domingo, agosto 09, 2026

Explicação sobre a indigência deste pobre post

 

A minha maltinha regressou toda de férias, todos de volta a casa depois de uns belos dias a banhos e em viagens. Sabê-los de regresso, sãos e salvos, por muito palerma que possa parecer, é para mim um alívio. Eles bem me dizem que a segurança deles não depende de mim. Concordo. Sei disso. Os meus filhos há muito tempo que não são adolescentes a meu cargo e os meus netos têm os respectivos pais para se responsabilizarem por eles. Mas o que é que posso fazer? Mãe é mãe e o meu instinto maternal que sempre foi agudo, extremo, indomável, mantém-se igual ao que sempre foi. Não descanso enquanto não sei que estão bem. É ridículo? Pois, na volta é. Mas tenho que me render às evidências: face à minha provecta idade e face a não ter detectado melhoras ao longo dos anos, acho que é matéria em que não é expectável que haja cura. É saber viver com isto, tentar controlar os meus receios, disfarçar para não parecer atrasada mental.

Enfim. 

Mas para nós dois o dia foi do piorio. Nada de grave e dramático mas, tudo junto, deu-me vontade de dar meia volta, fazer reset. O computador já está reparado mas veio desconfigurado e, para não ter que lá voltar, estive para aqui a fazer coisas que detesto fazer. A meias com o Gemini, lá consegui dar conta do recado. Mas detesto ele lado das informáticas, configurações, testes, coisas que não resultam. Sei que não devo mexer à maluca pois posso estragar ainda mais mas a perspectiva de o mandar de volta à oficina e esperar séculos pelo orçamento e depois pela reparação já estavam a stressar-me. Lá consegui resolver. 

Acresce que comprei um carregador pois o que tinha estava com a ponteira murcha e, logo, potencialmente danificadora da porta de entrada. Venderam-me um universal que supostamente dava para o computador. Depois de horas para ser atendida, sem que algum funcionário aparecesse, acreditei que sim, não exigi comprovação, e trouxe-o. Cheguei a casa e, claro, não dava. Furiosa, contrariada, voltámos lá. O dia nestas porcarias. Um mal nunca vem só: na ida o carro vacilou, mensagens más. À vinda, vacilou ainda mais. Depois -- felizmente, já aqui em casa -- pifou de vez, já não arranca. Podia ter sido na autoestrada, e isso seria pior. Mas não é bom. Não dá sinal. Vai ter que ir para a oficina, vamos ver quando e por quanto tempo. Em tempos, tinha cada um seu carro. Agora, como nos tornámos siameses, só temos um. Portanto, agora estamos apeados. Um lindo serviço.

Para as coisas não se ficarem por aqui, o cão não faz outra coisa senão lamber a cauda, uma coisa por demais. Frenético. E, estuporzinho como é, não deixa mexer. Queria ver o que se passa, mas não deixa. Rosna, mostra os dentes e, se nos atravessarmos, não se ensairá em fazer valer o seu aviso. Como isto costuma levar a feridas, a antibiótico e a um sarilho do caraças para o tratar, pusemos-lhe já o colar isabelino. Se tivermos que ir ao veterinário, só se sairmos de véspera para irmos a pé. Sem carro, ir a algum lugar transforma-se numa odisseia. Metermo-nos num tvde com ele, só se quisermos correr riscos de que coma o condutor e destrua o carro. Quem ele não conhece e está por perto, é inimigo a abater. Para ele, cão-pastor, nós somos ovelhas e qualquer pessoa que não lhe seja familiar, é lobo. E, caraças, não se fica. Não há lobo que se arrisque a aproximar-se. Por isso, metermo-nos num carro em que o pescoço do condutor esteja ao alcance dos seus dentinhos, está fora de questão. Nem com açaime: salta, ladra e tenta por todos os meios arrancar o açaime. E às vezes consegue. Portanto, estão a ver.

E ainda houve mais um ou outro contratempo mas já nem vou aqui falar disso, já estou cansada de tanta chatice. 

Dir-me-ão: há males maiores. Claro que há. Sei muito bem disso. Mas nós, nós todos, funcionamos por planos. E no plano das coisas domésticas, da vidinha do dia a dia, ou as coisas funcionam normalmente, ou há um cúmulo de atentados à rotina que nos estraga completamente as actividades banais e os gestos que fazemos sem sequer pensar neles. E isso corrói a tranquilidade básica sobre a qual é suposto assentar tudo o resto.

Enfim. São dias. Ou fases.

Quanto aos comentadores, bem os tenho topado -- uns animadamente admiradores do Neves e das suas chico-espertices (e ai de quem não aprecie as chico-espertices do Neves, é logo conotado com o Ventura), outros animadamente a favor do Montenegro (ui... tão melhor que o Costa... ui, ui...) , outros ainda dramaticamente fixados em Sócrates (o que será que o Freud diria de tamanha fixação? Gente ainda na fase anal? Gente que em pequenino não se sentia suficientemente amado pela mamã? What?) -e a sério que gostaria de responder. Mas, depois de tanta chaticezeca, estou mesmo um bocado exausta. Mas podem continuar a dizer de vossa justiça pois os vossos argumentos têm graça, alguns têm mesmo muita piada. A sério que sim. Alguns comentadores mostram-se picados com outros e eu poderia não publicar para não causar arrelias, mas hoje não estou para usar o lápis azul. Só digo uma coisa: piquem-se à vontade que o vosso picanço também tem graça. Mas não se levem demasiado a sério, não vale a pena.

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Desejo-vos um belo dia de domingo

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