Já contei que sou tão céptica em relação às redes sociais que, quando me aparece alguma publicação especialmente estúpida, passo à frente: penso que pode ser fake, imagens manipuladas ou forjadas. Continuo a ter a ideia de que o mundo pode estar em franca degenerescência, pode estar infectado até à medula com populistas, palhaços e fantoches por todo o lado, mas, enfim, ainda há alguns limites. Ora tenho constatado que faço mal em ser tão cépica pois, na prática, o que estou a ser é ingénua.
Por exemplo, há não muito tempo eu juraria que seria impossível que o mundo estivesse nas mãos de um maluco rodeado de verbos-de-enche, de lambe-botas, de puxa-sacos. Depois, quando constatei que aconteceu, juraria que não se aguentavam muito. Aguentam-se. Portanto, mais me vale render-me às evidências.
Uma das personagens que acho de gargalhada, anedora pura e dura, é o Secretário da Defesa Pete Hegseth, intitulado da Guerra. Uma coisa inenarrável. Nitidamente é daqueles fulanos que acredita que é por ser alto e bem constituído que é mais homem. Ainda por cima, vê-se que é daqueles mentecaptos que acredita que, se em cima das suas condições genéticas, acrescentar uns músuculos trabalhados vai despertar o respeito alheio.
Parte das suas instruções aos militares tem a ver com essas parvoíces: que não podem ter barriga, que não podem ser gordos, que não podem ter barba.
Pode ser pancada minha mas sempre tive para mim que os homens que se têm em alta conta, que têm um grande orgulho no seu físico, são tipos com fraco miolo. Por acaso, até hoje ainda não encontrei a excepção. Muito direitinhos, muito espetadinhos, músculos muito trabalhadinhos e, vai-se a ver, e são uns parvinhos que até enjoam.
Pior ainda se têm uma conversa muito sexuada. Um tipo que fala muito em testosterona, cá para mim é um parvinho que tem medo de a ter em fraca dose. Que tem medo de ou que sabe mesmo que a tem em pouca ou rala qualidade. É como os que contam muitas piadas de gays, fingindo-se de muito machos: geralmente são gays não assumidos. Ou que andam sempre com piadas sobre pénis pequenos querendo dar a entender que os deles, não, os deles são gigas: nada, coisa nenhuma, geralmente são uns pilas-de-gato.
É o caso deste Pete Hegseth: calmeirão, calmeirão, todo quitado, todo músculos, agora quer tudo o que é tropa a medir a testosterona. Não sei sequer o que pense disto, de tão absudo que é. Não sei se a seguir vai impor que levem injecções, que ponham adesivos ou que apliquem o gel milagroso ou se o próprio Donald não forma uma empresa de Pau de Cabinda convencendo os incautos magalas a abastecer-se no Trump Free Shop. E, pensando bem, o mais certo é que, em breve, da ficha de candidatura às Forças Armadas conste também o tamanho do pénis.
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| Imagem gerada pelo ChatGPT |
Como as duas divertidas tertulianas que no vídeo que abaixo partilho, dizem: só um tipo que tem défice da dita se lembra de impor os testes aos outros como se ele a tivesse de sobra. Como o demente Trump que passa a vida a gabar-se de fazer testes cognitivos sem perceber que toda a gente pensa que se lhos fazem tantas vezes é porque andam a monitorizar o avanço da maluquice.
Michael Woolf no outro dia dizia que nos próximos cem anos, em termos de análise histórica, muita gente vai tentar perceber como é que foi possível que uma trupe tão desqualificada, comandada por um narcisista maligno, cruel, inconsequente e demente, tivesse conseguido ser eleito duas vezes com taxas de aceitação apesar de tudo razoavelmente elevadas. Concordo. É surpreendente, mesmo. Acho que seria interessante acrescentar mais um indicador para análse e para estudo de corrrelações: o tamanho do pénis, e, porque não?, também os níveis de testosterona.
Eu sei qual é o problema de Pete Hegseth com a questão masculina | Podcast do The Daily Beast
Jennifer Welch regressa ao podcast do Daily Beast depois de ter provocado uma tempestade política, revelando como um comentário sobre o ensino doméstico a colocou na mira do Departamento de Educação e dos meios de comunicação conservadores. De seguida, ela e Joanna Coles voltam a sua atenção para as maiores batalhas políticas da semana. Desde a obsessão de Pete Hegseth com a testosterona e a crítica mordaz de Jennifer ao movimento MAGA, passando pela saúde de Mitch McConnell, o futuro político de Andy Beshear, Todd Blanche, os arquivos de Epstein e as crescentes divisões dentro de ambos os partidos, Jennifer apresenta algumas das suas análises mais provocadoras até à data, explicando porque é que os democratas precisam de parar de se defender, porque é que as quezílias internas republicanas só pioram e porque é que as histórias que dominam Washington estão longe de terminar.

6 comentários:
Não compreendo o seu raciocínio. Já não é a primeira vez que leio textos seus, invariavelmente a propósito da comandita de Trump, em que menciona a "questão do tamanho". Fico surpreendida que uma pessoa tão inteligente recorra a tal brejeirice. Sinto que desce ao nível deles com o mesmo tipo de piadas, ridicularizando-os pelo presumível tamanho ridículo dos respectivos. Fica implícito que afinal, para si, o tamanho e a testosterona importam, e que Trump & Cia. não são lamentáveis pelas ideias e políticas que defendem - e esta questão de impor o controlo da testosterona dos militares parece-me um sinal muito prepcupante - mas porque não serão sificientemente "machos". Mas se Hegseth tiver tomeladas de testosterona é menos ridículo e perigoso? Ou já pode fazer estas patifarias porque tem "autoridade na matéria"?
Leu o que eu escrevi, reportando-me não apenas à surpreendente notícia dos testes e à gozação que provocou mas também ao que Joanna Coles e Jennifer Welch se divertem a propósito dela, o que gozam e riem e as cenas caricatas que imaginam? Viu o vídeo? Presumo que não. Se tivesse visto, teria percebido a paródia em torno do assunto, que o meu texto apenas muito vagamente aflorou.
Mas, ao menos, está de acordo que geralmente os mais homofóbicos são gays não assumidos? Os mais macho men, virilões, são fulanos complexados? Ou não? E concorda que a maneira de ser de uma criatura política com estas responsabilidades e as suas obsessões condicionam o seu comportamento no desempenho das suas funções? Ou não? Não deveremos olhar para a tresloucada realidade actual nos EUA à luz das bizarras criaturas que estão no poder? Concorda? Ou não...?
Ou o seu comentário não tem propriamente a ver com o que escrevi, nem com o vídeo, nem nunca tinha pensado nos tópicos que acabei de referir e é simplesmente a palavra pénis que lhe causa hipersensibilidade? Eu até já uso a palavra pila para que as almas mais sensíveis não se assanhem todas... mas, bolas, nem assim...
Confesso que não vi o vídeo, referia-me apenas ao seu texto. Não sei se os mais homofóbicos ou os nais armados em garanhões são na realidade homossexuais não assumidos ou inseguros quanto à sua masculinidade, é possível, apenas penso que é um argumento perigoso - porque reforça o mesmo estereótipo de masculinidade e valida que se ridicularize o outro, seja quem for, pelas suas características físicas. É isso que critico, seja pelo tamanho do pénis, pela altura, obesidade, etc., e há-de notar que é uma coisa que Trump faz muito.
Por acaso, não tenho o hábito de verificar ou sequer vêr os vídeos. NO último contacto(entre ambos) reconheço que o uso apressado do teclado pode originar sarilhos. Deve "lêr-se no contexto" Zamora acampamento romano de Petavonium ", é com humor uma simples. Troca d o símbolo é, por um a. Tudo de bom.
Tanto trabalho que os democratas tiveram em polvilhar a tropa de DEI e agora isto. Nada de mulheres, nada de trans, só homens e do género heteropatriarcado.
Porque é que a 'maltinha' dá palmadinhas nas costas da extrema-direita ucraniana?
Sim, pois é:
- à extrema-direita há séculos que está reservado um trabalhinho: caçar homens (tenham a PILA CURTA ou não ) na rua como cães para depois serem enviados para o 'front'.
[sim: a 'maltinha' (Blackrock, etc) adora fazer negócios no caos]
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