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sexta-feira, junho 19, 2026

Obama

 

Não está isento de culpas. Ninguém é perfeito. Aliás, no meio em que se movia, difícil seria sair imaculado. Mas, no cômputo geral, há que reconhecer: é de uma outra cepa. Entre o 44º e o 45º/47º pouca coisa há em comum. Talvez os geneticistas venham dizer que, na essência biológica, são quase iguais. Só que, nestes assuntos, as avaliações fazem-se num outro patamar.

Basta ouvi-lo para se ver os Estados Unidos sob uma outra perspectiva, para se ver o mundo sob um outro ângulo.

Obama é um orador de excelência. Os seus silêncios antecipam as palavras que se apresentam luminosas, inspiradoras. É um prazer ouvi-lo.

Obama na inauguração do centro presidencial
Discurso completo, com tradução

O ex-presidente Barack Obama discursa na cerimónia de inauguração do seu centro presidencial em Chicago.

O aguardado centro será oficialmente aberto ao público amanhã, no Juneteenth (Dia da Emancipação). O extenso complexo inclui um museu, um jardim, um campo de basquetebol e uma nova filial da Biblioteca Pública de Chicago.


0:00  Discurso do ex-presidente Barack Obama
2:27  Obama recorda a sua chegada a Chicago em 1985
8h15 Obama ao centro: Não um "mausoléu sem vida - sou demasiado novo para isso"
10h44 Obama sobre os "assuntos inacabados" do seu governo
18:14 "Sugiro que saltem os excertos dos meus discursos... em favor das histórias dos cidadãos comuns"
20h07 "Os Estados Unidos têm sido uma força inegável para o bem no mundo"
24:02 "Quando perdemos a fé uns nos outros... abdicamos do poder de decidir o nosso próprio futuro"
28:13 "As exposições neste centro não têm como objetivo evocar a nostalgia... têm como objetivo lembrar-nos de quem podemos ser"
30:18 Obama sobre a trajetória do universo moral em direção à justiça: a história da frase

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quinta-feira, agosto 22, 2024

Bom demais para ser verdade.
Correcção: bons demais para serem de verdade

 

Podia estar a falar do Barack Obama. E estaria correcto. Bom demais para ser verdade. Ou da dupla Barack e Michelle Obama. Também estaria certo. São bons demais para serem de verdade. 

Do que vi e ouvi das suas intervenções naquela magnífica arena só posso dizer que tudo aquilo foi extraordinário. Na verdade, naquelas pessoas, independentemente do alto gabarito, do dom de palavra, da visão, da fantástica capacidade de análise e de síntese, há a intuição para o momento certo, para o gesto certo, para a pausa certa, para o olhar certo. São aquilo a que na gíria se chama 'animais de palco' mas animais de palco com conteúdo (e um bom conteúdo). Magnífico. Em cima (ou ao serviço) do génio dos oradores há uma vertente de grande espectáculo, de grande escala, de grande profissionalismo em tudo aquilo. Há pouco, o Luís Paixão Martins falava na preparação milimétrica, na cuidada realização, nada deixado ao acaso. 

Mas este post não é sobre os Obama. Ando cansada, sem tempo e com muito sono. Não dá para temas que requerem alguma reflexão. Por isso, indo à boleia da silly season, confesso: quando digo que são todos bons refiro-me ao Brad Pitt (claro, tinha que ser, é o melhor dos melhores) e ao George Clooney. Fazem uma dupla que é qualquer coisa. Nem imagino como é que uma mulher normal fica se der de caras com estes dois. Mas, lá está, até bastaria um. Brad Pitt. Se eu me visse frente a frente com ele, como reagiria? Acho que ficava bloqueada. Com receio de fazer uma figurinha miserável, haveria de ficar congelada. Mas, mesmo assim, não me importava nada.

Naquelas perguntas parvas: se fosse para uma ilha deserta, o que levaria consigo? acham que eu ia levar o Ulisses? Ia, ia... Só se fosse parva... Partindo do princípio que não poderia levar um deles em pessoa, levava era este vídeo. 

Brad Pitt & George Clooney's GQ Cover Shoot | Behind The Scenes

Brad Pitt and George Clooney are GQ's September cover stars. The iconic Ocean's duo are back, this time roaming through the rolling hills of the South of France.


E tenham um belo dia

sábado, janeiro 21, 2017

Mr. Trump, Day One: a confirmação.
Donald Trump, o novo Presidente dos United States, é um velhaco.
[Qual a tradução correcta para isso: rogue, crook, cheater]?



Vi agora na televisão. Uma vergonha. As bestas, um pouco por todo o lado, a chegarem ao poder. Parecem aqueles bichos nojentos que se alimentam da carne viva de outros animais. Há qualquer coisa de asqueroso naquele anormal.

A forma como ele falou dos tempos de governação Obama... Só me ocorre uma palavra que nunca uso. E, no entanto, é a palavra que agora me ocorre. Um javardo, aquele Trump. E como ele descreveu os Estados Unidos...? Inventou, abandalhou, achincalhou, reescreveu a realidade para se ajustar à sua conversa de vendedor de banha da cobra. 


Às tantas, fico sem saper se todas as aldrabices que para ali enunciou resultam de ser um trapaceiro patológico ou se aquele arrazoado não é senão ignorância pura e dura -- mas daquela ignorância perigosa em que o ignorante não percebe que é ignorante e decreta que o mundo é como a sua vista curta o vê.

Na véspera, um porta-voz tinha dito que o discurso de inauguração de Donald Trump seria "pessoal" e "filosófico". Veja-se bem o que aquelas alimárias entendem por 'filosófico'. Nem dá para acreditar. O que é que aquelas trapalhices soezes* têm a ver com a realidade e como é que isso pode ser a base para um trabalho honesto?

Faz-me lembrar um colega que tive. Devido a protecções que agora aqui não vêm ao caso, o sujeitinho, que era um burro encartado e um calão de primeira, foi progredindo até chegar a um lugar de topo. Ao fim de anos a trabalhar naquela empresa, pasmávamos com o desconhecimento que revelavava a propósito de tudo. O grave é que, incapaz de fazer o que quer que fosse, contratava consultores para tudo e mais alguma coisa. E, ao briefar os consultores, transmitia-lhes que naquela empresa ninguém sabia nada, tudo funcionava mal. Mais grave ainda, para mostrar serviço (e sendo o burro que era), não se ensaiava nada de dizer, mesmo em público, que tinha encontrado uma realidade caótica, em que tudo se fazia mal e que tinha sido ele que tinha dado por isso e ali estava para pôr as coisas no são.

Os outros ouviam-no siderados. Contudo, por pudor, nenhum de nós foi capaz de, com todas as letras, lhe dizer que se tratasse, que se calasse, que parasse de dizer disparates. Muitas vezes tentei dizer-lhe isso, 'Olhe lá, isso não é bem assim; aliás, não é nada assim'. Com aquela arrogância própria dos burros que misturam a indigência mental com a alarvidade, sorria, com arzinho superior 'Olhe que é, olhe que é. Mas, pronto, a sua reacção é natural. Mas temos que ter a mente aberta, não sermos reactivos face à mudança'. Muito tive eu que me conter para não o mandar para algum sítio feio. Mas as pessoas que têm um sentido de ética têm dificuldade em lidar com biltres.

A família Trump
(O filho mais novo, de facto, muito alheado de tudo)

Se o Trump, é estúpido, burro e alarve e desconhece a realidade ou se é um perigoso trafulha e um narcisista tresloucado, isso ainda não sei.


Mas sei que uma besta daquelas à frente dos Estados Unidos é um murro no estômago de quem respeita e deseja a liberdade e a democracia. E é um risco enorme. Para os Estados Unidos e para o mundo.


Um mundo na mão de velhacos é um lugar muito perigoso.

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Uma palavra para a coragem e dignidade do casal Obama. Eu não conseguiria aguentar tanto ultraje. Certo que se apoiam um no outro e daí lhes vem parte da força. Mas ainda assim, é preciso um grande poder de encaize para ouvir tanta ofensa e conseguir engolir em seco e continuar sorrindo.

Michelle e Obama, ternura até ao último momento desta ingrata caminhada:
Obama apoiando Michelle ou tentando encontrar na mão dela o chão que devia sentir estar a faltar-lhe


That hand squeeze was not an empty gesture. It was not a political move. It was not for the crowds, or for the press, or for the TV stations. It was Barack saying, "We did this together. Now let's go home."


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Entretanto:

FACT-CHECKING DONALD TRUMP’S DYSTOPIAN INAUGURATION SPEECH
True to form, Trump’s first address as president was rife with misinformation.



If the Republican Party’s reflexive distain for eggheads and elites found its purest expression in the nomination of a former reality-TV star for president, Donald Trump’s inauguration address Friday was its crowning achievement. A dark, raw, populist dirge, Trump’s speech was the ultimate middle finger to Washington’s elite, a full-frontal attack on Republicans and Democrats alike for transforming America into a broken-down, post-industrial wasteland where “rusted-out factories” are “scattered like tombstones,” and where “the crime and the gangs and the drugs” bleed the nation’s children of their “unrealized potential.”

Needless to say, Trump’s rage-filled, “America First” battle cry was also filled with half-truths and misinformation, to say nothing of tired clichés. Here, we’ve chronicled the worst of Trump’s hyperbole and mistruths from an otherwise platitudinous campaign-style speech. (...)


Uma treta, isto.

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A Estátua de Sal tem alguma razão: o mundo real não é cor-de-rosa, e os States estão longe de ser um espaço de progresso e desenvolvimento para todos. 

Mas. 

Mas também não são o far west que o Trump descreveu, a terra de ninguém que, estando ao deus-dará é alvo de todas as investidas por parte de quem queira atacar ou explorar os americanos. Essa não. Calma aí.


quarta-feira, outubro 19, 2016

O que escrever num CV e como portar-se numa entrevista para um emprego.
Stephen Colbert e Barack Obama - coaching do melhor


Depois de, no post abaixo, ter desvendado o que afinal anda a prejudicar a campanha eleitoral do anormal do Trump (qual teoria da conspiração, qual carapuça!: é o pénis!), eis que Stephen Colbert se junta, de novo, a nós -- agora para ajudar Obama a arranjar emprego quando sair da Casa Branca. Ou seja, uma sessão de outplacement (e quem nunca ficou na situação de saber que vai ficar desempregado e, com o apoio da empresa que o dispensou, a ser apoiado por uma empresa especializada em outplacement, bem pode sentir-se agradecido; bem... pensando melhor, pior deve ser sair com um pontapé no rabo e nenhum apoio).

Stephen Helps President Obama Polish His Résumé


President Barack Obama sits down with Stephen Colbert for a frank discussion of his career prospects after he leaves office.

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Tomara que Obama (e Michelle!!!) não saiam do nosso radar. Os EUA sem eles perderia graça.

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sábado, outubro 15, 2016

Carisma
Uma grande, grande, grande lição de
Michelle Obama
-- na campanha de Hillary Clinton em Manchester, New Hampshire
[E ainda um empolgante vídeo de Barack Obama]


Nesta campanha eleitoral dos Estados Unidos, um palhaço disfarçado de Pato Donald resolveu mostrar ao mundo que morcões e canastrões há por todo o lado, até nas torres forradas a ouro ou entre os que se consideram grandes empresários e que, na verdade, não passam de paspalhões, chico-espertos, caloteiros e ordinarões.


A tentar evitar a hecatombe, Hillary. Infinitamente melhor preparada e dando garantias de uma governação normal, Hillary não reúne, contudo aquelas características típicas de um líder carismático. Falta-lhe aquela simpatia genuína. aquela graça espontânea, aquele calor humano que envolve os interlocutores. 

Hillary esforça-se, tenta aproximar-se do coração dos eleitores, pisca o olho aos jovens e estou certa de que vai ganhar -- mas há traços de personalidade que ou se têm ou azarinho, nada a fazer.

Veja-se Michelle Obama. Ela, sim, é uma verdadeira líder, uma mulher carismática.

Se fosse Michelle a ir a votos, ganhava de olhos fechados e com uma perna às contas. Mas não é. Talvez um dia.

Agora faz campanha por Hillary e, meus Caros, têm que ver. A forma directa como fala, a sua objectividade, a eficácia das suas palavras, a empatia -- tudo é superlativo.

Hillary vai ganhar mas parte dos votos vai ficar a devê-los a Michelle.


Vejam-na, por favor.


First Lady Michelle Obama live in Manchester, New Hampshire | Hillary Clinton




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E um vídeo que é um exemplo do que é uma mensagem eleitoral convincente 
(Barack Obama ao ataque: assertividade, emoção, ritmo -- está cá tudo)

Progress is on the ballot | Hillary Clinton



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E o resto do mundo?
Estamos todos a tentar evitar que o Trump, o perigoso palhaço, seja totalmente desacreditado em todo o lado?


Devíamos.

De todas as maneiras.


will.i.am ft Apl.de.ap and Liane V - GRAB'm by the PU$$Y





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quarta-feira, julho 27, 2016

Michelle Obama: uma grande, grande mulher
[E uma FLOTUS que deixa o maridão, o POTUS, completamente derretido]



Há pessoas que parece que têm uma graça natural, que iluminam os espaços por onde passam, que revelam possuir bondade, elegância, convicção tudo em doses generosas e tudo em harmoniosa conjugação, que transportam uma capacidade de mobilização incomum, que evienciam dons de empatia inegáveis. Dessas pessoas se diz que possuem carisma

Michelle Obama é uma pessoa com elevada dose de carisma. 

Genuína, inteligente, com notórias capacidades de liderança, dela dizem que é também bem humorada, discreta, simpática. Mas é mais do que isso. Nos últimos 8 anos, Michelle soube mostrar o que é a suprema dignidade de uma mulher negra ocupar a Casa Branca (uma casa construída por escravos) e mostrar que isso não é bandeira mas sim motivo de orgulho, demonstrando que não é a cor da pele que importa mas o carácter, a vontade de servir os outros, o respeito pela democracia, pela liberdade e pela igualdade de opções.

Nesta época de pré eleições nos EUA, com um maluco banhado a ouro e em cujas veias circula a estupidez e a pesporrência, que a cada dia que passa se sai com mais preocupantes evidências do significativo acréscimo de perigos que o mundo vai correr se vier a ganhar as eleições, eis que Michelle sobe ao palco da Convenção Democrática e fala. E que discurso! Inspirador, emotivo, muito bem articulado. Apelando ao voto em Hillary, Michelle pode muito bem ter trazido aquele impulso de energia de que a candidatura de Hillary tão precisada está.


Esta imagem não deve, de forma alguma, ser visto coma um apelo à violência física
mas, sim,
como uma grande vontade de que o anormal do Trump seja posto fora de combate,
de preferência através de discursos como o de Michelle,
por ficar claro o drama que será para o mundo ter um palhaço
destes à frente dos EUA


Do princípio ao fim do discurso, transbordante de energia e convicção, Michelle emocionou os participantes, empolgou as hostes democráticas. E... uma vez mais, derreteu o coração de Barack.

Transcrevo:

Michelle Obama speech: Barack Obama's praise for First Lady is most shared message on on Twitter


President Obama 
@POTUS

Incredible speech by an incredible woman. Couldn't be more proud & our country has been blessed to have her as FLOTUS. I love you, Michelle.  
3:25 AM - 26 Jul 2016
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Mas nada como ver e ouvir 
(e o ver aqui é relevante pois há uma coerência absoluta entre as palavras e a expressão facial e corporal)

Discurso de Michelle Obama na Convenção Democrática


 

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E queiram, por favor, descer caso queiram partilhar as minhas reservas em relação ao comentadeiro João Taborda da Gama.

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sábado, junho 11, 2016

A diferença que faz a inteligência e o sentido de humor.
É entrar, Senhores e Senhoras:
Barack Obama e Jimmy Fallon estão aqui para darem show!


Lembremo-nos daquele de quem todos já nos esquecemos: Cavaco.

Saíu como entrou, desnecessário. Dele não sobrou uma boa lembrança, um bom momento. Como se durante dez cinzentos anos o Palácio de Belém tivesse estado habitado por uma múmia e por uma dona Cavaca, no dia seguinte a terem saído já ninguém se lembrava de tão inútil casal.

Entrou então o hiperactivo Marcelo. Até ver, tiro-lhe o chapéu. Frenético e inovador, parece estar a ser a alavanca de optimismo e civilização de que o País estava ávido.

O discurso deste 10 de Junho foi inteligente, elegante e justo para com os portugueses. Com as suas palavras, Marcelo devolveu Portugal aos portugueses, ao povo português.


Se conseguir manter manter este estonteante ritmo e, sobretudo, a lucidez, dele se guardarão bons momentos.

Mas dificilmente igualará o charmoso, inteligente e bem disposto Obama.

O que se vê no vídeo abaixo é notável. É certo que fala em temas não consensuais como, por exemplo, o tema TIPP (em que fica claro como água que tudo aquilo serve para abrir os caminhos e olear os mecanismos para venda, sem restrições, de produtos americanos na Europa). Mas fiquemo-nos pelo restante, e pelo estilo, descontracção, pelo extraordinário sentido de humor e pela disponibilidade para alinhar em tudo o que é irreverência.

Se Marcelo se quer inspirar numa personalidade civil (já que, notoriamente, se tem inspirado numa religiosa: o Papa Francisco), que ponha os olhos em Obama. Claro que não tem aquele swing, aquele sorriso que destila charme, mas, enfim, se se ficar pelo inteligente sentido de humor, pela criatividade e determinação, e pela vontade de não se quedar por actuações tradicionalistas e protocolares já será bom.

A vossa atenção, por favor, porque vale mesmo a pena. Desemprego, sistema de saúde, reatamento das relações com Cuba, próximas eleições, etc, tudo é passado em revista - mas, ó céus, com que graça... Isto é política nos tempos modernos e no seu melhor estilo.


"Slow Jam the News" - Jimmy Fallon com o Presidente Obama


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E um pequeno bónus: um cheirinho da Lemonade da Beyoncé que não escapou ao balanço de fim da era Obama 


(e nada de segundas leituras daquilo que escrevi porque não me refiro à Beyoncé mas à Lemonade -- além disso, é preciso não esquecer que a Michelle com ciúmes não é pêra doce).



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E, claro está, viva Portugal que ainda é 10 de junho.

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quinta-feira, julho 02, 2015

Porque é que Obama, os chineses ou qualquer um que mande, quando quer falar com alguém da Europa, em vez de ligar ao Juncker liga à Merkel? Vendo o vídeo é fácil perceber porquê.


Já tem mais de um mês mas as coisas vão passando e a gente acaba por se esquecer.




Mas Leitor atento lembrou-me, e eu, revendo a cena macaca que abaixo mostrarei, percebi bem porque é que alguém com um mínimo de sobriedade e a querer falar de coisas sérias, não se arrisca a dar com um Juncker no lindo estado que veremos e vai direito a quem, no meio da bagunça geral, ao menos ainda manda alguma coisa (se bem, se mal, não é disso que falo, falo apenas em mandar): a bardajona-mor (que, de resto, também parece que anda a reboque do insuportável Schäuble), Madame Merkel.




Ou seja, vendo bem as coisas, apenas por decoro, o Obama não liga directamente ao outro, ao padrinho do ex-Gaspar, àquele perante as flexíveis colunas vertebrais dos burrocratas europeus se vergam, o dito Wolfgang).

E do destravado do Juncker ninguém se lembra quando o assunto é sério, claro.




E é assim que os destinos dos países europeus estão a ser conduzidos, entre humores etílicos, chalaças, contas de algibeira, birras, chantagens, influências subterrâneas.




O vídeo abaixo constará um dia como o exemplo acabado do que eram os governantes nestes tempos de desgoverno, de descontrolo e despudor em que campeia a caça aos gregos, a desinformação, o estrangulamento de um país (-- e, do lado dos gregos, um certo desnorte, talvez uma certa imaturidade ou amadorismo perante uma situação tão dramática).

Mas, seja como for, a situação europeia é um tal marasmo, uma tal ausência de visão, uma tal submissão aos grandes interesses financeiros, que é mesmo necessário um qualquer abanão para ver se alguma fractura se dá, uma fractura que leve ao emergir de uma nova forma de governar a bem dos povos e não dos mercados -- e tentemos ser tolerantes na tentativa de compreensão pelo que se está a passar na Grécia, já que seria esperar de mais que um abanão saísse certinho como um bem ensaiado pas de deux. Não é uma coreografia que se perceba bem, volta e meia mais parece uma trapalhice? Pois.

Mas vamos ver no que dá, vamos pensar no País, vamos apoiar o povo grego (e não confundir esse apoio com o apoio incondicional a todos os tropeções dos seus governantes, que isso, de facto, face à situação, não será tão fácil assim).



Jean Paul Juncker dá espectáculo em Riga




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A Merkel e o Obama tal como os vemos nas imagens que usei para juntar ao texto são obra da artista israelita Amit Shimoni que gosta de transformar os homens e as mulheres políticas em hipsters. Muito justamente deu à série o nome de Hipstory.


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E por aqui me fico porque, a sério, voltei a chegar a casa muito tarde e estou cheia de sono.  A ver se um dia destes tiro a barriga de misérias e ponho o sono em dia, chego cedinho a casa e me sento aqui descansada da vida.

Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma quinta-feira muito feliz. 
Saúde, sorte e amor para todos.

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terça-feira, junho 30, 2015

A Grécia e os Prémio Nobel que a apoiam. E o Obama a perceber que o caso está mal parado e, à falta de melhor interlocutor, a ligar à Merkel, pelos vistos a única que manda alguma coisa numa Europa atarantada e à mercê dos abutres e nas mãos de contabilistas de cabeça à nora. E os europeus desinformados, egoístas, aníbais desatinados, láparos alienados, papagaios estarolas - a assistirem bovinamente a este espectáculo. Uma tristeza.


Será mesmo isto que se quer?



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A. Pode parecer estranho -- especialmente ao próprio, mas eu, que tanto me arreliei com o Luís M. Jorge, autor do blog Vida Breve, quando ele se atirava como um possesso ao Sócrates, apoiando o Passos Coelho e chegando, até, a propor umas linhas mestras para que o PSD as usasse na campanha eleitoral para derrotar o PS -- venha agora aconselhar a leitura de alguns dos seus posts mais recentes. 


Há cerca de quatro anos, achei uma coisa espúria o apoio que ele manifestava em relação a Passos Coelho. Sócrates podia não ser um santo mas, caraças, Passos Coelho era muito pior. Não era, contudo, essa a sua ideia (chegando, uma vez, a dizer-me que pior que o Sócrates só a peste bubónica). A história dirá quem, de facto, mais danos irrecuperáveis causou ao País.

Seja como for, apesar de manter a sua convicção em relação a Sócrates, inteligente e senhor de uma escrita sempre escorreita, Luís M. Jorge produziu uns posts acerca da Grécia que remetem para documentação interessante sobre a actual miséria que assola a Europa (e, em particular, o nosso Portugal que qualquer dia é mesmo de plástico, chinês, uma bagatela).

E, portanto, assim sendo, e porque reconheço o valor a quem o tem mesmo que possa não subscrever todas as opiniões, recomendo a leitura de:

Artemis




2. Textos inúteis num país de gente bruta (que engloba links relevantes para a compreensão do que se está a passar).


Greece Over the Brink, Krugman 

Europe’s Attack on Greek Democracy, Stiglitz. 

Na Forbes, esse bastião do esquerdismo radical, The Day The Euro Died 

« La scandaleuse politique grecque de l’Europe », Habermas






B. E da Estrela Serrana, no seu Vai e Vem, recomendo também:  Os gregos e os algozes


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C. E, já agora, no Expresso, Traduzido e comentado: O que Varoufakis disse na reunião que “não orgulha a Europa”


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Mas, apesar de tudo, há a Grécia. Salve Grécia!







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Que a Europa acorde a tempo de reconhecer aos gregos o direito à dignidade e às pessoas inteligentes o direito a pensarem.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma excelente terça-feira.
E que tenham boas surpresas, e encontrem raras afinidades electivas, e que tenham saúde e sorte e tudo de bom, incluindo sorte no euromilhões.

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quarta-feira, março 18, 2015

O Presidente Barack Obama numa entrevista à VICE News


Desta vez o Leitor que me enviou o vídeo abaixo com a indicação 'muito interessante' é um Leitor muito especial e só não digo que é o meu menino mais lindo para ele não ficar furioso comigo. E, em vez de dizer que muito agradeço como é meu costume, vou dizer o que lhe costumo dizer: Thanks baby.

(E agora vou preparar-me para as consequências já que ele, desde que nasceu, odeia este tipo de intimidades em público)

Mas o vídeo é, de facto, muito interessante e mostra o que é um político afável, tranquilo, que fala serenamente e com assertividade sobre todos os assuntos que lhe são colocados, desde a política externa à legalização na marijuana.

O vídeo foi publicado há dois dias.


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terça-feira, fevereiro 04, 2014

Mulheres ciumentas são fogo . [O Barack Obama que o diga que já nem deve saber para que lado se há-de virar com os ciúmes da Michelle]


Depois de, no post abaixo, vos ter deixado com oportunos sinónimos enviados pela Lovely Lídia, agora aqui deixo-os com uma anedota que ela me enviou. A seguir, teço uma série de considerações e falo da mais recente fofoca. Sou opiniosa e cusca, que hei-de eu fazer?

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MENSAGENS TROCADAS ENTRE MARIDO E MULHER


Marido:
- Fui atropelado na saída do escritório. A Paula trouxe-me ao Hospital. Estive a fazer exames até agora. A pancada na cabeça parece que não causou lesão séria. Mas tive uma fractura feia na perna direita e talvez tenha que amputar o pé.

Esposa:
- Quem é a Paula?

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E, sabido que é que sou dada a relambórios e post quilométricos, para este postezito não ficar muito pequenino, junto três imagens que falam por si. 





Há mulheres doentiamente ciumentas, que em tudo vêem indícios de traição. Não é bom isso, especialmente para as próprias.

(Até porque isso vai fazer com que o companheiro passe a ser mais cauteloso e, portanto, se torne mais difícil de apanhar)






Isto aqui ao lado, de uma mulher ciumenta fazer uma investigação melhor que o FBI, é um facto. 


Tenho na família mulheres que, a partir de simples e aparentemente inócuos indícios, conseguiram descobrir traições e, inclusivamente, apanhar o marido praticamente com a boca na botija. Uma mulher ciumenta parece que fica possuída, mas possuída a sério, coisa mesmo de ficar com poderes incomuns. Um homem que ande a pular a cerca e perceba que a mulher está desconfiada, mais vale pôr as barbas de molho: mais tarde ou mais cedo vai ser apanhado. E, enquanto isso não acontecer, a mulher vai vasculhar toda a vida e todos os hábitos da sua rival e só não lhe fará a vida negra se tiver uma grande força de vontade. 

Uma mulher ciumenta é um perigo.



Uma mulher ciumenta torna-se má, incompreensiva, a sua tolerância baixa para grau zero. Nada a fazer. Uma mulher ciumenta é uma espinha na garganta do marido, uma bolha no pé. Faça o homem o que fizer, vai ter a mulher à perna. Pode o homem julgar que lhe está a dar a volta, que se anda a portar bem e que a mulher se tranquilizou. Engano. Uma mulher ciumenta não dorme, não dá tréguas, uma mulher ciumenta não vai descansar enquanto não tirar tudo a limpo, enquanto não juntar provas, enquanto não se vingar. 

Pode dizer-se que uma mulher ciumenta o é porque é insegura. Não sei. Isso já é psicologia a mais para mim. Eu só sei o que vejo e o que vejo é que qualquer homem, se for inteligente, nunca dará motivos à mulher para que ela sinta ciúmes.




*

A mais recente ciumenta enfurecida parece ser Michelle Obama que, perante o encantamento todo sedutor do sexy Barack com a ministra dinamarquesa no funeral de Mandela, quando tiraram a famosa selfie (com o Cameron a colar-se), não apenas se passou dos carretos como se pôs de novo em guarda. Parece que, já há uns anos atrás, ela o tinha avisado mas, qual quê, o poder dá muita pica e a adrenalina puxa para o pecado. O certo é que ela ficou brava.


E mulher em guarda que se preze, se vai à procura, encontra. E encontrou. Aparentemente os Serviços Secretos andam a encobrir um (ou mais?) affair do Presidente. Não sei se a coisa se passa na Sala Oval, se mete charutos ou vestidos azuis. A Casa Branca, tal como o Eliseu, são férteis em puladas de cerca e tudo é de esperar dos Presidentes que por lá passam.

Mas a Michelle tem ar de ser temível e ginástica não lhe falta para lidar com a situação. Consta que já dormem em quartos separados e que a coisa está por um fio. Pode ser que o casamento se aguente até ao fim do mandato mas o sexy Barack que se cuide. Não sei não. Eu, no lugar dele, tinha medo. É que ela, quando abre a boca e franze o sobrolho, fica com um ar ameaçador.

*

Relembro:  significados é com a Lovely Lídia. Já aqui abaixo.


quinta-feira, novembro 08, 2012

Barack Obama, um presidente na Casa Branca com uma 'boa pegada' (= que sabe agarrar bem numa mulher), cheio de swing e com uma excelente capacidade de comunicação... Good luck Mr. President! (e só espero é que desta vez não se rodeie dos mesmos conselheiros financeiros que causaram a crise financeira internacional - tal como o fez no primeiro mandato).


Tem muita pinta, tem um bom balanceio, é sexy, é um inegável sedutor*, tem ar de ser meiguinho, dança bem, tem um andar entre o desengonçado e o malandreco, tem um sorriso cativante e uma gargalhada franca. Tem uma invejável capacidade de improviso, tem uma voz quente e poderosa. Tem um projecto democrático, humanista. [Não sei se diga que a ordem pela qual enunciei os atributos de Obama é arbitrária, se diga que está pela ordem inversa ou se deixe no ar para que, quem quiser, tire as suas conclusões. Mas, uma coisa vos digo: não é à toa que se diz que foram as mulheres que o elegeram.]

No primeiro mandato titubeou e condescendeu em alguns aspectos em que o não deveria ter feito, teve medo de arriscar ou teve medo de enfrentar a fúria dos 'mercados'. Seja como for, tenho esperança que neste seu segundo mandato se sinta mais livre para mostrar ao mundo como é o seu verdadeiro projecto.

E, para o caso, isto é, para as eleições, o que interessa é que entre ele e Mitt Romney, conservador e antiquado, inculto, de um moralismo obsoleto, assustadoramente tacanho e retrógrado, não podia haver dúvida. Os EUA e o mundo em geral precisam de governantes modernos, que pensem o futuro com a mente aberta e com o genuíno intuito de progresso.




* Bem, talvez ainda não tão sedutor quanto o charmoso, ultra-sedutor e ultra-convincente Bill Clinton mas, enfim, também ainda é mais novo (agora uma coisa é verdade: a Casa Branca tem tido uns presidentes democratas que faz favor, olá se tem).

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Provas documentais de alguns dos atributos acima referidos


A dança abaixo não é de agora mas vale na mesma. 

And be happy Mr. President!



A primeira dança com a Primeira Dama



Dançando no programa de Ellen Degeneres



O último discurso de Obama na campanha eleitoral


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Em dia de festejos por Obama (porque, como europeia, tenho mesmo que festejar), quero, no entanto, convidar-vos. Não sou especialmente original nos meus convites mas, por favor, não se prendam com isso pois gostava mesmo que viessem daí, até ao meu outro blogue, o Ginjal e Lisboa. Hoje as minhas palavras perdem-se entre o mar e o céu em volta dos espaços verdes e silenciosos de Herberto Helder. A música é uma maravilha, e é, claro, ainda de Jean-Baptiste Lully.

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E tenham, meus Caros Leitores, uma bela quinta feira. 
Se me permitem o conselho, gozem muito bem a vida que ela é efémera, preciosa.


quarta-feira, novembro 07, 2012

Cavaco provou que está vivo, disse umas coisas aos jornalistas, nomeadamente que teve um encontro frutuoso com o Seguro; Gaspar diz que não garante nada, nem dívida nem coisa nenhuma; e um admirador de Relvas ia encontrar-se com ele num quarto de hotel nos Açores (mas não o deixaram). Ainda não sei se o Obama ganhou e os socialistas europeus ameaçam Durão Barroso com uma moção de censura, estão fartos dele ser o passivo neste affair da crise. Face a tudo isto, não digo grande coisa e prefiro mostrar-vos os meus últimos livros (Al Berto, António Osório, Ian McEwan, Milan Kundera, Poetas para Vasco Graça Moura, Gina Picart, Clara Sánchez, David Dinis e Hugo Filipe Coelho)






Num dia em que já se levantavam vozes pedindo uma prova de vida de Cavaco Silva ou, então, que fosse declarado incapacitado, eis que, inesperadamente, o senhor saíu do recato a que se tinha votado e disse umas coisas aos jornalistas. Ia inaugurar um hotel, fizeram a gentileza de o convidar e ele fez a gentileza de se mostrar vivo. Pareceu-me um bocado parado, por momentos pensei que a minha televisão estivesse com um desfasamento entre a imagem e o som, o senhor abria a boca e não saía nenhum som. Mas depois, quando arrancava, a imagem estava sincronizada com a fala; talvez fosse apenas que estava destreinado de falar.

Tirando isso, nada de especial aconteceu. 

Seguro foi a Belém e Cavaco diz que o encontro foi muito frutuoso (ou seria frutado...? - desculpem, esta foi influência de ter visto uma reportagem sobre um perfumista, um nez português). 

O Tozé, por seu lado, diz que está pronto para governar. Ora bem, temos homem. 

Vítor Gaspar, por seu lado, para não o acusarem de não acertar uma, agora, logo à partida, diz ele próprio que não acredita em nada. Diz que não garante que nada disto corra bem, que o regresso aos famosos mercados vai ser quando tiver que ser, que não precisa da Constituição para escaqueirar o Estado Social e que controlar a dívida não é para já, nem sabe para quando será, talvez dentro de algumas décadas. Porreiro, pá, diria o outro.

O melhor do dia foi para o homem que parece que foi de propósito aos Açores para se meter com o Relvas. Parece que foi de véspera, instalou-se no mesmo hotel, num quarto mesmo ao pé do de Relvas e, imagine-se, terá tentado entrar no quartinho do senhor doutor ministro. Para lhe fazer uma visitinha? Apenas para lhe deixar uma lembrancinha? Gastou o dinheiro do avião e do hotel só para ir visitar o Relvas ao quarto?! Querem lá ver que o Relvas arranjou um amigo especial? Um amigo colorido, será?! As fotografias mostram um homem com as calças um bocado descaídas e, como o estavam a agarrar e, na fotografia está de costas, vê-se o início do rabiosque. Foi preso, tenho pena. Dizem que insultou o senhor doutor, coisa mais chata. E é tudo o que tenho a dizer sobre o caso.

Lá por fora, o que retive é que os socialistas europeus se preparam para apresentar uma moção de censura a Durão Barroso. Não percebem o que tem o homem lá andado a fazer. A UE a desfazer-se, a Alemanha a pôr e dispor, e ele ali, cherne de águas profundas, na moita, caladão. Não percebem qual é a dele. Ninguém percebe.

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E, como não sei ainda quem é que vai ganhar as eleições nos EUA (seria possível que pudesse  ganhar um sujeito como o Romney?!), vou antes mostrar-vos os meus últimos livros.

Estive aqui a fazer uma instalação para os fotografar. Sabem que sou dada a coisas artísticas e, por isso, instalei-os em cima de peças de roupa que hoje vesti. Juntei ao conjunto, para a fotografia, uma pequena estola de pseudo pele tigreza para dar um certo toque selvagem. Tenho destas coisas.



Os tons de Outono e os meus últimos livros 


Passo então a reportar, dando uma de professor Marcelo - a ordem é a dos ponteiros do relógio e a escolha de um pequeno excerto de cada um dos livros é totalmente aleatória.


Óleo sobre tela de Gina Picart

Aqui passo os meus dias e as minhas noites. Não espero nada, não espero ninguém. Habito esta casa sem saber até quando; já não me pergunto, limito-me a permanecer. Pinto o céu, as rochas, o mar e as vastas extensões de areia até onde chega a minha vista. Pinto para mim.


Mel de Ian McEwan

Chamo-me Serena Frome (rima com plume) e há quase quarenta anos fui enviada numa missão secreta para os serviços de segurança britânicos. Não regressei incólume. Dezoito meses depois de ingressar fui despedida, tendo caído em desgraça e destruído o meu amante, embora não reste dúvida de que ele teve um papel activo na sua ruína.


Os monstros também amam de Clara Sánchez

A minha filha achava que eu era um velho louco e sem remédio, obcecado por aquele passado que já não interessava a ninguém e do qual não era capaz de esquecer nem um dia, nem um pormenor, nem um rosto, nem um nome, mesmo que fosse um nome alemão comprido e difícil, e no entanto era frequente ter de fazer um grande esforço para me recordar do título de um filme.


Diários de Al Berto

Perturbam-me estes versos que avançam, as sombras das mãos, suaves como o perfume das ilhas. E não consigo dormir. Fumo cigarro atrás de cigarro, conto e reconto os nós da madeira das portas, e não consigo dormir. Nada me pertence aqui, no entanto tenho medo destes móveis, destes objectos, como se fossem meus e não soubesse que destino dar-lhes.


O concerto interior, evocações de um poeta de António Osório

Começo por lembrar Beppa, como lhe chamava meu Pai, e era invenção sua, corruptela amorosa de Giuseppina. Entre as minhas figuras femininas, ocupa o primeiro lugar. Sem nunca ter vindo a Portugal, antes de se casar em Florença na Basílica di S. Lorenzo, tirou um curso de puericultura num instituto dessa cidade - tenho ali o diploma. Por isso, depois de eu nascer em Setúbal, fui tratado como exigiam essas imperiosas normas (alimentação rica em cálcio, verdura e fruta, pouco sal e mínima gordura).


A arte do romance de Milan Kundera

CS: Mas os romances não são todos necessariamente psicológicos? Isto é, debruçados sobre o enigma da psique?

MK: Sejamos mais precisos: todos os romances de todos os tempos se debruçam sobre o enigma do eu.


Resgatados, os bastidores da ajuda financeira a Portugal de David Dinis e Hugo Filipe Coelho

6 de janeiro de 2011, quinta-feira

Impaciente, José Sócrates saíu do seu gabinete para a sala lateral. Aproximou-se do computador que estava em cima do móvel e carregou no teclado. O ecrã negro encheu-se de números e letras, dados financeiros quase encriptados. Em baixo, um cursor piscava, pedindo um comando que ele nunca tinha de memória. Entre as suas qualidades não se contava a de lidar com computadores. Chamou a secretária e pediu-lhe que o pusesse a funcionar.


A vista desarmada, o tempo largo - Antologia, Poetas em homenagem a Vasco Graça Moura

                      Que porque Vasco

                      Vai um abraço e a consoante muda
                       e espero que me acuse a recepção
                       com p e pau e uma vogal mamuda
                       e até um til com barbas e brasão.
                       E se alguém perguntar
                       tu lhe dirás
                       que porque como ele contra acordo
                       estás
                       até o ver no chão
                       que nem
                       um tordo.
                       E mais dirás canção
                       que porque Vasco e porque tem
                       a língua de Camões no coração

                                                                Manuel Alegre


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O primeiro clip é de bailado e mostra-nos O Lago dos Cisnes interpretado pelos divertidos Trocks, isto é, pelo grupo Les Ballets Trockadero de Monte Carlo.

O segundo é uma animação representando auma das músicas da banda sonora de O piano.

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Pronto, fico-me por aqui - passa da 1:30 da manhã e continuo sem perceber se as tendências apontam no sentido do Obama ou se há verdadeiro risco de ganhar o outro. Ficava giro o mundo, com uma esperteza como o Mitt à frente dos EUA, ficava, ficava...

Mas, antes de me ir deitar, vou ainda convidar-vos a virem comigo até ali ao meu Ginjal e Lisboa. Hoje as minhas palavras brincam com palavras, em volta de um poema de Maria Teresa Horta dedicado a Vasco Graça Moura. A música é uma maravilha, Isis de Jean-Baptiste de Lully.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, um dia muito feliz (apesar do vendaval que se anuncia e que já se passeia aqui na minha janela). 

domingo, abril 29, 2012

De cinzenta a luminosa: uma manhã de sábado no Ginjal. E Maria João Pires. E Rachel Leahcar e La vie en Rose e, ainda, o charmoso e convincente Obama no Late Night with Jimmy Fallon. A vida continua.


Música, por favor


Chopin - Maria João Pires com Pavel Gomsiakov, Estudo Nº 19



Agora que escrevo, a chuva cai com força, ouço-a na janela ao meu lado. Hoje o dia esteve assim. Começou logo cinzento. De manhã a paisagem pintava-se em tons de cinzento e o céu pesava.



Mas, durante um bocado, aos poucos, o céu foi abrindo, o sol foi aparecendo e, por instantes, o verde ficou luminoso, o azul ficou inocente.

Entrei no jardim da beira do rio. Os pés quase se afundavam na relva molhada. Reentrei, pois, no meu mundo mágico, perto dos meus amigos filósofos.

Em primeiro lugar, o meu amigo pássaro preto de bico amarelo. Olhou-me e não posso dizer que tenha sorrido mas eu acho que teve vontade disso. Como de costume, deixou-me entrar no seu espaço. Depois virou-se e foi andando. De vez em quando certificava-se de que eu ia atrás dele. E eu ia.

Depois deixou-se ficar em meditação, olhando o rio. Dizia-me, certamente, que eu devia fazer o mesmo.




Claro que obedeci. A vida de pouco valerá se não soubermos louvar o que nos rodeia: o verde, o azul, o rio que corre, as grandes pedras que ficam, a vegetação que muda, o tempo que passa.




Por entre flores cor de rosa avistei um veleiro de vela negra, belíssimo. Queria ir naquele veleiro de asas negras. Junto dele, as velas brancas de outros pequenos barcos à vela pareciam plumas inocentes, pequenos fios de branco. O rio, nessa altura deslizava entre tons de azul e a Torre de Belém parecia um edifício de brincar, tão bonito, tão bem feitinho, tão pequeno parecia. 

... Sonho que vejo isto ou coisas assim, tão belas, existem de verdade? Por vezes, não sei. Mas talvez existam mesmo, acho que estou acordada quando vejo estas aparições.

Mais à frente, encontro outro dos meus amigos filósofos. Hoje meditava sobre o rio. Começava, entretanto, a levantar-se o vento e uma das suas orelhas quase se transformava em asa.



Olhei-o e ele olhou-me e esse olhar foi o nosso cumprimento. Conhecemo-nos de longa data. Tenho até estima por ele. Gosto muito de cães, não sei se já vos disse. 

Depois voltou aos seus pensamentos. Contempla o rio enquanto pensa, é como eu.

Mas, instantes depois eis que levanta a cabeça, admirado. Sigo os seus movimentos, sigo o seu olhar. 



Um enorme veleiro sem velas, só mastros, aproximava-se vindo do oceano. O meu amigo estava extasiado e eu também. Por muito rio que tenhamos dentro do nosso olhar, ninguém está preparado para uma coisa assim. Que beleza, que elegância, que dignidade. Já vos falei antes da dignidade destes navios que atravessam o Tejo, não falei? São silenciosos, elegantes, lentos, dignos, estes barcos que pisam as águas largas do Tejo, passando majestosos, mas quase como se o fizessem em homenagem a Lisboa, a bela.

Ou é isto, meus Amigos, ou então sou eu que vejo a vida cor-de-rosa, que é como quem diz, la vie en rose. 

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(A propósito: fizeram o teste 'Você sente-se feliz' que vem na capa da Revista do Expresso? Eu fiz. Obtive o resultado de 5.5 o que, conforme lá se desvenda, significa que sou Muito feliz. (Felizmente não me deu 6 que isso significaria que seria Demasiado feliz o que, conforme lá se explica, ser demasiado feliz não é grande coisa...)

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Mas, então, voltando onde íamos: vamos mas é ver a vida em rosa.


Rachel Leahcar, uma menina cega com uma voz ímpar, aqui interpretando La vie en rose no programa 'The voice' na Austrália.

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E, por coisas extraordinárias, vejam, por favor, os meus Amigos, a grande diferença entre um Presidente cinzento, que não acrescenta valor, que oscila entre não dizer nada e tecer observações despropositadas (como é o caso de Cavaco Silva) e um que diz de forma clara aquilo que defende, que tem à vontade e auto-segurança para poder dar-se ao luxo de ser irreverente (como é o caso de Obama).


Slow Jam The News  with The Roots - Barak Obama no Late Night with Jimmy Fallon


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E tenham, meus Amigos, um belo domingo!

quarta-feira, novembro 23, 2011

Os eficientes homens dos mercados, das instituições financeiras - e nós, que assistimos indefesos ao nosso vertiginoso empobrecimento e à nossa humilhante capitulação. É isto uma fatalidade? Acho que não.


Os homens dos mercados, dos bancos, do sistema financeiro em geral, poucos, talvez umas centenas, resguardam-se em gabinetes, geralmente de paredes de madeira, estofos de pele, candeeiros de metal dourado, escrevem com canetas de estimação, presentes da mulher, de um cliente especial, da filha, quem sabe. São clássicos, apreciam a sobriedade, praticam golfe, assistem a concertos.

Contratam jovens falcões, bem vestidos, aprumados, ambiciosos, frios e ignorantes.




Os jovens falcões vestem fatos cinzento escuro, orgulham-se das suas gravatas Hermès, viram-nas displicentemente para que se veja a etiqueta, usam blackberry, e usam as mesmas expressões, dizem que 'no fim do dia' o que interessa é o bottom line e todos aquiescem, sorriem, alinhados. Têm namoradas bronzeadas, ginasticadas, decotadas, cabelos tratados, unhas perfeitas, carteiras de qualidade. À noite encontram-se com amigos, aspiram cocam, saem a horas decentes porque têm que se levantar cedo, fazem ginásio logo às sete ou oito. Durante o dia, por vezes, trocam mensagens quase pornográficas com colegas com quem trocam discretos piscar de olhos quando se cruzam nos corredores, talvez até com secretárias, com quem se sentem especialmente à vontade. Quando chegam aos quarentas ou cinquentas arranjam depressões, mudam de vida, dedicam-se ao turismo de habitação, à produção de vinho, plantam oliveiras, ervas aromáticas, viajam.

Os homens dos mercados, os patrões, os dirigentes, conhecem-se, circulam pelos mesmos locais, bancos centrais, organismos centrais, Goldman Sachs, BCE, FMI, esses que sempre aparecem - e eles e os seus funcionários estão formatados, amestrados, são eficientes, não discutem, obedecem. Dependem da sua servil obediência para se manterem, para progredirem. Entre eles troçam dos políticos novos, da sua ingenuidade, fazem apostas a ver quem é que cai mais depressa. Avaliam quais os mais estúpidos, mais influenciáveis, mais venais. Avaliam estratégias para afastarem os mais renitentes, os mais utópicos (ah como odeiam as utopias, os homens dos sistemas financeiros).




Os homens dos mercados, dos grandes bancos, das agências de notação, estudam as empresas mais vulneráveis, estudam a forma mais eficaz de as desvalorizarem, estudam a estratégia para as adquirem a custo zero ou abaixo disso, estudam quais os políticos mais fáceis, impõem prévias alterações à lei laboral, impõem a forma de desmantelar os serviços públicos, estudam dossiers de privatização, escolhem compradores, ganham comissões, comissões legítimas, porque é tudo legítimo.

Os homens que falam baixo, que são educados (embora, se for em Portugal, os possamos ouvir a dizer quaisqueres), troçam do Berlusconi que era doido, do Sócrates que foi corrido por outros que são bem piores, do Papandreous, coitado que não se aguentou, queria fazer um referendo, imagine-se, troçam do Zapatero, troçam do Sarkozy, coitado, que já não vai estar lá muito mais tempo, dizem que vai tomar conta da Bruni e logo alguém corrigem, 'da Giulia' e riem todos, troçam do Passos Coelho, coitado, tão fraco, fácil até demais, dizem 'aquele apanha-se à mão' e riem todos.




Os homens que se encontram em reuniões em Lausanne, Genève, The Hague, que se encontram, apressados, displicentes, ginasticados, que gostam de comparar os iPads, ou as novas appps para os blackberries, que riem de anedotas vulgares e parvas, falam do descanso que é ter a Lagarde já do lado deles e de ter o Obama rodeado de 'tipos de confiança', distribuem empresas, a electricidade daqui, as águas dali, os caminhos de ferro de acolá. E mandam vir uma sandes que não querem perder tempo com o almoço, que querem estar cedo em casa que parece que vai passar uma série que tem piada e todos querem saber qual é que isso das empresas não tem grande importância e falam da miúda investigadora que é rija e boa. E riem-se.

Portugal não tem grande interesse, é pequeno, miudezas, trocos, as empresas públicas já estão todas repartidas, as principais privadas já não valem nada, também já estão com o destino traçado, os ordenados, alguns, já foram cortados, outros sê-lo-ão um dia destes, a malta já está a piar baixinho, o desemprego a aumentar, vai ser fácil lidar com os portugas, são boa gente, nada como os malucos dos gregos que são imprevisíveis, those bastards, as manifestações até dão jeito, poupa-se nos ordenados, e sempre se deixa sair a pressão, é uma válvula de escape, e é boa gente, pegar em tudo isto não tem espinhas.

Os homens dos mercados, dos grandes bancos, do sistema financeiro mundial, gostam de um bom vinho, sabem que o cálice se pega pelo pé, rodam o vinho e observam a cor, a gordura que deixa no vidro, aspiram para perceber qual o bouquet, discutem o terroir, comentam a qualidade da colheita deste ano, e gostam também de um bom charuto, alguns gostam de boas motos, uma excentricidade, e riem quase tímidos, uma vaidade discreta, ou gostam de carros antigos, vários lá na garagem, ou porcelanas, ou obras de arte, e falam uns com os outros, têm reuniões, almoçam nos restaurantes das suas sedes porque não gostam de ser vistos em público, assim é melhor, empregadas silenciosas servem-lhes um caldo, uma salada, uma comida quentinha e caseira, e falam nas empresas em Espanha, em Itália, em França, combinam fusões, montam operações, distribuem o que serão, em breve, despojos.




Confirmam que nos lugares chave estão os homens certos e são metódicos - nos governos, os ministros chave são de confiança, nos bancos, os gestores chave são de confiança, tudo está organizado, não há lugar para amadorismos.

E, nos países, as pessoas, quais animais impotentes que se deixam comer vivos, nada conseguem fazer. São milhões e milhões de pessoas e nada conseguem fazer perante as centenas de poderosos e eficientes homens dos mercados, homens das finanças.


Até que um dia (não sei quando)...

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Notas


1. Se eu estiver enganada, uma vez que, entre os meus leitores, há pessoas ligadas aos sectores de actividade que aqui refiro, estou disponível para receber textos para publicação, que rebatam ou clarifiquem o que considerem ser uma deficiente interpretação dos factos.

2. Para aliviar o espírito, sugiro que desçam até ao post seguinte, onde o ambiente é de suave romantismo - um encantador de cavalos mostra como se dança com sentimento e a mulher encantada mostra como se pode sofrer de barriga cheia.


3. E, meus Caros, tenham um bom dia. Aqui chegados e perante a perspectiva da cena seguinte vão já sorrindo, quero ver-vos a sorrir.