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sexta-feira, abril 26, 2024

Foi bonita a festa, pá
25 de abril sempre

 

Um imenso mar de gente em festa, em família, entre amigos. Uma festa intergeracional mas, arriscaria dizer, com uma inédita e inacreditável massa de jovens e de crianças. 

Todas as ruas iam dar ao Marquês. Os relvados da avenida e da rotunda cheios de gente. Muita cor, muita alegria. Gente a cantar, a rir, a abraçar-se, a festejar, a gritar gritos de ordem: um hino à liberdade cantado a muitos milhares de vozes.

Muita emoção, uma emoção contagiante, uma vontade de que as ruas nunca percam a alma, que continuem cheias de gente, que não seja só nos 25 de Abril. As ruas querem-se vivas e alegres. É na rua que as pessoas se encontram, se abraçam, se vêem a rir, que cantam em uníssono. Não é na solidão das redes sociais. É nas ruas. É na partilha, no contacto, na felicidade de estar com os outros que a liberdade e a democracia se mantêm vivas e pujantes.

Em boa hora o meu marido se lembrou de que devíamos ir para a avenida. Estou muito feliz por lá ter estado. 

Desejo que o 25 de Abril se mantenha vivo, cada vez mais festivo, cada vez mais enraizado e pujante, cada vez mais um balão de oxigénio que alimente os nossos quotidianos. E desejo que daqui por 50 anos os meus filhos, os meus netos, os meus bisnetos e trinetos continuem a sair à rua a festejar o dia da Liberdade e da Democracia no nosso querido país.

















































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Nota: Caso algum dos que aparecem nas minhas fotografias aqui não quiser estar, peço o favor de me contactar identificando a fotografia que logo a retirarei

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Galeria de Fotografias do Guardian: clicar (link abaixo) para ver todas

Portugal commemorates the Carnation Revolution – in pictures

Thousands in Lisbon celebrated the 50th anniversary on Thursday of Portugal’s Carnation Revolution, which toppled the longest fascist dictatorship in Europe and ushered in democracy. The almost bloodless revolution was conducted by a group of junior army officers who wanted democracy and to put an end to long-running wars against independence movements in African colonies
Guy Lane
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25 de Abril sempre

domingo, janeiro 28, 2024

Falamos junto à luz


Quando o meu corpo apodrecer e eu for morta
Continuará o jardim, o céu e o mar,
E como hoje igualmente hão-de bailar
As quatro estações à minha porta.

Outros em Abril passarão no pomar
Em que eu tantas vezes passei,
Haverá longos poentes sobre o mar,
Outros amarão as coisas que eu amei.

Será o mesmo brilho, a mesma festa,
Será o mesmo jardim à minha porta,
E os cabelos doirados da floresta,
Como se eu não estivesse morta.

Sophia de Mello Breyner Andresen, em ‘Dia do Mar’


De tarde, chamados pela luz suave e dourada, pelo prenúncio de primavera que nos trouxe temperaturas muito aprazíveis, e, sobretudo, pelo menos pela parte que me toca, pela necessidade de oxigénio, fomos para a beira do rio.

O prazer de andar e conversar num dos lugares bons da cidade, a diversidade de gentes com que nos cruzamos, o sol sobre o rio, a boa companhia, tudo isso é remédio certo para lavar a alma.

Em tempos fotografava pessoas. Adorava. Sentia-me sempre uma observadora clandestina e, ao mesmo tempo, transparente. Já conseguia antecipar os movimentos das pessoas, as suas expressões. Estava de tocaia e, quando a ocasião se proporcionava, disparava. E, aparentemente, ninguém dava por nada.

Tenho muitas centenas ou, melhor, provavelmente, milhares de fotografias de pessoas. Mas depois temia sempre publicá-las pois receava que estivesse a pisar o risco da privacidade. É certo que há mesmo a modalidade de fotografia de rua e muito do que era a sociedade em tempos mal documentados se conhece através do trabalho de fotógrafos de rua. Mas, por via das dúvidas, encolhi-me. E, se não posso mostrar, para quê estar a fazer?

Portanto, agora tento evitar a presença de pessoas. Contudo, por vezes, é impossível deixá-las de fora. Mas, como sempre costumo dizer quando aparecem pessoas nas minhas fotografias, se alguém se reconhecer aqui e não quiser cá estar, bastará que mo diga.

Fomos lanchar ao CCB, depois fui lá tratar de um assunto e, de seguida, fomos passear para a beira do rio. 

O que abaixo partilho é parte da arte de rua que por aqui se pode ver. Escultura de homenagem ao pessoal clínico em tempos covid, a escultura Central Tejo, os big e engenhosos trabalhos da Joana Vasconcelos (se é arte ou gigantes trabalhos que incorporam design e montagem isso não sei), o mural em que vários artistas homenageiam o 25 de Abril, os belos murais de azulejos com poemas de Sophia, o próprio edifício do MAAT que é escultural.

A última fotografia não foi feita hoje nem é em Lisboa. É em Setúbal, no belo PUA, e é uma homenagem a José Afonso. A minha filha estava lá à frente mas, com o corrector, retirei-a. Não ficou perfeito mas como a escultura é algo 'incerta' a modos que disfarça.

Em dias como estes, é bom sair de casa, andar a passear, a laurear, a flanar, a desopilar, a vadiar, a turistar, a espairecer, a espanejar, a dar ar à pluma. Mas, para quem não possa fazê-lo, aqui fica um cheirinho.


























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E vi este vídeo de que gostei e que gostaria de partilhar. Já não é Green Renaissance mas Reflections of Life e são sempre tão tranquilos, transmitem serenidade, a vida a ser vivida com vagar, o contacto com a natureza, o prazer de existir de forma simples.

BELONGING - Finding Connection

Quando somos incompreendidos e sem apoio, é fácil sentir-nos sozinhos, como se não nos encaixássemos no mundo que nos rodeia. Mas algo lindo começa a acontecer quando entendemos que nossa singularidade não é uma falha, mas um motivo de comemoração.

À medida que aprendemos a valorizar e a partilhar os nossos dons individuais, reconhecendo a beleza das nossas diferenças, encontramos uma ligação renovada com o mundo - semelhante à harmonia encontrada na natureza, onde cada elemento contribui para a beleza geral da paisagem.

Inspirando-nos no mundo natural, entendemos que abraçar as nossas diferenças é um presente que podemos oferecer ao mundo, tornando-o um lugar mais bonito para todos que nos rodeiam.

A resposta reside em colmatar lacunas, cultivar a empatia e revelar a vibrante tapeçaria da nossa experiência humana partilhada através do reconhecimento e da celebração da diversidade.

Filmado em Singapura

Com Kathleen Yap


Desejo-vos um bom domingo
Saúde. Serenidade. Paz.

terça-feira, abril 26, 2022

Fotografias enigmáticas, uma voz de veludo, duas casas extraordinárias e acho que pouco mais

 



Estou a modos que de ressaca e, a bem dizer, nem sei bem porquê porque o sábado e o domingo foram descansados. Às vezes penso que me seria benéfico fazer uma cura de sono. Não precisava de ser nada de muito elaborado. Bastava poder ter uma semana sem ter que pôr o despertador, sem ter que ir aqui, ali ou acolá, sem ter que fazer isto, aquilo e aqueloutro. Esta segunda-feira, dia bom por todos os motivos, inclusivamente por ser dia de descanso (dia de descanso é sempre bom mas coincidir com uma segunda-feira é bom demais), poderia ser um desses dias. Mas não -- e o estúpido é que por nenhuma razão em especial. 

Não pus despertador para ver se punha o sono em dia. 

Mas fiz mal pois fiquei com a preocupação de acordar tarde demais. Não que tivesse muita coisa que fazer mas, apesar de ser dia de descanso, se começasse tarde demais, tudo se atrasaria. E, por isso, acordei cedo demais.

Para além da caminhada, tinha que pôr adubo nas laranjeiras, no limoeiro e na limeira. Depois de aplicado, regar. Depois fazer uns pagamentos. Depois arrumar umas coisas para levar para o campo. Depois almoçar. Depois ir ao supermercado. Depois ir visitar a minha mãe (que continua a levar a sério a sua reciclagem em inglês e faz páginas e páginas de exercícios gramaticais e vocabulares). Depois ir para o campo. Depois... 

Até que, à noite, cheguei ao sofá e, claro, logo me deu o sono.

Inclinei a cabeça para trás, que é o que faço quando o sono me dá com força, e, de imediato, senti que estava a adormecer. Eis senão quando o meu marido me perguntou: 'O que é que aconteceu?'. Abri os olhos, admirada. 'Que aconteceu onde?' E ele: 'Contigo. Sentaste-te, puseste a cabeça para trás e fechaste os olhos'. E eu: 'O que é que tem?'. E ele: 'Está bem, nada'. Não sei qual o espanto. Só se foi por ser instantâneo. Mas, com isto, passou o momento. Não adormeci como deve ser e agora estou a ver se, assim como assim, me mantenho acordada.

Na RTP 1 um programa com músicas do Zeca. Está uma jovem a cantar o Bairro Negro. Canta muito bem. Tem ar de ser fadista. Não conheço mas tem uma voz fantástica e canta com a emoção das almas que sabem interpretar o fado. Tenho que ver se descubro como se chama. 

Ah, já vi. Sara Correia. Não conhecia. Muito boa. 

O Zeca, de facto, é intemporal. Qualquer pessoa que pegue nas suas canções e as interprete com sentido e sentimento torna-as momentos inesquecíveis. 

[Sempre que me lembro dele, lembro-me dele a espreitar e, ao ver que o Abílio estava ocupado, fazer um gesto de desculpa e voltar a fechar a porta. Era, para todos nós, um símbolo, uma pessoa maior.]

Enfim.

Estive a ver as notícias em vários onlines; mas hoje não quero falar da guerra (embora seja o que maioritariamente ocupa o meu pensamento). Tanto que sempre penso que gostaria de deixar aos meus descendentes um mundo melhor que aquele em que fui recebida... e agora acontece isto. E sabe-se lá como e quando é que isto vai acabar. Acredito que os serviços secretos de muitos países andem a trabalhar activamente numa qualquer forma de solução para esta loucura mas compreendo que as condicionantes são mais que muitas. Gostaria também de pensar que, quando isto acabar, estaremos mais esclarecidos quando ao que verdadeiramente importa nesta vida, mais exigentes quanto à paz e à liberdade. Mas já não ouso ser tão optimista.

Entretanto, ando com vontade de iniciar um diário. Escrevo aqui todos os dias e escrevo o que penso e sobre o que quero mas há temas sobre os quais não escrevo, não quero; ou melhor: não aqui em que escrevo a céu aberto para ser lida à vista desarmada. Por isso ocorre-me que poderia ter um diário privado. Ou isso ou um livro de memórias. Há muitas memórias que aqui, no blog, não têm lugar e que, num registo pessoal, privado, estariam bem. Vamos ver. 

E, pronto, isto hoje não dá muito mais que isto. Estou desconcentrada. Recebi na última hora dois mails de trabalho que só não me deixam possuída porque estou a tentar preservar o espírito de dia feriado, keep calm and carry on. Se fosse há algum tempo, a esta hora já tinha soltado os cachorros. Mas agora estou a querer aprender a portar-me como gente grande e, portanto, perante cenas destas, respiro fundo, deixo assentar a poeira, de preferência durmo sobre o assunto. 

Mas, antes de me ir, partilho dois vídeos que estive a ver de gosto. Confesso que, antes, estive vai não vai para reincidir e partilhar um vídeo que me pareceu bastante interessante sobre os meandros da guerra mas não, hoje não, hoje intercalo. 

Enquanto leio e ouço que há reais ameaças no ar de que esta desgraça descambe para uma guerra mundial, forço-me a abrir espaço a duas das minhas benquerenças, a arquitectura e a decoração. 

O primeiro vídeo mostra uma casa que foi reconstruída sobre uma outra, tradicional. É daquelas obras de arquitectura que me encantam: espaço, luz, a paisagem dentro de casa e, ao mesmo tempo, carinhosamente concebida para cada membro da família. Aqui o dono e o arquitecto são a mesma pessoa e todo ele é cool e toda a casa cool é e, tal como ele conta, é uma casa que evoluiu natural e intuitivamente. Uma maravilha.

A fantástica casa de Nick Tobias

A seguir temos o oposto: aqui se mostra como num apartamento pequeno também se podem fazer maravilhas. Haja imaginação, bom gosto, gosto pela vida.

Apartamento parisiense, pequeno mas parecendo espaçoso, no Boulevard Haussmann

Aqui vive Virginie, jornalista de televisão, mãe de 3 filhos. Foram algumas paredes abaixo para criar alguma amplitude. Há objectos antigos, objectos modernos, há bom gosto e graça.


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As fotografias são da autoria de Maïmouna Guerresi e acompanham MARO que interpreta we've been loving in silence

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Desejo-vos um dia bom
Saúde. Vida nova. Força. Paz.

domingo, janeiro 16, 2022

Já não se pode falar de felicidade...?

 


Foi um dia atípico e sobre ele não vou falar. 

Falarei antes das florzinhas que aparecem agora por todo o lado. Até uma planta grande que está num vaso grande do lado de fora de uma das portadas da sala está em flor. Não me lembro de o ter visto florido anteriormente. Deve ter estado mas não me lembro. Aparecem florzinhas como se fosse primavera. Hoje, quando a pequena fera, ao passear, queria cheirar cada ervinha, o meu marido, impaciente, puxando-o, disse que ele antes não ligava às ervas. Tentei uma explicação: 'Se calhar é porque está tudo a despontar, os cheiros da primavera despertam-lhe a atenção'. O meu marido respondeu: 'Mas... já é primavera? julgava que ainda estávamos no inverno...'. E é verdade, parece que não mas ainda estamos no inverno. Só que a natureza parece que anda com o calendário desprogramado. 

Na horta, a tangerineira que o ano passado esteve carregada este ano nem uma tangerina tem. Em contrapartida, uma outra em que o ano passado não me lembro de ter reparado, este ano está cheia delas. Não sei porque é isto. Se calhar, as tangerineiras frutificam ano sim, ano não. Mas são umas tangerinas rijas e pouco doces. Não sei se ainda vão amadurecer ou se são mesmo assim, de raça pouco doce.

A árvore das limas parece que se converteu definitivamente em limoeiro. Dá uns limões de casca lisa e que fica amarelinha. E não há dúvida que sabem a limões. São limões sumarentos e pouco ácidos. 

De noite fica muito frio. O nosso pequeno urso felpudo agora nunca quer ir à rua à noite. O meu marido quer à viva força que ele vá, senão acorda às seis da manhã, ou antes, com vontade de ir à casa de banho (que é como quem diz). Mas às dez e tal da noite está a dormir, quentinho, e naturalmente não quer ir lá para fora. Além disso, está demasiado habituado às nossas traições. Ainda hoje, quando fomos ao supermercado, atraí-o lá para fora, comecei a brincar com ele e, quando andava a correr a brincar comigo, apanhei-o de costas e enfiei-me rapidamente em casa. Sinto-me muito mal ao fazer isso. Não sei o que sente o ursinho quando percebe que desapareci e que a porta de casa está fechada. Quando regressamos, ao ver-nos, vem de rabinho entre as pernas, a andar quase agachado, orelhinhas para trás, humilde, como se tivesse feito alguma coisa mal e estivesse de castigo. Depois, quando lhe fazemos festinhas e o deixamos entrar em casa, fica numa alegria que só vista: salta, brinca, parece mesmo que ri. Cada vez o percebo melhor e ele, então, já me conhece de ginjeira.

Hoje não vi televisão. Há pouco pensei que, dos poucos debates e dos resumos que vi, acho que nenhum candidato falou daquilo que deveria ser um dos desígnios principais de um político: conseguir que a vida dos cidadãos e a das gerações vindouras seja mais feliz.

Presumo que nem uma única vez a palavra felicidade tenha sido usada.

A felicidade tornou-se coisa vulgar, pior que babaquice viralizada entre os frequentadores do subúrbio do subúrbio, pior que pechisbeque em saldo na loja do chinês, conceito que os auto-escritores a metro pintaram de banalidade e luzinhas movidas a pilhas, selfie sempre sorridente nos instas mainstreams desta vida. 

Por isso, ser feliz passou de moda junto dos bem´-pensantes. Ser feliz tornou-se sinónimo de mediocridade intelectual. Quem sabe escrever ou sabe pensar não quer ser feliz nem quer ouvir falar de felicidade, muito menos de felicidade alheia.

As televisões ajudam: toda a gente fala dos seus dramas, de vícios passados, de traumas medonhos, de infelicidades eternas. 

Ser feliz saiu de moda. Pior: ser feliz virou sinónimo de ser alienado.

A sociedade aos poucos vai, assim, esquecendo uma das coisas mais básicas: se não for para sermos felizes e para ajudarmos os outros a serem felizes e para prepararmos o mundo para ser um lugar de felicidade... então qual o sentido de tudo isto?

Uma sociedade em que grande parte dos postos de trabalho se concentram nas grandes cidades, em torres longe dos espaços habitacionais, em que, para se ir para lá as pessoas gastam horas no trânsito, uma sociedade em que os pais não conseguem ir buscar os filhos à escola senão muito ao fim do dia, uma sociedade em que os mais velhos, quando perdem a autonomia, se não tiverem uns milhares mensais para pagar boas residências assistidas ou vão para lares miseráveis ou ficam em casa a definhar, uma sociedade em que os jovens adultos não se sentem confiantes ou não têm mesmo meios para terem filhos e só os têm, quando têm, tarde e más horas e, na maioria das vezes apenas sai um rebento ou, no máximo dois... é uma sociedade que se esquece de pugnar pela felicidade das pessoas.

Mudar isto deveria ser prioritário para um político.

Tenho pena de não ver alguém sensato, ponderado, racional e sincero a falar disto de uma forma aberta e obectiva. Por exemplo, gostava que algum dos que reconheço como bom político os tivesse no sítio e dissesse: estou aqui para tentar que os portugueses sejam mais felizes. E depois dissesse o que se propunha fazer para dar corpo a essa pretensão. Gostaria que conseguíssemos fazer a agulha e passássemos a louvar o que é bom, a agradecer o que de bom fazemos e recebemos, a colocar a nossa criatividade, empenho e generosidade ao serviço da felicidade, da nossa e dos outros. 

Por isso, aqui chegada, o que me apetece ver são vídeos em que as pessoas sorriem, falam do que as faz felizes e se mostram agradecidas pelo que têm.


As palavras de sabedoria de Beatrice Stroud


Obert Jongwe, o homem mais rico da terra


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Na minha modesta opinião é bem capaz de as fotografias (algumas das vencedoras de 2021 Nature Photographer Of The Year) e a música (José Afonso a interpretar "Que amor não me engana") não terem muito a ver com o texto. Ou, então, têm mas não se percebe. Mas é o que é, nada a fazer.
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Desejo-lhe, a si que está agora a ler-me, um feliz dia de domingo

quarta-feira, janeiro 05, 2022

Jerónimo de Sousa versus António Costa; Ventura versus Rio; Catarina Martins, a loura, versus Ventura; Tavares versus Costa; etc, etc.

Com vossa licença, vou mas mas é aprender a Como não morrer

[E, de caminho, vou uma vez mais constatar que it takes two to tango]

 




Vi o debate entre Jerónimo de Sousa e António Costa. Jerónimo de Sousa, com ar vendido, sem viço, com uma conversa que frequentemente roça o populismo, usa um discurso vago, oco, dizendo verdades inegáveis mas sem apresentar uma única solução. O PCP disfarça o estado de exaustão ideológica dizendo banalidades. Não conseguiu explicar porque é que chumbou o orçamento quando era um orçamento que ia mais longe do que alguma vez se tinha ido na defesa dos direitos dos mais vulneráveis e na concessão de regalias aos mais carentes. Não consegui explicar, claro. Enunciou pretensas medidas inexequíveis e ilusórias mas enunciou-as de forma gasta, sem vida.

A questão do salário mínimo, por exemplo. Claro que toda a gente gostaria que o salário mínimo desse um valente salto. Mas... e depois? Iria encostar-se ou ultrapassar os outros salários? Esses teriam que subir. Mas... iam encostar-se ou ultrapassar os seguintes...?

E as empresas iriam aguentar o embate dessa subida generalizada dos custos de mão-de-obra sem repercutir nos preços de venda? Provavelmente não. Com as margens de lucro esmagadas como andam por quase todo o lado... Mas os clientes iriam suportar o aumento de preços...? Bom, se calhar não.

É que, como António Costa referiu, grande parte dos possíveis beneficiários não são funcionários públicos ou trabalhadores de empresas altamente lucrativas. Grande número das pessoas que usufruem do salário mínimo trabalha em pequenos restaurantes, pequenos cafés, pequeno comércio. Numa altura em que todas essas pequenas empresas estão tão causticadas pela pandemia, como infligir-lhes ainda outro golpe...?

Subir o salário mínimo, sim, claro. Mas de forma gradual, de modo a que toda a cadeia económica consiga adaptar-se. 

O PCP e o BE não percebem isto? Bom. Se não percebem isto, então, mais vale que se dediquem a outra actividade, não à política ou a qualquer função em que se exija algum sentido de responsabilidade.

E, se percebem isto e, ainda assim o defendem, então das duas uma: ou querem o mal do país ou acreditam que a malta não percebe a sua hipocrisia.

Agarrado a conversas velhas, sem vida, o PCP continua, pois, a sua trajectória descendente. Não tem nada a propor. Continua a exibir jargões gastos, bandeiras que não convencem ninguém.

Antes vi excertos do debate de Rui Rio com o Ventura, Rui Rio com a Catarina Martins, Catarina Martins com o Rui Tavares.

A única coisa nova nisto é o cabelo da Catarina Martins: agora está loira e com madeixas.

Tirando isso, mantém-se populista, demagógica. Mostra que a deslealdade lhe corre nas veias, em abundância. 

Tal como Jerónimo de Sousa, usa argumentos hipócritas para defesa das suas indefensáveis atitudes.

Fui defensora e, depois, apoiante de uma solução à esquerda, apesar de já antes o PCP e o BE se terem aliado à direita para abrirem a porta a um governo de direita, um dos piores de sempre, o de Passos Coelho e Paulo Portas. Mas achei que traição tão grave acontece uma vez na vida. Acreditei que as probabilidades de voltar a acontecer eram mínimas.

Afinal aconteceu uma segunda vez. Sem outra justificação que não a de ceder ao facilitismo de querer agradar ao seus militantes mais fundamentalistas, Jerónimo e Catarina uniram-se ao Rui Rio, ao puto Chicão e ao execrável André Ventura, abrindo uma incompreensível crise. Idem ao IL mas esse não conta. Só conta, como já o disse, porque acho o Cotrim de Figueiredo uma bela figura de homem, ainda por cima sempre elegantemente vestido. E sabe falar e apresentar-se. Ora, na política, isso é importante mas não chega.

Mas, voltando ao PCP e ao Bloco. Tenho lembrado amiúde a propósito do comportamento destes dois partidos: Roma não paga a traidores. Portugal também não. Não perdoamos a traidores, ainda por cima traidores reincidentes. Da parte que me toca, e não passo uma simples e insignificante votante, não apoiarei novo acordo que envolva partidos nos quais o Jerónimo de Sousa, a Catarina Martins ou as manas Mortáguas estejam ao comando ou que tenham o cardeal Louçã na rectaguarda. É gente em que não é possível confiar. Lamento mas é coisa que não consigo ultrapassar. Não perdoo actuações políticas desleais, irresponsáveis, hipócritas.

Claro que Rui Rio também não é flor que se cheire: que não haja dúvidas sobre isso -- é errático, incoerente, é um troca-tintas, um tangas, não tem uma linha de rumo firme. Já deu mil provas disso. Não tenhamos pois dúvidas. Mas, a ter que contar com o apoio de algum partido, e se o Livre e o Pan (partidos relativamente neutros e em que, apesar de alguns excessos a absurdos, parece haver algum bom senso) não chegarem, preferiria que se desse uma little e controlada hipótese ao Rui Rio do que esperar que a demagoga e populista Catarina Martins e o gasto e servil Jerónimo (servil perante a linha dura dos seus militantes) traiam uma vez mais os seus eleitores (e o eleitorado de esquerda em geral).

Claro que preferia que o PS atingisse uma maioria estável sem necessidade de ficar na mão de quem começa bem mas acaba a chantagear. Confio no António Costa e confio na sua capacidade para formar e gerir equipas competentes e sérias. Confio na sua visão humanista e europeísta, confio na sua capacidade de ajustar um rumo estratégico face às circunstâncias adversas que vão ocorrendo, confio na sua capacidade de introduzir temas inovadores e na sua capacidade de ouvir e articular partes contrárias. 

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E agora ainda vou ler mais um pouco. 

Tenho andado a ler à vez: um pouco do Para quê tudo isto?, biografia de Manuel António Pina e um pouco do Como não morrer.

Comprei o segundo livro para a minha mãe. O bom efeito da nutrição na prevenção e tratamento de doenças é o género de livro de que ela gosta, ainda mais escrito por um médico. Depois de o ter comprado, cá em casa folheei-o e pareceu-me bastante interessante. 

Pensei que seria interessante para nós, cá em casa. Então, lembrei-me de o oferecer ao meu marido pelo Natal. Ofereci-lhe também o Jerusalém, a biografia. E, então, no meio da confusão da abertura dos presentes, todos a darem presentes a todos, abre ele o pacote com o Como não morrer e eis que o vejo ficar com ar estupefacto e os filhos a rirem e, ao mesmo tempo, a acharem que era um presente disparatado. Não percebi porquê. Não sei se acharam que era alguma indirecta, assim como se fosse um livro que se dá a alguém que está quase a bater as botas, se quê... Se o livro fosse: Como morrer mais depressa eu ainda perceberia que houvesse desagrado e estupefacção. Agora... é justamente o contrário... Nem é um livro dedicado à terceira idade. Não. É um livro bem escrito sobre as principais doenças causadoras de morte e como a medicina tradicional as encaram vis a vis uma alimentação saudável e equilibrada e um exercício físico adequado para as prevenir e ajudar a combater. Vou lendo aos bochechos e, até ver, estou a gostar de ler. Até estou a pensar oferecer aos meus filhos. Acredito piamente que uma vida saudável e uma alimentação equilibrada são fundamentais. Não garantem a vida eterna -- e ainda bem porque a vida eterna deveria ser uma seca -- mas talvez ajudem a viver melhor.


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As pinturas de Odilon Redon não têm muito a ver com o texto mas também o Vejam bem do Zeca não tem e não é por isso que deixa de ser aqui muito bem vindo.

E, para provar que não há limites para o despropósito e para lembrar que são precisos dois para dançar o tango, trago aqui, uma vez mais, o belíssimo tango dançado por Al Pacino e Gabrielle Anwar no Perfume de Mulher.


E se é bom ver Al Pacino a dançar, imagine-se o que será dançar com ele...


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Desejo-vos uma boa quarta-feira
Boa sorte. Saúde. Boa disposição. Coragem.