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quinta-feira, agosto 27, 2026

Montenegro, Melo & Ventura, que vergonha deviam ter após lerem a carta enviada pela ONU
... E ainda um àparte sobre o Neves ...
--- De novo, a palavra ao meu marido ---

 

A deriva populista do PSD e do CDS, a reboque do Chega ou por vontade própria dos seus líderes cuja a forma de estar na política não é muito diferente da do líder do Chega, origina situações ultrajantes para o parlamento português e para os portugueses. Numa carta enviada ao presidente da AR, o responsável pelos diretos humanos da ONU pede ao PSD, ao CDS e ao Chega para retirarem a lei, em discussão na especialidade, sobre identidade de género. Refere que a proposta de lei impacta negativamente na identidade de género, não respeita os direitos humanos e contraria muitos dos acordos retificados por Portugal. É uma vergonha para os proponentes este puxão de orelhas, mas, sobretudo é desprestigiante para os portugueses. Os verdadeiros sociais democratas e centristas devem estar a esgotar o stock de pastilhas para a azia. Será que ouviremos o presidente da AR ou o PR pronunciarem-se sobre este assunto? E o arruaceiro-mor Hugo Soares não vociferara como é costume? E o Rangel, que fica histriónico quando está no meio da rapaziada do PSD, não gesticulará enquanto berra sobre este caso? Os tipos que hoje mandam nos partidos de direita têm demonstrado uma grande dificuldade em enquadrarem-se na ética republicana e em respeitarem os direitos dos outros e o direito à diferença. Esta proposta de lei comprova-o.

Voltando ao Neves. Desvalorizar e minorar os procedimentos do Neves porque, aparentemente, não se enquadram em gritantes esquemas de corrupção são um enorme erro que é cometido voluntária ou involuntariamente por muitos comentadores. Na democracia as regras são para cumprir e as leis têm que ser respeitadas. Não há lugar para chicos espertos que, em posições relevantes, estabelecem regras próprias e utilizam subterfúgios para ultrapassar o legislado e contornar o estabelecido. O exemplo da Spinumviva é paradigmático e o que se sabe da atuação do Luís Neves é do mesmo calibre. E como já aqui escrevi quem desvaloria estes casos, porque parece que o Luís Neves é um democrata, quiçá, de esquerda (quando muito da esquerda baixa, digo eu) está a fazer um grande  favor ao populismo e à extrema direita. Pensem nisso. Criticar e exigir que estas situações não  aconteçam é fortalecer a democracia. O contrário é contribuir para que Trumps e quejandos sejam eleitos.

quarta-feira, agosto 26, 2026

Se um ministro pode usar um Golf apreendido não poderá outro, ou o mesmo, usar um Rolex apreendido? É só uma pergunta.
--- A palavra ao meu marido ---

 

Tenho dificuldade em perceber como é que comentadores que me parecem razoavelmente honestos defendem de forma obstinada o Luís Neves. 

Já percebemos, como o próprio admitiu, que não cumpre os procedimentos, actua provavelmente de forma ilegal e as notícias vão dando conta de que mente com quantos dentes tem na boca. Temos, portanto, um conjunto de valências de excelência para se ser ministro -- e, no entanto, gente como o Fernando Medina, o Nuno Artur Silva, o Miguel Sousa Tavares, o Miguel Roque e outros que tais acham que é coisa menor um ministro actuar segundo uma lei própria, de forma opaca e, quando escrutinado, pelo que à posteriori é divulgado, descobre-se que que mentiu descaradamente. 

De facto, o nível exigido a um político baixou drasticamente desde a Spinumviva, mas não pensei que fosse possível chegarmos a este ponto. Já tinha ouvido o Sousa Tavares dizer que tinha aprendido a nadar num tanque como se isso justificasse a construção da piscina pelo ministro. Ouvi o Medina referir que provavelmente só havia uma empresa a construir para a PJ por questões de segurança como se fosse a única bolacha no pacote e o Miguel Roque mencionar que não interessa nada essa história do Neves ter um Mercedes de luxo e justificar o Golf por questões de poupança com qual é o problema? 

Argumentos mais cretinos são difíceis. E, no entanto, ainda é possível pior. O Santana Lopes disse que situaçoes destas são mais de 100 e que até conheceu ministros que conduziam Porsches. Pelos vistos é tipo self service. Cada um vai aos depósitos de apreendidos e escolhe o carro que quer. Inacreditável! 

Ocorreu-me se farão o mesmo com os Rolex ou com colares de diamantes. Mandam buscar, usam e, depois, devolvem? Será de escrutinar? É que isto é cada cavadela, sua minhoca.

E, com isto, o Ventura vai cantando e rindo.

segunda-feira, agosto 24, 2026

Breves e desinteressantes

 

Continuo nas breves e a despachar porque são quase duas da manhã e não tenho cabeça para longas e com calma.

1. 

Como não vi televisão e estive a milhas de tudo, agora passei, rapidamente, os olhos pelas notícias e quase me sobressaltei com uma que começa por Governo apalpa. De repente, na minha ligeireza ensonada, pensei que alguém do governo andava a apalpar o que não devia. Pensei: 'Será o Neves?'. Depois de lhe ter aparecido uma piscina num fim de semana, de lhe ter aparecido um orçamento de 155.000 euros para coisas que custam para aí umas dez vezes menos e que não era ele a pagar (ele, leia-se a Judite), de andar aboletado num carro desportivo apreendido numa operação (também da Judite), e já nem falo de ter dado ordem para produtos perigosos andarem a passear do Seixal para Barcelos e de lá ficarem guardados ao deus-dará como se fossem azeitonas, querem lá ver que agora também anda para aí a apalpar qualquer coisa (ou alguém) que não é suposta ser apalpada? Fechei e abri os olhos e afinal verifiquei que não, coitado, não foi ele. O título completo reza assim: "Governo está a apalpar terreno para mexer nas pensões? "Atreva-se, atreva-se para ver o que lhe vai acontecer""

Como já tinha lido que o Seguro diz que as pensões são sagradas, pensei logo: 'É pá, temos homem. Já está a desafiar o apalpador. Atreva-se? Nem parece coisa dele, já a desafiar o Montenegro para um duelo...'. 

Mas, incrédula, fui cobfirmar. Afinal não foi o Seguro, foi o Raimundo já a ensaiar as cordas vocais para a festa do Avante. Assim já percebo.

2.

Hoje decorreu cá em casa mais um almoço de parabéns a você. No espaço de nem chega a mês e meio foi o sexto aniversário. Dia feliz, portanto. O tempo esteve de chuva e, de vez em quando, de trovoada. Como tivémos que refeiçoar dentro de portas, para evitar confusões com o cãobeludo que, nestas circunstâncias e com tanta gente e tanto movimento, fica num excitex, o meu marido, que antes tinha preparado tudo para ele ficar no jardim, teve que alterar os planos e acondicioná-lo na garagem. Com o terror que ele tem de trovoadas (ele, o cão), não iríamos sacrificar o animal. Então, deixou-o na garagem, e a garagem com o portão aberto, e com uns painéis de uma certa altura, talvez uns 70 ou 80 cm, que impediriam a sua saída. Tudo certo. Pois bem, de tarde, apareceu em casa, todo lampeiro. Pensei que tinha sido o meu marido a condoer-se. Não, foi ele mesmo. Fomos ver se tinha conseguido derrubar a barreira. Não, estava no sítio. Portanto, escapista profissional como é, fez salto em altura. Mesmo com o funil na cabeça, conseguiu alçar-se àquela altura, passar por cima e vir ter connosco. 

Nota: está bem melhor, mas agora com muitas crostazinhas soltas emaranhadas no pêlo da cauda, de alto a baixo. Tento puxá-las e não deixa, vai aos arames. Ora, se não as tiro, tentará tirá-las ele com a boca mal o libertemos do funil isabelinho. E o mal de começar a lamber e a puxar com os dentes é que, às tantas, com a pele húmida e lambida e relambida, arranja novo problema. Caraças. Está aqui um problema que não vai ser fácil de resolver. 

Ao fim do dia, quando estávamos só nós e nos dedicámos à faena da limpeza e desinfecção, foi outra vez o bom e o bonito: ladra, rosna, revira-se, contorce-se, tenta pirar-se, ameaça, e só não ataca mesmo porque o meu marido o agarra ferozmente. Portanto, suspendi a caça à crosta. 

Algum tempo depois, o meu marido, que consegue disfarçar melhor que eu, vendo que a fera estava mais mansa, tentou enganá-lo e pôs-se a escová-lo como quem não quer a coisa. Mal lhe tocou com a escova na cauda, deu logo um salto e mostrou aqueles ameaçadores dentinhos que tão bem conhecemos. Desistiu. cão, kikasPortanto, agora é mais esta para ver como se resolve

3.

Não sei se é só por aqui ou se é um mal generalizado: moscas e mais moscas. Nos últimos dias, mal conseguia estar sossegada lá fora, tantas as moscas. Comprámos uma espécie de ventoinhas portáteis próprias para afugentar bicheza esvoaçante e eu, às tantas, já andava com uma na mão. Agora, passaram cá para casa. Como costumamos ter as janelas abertas, entram estupidamente. Por exemplo, estou aqui na sala a escrever e uma filha da mãe não me deixa em paz, aqui anda a zoar-me os ouvidos, a deixar-me doida. Não me apetece pôr-me à caça dela para a esborrachar mas já não aguento, vou-me deitar. Com sorte, a estupora não sabe o caminho para o quarto.

domingo, agosto 23, 2026

Breves

 

Num meio que nada tem de rural, apesar de todas as casas terem jardim, é com prazer que, quando acordo de madrugada, ouço um galo a cantar.

Esta noite, ao passear por aqui, passei junto a uma casa muito bonita, com uma arquitectura invulgar. Tinha a porta aberta e as luzes de dentro todas acesas. Vi muitos vultos no jardim, uns entravam e outros saíam de casa, sempre conversando, recortados contra a luz que vinha de dentro. Falavam em francês. Parecia um filme.

Muitas vezes não publico os comentários porque são ofensivos, sobretudo para algumas pessoas que não eu (imigrantes, homossexuais, etc). Outras vezes não publico porque são demasiado estúpidos. Outras porque são incompreensíveis, certamente escritos por pessoas que não estão bem. Mas acontece que por vezes fazem o pleno e juntam-lhe ainda erros ortográficos. Por exemplo, tenho aqui um que não vou publicar e que, entre outras pérolas, fala da 'chumgaria'. Assim mesmo, com m. Se nem escrever sabem como podem avançar para o patamar seguinte que é o de expor ideias? 

Há uma coisa que me anda a parecer muito curiosa. Dizia-se, ou melhor, admitia-se, que o Luís Neves era o ás da judite. Não havia criminoso que lhe escapasse. Pois bem: desde que saiu, é raro o dia em que não é apanhada uma rede, seja do que for, de bandidagem ligada à droga, às burlas, às fraudes, a tudo. Não há aqueles nomes criativos para as operações, pelo menos que se saiba, mas parece que tudo o que andava encalhado no tempo do Neves, agora está a resolver-se a toda a brida. Seria interessante que alguém comparasse a estatística de apreensões (droga, armes, bandidos, whatever) antes, no tempo do Neves na Judite, e depois, desde que deixou por circular por lá. 

Harvard vende cursos ministrados por clones de IA dos seus professoes. Quando uma coisa inexistente já se dá ao luxo de ensinar um humano, só posso dizer que vou ali e já venho. Pior: quando um humano aceita pagar 700 euros por um curso ministrado por uma coisa, só espero que seja um parvo daqueles que estão sempre prontos a darem com o burrinho nas couves, e não uma moda que está a vir para ficar. Mundinho mais tinhoso, este. E tudo estará bem, se o avatar não alucinar ou não estiver desinformado ou com algum bug. Mas pode estar e estará a ensinar a grelagem das batatas em vez de física quantica. Mas, mesmo que esteja a dizer coisas acertadas, um professor não é mais do que uma mera máquina debitadeira? Pensava que era. Eu, pelo menos, durante a minha curta experiência, tentava ser muit mais que isso. Estamos a caminhar para a autofagia, é isso?

Li também que um enviado de Trump usa vodka e piadas brejeiras para conduzir a diplomacia dos Estados Unidos. Não me admira. Quando se desce ao nível rastejante, tudo faz sentido, os vermes de todo o mundo sentem-se econhecidos. De qualquer forma, o estilo não é inédito e há sempre quem aprecie o género e caia na esparrela. Tive uns colegas, gente muito vip, gente muito ilustrada, viajantes de muitas mil milhas à volta do mundo, empresários autodenominados de 'mão cheia', que, tendo a ilusão de fazer negócios com altos empresários chineses, se deixaram enredar em situações em que uma chinesa insinuante se atirava ao mais pateta deles, por sinal também considerado um ás, segundo ele batido em tudo o que é arte e manha -- e as noites acabavam com ela enfiada no quarto de hotel dele, com ele embriagado e, sem saber porquê ou sem se dar conta disso, completamente maluco. Ou ela lhe dava alguma bebida que mexia com a estabilidade mental dele ou, então, o álcool desatinava-o mais do que a conta. Os outros colegas, não sei se completamente sóbrios ou se apenas um pouco mais conscientes que ele, relatavam, off the record, à boca mais do que pequena, episódios estarrecedores. Tendo ele aparecido de uma dessas viagens com um brutal hematoma, ferido mesmo, na testa, veio depois a saber-se por portas e travessas que, não se sabe como, numa dessas noites selvagens, com a dita chinesa lá metida no quarto, ele subiu para a cómoda e de lá pretendeu atirar-se em mergulho para a cama, tendo, obviamente, aterrado no chão. O que ela sacou dele nunca se conseguiu saber, nem ele, que não conseguia reconstituir nada do que se tinha passado. Claro que, ao fim de algum tempo, os chineses perdiam o interesse nas parcerias. Dizia eu e outras más línguas que já tinham obtido o que queriam. Por essas alturas, recebemos uma visita do SIS que nos veio avisar para os riscos de algumas situações e descreveu várias, algumas tiradas a papel químico do que sabíamos que se tinha passado com os chineses mas também com árabes. Algumas pessoas em funções de responsabilidade são um perigo.

E, por hoje, fico-me por aqui. Se um dia me ponho para aqui a desbocar-me vai ser o bom e o bonito. O que me vale é que não há nenhum chinês por aqui, que me ponha a falar do que não quero. Na-na-ni-na-não. Da minha boca não vai sair nada de mais, não.

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Desejo-vos um bom dia de domingo

sábado, agosto 08, 2026

Os Luíses, Montenegro & Neves, são mais mentirosos que o Trump...? Bizarrias do governo cá do burgo
-- A palavra ao meu marido --

 

Isto da silly season é lixado. Não é que temos sido assolados com notícias ainda mais bizarras, anedóticas, impensáveis, inimagináveis, ridículas quiçá, insuportáveis sobre o governo, a PJ e o Montenegro? Nem os génios do comentário televisivo tipo Rosa do Observador, Calafate, Ricardo Costa ou Maria Castelo Branco conseguiram antever estas bizarrias. Suponho que nem no país mais recôndito dos confins de África ou da Oceania um membro do governo manda investigar publicamente um outro membro do governo que por acaso até é o ministro das polícias. Mas em Portugal acontece! Para cúmulo o ministro investigado até agradece e não se demite. Isto não é uma bizarria, é uma pouca vergonha! 

Será que isto aconteceu porque o Luís Montenegro, por acaso, PM, está ausente, a banhos? É que o Luís que jurou a pés juntos, perante toda a maralha, que este ano ia finalmente trabalhar e, como tal, não podia ir a banhos, mentiu, mais uma vez, descaradamente. Foi apanhado com o amigo Hugo na praia, com os pezinhos na areia. Este caso não é uma bizarria. É apenas o costume! O Montenegro mente descaradamente. E não se deve pensar que a ministra da Justiça se atirou ao Neves porque o PM se pisgou para os Algarves e houve faita de coordenação no governo? É evidente que coordenação no governo nunca houve,  e que este governo é uma manta de retalhos de incompetentes. A coisa aconteceu porque alguém tentou ficar melhor na fotografia e sair o menos chamuscado possível. 

Será uma bizarria a notícia de  que a DST, que factura cerca de 700 milhões por ano e tem milhares de empregados, ter ido a um concurso do MAI como parte júnior num consórcio liderado por uma empresa que instala painéis solares e carregadores de automóveis, com menos de 20 empregados e cuja lista de referência não menciona um único trabalho do âmbito do concurso? Talvez... Mas, no caso Neves, o que não faltam são bizzarias. 

Até um camião com químicos perigosos para fazer drogas foi parar a um canto de um armazém de materiais de construção civil, propriedade do amigo do peito do Neves. E que dizer sobre o amigo do Neves, que por acaso fazia obras na PJ e que tinha feito obras na herdade do Neves, também trabalhar na casa do diretor financeiro da PJ? Será apenas amizade compincha ou o empreiteiro curte trabalhar para aquecer? Isso é que seria verdadeiramente bizarro! 

E será bizarro e surpreendente que um terço dos membros do governo tenha empresas? Bizarro é, dir-se-ia que deviam ter mais que fazer, mas, surpreendente não é, por alguma razão, o governo não toma nenhuma medida para garantir equidade fiscal. Então a rapaziada do governo ia prejudicar-se a si própria? Querem é pagar o mínimo de impostos possível. Que mal tem, a maralha que pague a conta!

Assim, e para termos ainda mais com que nos divertir este Verão, proponho que se faça uma contagem das mentiras do Neves e do Montenegro e se comparem o número de mentiras de cada um com o número de mentiras ditas pelo Trump. Apostaria que o Neves já disse mais coisas que não correspondem à verdade desde que começou a ser questionado, do que as mais de 30 vezes que o Trump informou que tinha chegado a acordo com o Irão sem que tal tivesse acontecido. Para que conste, a mentira do Montenegro sobre as férias vale por 100 na contagem.

Nota: A malta que pertence aos AAN, Amigos Anónimos do Neves, talvez influenciados pelos APN (Amigos Públicos do Neves muito representados na comunicação social), comentam sempre que podem que o Neves é uma vitima da extrema direita e que fez tudo numa de voluntarismo. Tenho uma notícia a dar-lhes. Quem fez trapalhadas, cometeu irregularidades e, provavelmente, ilegalidades foi o Neves. A extrema direita como é seu hábito aproveita e cavalga a onda, mas, de facto quem fez asneiras foi o Neves. Recordo-lhes que por se branquearem estes e outros tipos de coisitas é que o Montenegro é PM e o Trump presidente dos EUA. Pensem nisso.

sexta-feira, agosto 07, 2026

As gueixas

 

Não vou explicar em pormenor, repito apenas que me faltam os meios para que os meus dedos consigam pronunciar-me capazmente sobre a embaraçosa situação do Luís Neves, que se vai enterrando mais a cada dia que passa, da insustentável situação do incompetente e irresponsável Fanã-Alex, da vergonhosa e preocupante incompetência da Ana Paula Martins, do absoluto zero que é o Lentão Amaro e de todos quantos, feitos zombies, se arrastam no governo do Montenegro, o tal que anunciou que não ia de férias e que agora foi fotografado a banhos no Algarve, como sempre, cosido com o trauliteiro-mor Hugo Soares.

Tivesse eu um computador e o tanto que teria para dizer. Até invocaria o caso de um tal director que, tendo tido problemas e remodelações por fazer em sua casa, 'contratou' a empresa que tinha contratado para fazer uns trabalhos numas certas instalações, trabalhos esses que, sem o saberem (cala-te boca) pagaram todo o gasto na casa do dito director. E isto foi-me contado por quem tinha todas as provas. Isto numa outra vida, outros personagens. Há histórias que parece que teimam em repetir-se, mudando apenas os personagens. Um tédio.

Mas não tenho computador. Parece que encomendaram uma peça. Ando mentalmente coxa, parece que me falta a mobilidade. A ver se para a semana, a coisa se resolve.

Entretanto, fui a uma clínica veterinária comprar um shampoo para peles sensíveis para o cão e fiquei com vontade de o experimentar, deve ser bom pois custa dez vezes mais do que o que uso para mim. E quando estava a ser atendida, saiu uma vet toda chiquérrima do consultório e dirigiu-se à funcionária que me estava a atender, a perguntar-lhe por umas fichas não sei de quê. Mas, de repente, levantou o olhar para me pedir desculpa por ter interrompido e, ao dar de caras comigo, soltou uma exclamação e, sem parar de me olhar, repetiu o que tinha dito e disse que eu lhe fazia lembrar uma certa baronesa quando era mais nova. O meu marido depois disse-me: 'Ora aí está uma coisa boa para contares no blog'. Respondi-lhe que é o que dá ele não ler o que eu escrevo. Se lesse, saberia que jamais contaria isso. Gozou comigo 'Aposto que vais escrever'. Portanto, aqui fica a prova provada: perdeu a aposta.

E pronto, como sem computador e com um corrector automático que só à bofetada, fico como se estivesse lobotomizada, totalmente improdutiva, sem saber de que falar, fico-me por aqui

Vou antes ver este vídeo que nada tem a ver com algumas personagens da nossa praça, umas infelizes mancas em classe, savoir faire e requinte, pimbas e intelectualmente balofas -- nada, nada, a ver com as icónicas personagens do vídeo abaixo.

As Gueixas de Tóquio: Por dentro do mundo fechado dos enigmáticos ícones do Japão | Foreign Correspondent

No Japão, a comunidade das gueixas é um mundo fechado. O modo de vida por detrás daquelas mulheres icónicas — com a sua maquilhagem marcante, as imponentes perucas negras e os requintados quimonos de seda — é em grande parte desconhecido, até mesmo para muitos japoneses. Então, como é que as gueixas atuam na era moderna? Como é, de facto, a vida de uma gueixa em 2026?

No programa *Foreign Correspondent*, a repórter Natalie Whiting leva-nos para o interior da vida privada das gueixas. Com um acesso privilegiado, conhecemos uma das gueixas mais famosas do Japão e as jovens que abdicaram das liberdades usufruídas pelas suas amigas para dedicarem a sua vida a uma das antigas formas de arte japonesas. Antigamente, mais de 13.000 gueixas viviam e trabalhavam em Tóquio; hoje, restam apenas cerca de 200. Estão numa missão para se abrirem ao mundo, numa tentativa de salvar esta antiga tradição das artes performativas.

O *Foreign Correspondent* é o programa de atualidade internacional exibido no horário nobre da estação pública australiana, a ABC-TV. Produzimos reportagens aprofundadas de meia hora de duração para exibição nos canais de televisão e plataformas digitais da ABC. Desde 1992, as nossas equipas viajaram para mais de 170 países para cobrir conflitos, catástrofes naturais e agitações sociais e políticas — sempre na perspetiva das pessoas que vivem estes acontecimentos de perto.


Uma happy sexta_feira

segunda-feira, agosto 03, 2026

Luís Neves -- o passivo* dos desenrascados

 

Como é sabido por quem por aqui me acompanha, trabalhei mais de mil anos em contexto empresarial, seja o de empresa pública seja, maioritariamente, privada. Trabalhei com gente que nunca mais acaba e, agora, de ginjeira, consigo caracterizar toda a gente que me passa à frente. 

Trabalhei com dois que, a meu ver, são cópias chapadas do Luís Neves. Em empresas diferentes e em anos desencontrados, eles não se conhecem. Mas eu conheci-os bem demais. Ambos altos dirigentes nas respectivas empresas.

Não vou entrar em pormenores mas , caso eles tenham cometido irregularidades, fizeram-nas certamente "por bem". E, de resto, já prescreveram, já foi tudo há muito tempo. 

O primeiro era responsável por uma grande área que, por sinal, tinha vários pontos de risco. Sob sua coordenação, directa ou indirecta, trabalhavam muitas centenas de pessoas. A Administração da qual ele dependia, gostava genericamente dele. Consideravam que não seria um estudioso nem um inovador, nem sequer metódico e, muito menos, especialmente rigoroso. Atrasava-se nos relatórios, sabia-se que, aqui e ali, alguns procedimentos eram aligeirados, e não era extraordinariamente brilhante quando tinha que apresentar planeamentos detalhados ou justificações mais complexas. Mas resolvia todos os problemas. Nunca levava problemas para a Administração. Resolvia tudo e a Administração, na maior parte das vezes, nem sabia que tinha havido qualquer problema. E haver uma pessoa assim é um descanso. Um desenrascado. Por vezes sabia-se que tinha lá estado uma equipa da ACT e chegavam rumores de algumas situações estranhas mas ele dizia que estava tudo ultrapassado, que nem valia a pena entrar em pormenores. Sabia-se que tinha boas relações com os inspectores, que os convidava para almoçar. Era cordial, descontraído, simpático.

Outras vezes, a posteriori, ouvia-se falar em eventuais acidentes de trabalho, outras vezes ambientais. Mas ele assegurava que não, coisas de nada que os intriguistas do costume gostavam de empolar. A Administração lembrava-o que os procedimentos eram para cumprir religiosamente, que a transparência era imprescindível. E ele dizia que sim, claro.

Os seus indicadores eram sempre de excelência. Os colegas torciam o nariz, desconfiavam que ele atirava os problemas para debaixo do tapete, recorria a expedientes, encobria problemas. Mas eram suposições.

Até que mudou de funções. E aí foi o ver se te avias. O pobre coitado que para lá foi encontrou um passivo desgraçado. Situações até embaraçosas, problemas para resolver que não acabavam, os anteriores colaboradores todos a demarcarem-se do antigo chefe, tudo a vir acima.

Infelizmente, por essa altura aconteceu um problema de grandes dimensões, coisa séria, que o transcendeu. Ele foi acusado por inerência de funções mas, directamente, toda a gente acreditou que foi mais um grave acidente do que uma gravíssima negligência. Mas ele foi-se muito abaixo, adoeceu, teve uma depressão, e passou a ser uma pálida sombra do que tinha sido.

O segundo, num outro tempo, numa outra empresa, era igualmente um alto dirigente. Muito do género do primeiro. Considerado um ás, um solver, ainda se estava a começar a ouvir falar de um problema e já ele estava em campo, a resolvê-lo. Afável, simpático, bom trato. Toda a gente gostava dele. Talvez fosse das pessoas mais conceituadas da empresa. Os clientes adoravam-no, os fornecedores estavam sempre a querer falar com ele, as instituições com as quais a empresa se relacionava tinham nele o rosto operacional da empresa, os sindicatos entendiam-se muito bem com ele.

Nunca enviava relatórios e várias áreas penavam para ele dar alguns inputs de que precisavam, por exemplo, para ter orçamentos ou para se fechar as contas. Nunca tinha tempo, andava sempre em reuniões, andava no terreno, dizia que não tinha tempo para papéis.

O pior foi quando se começaram a fazer auditorias. O passivo era gigantesco. Verbas inusitadamente altas por facturar por acordos que fazia com clientes sem informar ninguém, gente que reclamava aumentos e promoções que ele tinha garantido e, como não podia ser ele a dá-los, arranjava maneira de compensar as pessoas com falsas horas extraordinárias ou falsos subsídios. Acordos com fornecedores que fazia à revelia da área de Compras, segundo ele para resolver emergências (das quais as Compras nunca tinham ouvido falar). Recurso a trabalho temporário ou a prestação de serviços sem autorização. Ou, mesmo, querer corromper quadros bem colocados em algumas organizações, segundo ele porque eram pessoas influentes que poderiam ajudar em concursos, e de que, in extremis, foi impedido, deixando-o incomodado por achar que quem o impedia era gente burocrática, sem visão.

Foi afastado de funções de responsabilidade, claro, pois a empresa não queria correr riscos de danos reputacionais. Mas muita gente na empresa pôs-se do lado dele, desculpando as múltiplas e graves irregularidades e louvando o seu espírito desenrascado 

Agora quem quiser que diga se identifica ou não esta maneira de ser com a de Luís Neves.

Nas empresas em que trabalhei, no mínimo seria encostado. No governo do Montenegro, encaixa bem.


* Passivo no sentido contabilístico do termo

sábado, agosto 01, 2026

Seguro: TACO... perdão SACO
-- E cá está, de novo, o meu marido --


Percebemos hoje, com surpresa e agrado, que afinal a fonte de Belém não secou. Terá estado em manutenção, talvez em reparação, mas voltou a jorrar pujante. Diz o Expresso que o Presidente não falou para não adensar a crise. A questão do Seguro não falar é um hábito antigo, para quê comprometer-se?, não é surpresa é mais do mesmo. Mas esta de ele assumir haver uma crise também me surpreendeu. 

O Neves segue as pisadas do Montenegro: trapalhadas, irregularidades, quiçá, ilegalidades (até ouve mimetismo na cena dos dossiers na conferência de imprensa, só para inglês ver). 

O Fernando com as suas decisões cria desigualdades no acesso dos jovens ao ensino superior e desbarata o erário público para corrigir os erros que originou. 

A ministra da saúde dá cabo da saúde dos portugueses. 

A ministra da justiça finge que não existe, quando bens sob custódia do estado vão parar a um armazém lá para os lados de Barcelos. 

O gabinete do Ventura na AR é, presumivelmente, assaltado. 

E, com este panorama, o Expresso refere que há uma crise e que o PR não falou para não a adensar. 

Nada mais errado. Este é o normal funcionamento do governo da AD e das instituições. Só os mais tresloucados achariam bem que o Seguro dissesse umas banalidades, que outra coisa não lhe parece vir ao espírito, por causa da situação atual. A coisa está normal, tudo o que o governo faz é asneira. E já agora uma proposta, se de Trump se diz que TACO, não fiquemos atrás dos cowboys: de Seguro se passe a dizer que SACO (Seguro always chickens out). Parece-me adequado! 

sexta-feira, julho 31, 2026

Fernando Medina, Miguel Sousa Tavares & Luís Neves Lda.
-- A palavra ao meu marido --

 

Critiquei há dias o Henrique Machado pela defesa bacoca que fez do Luís Neves. Para meu espanto, ouvi ontem o Fernando Medina, na mesma linha, a defender, de forma ainda mais incoerente, o Luís Neves.  Então o Medina, talvez o político mais "apertadinho" cá do burgo, vem dizer que o Luís talvez tenha cometido um errito ou dois mas fez o que a maralha geralmente faz e que aquilo de haver uma única empresa a trabalhar para a PJ era por questões de segurança. 

Vamos lá ver se nos entendemos e não atiramos poeirada para os olhos da maralha. 

Se o Luís Neves pode construir em zona protegida, pode pagar (se é que pagou, não apresentou provas) ao empreiteiro de forma informal, se pode não entregar declarações de rendimentos (só porque sim), se pode desrespeitar as ordens do MP, se pode alegar desconhecimento da lei para praticar irregularidades (quiçá ilegalidades), se pode transformar tanques em piscinas num fim de semana (que argumento ridículo, ainda por cima esqueceu-se de que também lá tem deck e da piscina de apoio), se não licenciou as obras (a propósito, o tanque também deveria ter sido licenciado), então qualquer um de entre a maralha pode fazer o mesmo, e não vale a pena vir cá chatear a malta com essa coisa chata do cumprimento da lei. 

E será que o Medina pensa (claro que não pensa) que só há uma empresa a fazer obras para a NATO, a PSP, a GNR, a Marinha, o Exército e a Força Área? 

O que acontece é que existem concursos públicos e, se as questões de segurança forem relevantes, só podem ser consultadas empresas credenciadas. 

Já agora, com que fundamentos é considerada a empresa do amigo do ministro suficientemente segura para trabalhar na PJ? 

Que os argumentos do Medina não têm fundamento e são poeirada é fácil de perceber. Mas o porquê desta defesa tão despudorada do ministro é que é para mim uma incógnita.

A tese de que o Ventura tem um ódio de estimação pelo Luís Neves devido às afirmações sobre a não relação da segurança com a imigração e à perseguição da extrema direita serão, provavelmente, verdade. Mas se o Luís Neves tivesse seguido as boas práticas não estava metido em trapalhadas, irregularidades e, talvez, ilegalidades.

Só mais uma questão. Já alguém viu a proposta dos 150 mil euros para destruir os produtos químicos? E tendo sido "um extraordinário acto de gestão" mandar os barris para lá do sol posto para poupar o erário público, o Luís Neves estava a pensar posteriormente mandar os produtos para a sarjeta para não ter que gastar dinheiro? Os jornalistas podiam fazer algumas perguntas mais incisivas.

Nota: também o Miguel Sousa Tavares fez hoje uma defesa acalorada do Neves. Borrifando para as irregularidades assumidas pelo ministro (parece que o simplex ético do Montenegro está a fazer escola), não tocando em alguns "pormenores" e desvalorizando o comportamento do Neves, tentou limpar o  Luís. 

A ética democrática que vá para as urtigas -- ou será que o Miguel também tem uma empresa tipo Spinumviva para meter as despesas e pagar menos impostos? 

Mas há uma coisa que deve fazer antes de emitir doutas opiniões: é informar-se. O chorrilho de disparates ao desvalorizar os riscos inerentes ao armazenamento (de produtos químicos, não nos esqueçamos - e dos perigosos) só é comparável à sobranceria com que emite opiniões. Qualquer engenheiro químico ou responsável de uma fábrica ou de um armazém de produtos químicos o poderá elucidar para ele perceber as burrices de que enfermaram as suas opiniões. 

Miguel, uma perguntinha: se houvesse um incêndio no armazém do construtor, os bombeiros teriam condições para o combater (note-se que o próprio amigo do ministro informou não haver qualquer documentação relativa aos produtos químicos) ou seria uma catástrofe? A Proteção Civil saberia como agir? 

Sei que o Miguel ganha a vida a botar faladura mas ao menos informe-se sobre o que não sabe.

PS: Quem esteve bem no Eixo do Mal foi a Clara Ferreira Alves -- informou-se  antes de opinar, foi factual, foi incisiva e falou correctamente. Por isso, desta vez, chapeau.

quinta-feira, julho 30, 2026

O atrelado, os bidões e a "boa gestão" -- O que a conferência de imprensa de Luís Neves não resolveu

 

Os factos, por ordem

Em dezembro de 2024, a Operação Pacoba desmantelou um dos maiores laboratórios de produção de cocaína alguma vez encontrados na Europa. Entre o material apreendido estava uma galera (o "atrelado") carregada com dezenas de bidões de precursores químicos — as notícias divergem entre amoníaco e uma combinação de acetato de etila e hexano, num total que o Expresso situa em 12.400 litros. É provável que se trate de um conjunto de substâncias diferentes, mas o ponto relevante é o mesmo: são produtos perigosos, usados no processamento de droga sintética, e a sua gestão exigia cuidados que claramente não foram tidos.

O atrelado foi inicialmente entregue ao parque de apreendidos da Autoridade Marítima, no Seixal. Em agosto de 2025, a Marinha pediu a retirada imediata do material das suas instalações, por os bidões estarem expostos a risco de incêndio. A PJ terá pedido orçamentos para destruir os químicos; o valor mais baixo rondaria os 144 mil euros, tido como incomportável. Sem solução de destruição, o diretor financeiro e do património da PJ, Álvaro Pires, terá proposto entregar o atrelado à guarda provisória de João dos Santos Carvalho — empresário à frente da Construbarcelos e amigo pessoal do então diretor nacional da PJ, Luís Neves, que deu aval à decisão. A 5 de setembro de 2025, a galera seguiu do Seixal para Barcelos, a 350 quilómetros de distância, sem que a PJ tivesse sequer pago o combustível da viagem.

O atrelado ficou então acoplado a um camião da Construbarcelos, num espaço da empresa, exposto às condições climatéricas. Foi aí que, em julho de 2026, uma equipa de reportagem da TVI/CNN Portugal/Nascer do Sol o encontrou, no seguimento da investigação sobre as obras feitas pela mesma empresa na propriedade de Luís Neves em Odemira. Três dias depois, a PJ recuperou o material.

O que há de anómalo aqui

Vários juristas e ex-responsáveis policiais consultados pela imprensa foram unânimes num ponto: não têm memória de um caso semelhante. Um ex-inspetor da PJ com décadas de carreira descreveu a situação como inédita, notando que a prática habitual é os bens apreendidos ficarem à guarda das próprias forças policiais, nunca de particulares. Um antigo procurador-geral adjunto foi no mesmo sentido, sublinhando que a lei só prevê a afetação provisória à Polícia Judiciária — a entrega a um cidadão comum não tem, à partida, cobertura legal. O Expresso avançou mesmo que podem estar em causa crimes de abuso de poder e de descaminho.

O que disse Luís Neves esta quarta-feira

Na conferência de imprensa desta quarta-feira, com luz verde do primeiro-ministro Luís Montenegro, Luís Neves assumiu a decisão como sua e não do subordinado que a propôs. Classificou-a como um "puro acto de boa gestão" e disse que, dadas as circunstâncias, voltaria a tomá-la hoje. Como justificação para a falta de alternativas, referiu que os armazéns da PJ estavam cheios de tabaco e azeite contrafeito apreendidos, o que terá dificultado encontrar espaço para o atrelado. Negou qualquer desvio de bens, qualquer comprometimento de prova ou qualquer contrapartida dada a João Carvalho por ter recebido o material, e garantiu que o transporte foi acompanhado por elementos da PJ — admitindo que, a não existir documentação sobre essa deslocação, se trataria apenas de "uma mera irregularidade". Questionado sobre a ausência de documentos, respondeu não ter "de saber se há documentos ou não", remetendo essa responsabilidade para a atual direção nacional da PJ. Considerou não haver qualquer gravidade no facto de o Ministério Público estar agora a investigar uma decisão tomada por ele próprio.

A reação da oposição foi dura: o PCP considerou incompreensível que o Estado não tivesse uma instalação própria para guardar o material, questionando como é possível o material ter ficado "no meio da rua" à guarda de uma empresa privada sem condições especiais para tratar destas matérias, e criticou o atraso nos esclarecimentos; o Chega falou em oportunidade perdida de decência por parte do Governo.

Os riscos reais dos produtos químicos

Independentemente de se tratar de amoníaco ou de solventes como acetato de etila e hexano, os riscos de dezenas de bidões destas substâncias expostos ao ar livre, junto a uma via de trânsito, são concretos:

      Risco de incêndio e explosão, no caso de solventes inflamáveis — foi precisamente este o motivo invocado pela Marinha para exigir a retirada do material das suas instalações.

      Corrosão dos próprios bidões pela exposição prolongada ao sol e à chuva, aumentando a probabilidade de fugas ao longo do tempo.

      Toxicidade por inalação, sobretudo no caso do amoníaco, que forma vapores irritantes e corrosivos para vias respiratórias, olhos e pele.

      Ausência de contenção adequada — bacias de retenção, ventilação controlada, distância de segurança — que existiria numa instalação licenciada para produtos perigosos, mas não num armazém de uma empresa de construção civil à beira de uma estrada.

      Escala do problema: com uma ordem de grandeza de milhares de litros, um incidente não seria pontual.

O risco que ninguém abordou: e se tivessem sido roubados?

Há uma dimensão que as notícias disponíveis não abordam directamente, mas que decorre logicamente dos factos: durante quase um ano, dezenas de bidões de precursores químicos usados no fabrico de droga sintética estiveram acoplados a um camião, num espaço de uma empresa de construção civil, à vista da via pública — sem o nível de vigilância, controlo de acessos e cadeia de custódia que um armazém policial ou uma instalação licenciada para substâncias perigosas teria.

Quem garante que nenhum bidão foi retirado, substituído ou adulterado nesse período? Não há qualquer auditoria pública ao conteúdo do atrelado comparando o que lá estava em 2024 com o que a PJ recuperou em julho de 2026 — apenas a garantia genérica da PJ, dada a 17 de julho, de que os produtos "não têm natureza estupefaciente". Isso confirma o que os produtos não são, mas não confirma que a quantidade e composição sejam exatamente as mesmas de quando o atrelado saiu do Seixal. Para uma rede criminosa, precursores químicos como estes têm valor de mercado próprio — são bens cobiçados por quem processa droga, com ou sem ligação à rede original da Operação Pacoba. Um armazém de obras, sem vigilância 24 horas dedicada a bens apreendidos, é um alvo bem mais acessível do que uma instalação policial.

Este ponto é especialmente forte porque não depende de provar má-fé de ninguém: mesmo assumindo total boa-fé da parte do empreiteiro, a simples ausência de condições de segurança equivalentes às de um depósito de bens apreendidos já é, por si, uma falha grave de gestão do risco — quer o risco seja ambiental, quer seja de furto ou desvio de substâncias controladas.

Porque é que "boa gestão" não sustenta o argumento

Vale a pena desmontar esta expressão ponto por ponto, porque é o eixo central da defesa do ministro e não resiste a um escrutínio simples:

      "Boa gestão" não é o mesmo que "solução mais barata". Neves justificou a decisão com a falta de espaço nos armazéns da PJ e o custo de destruição (144 mil euros, tido como incomportável). Mas evitar uma despesa não é gerir bem um risco — é transferir esse risco para fora do controlo do Estado, sem o eliminar. Um material que era perigoso a ponto de a Marinha o recusar não deixa de o ser por passar para um armazém privado; muda apenas quem fica exposto a ele e quem o vigia.

      Não há registo de avaliação de risco nem de comparação de alternativas. Uma decisão de "boa gestão" pressupõe, no mínimo, ter pesado opções concretas — outras instalações estatais, outras entidades licenciadas para produtos perigosos, adiamento da decisão até haver verba. Não há indicação pública de que essas alternativas tenham sido sequer consideradas antes de se optar por entregar o material a um amigo pessoal do decisor.

      O Estado nem sequer pagou o transporte. Se a lógica fosse poupança e eficiência, seria de esperar que a operação ficasse, no mínimo, documentada e financiada pela PJ. O facto de o combustível da viagem de 350 km não ter sido pago pela PJ é inconsistente com a ideia de uma decisão institucional ponderada — sugere antes um favor pessoal disfarçado de procedimento administrativo.

      Não há cobertura legal identificada. A lei só prevê a afectação de bens apreendidos à própria Polícia Judiciária — não a um cidadão privado. Uma decisão que carece de base legal não pode, por definição, ser apresentada como boa gestão; é, na melhor das hipóteses, uma improvisação sem cobertura, e na pior, uma decisão administrativamente irregular.

      O conflito de interesse esvazia o argumento da neutralidade técnica. "Boa gestão" implica uma decisão tomada em função do interesse público, não da conveniência de quem a toma. O facto de o beneficiário ser um amigo pessoal do próprio Luís Neves — e simultaneamente empreiteiro noutras obras ligadas ao ministro — retira credibilidade à ideia de que se tratou de uma escolha meramente técnica e imparcial.

      O próprio ministro admite que pode ter havido irregularidade. Ao dizer que, na ausência de documentação sobre o transporte, se trataria de "uma mera irregularidade", Neves está a admitir, ele próprio, que o processo pode não ter cumprido requisitos básicos de registo e controlo — o oposto de uma gestão exemplar.

O ponto final que resume todos os outros: esta decisão não resolveu o problema — apenas o adiou, e pelo meio aumentou os riscos que devia ter eliminado. Em dezembro de 2024, o problema era "o que fazer a bidões perigosos apreendidos". Em julho de 2026, o problema é exatamente o mesmo — os bidões continuam por destruir ou armazenar em segurança —, com o agravante de terem passado quase um ano expostos ao ar livre, junto a uma via pública, sem vigilância policial, sem cadeia de custódia documentada e sem certeza sobre se o conteúdo permaneceu intacto. Gerir bem um risco é reduzi-lo ou eliminá-lo; aqui, o risco ambiental, de saúde pública e de furto que já existia em 2024 não só se manteve como se prolongou e agravou. Chamar a isto "boa gestão" inverte o significado da própria expressão: descreve, na realidade, a ausência de gestão — um problema empurrado para a frente até ser outra pessoa a encontrá-lo.

O que deveria ter acontecido aos produtos

A lei prevê que bens apreendidos fiquem afetos à polícia responsável até decisão judicial; produtos químicos perigosos, precursores de droga, deveriam seguir um de dois caminhos:

1.              Destruição controlada por empresa licenciada para tratamento de resíduos perigosos, com autorização judicial e acompanhamento das autoridades ambientais — o procedimento que a própria PJ terá chegado a orçamentar, mas não executou por alegada falta de verba.

2.              Armazenamento em instalação licenciada para produtos perigosos, com as condições de segurança que nem a Autoridade Marítima nem, muito menos, um armazém privado de construção civil oferecem.

O que não deveria ter acontecido, segundo o consenso dos especialistas citados, é a terceira via que de facto ocorreu: entregar o material a um privado, sem base legal aparente, sem custos assumidos pelo Estado e sem supervisão adequada — sobretudo tratando-se de alguém com uma relação de proximidade pessoal com quem autorizou a decisão.

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Nota: Texto elaborado com recurso a IA, no caso o Claude.

Fontes consultadas: Público, Diário de Notícias, SOL, CNN Portugal/TVI, Correio da Manhã, Expresso/Observador, RTP, Jornal de Negócios, ECO, SÁBADO.

quarta-feira, julho 29, 2026

Ainda o Luís (neste caso, Neves) e a meritocracia
-- Ainda a palavra ao meu marido --

 

Uma das teses que anda por aí é que, como parece que entre os 11,4 milhões de portugueses (vamos ver se o INE não me vem corrigir) o Luís Neves é o único que sabe combater fogos, tenha ele pisado a linha ou ficado em cima dela, não se deve demitir nem ser demitido porque é competente naquilo que faz. É uma tese muitíssimo perigosa. Vou só dar um exemplo e por absurdo demonstrar onde nos podem levar as teses de quem se marimba para a ética republicana e acha que os resultados estão acima de tudo. Vejamos o nosso influencer da área da comunicação e da restauração, de sua graça Isaltino Morais. Se tivesse sido apenas julgado pelos resultados à frente da câmara de Oeiras certamente não teria sido  condenado e preso, porque teve e tem excelentes resultados como autarca. Tinha pisado o risco, mas que se lixe, o que interessa são os resultados. 

E, assim, se vai dando força ao populismo.

Ainda sobre o caso do Luís (neste caso Neves): ouvi hoje o Henrique Machado na CNN fazer uma defesa acérrima do senhor. Ouvindo-o parece que não deve haver qualquer preocupação com os bidons de amoníaco. São perigososos, podem explodir ou evaporar e originar sérios problemas de saúde pública  -- mas, para ele, o que é que interessa? O antigo diretor nacional da PJ é um tipo desenrascado, manda aquilo para um descampado e não há-de ser nada. Mas o Henrique acrescenta que, ainda por cima, a PJ não tinha verba  para destruir corretamente o amoníaco. Com certeza, pedir à Ministra a verba necessária, nem pensar! Guardar o amoníaco numa empresa de produtos químicos com condições para o armazenamento seguro do produto, que heresia! O Machado bloqueou, já não consegue pensar. Habitualmente tão castigador para com criminosos, pseudo criminosos e potenciais criminosos, tornou-se, nesta caso, um cordeirinho. Será que deve alguma coisa à PJ ou ao seu ex-diretor? Nem o advogado de defesa do Luís Neves faria uma defesa mais empoderada do seu constituinte. E já agora, aquela história de ter sido o diretor financeiro a assumir a saída do camião, para mim, é um clássico. Quando quem manda quer fazer uma coisa que não quer assumir que fez, arranja um tipo próximo e pede-lhe (isto é, manda-o) fazer o frete. Deve ter sido o que aconteceu com a entrega da galera ao construtor. Até apostava!

quarta-feira, fevereiro 25, 2026

A nomeação do Luís Neves traz água no bico?
-- Pergunta o meu marido --

 

Embora tenha havido algumas vozes menos entusiasmadas, ouviram-se loas à nomeação do diretor da PJ para MAI. Louvou-se o personagem e elogiou-se o outro Luís que, após dois tiros completamente ao lado, teria agora acertado no alvo. Uma coisa é certa, lembrando um slogan célebre de eleições no Brasil, "pior não fica". 

O Luís Neves terá tido sucesso no combate ao crime organizado (claro que neste domínio não se publicitam os insucessos) mas também fica para os anais a "invasão" da Madeira a bordo de duas aeronaves da FA para conseguirem, do que se sabe até à data, uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma, e aquele frete que fez ao Fernando Gomes sobre a investigação do edifício da FPF. 

O novo MAI esteve sempre ligado à investigação, não é político, não se lhe conhecem valências na área da proteção civil, não é fluente e não terá experiência com as outras polícias. Dará um bom ministro? Não sei, o tempo o dirá.

Mas existem dois aspetos que devem ser objeto de reflexão e que, na minha opinião, não abonam em favor desta nomeação. Como todos sabemos continua a investigação ao Montenegro sobre a construção da casa em Espinho. O Luís Neves terá que ter conhecimento do estado da investigação. Por alguma razão sentiu necessidade de dizer ontem que o diretor da PJ não investiga. Curiosamente, o PGR também não averigua e, semanas antes de serem formalizadas as conclusões sobre a averiguação ao Montenegro, já  o PGR tinha anunciado, de forma mais ou menos clara, que a averiguação seria arquivada. 

Será credível que, havendo uma investigação ao PM, o diretor da PJ não saiba nada do processo...?

Não nos queiram fazer crer que na PJ, como na Procuradoria, cada um faz o que quer e não diz nada à hierarquia. Parece muito pouco provável. O Luís Neves, como ministro, tendo o dever de lealdade ao PM. Será que, em determinadas situações, um dos dois não terá a tentação de pedir ou passar informação "interessante"? Também é preciso estar muito atento à nomeação do novo diretor da PJ. Vamos ver se não será alguém de confiança do Luís para dar uma "ajudinha" quando for preciso. Honi soit qui mal y pense. Vamos esperar para ver o desempenho do novo ministro e ver se mais uma vez não estamos perante uma chico espertice do Montenegro para se ver livre do processo em curso.