Continuo sem o meu computador habitual. Já recebi o orçamento -- upa, upa, é caso até para pensar duas e três e quatro vezes --, mas acabei por respirar fundo, dar o ok e pagar, e agora é esperar que fique pronto.
Mas, portanto, continuo limitada. Estou a escrever no telemóvel e isso, para mim, é completamente dissuasor.
Hoje, enquanto varria e andava com um ancinho a raspar os musgos velhos e a terra, andava a pensar em mil assuntos para deles aqui dar conta. Depois lembrava-me do meu severo handicap e, mentalmente, retrocedia.
De tarde tive que escrever um mail que tinha que invocar outros mails enviados antes (há serviços públicos que são um buraco negro, kafkianos, levam o mais resistente ao desespero, dão vontade de desistir, consubstanciam um total desprezo por nós, cidadãos, contribuintes, utentes). O que eu penei para o fazer... No telemóvel seria uma dor de cabeça e no computador deficiente que agora me serve de bóia de salvação e que só funciona, e mal, com um teclado virtual (que se sobrepõe ao texto a menos que o ponha minúsculo) foi um sufoco. O meu marido, quando me vê indisposta com estas provações, decreta: "compra um computador e acaba com isso!". Não compro. Outra vez configurar tudo, passar coisas de um lado para o outro, habituar-me a novas manhas. Não quero.
Espero que sejam mais uns dias. Só mais uns dias.
Por isso, até lá mantenho a minha verve refreada. Por exemplo, apetecer--me-ia comentar as últimas parvoíces do Trump e o mal que ele espalha à sua volta. Está maluco, em decomposição, mas a verdade é que a sua ordinarice, incompetência, falta de vergonha e pulsão para aldrabice compulsiva e descarada continuam a servir de exemplo a estupores e mentecaptos em todo o mundo.
A conversa abaixo entre David Rothkopf e Joanna Coles é, como sempre, muito elucidativa e interessante. Aconselho.
I Have The Proof that Trump is Drowning in Failure | The Daily Beast Podcast
David Rothkopf junta-se a Joanna Coles para analisar mais uma semana extraordinária no mundo de Trump, desde as crescentes dúvidas sobre a gestão do presidente em relação ao Irão e o aprofundamento da crise de política externa até às alegações de corrupção, disfunção política e o impressionante colapso da confiança pública reflectido em novas sondagens. Abordam a combativa aparição de RFK Jr. na CNN, as consequências em torno do congressista Max Miller, o mistério da longa ausência de Mitch McConnell, as últimas reviravoltas na batalha pela confirmação de Todd Blanche e as crescentes fissuras dentro do movimento MAGA, com Tucker Carlson, Laura Loomer e JD Vance em conflito. Além disso, examinam o mais recente espetáculo do Truth Social de Trump, o seu autoproclamado triunfo no golfe e porque é que os apresentadores argumentam que o caos em torno da sua administração só se está a intensificar à medida que se aproximam as eleições intercalares.
estarão a acompanhar as minhas deambulações pelo meio das árvores, umas de pé, outras já cortadas às postas, pelo meio das silvas e etc., eis que agora, recolhida, tenho estado a ver uma dupla com que me divirto grandemente: conversar ou ouvir a conversa entre gente inteligente é outra coisa.
Joanna Coles solta gargalhadas de gosto, e eu com ela, e, quando David Rothkopf afirma que o morto que Jesus Trump tenta acordar do seu leito de morte não é outro senão Jeffrey Epstein, por pouco não projecta todo o chá que tinha na boca.
E eu, que tenho estado a beber um belo chá de curcuma, por pouco não fiz o mesmo. O Jon Stewart achou que era ele e, de facto, assim de lado, quase poderia ser. Mas, vendo bem, parecido, parecido mesmo, o morto é bem capaz de ser o Epstein.
E isso torna a maluquice ainda mais disparatado, mais insólito.
Outro momento delicioso, embora de humor negro, é quando J.D. Vance é comparado ao gato Oscar, o célebre gato que quando se deitava ao pé de uma pessoa no lar em que vivia, pouco depois a pessoa estava morta. Por mais de 100 vezes, isso aconteceu. Andava por ali a vaguear e, de vez em quando, entrava num quarto e aconchegava-se ao pé da pessoa. De duas a quatro horas depois, já estava, a pessoa quinava. Por fim, a família já corria com o gato, chega para lá, ó urubu. Punham-no fora do quarto, fechavam a porta. Mas o gato não se afastava, ficava à porta a miar.
Ora acontece que o J. D. Vance foi visitar o Papa Francisco e, hélas, pouco depois, o Papa morreu. Agora foi pôr-se ao lado de Órban e, ups, Órban levou uma banhada monumental, incrementada pelo efeito J.D. Vance.
Mas, enfim, é ver porque aqui fala-se de tudo. Por exemplo, estará a base MAGA a desmoronar-se? E o que dizer da derrota da Hungria, do desastre do Irão?
I've Got the Proof: Trump Is History's Worst Idiot | The Daily Beast Podcast
David Rothkopf, correspondente principal de assuntos globais do Daily Beast, junta-se a Joanna Coles para explicar porque está convencido de que a história vai julgar Donald Trump como o idiota mais poderoso e o maior idiota de sempre. Numa conversa abrangente e dinâmica, Rothkopf e Coles analisam os crescentes conflitos de Trump — do Vaticano ao Irão — juntamente com o espetáculo surreal das suas publicações autoproclamadas como "divindade" e as consequências globais das suas decisões. Exploram também as repercussões políticas nos Estados Unidos e no estrangeiro, incluindo a surpreendente derrota de Viktor Orbán e o que isso sinaliza para o futuro do populismo de direita. É uma análise perspicaz e provocadora sobre o poder, a instabilidade e a realidade cada vez mais bizarra que molda a política global.
Vou ao supermercado e, quando vejo a conta, fico sempre espantada, a admitir que alguma coisa passou várias vezes ou com o preço muito errado. E, quando verifico, confirmo: aqueles preços estão todos errados, altos demais. De uma semana para a outra verifico que alguns produtos deram um salto. Não compro artigos de luxo ou desnecessários e, no entanto, a conta é exorbitante. Só penso nas pessoas com famílias grandes a seu cargo, nas pessoas com fracos rendimentos. A vida vai tornar-se mais difícil. Quando atestamos o depósito, o valor assusta. Poderíamos usar menos o carro, claro. É a recomendação inteligente da UE e de toda a gente que antevê o que ainda aí vem. Mas nem sempre os transportes vão onde queremos ou, se vão, podemos levar uma hora ou mais em mudanças de autocarro pois daqui não há transportes directos para os lugares que frequentamos habitualmente e, de carro, são quinze minutos. De qualquer forma, seria inteligente que o nosso governo começasse a fazer campanhas vigorosas para incentivar o uso de transportes públicos. Poderá haver uma altura em que, em algumas famílias, o comodismo terá que ser posto de lado em favor do equilíbrio financeiro.
O tema da inflação e do ajustamento das taxas de juro vai ser um garrote para muita gente e, tanto mais, quanto mais esta crise durar e, ainda mais, para quem tem compromissos bancários em curso. Ainda ontem, no texto que escreveu, o meu marido referiu que grande parte dos empréstimos bancários contraídos nos últimos tempos implicam uma taxa de esforço da ordem dos 40 a 50%. Aumentando a taxa de juro, ainda mais difícil será o dinheiro chegar para a prestação e para o resto. Já para não falar em que a maioria dos empréstimos entalam os contraentes até aos 70 anos. Um disparate. É com endividamentos assim que, de vez em quando, ao subirem as taxas de juro, rebenta a bolha imobiliária e muita gente fica apeada, sem casa.
Vamos ver como vai o governo ajudar as famílias. Para já, muito aquém do que Pedro Sanchéz fez.
Trump meteu-se numa ratoeira sem saber ao que ia. Um idiota à solta, cheio de poder e rodeado de idiotas lambe-cus é um perigo maior do que se pode imaginar.
Ao fim de um mês, dizem que está farto da guerra, que já não tem saco para aquilo. Era para ser uma excursão de poucos dias, chegava lá, atirava uns tiros, sacava o Ayatola, e já estava. Segunda obliteração. Sucesso fantástico, o maior sucesso de sempre. Afinal, pelo contrário, percebe que aquilo está tudo ensarilhado, os generais a quererem explicar-lhe coisas... e ele sem pachorra. Não tem paciência para se manter muito tempo agarrado ao mesmo assunto, muito menos de gaitadas que dão para o tordo, fica furioso, enraivecido com os vídeos que os iranianos todos os dias soltam a gozar com ele, chamam-lhe looser, falam nas suas fraldas, riem das suas mentiras ridículas. Ora ele não quer ouvir isso, quer é falar do salão de baile, janelas muito grandes, cortinados dourados, tudo dourado, ou pôr-se velhacamente a caminho de Cuba, mais um país conquistado, mais um sucesso, ou mostrar o projecto megalómano da agora inventada torre-biblioteca Trump em Miami, gigante, vidros, dourados, o nome dele em dourado a quase toda a altura.
Entretanto, para ver se pega, e junto dos broncos da MAGA pega com certeza, agora diz que já mudou o regime do Irão, que já matou uma rodada deles, depois outra rodada, que já não há lá ninguém que mande, que assim é que ele gosta, e que já obliterou a armada, a artilharia, a aviação, tudo obliterado. Todo um regime que, segundo ele, já foi à vida. E que também não precisa do Estreito de Ormuz para nada, quem precise de petróleo que lá vá buscá-lo, que ele se está bem a caguar para isso (note-se: caguar, com u, que sou moça fina). Nem precisa da NATO, a NATO é um tigre de papel, diz que é ele e o seu bro Putin a acharem isso. Portanto, NATO também ao fundo, e ainda poupa dinheiro que se farta. Portanto, por ele está feito. Só vitórias. Vitórias duplas, triplas, huge vitórias, vitórias nunca vistas
Só que não.
Só que vai ter uma surpresa: os iranianos vão deixar barato o estrago que ele fez. O que ele destruiu levará anos a ser reconstruído. E os iranianos querem que seja ele a pagar. E, depois, o fluxo de mercadorias, incluindo o petróleo, foi interrompido de forma crítica. Vai levar tempo a repor a normalidade da situação. É como depois de resolvido um acidente: passado muito tempo ainda o trânsito não escoou. O efeito de acumulação é tramado (a matemática dá uma ajuda a explicar isso). E depois há as mortes que o Irão já anunciou que vai querer vingar. Mártires para serem vingados é o que agora não falta. Portanto, mesmo que o idiota cante vitória e dê de frosques, as coisas continuarão ensarilhadas, a diversos níveis, por muito tempo.
E depois, ao mesmo tempo que dá mostras de se querer pirar de qualquer maneira, Trump, só para baralhar um pouco mais, ameaça que vai praticar toda a espécie de crimes de guerra, destruindo instalações indispensáveis à vida. Não tem vergonha na cara, não tem respeito pelos tratados internacionais (que nem conhece, acho eu), não tem tino. E, pior, não há gente com cabeça que o puxe para a razão -- secou tudo à sua volta, só restaram idiotas, tarados, radicais musculados e descerebrados, bêbados, tóxicómanos.
Ou seja, não há dia em ele não prove à saciedade que é um idiota que alguém deveria enfiar numa camisa de forças e levá-lo, à força, para uma qualquer casa de doidos.
Antes desta estúpida ofensiva do idiota Trump, o Estreito de Ormuz estava aberto, os mercados estavam estáveis. Depois de milhares de mortes e de uma destruição tresloucada, tudo se estragou. Foi o que o idiota conseguiu.
E depois há Israel. Netanyahu sabe que andou a cutucar a fera com vara curta. O que fez, vai sair-lhe caro. Israel vai querer fazer ao Irão o que está a fazer em Gaza e ao Líbano, varrer tudo, não deixar pedra sobre pedra. Quem é que o vai parar?
Pode ser que um punhado de pessoas inteligentes e bem intencionadas, decentes, não corruptas, não egocêntricas, se junte e engendrem uma solução de compromisso para tentar recompor minimamente o que foi tão estragado. Só me ocorrem aquelas anedotas: um chinês, um alemão e um alentejano juntam-se e ... (e é sempre o alentejano que tem a saída mais prosaica embora aparentemente mais parva). Adiante. É que o drama é que, falando a sério, não se está a ver bem quem, como, quando. Mas era bom.
Seja como for, numa salganhada destas, com um caldo entornado desta boa maneira, vai levar muito tempo a repor a anterior normalidade. E há muitos danos colaterais. Por exemplo, a Rússia a ganhar pipas de massa com o aumento do preço do petróleo fica com folga orçamental para continuar a massacrar a Ucrânia. Ou Israel, no meio desta confusão toda, aproveita para se radicalizar ainda mais, voltando à pena de morte, desta vez selectiva. Uma cambada desencabrestada.
Pasmamos com tudo, isto pois, pelo menos eu, na minha inocência, sempre julguei que as democracias tinham mecanismos de defesa. Não têm. Em pouco tempo, Trump demonstrou que pode fazer o que quer sem que ninguém o consiga impedir.
Tal como Putin o fez. Tal como Netanyahu. Fazem o que querem. O mundo assiste, impotente. A democracia é frágil. Não é um bem adquirido. Tem que ser regada, alimentada, cuidada, protegida, defendida. Quando se descura isso, é o que se vê: abre-se a caixa de Pandora de onde saltam monstros, demónios, bicheza maligna de toda a espécie.
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Mais uma vez, Joanna Coles conversa com quem conhece por dentro a sociedade e os meandros do poder americano, David Rothkopf. É muito interessante e elucidador ouvi-los. Com a graça de que, como inteligentes que são, têm um sentido de humor delicioso.
Recomendo, vivamente, que vejam o vídeo.
Eu sei porque Trump continua a cometer erros: Rothkopf | Podcast do The Daily Beast
David Rothkopf e Joanna Coles analisam uma semana de crescente tensão global e caos político, desde protestos em massa nos Estados Unidos à perspectiva muito real das tropas norte-americanas em solo iraniano, enquanto os especialistas alertam que a situação pode agravar-se rapidamente. Rothkopf oferece uma avaliação mordaz do estilo de liderança de Trump — guiado pela perceção em detrimento da estratégia — enquanto Coles destaca os riscos de rodear o poder de inexperiência e ego. Juntos, ligam os pontos entre a história, a realidade militar e as decisões perigosas que se desenrolam em tempo real, expondo porque é que as ameaças isoladas raramente funcionam e como este momento pode remodelar o papel dos Estados Unidos no palco mundial. É uma conversa perspicaz, com um humor ácido e profundamente sóbria, que culmina numa conclusão arrepiante sobre o que pode acontecer a seguir.
Como o vídeo é um pouco longo, caso queiram ouvir alguns pontos em específico, deixo o link (nos minutos) para esse ponto, directamente no youtube.
00:00 - Abertura Brutal: “Gabinete de Idiotas” 03:03 - Protestos Massivos e um Alerta para a Democracia 06:08 - Porque é que a Democracia é “Um Verbo” 08:02 - Trump, a Verdade Social e as Ameaças do Irão 11:05 - O Perigoso Plano do Urânio Explicado 14:45 - Porque é que os Especialistas Temem uma Guerra com o Irão 18:04 - Corrupção, Acordos e Questões sobre Kushner 21:05 - Religião, Guerra e a Controvérsia de Hegseth 24:17 - Porque é que Trump Promove a Incompetência 27:03 - Trump é Realmente Estratégico? 30:30 - O caos no FBI e o ataque hacker a Kash Patel 33:06 - "Vermes Cerebrais" e críticas ao Gabinete 35:12 - Riscos Globais e o Estreito de Ormuz 36:41 - Americanos reais a sentir o impacto 39:04 - Sinais de alerta económico aumentam 41:15 - China, IA e os EUA a ficarem para trás 42:34 - A expansão extravagante da Casa Branca de Trump 45:10 - Bilionários, poder e influência 47:19 - A vida depois de Trump: o que se segue 49:09 - Agradecimento aos ouvintes e comunidade 50:43 - Porque é que este podcast ressoa 51:24 - Considerações finais e o que vem aí
Tinha identificado uns quantos candidatos a serem sucessores de Ali Khamenei mas o ataque foi tão bem sucedido que morreram todos.
Isto foi dito por Trump.
Não é de loucos? Eu ouço isto e não consigo conter uma gargalhada. Não parece uma anedota? Mata um para pôr uns que ele lá sabe e, afinal, mata-os a todos? Se não fosse trágico, não era de ir às lágrimas?
É como aquela outra maluquice. Perante as crescentes vozes de que não havia quaisquer evidências de que nos próximos anos o Irão representasse qualquer risco, o fofo Marco Rubio, sempre com aquela sua boquinha de folhos e ar meio perdido, veio dizer que a coisa tinha sido assim: os americanos tinham sabido que Israel -- que se está nas tintas para as negociações que os dois artolas, o genro e o outro totó também do imobiliário, andavam a ter com o Irão -- tinha descoberto uma cena que era uma janela de oportunidade e que iam avançar à bomba sobre o dito Irão. E que pensaram que, se isso ia acontecer, os iranianos, furiosos, iriam retaliar e ainda iam fazer mal aos americanos. Portanto, antes que isso acontecesse, apanharam a boleia de Israel e lá foram dar cabo deles.
Perante a candura desta confissão, a casa veio abaixo: uns a rebolar a rir, outros de boca aberta. Então foi essa a grande razão para avançarem para uma guerra destas que está a desestabilizar o mundo? Então é mesmo verdade que o Bibi é que manda nos Estados Unidos?
Face a esta revelação que pôs o mundo a dar cambalhotas para trás e para a frente, meio mundo perplexo e desconcertado e o outro meio sem sabe se rir ou chorar, Trump, para remediar a barracada, veio contradizer o Marquito: não, não nada disso, não foi bem assim, ele é que forçou a mão de Israel. Só que ninguém acredita numa palavra que ele diz.
Enquanto estou a escrever, estou a ver televisão. E de novo aqui está ele. Confirma que mataram todos os que pensaram que poderiam suceder a Khamenei mas que vão lançar uma onda de ataques ainda mais ofensiva e que, provavelmente, vão matar outros que talvez também pudessem servir. E como, se calhar, a seguir haverá outra onda de ataques ainda mais destrutiva, se calhar depois já lá não conhecem ninguém.
Ouço isto e penso: mas isto não será para os Apanhados? Isto não será uma comédia? É que é tudo uma maluquice tão grande que é impossível encontrar aqui algum racional.
Também o ouvi a dizer que vai proibir todo o comércio contra Espanha e que, se quiser, usa as bases que (o corajoso e, aparentemente, dos poucos adultos na sala) Pedro Sánchez diz que ele não pode usar. Que não precisa mas, se precisar, os aviões vão para lá e sempre quer ver quem é que o vai proibir.
Ouço isto e penso que é preciso respirar fundo. Um palhaço destes armado em ditador, em imperador de meia tigela...
E não sei se este voluntarismo é bazófia, se é loucura, se é um destemperamento provocador e inconsequente, se é ganância, ou se é demência pura e dura. Sobretudo penso que um estupor destes está é a precisar de uma lição.
E, o que mais me tira do sério, é que, ao lado dele está Merz... a apoiá-lo... Porquê? Como se ouve uma coisa destas e se fica a apoiar? Como!? Não deveria interrompê-lo, não deveria dizer que cada país é soberano e que ninguém se pode sobrepor a isso e, mostrando que não está para alimentar a sede imperialista do bufão laranja, não deveria levantar-se e sair da sala?
Enfim... Um mundo pantanoso em que uns quantos espantalhos se levantam para roubar, vilipendiar e matar os indefesos que esbracejam, tentando salvar-se.
No vídeo abaixo fala-se numa coisa que me parece muito verdade: se pensarmos em líderes que desencadeiam guerras ilegais, cruéis criminosos de guerra que causam muitas mortes absurdas, então, ao lado de Putin, haverá que colocar Donald Trump e Benjamin Netanyahu.
Claro que, ao falar-se em líderes, David Rothkopf torce-se todo e questiona-se sobre se Trump é mesmo um líder ou, até mais do que um belicista aventureiro, não é senão um grande e gordo motor de impulso laranja.
E, com isto, já estão a perceber que, uma vez mais, escolho quem quero ouvir sobre o que se passa. Fonte sempre muito bem informada, David Rothkopf, aqui no vídeo ainda não tinha ouvido a confissão de Rubio e as parvoíces de Trump que se lhes seguiram já que a conversa com Joanna Coles foi gravada na 2ª feira de manhã. Mas é sempre uma voz que se ouve de gosto (relembro que nas definições do vídeo podem seleccionar legendar e, aí, seleccionar a auto-tradução para português)
Como a guerra de Trump desencadeou um novo eixo do mal | Podcast do The Daily Beast
David Rothkopf junta-se a Joanna Coles para defender que a guerra de Donald Trump contra o Irão revela um presidente que acredita governar como um rei, e não como um comandante-chefe constitucional. Rothkopf, colunista imperdível do The Daily Beast e fundador da DSR Network, apresenta os argumentos de que se trata de uma guerra ilegal, iniciada sem a aprovação do Congresso, com apenas 21% de apoio público, sem um processo coerente do Conselho de Segurança Nacional e com baixas iniciais que já agravam o caos. Relaciona o ataque impulsivo de Trump aos incentivos políticos de Benjamin Netanyahu, ao risco de escalada regional, aos choques petrolíferos em vésperas de eleições intercalares e à perigosa fantasia de que a mudança de regime resultará de alguma forma em democracia em Teerão.
Quando os aviões cruzam os céus para despejar bombas, quando os mísseis atravessam países, quando pessoas começam a reduzir-se à condição de corpos -- e quando as televisões nos encharcam as mentes com imagens e com explicações e mil comentários -- chego a esta hora e mais depressa me apetece falar dos meus meninos, todos os dias mais crescidos, do que de toda a instabilidade que grassa pelo mundo.
Tempos houve, e não foram longínquos, em que os países faziam as pazes, em que os muros caíam, em que as guerras, fossem guerras de bombas e botas no terreno ou guerras frias, pareciam coisa do passado. Infelizmente voltámos a esses tempos sombrios. E é um pavor.
Como chegámos até aqui?
Talvez a explicação esteja na ausência de saúde moral de parte dos regimes que, em vez de cultivarem a paz, parece que, no seu âmago, se atolam na lama.
Diz David Rothkopf que a assinatura de Trump e, na realidade, a assinatura destes tempos é a 'história' que se conta através dos ficheiros Epstein.
E, embora já aqui tenha falado dele algumas vezes pois gosto imenso de ouvi-lo, recordo que David Rothkopf é uma pessoa particularmente bem informada, daquelas pessoas de quem se pode dizer que bebe do fino. O seu currículo é impressionante e a quantidade de pessoas que conhece e conheceu de perto, a rede de informações que facilmente cruza, e a forma simples, quase humilde, mas sempre perspicaz e sólida, tornam-no, a meus olhos, uma pessoa cujas opiniões interessam.
Aqui, no vídeo que abaixo partilho, está de novo à conversa com Joanna Coles que garante sempre conversas interessantes, leves qb e com um toque de boa disposição. A conversa decorreu no momento em que Clinton, com quem David Rothkopf trabalhou, estava a depor no Congresso. Por isso, a novidade do ataque ao Irão ainda não tinha ocorrido.
A conversa é longa mas tem interesse do princípio ao fim.
Para quem duvida das ligações de Epstein à Rússia ou à Mossad, para quem duvida da longa mão de Putin na governação Trump, para quem ainda pensa que tudo gira à volta de sexo com menores de idade, para quem ainda não percebeu o esquema da troca de favores e da pirâmide da influência, para quem ainda não percebeu como o esquema de financiamento privado que existe nos Estados Unidos com políticos e universidades a terem que arranjar financiamento para as suas actividades leva, quase inevitavelmente, à venalidade -- aqui fala-se de tudo isso.
Porque é que Epstein é o crime que define Trump: Rothkopf | Podcast do The Daily Beast
David Rothkopf junta-se a Joanna Coles para defender que o escândalo Epstein é a crise que define Donald Trump, ligando o poder global, a desigualdade de rendimentos, a corrupção e a impunidade. Rothkopf, colunista imperdível do The Daily Beast e fundador da DSR Network, explica como Epstein envolveu uma rede de elites como Bill Clinton, Príncipe André, Peter Mandelson e magnatas de Wall Street, ao mesmo tempo que levanta questões mais profundas sobre obstrução à justiça, desaparecimento de provas e envolvimentos dos serviços de informação. Discutem também como figuras-chave encobriram ativamente irregularidades para se protegerem a si e aos seus aliados, mostrando um mundo onde o privilégio protege o crime e a verdade completa pode nunca vir ao de cima.
00:00 - Porque é que os arquivos de Epstein podem remodelar a política americana 05h05 - Clinton, Trump e a política de desvio de atenções 10h00 - Mortes, silêncio e o medo em torno do círculo íntimo de Epstein 15h00 - A Rússia, as agências de informação e a armadilha de Epstein 20h05 - Kompromat, o poder e como as elites são comprometidas 25h00 - O príncipe André, as elites globais e a troca de acesso por influência 30h00 - O "escândalo característico" de Trump e a cultura da impunidade 35:05 - Comunicação social, desinformação e obstrução à justiça 40h00 - O que revela o caso Epstein sobre a corrupção nos Estados Unidos 45:05 - Porque é que este escândalo ainda importa e o que vem a seguir
Como é Davos, a terrinha em si? Como é o ambiente e os bastidores do encontro de Davos? Como é que a alta finança, o mundo dos grandes negócios e a política se misturam em Davos (à mistura com 'acompanhantes' russas e de outros países de Leste)?
E porque é que todos olham para o peito uns dos outros? E não, não é pela mesma razão porque ninguém olha para a Dolly Parton mas para uma zona do corpo um pouco mais abaixo, é para lerem o badge uns dos outros para verem se é alguém que mereça uma aproximação.
Sobre tudo isto e muito mais Joanna Coles e David Rothkopf conversam. E riem-se. A cumplicidade e o sentido de humor de ambos são permanentes e dão vontade de presenciar.
E, com olhos de ver, conversam também sobre o que se passou com o discurso e as 'negociações' (reais ou ficcionadas) de Trump, sobre as suas ofensas à Europa, sobre a forma como a Europa respondeu, sobre o Canadá e sobre o estado do mundo.
Convido-vos a verem o vídeo que aqui partilho. É longo mas vê-se de gosto. E uma visão 'por dentro' é sempre uma perspectiva que enriquece a nossa visão dos acontecimentos.
Se é certo que todos nós sabemos que Trrump é um idiota, é interessante ver reforçada essa opinião a partir do que vozes informadas falam bem alto.
Why World Leaders Think Trump's an Idiot: Rothkopf | The Daily Beast Podcast
David Rothkopf, colunista imperdível do The Daily Beast, junta-se a Joanna Coles para analisar o desastroso regresso de Donald Trump a Davos e porque é que este pode marcar uma verdadeira rutura na ordem mundial. O que antes era um encontro movido pelo prestígio e pela hipocrisia transforma-se, este ano, numa cimeira impulsionada pelo medo — do comportamento agressivo de Trump, da sua ignorância, das suas ameaças ao comércio, à NATO, à Gronelândia e aos aliados que antes confiavam nos Estados Unidos. Rothkopf explica porque é que os líderes europeus se retiraram, porque é que os mercados reagiram negativamente, porque é que a UE congelou as negociações comerciais e porque é que figuras como Mark Carney alertam agora abertamente que não se trata de uma transição, mas de uma rutura.