Hoje, por cá, foi dia de ponta. E, ao dizer isto, de novo, só me apetece gozar comigo. A mesma pessoa que tinha reuniões de manhã à noite, que tomava decisões com impacto na vida de muita gente ou relativas a negócios de milhões, agora chama dia de ponta a uma vulgar sexta-feita em que as tarefas se reduzem a ir às compras, arrumá-las, pôr a roupa a lavar e estendê-la, trocar parte da terra de alguns vasos e adubá-la, regar, cozinhar para hoje e para amanhã, ir ao ginásio, passear o cão, rever umas prosas -- tudo coisas deste simples calibre. Mas a verdade é que foi o dia todo a fazer isto, fazer aquilo, ir aqui, ir acolá, sem tempo para me sentar ao sol a ler nem por um bocadinho.
Continuo sem um pingo de saudades da minha vida profissional. Gostei muito, sentia-me motivada todos os dias mas, ao fim de décadas, senti que já chegava, que precisava de me libertar das amarras dos horários, das obrigações, do stress de ter que estar permanenetemente a tomar decisões, da prisão que a responsabilidade constituía. E continua feliz, deslumbrada mesmo, com esta minha vida actual.
Mas antes, durante a semana, não almoçávamos em casa, pouco estávamos em casa. Portanto, tinha muito menos compras para fazer, menos refeições para preparar. Agora é uma coisa que me espanta e que, de certa forma, me complica com os nervos: passo a vida a ter que comprar fruta, legumes, iogurte, queijo, peixe, carne. E mil outras coisas. Uma canseira. E, vivendo num apartamento, não havia nada dos trabalhos que hoje temos relacionados com o jardim, e que são permanentes. E não tínhamos cão. Se hoje não o tivéssemos não teríamos os nossos dias tão preenchidos (a todos os níveis) como hoje temos, e adoro, mas o pretexto que nos dá para ir passear com ele é, ao mesmo tempo, um hábito que consome tempo (e, desejavelmente, calorias).
Resultado: agora ao fim do dia, o meu marido foi buscar o jogo de futebol que só tarde e más horas percebeu que tinha dado.... e, para mim, o som dos jogos de futebol é melodia para adormecer. Dormi profundamente. Só espero que agora não me faça ter insónia na cama.
Mas tinha ideia de ter começado um livro e não consegui. Já tenho várias pilhas de livros espalhadas por vários cantos. Aborrece-me arrumar nas estantes livros que ainda não li, tenho sempre a sensação de que livro arrumado é livro desaparecido, sugado pelos restantes. Mas isso traduz-se em desarrumação.
Estive a ver a casa que aparece no vídeo que aqui partilho e gostei imenso. É o oposto da minha. A minha casa tem cores, é pouco monocromática, e tem alguns pequenso focos de bagunça. Esta que aqui se vê é uma casa tranquila, elegante, muito organizada. A biblioteca é fantástica. Não há nada que dê mais vida a uma casa do que os livros. Uma casa na qual não se veem livros revela que lá dentro há pessoas com a cabeça um bocadinho oca. Acho eu.
Uma bonita casa de campo inglesa repleta de livros e achados vintage | Tour pela casa
Entre numa casa de quinta da década de 1750, maravilhosamente restaurada, na Cornualha, onde a jornalista que se tornou instrutora de Pilates e amante de livros, Christen Pears, criou um lar acolhedor e cheio de personalidade, com design vintage, tesouros colecionados e milhares de livros.
Após anos a viver no estrangeiro, Christen e o marido regressaram ao Reino Unido e transformaram esta histórica quinta de 1750 num refúgio acolhedor e cheio de personalidade, com mobiliário escandinavo de meados do século XX, materiais reciclados, tesouros colecionados e renovações cuidadosas.
Desde a icónica parede com livros de bolso da Penguin e a lareira original do século XVIII à encantadora despensa, ao jardim florido e à deslumbrante biblioteca no celeiro, cada recanto reflete um estilo de vida mais lento e intencional.
Situada na zona rural da Cornualha, a propriedade inclui ainda casas de férias, um estúdio de Pilates, hortas e espaços concebidos para encontros, leitura e para se desligar do ritmo frenético da vida moderna.
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