Vejo o principio e o fim abraçados numa espécie de altar
Sobre a futura saída de cena de Guterres o que tenho a dizer é que até pode acontecer que a responsabilidade não seja só dele, sei bem que não é, mas, ainda assim, a minha opinião é que foi irrelevante e contribuíui para acentuar ainda mais a irrelevância das Nações Unidas.
Sendo um homem que todos dizem ser muito inteligente, a mim nunca me impressionou. Sendo como sou mais velha que a sé de braga, lembro-me dele como primeiro-ministro, e, aí, mais uma vez, o achei palavroso mas pouco actuante. Tem boas ideias mas não é homem de chutar à baliza.
O discurso de despedida, o último em funções, foi -- nas partes que ouvi -- muito acertado. Mas irrelevante em termos práticos. Não foi feito para deixar marca. É certo que tirou uma fotografia de fato e gravata e os pés debaixo de água. Muito elogiado por isso. De facto, uma boa fotografia, uma boa mensagem. Mas, em termos objectivos, não passou disso.
Trump salta em cima, pisa, faz o pino num só dedo, tudo em cima dele. É certo que ninguém com dois dedos de testa interpreta politicamente os desmandos de Trump. Tudo o que faz ou diz é fruto de um narcisismo maligno temperado com uma crescente dem~encia. Mas ele sabe com quem se mete. Por isso bate a bolina baixa com ditadores e trogloditas. Agora quando sente mole, está bem está, salta em cima com uma pinta. Fosse outro com mais fibra no lugar de Guterres e a ver se o Trump levantava cabelo como faz agora, ai fazia, fazia.
Do que vi do discurso de Trump, e só vi excertos, o que posso dizer é que foi a pangalhada do costume, parvoíces, contradições, auto-elogio, ameaças, tudo inconsistente, sem ponta por onde se lhe pegue.
Está metido naquela bela alhada do Irão e não sabe como sair dela. Só espero que as eleições de Novembro não venham com molho (pois ele já incitou os magaburros à batota, já ofereceu dinheiro, já os ameaçou com um bilheto de ida para o inferno caso não votassem nos dele -- já fez de tudo) pois seria preciso que os americanos fossem muito mais burros do que já demonstraram ser para que não conseguissem dar uma banhada das valentes aos republicanos e encostar o parvalhão às boxes. Não são só as mortes e os achincalhamentos e as perseguições, é a instabilidade galática que tem gerado.
A quem continuo a tirar o chapéu, e não tenho dúvidas de que ficará para a história, é Zelensky. Um estadista. Corajoso, resiliente, assertivo, determinado. Um homem inteiro. Se há alguém que ilustra na perfeição aquela coisa de que os homens não se medem aos palmos é ele. O que aquele homem tem enfrentado, o discernimento e a coragem e a presciência em cada momento da sua vida, mesmo quando é atacado, humilhado, torpedeado, é digno de louvor. Continuo a achar o que acho desde o início (embora os factos ainda não me tenham dado razão): a guerra acabará quando Putin for ao tapete. E sempre passei que seria a Rússia a atirá-lo ao tapete e a pôr-lhe o pé em cima para que do tapete não se levantasse. Mas como todas as vítimas de violência, os russos pecisam de tempo para processar o que lhes tem estado a acontecer, para afastarem a avergonha de estarem manietados por um ditador e para gahnarem coragem para expulsar o malfeitor. Não sei como será, mas acredito que um dia acordaremos com a notícia de que os russos se livraram do Putin e da sua entourage, talvez o ponham em cativeiro, e vão assinar um acordo de paz sincero e duradouro com a Ucrânia.
Talvez a seguir o entreguem para ser julgado pelos crimes que tem estado a cometer. E eu só espero que isso aconteça rapidamente.
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Mas, enfim, é tarde, não me apetece falar mais disto. Depois logo conto como vão as nossas arrumações na cozinha. Amanhã vou encomendar umas caixas de arrumação de diferentes tamanhos e finalidades. Quando as entregarem é que vai ser, uma reforma a sério. Até lá vai continuar a zaragata pegada entre mim e o meu marido. Eu sou de reformas profundas: tudo cá para fora e vamos pensar com racionalidade. Ele não: mal começa, já quer é despachar. Arranja soluções mirabolantes para tudo. E eu não concordo com elas. E ele passa-se, acha que discordo por discordar. A conjugalidade aqui por casa tem destas coisas: concordamos nos grandes assuntos da humanidade, discordamos sobre como arrumar especiarias.
O único dirigente de estado que não diz generalidades , e dá prazer ouvir, é Mark Carney, primeiro-ministro do Canadá. Este politico tem uma visão do mundo que ultrapassa qualquer outro dirigente .
1 comentário:
O único dirigente de estado que não diz generalidades , e dá prazer ouvir, é Mark Carney, primeiro-ministro do Canadá. Este politico tem uma visão do mundo que ultrapassa qualquer outro dirigente .
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