Fui picada no braço, tenho para aqui uma série de picadelas que estão a ficar bem eriçadas. Dão-me uma comichão dos diabos. Já desinfectei e pus pomada mas não acalma. Face a isso, não consigo concentrar-me. Devíamos pôr rede mosquiteira nas janelas. Com este calor, parece que, volta e meia, aparece por aqui uma bicheza miúda que só falta comer-nos vivos.
Sobre o dia, nada de mais a dizer. Continuo sob o compasso de espera que o contratempo de sábado impôs e isso parece abrir um hiato em que as hipóteses permanecem indefinidas. Nada de transcendente mas que é um transtorno, é.
Apesar disso, o dia não foi mau. Muito calor, é certo, mas, ainda assim razoável.
À noite, por aqui, a música de fundo é futebol, e este último jogo parece que foi dos bons. O meu marido disse: 'A França joga bem' e isso significa que gostou. Eu, se não é Portugal a jogar, então é que não consigo, não aguento nem dez segundos.
Contudo, ontem intervalámos e vi um programa que geralmente gosto de ver. Não vou dizer qual é porque o problema foi nosso e não do programa.
Há uma coisa que já aprendi: as coisas não são o que são, são, sim, o que a gente quer que elas sejam. Ou melhor, como a gente as vê. Se eu olhar com prévia admiração e com total condescendência, vou gostar do que vejo. Há quase uma incondicionalidade quando a gente se predispõe a gostar. É como quando se está apaixonado: só se veem virtudes, o/a outro/a é o/a maior, a melhor coisinha à superfície da terra, a última batata frita do pacote. Quem não esteja apaixonado, olha e vê um/a tipo/abanal, com algumas virtudes mas outros tantos defeitos, um beco sem saída, uma xaropada. É assim. E ainda bem que é, senão, se todos se apaixonassem por todos, havia de ser o bom e o bonito: um bacanal que acabava em zaragata ao fim de poucos minutos.
Foi mais ou menos o que aconteceu com este programa a que me refiro. Ontem, tirando um que me causa frenicoques, sempre causou, tira-me do sério de uma maneira que me torna inconveniente, com os outros tudo bem. E estiveram os cinco ali à conversa, depois houve um momento em que apareceram outras duas, mas coisa rápida, depois, no fim, juntou-se uma jovem que, geralmente, traz um saco cheio de assuntos misturados e mal mastigados, e, por fim, despediram-se mostrando coisas. O modelo é sempre este. Mas, portanto, estavam eles ali todos numa animação, previsões apocalípticas para aqui, salvações para acolá, e um dizia uma coisa, e outro dizia outra, e eu a ouvir. E vai o meu marido e atira: 'Diz-me lá uma coisa: dali qual é que achas que é o mais maluco.'. Desatei-me a rir. E percebi o ponto dele. E, olhando sob essa perspectiva, achei a pergunta perfeitamente legítima.
E agora, depois de ter adormecido durante o futebol, vejo este vídeo que aqui partilho (e, confesso, andei aos pulinhos, fui saltando, não vi tudo), e pensei: 'Vou ver isto sob que perspectiva: a de que só posso estar maluca para estar a ver isto'? Ou sob a lente antropológica de 'deixa cá ver o que é que estes dois malucos para aqui estão a dizer'?
Não cheguei a nenhuma conclusão. Quando o tema é maluquice, vejo malucos em todo o lado. É o que se costuma dizer quando se tem um martelo na mão: veem-se pregos em todo o lado.
Só me ocorreu que talvez a Alexandra Lencastre não tenha muitas rugas, mas parece-me que insuflou os lábios um bocadinho demais pois parece que não apenas ficaram assimétricos como já não encaixam lá muito bem. Mas, enfim, isso é lá com ela. Se isso não a incomoda, o que é que eu tenho a ver com isso?
Seja como for, o calor e a silly season e o escambau dão nisto: em vez de me deter em coisas eruditas ou científicas ou, vá lá, em coisas em que se aprenda alguma coisa, agora estou com isto.
Ou então é da comichão no braço. Tenho que ir carregar no fenistil.
E venha lá, então, esse vídeo.
Entrevista com Alexandra Lencastre no The Leite Show // Flávio Furtado
O estúdio do The Leite Show foi pequeno para receber uma das maiores atrizes portuguesas: Alexandra Lencastre. Numa das conversas mais surpreendentes de sempre, a atriz chega sem filtros nem receios e abre o jogo sobre episódios da sua vida pessoal e profissional que nunca tinha contado desta forma.
Alexandra revela que já fez amor no local de trabalho, que já se envolveu com colegas de profissão e que uma dessas relações acabou em casamento e traição. Fala ainda dos beijos técnicos que deixaram de ser apenas representação e conta tudo, porque aos 60 anos sente que já pode dizer o que lhe apetece.
Entre as muitas revelações, fala sem rodeios sobre um meio que conhece como poucos. Confessa que a sua área é um meio de muita inveja pelas razões erradas e partilha histórias que mostram os bastidores de um mundo nem sempre tão glamoroso quanto parece.
Pelo meio, recorda uma adolescência marcada por inseguranças, revela que era chamada feia pela própria família e revisita memórias que a acompanharam durante toda a vida.
Há ainda espaço para histórias inéditas dos tempos da Rua Sésamo, para revelar quem foi o pior ator com quem já contracenou e para explicar a verdadeira razão que a levou a trocar a TVI pela SIC.
Mas é quando fala do pai e da falta que ele lhe faz que surge um dos momentos mais emocionantes da conversa.
Entre revelações inesperadas, gargalhadas, emoções fortes e um momento tão improvável que acaba num beijo ao apresentador, Alexandra Lencastre mostra-se como raramente o público a viu.
Uma entrevista sem máscaras. Sem tabus. E impossível de perder.
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