quinta-feira, agosto 20, 2026

Redes sociais, um mega clube em que prolifera gente fútil, burra, desinteressante


De vez em quando aparecem-me coisas no Instagram que me deixam perplexa. Juro que não percebo qual o propósito, qual a lógica, a quem é que aquilo interessa. 

Por exemplo, algumas influencers famosas (e se soubessem o quanto abomino esta expressão e tudo o que a envolve...) mostram-se em ultra poses, em ultra decotados biquínis, algumas, inclusive, com grandes planos sobre as virilhas, com meia genitália de fora. Que entre elas e os namorados, em brincadeiras mais apimentadas, brincassem aos fotógrafos e às modelos ou às esposas descaradas, eu percebia. Agora estarem a mostrar-se assim ao mundo? Para quê? Porque se acham giras e acham que o mundo fica melhor se testemunhamos o desenho das suas mamas insufladas e de parte dos seus grandes lábios? 

E as poses? Ridículas. Armadas em vedetas, em posições parvas, copiadas umas das outras. 

Só penso no volume brutal de dados que circula nas redes e na brutal capacidade de armazenamento e processamento que estas plataformas (Meta, por exemplo, com o Facebook, Instagram, WhatsApp; mas também o  X ou o Tiktok) têm que ter para poderem mostrar tudo isto ao mundo inteiro, a toda a hora. Não admira que tenham que ter Data Centers brutais, altamente consumidores de energia. Para quê? Para, na grande maioria, darem palco a gente fútil, gente sem miolos. E para, com este brutal desfiar de fotografias, bonecada parva, citações de meia tigela, vídeos truncados, verdades distorcidas, encharcarem a cabeça de meio mundo, cada vez mais burrificado.

As pessoas estão umas com as outras e em vez de conversarem, há sempre alguém agarrado ao telemóvel, a ver ou a mandar mensagens ou a ver as palhaçadas de que estas redes estão pejadas. Um perfeito nonsense, um deslizar inexorável para a estupidificação.

Fala-se do populismo que grassa nas redes sociais e penetra, sem espinhas, nos meios mais broncos da sociedade. Mas deveria falar-se também da futilidade crescente, da tremenda falta de noção de toda esta gentinha que se exibe, desta cambada de podcasters que se multiplica para conversarem umas e uns com os outros para falarem de nada, de parvoíces, da sua pseudo historiazinha que não deveria interessar nem ao menino jesus, mas que nestas plataformas têm palco.

De todas as formas possíveis e imaginárias está a destruir-se a civilização, quer ambientalmente com estes brutais Data Centers (para isto e para a IA), quer socialmente, quer mentalmente. Tanta inteligência junta para um mundo cada vez mais cheio de burros.

2 comentários:

Daniel Marques disse...

A sua perplexidade é o reflexo do cansaço de quem ainda valoriza o pensamento e o tempo. A armadilha destas plataformas está na forma como o algoritmo tenta gradualmente sobrepor-se às nossas escolhas, empurrando-nos para o ruído em vez do conteúdo.

É precisamente por isso que recuso frequentar e alimentar esses espaços onde a atenção é leilada ao desbarato. E é também por isso que o regresso e a permanência nos blogues sabe a um ato de resistência e sanidade: aqui ainda há intenção, escolha e silêncio entre as palavras. Lemos o que queremos, quando queremos, sem a pressa ou o espetáculo da exibição.

Ainda assim, e pelo que me chega indiretamente, o Instagram parece quase um refúgio de contenção quando comparado com a espiral frenética e anestesiante do TikTok — onde a lógica de estupidificação rápida e viciante é levada a um extremo ainda mais agressivo.

Obrigado por este texto. Recorda-nos a importância de continuarmos a escolher onde pousamos o olhar.

Maria Martins disse...

E o cãozinho, já melhorou?
Espero que volte ao normal, com a infeção a regredir!
( Não tem nada a ver com o post, desculpe, é só ansiedade minha...)