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quarta-feira, dezembro 14, 2022

Se tamanho não é documento, imagina quando o 'documento' é fake...
[Agora com o vídeo explicativo]
Não sei, pois, se é caso para avisar sobre imagens explícitas ou para colocar bolinha (ou melhor: bolona) vermelha

 


Já o disse: não sou de perder tempo com ilusões nem com mercearia fina que não seja para o meu bico. Acresce que de platónica pouco ou nada tenho. Portanto, posso ver pitéu com ar de fazer crescer água na boca que não passo disso, de um mero olhar apreciador. Não fico esgalgada como se não comesse há anos ou como se fosse uma adolescente retardada que acredita que tudo é possível.

Mesmo quando me deparo com aparições dignas de beatificação, dou desconto. Posso até pensar cá para mim: 'Eh lá...' mas não passo disso. Poderia até pôr-me a fazer medições remotas e contas de cabeça, mas não me dá para isso. Para quê? Quero lá eu saber da galinha do vizinho, quero é saber da minha.

E depois, nestas coisas, já se sabe que não interessa tanto a coisa em si mas o que se faz com ela. 

Por isso, mal o aparatoso órgão saiu de cena, saiu-me também da cabeça. (Refiro-me a uma cena que anda a dar que falar e que não passa do que acima se vê.)

Até que vi a explicação no Jimmy Fallon. Aí, confrontado com a celeuma, Theo James confessa: aquilo não é nada o legítimo pirilau, claro que não! Alguma vez...? Que descansem os cavalheiros que ficaram a sentir-se uns minions ou, à sorrelfa, a espreitar a sua gaitinha ao espelho. Aquilo ali, naquela cena, é fake, fake, fake, uma prótese, um disparate de tamanho.

Theo James Dishes on His Nude Scene in The White Lotus 

| The Tonight Show Starring Jimmy Fallon

Portanto, não há tema. Corações ao alto.

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Agora uma coisa é certa. Theo James é uma obra prima. 

Mas igualmente uma obra prima é a abertura de cada episódio desta série. A música é fantástica, as imagens são fantásticas. 

Como sei que muitas pessoas não têm o HBO não vou alongar-me. Posso apenas recomendar o White Lotus a quem tem. Ou a Mildred Pierce. Por exemplo. 

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Quanto ao mais, o que posso acrescentar é que esta noite, de novo, durante a caminhada, o dog pôs-se em guarda. Dava saltos, punha-se de pata no ar, punha-se quase de pé. O meu marido disse: algum bicho. Mas de noite todos os bichos são pardos. Não vimos nada. Quando estávamos a avançar, algo saltou à nossa frente. Quase saltei também. Outro sapo. Mais pequeno e num lugar muito longe do outro, aliás agora até não muito longe da nossa casa. Ao contrário do outro que andava com ar snob, este saltava. Não sei de onde vieram. Terá a ver com as chuvas. Certo. Mas onde estavam em tempo de seca?

Posso ainda acrescentar que à hora de almoço fui a um chinês comprar um alguidar de plástico. E acabei por trazer uma cortina de estrelas de luz piscante. Já está no varão da sala lá de cima, podendo ver-se do exterior. E eu, vendo as pipilantes estrelinhas, só penso que deveriam lá ficar todo o ano. Gosto mesmo de luzinhas. Fiz um vídeo e enviei para a família.

Também filmei a árvore de natal. A ver se amanhã a fotografo para vos mostrar. É tal e qual o que eu queria. Parece que finalmente o espírito natalício começa a aproximar-se de mim. Um dia destes tenho que me deixar impregnar um pouco mais para ir às compras. Parecendo que não é já para a semana que a coisa começa a atacar.

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E, pronto, fico-me por aqui para a bagunça não ser ainda mais irresponsável: comecei com a pseudo-mega-pila do Theo e, sem dar por isso, fui desaguar no natal, tema que deve ser abordado com alguma elevação, não assim, com este desnível. As minhas desculpas.

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Uma boa quarta-feira

Saúde. Serenidade. Paz.

segunda-feira, novembro 07, 2022

Luzinhas, ternurinhas, caderninhos, coisinhas de casa.
E, a seguir, big little lies

 



Ontem deu-me para beber à noite um chá de uma misturada qualquer que para ali tenho e de cuja marca ou composição agora não me lembro. Tem um sabor bom, exótico. Só que me tirou o sono e, claro, também tive que me levantar duas vezes para ir à casa de banho. É que, ainda por cima, quando bebo chá, como gosto muito, bebo canecas cheias e, portanto, já estão a ver. 

Acho que só adormeci já perto de amanhecer. Portanto, desforrei-me e deixei-me ficar a dormir até mais tarde. Acordei com o urso cabeludo a dar-me beijinhos na mão. Tenho impressão que, quando durmo até mais tarde, pelo sim, pelo não, ele gosta de conferir se estou viva. Mal acordo, fica descansado e pára com as lambidelas. O meu marido já estava levantado certamente há séculos e devia andar nas dele, tendo deixado a porta do quarto aberta. 

O nosso dia foi calmíssimo. Longa e boa caminhada antes de almoço. Almocinho bom, simples.

Depois de almoço, estive a ver o Little big lies. O meu filho tinha-me aconselhado mas eu andava na Netflix, numa de The good doctor. Mas agora voltei à HBO e, de facto, é uma série tramada. Faz-me lembrar um bocado a onda do Twin Peaks. Para os mais novos, o Twin Peaks pouco ou nada deve dizer mas, na altura, deu que falar. Num lugar pacífico, tranquilíssimo, bucólico, onde nada acontecia e onde todos eram amigos, após a descoberta do corpo de Laura Palmer, aos poucos vai-se percebendo que, sob a fina capa das aparências, a inquietação vivia latente, sempre pronta a manifestar-se. A música era parte do ambiente de suspense, as cores e o excelente trabalho de David Lynch faziam o resto.

O Big little lies é um pouco assim. Num lugar de famílias ricas, casas fantásticas à beira mar, onde a escola e as actividades a ela associadas são um importante elo de ligação entre as famílias, aos poucos vamos descobrindo que sob a pele das mulheres elegantes e sorridentes e sob a pele dos respectivos maridos há mais do que o que aparece à superfície. A inquietação é crescente. Não há grandes acontecimentos, apenas pequenas mentiras, uma ou outra omissão, insignificantes encobrimentos. E o enredo vai avançando sobre essa mistura de acasos e opções que, na vida real, também desenha os destinos da gente. 

A banda sonora também é qualquer coisa. A música lá em cima, The wonder of you, faz parte do episódio em que há uma festa temática, eles de Elvis, elas de Audrey Hepburn, e em que o Ed, o marido de Madeline (fantástica Reese Witherspoon), protagoniza um momento em que se sente, quase fisicamente, que a desgraça está para acontecer. 

Há um crime, sabemos desde o início, mas não sabemos bem quem morreu. Mas vamos percebendo que qualquer um pode vir a ter um fim triste e que qualquer um pode ter estado envolvido no homicídio.

E há, a par disso, o extraordinário elenco de actores, nomeadamente de actrizes. Excelentes desempenhos. Citei Reese Witherspoon mas são todos incríveis.

[A grande arte da representação vai-se desviando do grande ecrã para o streaming. A evolução acontece muitas vezes (ou quase sempre) de forma inesperada, disruptiva.]

A seguir chegou parte da tribo. Chegam ruidosamente. Tocam à campainha mas os meninos fazem-se logo ouvir e a ferinha cabeluda salta de alegria e abala a correr para ir fazer-lhes a festa ao portão, saltos no ar, abracinhos, beijinhos. E eu vou atrás e só por decoro não me manifesto com idêntica exuberância.

Ontem tínhamos estado com a outra parte da tribo. Entre jogos de futebol, dois num clube, outro noutro, estudo para testes já para quatro deles, festas de anos, e, para ajudar à festa, as viroses que apanham nas escolas, nem sempre conseguimos fazer o pleno. 

Claro que, em especial os miúdos, preferem quando estão juntos. Mas é sempre bom, sempre.

Hoje, enquanto uns jogavam futebol, a minha menina quis vir ver onde estavam as bolas grandes de Natal. Não me lembrava, pensava que estavam nos baús que estão numa arrecadação que temos num compartimento do sótão. Mas não, devem estar nos baús que estão na garagem. Mas ela não se desmoralizou. Nessa arrecadação há uma zona que, nos tempos dos anteriores proprietários, era usada como a sua biblioteca particular. O senhor levou os livros, claro, mas deixou ficar todas as estantes pois tinham sido montadas à medida. É aí que arrumo todas as carteiras, malas, malinhas e malões, sacos, mochilas, necessaires. Uma maravilha para mim que sempre tinha desejado tê-las bem arrumadas, tudo bem à vista e bem organizado. E uma tentação para ela. Resolveu pôr-se a abrir as mais pequeninas, as que eu usava em casamentos, cocktails, alguns eventos que requeriam coisa mais artilhada. A ideia, disse-me ela, era ver se descobria alguma coisa imprevista. Diz que gosta sempre de ver pois descobre sempre qualquer coisa. Descobriu moedas, papelinhos e descobriu um caderninho muito bonito que, em tempos, pensei usar como diário. Foi nos tempos pré-blog. Subtraí-lho pois não sei o que para lá estará. Por vezes tenho pensamentos impróprios para consumo. Mas prometi-lhe que vou reler e, se for, coisa capaz, a deixo ler. De resto, do que rapidamente folheei, parece que não deve ser mais do que meia dúzia de folhas escritas. Deve ter acontecido o mesmo de sempre: tudo o que entra nas minhas carteiras parece que se perde para todo o sempre. Mudo de malinha e lá ficam as coisas. Se volto a usar ou mudo o que lá está dentro para qualquer outra ou deixo ficar mas parece que o conteúdo se funde entre si. Por isso, fiquei tão surpreendida como ela quando ele lindo caderninho saiu à cena.

Entretanto, no outro dia comprei no supermercado uma grinalda de luzinhas pequeninas, que funciona a pilhas, e que na embalagem a mostrava dentro de uma taça de vidro. Hoje coloquei-a dentro de um copo grande e coloquei-o na mesa cá de fora. A minha menina deve ter achado que estava a modos que um bocado pobrezinho e foi lá dentro buscar uma espécie de taça baixa em aço brilhante e, então, em cima o dito copo. Ficou melhor, as luzinhas reflectiam-se na taça. Bonito. As luzinhas assim fazem sempre um ambiente acolhedor.

Para o lanche quiseram, e assim foi feito, sandes em pão de rio maior, quentinho, com tomate, queijo de cabra, brie e um fio de azeite. Em duas das sandes, também orégãos. Depois, para quem quis, diospiro às rodelas polvilhadas com canela e regadas com um fio de mel.


E, agora, ao chegar aqui, liguei-me no Youtube e ele, sabendo que sou dada a casas, a ambientes de aconchego e de afecto, apresentou-me o vídeo abaixo, muito bonito, com várias belas peças de artesanato, daquelas que me dão vontade de me atirar à obra.

Inside This Curator’s Bohemian L.A. Home Filled with Handcrafted Objects | Vogue

Step inside gallerist Alex Tieghi-Walker's avant-garde Los Angeles home in Vogue’s latest “Objects of Affection” video. As Alex walks around his property filled with handmade, one-of-a-kind objects, he regals us with the unique tales that make up the essence of these wonderful pieces. Watch as Alex discuses everything from his eye-popping ceramic cabinet to a handwoven Argentinian mountain hat that will forever reside in his bedroom.


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As imagens mostram partes das belas tapeçarias do criador Bernat Klein, um pintor e designer têxtil sérvio

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Desejo-vos uma boa semana a começar já por esta segunda-feira
Saúde. Aconchego. Paz.

quinta-feira, dezembro 16, 2021

And just like that as moçoilas de O sexo e a cidade viraram grisalhas e, imagine-se, uma delas até ficou viúva....

 



Não sei há quantos anos terá sido. Dez? Dez não, devem ter sido mais. Vinte? Se calhar. Ou quinze. Não faço ideia.

Poderia ir informar-me mas, quando aqui aterro, a esta hora e depois de um dia como o de hoje, já estou mais para deixar correr do que para ir à procura de respostas.

Sei que elas eram urbanas, desempoeiradas, irreverentes, bem vestidas, independentes, apaixonadas. O ambiente citadino, as suas casas, os seus amigos, a amizade com um amigo bicha, tudo aquilo me agradava. E depois havia o charmoso Mr. Big com tudo em grande: a elegância, a malícia do sorriso, a desfaçatez, a graça. 

Claro que ali tudo funcionava num daqueles registos light em que, mal a gente acaba de ver, já se esqueceu do que viu. Mas não faz mal: enquanto se vê, estamos bem. Não chateia, não cansa, não requer atenção. 

Não corria para ver o episódio e nem me lembro se dava para por a box a andar para trás. Sei que, de certeza, nunca pus, provavelmente porque nunca tal me passou pela cabeça. Mas, lá está, gostava de ver aquela parte em que ela colhia elementos do seu dia para escrever a crónica para a revista. Esse lado de reportar as insignificantes minudências do dia a dia é-me familiar e agradável. Na altura ainda não deveria ter blog pelo que provavelmente, na altura, não me ocorreu que, anos depois, também eu haveria de chegar à noite, sentar-me ao computador e desatar a escrever. 

Não sei que idade teriam elas na altura. Trintas e tais? Será que já pelos quarentas e poucos? Também não sei. 

Tenho andado a ver publicidade ao regresso das amigas, agora já sem Kim Catrall, a hot girl do grupo. Ao que parece o santo dela e o de Sarah Jessica Parker não cruzavam. 

Como não presto muita atenção a estas coisas, pensava que era uma sequela do filme (que não vi, apenas via a série). Afinal não.

O meu filho colocou-me também na HBO. Vi lá o extraordinário Mare of Easttown mas, de resto, tenho ideia que é mais fraco que o Netflix. Contudo, isto é opinião de fraca utilizadora pelo que não deve ser tomada à letra. 

No outro dia, numa daquelas preguiças que me dão quando não consigo suportar a televisão, fui espreitar. E dei de caras com And just like that. E vi os dois episódios que estavam disponíveis. 

E vi com aquele sentimento de desconforto que não é carne nem é peixe: desconforto pelo que estava a ver, desconforto também pela minha reacção -- os chamados mixed feelings.

Coloquei lá em cima o trailer mas o trailer mostra uma animação que o que vi até agora não tem.

A questão é que o tempo passa. Passou também para elas. E elas não o escondem (ou não conseguem esconder -- não sei...). São agora mulheres com outro corpo, com rugas, cabelo grisalho. 

Claro que Carrie Bradshaw se mantém magra e, portanto, ainda consegue vestir qualquer coisa e claro que Charlotte, a boneca de porcelana do grupo, tem o cabelo ainda todo escuro, assumidamente pintado. Aliás, acho que a boca também foi retocada. Preenchida, como creio que se diz. Mas a Carrie e a Miranda agora estão grisalhas e os rostos não disfarçam a erosão do tempo, a Miranda e a Charlotte têm as ancas mais largas, têm as pernas mais pesadas. 

Mas, lá está, quem sou eu para falar destes aspectos? Não sei eu também, tão bem, que o tempo, ao passar, vai deixando as suas marcas? E que mal têm essas marcas? Faria sentido chegar-se a velha com carinha e corpinho de adolescente? Seria até estranho.

Mas nem é tanto a idade que agora têm: é também todo o enredo. A Charlotte tem filhas adolescentes, uma das quais armada em rebelde, a Miranda também tem um filho adolescente que leva a namorada lá para casa (e para a sua cama) e o marido, sempre tão low profile, está também mais velho e mais low profile. E a Carrie está instalada, casada com o seu Mr. Big. 

E já não há aquele viço, aquela leveza, aquele espírito de brincadeira que as levava a rir mesmo quando falavam de desgostos de amor. Agora os semblantes por vezes ficam fechados e, quando se divertem, é um divertimento algo forçado, coisa de mulheres maduras que ainda wanna be fofas e leves. Falta a Samantha e a sua pimenta que incendiavam as conversas, falta a alegria.

E como se a coisa não fosse já suficientemente desconfortável resolveram matar o Mr. Big, caído no chão com um enfarte -- imagine-se. E, portanto, o segundo episódio foi passado nas cerimónias fúnebres do que era o gostosão da fita. Claro que tentaram polvilhar a coisa com algum humor mas, na realidade, um humor muito relativo. 

Portanto, até ver, o que fica é como que um amargo de boca. Já basta a vida de verdade ser tantas vezes uma seca e uma xaropada do piorzinho que há. A ficção, a este nível, numa série supostamente levezinha, não tem que tentar reproduzir a realidade senão vira também um desconsolo.

Pode ser que seja um arranque envolto em desgraça -- cabelos brancos, conversa de quase-velhas, a artista principal caída numa inesperada e triste viuvez --, para depois se lançar na paródia. Mas não sei, não...

Por enquanto estou naquela de que, na volta, aqui também se aplica aquela de que não se deve voltar onde já se foi feliz e que, se calhar, mais valia termos ficado com a recordação daquele grupo divertido numa Nova Iorque vibrante, cheia de eventos e de gente animadíssima. Se isto vai virar uma série de três velhas saudosistas e chatas vou ali e já venho. Mal por mal, antes a Candice Bergen toda descadeirada, a Jane Fonda toda emperiquitada ou a Diane Keaton, essa sim, sempre uma intemporal crazy girl.

O que vale, para nosso consolo, é que isto não interessa para nada. Importante, importante é que o jeitoso Vice-almirante voltou a ser chamado -- desta vez para coordenar as detenções. Boa. Estamos safos. A coisa vai correr bem.

E o resto é conversa.

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Desejo-vos um dia feliz

E cuidado com a bicha má, Ómicron de seu nome. 

Evitem espaços fechados, usem máscara... essas coisas.