Não consigo perceber como é que ainda há gente que questione a veracidade do que toda a gente vê: todos os órgãos de comunicação social de todo o mundo testemunham em directo, filmam, entrevistam, validam. Já não vivemos no mundo em que era possível forjar narrativas, em que não havia comunicação ubíqua, em tempo real, transmitida do cenário de guerra para a opinião pública. Não, já não vivemos nesse mundo, o mundo de há uns anos. Agora há reportagens directas, online, imagens aéreas, sequenciais, há cruzamento de imagens de diferentes proveniências, geolocalizadas, datadas -- agora é impossível enganar toda a gente.
Contudo, perante todas as evidências a máquina putinista nega-as e constrói uma narrativa paralela, inverosímil e absurda. Mas, mesmo quando as mentiras difundidas pela hipócrita contra-informação de Putin são desmontadas, palavra por palavra, pixel por pixel, os mesmos putinistas, os mesmos comunistas, os mesmos negacionistas continuam colados à narrativa dos criminosos.
Porque é que os comunistas se colam a um regime corrupto, oligarca, imperialista e criminoso, isso eu não compreendo. E fico tão espantada, tão agoniada com a atitude do PCP que mal consigo falar nisto. Acho revoltante. Desonram o seu passado ou, pelo menos, desonram os ideais pelos quais dizem lutar. Parece-me uma atitude gravíssima, a do PCP.
Para mim, o direito à liberdade -- liberdade a todos os títulos, liberdade de escolher como se quer viver, liberdade de expressão, liberdade de opção, liberdade em geral -- é inalienável, indiscutível. E o direito à autoderminaçao dos povos também. E o direito à vida e o direito à paz são sagrados. Inalienáveis, indiscutíveis, inegociáveis.
Não consigo encontrar atenuantes ou desculpas para um país invadir outro, destrui-lo, matar a sua população. Não encontro. Não encontro porque não existem, não existem desculpas ou atenuantes.
Se um país, um estado soberano, quer manter a sua independência, se quer ser europeu, se quer aderir à União Europeia, se quer estar defendido pela Nato, não há justificação para que um outro país se intrometa nessas decisões e, da forma mais brutal e atroz, invada esse país.
Poderíamos ser nós. Somos e queremos ser portugueses, queremos ser europeus, queremos pertencer à União Europeia, sentimo-nos seguros com a protecção da Nato -- e era o que faltava que alguém achasse bem que a Rússia nos invadisse, arrasasse as nossas casas, bombardeasse as nossas ruas, os nossos hospitais, teatros, escolas, cidades inteiras, nos torturasse, violasse e matasse ou obrigasse a fugir deixando para trás uma vida, nos esmagasse até que os poucos sobreviventes aceitassem ceder parte do território e aceitassem ser governados pelos russos.
Contudo, o PCP acha isto bem. Pode não dizê-lo por estas exactas palavras. Mas a hipocrisia dos seus argumentos é ainda mais constrangedora. Sinto vergonha por eles.
O PCP está agonizante e vai acabar mal, sem honra, colado a um psicopata, a um criminoso bárbaro.
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A todos aqueles a quem apelei lá em cima, peço que vejam o vídeo abaixo. Uma vez mais, não tem legendas. Mas as imagens falam por si. Vejam-no, por favor. A mim esta tragédia faz-me chorar, não apenas pela dor destas pessoas mas também pela impotência que sinto ao ver como isto acontece debaixo dos nossos olhos sem que consigamos impedir tamanha desgraça.




