Bom humor. Paz.

quinta-feira, julho 06, 2023

A graça, a funcionalidade e a elegância de duas casas pequenas. Um casal em que cada um vive em sua casa.

 

Quando temos mais tempo, se não estamos cansados, damos uma volta maior ao fim do dia. Como temos andado a sair e a ter compromissos e esta quarta-feira não os tivemos, não saímos, não fomos para a praia nem para outro lado. Ficámos por aqui, fizemos uma caminhada alargada. Não estava muito calor. O tempo assim, ameno, é uma maravilha, um apelo à serenidade, ao apaziguamento.

Se há coisa de que gosto é de ir olhando para as casas. Adoro casas. Mesmo não as vendo por dentro, contento-me com o exterior. Há casas de arquitectura mais tradicional e casas de arquitectura moderna e outras que são superlativas, intemporais.

As casas que têm terraços e jardins em pisos superiores ou cujo design contemplou a integração, a meio, de uma árvore despertam-me especial atenção.

Hoje reparei numa casa de traça mais tradicional que tem diversas varandas e vários recantos e terraços em níveis distintos, com escadinhas para os diferentes patamares. E junto a um dos muros tinha hortenses todas floridas. Muito bonita, muito acolhedora.

Escusaria aqui de voltar a referir o quanto valorizo a boa arquitectura. Já o disse incontáveis vezes. 

No decurso das minhas várias vidas profissionais, por duas vezes separadas por alguns anos, no decurso de movimentações empresariais -- que envolveram alienação de edifícios no centro da cidade e necessidade de procurar outros, fusão de empresas, reorganizações de monta --, fiquei responsável pelos projectos nas suas diferentes valências, quer a das reorganizações propriamente ditas, até à selecção de edifícios, respectiva adaptação (desde o projecto de arquitectura, à selecção de empresas de construção e acompanhamento de obras --- não eu, pessoalmente, mas pessoas sob a minha coordenação), gestão das mudanças em si (colocando a trabalhar nos mesmos serviços e nas mesmas instalações, pessoas que não se conheciam, provenientes de empresas e cidades distintas). Das duas vezes, obviamente recorremos a arquitectos e, das duas vezes, foi uma experiência extraordinária. A forma engenhosa e inteligente como aproveitam os espaços e pensam na envolvente, nas necessidades, na luz, e como encontram soluções elegantes e ergonómicas, é, para mim, fascinante.

Foram projectos de grande dimensão que envolveram importação de materiais sofisticados que eu desconhecia e que transformaram radicalmente os espaços, que incluíram a concepção e construção de mobiliário, integração paisagística e sei lá que mais -- e que me deixaram extraordinárias memórias.

De vez em quanto tenho aqui mostrado casas maravilhosas, amplas, luminosas, integradas na paisagem. Mas são casas sobretudo para a gente sonhar com elas pois são imóveis que não estão ao alcance de todos.

Hoje partilho o oposto: duas pequenas casas. Mas recuperadas e alteradas com tal inteligência que as transformaram em casas fantásticas, nada acanhadas, muito acolhedoras.

Os vídeos têm ainda a vantagem de ser falados em língua portuguesa. São as casas de um casal que opta por viver cada um em sua casa. Mas as casas comunicam entre si pela varanda pelo que podem estar juntos sem se incomodarem. 

Archtrends Visita: fotógrafo Ale Disaro mostra apartamento pequeno e bem resolvido


Archtrends Visita: Lufe Gomes apresenta seu apartamento


Um dia bom

Saúde. Boas vibes. Paz.

terça-feira, janeiro 10, 2023

O esteatopígico rabo é mesmo o dele.
E, ainda, o mecânico machão que usa fio dental; um fofo.

 

Pelos vistos, o excesso de rabo gordo de que tanto se orgulham a Madame Kim Kardashian e a Madame CR7 Aveiro é doença e não trunfo. Dá pelo nome de esteatopigia o mal que consiste na hipertrofia das nádegas ocasionada pela acumulação excessiva de gordura nas ditas. Mas elas gostam e, pelos vistos, muito boa gente, aka seguidoras, andam a implantar sacos com enchimento para parecer que também padecem de esteatopigia. Nada a dizer: há gostos para tudo. E isto já para não falar nos que malham até mais não poder, suando e ressuando as estopinhas, para empinar e insuflar os glúteos.

É como este aqui abaixo. De repente até se pode pensar que é a cara dele ali no espelho à frente. Mas não. São fotografias para o inspirarem, para lhe darem ânimo. Rabinho mais gordo para levar uns bons tautaus, o dele.

in “Humans Doing Human Things”

E como se a bunda reboluda do senhor ali acima não bastasse, eis que se nos junta um outro bacano, um fofo, um mecânico que arranja os carros deixando que a clientela aprecie o nadegal enfeitado por um atrevido triângulo, não da Bermudas mas de um sexy fio dental. Nem mais. Macho que é macho não quer cá saber de coisas. Ora essa.

in “Humans Doing Human Things”


E, não tendo nada a ver com os supracitados bem cuidados rabos, uma bem disposta dancinha:


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Ninguém sabia que ele era lésbica.
(Mas agora já sabem).

 

Ele há coisas. Em meios pequenos se calhar é mais difícil. Mas quando a malta enche o peito de ar e se assume, é do melhor que há. 

in “Humans Doing Human Things”


Assume-te

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Desejo-vos um dia bom

Saúde. Risadas das boas. Paz.

domingo, outubro 16, 2022

Uma bicha com broches colados à cabeça e toda emplumada com penas de faisão-imperial atrapalha o trânsito em cima da ponte

 

Acordei a meio da noite e custei a readormecer. Já a luz do dia entrava pela janela quando voltei a apagar. Acontece que, de manhã, o meu marido fez a gracinha de me acordar uns dez minutos antes do despertador, Como sempre, desculpa-se, diz que teme que eu não acorde a horas e que depois tenhamos 'que andar a correr'. Detesto que ele faça isso mas ele não se importa e passa a vida a fazer. Acha que isso de eu ficar possuída por ele sacrificar dez míseros minutos do meu sono é frescura. Mas não é, os meus minutos são contados e determinantes. 

São aspectos que as más línguas apelidarão de frioleiras mas que, asseguro, são fracturantes na nossa relação. Acontece que ele tem a sorte de eu ter miolo mole pois, mal me levanto, esqueço-me de estar chateada. Ainda por cima, tenho coração de manteiga, sempre derretido. Tem sorte, muita sorte, ele.

Mas estou a contar isto para dizer que, na altura em que ele me sonegou os dez últimos preciosos minutos de sono, estava a ter um sonho muito real. Sonhava que tinha a casa cheia de gente, na maior parte gente desconhecida, gente de todas as idades, tudo em festa, tudo confraternizando, uns dançando, uns conversando, indo à cozinha servir-se, tudo na maior. Às tantas eu queria ir à casa de banho e estava sempre ocupada, num entra e sai de desconhecidos. Então, quando saiu um, um homem que eu não estava a perceber se era um adulto com ar de jovem ou um adolescente com ar vivido, perguntei: 'Você está aqui da parte de quem?'. E ele, no maior dos à vontades: 'Da parte do X, o dono da casa'. Não disse X, disse um nome. Acontece que aqui em casa esse é o nome do meu marido, o nome do meu filho e o nome de dois dos meus netos (na família há mais uma mão cheia deles com esse nome mas, enfim, desses não se poderia dizer que eram os donos da casa). Então fiquei naquela: 'Será amigo do meu filho? Será amigo do meu neto mais velho? Do meu marido não deve ser senão eu conheceria'. E, ao mesmo tempo, pensava que uma festa assim, para cada um trazer quem quiser, dava nisto, malta que ninguém sabia bem a convite de quem ali estava.

Fui acordada, o sonho interrompido e, portanto, continuo sem saber quem era aquele personagem em concreto.

De facto, tive cá este sábado em casa a maltinha toda, cada vez maiores, eu cada vez mais pequenina, no meio deles até parece que estou a encolher. Mas vieram só eles, não trouxeram amigos e adjacentes. 

Ah e, antes de almoço, houve banho da fera. A minha filha, expert em técnicas de relaxamento caninas, consegue manter o urso sob controle e, com os filhos como assistentes, aplicou-lhe o shampoo (versão 2 em 1, shampoo e acondicionador, para cabelos longos -- e não estou a ironizar, foi mesmo), ensaboou, enxaguou, limpou -- e tudo sob controlo. Claro que entretanto já se rebolou na terra, já se envolveu em folhas outonais, já andou à procura da bolinha no meio dos arbustos e, portanto, já deve estar a precisar de outro banho (refiro-me ao urso, não à minha filha). Mas enfim.

Ao fim do dia, antes de irmos levar a minha mãe a casa, já só nós, fomos fazer uma caminhada com ela para a beira da praia, naturalmente em versão mais soft e um pouco mais curta que o habitual. Ainda assim, nada mal.

Já de volta a casa, noite cerrada, mais de a meio do caminho, deu-me uma pancada de sono mas daquelas de tipo Boa-Noite Cinderela. Sono profundo. Acordei perto de chegarmos. Portanto, devo ter dormido uns dez a quinze minutos. Mas foi sono total. Quando acordei parecia que estava a acordar de uma anestesia. 

O meu marido achou por bem ainda darmos mais uma volta ao burgo pois parecia-lhe que a fera ainda não tinha feito cocó à altura do que tinha comido. Fiquei passada, que fosse ele que eu queria vir para casa. Pedrada ainda da queda no sono durante a viagem, não me achava capaz de dar passo. Mas ele lembrou-me que tinha caminhado muito menos que o habitual e que só me fazia bem. Quando estou assim, em estado quase catatónico, têm de mim o que quiserem. Fui, arrastando-me, atrás dele e do pobre cão que também só queria era vir para casa dormir.

Claro que o bicho não defecou mais nada e claro que reentrámos em casa tarde e más horas. Não jantei, só bebi um chá. Não sei se comi demais ao almoço ou se foi da fatia de bolo que comi a meio da tarde, mas a a verdade é que estava sem fome. Agora que o dia já dobrou e já virou domingo é que me está a dar uma fome das danadas. Mas não vou a esta hora aquecer bolonhesa ou qualquer outro resto do almoço. Saco.

Se calhar ainda vou é comer um dióspiro, quiçá acompanhado por uma fatia de queijo de cabra. Isto só visto. Bem quero fazer dieta e até estava a pensar que pular o jantar só me fazia era bem. Afinal estou aqui esgalgada de fome, prestes a marimbar-me para o açúcar do dióspiro e para a gordura do queijinho, isto estando prestes a ir para a cama. Caneco.

Escuso de dizer que não vi televisão, não sei de nada que se tenha passado no mundo. Também não me apeteceu ir à cata de notícias. O dia foi bom, bom, bom, feliz, morninho com o calorzinho do dourado sol de outubro, não estou para estragá-lo com pepineiras ou, pior ainda, com putinices ou vendavais e dilúvios. Hoje estou noutra.

Parti direto para o Youtube e, aí, o meu amigo presenteou-me com mais uma boa galhofada. Coisa boa, a gente rir.

Não há nada mais divertido do que os exageros e os trejeitos bem dispostos de uma bicha assumida. Ora vejam.

Milton Cunha atravessa ponte Rio-Niterói fantasiado e na garupa 
| Que História é essa, Porchat?


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Desejo-vos um belo dia de domingo
Saúde. Afecto. Boas ondas. Paz.

sábado, setembro 03, 2022

Uma casa feliz

 

Havia, em tempos, perto do apartamento em que antes eu vivia, uma casa de móveis muito diferente das outras. Tinha móveis com um design e acabamentos fantásticos.  Os móveis tinham linhas por vezes sinuosas, por vezes escandalosamente geométricas. As cómodas não era bem cómodas de grande e elegantes que eram. As cadeiras não eram bem cadeiras, eram poltronas, eram tronos, eram abrigos, eram poisos de eleição. Tudo era especial. A madeira acompanhava o movimento com precisão e suavidade. Não se viam remendos, não se viam emendas. Em cima tinham bibelots que eram peças de arte, joias, objectos inusitados, elegantes, únicos. Os candeeiros eram ora subtis ora vidro esculpido em cores e formas inusitadas e belas. Havia espelhos enormes, luminosos, caprichoso e havia outros pequenos, íntimos.

Gostava de lá ir ver o que havia de novo. Apenas lá comprei as peças para o quarto da minha filha, então uma adolescente, um móvel de tipo aparador para a copa, esta senhorinha baixinha de linhas modernas que tenho aqui ao meu lado e na qual o urso felpudo gosta de se aconchegar... e acho que nada mais. Não eram apenas os preços que eram muito elevados, eram as dimensões e o design das peças que pediam grandes espaços. Móveis grandes ou com um design especial requerem palco, têm que respirar. Não podem estar em cima uns dos outros, não podem anular o glamour uns dos outros. Não há muitas casas com espaços tão amplos assim nem tanta gente com tanto dinheiro.

Mas a verdade é que tudo se vendia pois o que lá se via numa semana já lá não estava na semana seguinte. Intrigada com aquilo, uma vez perguntei à senhora que lá estava e que era filha do dono da loja como é que vendia tantos móveis tão caros e tão especiais. Diz-me ela: 'Ah, os nossos clientes são essencialmente gays'. Fiquei estupefacta. Ela explicou: 'Pelo menos os que aqui vêm têm um grande poder de compra, têm bom gosto, têm grandes casas... e conhecem-se uns aos outros pois passam a palavra...'. Fiquei admirada com tudo aquilo mas fiquei a pensar como deveriam ser fantásticas as casas deles.

Ao ver o vídeo abaixo lembrei-me disso. Eles falam como se o estilo de um fosse muito diferente do estilo do outro. Talvez o seja nos pormenores e, sabido é, o diabo está nos pormenores. Mas, vendo-os falando com entusiasmo e orgulho da sua casa, parece que falam a uma só voz. Quase parecem almas gémeas. Sorriem, falam -- e o uníssono que dali resulta parece ser a raiz da harmonia da decoração escolhida. Uma casa é o reflexo de quem a habita. E a casa do casal Nate e Jeremiah mostra bem o carinho pelos filhos, a cumplicidade que une os membros daquela família, o gosto que têm em receber os amigos.

Inside Nate Berkus & Jeremiah Brent's Newly Renovated Home | Open Door | Architectural Digest

Today AD is welcomed to Greenwich Village in New York by Nate Berkus and Jeremiah Brent for a tour of their freshly renovated family home. For those who have been following this couple and design duo extraordinaire through the years, their "new" place may look oddly familiar - they actually lived their from 2013 to 2016 before relocating west. The apartment wasn't available when they first returned to New York but when life afforded them a chance to revisit one of their relationship's foundational settings, they knew they had to act. “Conversations about having children, conversations about planning a wedding. It’s where all the dreaming began for us.” 


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terça-feira, junho 28, 2022

Sair do armário, sair à rua, brincar e sorrir orgulhosamente

 

Penso que não é propriamente caso para se ter orgulho. Nem ter nem deixar de ter. É o que é e ponto final. Não sinto orgulho por não ser gay. Não sinto nem deixo de sentir. Nasci assim. Fazer o quê? Se tentasse mudar acho que não conseguia. Cada um é como é.

Já o disse aqui muitas vezes: não concebo qualquer tipo de discriminação em função da orientação sexual. Quem a pratica revela ser bronco, retrógrado, preconceituoso, grunho, cavernícola.

O que também me faz muita impressão é ser gay e, por vergonha ou qualquer tipo de condicionamento a que se sinta sujeito, não o assumir, vivendo uma vida de ocultação, de disfarce, de negação. Conheço um caso assim no masculino e outro no feminino. Parecem pessoas felizes mas imagino as barreiras internas a que quotidianamente se submetem e as frustrações que vivem na sua íntima solidão. E se calhar conheço outras pessoas de que nem desconfio.

Que receiam essas pessoas? Serem alvo de chacota? De rejeição? Incapacidade em viver a pleno a sua sexualidade?

Não sei mas, se me puser no seu lugar, imagino que se eu, toda a vida, tivesse forjado uma sexualidade que não era a minha, talvez sentisse receio de assumi-lo perante o meu marido, os meus filhos, os meus netos, os meus amigos e conhecidos. Se calhar recearia o seu olhar, temeria confundir com troça qualquer inofensivo sorriso. É preciso alguma coragem, sim. Por isso é bom que se assuma com naturalidade a sua condição o mais cedo possível.

Por haver ainda tantos tabus penso que é importante que aqueles que já os romperam exibam publicamente a sua condição. E que usem o humor. Talvez a sua alegria e o tom de brincadeira com que se referem à sua condição de gay incentive os que se sentem receosos.

Vi uma selecção de cartazes engraçados usados em manifestações gay e apeteceu-me trazer aqui alguns. 

















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E post do UJM sem música não é post do UJM. Portanto que entre a Menina Lizzo, figura querida dos movimentos LGBTQ+

It's About Damn Time Lizzo Blessed Our BET Awards Stage Again! | BET Awards '22



E viva a vida!

sexta-feira, novembro 26, 2021

Um Pai Natal gay...?

 

E as reticências seguidas de um ponto de interrogação, calma aí, devem-se apenas à minha admiração. 

E devo esclarecer que, num primeiro momento, o significado da palavra admiração foi 'espanto'. 

Depois li a explicação. Os Correios noruegueses, com este postal de Natal, pretendem evocar os 50 anos da despenalização da homossexualidade na Noruega.

Digamos que é um vídeo inesperado. Inusitado. Vivendo eu numa sociedade como a nossa em que a homossexualidade, em muitos meios, ainda é encarada como uma aberração ou uma deformação digna de gozação, um cartão de Natal em que o tema é a atracção entre homens e em que um deles é nada mais, nada menos que o Pai Natal, não escondo que, enquanto via, me interrogava: '... mas a que propósito vem isto...? que coisa disparatada...'

Mas, depois, sabendo qual a inspiração e sabendo que tudo o que se faça é pouco para que todos aceitemos os homossexuais como iguais, o significado da palavra admiração converteu-se em 'respeito'.

Harry, o habitante da casa, deixa um cartão a dizer que «Tudo o que eu quero para o Natal és tu, Santa» e o Pai Natal, já retirado, envia os presentes pelo Correio mas comparece para encontrar o seu amor. E beijam-se. 

Que melhor presente de Natal se pode ter do que a confirmação e a consumação do amor, em especial quando o amor era, antes, clandestino e, por isso, indefinidamente adiado, negado?

Quantos homens, pais de filhos, casados numa relação hetero, vivem uma vida de negação e encenação, recalcando em silêncio a sua atração e amor por outro homem? E, quem diz homem, diz mulher no caso da homossexualidade feminina.

Uma sociedade não será humana, inclusiva, progressista, civilizada, capaz de evoluir de forma saudável enquanto uma parte rejeitar outra parte, mesmo que a parte rejeitada seja uma minoria.

Por isso, que o Pai Natal seja hetero ou gay, real ou inventado, alpinista ou limpa-chaminés, magro ou gordo, barbudo ou cabeludo, sonhador ou comerciante, tanto faz. Que seja o que cada um quiser que ele seja.

E que o Harry e todos os Harrys desta vida encontrem o Pai Natal que desejam. E, se não for este ano, que seja quando puder ser. Mas que seja.


Em tempos tão difíceis, a braços com uma pandemia que não dá tréguas, no meio de incertezas terríveis como as que advêm da emergência climática, com tanta gente a sofrer angústias, ansiedades, medos, tanta gente aprisionada na mais triste solidão... eu desejo que saibamos passar por cima do que nos divide e nos juntemos em torno do que nos une. 

Lirismo, claro, mas, ainda assim, um sincero desejo. 

Lutemos pelos nossos ideais, procuremos o que nos faz felizes, deixemos de lado o que não interessa, afastemo-nos do que e de quem nos faz infelizes, compreendamos o quão efémera é a nossa passagem pela terra e não desperdicemos o tempo que nos coube em sorte com o que não empolga ou enternece o nosso coração. 

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Be happy

quinta-feira, fevereiro 04, 2021

Eles amam-se -- um século de homens apaixonados em imagens

 



Nos tempos que correm pode parecer estranho que a homossexualidade ainda seja tema olhado com algum desconforto. Em meios mais pequenos, a homossexualidade é ainda vista como uma característica desviante, como se um homossexual fosse um ser perverso, defeituoso ou ridículo. Mesmo em meios supostamente mais evoluídos, pelo menos por cá, quem é homossexual ainda receia expor-se à censura ou ao desdém. As pessoas homossexuais que conheço, apesar de pertencerem a meios cosmopolitas, não assumem a sua orientação. Creio que sejam habitados por um permanente receio de que sejam descobertos e que, sendo-o, passem a ser olhados com comiseração ou desconsideração. Uns tentam disfarçar contando muitas anedotas sobre gays, outros falam com displicência como se fosse tema que não lhes dissesse respeito e outros especializaram-se em, inteligentemente, desviar o assunto para outros terrenos. 

Em todos os grupos, sejam grupos do que for, há os que se situam na média, geralmente a grande maioria, e os que se situam nas franjas, geralmente uma minoria. Portanto, que se diga que os homossexuais são uma minoria é apenas uma constatação, não é mal. O que é mal é que isso venha acompanhado por censura ou repúdio.

Claro que se frequentarmos outros meios, por exemplo, se passearmos no Chiado (quando o podíamos fazer), veremos casais homossexuais assumidos que não escondem o seu afecto. Por exemplo, quando, numa outra vida, podia satisfazer o meu gosto por aliar o ambiente da beira do rio e o dos edifícios decadentes, indo passear para um dos lugares mais belos do mundo, o meu saudoso Ginjal, era frequente ver casais de mulheres homossexuais abraçadas, beijando-se. Não sei se fora dali mostrariam o seu afecto com a mesma naturalidade mas ali eram normais casais de pessoas enamoradas. De qualquer forma é ainda uma situação pouco frequente.

Já aqui o disse muitas vezes. Eu percebo que é mais confortável a gente sentir que não destoa da maioria e que, se nos sentirmos destoantes, nos inibamos de exibir a nossa diferença. Mas muito pior será se os outros apontarem a dedo, gozarem, achincalharem os que já, por si, se sentem pouco à vontade com  situação. Mas se eu sou heterossexual porque o sou e não por opção, também os que são homossexuais o são porque são e não porque o queiram ser. E da mesma forma que não me imagino a escamotear a minha orientação sexual para não ser objecto de repúdio social, imagino o que seria o meu sofrimento se fosse homossexual e passasse uma vida inteira e escondê-lo.

Por isso, tudo o que se faça para mostrar que qualquer pessoa deve ser livre de viver a sua sexualidade em paz e sem vergonha é pouco. 

O vídeo que abaixo partilho convosco mostra uma série de fotografias que mostram o amor entre homens.

Transcrevo parte do artigo da Vogue que apenas por preguiça transcrevo sem traduzir, desejando que parte dos meus Leitores consiga entender ou que o tradutor da google não deforme muito o texto.

“Ils s'aiment” : un siècle d'hommes amoureux en images

Cela n'était censé être qu'une simple collection. Depuis des années, Hugh Nini et Neal Treadwell accumulent des photographies vintage d'hommes qui s'embrassent et s'enlacent, des hommes qui s'aiment, tout simplement. Comme une leçon de vie et une manière de faire perdurer ces amours, à l'époque interdites et réfutées, le duo compile pas moins de 350 photographies dans l'ouvrage Ils s'aiment, publié aux éditions Les Arènes et 5 Continents.

Ces clichés, qui datent d'entre 1850 et 1950, ont été pris à une époque où l'homosexualité était complètement maudite, voire jugée comme un délit. Ils s'aiment est plus qu'un simple livre, c'est un manifeste de tout ce qu'il y a de plus pur : l'amour. Dans leur quête, Hugh Nini et Neal Treadwell ont réussi à dénicher des clichés qui proviennent du monde entier, des États-Unis, de France, du Canada, de Bulgarie, du Japon mais aussi de Thaïlande. Ces photographies, plus éclectiques que jamais, immortalisent des hommes provenant de tous les milieux de classes sociales : dandy new-yorkais ou ouvriers de province, riches et moins riches, blancs ou noirs, civils ou militaires…  C'est un authentique hymne à l'amour ponctué de moments tendres et passionnés, enfin dévoilés au grand jour. (...) 


E viva o amor.

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Desejo-vos uma boa quinta-feira

sexta-feira, agosto 23, 2019

Vídeo com o Presidente do Parlamento Neo-Zelandês a dar biberão ao bebé de um deputado enquanto preside a uma sessão


Acredito que se percebe que a democracia é verdadeira e madura quando a aceitação das diferenças e de supostas extravagâncias acontece com naturalidade. Acredito também que uma sociedade é mais feliz se, em vez de haver permanentemente uma culpabilidade latente por parte de uns e uma apetência pela censura e pela maledicência por parte de outros, houver, isso sim, uma predisposição geral para a aceitação e para a generosidade.

Tāmati Coffey, Natasha Dalziel (a mãe de 'aluguer') e Tim Smith
com o bebé Tūtānekai.


No vídeo que abaixo partilho, aos meus olhos de democrata ainda primeva, tudo parece relativamente  atípico. Os pais do bebé são dois homens casados que recorreram a uma barriga de aluguer. Um deles é um deputado que, ao regressar da sua baixa de parentalidade, levou o bebé para o parlamento. 

Como se só isso, por si, já não fosse uma maravilha, Trevor Mallard, o Speaker do Parlamento, resolveu levar o bebé para o seu colo e, ali mesmo, alimentá-lo. E isso enquanto continuou a cumprir o seu papel de moderar o debate, presidindo à sessão.
Não nos esqueçamos que já Jacinda Ardern, a primeira-ministra, tinha levado o seu bebé para o Parlamento. Os exemplos têm que vir de cima. Sempre assim foi e é assim que deve ser.

E estou a lembrar-me da deputada australiana que, o ano passado, no parlamento, fez uma intervenção enquanto estava, justamente, a amamentar.

Larissa Waters e o seu bebé

E eu vejo isto e fico contente e a pensar que era tão bom que um dia isto fosse possível em Portugal.

As dificuldades que eu tive quando os meus filhos eram bebés e eu ainda os amamentava, o peito cheio, cheio, muitas vezes os seios a jorrarem leite e eu ainda com Lisboa inteira para atravessar primeiro que chegasse ao pé deles. Como a minha vida teria sido mais fácil se eu pudesse levá-los comigo para o trabalho. Em vez de dois filhos, se calhar tinha tido mais uns quantos. Que bom. Tanto que eu gostava de os ter junto a mim. E tinha que os deixar de manhã e só ir buscá-los ao fim da tarde, sempre em stress.


Ainda a semana passada um 'boss' me dizia que tinha estado a entrevistar um homem jovem para uma função exigente e que lhe tinha perguntado se já tinha filhos. O pobre disse que não e ele perguntou-lhe se estava a pensar ter nos próximos anos. O pobre disse que não. E eu, ao ouvir isto, não consegui esconder o meu incómodo: 'Não acredito que tenha feito isso. A sério? Não acredito! Mas que ideia. Que mal tem se tiver filhos?' e ele, admirado, 'Ah, é que é a licença de paternidade, depois é o menino que está doente ou que é preciso ir buscar o menino à escola. Então eu não sei como é?'. E eu: 'Mas e então? Vamos querer que a espécie se extinga para não beliscar a produtividade? Que coisa. Peço desculpa mas essa mentalidade já não está com nada'. Aí ele mudou um pouco o tom: 'Pois, se calhar tem razão. Mas, olhe, já fui muito pior. Nem queria que se contratassem mulheres que ainda não tivessem os filhos já criados. Aliás, preferia homens porque faltam menos que as mulheres'. Voltei a mostrar o meu desconforto: 'Claro que faltam menos. Pois se são as mães que têm que ficar com as crianças... Se a responsabilidade pelos filhos passar a ser assumida por ambos, a ver se os homens não passam a faltar tanto como as mães...'

E ainda me lembro quando, há uns anos, seleccionei uma jovem para a minha equipa. Não veio de imediato, tinha que dar um tempo à empresa onde ainda estava. Então, decorrido talvez um mês de lhe ter sido comunicada a nossa decisão, liga-me ela para me dizer que tinha descoberto que estava grávida e queria ser franca comigo e que eu estivesse à vontade para lhe dizer que já não iríamos admiti-la. Felicitei-a e sosseguei-a: 'Boas notícias. Vir uma criança a caminho é uma maravilha. Fico contente. E claro que será muito bem-vinda'. Quando transmiti a minha decisão aos meus colegas, ficaram a olhar-me um bocado de lado: 'Então entra para, logo a seguir, entrar em baixa?'. E eu: 'Isso mesmo'.

Teria a criança uns dois anos, voltou a ficar grávida e voltou a aparecer-me como que a medo e, de novo, a felicitei. Contudo, lembro-me de um administrador (um todo moderno, um que parece todo prá-frentex) me ter dito, com ar aborrecido: 'Mas essa veio para cá para ter filhos ou quê?'. E eu, furiosa: 'Mas isso diz-se? Queremos que nasçam muitas crianças no nosso país e é nossa obrigação não dificultar a vida a ninguém. Fazemos é pouco.'

Ele olhou para mim de lado, como sempre fez, quando achava que as minhas atitudes eram feministas. E, se calhar, eram. Se calhar, deveria era manifestar-me mais graficamente.


Como as ideias cavernículas de alguns portugueses (homens e mulheres) -- dos portugueses e de todos os estúpidos de todo o mundo -- devem parecer impensáveis aos felizes neo-zelandezes quando sabem delas...
Um desfasamento desta ordem tem a ver com o quê? Clima? Cultura? Um somatório de circunstâncias que, vulgarmente, dá pelo nome de história? Ou é apenas sorte, sorte dos que nasceram abençoados, sabendo ser boas pessoas?
E, quanto à maneira como ainda há quem olhe de lado para os casais gay ou para os gays em geral, nem é bom falar. Parece coisa antiquada, intolerante, inaceitável. Mas existe a faz sofrer muita gente. 

Mas vejam, por favor, o vídeo que obtive via Guardian, do qual transcrevo
Trevor Mallard, New Zealand's House of Representatives speaker, cradled and bottle fed a lawmaker's baby while he presided over a debate.
Baby Tūtānekai Smith-Coffey, the son of Labour MP Tamati Coffey and his husband Tim Smith, was born in July via a surrogate mother
Encantem-se, please. Isto é real. Aconteceu.


E até já

[E estou aqui a torcer-me para encontrar o registo certo para falar do que está a acontecer à Amazónia e de quão perigoso é estar parte do mundo na mão de imbecis. E é que, de caminho, a seguir ao Bolsonaro teria que falar no Trump, no Salvini, no Bannon, e em todas as bestas quadradas que se puseram a cavalo no mundo. Mas não estou a encontrar a forma moderada para falar disto com calma]