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sexta-feira, setembro 18, 2026

Existem duas competências chave para o Montenegro escolher ministros - humildade virtual e burrice intrínseca
-- A palavra ao meu marido --

 

O ministro estrela do Montenegro, também conhecido por Fernando Alexandre, anteriormente alvo das maiores loas por tudo o que é comentador é o exemplo acabado deste perfil. Faz-se de humilde e não aprende com os erros, o que é um dos maiores apanágios dos verdadeiramente burros. Para uma área em que, lembro-me bem, o Montenegro dizia na campanha eleitoral que tudo se podia resolver facilmente com uma melhor gestão, escolheu um sujeito que não percebia nada de educação mas que tem a mania que é o maior. Vem o Fernando e conseguiu estragar o que corria bem, atirar-se de cabeça para a trapalhada e fazer estragos que nunca tinham acontecido com ministros anteriores. O Fernando conseguiu, porque acha que ele "é que sabe", originar desigualdades nas colocações no ensino superior, o que nunca tinha ocorrido e não colocar centenas de alunos porque destruiu a estrutura do ministério. Paralelamente as escolas continuam sem professores, os alunos sem aulas e as condições de muitas escolas degradaram-se a olhos vistos. E o que faz o Fernando?  Culpa tudo e todos e, num pseudo acto de contrição, pede desculpa. Logo os comentadores mais próximos lhe perdoam porque o tipo afinal é humilde. De facto, qualquer pessoa com apenas um dedo de testa percebe que humildade não é uma valência do Fernando. Já quanto a burrice... só um tipo sem grandes dotes cognitivos conseguia fazer tanta asneira em tão pouco tempo. Portanto, neste caso o Montenegro esteve quase a acertar. Escolheu para ministro um tipo arrogante que se faz passar por humilde e cujos dotes cognitivos são parcos. 

Outro exemplo acabado é a Ana Paula Martins. Passa a vida a dizer que está tudo mal e, às vezes, que ainda vai ficar pior. Portanto, é humilde -- e bate todos os recordes de falta de dotes cognitivos. Só uma pessoa com enorme falta de dotes cognitivos conseguia fazer chegar o SNS ao estado que chegou. Mais uma com o perfil adequado.

Claro que nem todos os ministros se podem gabar de ter este perfil. 

Uma exceção clara era o Neves quando ainda achava que era o "maior da Cantareira"; mas, vai pelo bom caminho. Já revela aquela pseudo humildade que caracteriza outros ministros do governo e na audição parlamentar até reconheceu que tinha cometido erros, mas claro, segundo ele, coisa pouca. No caso das capacidades cognitivas estamos conversados. Só um tipo pouco esperto pode julgar que engana tudo e todos com patranhas. 

Relativamente a outros ministros é difícil perceber se cumprem ou não integralmente as competências chave. Raramente dão um ar da sua graça. 

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Só um aparte:, quem seguramente não é humilde é a Ângela Silva. Utilizar exatamente as mesmas técnicas que o Chega, para não deixar falar o José Luís Carneiro revela uma arrogância insuportável. Claro que na SIC cada um faz os fretes que quer, e defende quem lhe apetece desde que não seja de esquerda. Ter esta criatura viperina horas e horas como comentadora e entrevistadora na SIC revela bem com que linhas se cose a linha editorial desta estação de televisão. 

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E vivam os burros, em especial os que, ainda por cima, são humildes.

terça-feira, maio 13, 2025

Gozar com quem trabalha ou com quem vê a SIC...?
-- A palavra ao meu marido --

 

Ontem o Montenegro teve tempo e completa conivência do Ricardo Araújo Pereira para passar no "Gozar com quem trabalha" todas as mensagens que são importantes para a AD nesta campanha eleitoral. Parecendo colocar perguntas "difíceis" ao Montenegro o que o Ricardo Araújo Pereira fez, pela forma como conduziu a entrevista, foi permitir que o Montenegro passasse a sua versão dos factos relativos à sua atividade pessoal e aos resultados da sua governação sem qualquer contraditório e sem qualquer de comentário do Ricardo. Deixou o Montenegro falar à vontade, qual comício da AD. "Por acaso" isto passou-se no dia em que o programa terá mais audiência. O Ricardo prestou um bom serviço à AD, a SIC deve estar contente e a AD agradecida. Ser humorista não é com certeza seguir a voz do dono, muito menos ser acrítico. Não basta bater no Chega. Deve ser-se contundente e não apadrinhar pseudo verdades. Será que ainda veremos o Ricardo Araújo Pereira a fazer campanha pela AD?

sexta-feira, fevereiro 07, 2025

Susana André -- uma grande repórter da SIC

 

Os telejornais ou noticiários -- ou como se lhes queira chamar -- das 20 agora são um pack: notícias, comentário, tertúlia, reportagens. Cabe lá tudo e mais um par de botas.

Cá em casa não há preferência por nenhum dos canais. Se calha termos a televisão ligada, deixamos estar onde no momento nos pareça estar a dar alguma coisa mais interessante, menos maçadora.

Hoje, porque os telefonemas familiares empurraram a hora do nosso jantar para mais tarde do que é costume (agora temos vindo a tentar não jantar muito depois das 8), calhou sentarmo-nos à mesa e, pouco depois, começar a dar uma reportagem sobre uma das Blue Zones, um daqueles locais abençoados em que a vida corre simples e afável e em que um número significativo de pessoas consegue ter vidas longas e felizes.

Vi com gosto. Uma maravilha.

E a Susana André, que bela repórter. Também com simplicidade, também com afabilidade, conversou com as pessoas das aldeias, visitou-as, acompanhou-as. Que maravilha de reportagem, mesmo.

Para quem não viu, aqui deixo o link para a reportagem escrita (e que contém o vídeo): Jangadas de Pedra: qual o segredo da longevidade dos habitantes das montanhas da Sardenha?

Provavelmente é um lapso imperdoável da minha parte mas nunca tinha ouvido falar na Susana André mas vou passar a estar atenta. E vão daqui os meus parabéns para ela!

terça-feira, janeiro 14, 2025

Nada de mais: apenas uma segunda-feira

 

Depois de almoço, embora me parecesse que a brincadeira da descida da temperatura já estava a deitar as unhas de fora, fui para o terraço para ver se apanhava o meu banho de sol. Mas foi sol de pouca dura. E não consegui despir-me. O mais que fiz foi arregaçar as mangas e arregaçar as calças. Mas não estava para ananases. Nem o cão quis estender-se ao meu lado, que ficasse eu a brincar ao verãozinho.

Durou pouco. Voltei para casa.

Agora tenho feito o esforço de, a seguir ao almoço ou princípio da tarde, não me recostar no meu confortável cadeirão de relax. Tenho que me manter acordada para ver se durmo bem de noite. Se adormeço nem que seja uma simples meia hora é certo e sabido que vou ter dificuldade em adormecer ou, a meia da noite, vou acordar e ficar a pensar em tudo o que tenho que fazer e resolver.

Assim, até é melhor. Com tanto que tenho que fazer até sem sido bom, tenho conseguido trabalhar de seguidinha.

Acho que vi um bocado das notícias e estava a dar aquela rentrée da Justiça, uma pastelada requentada em que as araras do costume vão para ali lavar roupa suja em público, como se não falassem uns com os outros, para tratarem dos problemas comuns, senão quando se juntam para a cerimónia. Umas abéculas que é de dar dó. Dão dó e grande preocupação. Se é nas mãos daqueles totós que a Justiça está -- uns totós que não são capazes de resolver nada nem de se organizarem e trabalharem em comum -- então estamos, na realidade, mais do que fritos.

A notícia abria com o facto de não terem convidado ninguém da Igreja. Mas depois, durante a notícia, fiquei com a ideia de que também não fizeram falta nenhuma nem ninguém deu pela falta deles. De resto, não faço ideia do que é que costumavam lá fazer. Seria para depois rezarem pelos tristes que ali tinham estado a carpir, a acusarem-se mutuamente, a atirarem as culpas de uns para os outros?

Tirando isso, fugi das tristezas e como não dei pela existência de coisas boas, zarpei da televisão. Só interrompi para ver 'A Promessa'. Há grandes desempenhos, há personagens muito bem construídos. É a primeira vez que estou a ver praticamente todos e estou muito agradavelmente surpreendida. Tenho ideia que as telenovelas portuguesas são só palhaçada, violência gratuita, chinfrim - mas esta não, é tranquila. Tem os seus dramas mas é coisa com conta, peso e medida e, sobretudo, há desempenhos bastante bem estruturados.

E é isto. Sorry, se não tenho muito mais a dizer. Até amanhã. Agasalhem-se. 

terça-feira, dezembro 17, 2024

Do melhor que há

 

José Simões, o autor do fantástico Der Terrorist, é um certeiro atirador. Não falha um alvo. Está sempre atento e, quando atira, é a matar. Não se perde, não precisa de muitas palavras, não faz rodeios nem se prende com delicadezas: não senhor, vai direito ao ponto.

E tem uma graça suplementar: ilustra o 'tiro' com imagens extraordinárias. Uma vez são imagens insólitas, muitas vezes divertidas, outras desgraçadamente tristes.

A mensagem a que hoje me refiro tem a ver com o Marques Mendes. 

Ontem tentei ver o dito Conselheiro de Estado, putativo candidato a menino de Belém, mas o nível de sonsice era tal que que fugi. Está cada vez mais manhoso, sempre com aquele sorriso de coisa fofa, mas sempre a manipular a conversa a favor do Governo. Diga o que disser, a conversa é sempre encaminhada para parecer que as nódoas do Governo são umas águias e que os críticos são mal intencionados. Julga ele que somos todos uns papalvos. Não somos.

Mas, dizia eu, a imagem que o Der Terrorist escolheu para ilustrar o verdadeiro artista é de gritos. Não sei como é que ele faz para as desencantar mas parece que as palavras que escolhe para as encontrar levam-no a imagens extraordinárias.

sexta-feira, outubro 18, 2024

No outro dia, o Montenegro passeou no parque com Madame Avillez.
Ontem foi o Sarmento que certamente foi levado ao colo pelo José Gomes Ferreira.
Claro que não vimos: seria duplo enjoo.

 

E agora, na SIC, para comentar o que o Pedro Nuno Santos vai anunciar está uma fontinha de Belém, Miss Ângela Silva, e o eterno putativo ministro das finanças laranja, José Gomes Ferreira.

A SIC feita cão a andar à volta do próprio rabo.

NB: as minúsculas onde seria suposto ver-se maiúsculas não é por acaso).

quarta-feira, outubro 09, 2024

O próprio Montenegro o disse: "Ter uma entrevistadora como a Maria João ajuda..."

 

Porque será que Montenegro escolheu a SIC e, dentro da SIC, porque é que a escolhida como entrevistadora foi a (correligionária?) Madame Avillez (que, ouvi hoje, parece que nem carteira de jornalista tem) e não um entrevistador que exercesse algum contraditório ou que colocasse questões mais delicadas para a retórica del Montenegro? Pourquoi?

Lulu Montenegro, o grande guru da comunicação, que até diz como é que quer os jornalistas à sua frente, sabe do que faz, lá isso. Assim, está em casa, a conversar com uma amiga.

Gostava era de saber se o super comunicador Marcel, que tem as suas raízes profundas na SIC, deixou de ir nas visitas oficiais para ajudar nesta entrevista. Não é por nada, só mesmo por curiosidade.

sexta-feira, julho 05, 2024

Rosário Teixeira, o Procurador-Adjunto que veio dar a cara pelo Ministério Público:
patético, ridículo, preocupante, assustador.

 

Ouvi com pasmo a entrevista do célebre Rosarinho a quem hoje, no Eixo do Mal, Luís Pedro Nunes chamou 'o viúvo do Carlos Alexandre'. 

Fez-me lembrar um daqueles burocratas que executam acefalamente as ordens mesmo que sejam ordens criminosas, irrelevantes ou estúpidas. Poderia ter sido um procurador dos tempos da Pide a ordenar a  execução de escutas ou de buscas domiciliárias sem querer saber de consequências ou sem ajuizar se, sequer, fazem sentido. Poderia ser. E, no fim, não se sentiria arrependido de nada porque esteve a executar o que (segundo ele) era devido dadas as circunstâncias.

Há muitos mega processos que se arrastam anos sem darem em nada e mantendo as pessoas envolvidas reféns da teia que o MP urdiu? Pois, é assim mesmo, azarinho, a realidade também é complexa.

Faz sentido manter uma pessoa sob escuta, sendo isso tão intrusivo? Pois, acontece, os negócios levam tempo, interrompem-se, é preciso andar muito tempo à espera que apareça alguma coisa.

Faz sentido processos que se arrastam durante anos e anos e anos, por vezes 10 ou 12 anos ou mais? Pois, é um problema, há muito trabalho, não se consegue dar atenção a tudo.

E aquilo do parágrafo que deitou abaixo um governo de maioria absoluta... e afinal nada...? Afinal Costa foi escolhido para Presidente do Conselho Europeu... Pois, mas ele não é suspeito de nada porque se fosse era arguido e ele não é arguido... 

[Dá vontade de lhe dar um berro a 1 cm da cara e perguntar: mas se não é suspeito de nada então porque é que a Procuradora escreveu aquele parágrafo assassino? Porquê, porra?]

Quanto ao próximo Procurador-Geral, segundo o sinistro Rosário Teixeira, obviamente deveria ser da casa.

Poderia ser ele? - pergunta-lhe o jornalista.

Aí, Rosarinho, retorceu-se a fazer de conta que nunca tinha pensado no assunto mas mostrando que não quer outra coisa. Aquele excerto merece ser emoldurado como um exemplo de hipocrisia, de bacoquice, se parvoíce. 

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Conclusão? Depois disto fica claro que algo de grave, muito grave, se passa no Ministério Público. Temas tão críticos para o funcionamento do País e para a saúde da democracia não podem estar na mão de pessoas tão alienadas, com uma mentalidade tão burocrata, com uma visão tão deformada do que é a vivência saudável de uma sociedade evoluída e democrática.

Tem que ser posta ordem na casa, sim. 

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Muito bem Rui Rio a seguir na SIC. Tenho gostado bastante das intervenções do Rui Rio. Um exemplo de exercício cívico.

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Uma palavra para a excelente entrevista feita pelo jornalista da SIC.  Fui agora pesquisar quem será, pois não tenho ideia de já antes o ter visto, e creio que será o Luís Garriapa. Gostei imenso. Quero ver mais. Ou melhor: quero vê-lo em mais entrevistas.

segunda-feira, maio 27, 2024

O Bugalho não tem sentido de humor nem tem ponta de graça.
Nhhheeecc....

 

Criaturinha desagradável. Faz uns esgares que incomodam. E tem um hábito que me parece do pior que há: está sempre a esticar o braço para ver se agarra ou se toca no outro. Detesto pessoas que têm esse hábito. Pessoas assim são peganhentas.

Vi-o no 'Isto é gozar com quem trabalha' e foi a única coisa que retive.

E ou muito me engano ou não há mulher que vá votar nele.

sábado, dezembro 04, 2021

O Vice-Almirante foi ao castigo e, como não podia deixar de ser, o Daniel pô-lo com a lagriminha no canto do olho

 

Depois da Susana Pombo a falar da gripe das aves, só me faltava mesmo ver Gouveia e Melo a chorar em frente ao Daniel Oliveira. Não é possível, isto. Só emoções fortes. 

Mas, pergunta a minha insana curiosidade: o que é que ele ali foi fazer? Não sabe que, com aquele ali, quem ajoelha tem que rezar?

Não sei qual a sucessão de perguntas que pôs o homem naquele estado, de voz embargada, os olhos marejados, a tentar conter a indómita lágrima. Na volta, o senhor acabou a falar do dia mais difícil da sua vida, do bisavô de cuja falta ainda não se refez, do bullying de que foi alvo em pequeno, do excesso de peso que em tempos teve, da fome que passou antes de começar a dar vacinas, do estaladão que a madrinha lhe deu num dia de anos, da nostalgia da fraternidade no quartel, de quando pôs o joelho em terra para pedir a mulher em namoro, da emoção de quando nasceu o primeiro filho, de onde deixou ficar o coração ou, simplesmente, de que falam os seus olhos.

Não vou ver o programa todo porque não vejo televisão durante o dia e à noite tenho mais que fazer do que pôr a box a andar para trás. Por isso, tenho que me ficar pelo anúncio. O Vice que quase ia sendo não sei o quê nas Forças Armadas antes que as vizinhas e as comadres tivessem arranjado maneira de não, ali, a ser como é no Alta Definiçao. Garboso, de farda, a fazer o gostinho ao Daniel e às audiências. 

A mulherada adora ver um homem a chorar. Se bem que agora consta que tudo o que é homem e vai dar entrevistas (daquelas a que chama de vida) sejam ao Daniel, à Júlia ou ao Goucha desata a chorar. A lágrima masculina banalizada, mainstream, déjà-vu. Eu, se calha ver, sabendo que estão ali para isso, acho sempre que, para a coisa ficar mais composta, era aparecer alguém da produção a dar-lhes um lencinho de papel e a pôr-lhes uma chucha na boquinha.

Gosto de homens altos, de barba, bonitos, com classe e charme, sóbrios, vestidos de oficiais de marinha. Gosto. É uma coisa cá minha. Mas não sei se o Vice, um fulano que está para os jornalistas e comentadores das televisões como o Cesar Millan para os cães raivosos, tinha necessidade de se ir para ali pôr a jeito, prontinho para o justo correctivo.

Não sei. Acho que não havia necessidade.

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De qualquer maneira não sei se a sua presença no Alta Definição conseguirá superar a sua participação na reunião da task-force "Para Resolver os Problemas da Humanidade"


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E queiram descer caso vos apeteça ir arrulhar com a Susana Pombo

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Um bom e divertido sábado
Saúde. Sorte. Amor.

quarta-feira, maio 19, 2021

Sobre a entrevista do Tony Carreira com o Goucha. Sobre o resto da televisão portuguesa.
E sobre as minhas rosinhas.

 


Desando de canal em canal e só consigo parar longe dos canais mais mediáticos. Hoje o que vi foi uma reportagem sobre trenós na Lapónia. Neve, cães, um senhor sorridente: bem bom. Não vi do princípio, não sei a que propósito vinha mas gostei.

Ontem, para meu espanto, passámos por uma entrevista do Goucha ao Tony Carreira. Não conseguimos ver. O meu marido, tal como Mestre Plúvio, também perguntou: 'Mas o que o leva a dar esta entrevista?  Não se percebe. Aceita dar uma entrevista para falar da filha que morreu?'. Não encontrei resposta. Achei que aquilo tinha tudo para ser indecoroso. Desandei. Passado um bocado, intrigada com a situação, disse: Deixa lá ver, se calhar não é o que estamos a pensar. Admiti que se calhar estava a ser preconceituosa: um pai que perde uma filha não tem vontade de dar entrevistas. Digo eu. E lá fui espreitar. Nem um minuto me aguentei. Qualquer coisa ali me pareceu uma perversa e macabra forma de exibicionismo.

Não tenho dúvidas que o entrevistado, como qualquer pai normal que perde um filho, deve estar devastado. Mas o que leva um pai devastado a dar uma entrevista na qual o entrevistador apela ao sentimento, à dor, à lágrima? Sujeitar-se àquilo porquê? Foi o Goucha mas podia ter sido a Cristina Ferreira. A obscenidade por ali não tem limites.

E já não sei se foi ontem ou hoje, nem sei a que horas foi, estava a fazer zapping, passei por um canal em que estava aquele que não sei se já foi inspector da judite ou o quê. Hernâni Carvalho. Sempre que passo por ele, está com ar incrédulo a perguntar o que leva um filho a matar o pai, a mulher a matar o marido, a namorada o namorado, a Segurança Social a não pagar a reforma, o tio a violar o sobrinho. Sempre indignado, sempre com ar de ingénuo surpreendido. Não sei a que horas ou em que canal. Aliás, acho que sei. Acho que na SIC mas não sei em que canal da SIC. Nunca consegui ver mais do que dois ou três minutos. Desencanta crimes, histórias tenebrosas, quanto mais escabrosas melhor, e por ali fica a foçar. Passo e fujo ou, outras vezes, ouço uns segundos a ver se tem melhoras. Não tem. Só lhe falta desenterrar mortos.

Está agora a faltar-me o nome para esta gente: aqueles bichos que comem animais mortos. Necrófagos, acho. Capaz de ser isso. Necrófagos.

As televisões portuguesas andam de desgraça em desgraça. Os que perderam tudo, os que  estão metidos em toda a espécie de trabalhos, os que padecem de doenças incuráveis, os que perderam uma perna, os que se auto-mutilam, os que passam e usam droga nas cadeias, os que ficaram perdidos nos labirintos da mente. Sei pelas apresentações ou de passar por lá. Não consigo deter-me em nada disto. Tenho saudades dos programas sobre jardins. Se apanho a Paula Moura Pinheiro também fico a ver. De resto vejo o House. Sou viciada nele. E na música da banda sonora. 

A programação das televisões portuguesas, pelo menos nos canais principais e pelo menos nos horários que costumo querer frequentar, é uma lástima.

Anos e anos a fio a destilar veneno, a visitar desgraças, a ouvir denúncias e queixumes, a dizer mal de todos e de tudo só pode causar uma deformação na personalidade colectiva do pessoal que assiste -- para além de abrir a porta aos populistas desta vida. Uma verdadeira lástima.

Tirando isso, posso dizer que a minha roseira descarada, depois de dar rosas escandalosas de tão cor-de-rosa, amarelas, cor-de-salmão e brancas, está agora transformada numa bem comportada roseira que dá cachos de rosinhas encarnadas. Das anteriores encarnações nem vestígios. Se não tivesse fotografado eu própria duvidaria. Chocante. A outra, a que sempre só deu rosinhas encarnadas, agora não apenas está cheia delas, rosinhas, encarnadas, como tem algumas que não são bem rosas muito menos encarnadas.

Não sei explicar isto. Aliás, começo a pensar que o que é inexplicável mas belo é melhor que assim permaneça. As coisas são mais belas se permanecerem inexplicáveis. 

E, de relevante, acho que hoje não fiz nada a não ser transplantar uma espécie de bonsai do vasinho em que estava para um vaso maior, um que o meu marido teimou em não trazer dizendo que não tinha nada a ver com os outros mas que eu insisti pois acreditei que ele só estava a dizer aquilo para não estar na fila para pagar. Acho que ficou bonito. A ver se amanhã fotografo para vos mostrar.

De resto foram reuniões pegadas, tantas, tão prolongadas e tantos telefonemas que acabei a ter que despachar as coisas aqui até às quinhentas. E não é que goste de reuniões longas...(bem tenho lido os comentários) mas não sou a única e há sempre quem tenha muito que dizer. Nem sou viciada em trabalho (embora possa parecer). Simplesmente parece que não consigo sacudir de cima de mim o que parece que teima em chover-me em cima. Uma coisa do meu destino, só pode ser.

Enfim. 


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Dance for me Wallis

Abel Korzeniowski


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Um dia feliz

sábado, julho 18, 2020

Jorge Jesus, Cristina Ferreira, Ferreira Fernandes - começou a época das transferências e, ao mesmo tempo, a silly season





Jorge Jesus vai e vem, faz e desfaz, salta de clube em clube, é aplaudido e vaiado, sai em ombros ou ao estalo, passa de rival em rival, atravessando a segunda circular ou o atlântico, dancing for money e cagando para o resto. Pelo caminho vai abichando uns milhões. Não há cá amor à camisola, conversa mais fajuta, há é profissionalismo. E os $$$$$ a crescerem na conta bancária (nas muitas contas bancárias) e quem o achar traidor que pense duas vezes: quem trai traidor deve ser como o ladrão que rouba ao ladrão, mil anos de perdão. E nham-nham-nham, rebenta o balão. (O balão do pastilhão, bem entendido)


Cristina Ferreira, outra caga-milhões, salta da TVI para a SIC e na SIC é recebida em ombros, deitam-se no chão para ela saltar em cima, o pastor Rodrigo fecha o noticiário com 'o país, o mundo e o bolo da mãe da Cristina Ferreira' e as engraxadoras da Arrastadeira Vermelha lambem as botas e os próprios pés da Cristina, e a Cristina guincha e escaganifa-se com risinhos escaganifobéticos e toda a gente aplaude, e vai aos globos de ouro armada em nossa senhora de fátima e toda a gente ajoelha e agora, sem mais nem ontem, a dita Cristina, santinha no altar das vaidades, caga de alto para os devotos da SIC e baldeia-se outra vez para a TVI. Cristina e Jorge Jesus, grandes profissionais do espectáculo e da carteira recheada. Diz que vai agora para accionista. Quem a venerou, babando-se enquanto a venerava, que vai agora dizer? (Pergunta retórica esta minha). 

E, provando e reprovando que abriu a época das transferências, eis que me cai o queixo ao chão. Na mesma onda dos anteriores, dou com mais uma troca-sensação. Ferreira Fernandes, ex-Público bandeou-se para o Diário de Notícias onde chegou a Director. E se eu gosto de lê-lo, caraças. Pois bem, bandeou-se outra vez para o Público. Faz sentido? Eu diria que não. Mas a minha segunda consciência diz-me: 'Define sentido'. Não sei. Dou-me uma segunda oportunidade: 'Define faz sentido'. Mas também não sei definir pelo que, na volta, isso de 'fazer sentido' não existe. Portanto, trocas e baldrocas é o que está a dar e que se fornique essa coisa do sentido. E eu, que não gostaria nada de estar a servir o FF na mesma travessa em que apresento o JJ e a CF, face às insólitas circunstâncias, vejo-me forçada a fazê-lo. Ele há coisas.

Depois disto, só falta o Durão Barroso, esse perfeito-nulo, porteiro das Lajes, nos aparecer como grande educador da classe operária, liderando o MRPP,  ou o Ventura, esse pintarolas manhoso, aparecer no PSD de braço dado com o Passos Coelho, esse grande estadista que, apesar de só ter feito merda, agora por aí anda ao colo de tudo o que é burro neste país e, para cerejar o topo do bolo, nos aparecer o Carlos Costa, essa mítica figura que esteve cega, surda e muda enquanto o sistema financeiro ruía, como gestor de offshores. 

Não sei porquê mas parece que só me apetece exclamar: Eh Lecas.

Tirando isto... que mais?

Quarenta e tal graus por aqui, uma temperatura desumana. Deve ser isso. Estas temperaturas de assar pimentos ao sol estão a virar as casacas do avesso, estão a virar frangos às cegas, estão a fazer cambalhotear as mais gradas figuras desta grande nação.

Eu própria tenho que pensar bem. Qualquer dia destes, se a coisa é pegajosa como o corona, ainda pego a pandemia e ainda vos apareço a assinar posts aí num outro blog, num daqueles que vos deixaria de cara à banda: What?! Esta aqui?!?! Não... Não é possível...

 Ah pois não, violão.

E vai daqui um beijinho para vocêzes. Com máscara, claro, que eu, noblesse oblige, com isto do corona, não facilito.


Um bom sábado. 

(E bebei água com farturinha, está bem?)

quinta-feira, maio 14, 2020

Lentidões, chuvas, azuis, um quarto com vista, um sonho dentro do sonho






Na volta, a chuva desfaz as ondas espaciais e o que aqui chega já vem deslassado, uma rede desmanchada. Mal consigo fazer alguma coisa no blog. Esta lentidão também me deslassa a vontade e o pensamento. Chove que deus a dá. Todo o santo dia. Escuro chuvoso, frio. A net, que é móvel, está empanada, sem mexer.

Há bocado, depois de um dia de trabalho e estando a janta despachada, sentei-me no sofá a ver se via as notícias, o meu marido ao meu lado. Ao fim de cinco minutos estava perdida de sono. Encostei a cabeça e foi tiro e queda. Passados uns minutos, ouvi os meninos e a minha filha a rirem. Admirados, como é que consigo dormir assim, sentada, a cabeça para trás. Elucido: quando me sinto cansada, basta encostar a cabeça, adormeço instantaneamente. Dormi uns dez ou quinze minutos e foi pena que fossem tão poucos. Mas soube-me bem.

Agora aqui, passa da meia noite e nada aqui mexe. O blogger está mudado e, até para escrever um post, me vejo à nora sem descobrir onde foi parar o lugar disso. Tenho que arranjar um turn around. Temo que um dia também desapareça esse subterfúgio e que fique sem ter como continuar a escrever. Coisas esquisitas que acontecem. Em cima disso, volta e meia fica tudo branco, a bolinha pensadora a andar è roda. Impaciento-me com isto tudo. 


Chove com força. Sei que houve para aí cena armada em volta do Centeno mas nada disso me assiste. Apanhei as parangonas mas com desinteresse. Cá em casa ninguém liga a nada disso. Frioleiras, vizinhices, futileiras, cagadinhas em três actos. Não sei de que se trata mas entre o Centeno, com o seu ar de bom algarvio, com mil provas mais do que dadas, e a Mortágua com ar de dominatrix, a Drago, histérica a cansativa, ou outras que tais dou o meu voto ao Centeno. E isto sem saber de razões. A competência a e honorabilidade de um homem (ou de uma mulher) está muito acima do mediatismo, do imediatismo, do populismo, das cegadas que animam os media e pagam avenças a comentadeiros a metro mas pouco esclarecem. Nisto do BES ou Novo Banco quem fez porcaria, e porcaria da grossa, quem agiu levianamente (e, cá para mim, até ilegítima e a ver se não criminosaente) foi aquela maltosa dos PàFs com o beneplácito dessa alforreca que dá pelo nome de Carlos Costa. Tirando isso pouco mais tenho a dizer. Que Rios, Louçãs e demais acólitos se catem.


Tenho ainda a dizer outra coisa: não há pingo de pachorra para o ar e tom do rodrigo Guedes de Carvalho. Deu em pastor evangélico do reino de são covid. Sermões por tudo e por nada. Mal se percebe que vai começar com o sermão, fugimos a sete pés. Não sei o que lhe deu mas é insuportável. Beato, sentimentalista, padrecas, catequista, mestre escola do tempo da outra senhora. Nem sei. Não consigo aturar mais do que um minuto.

De resto, tenho a dizer que, a nível profissional, se prepara o regresso mas tudo na base do devagar-devagarinho, da prudência. Não consigo imaginar bem como vai ser a nossa vida. Nem quero pensar bem nisso.

Nesta vida protegida, consolo-me a ver como os meninos andam felizes, rosadinhos, bem dispostos. Vejo-os nas aulas, vejo-os brincalhões, queridos. E recebo fotografias de desenhos do bebé e encho-me de saudades dos que não estão aqui comigo. Essa é que é essa.


O meu marido foi ao supermercado à hora de almoço. Não trouxe metade do que pedi e, do que trouxe, trouxe em dose dupla. Pedi uma pá de porco, por exemplo. Trouxe duas, ambas gigantes. Para quê? Para andarmos a comer coisas repetidas? Não faz sentido. Fiz logo uma para o jantar. Assei no forno com batatas normais e doces, também assadinhas. Ficou um tabuleirozão quase a deitar por fora. Quando apareceu na mesa, cheiroso e dourado, despertou a gula. Mas acharam um exagero de muito. Pensei o de sempre, na minha inocência: a ver se dá para o almocinho de amanhã. Mas comeram de dar gosto. Sobrou mas não que dê para todos. Só depois me lembrei que eu devia era ter jantado chá. Por isso, amanhã ao almoço não digo que chá mas talvez kefir com fruta fresca e frutos secos. Se bem que os frutos secos também me insuflem. Se, ao menos, eu pudesse fazer big caminhadas sempre ia derretendo. Mas, com esta chuva, nem isso. Como é possível que este ano chova tanto...? A nossa terra vai ficar limpinha, despoluída, lavadinha. Está coberta de um musgo dourado, macio e bonito. As árvores e os muros têm líquenes. Os pássaros cantam de dar gosto. Só não é bom o frio e que fique tudo tão escuro. Faz-me muita falta o sol, a luz, o calor.

Tenho muito trabalho. O meu marido e a minha filha dizem que não faz sentido eu trabalhar tanto. Talvez. O meu filho também acha que não deveríamos trabalhar tanto, há tanto tempo. E, por vezes, sinto-me exausta, sem tempo para mim. Repito-me, não é? Passo a vida a dizer o mesmo. Mas a minha vida agora é isto e pouco mais tenho para dizer. Acho que mal me apanhe mais à solta e com bom tempo vou ter muita dificuldade em não mandar o corona à fava.


Isto está tudo desconexo. Uma mantinha de retalhos. Mas não dá para  mais. Duas e tal da manhã. A net mais do que a pedal, quase não consigo mexer nisto. O editor do blogger todo desaparafusado. Uma lástima.

Vou mas é preparar-me para ter um sonho bom, a dream within a dream do Edgar Allan Poe. Rodeei-me do azul do Klein e, por causa das coisas, do Room with a view do menino Yiruma. Bem acompanhada estive. 


E  um bom dia.

segunda-feira, setembro 30, 2019

Cristina Ferreira foi aos Globos de Ouro vestida de Anjo da Victoria Secret?
Ou de Nossa Senhora (ou de Irmã Lúcia, nem sei)?
Ou de bailarina de Can-Can?
Ou simplesmente na SIC já perderam a noção do ridículo?
Pergunto.


Porque a semana não me chegou e porque esta que entra também se afigura do caneco, para este fim de semana trouxe trabalho de casa -- trabalho chato e com alguma responsabilidade e, ainda por cima, parte escrita em inglês o que complica um pouco a faena já que, a uma hora destas, sem pachorra, quero fazê-lo com um olho no burro e outro no eleitor-alvo do CDS -- e isso, em cima de dias muito dedicados à família, deixaram-me sem grande disponibilidade para as minhas coisinhas ou para o fait divers. Ou seja, por exemplo, não tenho conseguido responder a comentários ou mails pessoais nem, a seguir, cirandar pelo mainstream.

Por isso, há bocado, enquanto trabalhava e o meu marido, mais a dormir do que acordado, via futebol e respectivos resumos e comentários, resolvi surripiar-lhe o comando e fazer zapping. E passei por uma coisa extraordinária. Eram os Globos de Ouro. Não sabia que era dia disso pelo que aquele aparato começou por me parecer uma Gala de algum programa qualquer que não estava a identificar. Mas logo percebi.

Apresentava o espectáculo a Cristina Ferreira vestida de uma forma inenarrável. Estava de asas pregadas a um vestidinho de tipo baby-doll, toda ela lingerie em desfile de Victoria Secret. O meu marido acordou com os gritos dela e quase se assustou com o que viu. Depois de se restabelecer, resmungou: 'Esta gaja não aprende'. Depois percebeu que estava diminuído (sem o comando na mão, ele não é ele) e pediu: 'Dá cá o comando'. Dei-lhe e ele voltou a fazer zapping. Passado um bocado, à sorrelfa, repeti a cena. Lá estava ela, outra vez mascarada, com plumas, folhos, tules, disparatada até à raiz dos cabelos. Ele voltou a acordar e quase não conseguiu protestar: 'Lá estás tu. Para que é que queres ver esta gaja?'. Levantou-se, então, e disse que ia dormir.

Voltei ao meu trabalho, esperando que fossem horas de dar o Desassossego da Maria João Seixas mas estava a dar atletismo pelo que, passado um bocado, coloquei outra vez nos Globos de Ouro. Apareceu ela, então, agora a receber também um prémio. E já estava mascarada de outra coisa, desta vez com as raízes dos cabelos espetadas para fora, e de tal modo era que chamei imediatamente o meu marido para vir ver. Quis saber o que era mas não lhe disse porque se lhe dissesse que era para ver a Cristina Ferreira era o vinhas. Disse-lhe só que era uma coisa do além. Ele chegou à sala, viu-a, e, perante o óbvio too much, agora em versão santinha a caminho do altar, fez um esgar quase de dó e disse: 'Eh pá...' e desandou. E já não viu o pior: é que, quando ela acabou um discurso (de tal forma auto-convencido que parecia estar a ajustar contas com alguém que lhe quisesse tirar o lugar) e virou costas, pareceu-me ver no manto os contornos ou da Nossa Senhora ou da Irmã Lúcia. E, nessa altura, fiquei naquele estado que se designa por estupor catatónico. Mas que raio de maluquice era aquela? É o que eu digo, parece que já vale tudo. 

Voltei a fazer zapping, tentando ver se o Desassossego já tinha começado mas, enquanto não, fui ver se conseguia descobrir que desconcertante desenho era aquele no vestido dela. Mas já ela se tinha trocado de novo. Estava outra vez em espampanante toilette, desta vez misto de Victoria Secret e de bailarina de Moulin Rouge, um excesso de plumas cor de rosa. Nela, talvez pelo exagero, talvez pelo tom de voz, talvez pelo conjunto, tudo fica com toque a novo rico em versão mais do que kitsch. Vinha agarrada ao Balsemão que, não sei se atarantado com tanto pink, tanto guincho e tanta luz, parece que vinha almareado -- e isto para não dizer que vinha disfarçado de múmia andante.

Fiz zapping, claro, e felizmente já a Maria João Seixas tinha começado. Desta vez convidou, de novo, o José Pedro Serra (digo de novo porque já o tinha convidado para o Afinidades). Um bálsamo. Até parei de trabalhar para melhor os ouvir.

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Para terminar num registo de tranquilidade, Joana Gama, a quem estou a ouvir neste momento, igualmente na RTP 2. Outro bálsamo.


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E a si que está aí desse lado desejo uma boa semana, a começar já nesta segunda-feira: 
saúde, alegria, sorte e o mais que queira de bom para si e para os seus.

segunda-feira, maio 20, 2019

Para Duarte Pacheco a Grã-Cruz dos Inenarráveis Peitorais -- proponho eu.
Enquanto isso, Marques Mendes e João Vieira Pereira (cada qual mais Justiceiro-Mor que os demais que por aí pupulam), propõem retirar todas as condecorações a Berardo, Zeinal Bava, Bataglia... e, claro... Sócrates.


Tinha deixado a televisão da sala ligada. Fui acabar a sopa e tratar de outras pendências. Quando acabei, voltei para a sala para passar um brilhozinho nas unhas. Estava o Marques Mendes a perorar e, estando eu ocupada com uma tarefa que obriga a pouca movimentação não vá estragar o trabalhinho, deixei-o estar. 

E então ouvi o impensável: na sequência da convicta defesa da retirada da comenda ao Berardo, a quem chamou burlão e aldrabão, qual justiceiro adepto da justiça popular, dispensando os órgãos institucionais que têm por missão tomar decisões sobre isso, Marques Mendes defendeu que fossem também retiradas as condecorações a Zeinal Bava e Helder Bataglia e, de caminho, também a Sócrates (uma condecoração atribuída em 2005) e isto, segundo ele, devido a, e passo a citar:  apesar de "não ter sido julgado nem condenado" a sua conduta "foi inadmissível no plano ético e mancha a imagem de Portugal". 


Ora não sei a que se refere ele. Se se refere àquilo que o próprio Sócrates reconheceu, de gostar de levar um estilo de vida digamos que desafogado e, para tal, recorrer a dinheiro emprestado por amigos, não sei se isso é razão para retirar condecorações a alguém. A menos que uma condecoração seja uma estrelinha de bom comportamento na caderneta. Mas, então, se é isso, o melhor é dá-las a padres e freiras e, mesmo assim, poucos passarão no crivo. Mas se refere a questões que constam da acusação e que nem o juiz Ivo Rosa ainda conseguiu digerir e que ainda estão longe de ser julgadas em tribunal que é onde estas coisas se tratam, então, uma vez mais Marques Mendes se esticou. sistematicamente mostra ser um manipulador e, se ainda é Conselheiro de Estado, muito mal aconselhado andará Marcelo Rebelo de Sousa.

E se a semana passada louvei o editorial de João Vieira Pereira, actual director do Expresso, por me parecer que estava mais atilado e isento, à segunda semana, constatei que me enganei, continua igual a si próprio, tendencioso, pouco profissional.

No artigo 'O sorriso é dele, a vergonha é nossa', no qual salta a pés juntos em cima de Berardo, não hesita em ceder ao seu vício: o de ir buscar Ricardo Salgado e, sobretudo, Sócrates, para os apresentar como os pais de todos os males do mundo para, como sempre, através deles, justificar o percurso de Berardo.
A dado ponto escreve: 'Tal como Salgado e Sócrates, também Berardo foi idolatrado. Algo que acontece com demasiada frequência. Basta lembrar que durante anos ninguém questionou a alegada herança de Sócrates que lhe permitia comprar apartamentos de luxo ou fazer uma vida desbragada numa das mais caras cidades do mundo.'
E mais à frente: 'Quando entrou no Parlamento Berardo deve ter achado que Sócrates ainda era primeiro-ministro ou que os banqueiros mandam alguma coisa'.
Uma forma rudimentar de pensar e, lamento dizê-lo, também de escrever.

E, lendo aquela prosa, fico sem perceber se o João Vieira Pereira tem dons mediúnicos e consegue ver o futuro, sabendo já a sentença do caso Marquês, ou se, uma vez mais, confunde o manuel germano com o género humano, a árvore com a floresta e a beira da estrada com a estrada da beira. Ele já sabe se Sócrates comprou mesmo apartamentos de luxo? Ele já sabe se Sócrates cometeu crimes? Se sabe, seria interessante que o dissesse. Mas que o dissesse fundamentadamente. É que eu não sei ainda de nada.

Sempre conheci João Vieira Pereira assim: pouco perspicaz, gabando o que os outros gabam, louvando o que os outros louvam, incapaz de ver um palmo à frente do nariz. Mas, quando alguém cai em desgraça, aí ele vira o mais implacável saltitão a pés juntos. Um puro maniqueísta, ainda por cima desprovido de subtileza.

Volto a dizer aquilo que sei: Sócrates foi julgado politicamente através das eleições e é nas urnas que se julga quem vai a votos. No que se refere às suspeições -- sobre as quais a gente mais incompetente que a Procuradoria já pariu construiu impunemente o maior monstro jurídico alguma vez foi visto e que temo que nenhum ser vivo conseguirá alguma vez virar de lés a lés -- há que esperar que, nas nossas vidas, alguma conclusão seja retirada. 

Pela parte que me toca, a minha posição é a de sempre: qualquer pessoa é inocente até prova em contrário. E não há justiceiro de meia tigela que me faça mudar de ideias, seja ele uma espécie de conselheiro de estado, seja ele um director de jornal.

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E eu, se é para ser assim, com base no diz-que-diz-que e no vale-tudo popularucho, avanço já daqui com uma proposta de condecoração com a Grã-Cruz do Macho com o Body mais Improvável para Duarte Pacheco do PSD, esse espectacular macho latino a quem não se conhecem outros feitos que não o de cultivar bem o corpo e de ter uns mamilos indecorosamente arrebitados.



E, tirando isso, nada mais.

sexta-feira, fevereiro 01, 2019

A tal da rede que era Sofia que era Cláudia e que morreu e por quem Nuno se apaixonou -- e que afinal ressuscitou porque era outra.
E a Clara do Mal. E o Bercow do Bxt.
E duas adivinhas para rematar.




O dia, como ontem avisei, foi mais repleto que um ovo. Mas não foi ovinho de codorniz ou ovito da franganita. Não senhor. Foi um big ovo. Ovo de avestruz. Talvez até de dinossauro. De dinossaura new age. E mais que ser big, foi intenso. O chamado ovo intenso.


No fim, alguém me veio perguntar como tinham corrido as coisas. Não quis dar conversa. Encolhi os ombros e disse que achava que sim. Disse-me ele: Está nas suas mãos.

Não lhe disse mas pensei que nunca tanto na minha vida como hoje tinha sentido que, de facto, está nas minhas mãos. Totalmente nas minhas mãos. Uma sensação um bocado estranha. Não posso contar com mais ninguém do que comigo nas decisões, nas orientações. No fim haverá decisão colegial mas sobre o caminho que eu, de minha lavra, tiver traçado. Mas sei lá eu qual o melhor caminho? Posso até saber qual o melhor caminho em geral, mas sei lá qual o melhor caminho para mim? Não sei pensar quando faço parte da equação. Só sei ir em frente, desbravando, fazendo o caminho, sem saber se tenho pernas e braços para a empreitada. 

Seja como for, a verdade é que acho que o carro foi posto em marcha e agora para a frente é que é caminho. 


Mas como parece que na minha vida nada é em pequena dose, ao mesmo tempo aparece-me mais um caminho, um segundo, num outro contexto, num outro lugar, e pedem-me que o desbrave. E dizem-me: damos-lhe os melhores para a ajudarem na caminhada. E eu sinto-me pequena face à dimensão do que me pedem por um lado e do que, por outro, eu quero fazer.

E talvez porque seja muita intensidade e muito ovo, uma verdadeira omeleta de cenas, a verdade é que hoje, pouco depois de aqui estar, adormeci.

Esta sexta-feira é outro dia especial mas por outras razões e vai começar cedo e, palpita-me, vai ser outro dia dos bem preenchidos. Aqui no meio das sonecas, vou tentando organizar a logística do dia mas porque, enquanto acordo e adormeço, tenho a Clara Ferreira Alves, catastrofista e superior, a falar alto demais -- o que perturba o meu fim do dia -- não estou a conseguir concluir se devo ir ao supermercado à abertura e depois vir a casa depositar os víveres ou se devo tentar vir mais cedo à tarde. E agora que escrevo isto reparo que o Eixo do Mal fez um step in e ocupou o espaço da Quadratura do Círculo que se desbaldou para a TVI e que vai ter o ubíquo Marcelo a abrilhantar a vernissage. Na próxima, para equilibrar, tê-lo-emos ao colo dos paineleiros do Mal.  Baralhar e dar de novo.

O vídeo que mostraram no fim do Eixo a ilustrar a cavalice dos juízes que julgam os casos de violação suspeitando da conduta das vítimas é que vi com atenção e foi bom. De resto, tenho para mim que não perdi grande coisa. Para ser bom, tinham que dar banho à Clara a ver se ela larga aquela peneirice aguda que a torna intragável. E isto ela, porque os outros não me assistem.


Antes de começar a escrever isto, e nos intervalos de cair morta de sono, tinha estado a ver mais uma exorbitante e extraordinária intervenção de Bercow, o meu Speaker preferido. Fala bem, ele. No meio do histrionismo e da graça, ele fala bem, frases inteligentes e boas de ouvir. Aqueles ingleses estão marados, perdidos da cabeça, autênticos bifes a andarem à volta do rabo. Aquele parlamento é um carnaval gerido por um Bercow que dá um baile de dar gosto.

Quando aqui me sentei, pus a box para trás para ver aquela maluqueira da Rede no final do noticiário das oito na SIC, aquela cena doida de uma varrida que se desmultiplicou em perfis falsos, enredando meio mundo em histórias inventadas. No fim, viu-se o vulto da criatura a falar com a Conceição Lino: quarenta e tal anos, divorciada, com filhos, professora do ensino básico. Era, então, a tal que se fazia de Sofia (e de irmã e mãe de Sofia e de amiga e de sei lá quem mais) -- Sofia essa que, afinal, era Cláudia que não sabia de nada do que se passava. A dita criatura gastava centenas de euros em telefonemas para simular que era várias, telefones distintos, fingindo vozes diferentes. Coisa assustadora. Gente doida dá com os outros em doidos. Nem sei o que pensar de uma coisa destas. O que move gente assim? O prazer de enganar os outros? São doentes a precisar de internamento?

Pelos vistos o juíz resolveu a coisa condenando-a a indemnizar os queixosos numas centenas de euros.


E agora vou dar três pontos no arraiolos antes de cair de vez para ver se consigo ir para a cama a pé.

E, na despedida, duas adivinhas que a minha menininha mais linda me contou no outro dia:
1. O que é que um pato diz a outro pato?
2. Como é que se faz uma omeleta de chocolate?
E, antes de ir, mais um cheirinho de Bercow, o actor principal da comédia que dá pelo nome de Brexit



[Respostas: 1 - Estamos empatados   2 - Com ovos da Páscoa]

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E, ufffff, thanks god it's friday.

Be happy.

terça-feira, janeiro 08, 2019

Marcelo ligou a Cristina Ferreira para lhe desejar boa sorte para o programa?
E daí? Também me liga a mim sempre que tenho uma reunião, para me desejar boa sorte.
Intrigante foi o que levou Lís Filipe Vieira a ir para ali chorar baba e ranho.


Calhou ver televisão à hora de almoço: passava um telefonema em directo para a Cristina Ferreira. Era Marcelo Ribeiro de Sousa. Ao princípio, ela julgou que era graçola e eu, vendo o programa, também pensei. Depois ela percebeu que era verdade e emocionou-se. E, às tantas, como é prório dela, começou a esticar-se, a agradecer-lhe por ele ser o presiente dela e de todos os portugueses e que há muito que merecíamos um presidente assim e etc. Ele disse que gostava muito do programa dela mas que estava entre reuniões, tinha que ir para outra, não podia ficar a ver.

À minha volta instalou-se a perplexidade.

Eu não. 

Todos os dias, sempre que estou numa reunião mais crítica, recebo uma chamada dele a apoiar-me. E não me posso gabar pois sei que ele faz isso com toda a gente. 

No outro dia, a recepcionista do escritório, estava toda gaiteira. Tinha mudado de cor de cabelo e estava na dúvida se lhe ficava bem. Pois bem: Marcelo tinha-lhe ligado a incentivá-la, a dizer-lhe que tivesse autoconfiança, que é importante mudar de visual. 

Agora, antes de vir para casa, passei pelo supermercado. A menina da caixa, uma simpática brasileirinha que, apesar de ter umas esotéricas nails de gel, assegura que domina o grego antigo, dizia com displicência que não percebia o fuzuê em torno do telefonema do Marcelo à Cristina pois, sempre que ela muda o décor das unhas, ele lhe liga a apoiar a escolha, dizendo que é importante aumentar a autoestima e que tudo o que ela faça nas nails é pouco.

Atrás de mim estava uma senhora talvez da idade da minha mãe que confirmava: mudou a pomada para fricção nas cruzes e recebeu um telefonema do Marcelo a dizer que fez ela bem porque diz que aquela marca de pomada faz mais efeito.

E agora, ao subir no elevador, um vizinho meu recebeu uma chamada que não tive como não ouvir: 'Presidente? Então? Muito que fazer? Já estava a estranhar. Mudei de carro a semana passada e estava à espera do seu telefonema para me desejar boa sorte e me dar uma dica quanto aos consumos. O que é que acha? Aconselha que ponha em ponto morto nas descidas?' -- e a conversa prosseguiu com o professor a ensinar o meu vizinho a poupar no gasóleo.

Portanto, nada de mais o telefonema do Marcelo à Cristina. Quem nunca recebeu um dos seus conhecidos telefonemas que atire a primeira pedra.

O que, do que vi na televisão, me espantou mais foi mesmo o Luís Filipe Vieira a chorar que nem uma madalena e a histriónica Cristina Ferreira a dizer-lhe: 'Não me quer dar a sua mãozinha?'. Tudo de uma indigência emocional, televisiva, comunicacional que me revolve as entranhas.


Com as mamas quase de fora, aos guinchos, a rir esguinchadamente, a tratar o outro num tom demasiado informal e tratando-o por um você que soava a boçalidade, a puxar ao sentimento, tudo aquilo foi de tal forma primário, vergonhoso, que não percebo porque se sujeitou o homem àquilo. Vale tudo para se ser popular? Até ter que passar por uma situação daquelas?


É que, francamente, o que leva alguém a sujeitar-se a estas macacadas é coisa que me deixa intrigada.

Mas, na volta, estão todos bem uns para os outros.

E o que leva uma estação televisiva a pagar uma fortuna para ter uma criatura destas a fazer estes lindos papelões é outra coisa que me deixa desconcertada. 

Tudo muito baixo nível. 

O telefonema do Marcelo encaixou, pois, ali muito bem. Pelo que vimos, também estão bem um para o outro. 


terça-feira, novembro 27, 2018

O José Luís não ficou excitado quando a Graça lhe pôs um ferro de engomar nas costas.
E eu pergunto aos meus Leitores homens: será que o José Luís está doente?
Há lá coisa mais excitante do que levar com um ferro de engomar nas costas...?


Mudei. Não sei se para pior, se para melhor. Talvez esteja num plano, sem altos nem baixos. Sossegada da vida, sem crises. Um estado de neutralidade. Depois de um período algo tumultuoso, estava mesmo a precisar de limpar a cabeça por dentro. Melhor: esvaziar a cabeça. 

Concretamente: se, depois de um dia agitado, estou agora aqui tranquilamente a fazer o meu tapete, a televisão a passar esta coisa dos casais, cheia de chatos e malucos, e eu na maior, sem fazer zapping, a sentir-me descansadinha da vida, isto só pode querer dizer que não estou igual ao que estava há um ou dois meses. Só pode.

Conto como é.

Abstraio-me de tudo e ponho-me, distraidamente, a ver aquilo. A modos que até acho que aquilo tem uma certa graça. Apesar de ter lá um sujeito sinistro. Horrível. Eu acho que é um psicopata. O meu marido diz que deve ser um gay não assumido. Não sei. Eu fugia dele a sete pés. E outro que é um compulsivo, um maluco, um chato que só apetece dar-lhe estalos. Não há pachorra. Nem que fosse um personagem de ficção seria tão exagerado. Uma coisa tipo Alf, tão maluca, tão disparatada que até dá vontade de rir. E a Graça. Uma graça. Sempre a queixar-se do pobre do José Luís, que é lavadinho mas que não funciona nem por mais uma, que é frigído. E diz isto em todo o lado, a toda a gente. E os 'terapeutas' (coloquei aspas porque não sei se são mesmo ou se são uma espécie de) recomendaram alguns truques e eles tentaram... mas output: népias, nem pó.

E num dos resumos vi uma coisa extraordinária: o José Luís, deitado de barriga para baixo, submissozinho, por tudo, e ela, sem grande jeito, ali a a fazer de conta que lhe dava uma massagem e notoriamente com uma atitude inquisitória a ver se o pobre se arrebitava... mas nada. E, às tantas, aparece ela com ar malandreco como se fosse fazer uma coisa infalível mas... ui... com um ferro de engomar, não sei se gelado se quente... e pimbas, nas costas do pobre do Zé Luís. E ele: nada. Em vez de alavancar a coisa, nada. Nada vezes nada. 

E o engraçado é que nenhum daqueles terapeutas que a ouvem a queixar-se de falta de sexo a toda a hora foi capaz de lhe explicar que por algum motivo nunca ninguém se deve ter lembrado de vender ferros de engomar como brinquedo sexual. 

Ó pá, se aquilo ali é uma amostragem do que é a vida em casal, percebo que haja tantos divórcios. A minha esperança é que aquilo ali não é amostragem nenhuma já que gente muito normal não devem ser, senão não se sujeitavam a um reality show destes.

Bem. O que sei é que, a ver televisão, o meu tapetezinho vai de vento em popa.

Ah, e outra novidade: hoje, durante a nossa caminhada, passámos por uma loja de chineses. Fui perguntar se tinham uma árvore com luzinhas amarelas. O meu marido todo incomodado. Que não é preciso, que me deixe de ideias parvas, que esqueça a ideia de mais árvores de natal com luzes. Não quero saber. Tinha. Aquele chinês tem tudo o que se possa imaginar. Não dá para acreditar no que ele para ali tem. Lá foi buscar: dourada, luzinhas amarelas. Dez euros. Não foi tarde nem foi cedo. Está aqui atrás de mim, linda, a piscar. Se soubessem como há bocado fiquei comovida. Tinha deixado as luzes apagadas, só esta árvore acesa. Então, quando voltei a entrar, estava um ambiente mesmo mágico. E reflectia-se na janela. Tão lindo. Palpita-me que é mais uma que vai ficar a servir de candeeiro durante o ano todo. 

A vida pode ser uma coisa simples e agradável. Mesmo que apenas durante alguns instantes ou mesmo que isso resulte de um exercício de alienação. Pois que seja. Paciência. 

terça-feira, outubro 16, 2018

Manuela Moura Guedes, uma procuradora que está a tornar a SIC uma bandalheira.
Do caraças também a zaragata entre a Raquel Varela e a Isabel Moreira nos Prós e Contras em torno do #MeToo.
E até lá vi um artista a insinuar que quando quero dar um beijinho a um dos meus pimentinhas estou a assediá-lo e a abrir a porta a futuras violências domésticas.
Foge. A televisão está a tornar-se um verdadeiro manicómio.


Isto, depois dos flamingos, é dose. Mas acho que tem que ser. Eu não queria. Mas sinto que é uma questão de dever. É que estava eu escrevendo sobre aqueles passarinhos cor-de-rosa armados em bailarinas de can-can de perninha de canivete e, na televisão, um pesadelo.

Já antes, ao jantar, querendo paz e sossego, sem querer, fomos dar com uma procuradora a fingir, uma jararaca armada em populista, pré-candidata a qualquer coisa. E atenção ao sinónimo de jararaca porque isto não foi metáfora, não, foi mesmo alerta. Já avisei antes: quando se traz um ovo de serpente para o ninho e se aceita chocá-lo é só esperar a hora em que o bicho vai partir a casca e desatar a sair por aí espalhando veneno, mordendo incautos, fazendo vítimas.

Foi uma luta, incluindo comigo mesma. Queria perceber a dimensão da porcaria que estava a ser aquele espaço de comentário mas, por outro, fui incapaz de suportar tão nauseabundo espectáculo. Não se consegue ver uma coisa assim: é mau demais. Não são apenas os trejeitos, a desbragada desbocagem, os olhares de doninha matreira: é o linguajar, o querer ter a fala do povo, é o avacalhamento da análise política. Se daqui por algum tempo se apresentar a votos, vai ter votos. Haverá sempre gente ignorante que vai achar que ela é frontal, que não tem medo, que vai pôr os safados na linha. E, sabido é, gente ignorante não sabe votar, só sabe é dar tiro no pé. A base eleitoral dos populistas é a gente que eles vão 'fornicar' em primeiro lugar. Cordeiros inocentes.

Vejo o ar apatetado do Rodrigo Guedes de Carvalho e tenho pena. Aposto o que quiserem em como deve interrogar-se mil vezes se tem mesmo que aturar aquilo. Estar ali a fazer o triste número de compère com aquela mulherzinha mal informada e, do que se percebe, mal formada é coisa que uma pessoa decente como o Rodrigo não deveria ser obrigada a fazer. Se alguém da concorrência quer ir buscá-lo é agora a altura certa. Estar ali, no jornal da noite, a dar palco a uma pessoa como a Moura Guedes suja qualquer carreira pelo que acredito que ele esteja mais do que disponível para se mudar para ambientes menos poluídos.

A SIC acha que contratando gentinha como a que tem vindo a contratar -- gente que diz mal gratuitamente de tudo, mesmo das coisas boas, gente que manipula, distorce, 'abandalha' a conversa por tudo e por nada -- vai ganhar audiências, mas daqui aviso: engana-se. Para bandalheiras já há outros canais e, mal por mal, quem gosta mesmo de bocas javardolas, prefere atascar-se na lama a sério. É que, parecendo que não, ter ali o Rodrigo Guedes de Carvalho de ar acabrunhado ainda nos faz perceber que aquilo ainda não bateu completamente no fundo e ainda nos dá alguma esperança que ele, em directo, um dia ainda se levante, atire com os papéis ao chão (os papéis ou o iPad) e diga alto e bom som: 'Bardamerda para o populismo'.

Não consegui ver toda a intervenção da dita procuradora. Não aguentámos. Aquilo é mesmo abaixo da linha de água, aquilo é mesmo uma vergonha.

E, tendo feito zapping à Bocas Moura Guedes, eis que, passado um bocado, chego à sala e dou com um duelo de titãzitas: Raquel Varela e Isabel Moreira em animada zaragata por causa do #MeToo. 

Na assistência, uma criatura do sexo masculino de longa e lisa cabeleira, óculos redondinhos e ar a atirar para o alucinado saíu-se com uma de que a violência começa logo com a família a fazer com que as crianças sejam vergadas a ponto de darem beijinhos às avós. Se estivesse ao pé dele dava-lhe logo um puxão de cabelos. Criatura mais doida. Ou teve uma avó com bigode à escovinha e verruga cabeluda cujos beijos o deixaram traumatizado até hoje ou foi assediado por alguma velha que lhe fazia lembrar a avó. Só pode. 

No balcão, uma senhora loura, vestida de branco e uma rosa encarnada e espumante ao peito, mostrou-se logo insurgida. Béu, béu, não sei quê. Não sei quem era nem ao que ia mas, pelo ar e pelo tom de voz, palpita-me que seja do movimento Pró-Vida. Se bem que não sei o que é que o Pró-Vida tem a ver com o MeToo. Na volta são movimentos rivais e aquilo ali era mas era um campeonato.

No meio disto a Isabel Moreira, irritada com a Varela, já mal escondia a raivinha estrepitosa que subia dentro dela. E a Raquel Varela, com aquela pose superior, mal disfarçando que dentro dela existe uma feroz fräulein, uma dominatrix de bota de tacão e chicote na mão, levantava o queixo e lançava farpas venenosas às virgens ofendidas encabeçadas pela Moreira.

Não sei quem ganhou porque fugi dali a sete pés. 

No meio daquela luta de galinhas -- rapaz de longa melena incluído -- não faço ideia quem ganhou nem sei bem qual a causa que aquelas ali defendiam. Penso que a Raquel é mais da linha ajoelhou tem que rezar e a Moreira é mais na base do querido foi tão bom até aqui mas agora já chega, faz favor de sair. 

Também estava lá um senhor com alguma idade e uns papos nos olhos que percebi que devia ser psiquiatra e que, do que vi, atirou algumas ao lado. Mas, lá está, no meio daquela confusão, não sei se a ideia não era mesmo atirar bolas para o pinhal. Só sei que, às tantas, um jovem, não sei se cientista, mostrou umas folhas, uma por cada assediador: um cientista rodeado de mulheres que me pareceu que tinham pouca roupa e um glaciar ou nem sei bem o quê que até mudou de nome para evitar conotações assediantes. Parece que o padrinho que lhe tinha dado o nome tinha tentado meter o bedelho onde não devia. 

Uma maluqueira pegada.

Também reparei na Fátima Campos Ferreira: estava atónita e sem conseguir ter mão naquele cri-cri todo que para ali ia. Dá para perceber. Eu ainda tinha um comando para fazer zapping mas ela, coitada, teve que gramar aquele descabelamento até ao fim. 

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Salvou-me a noite o Zé de Abreu. Anda a dar um belo abre-olhos à tonta da Regina Duarte -- que deve estar toldada das ideias para apoiar o palhaço Bolsonaro -- e não se deixa papar pela safada da Carola e pelo inútil do Remy. 

E disse.

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E queiram deslizar e ir de visita até a um exército de flamands roses. Uns verdadeiros galãs que sabem ter graça na forma como se exibem. 

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