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quarta-feira, julho 03, 2019

Será que ainda sou deste mundo?





Comecei o dia muito cedo e sabia que a coisa não ia ser fácil. Mas foi ainda pior. Na sequência de uma outra faena que tinha sido também bem complexa, ia preparada para esgrimir argumentos num sentido. Acho que sou dura na queda e, se acredito numa coisa, defendo-a com convicção. Mas não ia preparada para mais um flic-flac da outra parte. Suponham, os meus Caros, que, por exemplo, eu fazia uma cuidada e equilibrada dieta mediterrânica e tinha pela frente um pançudo que comia quilos de bifes a escorrer sangue, carregados de molhos picantes e acompanhados de quilos de batatas fritas. Ia preparada para o esclarecer sobre os malefícios do seu regime. Contudo, ao sentar-se à minha frente, para minha surpresa, ele apresentava-se como vegan. Eu a ver que não mas ele, convictamente, a esgrimir argumentos opostos aos expectáveis, a dar-me, a mim, lições de boa alimentação. Desconcertada, sairia dali furiosa. E, dias depois, indo eu preparada para rebater as vantagens do regime vegan, apanho-o pela frente e agora já não é vegan mas adepto de um regime à base de ovos crus e vinho do Porto. Ou seja, uma conversa de surdos, divergente, uma conversa impossível, assente em coisa nenhuma. Assim foi. Um cansaço e uma deprimente perda de tempo.

E quando, depois disto, me preparava para um almoço descansado, ainda que breve, eis que desaba um problema, coisa na base do susto completo: a possibilidade do céu nos cair em cima da cabeça vista de perto. Declaração de situação de emergência, um grupo sem saber bem o que estava a acontecer -- mas que não era bom não era. E sem que quem talvez pudesse ajudar atendesse o telefone. Uns com o telemóvel no silêncio, outros com o telemóvel no bolso e, no restaurante, sem ouvirem.

Depois, finalmente, uma explicação, um grupo de crise montado, a resolução a caminho.

Um almoço a correr, entre telefonemas, mails e mensagens.

E logo de seguida outra reunião e mais situações e diferenças de pontos de vista e mais coisas e mais coisas e mais coisas e mais reuniões nos próximos passos.

E, ao sair, mais uma chusma de mails e recados e problemas e sei lá que mais. E uma constipação a caminho.

Ao chegar a casa, meio exaurida da cabeça e a sentir-me engripada, diz o meu marido: eu se fosse a ti não ficava por dormir como dormes, sem nada por cima, janela aberta: ligava a ventoinha e apontava bem às costas.

É que não apenas sou eu que durmo do lado da janela (aberta) como durmo sem patavina em cima. Ele, ao meu lado, tapa-se com lençol e manta (fininha mas manta). Volta e meia ainda tenta pôr-me uma perna por cima mas tem a perna tão a ferver que o enxoto logo, não suporto dormir com um tição em cima. No inverno, como também durmo com pouca roupa, sabe-me bem encostar-me a ele mas no verão é impossível. 

E, na volta, ele tem mesmo razão, é mesmo capaz de ser o frescor da madrugada, que chega com gritos de gaivotas, que me causou um resfriado. Anda incerto este tempo. Todos os dias, ao ver o tempo que faz no dia seguinte, vacilo entre preparar vestes estivais ou prudenciais.

Mas isto tudo para dizer que há dias complicados, com pouca coisa boa.

Valeu uma coisa: enquanto conduzia, uma reportagem sobre  ECT, tratamentos com electrochoques. Juraria que foi na Antena 2 mas agora, antes de escrever, fui confirmar e não encontro. Para mim, um tema surpreendente. Falavam pessoas bipolares, outras com depressão, um com esquizofrenia. E falavam psiquiatras. E eu ia a ouvir com muito interesse, com vontade de conhecer melhor esta realidade, com muita pena das pessoas que sofrem assim, muitas vezes sentindo-se estigmatizadas, muitas vezes sem compreenderem porque se sentem tão arrasadas.

Pensei numa rapariga que trabalha numa das empresas e que desliza pelos corredores, com ar alheado, muitas vezes como se estivesse à beira das lágrimas. Quando a vejo passar assim, como se não estivesse ali, tenho vontade de a puxar para o meu gabinete e pedir-lhe que me conte o que se passa. Mas não sou psicoterapeuta, receio não saber lidar com o que imagino ser uma situação muito pesada, um outro mundo, um mundo onde não deve ser nada fácil estar, onde não se entra como se de visita -- teria que saber ajudar e temo não saber. 

E agora, enquanto escrevo, está a dar a Prova Oral com o grande Alvim e está lá o Manuel João Vieira e eu simpatizo tanto com ele. No outro dia, eu ia a descer as escadas que mergulham num parque subterrâneo e, à minha frente, ia um homem grande, de físico pesado, chapéu de aba larga. Ao fim do segundo lance, ele entrou para o parque e, nessa viragem, eu, que continuei a descer porque tinha o carro num piso mais abaixo, vi-lhe o rosto: era o Manuel João. E eu, em silêncio, soltei uma exclamação: 'Ah! O Manuel João!' e tive mesmo vontade de ir atrás dele e dizer-lhe: 'Simpatizo imenso consigo'. Mas nunca fiz isso com ninguém, não ia estrear-me logo com ele. Seria embaraçoso para ele e para mim. A fazer alguma coisa, teria que fazer uma coisa lógica, à altura dele, não um elogio dito de forma meio irracional.

No programa está também a Fanny que fala de coisas que não são já bem do meu mundo, diz que faz stories para manter o número de seguidores, e eles, ali no programa, mostram uns pequenos vídeos onde ela faz toda a espécie de parvoíces. Dá ideia que quanto mais parvoíces fazem para postar no Insta mais gente os segue. E nem sei bem que espectáculo é aquele em que ela vai entrar com o José Castelo Branco, fala creio que em roast. Quando lhe perguntaram um momento especial de manifestação de apreço, se foi quando saíu de algum reality show, a Fanny contou que uma mulher pôs uma mama de fora e pediu para ela a autografar. Uma coisa assim talvez fosse à altura do Manuel João. Eu, de salto alto, muito comportada, e fazer-lhe uma destas. Contudo, acredito que ele, na verdade um cavalheiro, ajeitasse o chapéu para disfarçar alguma estupefecção, e, a seguir, talvez mostrasse alguma caridade, talvez me aconchegasse o decote, me pegasse pelo braço e, cautelosamente, me levasse até ao Júlio.


E agora que aqui estou a descansar, percorri as news e dei com outra coisa desconhecida, uma coisa que penso que, se calhar, também já não é do meu mundo. E já nem falo da parvalhona da Ivanka, boneca insuflada, filhinha de papai, levada a passear ao G20, um absurdo que nem o mais maluco se lembraria de inventar. Falo de outra coisa. Falo destas pessoas que aqui abaixo se vêem.

Lil Miquela, Noonoouri, Shudu... Le phénomène des influenceurs virtuels

Aliás, terei que aprofundar porque nem estou certa de ter percebido bem de que se trata. Influencers virtuais. Vi as fotografias e fiquei na dúvida se é gente, se é coisa. Posam, mostram-se com roupas, parece que vão para o exterior, umas stars. Mas leio que é virtual, tudo virtual. Se calhar o exterior também é virtual. Mas têm montes de seguidores e parece que, agora, isso é que importa. E há vídeos com elas. E as casas de moda recorrem a elas. Elas e eles. E eu olho e não percebo o que é aquilo que vejo, nem percebo que descaminho é este em que os humanos parecem que gostam de seres inexistentes que emulam os humanos. Tudo demasiado estranho.


Sinto-me como que incomodada, aquela sensação estranha de não saber bem onde estou. Na volta é aquilo da zona de conforto, ou seja, é capaz de ser caso para dizer que esta gente virtual me tira da minha zona de conforto.

Por isso, fujo.

Leio, então, sobre árvores e livros, sobre lágrimas e terra, sobre coisas de estimação, frágeis, sobre pernas cruzadas que lembram o verão e figos e Godot e o mar, sobre sabores e cores e outros momentos e pensamentos de gente de verdade -- e isso traz-me o meu mundo, um mundo afável, diverso, humano, um mundo com recantos onde é bom estar, que apetece descobrir ou imaginar.

E, de caminho, vou em busca da paz dos bosques, do som da água, do canto dos pássaros, da música tranquila, dos gelados feitos com frutas, flores, vagares e sons familiares e envoltos em harmonia.


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I always wanted,
       to return
to the body
       where I was born.


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As pinturas que intercalei no texto são de Yoo Youngkuk

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Desejo-vos um belo dia. Alegria e saúde. E amor.

quinta-feira, março 21, 2019

Desconversa light






Parece que há quem pense que de Lisboa -- do Restelo ao Parque das Nações, de Carnaxide até à Graça, da Ajuda até aos Olivais, e etc -- não se avista nenhuma serra. Se calhar pensam que, em Lisboa, apenas se vêem montras e trotinetas. Mas vêem-se: serras. Mais do que uma. Já para não falar das que se avistam lá mais longe, a sul. Mas não faz mal. É até bom saberem que têm muito por descobrir. Em vez de se porem a suspeitar de tudo, achando que invento quando falo de serras e rios e céu e luz, mais valia que se alegrassem por ficarem a saber que têm um mundo de coisas insuspeitas pela frente, tanta coisa para aprender. Agora que é engraçado, é. É que não se acanham de lançar suspeitas. Comprova-se a toda a hora que a ignorância é muito afoita. 


E todo o santo dia me aconteceu disto: bizarrias, maluqueiras, gente que convida outros para coisas que não sabe dizer que coisas são, gente que diz que os outros não se sabem explicar e os ditos outros que se queixam que eles não percebem nada de nada, gente que disfarça inseguranças com galhardias, gente que confunde poder com prepotência mas que, quando confrontada, mete o rabo entre as pernas e recua, a ganir, para a casota. Coisas desconexas, descabeladas, coisas que andam às arrecuas. E eu? Dentro do cenário. Desalinhada e inserida. E, às escondidas, divertida. O mundo de verdade é um mundo imperfeito, disparatado, cheio de suculentas surrealidades. Podendo, por vezes, parecer que não, a verdade é que sim: gosto.

Haverá quem diga que lá estou eu com fantasias. Mas não. Teria mais graça se pudesse contar que engoli um apito e que outra coisa não fiz ao longo do dia do que soltar involuntários assobios ou que, estando eu a fazer meditação no vértice de uma pirâmide de cristal turquesa, veio uma borboleta pousar no meu mamilo direito. Mas não. Coisa boa só acontece aos outros, a mim só banalidade.

O que vale é que, de vez em quando, me dá para pular a cerca, a cerca gastronómica quero eu dizer, e penetro em lugares desconhecidos e peço iguarias que não sei o que são e descubro coisa boa, sabores novos, e são sabores marroquinos, sabores indianos, sabores coreanos e se vejo ingrediente com nome nunca lido, então, é esse que quero. E é doce, picante, agridoce e sabe a flor, a fruta, a especiaria e nem tento saber o que é. E esses sabores bons derretendo-se-me na boca dão-me vontade de primavera. 

Ou perfumes. Se passo em perfumaria e vou com tempo, gosto de experimentar. Aromas com nomes exóticos. Ou não exóticos mas apenas evidenciando a minha incompetência para conhecer essências fundamentais. Gosto de experimentar. Gosto de sair de lá perfumada por mil perfumes diferentes. Coisa soft, só um pinguinho de coisa boa. Tudo junto não fica muito. Fica apenas cheirinho bom. E aspirar esse cheirinho também me dá vontade de primavera.

Ou abrir livro de poesia, ler verso solto, poema limpinho deitado na página branca. Gosto. Não pode ter palavra de prosa, falta de música, realidade a mais. Se encontro isso, deixo logo para trás. Tem que ser palavra luminosa, bonita, com melodia elegante, som de sombra, sopro de voo, coisa ainda não nomeada. Disso eu gosto, fico parada a ler, devagarinho, deixando o som da palavra pousado ao de leve no coração ou na palma da mão. Poesia escrita em livro é palavra inscrita em árvore. E pensar nisso dá-me vontade de primavera.

Podia também agora falar da lua que hoje está branca e que é outra vez a maior, a mais branca, a mais esbelta, a mais quente, a mais próxima, a mais redonda do ano. Mas não. Não vou falar. Lua cheia virou coisa banal, commodity, já anda na boca de qualquer um, título de notícia em canto de página, fotografia a metro. Olhei para ela e ela não me disse nada. Portanto, desviei o olhar à procura de alguma outra coisa que me desse vontade de primavera.

E há muitas. Algumas estão dentro de mim e não conto a ninguém. Outras são indefinidas. Vontade de. Vontade de ter vontade. E a primavera vem. Já cá está. Só falta agora os dias ficarem grandes. Um destes dias aventuro-me a ir andar em cima do rio ao pôr do sol. Das vezes que andei, em Madrid, por exemplo, ou a subir a uma serra na Suiça, tive um medo que me deixou transida. Andar nas alturas, aquilo a parecer que não vai caber nas argolas, um susto. Mas pode ser que consiga livrar-me de vertigens para desfrutar o bom que deve ser, na primavera, ao fim do dia, andar de teleférico sobre o rio, em Lisboa. E, sim, em Lisboa também há teleféricos. Até há leões. E galos. E formigas. Ver formigas a andar em carreirinha também é bonito.

Mas formiguinhas dentro de casa não. Só na rua. Formiguinhas, apressadas, organizadinhas, são como nós ao fim do dia, em noite de cidade cheia de carros. 

Mas é isto. Penso que o dia que passou veio em pack, um pack promocional: equinócio, primavera, árvore e felicidade. Tudo bom. Só faltou vir com minutos ilimitados.

Mas pronto, tirando isto, nada mais tenho a desacrescentar. Só se for que hoje não me meto na disputa na caixa de comentários, que agradeço, pois, a esta hora, já sou como a maré a recuar.  Por isso, vou ficar por aqui e fechar os olhos para pensar em figurinhas de cores quentes e alegres, malandrecas e bué primaveris, se calhar quase estivais.

O pior é que não chove.


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Isabel, desta vez não me esqueci: o autor das pinturas é Yoo Youngkuk

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E pensavam que aquilo do apito ou da borboleta era fantasia?

Acertaram. Fantasia e da boa.




Um dia feliz a todos. 

sábado, dezembro 15, 2018

Botânica




Quando para lá começámos a ir, pedras e mato rasteiro, terreno aberto, acontecia encontramos por lá outras pessoas.

Uma vez, estava eu repimpada num cadeirão, completamente à vontade e convencida que estávamos ali no maior isolamento, quando passaram umas pessoas junto à janela, olhando para dentro e dizendo que aquilo ali era muito bonito. Achei um abuso. Sou reservada na minha intimidade e, quando estou dentro de casa, não gosto que espreitem lá para dentro. A questão dos caçadores de que já antes aqui falei, acelerou a decisão de vedarmos parte do terreno.


Mas, nessa altura em que ainda era aberto, encontrávamos por lá, por vezes, uma mulher que, na altura, eu achava já de certa idade e que, a esta distância, me interrogo se não teria a idade que tenho hoje. Andava a apanhar ervas para tratamentos. Subia lá da aldeia mas não vinha pela estrada, vinha pelas terras e, do que percebi, seria quase a farmacêutica ou a curandeira do lugar. Era uma mulher interessante mas o que retive era a conversa sábia e sóbria. Guardo dela a imagem de andar com um chapéu de palha e sempre curvada mas, penso agora, via-a assim porque, justamente, andava a escolher as ervas. Dizia: isto faz bem à bexiga, isto faz bem ao fígado. Perguntava se não nos importávamos que por ali andasse e eu não me importava porque ela era discreta, silenciosa e eu gostava de a ouvir.

A minha mãe, que conhece também as propriedades das plantas, quando lá ia reconhecia muitas plantas e também sabia a que faziam bem. Quando lhe contava da outra, ela não achava bem, como se a mulher andasse a retirar de lá produtos de que um dia ainda pudéssemos precisar para nos tratarmos.


Para tentar adquirir algum conhecimento, comprei alguns livros de botânica mas nunca me senti com certezas para, a partir das imagens dos livros, me afoitar a usar plantas para tratamentos. Receio interpretar mal e ainda arranjar algum trinta-e-um, usando alguma planta traiçoeira que, afinal, seja venenosa.

De lá, uso alecrim, uso tomilho, orégãos e nada mais. E, claro, louro. E a minha comidinha fica saborosa, cheirosa, sabendo aos perfumes do meu querido heaven.

Mas tenho muita vontade de aprender mesmo o que são todas aquelas plantas que por lá proliferam. O meu amor por aquele pedaço de terra é tão grande que eu adoraria saber usar, de forma inteligente, tudo o que dela nasce.

Lembro-me das aulas de Botânica no liceu. Detestava. Tudo o que implicasse decorar era para mim um pesadelo e, ou porque a matéria era mesmo assim ou porque não tive professores que soubessem fazer despertar o meu interesse pela natureza, nunca assimilei nada que tivesse ficado retido. É que nem Botânica nem Mineralogia, nada disso. 


O meu dia foi cheio de programas e foi até bom apesar de tudo o que tive que resolver pelo meio. Mas foi cansativo, tudo muito compacto, tudo sempre muito preenchido e a falta de tempo para respirar pelo meio quase me esgota. Mas o almoço foi bom, a companhia boa, o ambiente festivo e alegre, a conversa animada. Não tenho do que me queixar, não tenho mesmo.

Mas é bom chegar a casa, é bom poder estar aqui sossegada, vendo vídeos bonitos, histórias de gente superior, gente das montanhas, dos desertos, das florestas, gente que sabe perceber a natureza. E ouvir música boa, sons puros.

Tenho aqui uns livros bons, palavras elegantes, a felicidade inscrita em pedaços de árvores, e tenho o meu tapete que estou a bordar com lãs sobre juta e é tão bom estar assim, tão bom.

E sábado é outro dia e, se chover, a chuvinha vai saber-me também muito bem. Sou uma pessoa simples.



The Ingenious Botanist in the Mountains of Tajikistan


Lacoste-Lebuis and Plante-Husaruk’s short documentary, The Botanist, is an elegant, meditative portrait of Raïmberdi, his culture, and his life’s work. Raïmberdi descends from a tribe that lived a nomadic lifestyle in a particularly hostile environment. “Therefore, they were completely dependent on the fauna, flora, and climate of the region,” Plante-Husaruk said. 
“Old Kyrgyz people knew how to use plants to make herbal remedies for pains and aches,” Raïmberdi says in the film. “I discovered everything about roots, stems, leaves, flowers, etc., and how to use them … Each plant accumulates organic substances its own way.” 

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As pinturas são da autoria do coreano Yoo Youngkuk (1916 - 2002)

 Catrin Finch e Seckou Keita interpretam 'Clarach' 

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Um dia muito feliz a todos. Saúde e boa disposição.