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sexta-feira, janeiro 30, 2026

Onde é que está o governo? Onde é que anda o Marcelo?
-- A palavra ao meu marido --

 

O País atravessa uma enorme catástrofe e o governo, como já tinha acontecido com os incêndios e com o apagão, mostra-se incapaz de gerir a crise, pôr em prática as ações que são necessárias e manter os portugueses devidamente informados -- como é seu dever. 

A atual MAI, como a anterior, não existe. Uma ministra que, numa noite em que o IPMA prevê a passagem pelo País de uma depressão que muito provavelmente provocaria, como provocou, uma catástrofe, manda o chefe de gabinete para a Proteção Civil em vez de estar presente no Centro de Operações, não tem o mínimo de perfil para o cargo que ocupa. Mas isto não é novidade, já o tinha demonstrado em situações anteriores. 

O Montenegro também não consegue acertar uma e, quando aparece, não diz nada que valha a pena ouvir. 

Este governo não tem capacidade para enfrentar situações de crise. Como acima referi e repito, já o tinha demonstrado nos fogos e no apagão. Não têm conhecimentos nem capacidade para tomar decisões em situações de crise e isso é preocupante. 

O Marcelo, tão ativo em épocas anteriores, agora não tuge nem muge. Será que já não é presidente? Ou não intervém porque não fala de nenhum assunto que corra mal ao governo? Os milhares de pessoas que estão a sofrer não merecem um afeto? Lá se foi também o "presidente dos afetos"! 

Por todas as razões e mais uma e para bem de todos, esperemos que não chova demais e que a água comece a descer. Uma coisa é certa: em situações de crise, o governo não serve para nada.

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Nota: 

Agora um assunto bem menos importante. Como julgo que já foi aqui referido várias vezes, sou do Sporting! 

Ontem, o Sporting e o Benfica derrotaram de forma mais ou menos brilhante os adversários na Champions. Foi uma grande noite para o futebol português. 

-- O Sporting ficou em sétimo lugar, fez 16 pontos em 24 possíveis e vai diretamente para os oitavos de finais, ficando à frente de equipas como o City, o PSV, ... .
-- O Benfica ficou em vigésimo quinto lugar, somou 9 pontos e apurou-se para os play-off com um golo no último minuto. 

Não há dúvidas que o Sporting fez uma prova muito melhor que o Benfica. Pois, se ouvíssemos os comentadores desportivos nos vários canais diríamos que foi exatamente o contrário. Endeusam quem teve pior prestação e dizem umas coisinhas simpáticas sobre quem se revelou ser melhor nesta prova. Também no futebol, a comunicação social está longe de ser imparcial.

segunda-feira, maio 26, 2025

Em dia de final da Taça, bolonhesa encarnada para os sportinguistas.
Isto depois de, na véspera, sandwiches de feijoada para os benfiquistas
[Receitas incluídas]

 


No sábado fiz feijoada para o almoço. Deve haver mil maneiras de a fazer mas eu faço uma versão soft. Assim: num tacho, refogo ao de leve uma mega cebola. Depois junto um repolho (será que o nome correcto é couve-lombarda?), uns dentes de sal, salsa e coentros, uma folha de louro, um pouco de água, um little bit de sal e deixo cozer. Quero que a couve fique bem cozinhada para ser bem digerida. Quando está macia, junto carne de porco e vaca picadas. Deixo cozinhar um pouco. Juntei uma rodela de chouriço de carne apenas para dar alguma graça. Juntei depois um frasco de feijão encarnado cozido, com o caldo, e deixei que cozinhasse tudo junto durante uns minutos. Ficou bem saborosa. Pelo menos, nós gostámos.

Depois, quando estava quase tudo pronto, lembrei-me que parece que costuma haver arroz a acompanhar. Fiz simples, juntando apenas um pouco de salsa e coentros e uma folha de louro. 

O pessoal tinha dito que não viriam no sábado mas, ao princípio da tarde, a ala benfiquista disse que passaria por cá daí a pouco. 

Quando os mais novos disseram que estavam com fome, à falta de um lanche previamente estruturado, servi bolinhas de Rio Maior com feijoada. Antes aqueci levemente o pão; depois coloquei umas colheradas de feijoada, que ainda estava morna, em cada bolinha. Gostaram. E eu fiquei contente por terem gostado.


Este domingo, a ala benfiquista foi assistir ao jogo no Jamor. Mas a ala sportinguista, tirando o menino mais crescido que ficou a ver o jogo com amigos, veio cá ver o futebol com o sportinguista-mor.

Fiz bolonhesa que é coisa que sempre agrada. Embora banal, como também há mil maneiras de a fazer, conto como eu faço a minha.

Numa frigideira grande, ponho azeite, muitos dentes de alho, folhas de louro, um ramo de alecrim, e quando os alhos estão alourados, junto a carne picada (do mesmo lote do lote que usei para a feijoada, isto é, carne de porco e carne de vaca que, no talho, peço para picarem e misturar) e um pouco de sal. Deixo estar sempre no máximo e vou mexendo e virando a carne para fritar, isto é, para não cozer. Depois desligo.

Antes disso, num tacho coloco azeite, duas cebolas grandes aos bocados. Depois de refogar um pouco, juntei quatro tomates chucha bem maduros, cinco cenouras grandes aos bocados, um bom ramo de salsa e um pouco de sal. Tapo e deixo cozinhar até a cenoura estar cozida. 
Depois, com a varinha mágica, trituro até ficar um molho de tomate bem macio. Não fica nada ácido pois a o doce da cenoura corta a acidez. Fica, isso sim, um shot de vitamínico.

Num tacho grande, coloco água a ferver com sal e massa fresca, agora não me lembro o nome, é daquelas fitas largas com ovo. Pouca gordura, pouco sal. Coze durante uns cinco a sete minutos. Desligo. Escorro a água. Uma parte da água, pouca, junto ao tacho do tomate. Uma parte, ainda menos, junto à carne. A água de cozer a massa engrossa os molhos, dá-lhes uma boa textura. O resto da água foi fora. Mas ainda ficou uma parte do tacho. Temperei com azeite e salpiquei com orégãos.

Volto, então, ao tacho do molho de tomate. Com a varinha mágica, trituro até ficar um molho de tomate bem macio. Não fica nada ácido pois a o doce da cenoura corta a acidez. Fica, isso sim, um shot de vitamínico.

Servimo-nos em separado: a massa, depois a carne e, por cima ou ao lado, conchas de molho de tomate. Há queijo ralado para polvilhar.


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À tarde, cá em casa, claro que os sportinguistas começaram por sofrer para, por fim, deliraram. No Jamor, claro que os benfiquistas se entusiasmaram e depois sofreram. 

Como é bom de ver, nos poucos minutos que aqui estive, como sempre não consegui concentrar-me e estava para ser penalti e eu nem isso percebi. Gosto de ver as emoções de quem vibra e consigo colocar-me no lugar deles. Mas mais do que isso só consigo mesmo quando são jogos da Selecção em campeonatos importantes, como no Europeu ou no Mundial.

O meu marido, com tudo isto, nem assimilou o que comeu. Depois de ter almoçado e jantado bem, há bocado, ao ver um anúncio às bolachas Oreo, disse que estava cheio de fome e que até bolachas oreo marchavam se as tivesse, que parece que lhe apetecia qualquer coisa doce. Ele que nunca come bolachas e que poucos doces come... Antes de ir para a cama, ouvi-o na cozinha. Deve ter ido comer qualquer coisa, não faço ideia de quê. Não há bolachas nem bolos. 

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Os painéis de azulejos não têm a ver com o texto. Têm apenas a ver com o meu gosto por azulejos.

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Desejo-vos uma boa semana a começar já por esta segunda-feira

domingo, janeiro 12, 2025

Derby em casa de benfiquistas com sportinguistas em minoria

 

Não sei se já contei mas o meu marido gosta de ver futebol sozinho na sala. Abre uma excepção para mim pois, estando aqui eu, como não consigo concentrar-me naquilo, estou entretida com outra coisa e não perturbo a concentração em que ele gosta de estar. Se por acaso lhe faço alguma pergunta, começa por não ouvir e, por fim, responde a correr, contrariado por eu estar a distrai-lo.

Quando as forças vivas da família se movimentam no sentido de verem cá o jogo, começa sempre por ficar um bocado contrariado e só se anima se eu lhe digo que o resto do pessoal pode ver aqui e ele na outra televisão, ou vice-versa.

Contudo o que tem acontecido é que acabam todos aqui, na maior confusão e ele acaba por se resignar.

Mas hoje, que era Benfica versus Sporting, perante a perspectiva de irmos ver o jogo num antro benfiquista, começou por dizer taxativamente que não. Não lhe parecia que fosse exequível, ele a torcer por um lado e metade da claque a torcer em sentido oposto. Mas lá o convenci.

Enquanto durou o jogo, vi que estava a tentar abstrair-se do entusiasmo encarnado. Sportinguistas ferrenhos eram só dois. Eu sou neutra pois embora penda mais para os verdes não consigo vibrar, gritar, incentivar ou insultar o adversário.

Isto para dizer que, portanto, chegámos a casa tarde. E, à chegada, ele ainda foi passear o cãobeludo que, coitado, tinha ficado em casa. Eu não fui, não gosto muito de andar a passear às quinhentas da noite, em ruas desertas. Hoje era impossível tê-lo levado já que a cena futebolística incluía jantar que, naturalmente, dada a hora do jogo, era jantar volante e no colo. Além disso, uns estavam nos sofás mas outros estavam nos sofás - seria demasiado confusão e demasiada tentação para ele. 

E, tirando isso, posso dizer que, antes, cá em casa, fiz uma máquina de roupa apesar de o tempo não estar bom para secar (e não ter máquina de secar), fiz uns transplantes de flores pois a terra está boa para isso, apanhei laranjas, trabalhei um bocado naquilo que me tem trazido ocupada, recebi um telefonema longo de uma amiga que, quando liga, é sempre para pôr a conversa em dia. Coisas assim.

Mas, com isto, como é bom de ver, claro que não vi televisão, não li notícias, nada. Estou virgem no que a actualidade diz respeito. Mas, provavelmente, ainda bem que não vi pois assim não acumulei capital de preocupação ou de enjoo.

E por aqui me fico. Agora vou dar uma circulada por alguns blogs, parece que é lugar onde ainda é possível ouvir o bater de um coração.

Desejo-vos um feliz dia de domingo.

sábado, julho 18, 2020

Jorge Jesus, Cristina Ferreira, Ferreira Fernandes - começou a época das transferências e, ao mesmo tempo, a silly season





Jorge Jesus vai e vem, faz e desfaz, salta de clube em clube, é aplaudido e vaiado, sai em ombros ou ao estalo, passa de rival em rival, atravessando a segunda circular ou o atlântico, dancing for money e cagando para o resto. Pelo caminho vai abichando uns milhões. Não há cá amor à camisola, conversa mais fajuta, há é profissionalismo. E os $$$$$ a crescerem na conta bancária (nas muitas contas bancárias) e quem o achar traidor que pense duas vezes: quem trai traidor deve ser como o ladrão que rouba ao ladrão, mil anos de perdão. E nham-nham-nham, rebenta o balão. (O balão do pastilhão, bem entendido)


Cristina Ferreira, outra caga-milhões, salta da TVI para a SIC e na SIC é recebida em ombros, deitam-se no chão para ela saltar em cima, o pastor Rodrigo fecha o noticiário com 'o país, o mundo e o bolo da mãe da Cristina Ferreira' e as engraxadoras da Arrastadeira Vermelha lambem as botas e os próprios pés da Cristina, e a Cristina guincha e escaganifa-se com risinhos escaganifobéticos e toda a gente aplaude, e vai aos globos de ouro armada em nossa senhora de fátima e toda a gente ajoelha e agora, sem mais nem ontem, a dita Cristina, santinha no altar das vaidades, caga de alto para os devotos da SIC e baldeia-se outra vez para a TVI. Cristina e Jorge Jesus, grandes profissionais do espectáculo e da carteira recheada. Diz que vai agora para accionista. Quem a venerou, babando-se enquanto a venerava, que vai agora dizer? (Pergunta retórica esta minha). 

E, provando e reprovando que abriu a época das transferências, eis que me cai o queixo ao chão. Na mesma onda dos anteriores, dou com mais uma troca-sensação. Ferreira Fernandes, ex-Público bandeou-se para o Diário de Notícias onde chegou a Director. E se eu gosto de lê-lo, caraças. Pois bem, bandeou-se outra vez para o Público. Faz sentido? Eu diria que não. Mas a minha segunda consciência diz-me: 'Define sentido'. Não sei. Dou-me uma segunda oportunidade: 'Define faz sentido'. Mas também não sei definir pelo que, na volta, isso de 'fazer sentido' não existe. Portanto, trocas e baldrocas é o que está a dar e que se fornique essa coisa do sentido. E eu, que não gostaria nada de estar a servir o FF na mesma travessa em que apresento o JJ e a CF, face às insólitas circunstâncias, vejo-me forçada a fazê-lo. Ele há coisas.

Depois disto, só falta o Durão Barroso, esse perfeito-nulo, porteiro das Lajes, nos aparecer como grande educador da classe operária, liderando o MRPP,  ou o Ventura, esse pintarolas manhoso, aparecer no PSD de braço dado com o Passos Coelho, esse grande estadista que, apesar de só ter feito merda, agora por aí anda ao colo de tudo o que é burro neste país e, para cerejar o topo do bolo, nos aparecer o Carlos Costa, essa mítica figura que esteve cega, surda e muda enquanto o sistema financeiro ruía, como gestor de offshores. 

Não sei porquê mas parece que só me apetece exclamar: Eh Lecas.

Tirando isto... que mais?

Quarenta e tal graus por aqui, uma temperatura desumana. Deve ser isso. Estas temperaturas de assar pimentos ao sol estão a virar as casacas do avesso, estão a virar frangos às cegas, estão a fazer cambalhotear as mais gradas figuras desta grande nação.

Eu própria tenho que pensar bem. Qualquer dia destes, se a coisa é pegajosa como o corona, ainda pego a pandemia e ainda vos apareço a assinar posts aí num outro blog, num daqueles que vos deixaria de cara à banda: What?! Esta aqui?!?! Não... Não é possível...

 Ah pois não, violão.

E vai daqui um beijinho para vocêzes. Com máscara, claro, que eu, noblesse oblige, com isto do corona, não facilito.


Um bom sábado. 

(E bebei água com farturinha, está bem?)

quinta-feira, outubro 18, 2018

Benfica, Google, bloggers, emails -- tudo histórias mal contadas.
Pior, mesmo, foi ter andado perdida, de noite, o carro debaixo de chuva, sem GPS, sem telefone emparelhado.
[Das raivinhas e dos chiliques do Super-Judge-Alex, o mal-afamado "Saloio de Mação", acho que não vale a pena falar. Tudo muito déjà-vu.]




Saí de noite de um sítio onde só tinha ido antes umas duas ou três vezes. Chovia, estava trânsito e não conseguia ver bem. Procurei uma tabuleta a dizer Lisboa ou com o símbolo de autoestrada. Nada. Um desespero. As estradas neste país têm isto. A gente só sabe como dar com um sítio depois de ter dado com o sítio. Um atraso de vida.

Fui andando. Chegava a uma rotunda e numa saída dizia 'Farmácia', noutra 'Centro Desportivo', noutra 'Trânsito local'. De Lisboa nem sinal. E outra volta à mesma rotunda a ver se me estava a escapar alguma coisa. Nada. Às cegas, escolhi uma no que me pareceu ser a direcção certa. Sítio desconhecido. Luzes dos carros, chuva. Tabuleta elucidativa zero. 

Fui andando até poder parar o carro. Como o meu está na oficina, ando agora com um de substituição. Tentei o GPS. Não tinha. Pus 'Lisboa' no telemóvel e accionei o GPS. Procurei um sítio para pôr o telemóvel. Não tinha. Nem uma prateleirinha. Só em baixo, dentro do recipiente das moedas. Ficou de lado e tapado pelo manípulo das mudanças. Não se via, só se ouvia. Um stress.


Melhor que nada. Pus-me a caminho. Mandou-me sair na 4ª saída da rotunda seguinte. Só tinha 3 saídas. Nova volta a ver se me tinha escapado alguma estrada. Não. Entretanto, a jovem do gps mandou-me voltar para trás.

Entretanto, ligou-me o meu marido a saber a que horas contava eu chegar. Apanhou-me num mau momento: não sabia onde estava, não sabia como sair dali.

Voltei a tentar. Fui num sentido, a 'gaja' mandou-me ir em frente, fui andando até que me mandou sair na 2ª saída e eu obedeci apesar de lá dizer o nome de uma terra de que nunca tinha ouvido falar. Segui até que fui parar a uma estrada estreita que parecia de um só sentido mas de onde vinham carros em sentido contrário. Temi estar em sentido proibido. Depois começou a aparecer um muro alto, como se fosse alguma quinta. O muro nunca mais acabava, a estrada sem luzes, sem casas. Temi estar completamente perdida, enganada pelo gps, esse farsante.


Até que ela me disse que, numa rotunda saída do nada, devia sair na 3ª saída e aí vi uma tabuleta a indicar a autoestrada. Quando cheguei à rotunda, a maior trapalhada que já vi, tinha vários sinais de proibido e, dessas vias, vinham carros a entrar, entre elas a que me pareceu ter a tabuleta para Lisboa. Pensei: ná, para ir para Lisboa tenho que entrar numa via em sentido proibido...? A mim não me apanham. Dei duas ou três voltas à filha da mãe da rotunda, isto sem se ver quase nada com a chuva e com as luzes dos carros. A 'gaja' do gps não se calava. Pensei: há-de haver um sacana dum carro que também queira ir para a autoestrada para eu ir atrás. Nada. Mais uma volta. Às tantas, resolvi avançar pela que me parecia provável e, se estivesse a ir em sentido contrário, acácia da silvinha, fechava os olhos e entregava para deus.

Mas, afinal, fiz bem. Lá dei com a entrada na autoestrada.

Queria ligar para avisar que estava salva mas o telemóvel não estava emparelhado com o carro pelo que não deu. Com isto tudo, só cheguei a casa tarde e más horas. Estava a entrar, ligou o meu filho. Estava a despir-me, recebi uma sms da minha mãe: 'Estás ainda a trabalhar ou esqueceste-te?'. Telefonei-lhe. Expliquei-lhe. Depois telefonei também à minha filha. Contei-lhe tudo, a odisseia e o que a tinha precedido.

Quando me sentei para jantar era tarde e eu estava com a cabeça em água. Odeio dias tão preenchidos: parecem-me curtos demais, esvaem-se no meio de parvoíces. Um desperdício.


E agora estou aqui e a pensar que ainda tenho que ir ver mails do trabalho porque, durante a tarde, como estive noutra, não lhes peguei. O meu marido, perante perspectivas destas, costuma dizer: 'Isso é pior que um clister de açorda'. E é. Já passa da meia-noite e, depois do dia que tive e da odisseia que foi para dar com o caminho para casa, ainda ter que ir ler e responder a mails de trabalho é sorte que não se deseja a ninguém. Cruzes canhoto.


De resto, não sei se o mundo já se pôs a andar de gatas, se de patas para o ar ou se por aí anda aos pinotes. Só sei que, quando me sentei aqui, ouvi na televisão uns cavalheiros de aspecto vagamente suspeito a dissertar sobre um acordo que o Benfica terá feito com a Google e que se terá traduzido em receber a identidade de bloggers que, ao que percebo, costumam dizer mal do Benfica. Não acredito em nada disto. Se a Google tivesse feito uma coisa destas, era caso para todos os clientes da Google saltarem a pés juntos sobre ela. E, que eu saiba, de burra a Google pouco tem. Portanto, não sei que história mal contada é esta mas não deve interessar para nada.

Também dei com o Super-Judge-Alex com olhos que me pareceram lacrimejantes. Pensei: Querem lá ver que isto é a Alta Definição? Terei chegado no ponto em que o Daniel Oliveira lhes pergunta "o que dizem os seus olhos?" e a malta fraqueja e desata a chorar? Depois percebi que afinal não. O so-called saloio estava sem óculos e, às tantas, a vista cansada dá-lhe lacrimejices. Bolsava veneno enquanto sorria, verdadeiro saloio safado, disfarçando a dor de corno ou de cotovelo ou lá o que fosse que lhe estava a doer. Qual cavaco, destilou ressabiamentos, lançou insinuações, suspeições. Não quererá a múmia fechá-lo também no sótão, ao lado do Lima*? Não se perdia nada.

Enfim.


O que isto é, meus Caros, é que estamos a tender à força toda para a cena dos porcos a governarem o mundo. Já aí estão com comportamentos sinistros, a fazerem coisas obnóxias num mundo onde, volta e meia, nada parece fazer sentido. A única coisa que me anima é que já não é a primeira vez que há disto, o mundo a desandar. Portanto, acredito que um dia destes a coisa vai voltar a entrar nos eixos. Ou seja, acho que ainda não é caso para nos deprimirmos.

Salvé.


Vou aqui ficar um bocadinho a sonhar enquanto olho a noite boa, ali fora. 
Isto, com vossa licença, antes do clister.

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[Fotografias da wildlife no The Guardian]

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PS: É verdade, que é feito do Lima*? Escreveu mais algum livro ou é só o chefe que continua a publicar? Será que não ficou esquecido no sótão de Belém? Na volta, uma noite destas ainda aparece a assombrar os corredores do palácio. O que vale é que o Marcelo não está para pernoitar no meio daqueles fantasmas senão apanhava um tal susto que ainda lhe saltava outra hérnia.

quinta-feira, março 08, 2018

Qual a password da procuradora?
O alegado José Silva apenas alegadamente sacou cenas do futebol ou, de carrinho, descarregou mais umas coisitas?
E, por lá, só há um alegado José Silva ou há mais técnicos informáticos que se dediquem a manter viva a chama do Correio da Manhã ou da Sábado?

[Não sei a resposta. O que sei é que a coisa está em segredo de justiça e, isso, santa paciência, é para ser levado a sério]

Por isso, passo à frente e, no dia da Mulher, dou a voz a três grandes meninas





Seja como for, são temas que não domino. Não domino nem conheço. Quando vejo na televisão aqueles personagens, muitos com ar sinistro, desligo. Uns são cabeçudos, outros uns trauliteiros, outros têm voz de bagaço. Gente que não faz o meu género.

Mesmo que a televisão fique a emitir, eu deixo de ouvir. Nada daquelas conversas me interessa. Nem percebo o que dizem. Parecem umas vizinhas desavindas, hipócritas, mal-educadas, intriguistas, arruaceiras. Portanto, não percebendo nada da matéria, claro que não vou falar sobre isso. O mundinho do futebol português fede demais para o meu gosto

O tema apenas vagamente despertou o meu interesse pelo hipotético crime informático subjacente. E não tanto por isso mas por me interrogar acerca do que poderá isso significar: os sistemas da Procuradoria são abertos, vulneráveis? Quantos mais processos terão sido violados? Com que fins? Há controlo? Ou as toupeiras podem movimentar-se à vontadinha nos meandros dos sistemas informáticos? Ou, para ajudar à festa, os procuradores são uns totós e deixam os user names e as passwords num post it colado ao monitor?


Ou não? Escondem-nas a sete chaves mas não faz mal porque as passwords são do mais básico que há? Benfica_penta. Vieira2018. ABC123. Coisas assim.



Enfim.

Contudo, nada está provado e pode acontecer que estejamos na presença de mais uma cegada judicial daquelas em que uns quantos são indelevelmente manchados para que mil anos depois, quando já os julgamos mais que mortos, sejam declarados inocentes ou os processos arquivados por falta de provas.

Portanto, fico-me por aqui. 

Acho que dia 8 é o Dia da Mulher e não sei se as mulheres devem marimbar-se para isso ou agradecer a gentileza.


Nem sei bem o que destacar a propósito disto do Dia da Mulher. Não gosto de vitimizações mas também não quero menosprezar as diferenças absurdas ainda existentes entre as condições e as possibilidades ao alcance de homens e mulheres. Por isso, dizer o quê?
Que as mulheres subestimam a força e o valor que têm?
Que os homens que acham que as mulheres estão num patamar abaixo deles devem ser atrasados mentais?
Não sei. O que me ocorre dizer é que ser mulher é uma coisa boa e que deve ser usufruída em todas as suas vertentes.


Estou a escrever e a pensar que deveria aqui ter fotografias de mulheres sofredoras, em campos de refugiados, em cenário de guerra, em salas de tratamentos oncológicos, a viver na rua, a viver em casas sem condições em subúrbios pobres e tristes. Mas daqui a nada tenho que estar a pé. Por isso, deito mão do que me é mais fácil: mulheres que representam a fantasia, o charme, a graça, a insolência.

E limito-me, também, a trazer aqui três meninas que já são grandes mulheres. Poderia ir buscar de outras áreas mas é o problema de sempre: o meu tempo é curto e o meu sono é grande.

Portanto, lamentando não poder diversificar ou aprofundar o tema, espero que gostem do som de Grace VanderWaal (14 anos), Alma Deutscher (13 anos) e Angelina Jordan (12 anos)





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E queiram, por favor, descer para verem o Serviço Público a la UJM: algumas ideias geniais.

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segunda-feira, maio 18, 2015

Sou mãe de um benfiquista convicto* mas a verdade é que não nutro especial simpatia pelo Benfica. Nem especial nem sem ser especial. Para dizer a verdade, nem sou de vibrar com clube nenhum. Por isso, não é disso que vou falar. Vou antes falar de uma coisa muito diferente: de um fazedor de nuvens


Há quem pegue em tintas e espalhe a cor sobre as telas, inventando flores, corpos, sombras, pontos de luz. Há quem trabalhe a pedra, a madeira, o metal e deles extraia formas abstractas, expressivos rostos, movimentos inventados. Há quem adivinhe acordes, reinterprete antigas sonoridades, traga melodia, ritmos e harmonia ou provocação à vida dos outros.

E há os que absorvem a vida que os rodeia, que interpretam os olhares dos outros, as palavras não ditas, que sonham formas diferentes de tecer frases e, com elas, constroem histórias, crónicas, poemas.

E tantos, tantos artistas de tantas artes. A dança, a fotografia, o teatro, o cinema, etc - tantos.

De Berndnaut Smilde não sei dizer se é um escultor, se é sequer um artista - os mais entendidos que o digam, que o cataloguem, que o julguem. Eu, na minha santa ignorância, acho que sim; artista de uma arte do efémero, do intangível, do imprevisto. Faz nuvens.





Eu vejo e acho lindo, acho o género de coisa que seria capaz de me comover se visse acontecer perto de mim. E, vendo as imagens, não olho para as nuvens que ele cria como algo de triste, aquele peso e negrume que tantas vezes se associa à nuvem. A mim parece-me uma impossibilidade sedosa, macia, branca - que se materializa. E que, depois, desaparece. 




Pode parecer aos mais puristas da coisa - e eu reconheço que, em tudo o que se prenda com arte, sou impura, ímpia, mas que me perdoem os entendidos, percebam que é aquela inocência própria dos ignorantes - que fazer figuras improváveis que se movem com o vento ou fazer nuvens dentro de uma sala é mais técnica e habilidade do que outra coisa. Talvez, mas poderia dar-lhes para fazer motores ou produtos químicos e não para fazer coisas belas, irreais, coisas que nos levam para uma dimensão incomum.

- É tão bom ser nuvem,
ter um corpo leve,
e passar, passar.

- Leva-me contigo.
Quero ver Granada.
Quero ver o mar.

- Granada é longe,
o mar é distante,
não podes voar.

- Para que te serve
ser nuvem, se não
me podes levar?

- Serve para te ver.
E passar, passar.


[de Eugénio de Andrade]


A Vanity Fair dá-lhe destaque e, para quem sinta curiosidade, pode ver aqui o que lá é dito. 


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* - No título, refiro apenas o meu filho como benfiquista quando originalmente a minha filha também foi manipulada para o ser. O meu cunhado, na altura ainda solteiro e bom rapaz, sempre foi benfiquista convicto, mesmo daqueles tinhosos. E então, quando apanhava o irmão de costas (sportinguista igualmente convicto), ensinava os sobrinhos, crianças de colo que ainda mal falavam, a responder à pergunta 'quem é o glorioso?' com 'benfica' levantando, ao mesmo tempo, a mão para fazer o V de Vitória. E, assim, cresceram os meus ricos filhos, sendo instruídos no misterioso culto do Benfica. Ela, pouco dada a futebóis, mais tarde tornou-se agnóstica, ao passo que ele se manteve fiel aos primeiros ensinamentos e festeja e vibra com ardor, como se uma vitória do seu glorioso fosse coisa importante na sua vida. (Que há-de uma mãe fazer...?)

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Bem, mas que venha a nuvem de Berndnaut Smilde, 
uma escultura feita de chuva imaterial - como que feita de luar, de lágrimas invisíveis e felizes.


 

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Estava a apetecer-me terminar com bailado. Aqui está.

Moon water

- numa interpretação do Cloud Gate Dance Theatre of Taiwan



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Desejo-vos, meus Caros leitores, uma semana muito boa a começar já por esta segunda-feira.
Saúde, sorte e amor é o que vos desejo a todos. 
(E dinheiro para os gastos, claro.)

...

sábado, agosto 09, 2014

Depois dos caranguejos, eis que os leões atacam em força. Três aniversários numa única semana (e, dentro de dias, há mais um). Como é que assim uma pessoa se pode manter esbelta, alguém me diz? Um dia destes ainda sou contratada como XXL para o Pirelli versão sénior.


No outro dia um colega meu chamou-me ao gabinete. Pensava que ele era meu amigo mas não: afinal, é completamente inimigo. Avisa-me ele, Não se admire. Afinal são 12 anos. Perguntei-lhe o que era mas estava numa de me fazer sofrer, Já vai ver.







Suspense.

E põe um CD e começam a aparecer fotografias. Logo a primeira era eu e ele a conversarmos. Só não desmaiei logo ali porque sou uma mulher que não vai ao tapete com essa facilidade.

Esbelta, esguia, cabelo curtíssimo. Jesus! (ler em inglês que soa mais dramático). Não parecia ter menos 12 anos: parecia era ter 12 anos!

Não me dei por achada, ah pois não, Ei... olha para você... parecia o seu filho...

Não a avisei?, perguntou ele, pérfido, a fazer de conta que não percebia a alfinetadinha. Sim, avisou-me mas não me preparou psicologicamente, censurei-o. Não é que eu agora esteja uma velha caquética ou que pareça uma baleia. Visto o 40 ou 42 (há um ano vestia o 38 ou o 40, eu sei, seu sei) o que não é nada por aí além mas a questão é que vendo aquelas fotografias - em que parecia vestir o 36 - olho agora para mim como uma anafada. Aliás, acho que então vestia mesmo o 36. Onde isso já vai.

Depois o CD foi avançando e a coisa foi-se tornando dramática. Estávamos a passar um fim de semana na Urgeiriça, naquelas coisas de team building, em outdoor, provas de orientação diurna e nocturna (de tipo andarmos perdidos na serra às quinhentas da noite, a ouvirmos toda a espécie de barulhos suspeitos), atravessar um rio em jangadas feitas por nós, passar numa ponte de corda sobre um rio e coisas do género. Uma aventura. E eu ali no meio daqueles galfarros, toda desportiva, cabelo à rapazinho, jeans justinhos, uma adolescente. Mas lá fui disfarçando o meu desconsolo, Olha o Carlos, como ele estava! Todo cabeludo e agora quase careca! E o meu colega, Já viu? Doze anos, não disse? Mas não me dei por achada, Olhe você aqui, o que você mudou...!, e a rir, divertida. E depois ia dizer, Agora cabem dois do que você era dentro de si. Mas fui caridosa, não apliquei essa estocada.

Mas é. 

Os anos passam e a família vai aumentando - e isso traduz-se em muitos aniversários. Como é que uma pessoa pode pesar o que pesava há doze anos quando é obrigada a comer bolos e mais bolos a toda a hora? Em menos de dois meses já lá vão 8 (oito!) festas de anos. 

E depois os comes e bebes são de se lhe tirar o chapéu, petiscos dos bons, tudo gente com boa mão para o tempero (belas pizzas de todos os sabores, feitas na hora, quentes e boas, belas saladas, belos rissóis vegetarianos, belos panadinhos, belo arroz de pato, belo arroz doce, etc, etc, etc, etc, etc). 

Mas cabe aqui uma palavra para uma das tias de duas das crianças. Já o ano passado aqui fiz a devida vénia e este ano repito. Compensa os neurónios esfalfados com trabalho intelectual (é advogada) com uma artística aptidão para fazer bolos, nos quais de resto usa também bastamente os ditos neurónios já que cada bolo é inteligentemente concebido à medida do aniversariante.

Cada um é um portento e até dá pena comer as obras de arte que ali se expõem. Mas o problema é que tudo o que há ali é para comer. Seja um bombeiro, seja uma médica, marcha tudo. Bons, bons.

Mostro-vos.


Para um menino que vibra com carros de bombeiros

Outra visão do bolo dos bombeiros já sem o dito em cima,
numa altura em que ia começar a ser devorado


Para um dos avôs (que é médico), o estetoscópio


Para a bonequinha mais linda, a Doutora Brinquedos e os seus amigos,
aqui o dinossauro Valentim

Com a Lãzinha e tudo

(O nome da aniversariante estava escrito em cima dum penso rápido)


Tudo deliciosamente saboroso. Mangueiras, pensos rápidos, estetoscópios: tudo. Comemos tudo. 


Agora, ao escrever isto, lembrei-me de uma vez, andava eu ainda no liceu, ofereceram-me umas amêndoas da Páscoa de licor, umas figurinhas maravilhosas, miniaturazinhas delicadas. Havia de tudo, florzinhas, passarinhos e até um menino Jesus. Tudo tão bonito que as amêndoas mais pareciam pecinhas de porcelana fina, autêntico biscuit. À custa lá fomos comendo mas no Menino Jesus ninguém tocava. Até que um dia a minha mãe deu o alarme: Desapareceu o menino! Nem queria acreditar. Quis logo fazer averiguações, como se descobrir o culpado me trouxesse o menino de volta: Quem é que comeu o menino? A minha mãe dizia, Eu não fui. Terá sido o pai?, questionei. Não, não gosta disto, acha muito doce. Então quem? Quem teria comido o menino? Mal o meu pai chegou a casa, caímos-lhe as duas em cima: Comeste o menino? E o meu pai estarrecido, Comi o menino? Mas que estupidez de conversa é essa? Fui buscar o que restava das amêndoas, Estava aqui e desapareceu. Finalmente percebeu. Vocês são malucas. O menino... Sim, comi uma para provar, sei lá se era o menino. Ficámos esclarecidas.

Bem. Voltando à cold cow. Por causa disto que estou a escrever até me fui agora pesar. Há que tempos que não tinha coragem, já sabia que ia ter um dissabor. Sessenta. Já aumentei dois quilos desde a última vez que me tinha pesado. É o que dá andar a comer bombeiros. Muita farda, muita mangueira.

Adiante.

De resto quem é que disse que a beleza feminina tem que andar associada à magreza? Pois não é verdade que o calendário Pirelli 2015 até vai ter uma modelo XL, Candice Huffine? E se o Steven Meisel tem olho para elas...


[E só estou a falar dos quilos a mais que ganhei nestes doze anos para não entrar noutros detalhes pesarosos. Para que me hei-de fustigar? Até porque me olho ao espelho e não me apetece fugir. Sou auto-complacente, poupo-me. E depois há aquele estudo sobre a happinness que demonstra que isto da felicidade é simples, basta não elevar muito a fasquia das expectativas. Assim sou eu. Não espero muito, não quero demais. Por isso, com qualquer coisinha fico contente. Até com a minha imagem ao espelho. 
Mas, de qualquer maneira, até à próxima festa de anos, que é daqui por 15 dias, vou fazer dieta, ah vou, vou.]


Candice Huffine for Swim Sexy 2013

(Ainda não existem as imagens do Pirelli 2015)





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A música lá em cima era 'Big girls (you are beautiful)' pelo Mika.

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Ricardo Salgado, um banqueiro excelentíssimo,
agora travestido de gatuno,
a aparecer por tudo o que é parede da cidade


Tinha outros assuntos para falar: o BES Banco Novo que me parece ser uma coisa virtual, uma coisa na qual quanto mais penso mais baralhada fico, e no Ricardo Salgado do qual soa por aí (assim foi publicado num outro país) que tem uma pequena conta calada nas Ilhas Caimão, e mais umas quantas minudências.


Também vinha com ideia de vos falar em correspondentes e no que eu, quando era adolescente, gostava de esperar pelas cartas que o carteiro trazia.

Mas comecei com isto dos bolos e agora já passa um bom bocado das duas da manhã e já mal consigo manter-me acordada. Cheguei outra vez a casa às quinhentas, depois ainda estive a passar fotografias para o computador... e depois dá nisto, não consigo concretizar o que trago na cabeça.

[Enquanto estou a escrever, estou a ouvir os comentadores futebolísticos (digo que são comentadores futebolísticos, embora um deles me pareça aquele que escreve livros, o Domingos Amaral, aquele que é o filho do Freitas do Amaral) a falarem do aperto em que o Benfica está: o BES novo fechou a torneira e é um ver se te avias de vender jogadores. Isto parece que voltámos aos tempos da escravatura, em que as pessoas são bens transaccionáveis. Uma vergonha. Aliás: uma vergonha, uma nojice tudo isto, não é só o futebol, é tudo, futebol, banqueiros, políticos corruptos e estúpidos, jornalistas papagaios. Vou mas é dormir, credo, para não ter pesadelos]

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Desejo-vos, meus Caros Leitores um belo sábado.


segunda-feira, abril 21, 2014

Se a maioria dos portugueses é benfiquista, então já percebo porque é que o Passos Coelho e o Paulo Portas ganharam, em conjunto, as últimas eleições. [PS: E os benfiquistas inteligentes e racionais, essa escassa minoria que talvez exista, que me perdoem mas isto é o meu desabafo perante a maluquice que reina nas televisões. Benfica, Benfica, Benfica: um exagero que não se aguenta!)


Depois de abaixo ter relatado o making of do meu período pascal, venho agora aqui para protestar: mas que raio de país é este ou que raio de televisões é que temos, para serem directos e mais directos e haver uma festa nas ruas como se estivessem a chover barras de ouro? O Benfica ganhou o campeonato, é certo. Mas... e daí? 


E o que é que eu tenho a ver com isso? Em que é que tal feito contribui para a minha felicidade, alguém me explica? E que raio é isso do 33 que vejo por todo o lado? Foi a 33ª vez que o Benfica ganhou? É que nem explicam, só gritam 33. E isso é bom? Nunca nenhum clube à superfície da terra ganhou tantas vezes? Não faço ideia nem considero relevante. Fogo...! 


Como vos conto no final do post a seguir a este, hoje de tarde, antes de nos irmos dedicar à terceira idade e levar-lhes os deliciosos Pães de Deus da Padaria Portuguesa (aquele José Diogo Quintela está mesmo a sair-se bem com isto: que belos produtos, que belas lojas!), fomos dar um passeio a pé pela Baixa.


Pois não vos digo nem vos conto. Benfiquistas e mais benfiquistas, aquela raça de gente que anda de blusão encarnado, cachecol encarnado, que falam muito alto, que gritam e cantam, e outros em motos à abrir e a gritar, cachecol ao vento, palavrão de criar bicho, uma euforia tresloucada. E isto ainda antes do jogo começar.

Agora na televisão outra maluquice: entrevistam o zé dos anzóis, o zé maria pincel, o zé da gatinha, e o primo, o tio, o cunhado, o vizinho, e os apresentadores e comentadores como se fosse tivesse vindo aí o fim do mundo e uns quantos tivessem sobrevivido, uns eleitos, uns heróicos protagonistas de uma fantástica epopeia. Poupem-me.

E, em Lisboa, no Marquês de Pombal, são homens, mulheres, novos e velhos, tudo aos gritos, aos saltos, uma multidão ululante, um mar de gente de braços levantados, a saltar, a cantar, ou melhor, a berrar. 


E por ali andam os repórteres feitos baratas tontas, e toda a gente parece ter alguma coisa importante a dizer e, quando abrem a boca, ou sai parvoíce da grossa ou gritos roucos, um comportamento quase selvático, tudo numa bebedeira emocional que só visto.

E há assombrosas vistas aéreas, dá ideia que foram mobilizados todos os meios aéreos para confirmar que parece que Lisboa parece ter sido tomada de assalto, não por verdadeiros heróis mas por figurantes de um filme de gente doida em que a doidice lhes dá para se vestirem todos de encarnado, andarem aos saltos e aos berros.

Será isto normal? Num país de milhões de desempregados, em que uma quantidade enorme da população vive sem rendimentos, em que grande parte dos jovens qualificados do País emigrou ou está em vias disso, em que os pensionistas nem sabem quanto recebem ao fim do mês tantos os cortes e ameaças de cortes que recebem, em que uma população inteira viu o seu rendimento cortado por via de um brutal aumento de impostos para serem canalizados para o pagamento de juros agiotas... há um clube que vence o campeonato (como todos os anos há) e parece que todos os males desapareceram e que o que há é todas as razões possíveis e imaginárias para uma colossal alegria, para uma festa de arromba, para um espectáculo de euforia colectiva. Fico banzada com isto, palavra que fico.

Claro que aqui em casa o ambiente era negro (e ponho no passado porque agora só eu é que estou acordada e, portanto, o negrume já aliviou). O meu marido, sportinguista de nascença, nem queria a televisão ligada, que era o que lhe faltava era correr o risco de ainda ter que gramar com o Jorge Jesus (e claro que precedia o nome da figura por adjectivos que aqui não poderei reproduzir) e com todos esses gajos que nem falar sabem. 

Mas nem é preciso ser-se sportinguista de gema para desaderir desta alucinação colectiva. Acho que basta uma pessoa não ser completamente passada da cabeça. 

Ainda agora, arredada que tenho andado das notícias, passei pelos canais das notícias para ver se descubro se o Paulo Portas já apresentou o Guião da Reforma de Estado, se afinal a Poiazita Madura já orquestrou os ministros sobre o que hão-de dizer quando lhes perguntarem acerca do putativo imposto sobre o sal das batatas fritas, para ver se já há alguma pista que leve a perceber se a saída do protectorado (assim lhe chamou o irrevogável vice) vai ser limpa ou suja, se houve mais algum avistamento da pequena Maddie, se o Passos Coelho já inventou mais alguma expressão para a novilíngua que tem vindo a criar, se a tal senhora de quem o Henrique Neto diz que não é lá muito sã da cabeça teve mais algum descabelamento frustracional, ou para ver, ao menos isso, se a Judite de Sousa hoje, ao entrevistar o Professor Marcelo terá aparecido de mini-saia e com a sua bela perna ao léu ou se veio de capuchinho e de botas de D'Artacão.

Pois bem: inconsegui. Como disse, os canais de notícias só com multidões vermelhas, encarnadas, rubras, fumegantes. Não sei de onde veio toda aquela gente e que rifa lhes saíu na sorte para tanta esfuziante alegria. Milhares de pessoas, milhares. Nem nas maiores manifestações contra o desemprego, a fome, os roubos de todas as formas e feitios, se consegue um fenómeno destes. E, portanto, todos os canais, todos, mobilizados para cobrir o tsunami vermelho que varreu as ruas. Um exagero, um exagero.

E eu eu interrogo-me: mas que gente é esta, senhores? O que é que têm na cabeça? Alguém me explica? Há por aí algum benfiquista que seja normal e saiba explicar-me por a mais b como é possível uma coisa destas?

Seriam capazes de vir assim para a rua defender Portugal se este estivesse a ser espoliado por um bando perigoso? Sim...? Então porque é que nunca os vimos? Ou são assim só quando a luta é de brincadeirinha, coisa de meninos que andam a correr atrás de uma bolazita e o adversário é outro grupo que também não faz mais do que isso?

Não percebo a natureza humana, é o que é. Deve ser por isso que gosto tanto de pássaros, de flores, de pedras. 

Enfim. Bolas para isto. Vou-me deitar que é o que faço de melhor.

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E estou a escrever e a ver as minhas mãozitas com uma série de pequenos arranhões. Tantas reuniões que vou ter esta semana e com as mãos neste estado. Se me habituasse a fazer a lida doméstica de luvas... Mas não consigo. Só que desta vez até tenho vergonha. Enfim, dona de casa é assim. Mas, sobre isso, falo no post a seguir.

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A estas lindas horas e traumatizada com o que vejo em todas as televisões, claro que já não tenho tempo nem para a reportagem fotográfica da arte xávega nem do passeio por Lisboa. A ver se consigo amanhã. 

Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela semana a começar por esta segunda feira. 
E, por favor, não se esqueçam: é Abril, tempo de renascer.

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