Agradecendo ao Leitor que deixou nos comentários o link para o interessante vídeo abaixo, transcrevo parte do texto que acompanha o filme que vivamente recomendo:
INCOMPATIBILIDADES DOS DEPUTADOS
intervenção de Paulo Morais na Assembleia da República
Um discurso que deveria afrontar não só os nomeados, mas também os cidadãos que os elegem e continuam a acreditar e a confiar neles as suas vidas e a de milhões de inocentes.
Paulo Morais expõe um dos mais graves problemas de Portugal, o assalto ao orçamento levado a cabo por deputados, para favorecer parasitas. Mas os cobardes, perante o peso de uma verdade tão inegável, nem se dignam a aparecer para justificar ou negar.
O descaramento e a falta de remorso é tão óbvia que nem sentem necessidade de disfarçar.
(...)
Na comissão hoje mais importante, a que acompanha o Programa de Assistência Financeira a Portugal, que tem por funções fiscalizar as medidas previstas no memorando de entendimento com a Troika, nomeadamente as alienações de capital público na EDP e na REN, a privatização da exploração aeroportuária ou o apoio à recapitalização da Banca – nesta comissão tem assento Miguel Frasquilho que trabalha na Essi, entidade do grupo financeiro Espírito Santo que, ainda por cima, assessorou os chineses na compra da EDP; a que se juntava até há pouco tempo Adolfo Mesquita Nunes, advogado da poderosa sociedade “Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva”, justamente o escritório de referência no sector de electricidade em Portugal. Nessa mesma comissão parlamentar, de acompanhamento ao programa de assistência financeira, os interesses da EDP têm estado ainda representados pelo deputado Pedro Pinto.
(...)
É também muito difícil de aceitar que o actual Presidente da Comissão Parlamentar de Defesa, Matos Correia, seja advogado no mesmo escritório que o seu antecessor na função, José Luís Arnaut, cujo principal sócio é o ex-ministro, também da Defesa, Rui Pena. Que competências tão peculiares terá esse gabinete jurídico para obter tão forte representação pública em sector tão relevante sob o ponto de vista estratégico? Que competências têm os advogados dessa sociedade para representar o povo num sector por onde correm alguns dos mais rentáveis (e corruptos) negócios do estado português?
Não é por Teresa Leal Coelho se ter demitido de vice-presidente do seu grupo parlamentar ou por alguns outros terem feito declarações de voto que marcam alguma diferença face ao abandalhamento que revelou ser a ala que apoia a coligação (des)governamental.
O que é isso? Que importância tem o gesto póstumo de explicar porque fizeram o que fizeram? Nenhum.
Deixaram, isso sim, que um garotelho qualquer, uma criatura que não tem decência cívica, um tal Hugo Soares, conseguisse fazer o Parlamento escrever um dia negro na sua história - e alinharam com isso.
Na prática, calaram a sua consciência sobre um tema tão do foro da consciência pessoal, deixaram-se instrumentalizar, marimbaram-se para a vida de todas as pessoas envolvidas em situações como as que são objecto do projecto de lei, nomeadamente as crianças, anularam-se a troco de ficarem bem junto das instâncias partidárias.
Todo este episódio é miserável. Envergonha quem nele participou.
Se estes deputados estão mesmo contra este acto miserável - este referendo tirado da cartola, uma verdadeira golpada de que Relvas não desdenharia, a baixa política em todo o seu esplendor - deveriam ter-se deixado estar na bancada e, na hora de votar contra, deveriam ter-se levantado e votado contra. O povo paga-lhes para se portarem de forma digna.
O povo não paga a traidores e é o que eles mostraram ser. Trairam o eleitorado mas pior, muito pior que isso, trairam a sua própria consciência. Quem não consegue respeitar-se a si próprio não é digno de outra coisa que não desprezo.
Miserável foi, de resto, toda a forma como o PSD se portou ao longo deste processo, culminando com o não dar liberdade de voto numa matéria tão sensível como esta. Miserável. Atitude miserável a dos que gizaram tudo isto e atitude miserável a dos que aceitaram alinhar com esta atitude tão canalha. Se um deputado não pode agir e votar em consciência então está na Assembleia da República a fazer o quê?
A lei da coadopção - que foi, portanto, travada com a chico-espertice dos rapazolas da JSD e com a cumplicidade cobarde dos que votaram a favor, se abstiveram ou se ausentaram na altura da votação - já deveria ter sido aprovada e já deveria estar a ser posta em prática.
Para se perceber o que está em causa com a pretendida lei da coadopção, leia-se a carta de uma mulher que pede que a aprovem:
UM DESABAFO
Chamo-me Fabíola Cardoso, tenho 41 anos, sou professora em Santarém e mãe de duas crianças com 9 e 11 anos de idade.
Estas duas crianças são fruto de uma relação lésbica e têm crescido na realidade de uma família que em tudo as cuida, que sempre soube provir a todas as suas necessidades mas que não é reconhecida pelo Estado Português.
Estas duas crianças têm como figuras parentais duas mulheres, a quem chamam mãe, ainda que nos seus documentos apenas conste o meu nome. Foi-me diagnosticado, em Julho deste ano, um carcinoma invasivo da mama. Na sequência desse diagnóstico fiz uma mastectomia no Hospital Distrital de Santarém e encontro-me neste momento a fazer quimioterapia, da qual já resultou a necessidade de um segundo internamento hospitalar.
UM LAMENTO
Foi a situação da minha doença que alterou profundamente a minha visão da situação dos meus filhos e me leva a escrever-vos hoje esta missiva. Fomos até agora, as duas, capazes de zelar sempre pela segurança e o bem estar dos nossos filhos, mas esta situação de doença veio abalar significativamente a aparente estabilidade e firmeza. Que aconteceria aos meus filhos se eu tivesse morrido na mesa de operações? Conseguiria a sua outra mãe a tutela? Seria correto, face a essa situação, sujeitar as crianças a um processo legal deste tipo? Que enquadramento legislativo teria um juiz para decidir a favor das crianças e da manutenção da sua família real? Ou poderá alguém de bom senso e bom coração afirmar que será melhor para estas crianças serem entregues a um familiar ou até a alguma instituição??!! Estive uma semana internada, devido a uma complicação causada pela quimioterapia. Como pode a outra mãe destas crianças justificar perante a sua entidade patronal a necessidade de faltar para as apoiar se, legalmente, não lhes é nada?? Porque teremos nós, uma família que cumpre todos os seus deveres, de não poder beneficiar numa situação de infortúnio dos diretos que assistem às outras famílias?? Ficamos na dependência das simpatias, das disponibilidades de cada um. Lamento profundamente que, devido à situação legal existente no nosso país, eu tenha muitos mais motivos de preocupação do que aqueles que deveria ter neste momento e que as minhas crianças estejam numa posição de fragilidade que não deveriam estar.
E UM PEDIDO
Venho pedir-vos a decência de aprovarem a Lei da Co-adoção, não porque a considero excelente, excelente seria simplesmente todas as crianças deste país terem uma família feliz onde crescer em segurança, mas porque nenhuma família deveria ter de passar pela situação que a nossa está a passar. Gostaria que, independentemente da cor do símbolo político que usam na lapela, pensassem honestamente nesta situação e se tentassem colocar, não no meu lugar, nem no da outra mãe, mas sim no lugar dos meus filhos. São eles os principais desprotegidos neste cenário e são-nos porque o Estado Português se sente na legitimidade de ilegitimar a sua família. Desejo o dia em que ninguém tenha de passar pelo acréscimo de sofrimento e insegurança em que a situação atual nos coloca. Nesse dia Portugal será um pais mais justo e mais democrático.
Está nas vossas mãos.
Obrigada, Fabíola Cardoso
*
Face a este pedido tão vindo das entranhas, a resposta do PSD e do CDS foi o que se sabe.
Na prática riem-se na cara de quem os elegeu, riem-se na cara de quem ainda espera alguma coisa deles.
Shame on you, Miguel Frasquilho, Teresa Leal Caeiro, Teresa Caeiro e outros, shame, shame on you.
* A primeira imagem provém, como é visível, do blogue We Have Kaos in the Garden. as restantes foram obtidas na net sem que tenha conseguido descobrir a sua proveniência original. *
Declaração de interesses: Sou mãe de família de uma família dita normal, não tenho nenhum nenhum caso de homossexualidade (pelo menos declarada) na minha família mais chegada ou no meu núcleo de amigos mais próximos. Não me orgulho nem deixo de me orgulhar por isso da mesma forma que não me orgulho ou deixo de orgulhar por uns serem louros e outros morenos. Mas uma coisa é certa: não é o eu não ter casos no meu núcleo mais próximo que me impede de achar que qualquer pessoa tem direito a viver em felicidade a sua vida de acordo com as suas orientações sexuais - e deve vivê-la no pleno usufruto de todos os direitos, os quais devem ser independentes de orientações sexuais. Por maioria de razão, todas as crianças devem poder viver protegidas e felizes independentemente da orientação sexual dos seus pais, sejam eles biológicos ou não. E tenho a maior dificuldade em perceber quem ache o contrário disto.
Acho que o vou escrever deve ter banda sonora. Por isso, meus amigos queiram, por favor, fazer play. Aos que estão no trabalho recomendo que baixem o som do computador para não ficarem com a reputação na lama.
Já está? Ok. Então vamos lá.
Quem aqui me costuma ler sabe que não morro de amores pelo Miguel Relvas. Aparece-nos amiúde casa dentro a falar de tudo e de mais alguma coisa, sempre com aquele ar de velha sabichona, de quem muito sabe.
Li no Expresso que a empresa da qual era administrador executivo até à altura em que veio para ministro, a Finertec, adquiriu 20% da Fominvest, a empresa na qual Pedro Passos Coelho era administrador (segundo constava, pela mão de Ângelo Correia) até vir para primeiro ministro. A operação visará atacar mercados como Angola e Brasil.
Nada de mais.
O que me espanta não é isso. O que me espanta é como é que o Miguel Relvas tinha tempo para exercer a sua função de gestor executivo numa empresa enquanto o víamos andar num permanente vaivém enquanto político activo?
Espanta-me isso em relação a ele e espanta-me em relação a todos os outros (o Miguel Frasquilho que é director do grupo BES e deputado, etc). Eu trabalho numa empresa - e trabalho o dia inteiro sem ter tempo para me ausentar para ir ali tratar de umas coisinhas. Como é que eles conseguem?
Ou será que estão nas empresas, não para trabalhar, mas apenas para garantirem os contactos que conseguem enquanto políticos? É mais isso, não é?
Mas detenhamo-nos agora no super-ministro Miguel Relvas - como é que conseguia ser deputado, presidente da Assembleia Municipal de Tomar, gestor de uma empresa privada e ainda ter tempo para andar pelas televisões a participar em debates? E como é que, no meio disto, ainda arranja tempo para as reuniões da Maçonaria? E, ainda mais espectacular, como é que, no meio disto tudo, ainda conseguiu tempo para tirar um curso superior (acabou o curso de Ciência Política e Relações Internacionais na Lusófona, em 2007) - vejam bem.
Numa festa na Câmara Portuguesa de Comércio e Indústria no Rio
com convidadas
Mas as proezas deste homem biónico não se ficam por aqui - em 2008 tornou-se Cidadão Honorário da Cidade do Rio de Janeiro. Presença frequente nas festas de sociedade, interlocutor em negócios, facilitador, dizem.
Na mesma festa com Paulo Elísio de Souza .... Agostinho Branquinho
agora funcionário do Nuno Vasconcellos na Ongoing,
que também terá estado na festa
Como é que ele consegue - perguntarão alguns cépticos? Alguma coisa ficará para trás, digo eu.
Fui ler o CV do fantástico Miguel Relvas - uma vida inteira de servicinho partidário, desde tenra juventude. E daí partiu para estas acumulações com a gestão de uma empresa com interesses em África e Brasil.
E agora é nº2 do Governo, o mais importante, omnipresente, omnisciente, omnifalante.
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Outra coisa surpreendente que li no Expresso deste sábado. Depois de muito adiar, depois da AICEP (a importantíssima Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal que depende de Paulo Portas) estar sem direcção durante mais tempo do que devia, eis que finalmente se sabe quem vai chefiá-la: Pedro Reis, uma escolha pessoal de Passos Coelho.
Pedro Reis para além de amigo é referido como conselheiro de Passos Coelho e, a pedido deste, escreveu um livro, 'Voltar a crescer', no qual reuniu testemunhos de empresários e gestores. Nada de mais, certo?
Pois, se calhar não. Se calhar sou eu que gosto de me armar em difícil. Sou exigente, penso eu. 'Arma-se em esquisita' dirão alguns.
Mas é que o curriculum dele diz-me que depois de ter estado na Altamira (que faliu) e no Grupo Tubos, passou a dedicar-se à imagem e comunicação, detendo participação numa agência de comunicação, Imago, participação que mais tarde vendeu, passando a partner da Cunha Vaz & associados (outra agência de comunicação).
E é este o CV da pessoa que vai ter por missão promover a internacionalização da economia portuguesa, atrair investimento para o País e mais um monte de coisas que, diria eu, requereria a sólida experiência de alguém com provas dadas no comércio externo, um gestor de mão cheia, alguém com visão estratégica, com conhecimentos de história, com uma cultura vasta, com dotes políticos e diplomáticos. Diria eu.
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Começa a ser consensual que a única salvação possível para a Europa, para que não se afunde de vez, para que os países não entrem numa pantanosa insolvência da qual não se vê como poderiam sair, seria o BCE assumir-se como banco, adquirindo toda a dívida pública dos países, emitindo moeda, procedento a manobras monetárias (valorização ou desvalorização consoante as circunstâncias).
Podemos ler isso um pouco por todo o lado - e é isso que Cavaco Silva defende. É isso que ele diz nas entrevistas, nos encontros diplomáticos, aos jornalistas que o apanham na rua, no jardim ou onde calhar. E aí não o posso censurar. Nesta matéria concordo com ele (tomara que o soubesse dizer num inglês mais fluente e que tivesse um ar mais cosmoplita mas, enfim, isso é outra conversa).
No entanto há quem não o queira. Quem? Angela Merkel, claro. Se isso acontecer a Alemanha perde o seu protagonismo, a sua preponderância, a sua indisfarçável tentativa hegemónica. Angela Merkel e os seus seguidores, claro. E, de entre eles, quem é que aí anda defendendo que o BCE não deve emitir moeda, que isso iria favorecer a inflação e mais não sei o quê? O Pedrocas, claro. O PPC que nos saíu na rifa. Ou melhor, a fava que nos calhou em sorte.
Pois, conhecendo nós como conhecemos o nosso Presidente, sabemos que o Pedrocas se está a pôr a jeito.
Cavaco Silva anda numa ronda diplomática em que a principal mensagem é que o problema não é apenas de Portugal, que o problema é europeu e que a maneira de isto ir ao sítio é o BCE agir como banco central e... e o ex-Doce anda a dar entrevistas a dizer que isso é um disparate....?
Já com a história dos dois subsídios foi o que foi e agora está a desafiar Cavaco Silva desta linda maneira...? Parece que está a pedi-las.
Reparem no fácies do Presidente: de uma rigidez assustadora
Parece que quer estraçalhar a mãozinha do PPC, não é...?
Isto não vai acabar bem. Cá para mim Cavaco Silva já deve estar a ver como é que se vai livrar dele e não me custa imaginar a D. Maria, à noite, quando se vão deitar, a dizer-lhe, 'Ó filho, não te enerves. Também já sabias que ele era assim uma cabecinha fraca, a Manuela bem dizia. Mas deixa lá, qualquer dia corres com ele, acaba-se com isto. Não vês o que já aconteceu na Grécia e em Itália? Se achares que ele prejudica o interesse nacional, corres com ele e nomeias tu um que aches que percebe disto. Vá, anda-te lá deitar, filho, não te enerves.'
Pois.
Olhem, meus amigos, só desejo é que apesar desta pimbalhada toda, consigam ter uma semana com muita classe.
O PS, o PSD e o CDS assinaram o Memorando de Entendimento com a Troika e devem cumpri-lo.
Li o documento. Falei aqui disso na altura. É um documento de operacionalização de um conjunto de medidas de racionalização em vários sectores nacionais. São medidas para conter a despesa na saúde ou na educação, para resolver processos judiciais pendentes, para conter admissões na administração pública, congelar ordenados na administração pública, racionalizar as transferências para a Administração Local e Regional e monitorizar a aplicação de verbas, aumentar o IVA sobre tabaco e sobre veículos importados, rever os contratos com as parcerias público-privadas, etc. Coisas razoáveis, necessárias, sensatas. Claro que também lá aparece o lado nefasto da coisa que é a necessidade de realizar cash a curto prazo, recorrendo, para tal, às privatizações.
Mas o documento da troika é um plano de acções, calendarizado, simples aquilo a que qualquer gestor está habituado quando tem que pôr a casa em ordem.
Li-o e achei natural que, se vão emprestar dinheiro, imponham como condição que excessos e malformações sejam controlados para garantir que não são sorvedouros de dinheiro.
Mas o Memorando de Entendimento com a Troika é só isso. Não é um programa de governo, não é um plano para gerir o país, para relançar a economia, é apenas uma garantia de que o dinheiro recebido não será desperdiçado.
Se você for ao banco pedir dinheiro e lhe exigirem uma garantia isso é natural. Ora, se você prestar ao banco uma garantia, fica (pacoviamente) à espera que seja o banco a vir também gerir a sua vida em todos os capítulos? Claro que não.
O que o Memorando tem de francamente mau é que implica um ajustamento a 3 anos - o que é impossível. Várias vozes se têm levantado e bem. Manuela Ferreira Leite é uma dessas vozes. No mínimo deveria passar para 5 anos, idealmente para mais que isso, talvez 7. Também começou com uma taxa de juro demasiado alto e que, posteriormente, foi ajustada.
Ora o que se passa com este nosso Governo, tão destituído, é que não apenas se limitam a agarrar-se ao documento da Troika para tudo e mais alguma coisa, como o adulterarm exacerbando todas as medidas restritivas.
Onde a Troika diz congelar salários, eles vão à catanada e rapam 20%, onde se diz para subir o IVA em bens supérfluos, eles vão e aumentam a electricidade, o gás, e sei lá que mais.
Mas pior que isso: ignoram a economia, ignoram as pessoas.
Medidas restritivas são necessárias (tal como estavam definidas no documento da Troika - não com o incremento do Gaspar) e é indispensável reequilibrar as contas. A demografia não permite alimentar tanto Estado, nem pagar tantos subsídios e pensões a tanta gente, durante tanto tempo.
É pois necessário criar emprego, criar emprego não estatal, redefinir os esquemas de apoio social. É indispensável que se faça isso, mas de forma inteligente, gradual - para que o estado social possa sobreviver, sem que o país não vá ao tapete em três tempos.
Mas isso faz-se criando emprego, injectando recursos na economia, estudando de forma integrada e planeada o desenvolvimento do país e as políticas do território.
Injecta-se de um lado para que se possa ir desmobilizando do outro lado, sem sofrimento.
O que não se faz, não se pode fazer, é o que este Governo anda a fazer que é cortar a eito, destruir a economia e a dignidade de todos quantos tiverem a infelicidade de cair no desemprego e na pobreza, sem criar qualquer alternativa, qualquer.
Este caminho é suicida e estúpido pois, além de tudo o mais, leva ao sucessivo incumprimento orçamental pelo lado da receita - como se está a ver. Com este garrote, não apenas a fuga fiscal vai voltar (e é compreensível, é a luta pela sobrevivência), como cada vez haverá menos pessoas a descontar porque vão caindo no desemprego, e porque as empresas vão cair no prejuízo, não conseguindo também pagar impostos.
Isto é difícil de perceber?
Eu acho que não.
Mas aqui temos este Gaspar, autista, insensível ao medo, insensível às pérfidas consequências, insensível a tudo, maquinal, consultor quadrado, consultor da área das finanças, ignorante de economia, ignorante da vida.
Aqui temos o incoerente, inconsistente, Pedro Passos Coelho com ar de quem sofre com isto tudo a fazer tudo mal, tudo, tudo, tudo ao contrário do que apregoou na oposição, na campanha eleitoral, tudo ao contrário do que o país precisa.
E aqui temos também aquele tonto do Miguel Frasquilho, ex-grande defensor da descida de impostos como forma de libertar recursos para a economia, agora beatamente a louvar a violenta carga fiscal sobre famílias e empresas, a louvar o infame corte de rendimentos.
Não pode ser. Não sabem o que andam a fazer. São limitados, demasiado limitados para poderem ser deixados a governar o país.
A nossa vida é demasiado importante para ser deixada nas mãos de gente tão destituída.
Os idosos do meu País não merecem isto, senhores...
Os jovens e crianças do meu País não merecem isto, valha-nos Deus.
Um package de medidas estruturantes é um conjunto de medidas que, articuladas entre si, conduzem a um resultado que, previamente, se fixou como o objectivo a alcançar.
Nenhuma medida vale de per se. Apenas quando se conhecerem todas, se poderá ajuizar da bondade do package.
No entanto, face aos comentários que entretanto se ouvem, nomeadamente os de directores de jornais económicos, posso conduzir que há quase uma unanimidade relativamente à conclusão de que este package é harmonioso (se o termo é aplicável a matérias desta natureza), menos gravoso do que se temia, perspectivando algum reacendimento da economia apesar de arrefecer algum consumo, permitindo uma progressiva desalavancagem financeira, sem ser à bruta, não atirando ao tapete, de morte súbita, as empresas mais frágeis, não exponenciando as taxas de desemprego. Se assim for, respiremos de alívio.
Porque, se assim for, é menos mau. Se, à pala disto, nos virmos obrigados a reestruturar alguns sectores anquilosados e ineficientes, haja deus.
Mas não nos alienemos mais do que é razoável: estamos tecnicamente falidos, estamos de mão esticada a pedir apoio, é bom que rezemos a todos os santinhos para que os finlandeses não venham estragar a festa, é bom que nos lembremos que temos uma classe política incapaz, abaixo dos mínimos, a maioria nem para presidentes da junta seriam capazes, é bom que não esqueçamos que vamos pagar caro estas medidas, a classe média deve sair ainda mais esmifrada, e, sobretudo, não nos alheemos do facto de que demonstrámos ao mundo a nossa incompetência total.
Ou seja, ninguém de bom senso pode vir cantar grandes vitórias em cima disto.
Por isso, se já me arreliou um bocado que Sócrates na sua habitual onda zen, quase que só tenha dito que este acordo é bom, tão bom, ai é tão bom, ainda mais me custou ver Catroga, com ar de quem nadava em seco, um peixe afobado a quem, de repente, faltou a água depois de um dia inteiro a secar à espera que o chamassem, desatando, quase em delírio, a dizer que o acordo é bom, ai é tão bom e é por causa de mim, fui eu que disse aos senhores da troika para fazerem um acordo tão bom, que já não corta as pensões, que não despede ninguém, fui eu, fui eu! O mérito é meu, a mim ninguém mo tira!
Tão ridículo. Custa ver uma pessoa que se tinha por minimamente respeitável assim, esgrouviado, desaustinado, baralhado, desdizendo o que antes tinha sido dito (que o PEC IV era brando demais, por exemplo). Está de cabeça perdida, até dói.
Ainda por cima, nas televisões, toda a gente a dizer que o acordo é bom e toda a gente a apontar o dedo ao desnorte do PSD...
A esta hora devem estar todos lá na S. Caetano à Lapa a ver como se vão agora sair desta.
Devem estar: 'O sacana do Sócrates antecipou-se, aquele c.., amanhã temos que dar cabo dele, bora lá escrever mais uma carta. Sacana do Sócrates, e agora o que é que a gente faz? Ó Catroga diga lá aí que é que a gente agora lhes vai perguntar, é pá, puxe pela mona, qualquer coisa. Ah, já sei, vamos perguntar ao tipo porque é que o Teixeira dos Santos estava com ar de quem tinha vontade de lhe dar um estaladão, vá escreva lá, pá, é boa a pergunta, então não é? E olha lá, ó Relvas, põe lá aí o avental e liga aos teus amigos, ao Lello, ao Coelho, a esses, vê lá o que é que eles dizem, vê lá se eles se descaem com qualquer coisa para a gente ter onde pegar, o sacana do Sócrates, a pata que o pôs, safa-se sempre, rais-parta! Vamos mas é dizer que se chateiam muito não assinamos porcaria nenhuma, assinem eles, caraças para isto tudo'
E, enquanto isto, enquanto o destravado Catroga, o marrãozinho Moedas, o perplexo Macedo, o Frasquilho da pulseirinha fatal, a Teresa Morais desvairada aos gritos, quiçá o blasé Duque, o Relvas, a brasileira e os outros se matam a ver o que amanhã vão dizer, o boca doce, o doce jota, anda numa fona na cozinha a preparar farófias para servir daqui a nada, que já estão todos varados de fome, por esta conferência do Sócrates é que não estávamos à espera, deixa-me lá escalfar aqui mais uns ovos, já tenho é pouco açúcar e isto ficava melhor com uma casquinha de limão, mas, olha, vai mesmo assim que em tempo de guerra não se limpam armas, comem as farófias sem o gostinho do limão, olha, paciência e ainda tenho que ir avisar a Laurinha que vou chegar mais tarde.
MR gosta de andar de avental mas na cozinha da S. Caetano à Lapa não entra: papos de anjo, queijadas ou farófias, isso é pelouro do DJ PPC !
Um Compromisso Nacional: les beaux esprits se rencontrent
Há quem diga que alguma andam eles a preparar e que algumas surpresas podem estar para sair à cena.
Quem sabe não seria uma boa solução?
Tirando uns quantos relativamente aos quais fico de pé atrás, até me parece que é crème de la crème - há lá comparação possível com a tropa fandanga de Relvas, Frasquilhos, Teggys, Foleiro Lellos e por aí fora...?
Francisco Balsemão, Leonor Beleza, Sobrinho Simões, Silva Lopes, António Barreto, Santos Silva é tudo gente com boa cabeça e boa estrutura moral e cívica - e gente que merece algum respeito fora de Portugal.
Eu hoje estava mesmo numa de flores. Os testes de personalidade do tipo Jungs and Briggs Myers colocam-me sempre como Doer (muito mais do que thinker ou judger - não, eu sou mesmo do tipo de fazer coisas) e, talvez por isso, porque me maravilho com flores, tal como referi no post abaixo, gostaria de fazer um Museu da Flor e era isso que me apetecia planear.
In heaven, a glicínia está numa euforia que só visto
Ou seja, não me estava nada a apetecer escrever aqui sobre a situação política portuguesa. O nível vai baixando até níveis insuportáveis e não me apetecia debruçar-me sobre tal baixeza.
Mas, quando se pensa que já se bateu no fundo, vem a realidade provar que é sempre possível descer ainda mais. E custa deixar passar em claro.
Ontem tinha escrito sobre as afirmações descabidas, desajustadas, despropositadas de Cavaco Silva dizendo que, em Bruxelas, as autoridades financeiras deveriam ter alguma imaginação no apoio interino a Portugal (what????); também tinha escrito sobre o incómodo que me causou assistir ao exagero emocional, à alienação e ao estilo apoteótico em que decorreu o congresso do PS em Matosinhos.
Mas eis que à tarde ouço que o PSD convidou para encabeçar a lista de Lisboa o Dr. Fernando Nobre. What???? Esta é demais.
Perplexa e angustiada ouço dizer que se candidata para ser o Presidente da Assembleia da República.
Mas a que propósito? Nunca foi deputado! Candidatou-se a PR pregando contra os partidos, contra a política partidária. E agora pode acontecer que o venhamos a ter como 2ª figura de Estado?
Mas o PSD ensandeceu? E esqueceram-se que ele foi candidato contra Cavaco Silva? E que, se for Presidente da Assembleia da República, terá como atribuições substituir Cavaco Silva?
Mas o que é que se passa com o DJ PPC? Não, ele não é apenas uma maria vai com as outras: é mesmo um doido e dos perigosos.
Quanto a Fernando Nobre nem consigo pronunciar-me com ponderação. Esta pessoa causa-me incómodo. Já foi membro da comissão política da candidatura de Mário Soares, já foi mandatário nacional do Bloco de Esquerda, era a favor da política independente de partidos e, na campanha para a presidência da república, revelou-se impreparado, demagogo, inconsistente, espuma e nada mais.
Parece não ter palavra, nem seguir uma linha de rumo. Dá ideia que se fartou de filantropia e que agora anda a ver no que dá.
O que dirá a Margarida Pinto Correia que, na noite das eleições, o olhava embevecida? Que dirão os puros que o apoiaram convencidos de que ele era o representante de uma nova espécie, os imaculados, os que não se deixam infectar pela tinha partidária, pela gosma do poder?
Estará o inteligente Pedro Passos Coelho convencido de que essa legião de ingénuos irá cegamente correndo atrás do adorador de galinhas? Olhe que não, olhe que não.
Galinhas em fuga - a imagem que nos ficou de Fernando Nobre
Mas quem é que, no PSD, anda a aconselhar o Doce Jota? Será o fantástico Miguel Relvas que, aliás, tem mesmo cara de guru (e anda quase sempre com gravata às bolas - talvez porque gravata às bolas é para os estarolas)? Ou será o Cabo Angel? Ou o Frasquilho da pulseirinha fatal? Quem, alguém me diz?
O que dirá Pacheco Pereira a um disparate deste calibre?!
Nem sei que mais diga sobre uma coisa destas. Talvez apenas - e desculpem a vulgaridade da analogia mas é a que me ocorre - que, tanta porcaria fazem, que dá ideia que no pipe line que vem ali do pseudo think tank do PSD, em vez de ideias, só corre água de esgoto.
Ou seja, para abreviar razões: vão levar uma tareia nas eleições que vai dar dó. E nem será por mérito do PS, será apenas por uma estupidez política como já não havia memória, a da actual direcção do PSD.
Qual dos dois é pior? Não sei... venha o diabo e escolha
Tenho pena mas, com esta de hoje, les jeux sont faits: cá para mim o PSD vai perder estas eleições e o DJ PPC vai à vida logo a seguir.
Isso em si não é preocupante. O que é preocupante é que Portugal tem que ser gerido e tem que haver quem articule as imposições do FMI com a realidade portuguesa e isso não é compaginável com um parlamento desagregado, com uma oposição sem liderança, com multidões na rua.
Olhem, meus caros, não me parece que haja alternativa: por isso, de novo, Watson ao poder, já!
Já aqui me referi uma vez a Miguel Frasquilho e à sua pulseirinha fatal. Já falei de Miguel Relvas, de Ana Drago e de tantos outros que ou não sabem sequer falar, ou não sabem vestir-se ou ainda não cresceram. Já referi que, se houvesse algumas provas de aferição ou testes psicotécnicos ou qualquer outro tipo de crivo, jamais passariam.
Para se alcançar o lugar de Deputado da Nação deveria ser preciso ser-se culto, ser-se experiente, ter o mínimo de vida, de mundo, de maneiras. Não deveria, jamais!, ser possível que qualquer um, só porque lhe deu para isso, conseguisse entrar na Assembleia da República armado em representante do Povo.
Miguel Relvas, o PSD no seu pior e agora o grande amigo do BE
Que eu e tantos outros andemos a trabalhar para, do nosso ganho, nos ser retirada grossa parcela para pagar a estas pessoas para que façam o que lher der na bolha, é coisa que até faz doer.
Hoje vinha para casa, depois de um dia de trabalho, a ouvir essa rapariga que cresceu na Assembleia, a opinar com ar doutoral, a dizer que vai interpor, interrogar e sei lá que mais o quê. Ela e mais uns quantos ali andam a causar entropia, ruído - e sempre com tempo de antena.
Pode às vezes ter alguma razão (não é destituída de inteligência), mas não tem background, não tem sabedoria, não tem mundo. Como pode representar alguém?
Já para nem falar no dress code: quando uma deputada se apresenta assim, como se estivesse ido à cozinha depois de acordar...
Impreparados, oportunistas, fedelhos, burgessos, pirosos, ignorantes, demagogos: por favor, arranje-se maneira de não ser possível que ocupem lugares na AR. Que fique apenas a gente capaz, os que querem ir para lá para, com cabeça, tronco e membros, ajudar a construir o País. Gente de prestígio.
É que há uma outra coisa: em épocas de crise brava, de falências, de susto, as pessoas ficam impacientes quando vêem que os órgãos de soberania estão ocupados por uma maltosa sem preparação nenhuma e, às tantas, pode haver a tentação de abolir a democracia.
Antecipadamente, há que evitar essa tentação.
E a exigência tem que ser generalizada na escolha dos representantes, sejam eles quais forem.
Sindicatos: sim mas para defender os trabalhadores, não para defender as estruturas sindicais (por exemplo: por que cabeça passa que, com as empresas de transportes falidas, ande aquela gente a fazer greve e a querer aumentos?)
Mário Nogueira, uma figura sinistra que tem arrasado a imagem dos professores em Portugal
Comissões de Trabalhores: sim mas para defender os trabalhadores, não para serem correias de transmissão do aparelho do PCP e das estruturas sindicais.
E por aí fora.
Sejamos exigentes. A democracia tem que ser capaz de sobreviver.
Estou quase como o convalescente Alberto João, quando se referia a Cavaco Silva como o Sr. Silva. Mas este Senhor Silva anda a aborrecer-me. Arrasta multidões de pessoas da terceira idade que o aplaudem como se ele fosse o líder da oposição, o candidato que, ganhando estas eleições, lhes vai aumentar as pensões, lhes vai arranjar emprego, lhes vai repor as linhas de caminho de ferro. E ele alimenta esta ilusão e, entusiasmado com esta vaga de fundo, não apenas a cavalga como vai prometendo um reinado activo. Cavaco vai virar uma Rainha de Inglaterra com look de Sarkozy.
Não contente com isso, inchado de demagogia e populista como nem Portas, Louça e Jerónimo todos juntos conseguem ser, agora diz que, se não ganhar na 1ª volta, os juros vão subir, o dinheiro vai escassear, a vida das pessoas vai piorar. Claro que as pessoas, no meio desta crise, assustadas, e convencidas que ele e 'a sua senhora' são gente de bem, acreditam na ameaça.
E eu ouço esta argumentação e penso: isto não é intelectualmente honesto. Abusar da credulidade e da pouca informação do sector mais carenciado da população, não é coisa bonita de ser ver. E aborrece-me pensar que este homem, que é capaz de se pôr aos saltos no meio da rua, que diz incompreensíveis palermices, que andou contido e sonso durante o 1º mandato, se prepara para se ir instalar mais 5 anos em Belém a fazer sabe-se lá o quê - provavelmente a fazer a vida negra a Sócrates.
Mil defeitos pode ter José Sócrates mas trabalha, luta, prepara-se e não baixa os braços. Ele vai à Alemanha vender atoalhados, vai a Timor, ao Dubai, à China, ao Brasil, e leva empresários tentando que façam negócios, vende a dívida (*), luta, luta, luta, luta. Pode estender o optimismo até à fronteira do abismo, pode ocultar os problemas tentando que a economia não desanime, pode ter cedido face à contestação frentista (PCP+PSD+CD+BE) e não ter sido capaz de acabar com institutos, privilégios e encargos impossíveis de sustentar, mas luta, trabalha, não dorme, e estuda os números, argumenta, desdobra-se em entrevistas.
Algum dos senhores deputados que estão na Assembleia como vizinhas e comadres num pátio, à janela, na varanda, na cusquice, a discutirem as notícias dos media, sem fazerem leis, sem se importarem com os reais problemas do País, trabalha um décimo do que trabalha José Sócrates?
E anda agora Cavaco, deslealmente, a torpedear o esforço quase sobre-humano que Sócrates anda a fazer há anos...? Com argumentação básica, populista...?
Mas sobretudo: armar-se em sindicalista radical e derrubar o governo para quê, Senhor Presidente? Para pôr lá quem? O imaterial Pedro Passos Coelho e mais a sua trupe? Os irmãos Miguel e Miguel, Frasquilho & Relvas? E mais quem Senhor Presidente?
Candidato Silva - muita demagogia, muito taticismo primário
(*) Arreliam-me também as virgens ofendidas (tontas, tontas como geralmente são as virgens retardadas) que para aí andam incomodadas com a compra de dívida por parte dos países ricos que não respeitam os direitos humanos. É chato. Concordo que é chato. Mas, quando há leilões, alguém sabe quem é que está a comprar a dívida? E, se forem fundos, sabe-se lá do quê, de que países: já ninguém se importa?
Chato é estarmos tão endividados que nos endividamos para pagar encargos, para pagar o que compramos, para pagar o que comemos. Chato é a situação de desequíbrio financeiro a que chegámos, chata é a situação de debilidade económica em que nos encontramos. Mas isso não é culpa deste governo: é fruto de décadas de laxismo, de novo-riquismo, de ignorância, de falta de exigência. E refiro-me, não os vários governos que temos tido, mas a nós todos que elegemos gente desqualificada para a exigência das funções que desempenha. Aqui não há que colocar a culpa 'neles' porque os culpados disto somos nós.
Nota: E agora, aqui neste cantinho, viro-me para o murinho e lamento-me: não quero o Cavaco... mas faço o quê? Nenhum outro dará um bom Presidente... Abstenho-me? Faço o quê?
Por estes dias, Little Britain é um território bem mais divertido do que:
esta "choldra ingovernável" (e volto a D. Carlos),
do que esta terra «na parte mais ocidental da Ibéria, [onde há] um povo muito estranho: não se governa nem se deixa governar!» (segundo um general romano, no século III a.c. em carta endereçada ao imperador, quando da conquista da Península Ibérica pelos romanos),
do que este desvalido País, sem dinheiro para mandar cantar um cego, à mercê das agências de rating, dos 'mercados' (essa majestática figura), dos países que - a troco do que for preciso - se disponham a comprar a nossa dívida, as nossas empresas, o que quiserem (Venezuela, China, etc),
do que este Portugal de plástico para ser mais barato (O'Neill dixit) em que ao fim de anos sem conta o julgamento mais mediático (Casa Pia) é posto em causa por detalhes processuais e, em que se isso acontecer, já ninguém se admirará porque não há alma viva que acredite na justiça (que associamos a uma tropa fandanga de juízes e procuradores);
do que este apertado rectângulo - sem ambição, sem estratégia, que ignora o seu mar imenso e os caminhos que por ele já percorreu - em que a classe política é, de forma geral, de baixa estirpe, em que não se antevê figura distinta que possa genuinamente interessar-se pela nobre causa de servir o povo e em que nós todos já estamos tão descrentes, acomodados, acobardados que não somos capazes de nos chegar à frente e, com esta nossa desmobilização, entregamos a nossa sorte nas mãos de pessoas despreparadas como Pedro Passos Coelho, Miguel Relvas, Miguel Frasquilho (o da pulseirinha fatal...), José Sócrates, Armando Vara, Paulo Portas e os seus submarinos amestrados, Mário Nogueira e Ana Avoila, Ana Drago e um bando de mulheres iritantes que agora por aí andam no PSD e do PP, Bernardino Soares com o seu ar de menino e conversa de velho, e mais o resto da decadente trupe deste circo de província.
Por isso, vejamos o fantástico rural gay Dafydd Thomas a entrevistar o fantástico e bem humorado Sir Elton John, the only gay na terra dele, cujas canções, interpretações e atitude muito admiro.
Temos pena, mas não há volta a dar. Daqui por uns anitos o João Pedro Pais estará igualzinho ao Jorge Jesus, o grande mestre dos frangos no churrasco.
Agora já está quase lá. Até o tom de voz, até a entoação, até os modos já são praticamente iguais: aquele ar de cansado da vida, de incompreendido disposto a vencer, aquele ar de precocemente envelhecido mas que se recusa a envelhecer, tudo, desde a expressão facial, à expressão corporal, tudo é idêntico.
Está certo que têm uns anitos de diferença mas, à medida que o tempo passa, a diferença perde relevância (é a matemática, meus caros - o número de anos de diferença é sempre o mesmo, a idade é que vai aumentando, ou seja, o mesmo numerador para um denominador cada vez maior dá nisto: a valor percentual da diferença vai diminuindo).
A única coisa que o João Pedro Pais pode fazer, se daqui por meia dúzia de anos não quiser parecer gémeo verdadeiro do Jorge Jesus, é não pintar o cabelo de louro…
E, já agora: parabéns ao Jorge Jesus que lá virou mais um frango, desta vez um poulet lyonnais (je pense...)
PS: Aos que ficam chocados de cada vez que falo de assuntos similares, especialmente quando teço considerações sobre o spleen e outras particularidades do Jorge Jesus, quero dizer que não vejo mal nenhum. Acho, até, um tema muito mais elevado do que o festival de baixo nível e de vulgaridades políticas a que se assistiu no Parlamento na discussão do mal afamado OE 2011, com os do PS e os do PSD a portarem-se como umas autênticas vizinhas, enquanto as taxas de juro voltam a subir perigosamente.
O Sócrates com o cabelo cortado de fresco já dava gritinhos estridentes qual virgem ofendida, o Teixeira dos Santos - que eu tinha por senhor - agora a portar-se com uma deselegância confrangedora, o Aguiar Branco e o Macedo do PSD a saltarem fora de uma carruagem em que se meteram (e é verdade, mas que concentração infernal de Miguéis é aquela ali...? Ele é o Miguel Relvas, ele é o Miguel Macedo, ele é o Miguel Frasquilho da pulseirinha fatal, que coisa!)...
Com estes artistas, como é que se vai sair daqui, deste pântano?
Por isso, já estão a ver: assim como assim, fico-me pelos gémeos JPP e JJ.
Hoje estive a almoçar ao pé do Miguel Frasquilho no IKEA e depois voltei a cruzar-me com ele lá em baixo, nas compras, e tive ocasião de reparar num pormenor.
A criatura nunca me foi especialmente simpática: é de um ultraliberalismo incondicional e sempre muito seguro das suas razões. São tendências extremadas com as quais não me identifico (o mercado não pode comandar tudo nem é auto-regulável como os factos o têm, infelizmente, vindo a demonstrar) e, além disso, tanta certeza absoluta revela a antítese da sabedoria. Quem tem mundo e sapiência sabe que não há verdades absolutas nem certezas inabaláveis.
Mas, bem pior que isso, foi o pormenor em que só hoje, ao vê-lo assim de perto, ao vivo e a cores, pude reparar: o liberal Frasquilho usa uma pulseirinha de ouro no bracinho, caída sobre o pulso. Estava na fila muito hightech a consultar a internet num dos gadgets da moda mas, pelo amor da Santa!, de pulseirinha de ouro…uma pulseirinha a meio caminho entre o completamente kitch e o completamente menino-da-mamã.
Coisa tenebrosa.
Um ultra-liberal de pulseirinha pirosa de ouro é a contradição dos termos, perde instantaneamente qualquer réstea de credibilidade.
Será que há mais como ele? É que a gente vê-os na televisão e só os mostram do busto para cima, os bracinhos ficam para baixo e coisas importantes e redutoras como esta, não se vêem, quando, afinal, são do mais elucidativo que há, uma pulseirinha pirosa pendurada no pulso diz mais que mil discursos na Assembleia, do que mil statements na televisão.
Não haverá maneira de os sujeitar a um triagem como a que há nas urgências dos hospitais? E pôr-lhes autocolantes na lapela para a gente ver na televisão?
Autocolante verde para quem se sabe ao menos apresentar,
amarelo para quem está prestes a resvalar para a piroseira
e encarnado para pessoas assim, com pulseirinha de ouro tombada sobre a mão, ou anel no dedo, ou patilhas artísticas, ou gravata brilhante cor de rosa, ou com um travessão de ouro bicolor na gravata, enfim, com pérolas desse género.
Acho que seria um serviço ao País. Já saberíamos em quem nunca votar.