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quinta-feira, abril 07, 2022

À atenção do PCP, à atenção de todos os que não conseguem condenar inequivocamente a invasão da Ucrânia pela Rússia, à atenção dos que não conseguem acusar Putin de uma chacina e de uma barbárie indesculpável, à atenção dos que conseguem achar que a culpa das atrocidades a que assistimos (a que o mundo inteiro assiste em directo) é da Ucrânia, da Nato ou dos Estados Unidos, à atenção dos que não ficam chocados perante a tortura, o massacre dos Ucranianos à mão dos russos

 

Não consigo perceber como é que ainda há gente que questione a veracidade do que toda a gente vê: todos os órgãos de comunicação social de todo o mundo testemunham em directo, filmam, entrevistam, validam. Já não vivemos no mundo em que era possível forjar narrativas, em que não havia comunicação ubíqua, em tempo real, transmitida do cenário de guerra para a opinião pública. Não, já não vivemos nesse mundo, o mundo de há uns anos. Agora há reportagens directas, online, imagens aéreas, sequenciais, há cruzamento de imagens de diferentes proveniências, geolocalizadas, datadas -- agora é impossível enganar toda a gente.

Contudo, perante todas as evidências a máquina putinista nega-as e constrói uma narrativa paralela, inverosímil e absurda. Mas, mesmo quando as mentiras difundidas pela hipócrita contra-informação de Putin são desmontadas, palavra por palavra, pixel por pixel, os mesmos putinistas, os mesmos comunistas, os mesmos negacionistas continuam colados à narrativa dos criminosos.

Porque é que os comunistas se colam a um regime corrupto, oligarca, imperialista e criminoso, isso eu não compreendo. E fico tão espantada, tão agoniada com a atitude do PCP que mal consigo falar nisto. Acho revoltante. Desonram o seu passado ou, pelo menos, desonram os ideais pelos quais dizem lutar. Parece-me uma atitude gravíssima, a do PCP.

Para mim, o direito à liberdade -- liberdade a todos os títulos, liberdade de escolher como se quer viver, liberdade de expressão, liberdade de opção, liberdade em geral -- é inalienável, indiscutível. E o direito à autoderminaçao dos povos também. E o direito à vida e o direito à paz são sagrados. Inalienáveis, indiscutíveis, inegociáveis.

Não consigo encontrar atenuantes ou desculpas para um país invadir outro, destrui-lo, matar a sua população. Não encontro. Não encontro porque não existem, não existem desculpas ou atenuantes.

Se um país, um estado soberano, quer manter a sua independência, se quer ser europeu, se quer aderir à União Europeia, se quer estar defendido pela Nato, não há justificação para que um outro país se intrometa nessas decisões e, da forma mais brutal e atroz, invada esse país.

Poderíamos ser nós. Somos e queremos ser portugueses, queremos ser europeus, queremos pertencer à União Europeia, sentimo-nos seguros com a protecção da Nato -- e era o que faltava que alguém achasse bem que a Rússia nos invadisse, arrasasse as nossas casas, bombardeasse as nossas ruas, os nossos hospitais, teatros, escolas, cidades inteiras, nos torturasse, violasse e matasse ou obrigasse a fugir deixando para trás uma vida, nos esmagasse até que os poucos sobreviventes aceitassem ceder parte do território e aceitassem ser governados pelos russos. 

Contudo, o PCP acha isto bem. Pode não dizê-lo por estas exactas palavras. Mas a hipocrisia dos seus argumentos é ainda mais constrangedora. Sinto vergonha por eles.

O PCP está agonizante e vai acabar mal, sem honra, colado a um psicopata, a um criminoso bárbaro.

Sergey Lagovskiv, 26, mourns over the body of his friend Igor Lytvynenko, who according to residents was killed by Russian Soldiers, after they found him beside a building's basement in Bucha, Ukraine April 5, 2022. REUTERS/Zohra Bensemra

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A todos aqueles a quem apelei lá em cima, peço que vejam o vídeo abaixo. Uma vez mais, não tem legendas. Mas as imagens falam por si. Vejam-no, por favor. A mim esta tragédia faz-me chorar, não apenas pela dor destas pessoas mas também pela impotência que sinto ao ver como isto acontece debaixo dos nossos olhos sem que consigamos impedir tamanha desgraça.

Ukraine War: 84-year-old woman tells Sky News 'I just want to die in peace'


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As fotografias podem ser vistas em Ukraine's civilians caught in the crossfire of war, no site da Reuters

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Desejo-vos um dia tão bom quanto possível
Saúde. Paz.

quarta-feira, março 23, 2022

Como pode acabar a guerra na Ucrânia?

 

No meio dos meus afazeres profissionais e domésticos, num dia escuro e acabrunhado, com tudo molhado e a pequena fera a vir para casa patinhar-me o chão, vou tentando saber quais os avanços e retrocessos nesta destruição cega e selvática. Sobretudo tenho sempre esperança de descobrir indícios de que há uma luz ao fundo de um imenso túnel.

Mas não descubro. 

Continuo a acreditar que as coisas se resolverão no seio da própria Rússia. Perante a estratégia falhada a nível militar, Putin vai sacrificando mais vítimas. Cada vez está mais brutal e ameaça escalar ainda mais o nível de destruição. Mas isso há-de ter um limite. Tenho esperança que haja algum daqueles trogloditas que o rodeiam que, perante a chacina diariamente imposta para disfarçar o fracasso, um dia diga 'basta'. E que mais vozes se lhe juntem. E que actuem.

Provavelmente terão que ser heróis pois sabem, melhor que ninguém, que, ao enfrentarem o cão raivoso, é a própria vida que estão a arriscar. Mas entre morrerem dignamente, salvando a Ucrânia e a Rússia, ou morrerem mais tarde por suicídio por não conseguirem viver com o peso de tanta destruição na sua consciência, talvez alguns optem por morrer dignamente.

Tenho esperança que não falte muito pois acredito que perante o público fracasso desta invasão criminosa, Putin acuse cada mais mais ofensivamente os militares com quem trata destes assuntos. Fala-se que já mandou prender uns quantos. Vimos como humilhou publicamente o responsável pelos Serviços Secretos. As ameaças e vergonhas a que diariamente devem estar a ser sujeitos podem ser o gatilho que vai espoletar a solução para este drama.

Entretanto, como disse, vou tentando ouvir opiniões. Partilho convosco uma interessante análise da Sky News.

Ukraine war: How might it end?

There are multiple possible scenarios, from outright victory for either side, to a new world war where everyone loses.


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A fotografia é de Vivian Rongitsch

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Em princípio ainda cá volto hoje pois tenho aqui uma outra coisa para partilhar. Portanto, até já.