segunda-feira, agosto 17, 2026

Quando é tudo tão perfeitinho que a gente topa logo que é obra da IA
[E uma breve, com fotografia, sobre o estado do meu cãobeludinho mais fofo]

 

Achei graça ao post do Embaixador Seixas da Costa sobre o uso da Inteligência Artificial: "Ai a IA". Começa assim: "Desconfiem de coisas longas, muito certinhas, escritas de forma organizada, sem uma vírgula fora do sítio, com argumentos em crescendo, com uma lógica circular, que quase sempre vai acabar onde começou."

Não posso estar mais de acordo. Há casos gritantes. 

Aconselha o Embaixador: "Quando tiverem dúvidas, quando acharem que aquela pessoa que escrevia assim-assim passou, subitamente, a ser um génio da crónica, o teste é fácil: copiem o texto e visitem um qualquer site de IA, perguntando que probabilidade existe de aquele texto ter sido produzido por Inteligência Artificial.".

Quando a coisa é por escrito nem me dou ao trabalho de fazer essa validação. Já os topo a léguas. Por exemplo, ainda não há muito recebi uns mails em que, a propósito de me fazerem um convite, me brindavam com uma prosa tão redonda e artificial que fiquei de pé atrás. Quando, pelo meio, li um argumento descabido que se aplicaria em geral mas jamais naquele contexto, não tive dúvida de que o autor não apenas se tinha limitado a pedir à IA que escrevesse o mail como nem se dera ao trabalho de verficar se tudo aquilo fazia sentido. Duplamente preguiçoso. Tive muita vontade de dar uma resposta torta, mas mantive-me como se nada fosse. 

Na blogosfera ou no instagram tenho detectado alguns artistas que não consigo perceber com que propósito publicam prosas aparentemente muito artilhadas, muito perfeitas, mas que não passam de coisa da IA. Diria eu que quem se dá ao trabalho de publicar textos o faz porque sente prazer em escrevê-los. Se não é isso, é o quê? 

No entanto, há o reverso da meada. Há tempos li um artigo, creio que no Guardian, que relatava que sobre uma certa pessoa (escritora? jornalista? - não me lembro) se abateu a suspeita de que uma coisa publicada por ela tinha sido elaborada por uma IA. Ela jurou a pés juntos que não, que tinha sido mesmo ela a escrever -- mas ficou no ar a dúvida, e uma dúvida destas fica agarrada à pele, como a de plágio. Imagino como deve ser horrível uma pessoa ser acusada injustamente de uma coisa destas e não ter como provar que não é verdade. 

Por isso, prefiro não apontar o dedo. Tal o Embaixador, limito-me a afastar-me. Discretamente mas afasto-me.

Mas há outra área em que, quando vejo tudo muito irrepreensível, me ponho logo com os dois pés atrás: vídeos que aparecem no Youtube ou no Instagram. Podem ser doutas autoridades que falam sobre história, sobre filosofia, sobre cuidados de saúde, sobre o que calhar. Pessoas impecavelmente arranjadas, que falam com naturalidade, uns em ambientes acolhedores, como se estivessem no conforto da sua casa, outros num palco a conferenciar, ou monges num mosteiro. Topo-as a milhas. Alguns têm a amabilidade de avisar quem os vê que se trata de personagens que não existem, criação de IA de cabo a raso: imagem, texto, vídeo - tudo; mas outros não, parecem coisa a sério e não há uma palavra de alerta, apenas uma pesquisa lateral nos permitirá confirmar a nossa intuição. 

Dou três exemplos que têm que se lhe diga. Ouçam-nos, vejam-nos. Pensem no que eles dizem. Pensem, ao mesmo tempo, que estão a ver e ouvir pessoas que não existem, que estão a dizer coisas que não foram pensadas ou escritas por um humano.

Nota: Deve haver um tema de sincronização no Youtube pois no Instagram não se detecta delay entre a fala e o movimento dos lábios. Aqui parece que se nota. Mas relevem pois não tarda tudo estará mais perfeito do que se estivesse uma pessoa, ao vivo, à vossa frente.

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Provavelmente Estamos Sozinhos — Professor Edmund Whitmore

Bem-vindos ao The Ancient Dog. Nesta fantástica palestra, o Professor Edmund Whitmore, gerado pela IA, sobe ao palco para apresentar um argumento que a maioria dos cientistas não diria em voz alta: que estamos provavelmente sozinhos no universo. Não "ainda não encontrámos ninguém". Estamos realmente sozinhos. Somos a única civilização tecnológica que existe, ou já existiu, a qualquer distância relevante.

Começa com uma distinção que muda tudo: a vida microbiana pode ser comum, mas a cadeia que liga uma rocha húmida a uma civilização capaz de construir rádios exige uma série de acontecimentos improváveis ​​e aparentemente únicos. Descreve a única fusão celular excecional, ocorrida há dois mil milhões de anos, que deu origem a todos os seres vivos complexos da Terra — e que aparentemente nunca se repetiu. Mostra porque é que três quartos das estrelas da galáxia estão provavelmente completamente descartadas para a vida complexa. Apresenta o argumento contraintuitivo de que encontrar vida em Marte amanhã seria, nas palavras de Nick Bostrom, a pior notícia alguma vez estampada na capa de um jornal. E conclui abordando o abismo temporal — a galáxia pode ter estado repleta de civilizações que surgiram e desapareceram ainda antes de o nosso Sol se acender, e é quase certo que estamos sozinhos agora, nesta galáxia, nesta era.

Esta não é uma visão geral dos dois lados da questão. É um argumento, com provas, e uma conclusão.

Ora, o Professor Edmund Whitmore existe mesmo? Não. 🤖✨ É uma personagem gerada por IA, criada com ferramentas generativas para o guiar através de ideias que são muito reais. O professor é uma invenção, mas tudo o que ensina vem diretamente dos cientistas e dos artigos que fundamentam o argumento.


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Porque é que os deuses gregos eram melhores do que os nossos —  Professora Helen Vaitkus

Bem-vindos ao The Ancient Dog. Nesta fantástica palestra, a professora Helen Vaitkus, gerada pela inteligência artificial, sobe ao palco para apresentar um argumento que perturbará crentes e não crentes: os deuses gregos eram melhores do que aqueles que os substituíram — não por serem mais poderosos, mas por serem honestos.

Zeus traiu a sua mulher e escondeu o facto. Hera, deusa do próprio casamento, foi consumida pela fúria ciumenta. Ares, deus da guerra, revelou-se um cobarde em batalha. Afrodite, deusa do amor, foi infiel ao próprio marido. E nada disto foi apresentado como escândalo — foi apresentado como a verdade da existência, intrínseca à arquitetura do divino.

A professora Vaitkus explora o que os gregos realmente construíram: uma religião que nunca exigiu que se praticasse uma bondade que não se possuísse. Uma teologia onde os deuses cobiçavam, tramavam, falhavam e sofriam — e onde o maior herói da época chorava abertamente de joelhos quando o seu companheiro morria, sem ser diminuído por isso. Ela defende que os deuses imperfeitos produziram algo que os perfeitos não conseguiram: um reflexo honesto da vida humana.

E conclui com a questão que acompanha todas as civilizações que lhes sucederam: o que acontece quando se constrói uma religião, e depois uma cultura, em torno da procura de uma perfeição que ninguém possui verdadeiramente?

Ora, a Professora Helen Vaitkus é real? Não. 🤖✨ Ela é uma personagem gerada por IA, criada com ferramentas generativas para o guiar através de ideias muito reais. A professora é fictícia, mas tudo o que ensina vem diretamente dos pensadores e das histórias por detrás do argumento.

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Quanto mais tempo se fica em casa, menos vontade se tem de sair, meu amigo.

Nota: O Monge Ming San não existe


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Este é o admirável mundo novo em que já vivemos

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Hoje, no passeio nocturno.
Não sei se dá para perceber mas tem a cauda toda rapada, só sobrou um tufinho na ponta. Teve que ser para se conseguir tratar. Aliás, com pêlo, nem se viam as feridas.
E estava com feridas toda à volta, de alto a baixo. A pior é uma ferida na lateral, mais abaixo, tem mesmo aí uma depressão.
Como podem ver, foi tosquiado há pouco tempo pois, apesar de ser escovado todos os dias, já estava a ficar com nós


Nota sobre o amicão, o fofo cãobeludo: está melhor, já todo reguila, já sai disparado de casa para correr ao longo do muro e fazer piruetas no ar a provocar o cão do lado, já quer atirar-se aos inimigos de estimação dos outros jardins quando vai a passeio, já dorme normalmente. 

E hoje, de novo em cima do banco do jardim -- depois do escândalo e do pânico do costume em que quer virar-se, e rosna e mostra os dentes (e, caraças, que dentinhos...), tudo antes de o meu marido lhe dar um puxão assertivo na trela e se agarrar com força e eu começar a tratá-lo -- fica sossegado e deixa-me desinfectar as feridas da cauda, mesmo aquela mais profunda. Continua com o antibiótico, pois são 10 dias ao todo, e, obviamente, continua com o big funil. 

Muito obrigada pelo vosso cuidado.

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Desejo-vos uma boa semana 

1 comentário:

ccastanho disse...

Com a utilização cada vez mais frequente da IA, leva a desconfiar do muito que se escreve.
Mal comparado, a IA é como o vinho que bebo, já não sei se é português ou espanhol com rotulo alentejano. É que as cubas de vinho de Espanha, para as adegas portuguesas, são uma constante nas estradas. Há pouco tempo, li uma entrevista do presidente da adega do Redondo ,a dizer que não há fiscalização , e depois disse esta coisa espantosa: "quem cabritos vende e cabras não tem, de algum lado lhe vem.
Como é possível vender por exemplo: 100 mil litros de vinho, quando o efetivo de vinha só dá para 10 mil litros?! O que não falta são exemplos destes.
As conversas são como as cerejas, comecei na IA, acabei no vinho....Mas é verdade.