domingo, agosto 02, 2026

Querida Maria João

 

É sempre um prazer ouvir Maria João Pires, seja a tocar, seja a conversar. Aos 82 anos continua a ser uma menina: espontânea, franca, inocente, pura.

Não há nela uma ponta de egocentrismo, vestígios de vaidade, preocupação com imagem. É uma pessoa extraordinária. Perto dela, mesmo que apenas através de uma entrevista, sinto-me bem. Há nela uma leveza, uma bondade, uma simplicidade que ilumina.

E fiquei a saber que tenho uma coisa em comum com ela: não gosto de festejar os meus aniversários. Estar com os meus chega-me. Se quiserem cantar-me os parabéns, tudo bem, canto também, apago as velas. Mais do que isso já seria, para mim, uma violência. Há quem aprecie festanças, muitos convidados, altas produções. Abominaria. 

No entanto, gosto de ser convidada para aniversário alheios, gosto de festejar os sucessos e mais um ano de vida dos outros. Gosto mesmo. Mas sem aparatos, só alegria e afecto. Os aparatos são artifícios, futilidades, ilusões efémeras e desnecessários.

No outro dia, quando a minha filha perguntou se eu não gostasse convidar amigos de longa data ou primos e primas para os meus anos, respondi que quando fizer 100 anos reconhecerei que talvez haja motivo para festejar. Digo mais: até me parecerá caso para atirar foguetes --  "olhem para ela, com 100 anos e ainda por cá anda'. Aí, sim. Até lá, é só mais um dia que veio a seguir a outro. 

Mas o tema não tem a ver comigo, tem a ver com a menina Maria João, deusa de Belgais. Deixemo-nos ficar na sua companhia.

Prova Oral - Fernando Alvim conversa com Maria João Pires

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Nota

Não sei se repararam mas tenho andado a escrever pouco. O meu marido tem sido uma preciosa ajuda. A razão é simples: estou com o meu computador em reparação. Por isso, estou a usar um antiquíssimo que já só funciona com teclado virtual, o que me impede de escrever rapidamente e, sem escrever a mil, a minha cabeça bloqueia. A minha cabeça não funciona bem com travões. Também uso o telemóvel mas não é a mesma coisa e, para editar textos dentro do editor do blogger usando telemóvel, também é uma maçada. Por isso, ou passo a palavra ao meu marido (que escreve no telemóvel e me manda por mail e eu só tenho que ajeitar dentro do editor do blogger) ou escrevo coisas curtas. E responder a comentários só mesmo em casos extremos.

Vamos ver se isto se resolve porque, sem computador, sinto-me diminuída.

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Desejo-vos um belo dia de domingo 

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