Admitindo que a sondagem foi bem feita, a maioria dos portugueses quer que a legislatura chegue ao fim, embora na mesma sondagem haja uma maioria de portugueses que desaprova fortemente as políticas setoriais do governo. É difícil perceber qual é o racional desta opção. Seremos maioritariamente masoquistas? Temos um governo em que o PM não sabe governar, segue a agenda da extrema direita, mente descaradamente (ainda hoje ouvi que no início do ano anunciou que iam adquirir 275 viaturas para o INEM e hoje o respetivo diretor referiu que iam lançar um concurso para 40 viaturas), atravessou mais vezes o atlântico durante o mundial que os pilotos da TAP, demonstra uma enorme insensibilidade social, decretou o simplex ético (uma vénia ao Pedro Marques Lopes) e não cumpriu as promessas que fez na campanha eleitoral. Um ministro da administração interna que, de acordo com as notícias recentes, trata os aspetos relacionados com obras particulares com uma grande informalidade, senão, irregularidade ou pior. Um MAI que nasceu com o rabo virado para a lua e consegue comprar vários montes no Alentejo por preços muito inferiores ao preço de mercado e, simultaneamente, efetuar obras nos montes sem os correspondentes pagamentos ao empreiteiro, que não entrega declarações de património e parece protagonizar uma situação alo bizarra com uma galera sob custódia da PJ. Uma ministra da saúde que para além de tudo o que de péssimo tem feito no SNS agora conseguiu põr diversas especialidades médicas contra ela e, mais grave, recusarem-se a efetuar atos médicos. Um ministro da educação, uma verdadeira fraude, que, com a sua arrogância e incompetência, conseguiu introduzir o caos no sistema de exames e introduzir desigualdades nas avaliações -- pior seria difícil. Um ministro das infraestruturas que de pacote em pacote continua na mira do MP por causa do período em que foi vice-presidente da câmara de Cascais e participou na aprovação de um projeto muito controverso. Uma ministra do trabalho que também mente descaradamente (a última foi sobre as baixas) e levou com chumbo grosso quando tentou alterar a lei laboral. Uma ministra da justiça que não fez nada no setor e se mantém muda e queda apesar da galera á guarda da PJ ter ido passear para Barcelos. Um ministro das finanças que não controla a despesa pública. Um ministro da presidência que não prima pelo rigor e revela uma falta de preparação atroz. Um ministro da economia que não existe. Uma ministra da juventude que para além de pôr em prática políticas erradas também mente. E já basta de exemplos. Portanto, com este panorama, das duas uma: ou somos masoquistas ou andamos a chutar para a veia para querermos manter este governo. Por mim mandava-os pastar caracóis de imediato. Existem riscos na opção de convocar eleições mas em democracia há surpresas e pode acontecer que depois desta experiência a maioria vote com a cabeça e não com os pés.
2 comentários:
Somos um povo temeroso. Pensamos que é sempre possível pior e nos recentes actos eleitorais, de facto, fomos de mal a pior. Preferimos o mal que conhecemos e tememos que mudar nos possa colocar em piores lençóis. A resignação cultivada pela sociedade católica-salazarenta. A falta de crédito do ps reparte-se, a meu ver, por culpas próprias, na forma xomo desbaratou uma maioria absoluta, e pela eficácia da campanha de propaganda anti-ps que é sempre orquestrada com sucesso pela direira. É o ps não parece estar em grande forma.Ontem ouvi Eurico B. Dias, lider parlamentar a a faĺar aos jornalistas e até senti vergonha alheia. Não disse nada, atabalhoado nas palavras, parecia não saber o que dizer, comprometido.. porquê?...O que o psd não faria se fosse oposição com os caso mai e meci, já para não falar sa saúde. E, no entanto, o ps tem esta coisa patética de se preocupar com o que o psd possa "pensar" dele quer mostrar-se "responsável", do que em ir à luta. E penso que o povo percebe isso e o seu desprezo pelo ps decorre mais do facto da sua falta de coragem e situacionismo do que das qualidades do actual governo. "Para mal, já basta assim"
Caro SR.
É verdade tudo o que diz, acompanho de cruz.
Mas o problema a meu ver, não é tanto no governo, está neste burro povo que vota maioritariamente na direita. Há maioritariamente gente masoquista neste país?! Há, caro SR. Há gente malformada neste país de lamaçal. Há gente maioritariamente, que elege primeiro-ministro avençado numa dada altura do seu mandato, e vai a eleições, é legitimado por essa cambada de asnos. A chamada ética neste país está debaixo do tapete colocada por este primeiro-ministro. Os padrões éticos são hoje uma miragem.
Depois. Depois, a quem apelamos? Ao PR? Ele existe? Claro que não existe, como é evidente. O PR passa por cima dos escândalos como raposa por vinha vindimada. Elegemos um PR que utiliza o tempo, para se esconder no arbusto na esperança de que a maré se esfume. De Seguro, nem bons ventos, nem bons casamentos.
António José Seguro, arrisca a ser o primeiro presidente na democracia, que não vai ser reeleito pela sua incapacidade política, e de gestão, nos casos de falta de transparência praticados neste ou outro governo. Este PR, Seguro, é um perfeito bluff a quem dei o meu voto por exclusão de partes, de mal menor. Mas já não mais votarei nesta pessoa.
Quanto aos ministro que enuncia, evidentemente que são paupérrimos uns, e mal intencionados outros, com uma agenda de ajuste de contas com a democracia muito ao jeito passista a quem eles reverencialmente se ajoelham.
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